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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESENHAS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Bruno Feitler</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Departamento de    Hist&oacute;ria - Unifesp. Estrada do Caminho Velho, 333. 07252-312. Guarulhos,    S.P. <a href="mailto:feitler@unifesp.br">feitler@unifesp.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">VAINFAS, Ronaldo.    <i>Jerusal&eacute;m colonial.</i> Judeus portugueses no Brasil holand&ecirc;s. Rio    de Janeiro: Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira, 2010, 376 p.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesse livro, que    &eacute; dos &uacute;ltimos resultados da sua importante produ&ccedil;&atilde;o    historiogr&aacute;fica, Ronaldo Vainfas se mant&eacute;m dentro da tem&aacute;tica    dos estudos sociorreligiosos, seguindo um veio que iniciou com seu Tr&oacute;pico    dos pecados (1989). Vainfas estuda desde ent&atilde;o fen&ocirc;menos v&aacute;rios    de desvios religiosos no mundo cat&oacute;lico portugu&ecirc;s. Esse prisma    na verdade diz muitas vezes mais sobre as institui&ccedil;&otilde;es e as culturas    dominantes do que os estudos a elas diretamente dedicados. Essa hist&oacute;ria    sociol&oacute;gica, voltada para as rupturas e as descontinuidades &agrave;    la Foucault, e que Vainfas domina com uma extrema sensibilidade e familiaridade,    &eacute; uma importante contribui&ccedil;&atilde;o para a compreens&atilde;o    do Brasil col&ocirc;nia e tamb&eacute;m um est&iacute;mulo metodol&oacute;gico    para os historiadores brasileiros.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em seu livro, <i>Jerusal&eacute;m    colonial</i>. <i>Judeus portugueses no Brasil holand&ecirc;s</i>, mais do que    apenas estudar a estrutura e o funcionamento da comunidade sefaradita local    (o que n&atilde;o deixa de fazer), Vainfas continua a tratar daqueles comportamentos    e personagens heterodoxos. Contudo, n&atilde;o lhe interessa estudar ritos e    cerim&ocirc;nias religiosas, mas sim o comportamento social e os dilemas identit&aacute;rios    dos seus personagens, tratando assim de uma quest&atilde;o que n&atilde;o deixa    de ser de uma extrema atualidade. Com todos os cuidados necess&aacute;rios,    ele abre uma janela para as liga&ccedil;&otilde;es existentes entre religi&atilde;o,    cultura, origem geogr&aacute;fica e identidade no mundo portugu&ecirc;s, no    qual esses judeus estavam inseridos muitas vezes com extremo gosto, e a despeito    da rejei&ccedil;&atilde;o que sofriam de parte dos "bons" cat&oacute;licos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essa leitura sociol&oacute;gica    da (curta) hist&oacute;ria da comunidade judaico-nordestina (1636-1654) tem    assim origem no pr&oacute;prio percurso de Vainfas. Mas ela tamb&eacute;m deve    muito &agrave; mais recente produ&ccedil;&atilde;o historiogr&aacute;fica sobre    a di&aacute;spora sefaradita, como ele claramente frisa desde a sua introdu&ccedil;&atilde;o,    sobretudo nos trabalhos de Yosef Kaplan e com seu conceito de "judeu-novo".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esses judeus, descendentes    daqueles convertidos &agrave; for&ccedil;a no Portugal de 1497, em seguida estigmatizados    pelo ep&iacute;teto de "crist&atilde;os-novos", sofreriam, por sua origem judaica    e por uma viv&ecirc;ncia cat&oacute;lica por vezes secular, "dramas de consci&ecirc;ncia"    (p. 15). Assim, Vainfas faz uma hist&oacute;ria geral da comunidade judaica    do Recife de Israel (<i>Kahal Kadosh Tsur Israel</i>), cuidadosamente reconstituindo    o percurso da comunidade m&atilde;e de Amsterd&atilde;, e retomando de Jos&eacute;    Ant&ocirc;nio Gonsalves de Mello, sua principal inspira&ccedil;&atilde;o, temas    como a import&acirc;ncia dos sefaraditas para a economia da empresa comercial    da Companhia das &Iacute;ndias Ocidentais no Brasil, concentrando-se na quest&atilde;o    identit&aacute;ria. Vainfas intencionalmente quis se manter livre de adotar    qualquer conceitua&ccedil;&atilde;o mais ampla de um "esp&iacute;rito judaico"    ou sefaradita, como fizeram muitos dos seus predecessores no estudo da di&aacute;spora    judaico-portuguesa. Ele quer assim evitar reduzir a an&aacute;lise da religiosidade    dessas pessoas a algo de un&iacute;voco, desviando-se do caminho seguido pelos    inquisidores ("Melhor n&atilde;o imit&aacute;-los", p.278), e pondo em causa    autores mais recentes como Nathan Wachtel, que defendem a ideia de uma "ess&ecirc;ncia    judaica" generalizada dos crist&atilde;os-novos ib&eacute;ricos (p.41). Nosso    autor contudo sucumbe, ao meu ver, a uma certa generaliza&ccedil;&atilde;o,    ao afirmar que "a ambival&ecirc;ncia dos judeus novos era, portanto, inerente    &agrave; identidade cultural - e individual - da maioria deles" (p.75). Mas    essa pequena nota n&atilde;o diminui em nada a import&acirc;ncia do seu livro.    Vainfas aplica ao caso brasileiro, no seu estilo instigante e inconfund&iacute;vel,    as mais recentes interpreta&ccedil;&otilde;es historiogr&aacute;ficas sobre    o juda&iacute;smo sefaradita, que at&eacute; agora permaneceram restritas a    limitadas publica&ccedil;&otilde;es acad&ecirc;micas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Jerusal&eacute;m    colonial</i> tamb&eacute;m traz novidades. Vainfas rev&ecirc; de modo surpreendente,    entre outras quest&otilde;es (a origem recifense do juda&iacute;smo de Nova    York, a figura do jesu&iacute;ta Ant&ocirc;nio Vieira, as divis&otilde;es no    seio da comunidade judaica, etc.), a personagem de Isaac de Castro Tartas. Preso    na Bahia em nome da Inquisi&ccedil;&atilde;o em 1644, e queimado vivo em seguimento    ao auto-da-f&eacute; lisboeta de 1647, ele foi transformado num verdadeiro m&aacute;rtir    do juda&iacute;smo pela comunidade de Amsterd&atilde;. Vainfas desfaz o mito    do erudito e corajoso rapazola que de Recife teria passado a Salvador para proselitizar    crist&atilde;os-novos, mostrando a tr&aacute;gica indefini&ccedil;&atilde;o    identit&aacute;ria de Isaac.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O autor tamb&eacute;m    consegue, retomando uma documenta&ccedil;&atilde;o de certo modo j&aacute; surrada,    encontrar novas e interessantes leituras da estrutura social da comunidade judaica    do Pernambuco holand&ecirc;s. Vainfas mostra que Tsur Israel foi monopolizada    por homens vindos da Europa. Ele fala primeiramente de "Uma nova di&aacute;spora.    Di&aacute;spora colonial" para se referir &agrave; comunidade pernambucana,    tendo em vista a sua intr&iacute;nseca liga&ccedil;&atilde;o com a empresa da    Companhia das &Iacute;ndias Ocidentais (p.160-161). Mas em seguida mostra que    essa colonialidade tamb&eacute;m pode ser flagrada na preponder&acirc;ncia num&eacute;rica    que os "retornados" na Europa tinham sobre os que se tornaram judeus professos    no Brasil. Para crescer, a comunidade dependeu sobretudo da imigra&ccedil;&atilde;o.    Finalmente, essa preponder&acirc;ncia europeia tamb&eacute;m era social. "Os    judeus convertidos no Recife acabaram relegados &agrave; condi&ccedil;&atilde;o    de judeus de segunda categoria. Judeus incertos. Judeus coloniais" (p.188).    &Eacute; sem d&uacute;vida isso que explica que alguns desses judeus-novos tenham    escolhido ir para Amsterd&atilde; para se fazer circuncidar, em vez de utilizar    os servi&ccedil;os dos <i>mohelim</i> locais.<a name="top1"></a><a href="#back1"><sup>1</sup></a></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">J&aacute; a escolha    de uma estrela de seis pontas para ilustrar a capa do livro parece ser um anacronismo    editorial, j&aacute; que a chamada estrela de Davi s&oacute; se tornou um s&iacute;mbolo    especificamente judaico durante o s&eacute;culo XVIII, a partir do mundo askenazi.<a name="top2"></a><a href="#back2"><sup>2</sup></a></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em todo caso, &eacute;    o trabalho uma grande contribui&ccedil;&atilde;o aos estudos dos judeus no Brasil,    sobretudo em tempos de redefini&ccedil;&otilde;es identit&aacute;rio-religiosas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Resenha recebida    em 10/03/2012.    <br>   Aprovada em 02/04/2012.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back1"></a><a href="#top1">1</a>    Lisboa. Arquivos Nacionais da Torre do Tombo (ANTT). Inquisi&ccedil;&atilde;o    de Lisboa (IL). Processo 11562. Processo contra Pedro de Almeida.    <!-- ref --><br>   <a name="back2"></a><a href="#top2">2</a> Ver SCHOLEM, Gershom. L'&eacute;toile    de David: histoire d'un symbole. In: Le messianisme juif... Paris, 1992, p.367-395.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000026&pid=S0104-8775201200010002400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body><back>
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