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</front><body><![CDATA[ <p align=right><font face="Verdana" size="2"><b>EDITORIAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="4"><a name=topo></a><b>Consultoria e legitimação    da ciência: uma importante relação</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Maria Lucia Boarini</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">Com este número concluímos o volume 9 de Psicologia    em Estudo e, como sói acontecer no último número, apresentamos nominalmente    a relação dos consultores <i>ad hoc<a name=n1></a></i><a href="#n01"><sup>1</sup></a>    que conosco estiveram no período de janeiro a meados de novembro de 2004. Foram    190 profissionais de diferentes universidades brasileiras, dos mais diferentes    lugares, próximos ou distantes desta terra roxa do Paraná. Não constam desta    relação, por razões óbvias, os nomes dos que declinaram do nosso convite ou,    embora o tenham aceitado, não nos privilegiaram com seu parecer. Felizmente    é pequena a incidência destes casos. Se assim não fosse, certamente seriam maiores    as dificuldades para o controle de qualidade das publicações científicas. Ao    editor de um periódico científico é humanamente impossível conseguir avaliar    a originalidade, o rigor metodológico, a profundidade da análise, o aspecto    ético e tantas outras importantes dimensões de todos os artigos que lhe chegam    às mãos, ainda que o periódico sob sua responsabilidade tenha um eixo temático.    Imagine então o leitor quando o periódico adota a pluralidade teórica e acolhe    artigos da sua área de conhecimento e de outras afins, como é o nosso caso!    Entretanto, adotando ou não um eixo temático, o sistema de avaliação pelos pares    é um importante recurso do editor cientifico. E é exatamente pela relevância    desta assessoria que neste editorial destacaremos algumas questões que, seguramente,    já são conhecidas por todos quantos transitam no campo da editoração científica,    mas nem sempre são colocadas em evidência<a name=n2></a><a href="#n02"><sup>2</sup></a>.    São os consultores <i>ad hoc</i> que aceitam como atribuição avaliar estudos    (projetos, artigos etc.) desprovidos de qualquer conotação pessoal, considerando    que, via de regra, este sistema se caracteriza pelo anonimato de ambas as partes    (autor e consultor), chamado nos meios editoriais de sistema <i>blind-review</i>.    É necessário sublinhar que no interior da Academia este trabalho tem como única    moeda de troca alguns pontos acrescidos ao <i>curriculum</i>. É importante lembrar    também que este sistema não é novo nem por nós, editores brasileiros, foi criado.    De acordo com Pessanha (1998), o embrião do processo de avaliação da ciência    já é constatado "com o surgimento das primeiras revistas científicas — o <i>Journal    des Sçavants</i>, na França, e o <i>Philosophical Transactions</i>, da Royal    Society, na Inglaterra, em janeiro e março de 1665 respectivamente —, substituindo    as cartas que, até então, os cientistas trocavam entre si para comunicar os    resultados de suas pesquisas" (on line). Assim, a considerar o tempo transcorrido,    é possível afirmar que a figura do consultor já tem seu lugar consolidado nos    limites da ciência. E mais: se partirmos do princípio de que resultados de pesquisas    e estudos realizados são, no caso brasileiro, mais bem pontuados quando publicados    em periódicos reconhecidos pelas agências de fomento (CAPES, CNPq, por exemplo),    é possível aquilatar o valor do sistema de avaliação pelos pares, sobretudo    quando se trata de periódicos com este credencial. É possível avaliar também    o prejuízo que, em doses homeopáticas,  um parecer apressado e mal-formulado    pode causar à construção da ciência de maneira geral. São estes consultores    que, em parceria com o editor,  devem chancelar com o timbre da ciência o texto    publicado. Nesta perspectiva a função deste consultor toma uma nova e mais importante    dimensão. Em outras palavras, ao avaliar um artigo o consultor deve garantir    o avanço e a integridade da ciência.  Mas se este <i>status</i> do consultor,    por um lado, pode confirmar a importância de sua função, por outro lado, traz    sérias inquietações, se levarmos em conta o rápido e constante desenvolvimento    da ciência, o avanço acelerado da tecnologia das informações e o produtivismo    nada interessante para o conhecimento, de certa forma presente em nossos dias,    no Brasil. Não é tão incomum constatarmos que um único estudo foi desmembrado    em partes publicadas em periódicos diferentes. Não é tão incomum um singelo    texto, reproduzindo conhecimentos já existentes, vir assinado por vários autores    (aliás este é um assunto para outro editorial). Isto sem contar casos mais sérios    de plágio ou recorte de textos do próprio autor resultando em um "novo" texto.    Em síntese, podemos afirmar que esta situação exige muito mais do consultor,    que deve avaliar a forma e o conteúdo de um texto e estar atento a possíveis    problemas de ordem ética. Sem contar que este consultor também deve produzir    e publicar, anualmente, pelo menos dois artigos, o que, em nosso entender, na    área das Ciências Humanas é razoavelmente complicado. Desta forma não é difícil    notar que o percurso de avaliação hoje é, talvez mais que em outras épocas,    pavimentado de novos e preocupantes desafios. Se neste espaço estamos nos referindo    ao caso brasileiro é simplesmente por uma questão de familiaridade, o que não    significa que estes desafios sejam de exclusividade nacional ou de uma determinada    área de conhecimento. A prova disto são alguns congressos internacionais que    já aconteceram para tratar desta temática, dos quais,  de acordo com Pessanha    (1998), "Um bom exemplo foi o The International Congress on Biomedical Peer    Review and Global Communications, promovido pelo <i>Journal of American Medical    Association</i> - JAMA, <i>British Medical Journal</i> - BMJ e Project HOPE,    em Praga, República Tcheca, em 1997<a name=n3></a><a href="#n03"><sup>3</sup></a>...    além da vasta literatura sobre este assunto" (on line). Enfim, sem esgotar o    assunto, estes breves comentários têm como principal objetivo chamar a atenção    para a importante função do consultor <i>ad hoc,</i> que, anônima e silenciosamente,    tem a inegável responsabilidade de legitimar a ciência. "Não é pouca coisa não"    - recorrendo à significativa expressão popular.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="3"><b>REFERÊNCIAS</b> </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Coimbra JR., C. E. A. (2003) Desafios à avaliação    da literatura científica: a revisão pelos pares<i>. Caderno Saúde Pública</i>,    <i>19</i>(5), 1224-1225. Disponível em: &lt;<a href="http://www.scielo.br" target="_blank">http://www.scielo.br</a>&gt;     (Acessado em 16/11/2004). </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Feitosa, M. A. G. (1993). A ética no processo    de revisão de manuscritos: a expectativa do editor em relação ao papel do consultor.    <i>Psicologia: Teoria e Pesquisa,9</i>, IV-VI.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Pessanha, Charles. (1998) Editorial criteria    for the scientific evaluation: remarks for discussion.<i> Ciência Informação</i>,    27(2). Disponível em: &lt;<a href="http://www.scielo.br" target="_blank">http://www.scielo.br</a>&gt;    (Acessado em 15/11/204).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Yamamoto, O. H. (2002). As responsabilidades    do editor de um periódico científico.<i> Estudos de psicologia, 7</i>(1), 3-4.    Disponível em: &lt;<a href="http://www.scielo.br" target="_blank">http://www.scielo.br</a>&gt;    (Acessado em 16/11/2004).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a name=n01></a><a href="#n1">1</a> Em língua    inglesa esta consultoria ou sistema de arbitragem ou, ainda, sistema de avaliação    pelos pares é denominada de <i>referee system, peer review</i>. No Brasil via    de regra adotamos o termo consultor <i>ad hoc</i> (consultor para esta circunstância),    parecerista dentre outros sinônimos.    <br>   <a name=n02></a><a href="#n2">2</a> No Brasil são poucos os editores que já    abordaram este assunto, dos quais podemos destacar Coimbra (2003), Feitosa (1993),    Pessanha (1998), Yamamoto (2002).    <br>   <a name=n03></a><a href="#n3">3</a> O 5º sobre esta temática promovido <i>Journal    of American Medical Association</i> - JAMA, <i>British Medical Journal</i> -    BMJ e Project HOPE, deve ocorrer em 2005 no Estados Unidos. O leitor interessado    pode encontrar informações mais detalhadas no site <a href="http://www.jama-peer.org." target="_blank">http://www.jama-peer.org.</a>    e em Coimbra Jr., (2003).</font></p>     ]]></body>
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