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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Geneva, sans-serif" size="2"><b>RESENHAS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Geneva, sans-serif" size="4"><b>LIMA,   Edilene Coffaci de &amp; C&Oacute;RDOBA, Lorena I. (orgs.). 2011. <i>Os     outros dos outros: rela&ccedil;&otilde;es de alteridade na etnologia     sul-americana.</i> Curitiba: Ed. UFPR. 274pp.</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana, Geneva, sans-serif" size="2"><b>Mar&iacute;a Agustina   Morando</b></font></p> </font><font face="Verdana, Geneva, sans-serif" size="2">FFyL, Universidad de   Buenos Aires</font>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Geneva, sans-serif" size="2">A ideia de organizar este volume surgiu durante a   realiza&ccedil;&atilde;o da VIII Reuni&atilde;o de Antropologia do Mercosul em   Buenos Aires, em 2009, por iniciativa de duas colegas antrop&oacute;logas, uma   argentina e a outra brasileira: Lorena C&oacute;rdoba e Edilene Coffaci de   Lima. A colet&acirc;nea re&uacute;ne escritos provenientes de horizontes   etnol&oacute;gicos variados no esfor&ccedil;o de ampliar a discuss&atilde;o em   torno das diversas formas de construir a alteridade na etnologia sul-americana   em diferentes &eacute;pocas e lugares, ainda que atrav&eacute;s de um ponto de   vista particular. Com efeito, a colet&acirc;nea busca transcender o que   geralmente se entende por &#8220;rela&ccedil;&otilde;es de alteridade&#8221; ou   &#8220;rela&ccedil;&otilde;es inter&eacute;tnicas&#8221;, j&aacute; que   n&atilde;o d&aacute; &ecirc;nfase &agrave; discuss&atilde;o das   vincula&ccedil;&otilde;es entre os grupos ind&iacute;genas e os distintos   representantes da sociedade externa (o Estado, os mission&aacute;rios, os   antrop&oacute;logos, os militares, as organiza&ccedil;&otilde;es de   desenvolvimento etc.), mas &agrave; discuss&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es   que distintos grupos ind&iacute;genas estabeleceram e estabelecem entre si, bem   como ao conhecimento antropol&oacute;gico derivado de tais   rela&ccedil;&otilde;es. </font></p>     <p><font face="Verdana, Geneva, sans-serif" size="2">&nbsp;A fim de abordar as diferentes representa&ccedil;&otilde;es da   alteridade na etnologia sul-americana, os trabalhos apresentados foram divididos   em tr&ecirc;s se&ccedil;&otilde;es tem&aacute;ticas. A primeira   se&ccedil;&atilde;o, intitulada &#8220;Guerra, Com&eacute;rcio e Redes de   Interc&acirc;mbio&#8221;, &eacute; composta de cinco artigos centrados nas   guerras e nos conflitos entre os grupos ind&iacute;genas e seus vizinhos.   Assim, Karenina Vieira Andrade analisa, atrav&eacute;s dos relatos   mitol&oacute;gicos dos Yekuan&aacute; do Orinoco, a imagem que constroem de   grupos &eacute;tnicos tais como os Mawiisha, os Maaku, os Sanum&aacute;, e os   brancos. Os relatos analisados revelam muito sobre as rela&ccedil;&otilde;es de   oposi&ccedil;&atilde;o estabelecidas entre os Yekuan&aacute; e outros grupos   &eacute;tnicos, mas tamb&eacute;m sobre os pr&oacute;prios Yekuan&aacute;. O   segundo trabalho, apresentado por Federico Bossert, Jos&eacute; Braunstein e   Alejandra Siffredi, examina a din&acirc;mica inter&eacute;tnica dos   Nivacl&eacute; e dos Pilag&aacute; entre finais do s&eacute;culo XIX e   princ&iacute;pios do s&eacute;culo XX a partir da revis&atilde;o de documentos   produzidos por observadores brancos entre os anos de 1880 e 1938. Os diferentes   documentos deixados por exploradores e mission&aacute;rios revelam a   mudan&ccedil;a dos v&iacute;nculos entre os grupos, descritos como   &#8220;inimigos tradicionais&#8221; at&eacute; a primeira metade do   s&eacute;culo XX. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Geneva, sans-serif" size="2">Clarice Cohn, por sua   vez, enfoca em seu trabalho a rela&ccedil;&atilde;o dos Mebengokr&eacute; com   os Outros sob um olhar feminino. A partir da observa&ccedil;&atilde;o do   cotidiano das mulheres mebengokr&eacute;, a autora d&aacute; conta de sua   vincula&ccedil;&atilde;o com a ro&ccedil;a e demonstra como os outros   s&atilde;o definidos como tais pelas suas ro&ccedil;as e suas habilidades de   domestica&ccedil;&atilde;o e cultivo. J&aacute; Edmundo Antonio Peggion estuda   em seu texto os conflitos e as alian&ccedil;as entre os povos Tupi-Kagwahiva da   regi&atilde;o sul do estado do Amazonas, tendo como ponto principal o   come&ccedil;o do s&eacute;culo XX. O autor busca articular nesse trabalho a   documenta&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica da regi&atilde;o &agrave; sua   etnografia entre os Tenharim. Fechando a se&ccedil;&atilde;o, Laura P&eacute;rez   Gil investiga, atrav&eacute;s da an&aacute;lise das narrativas orais, a   rela&ccedil;&atilde;o estabelecida pelos Yaminawa do alto Juru&aacute; e do   alto rio Mapuya com os povos vizinhos Amahuaca e Ashaninka.</font></p>     <p><font face="Verdana, Geneva, sans-serif" size="2">&nbsp;A segunda   se&ccedil;&atilde;o da colet&acirc;nea, intitulada &#8220;Modos de   classifica&ccedil;&atilde;o e etnon&iacute;mia&#8221;, apresenta a   liga&ccedil;&atilde;o entre as denomina&ccedil;&otilde;es &eacute;tnicas e os   jogos de rela&ccedil;&otilde;es que os grupos mant&ecirc;m com o exterior. No   primeiro trabalho, Isabelle Comb&egrave;s demonstra como as categorias   utilizadas pelos grupos da regi&atilde;o do Chaco Boreal foram concebidas pelos   antrop&oacute;logos como etn&ocirc;nimos que definiam grupos determinados,   causando assim sua tergiversa&ccedil;&atilde;o. Lorena C&oacute;rdoba e Diego   Villar estudam, a partir de uma an&aacute;lise de fontes que abrangem do   s&eacute;culo XVIII ao presente, o ciclo de desenvolvimento hist&oacute;rico   das estruturas de nomina&ccedil;&atilde;o &eacute;tnica entre os Pano   meridionais. Os autores procuram mostrar que os etn&ocirc;nimos dos Pano   meridionais n&atilde;o designam entidades sociol&oacute;gicas fixas, mas tramas   de rela&ccedil;&otilde;es, experi&ecirc;ncias, articula&ccedil;&otilde;es e   media&ccedil;&otilde;es. </font></p>     <p><font face="Verdana, Geneva, sans-serif" size="2">O trabalho de Denise Fajardo Grupioni traz uma an&aacute;lise   comparativa entre os termos com os quais grupos ind&iacute;genas como os Shuar,   os Qom, os Kapon e Pemon, os Purenho, os Tareno e os Naon&eacute; denominam a   si mesmos &#8220;gente&#8221; ou &#8220;povo&#8221;, designando os outros como   &#8220;gentes outras&#8221;. Por sua vez, Edilene Coffaci de Lima indaga sobre   as mudan&ccedil;as do etn&ocirc;nimo Katukina desde o s&eacute;culo XX,   at&eacute; chegar &agrave; denomina&ccedil;&atilde;o atual de Noke Kuin.   Segundo a autora, o processo estaria ligado aos agentes pol&iacute;ticos e aos   grupos com os quais este grupo interage. Encerrando esta se&ccedil;&atilde;o,   Silvia Lopes da Silva Macedo busca determinar qual &eacute; a l&oacute;gica de   classifica&ccedil;&atilde;o da alteridade entre os Way&atilde;py que residem   dos dois lados da fronteira entre o Brasil e a Guiana Francesa. A autora   realizou suas pesquisas de mestrado e doutorado com os Way&atilde;py do   Amap&aacute; (Brasil) e do Oiapoque (Guiana Francesa), tendo como foco a   quest&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es deste grupo com seus outros.     Os   outros mais recorrentemente citados s&atilde;o os brasileiros, os franceses, os   surinameses, os negros-marrom e os amer&iacute;ndios &eacute;merillon, wayana,   pakilur e galibi.</font></p>     <p><font face="Verdana, Geneva, sans-serif" size="2">A &uacute;ltima se&ccedil;&atilde;o do livro intitula-se &#8220;Figuras de   alteridade: mitos, pr&aacute;ticas e rituais&#8221;. No primeiro texto da   se&ccedil;&atilde;o, Francis Ferri&eacute; faz uma an&aacute;lise das   dan&ccedil;as na localidade de Apolo, no piemonte boliviano, lugar que   constitui um ponto de encontro entre a serra dos Andes e as plan&iacute;cies   amaz&ocirc;nicas. As dan&ccedil;as s&atilde;o uma ferramenta importante que   permite ao autor compreender as rela&ccedil;&otilde;es socio&eacute;tnicas de   Apolo. Pedro Lolli estuda em seu trabalho as trocas rituais entre os Yuhupdeh e   os Tucano no Alto Rio Negro. Segundo o autor, os interc&acirc;mbios rituais e   de mercadorias s&atilde;o os que mais conectam os Yuhupdeh &agrave; rede   regional de povos do Noroeste Amaz&ocirc;nico. Alejandro L&oacute;pez, por sua   vez, investiga certas representa&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas dos   Mocov&iacute; do Chaco, abordando desde o s&eacute;culo XIX &#8211;   &eacute;poca em que as trocas positivas e negativas ocorriam preferencialmente   com os Abipones &#8211; at&eacute; a atualidade, quando este &uacute;ltimo   grupo &eacute; substitu&iacute;do pelos Toba. </font></p>     <p><font face="Verdana, Geneva, sans-serif" size="2">Pablo Send&oacute;n   pesquisa o mito dos Chullpas no distrito de Marcapata, prov&iacute;ncia de   Quispicanchi, Peru, comparando-o a vers&otilde;es obtidas entre outras   popula&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas peruanas e bolivianas. Sustentando   que as vers&otilde;es estudadas n&atilde;o devem ser consideradas opostas, mas   unificadoras das popula&ccedil;&otilde;es que parecem estar separadas, o autor   busca relativizar os limites pol&iacute;ticos, ecol&oacute;gicos, sociais e   temporais da regi&atilde;o. Finalmente, Marina Vanzolini se prop&otilde;e a   analisar a din&acirc;mica da feiti&ccedil;aria entre os Aweti do Alto Xingu,   mostrando de que modo ela se vincula a diferentes formas de   rela&ccedil;&otilde;es estabelecidas entre as pessoas. </font></p>     <p><font face="Verdana, Geneva, sans-serif" size="2">A colet&acirc;nea   constitui, assim, uma contribui&ccedil;&atilde;o para a etnologia   sul-americana, apresentando uma abordagem inovadora sobre a quest&atilde;o da   constru&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de alteridade a partir do   ponto de vista das socialidades ind&iacute;genas. Mais que isso, o livro   cont&eacute;m trabalhos de not&aacute;vel qualidade, clareza e n&iacute;vel   acad&ecirc;mico, os quais oferecem ao leitor a oportunidade de aprofundar o   conhecimento sobre um tema n&atilde;o muito explorado na etnologia   sul-americana. Por &uacute;ltimo, mas n&atilde;o menos importante, este volume   representa um passo significativo para o desenvolvimento de um campo de   pesquisa rico em possibilidades e certamente d&aacute; a conhecer um material   que deve ser levado em conta por qualquer antrop&oacute;logo interessado no   estudo das rela&ccedil;&otilde;es inter&eacute;tnicas entre as socialidades   ind&iacute;genas da Am&eacute;rica do Sul. </font></p>       ]]></body>
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