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<publisher-name><![CDATA[Departamento de Psicologia - Universidade Estadual de Maringá]]></publisher-name>
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<article-id pub-id-type="doi">10.1590/S1413-73722004000300004</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Representações sobre a adolescência a partir da ótica dos educadores sociais de adolescentes em conflito com a lei<A NAME="n1"></A>]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This work had the objective to apprehend the content and structure of the social representations (RS) on adolescence, under the optics of social development assistants (ADS) for adolescents in conflict with the law and under social and educative confinement measures. Interviews were carried out with 40 educators of three units of Foundation for the Children and Adolescents, in which it was requested the participants to talk about the adolescence. The data were analyzed by the alceste software. The results show two adolescence representations: the "normal", characterized by a moment of transition, omnipotence and difficulties in the development process; and the "different", the transgressor, from a "dysfunctional family", whose representation serves as model for the conflicting interactions that lead to the infraction. ADSs demonstrate disbelief in the possibility of an educational work, considering the presupposed absence of a healthy family structure and the adolescents' "weakness." Progresses and resistances are intertwined.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align=right><font face="Verdana" size="2"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="4"><a name=topo></a><b>Representações sobre a adolescência     a partir da ótica dos educadores sociais de adolescentes em conflito com a lei<a name=n1></a><a href="#n01"><sup>1</sup></a>    </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Representations on adolescence by the educators    of juvenile transgressors</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Daniel Henrique Pereira Espíndula<sup>I</sup>;    Maria de Fátima de Souza Santos<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><sup>I</sup>Mestrando do Programa de Pós-Graduação    em Psicologia da UFES    <br>   <sup>II</sup>Docente do Departamento de Psicologia e do Programa de Pós-Graduação    em Serviço Social da UFPE</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#correspond"><font face="Verdana" size="2">Endereço para correspondência</font></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Este trabalho buscou apreender o conteúdo e estrutura    das representações sociais (RS) sobre adolescência, sob a ótica dos assistentes    de desenvolvimento social (ADS) de adolescentes em conflito com a lei, em medidas    socioeducativas de internação. Foram feitas entrevistas com 40 educadores de    três unidades da Fundação da Criança e do Adolescente, nas quais se solicitava    aos participantes que falassem sobre a adolescência. Os dados foram analisados    pelo <i>software alceste</i>.  Os resultados obtidos apontam duas representações    de adolescência: a "normal", caracterizada por um momento de transição, onipotência    e dificuldades no processo de desenvolvimento; e a infratora, "diferente", oriunda    de uma "família desestruturada", representação que serve de modelo para as interações    conflituosas que levam à infração. Os ADSs demonstram descrença na possibilidade    do trabalho educativo, pela suposta ausência de uma estrutura familiar saudável    e pela "fraqueza" desses adolescentes. Avanços e resistências vão se tecendo.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave: </b>adolescente em conflito    com a lei, representação social, desenvolvimento humano.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">This work had the objective to apprehend the    content and structure of the social representations (RS) on adolescence, under    the optics of social development assistants (ADS) for adolescents in conflict    with the law and under social and educative confinement measures. Interviews    were carried out with 40 educators of three units of Foundation for the Children    and Adolescents, in which it was requested the participants to talk about the    adolescence. The data were analyzed by the <i>alceste software</i>.  The results    show two adolescence representations: the "normal", characterized    by a moment of transition, omnipotence and difficulties in the development process;    and the "different", the transgressor, from a "dysfunctional    family", whose representation serves as model for the conflicting interactions    that lead to the infraction. ADSs demonstrate disbelief in the possibility of    an educational work, considering the presupposed absence of a healthy family    structure and the adolescents' "weakness." Progresses and resistances    are intertwined.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Key words: </b>adolescent in conflict with    the law; social representation; human development.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">Este trabalho tem por objetivo verificar o conteúdo    e a estrutura das representações sociais sobre o desenvolvimento, dando ênfase    à questão da adolescência, a partir da ótica dos assistentes de desenvolvimento    social (ADSs) de adolescentes que estão em conflito com a lei e cumprindo medidas    socioeducativas em regime de internação na Região Metropolitana do Recife.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Uma das grandes conquistas da Constituição de    1988 foi criar as condições necessárias para a elaboração do Estatuto da Criança    e do Adolescente (ECA), rompendo com a <i>doutrina da situação irregular</i>    para aderir à <i>doutrina da proteção integral</i>, na qual toda criança ou    adolescente é considerado sujeito de direito e em fase especial de desenvolvimento,    requerendo, portanto, a proteção do Estado. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No caso dos adolescentes em conflito com a lei,    dependendo do ato infracional cometido e do número de reincidências, eles podem    ser julgados e, se condenados, cumprir pena em regime de internação por até    três anos, mesmo que completem a idade de 18 anos durante o período de cumprimento    dessa pena. Conforme verificamos no art. 121 do ECA, "A internação constitui    medida privativa da liberdade, sujeita a princípios de brevidade, excepcionalidade    e respeito à condição peculiar da pessoa em desenvolvimento". E ainda, segundo    o art. 123, parágrafo único, "Durante o período de internação inclusive provisória,    serão obrigatórias atividades pedagógicas". Nas unidades de internação, além    de outros profissionais, existem os assistentes de desenvolvimento social (ADS),    que são os profissionais mais próximos dos adolescentes, pela convivência diária,    podendo servir como um veículo mediador dos valores e normas sociais. Compreender    as concepções desses educadores a respeito da adolescência é fundamental, na    medida em que tais concepções podem ser orientadoras de suas práticas cotidianas    na relação com o adolescente. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nessa perspectiva, adotou-se a  teoria das representações    sociais,desenvolvida por Serge Moscovici, em 1961, que visa compreender as teorias    do senso comum a respeito de objetos específicos. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Atualmente o estudo das representações sociais    (RS) constitui-se num campo muito vasto de pesquisa, que tem a capacidade de    englobar uma ampla variedade de temas, visto que se relaciona a qualquer objeto    social que é transmitido através da comunicação e que tenha uma importância    para o grupo, fazendo parte de suas práticas cotidianas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ao tomarmos uma representação como algo que é    elaborado de forma coletiva a partir das trocas e práticas dentro de um contexto    histórico, podemos supor que a representação é responsável por fornecer os subsídios    para os julgamentos e atitudes. Ela é  responsável por dar significado e coerência    ao universo vivido e se expressa em várias formas de comunicação, servindo assim    como pano de fundo para as atitudes dos indivíduos. Considera-se que as representações    sociais, enquanto um sistema de interpretação capaz de conduzir a nossa relação    com o mundo e com os outros, são capazes de orientar e organizar as condutas    e comunicações sociais.  O estudo das representações permitiria, então, compreender    o conjunto de significados atribuídos por um determinado grupo social a um objeto,    bem como aos comportamentos relativos a este objeto.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">As representações têm ainda como característica    apresentarem em sua estrutura um conjunto de significados que resistem às mudanças.    Esta estrutura possui uma parte que é um agrupamento de elementos composto de    certas regularidades, as quais são resistentes às transformações pequenas, imediatas    e que fazem parte do contexto, e uma outra parte que é capaz de se adaptar facilmente    às alterações cotidianas do meio, ou seja, às alterações que ocorrem no contexto    social mais imediato. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Dessa forma, cada grupo constrói um significado    partilhado sobre algum fato ou ocorrência, e este significado é relativamente    capaz de se adaptar ao contexto imediato, mas, ao mesmo tempo, é suficientemente    estável para não aceitar que o significado já atribuído a uma dada situação    sofra alterações importantes, diante de alguma variação.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Tomando ainda as representações como um instrumento    de estudo, Campos (2001) salienta que a teoria das representações se constitui    em um importante meio, particularmente, nas situações em que os aspectos simbólicos    são determinantes das condutas, das práticas e dos comportamentos dos grupos    sociais.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Segundo Santos, Novelino &amp; Nascimento (2001,    p. 271),</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">Enquanto modalidade de conhecimento a formação      de uma representação implica numa atividade ao mesmo tempo individual e coletiva;      só a partir do momento em que o indivíduo apropria-se e reorganiza os modos      de pensamento é que tais representações consolidam-se subjetivamente passando,      então, a compor suas interpretações de mundo, de si mesmo e influindo em suas      práticas cotidianas. As representações têm assim, entre outras, a função de      nortear as pessoas em seu ambiente, servindo de guias referenciais de ação.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">O sentido dado a um determinado objeto social    é, destarte, construído coletivamente ao longo da história social. Representar    implica sempre um sujeito e um objeto, intrinsecamente ligados. Segundo Moscovici    (1984, p.71), "este laço com o objeto é uma parte intrínseca do laço social    e ele deve ser interpretado neste quadro". Logo, ao se estudarem as RSs de um    grupo acerca de um objeto qualquer é necessário conhecer a história social do    objeto e do grupo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>DE MENOR DELINQÜENTE A ADOLESCENTE INFRATOR</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em 1916, foi elaborado no Brasil o código civil    que vigorou até o ano de 2003. Este código foi responsável por regular os direitos    individuais, o direito da propriedade e o direito da família. É no direito da    família que estão especificadas as obrigações dos pais em relação aos filhos.    Entre essas obrigações temos o direito à filiação, à sucessão no nome e na herança,    à alimentação, à educação e à saúde. O Estado entraria apenas a título complementar,    caso faltasse a proteção familiar.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Não obstante, o que  veio a consolidar toda uma    legislação sobre crianças, até então originária de Portugal, do Império e d    República, foi o Código de Menores, em 1927. Este código consagrou o sistema    de atendimento à criança atuando especificamente sobre os chamados efeitos da    ausência, atribuindo ao Estado a tutela sobre o órfão, o abandonado e aqueles    cujos pais fossem tidos como ausentes, tornando disponíveis seus direitos de    pátrio poder.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os chamados direitos civis, compreendidos como    os direitos relativos à criança inserida numa "família-padrão", seguindo os    moldes socialmente aceitáveis, continuaram no Código Civil sem que houvesse    alterações substanciais. Nos casos em que houvesse o descumprimento de quaisquer    das obrigações estipuladas aos pais, ou conduta "anti-social" da criança ou    do adolescente, justificar-se-ia a passagem da tutela dos pais para o juiz e    do Código Civil para o Código de Menores.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O Código de Menores de 1927 visava legislar sobre    crianças e adolescentes de 0 a 18 anos, em estado de abandono, quando não possuíssem    moradia certa, tivessem pais falecidos ou que fossem declarados incapazes, estivessem    presos há mais de dois anos, fossem vagabundos, mendigos, exercessem trabalhos    proibidos, fossem prostitutos ou economicamente incapazes de suprir a necessidade    de seus filhos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">O Código classificou os menores de sete anos    como <i>expostos</i> e os menores de 18 como <i>abandonados</i>. Dessa forma,    os meninos em situação de rua passaram a ser <i>vadios</i>, aqueles que pedem    esmolas ou vendiam coisas nas ruas eram <i>mendigos</i> e aqueles que freqüentavam    prostíbulos, <i>libertinos</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Somente o artigo 68 do Código se ocupou do então    denominado <i>menor delinqüente</i>; diferenciou os menores de 14 anos daqueles    com idades entre 14 completos e 18 incompletos, evidenciando a competência do    juiz para determinar todos os procedimentos em relação a eles e a seus pais.    Estabeleceu ainda a obrigatoriedade da separação dos <i>menores delinqüentes</i>    dos condenados adultos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em 1940, foi promulgado o Código Penal Brasileiro    (Decreto-Lei n.º 2.848/40), consagrando a inimputabilidade criminal do menor    de 18 anos, regulamentada em seguida pelo Decreto-Lei n.º 3.914/41, até hoje    em vigor. Para os <i>delinqüentes</i> que fossem maiores de 16 anos, criou-se    a possibilidade de <i>liberdade vigiada</i>, na qual a família ou os tutores    seriam responsáveis pela sua regeneração, com a obrigação de reparação dos danos    causados e de apresentação mensal do menor em juízo. O Código de Menores também    estendeu a autoridade do juiz sobre os jovens de 18a 21 (termo que    ainda se mantém no ECA) concedendo-lhes atenuante frente ao Código Penal, mas    determinando seu recolhimento em espaços correcionais pelo prazo de um a cinco    anos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A passagem do código de 1927 para o de 1979 deu-se    mediante a criação da Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor (FUNABEM). As    Fundações Estaduais de Bem-Estar do Menor - FEBEMs e a FUNABEM foram criadas    a fim de terem autonomia financeira e administrativa, incorporando todas as    estruturas do Serviço de Assistência ao Menor dos estados, incluindo aí o atendimento    tanto aos carentes e abandonados quanto aos infratores.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Importante ressaltar que as FEBEMs e a FUNABEM    foram criadas durante uma ampla reforma ocorrida no período do golpe militar    de 1964, fazendo com que a política nacional de atendimento ao menor passasse    a ser tratada sob o âmbito da Doutrina de Segurança Nacional. Foi sob esta percepção    que o menor voltou a ser figura de destaque, passando também a ser efetivamente    tratado como um problema de ordem estratégica. Saiu da esfera de competência    do Poder Judiciário e foi para a do Executivo. Nessa perspectiva, o Brasil adotou    uma sistemática de internação de carentes e abandonados até os 18 anos e de    tratamento dos infratores com a adoção da política dos muros retentores. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Com o fim do regime militar, o conseqüente reordenamento    jurídico do país e a promulgação da Constituição de 1988, a pauta dos direitos    humanos voltou a ser tema de discussão, sobretudo no que diz respeito à proteção    à mulher, à família, à criança e ao adolescente. Entretanto, foi no artigo 227    que se fez necessária a criação de uma lei específica, surgindo daí o ECA, aprovado    em 13 de julho de 1990. A partir do ECA todas as prescrições dos códigos de    menores de 1927 e 1979 que normatizavam a inimputabilidade penal, com normas    claras e objetivas quanto ao tratamento reservado aos adolescentes que cometessem    atos infracionais, foram reformuladas a fim de conceber este jovem agora como    necessitado de cuidados e garantias especiais. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Essa mudança de concepção da criança e do adolescente    como menor em situação irregular para pessoa que necessita de cuidados protetivos    marca a passagem da Doutrina da Situação Irregular para a Doutrina da Proteção    Integral. Crianças de até 12 anos e adolescentes de até 18 passaram a ser definidos    como cidadãos, possuidores de direitos, na condição peculiar de pessoas em fase    de desenvolvimento, eliminando assim a rotulação de <i>menor, infrator,    carente, abandonado</i> etc., e classificando todos como crianças    e adolescentes em situação de risco pessoal e social. Dessa forma, o Estatuto    da Criança e do Adolescente passou a garantir-lhes os direitos pessoais e sociais,    através da criação de oportunidades e facilidades que possibilitassem o desenvolvimento    físico, mental, psíquico, moral, espiritual, afetivo e social, em condições    de liberdade e dignidade.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Não obstante, uma parcela significativa da sociedade    brasileira acredita que o ECA, ao estabelecer limites ao exercício da autoridade    familiar, jurídica, institucional e policial sobre a criança e o adolescente,    reforçou também a impunidade dos delitos cometidos por eles. Estes limites são    percebidos como uma interferência indevida na família, sem levar em consideração    que esses limites são coerentes com a Doutrina de Proteção Integral e que a    esses adolescentes são prescritas diversas medidas, tanto preventivas quanto    socioeducativas e repressivas, como a privação da liberdade pelo período máximo    de três anos, por exemplo.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para as crianças menores de 12 anos que se tornem    autoras de atos infracionais, o ECA estabelece que o Conselho Tutelar aplique    medidas de proteção e socioeducativas. Aos maiores de 14 até os 18, o juiz pode    aplicar medidas de liberdade assistida, de semiliberdade ou de internação com    privação de liberdade por um período máximo de três anos. Este último tipo de    medida é aplicável a jovens autores de atos infracionais graves, obedecendo    aos princípios de brevidade, excepcionalidade, em respeito a sua condição de    pessoa em desenvolvimento.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A Fundação da Criança e do Adolescente (FUNDAC)     do Estado de Pernambuco é o órgão do governo do Estado, ligada à Secretaria    de Justiça e Cidadania, responsável pelo abrigamento de crianças  de 0 a 14    anos abandonadas, sob a forma da lei, caracterizando-se ainda como o órgão responsável    pelo cumprimento das medidas socioeducativas, entre adolescentes de 14 a 17    anos e meio que estejam em conflito com a lei. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A instituição surgiu em 1969, sob o nome de FEBEM   , fazendo parte da Secretaria de Ação Social no Governo de Estado, com a finalidade    inicial de acolher crianças e adolescentes em conflito com a lei, apoiada pelo    antigo Código de Menores. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Foi ainda com a criação do ECA que a antiga instituição,    antes FEBEM, teve que passar por algumas modificações na sua estrutura interna,    passando a se chamar FUNDAC, para poder garantir os direitos e deveres propostos    nesse documento. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A FUNDAC é, assim, responsável por mediatizar    padrões de conduta e ser um local reservado para o cumprimento de medidas socioeducativas;    ou seja, a instituição teria como objetivo reintegrar este cidadão em desenvolvimento    ao seu meio através de medidas sociais e educacionais. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No quadro interno dos funcionários da instituição,    sobretudo dos que trabalham mais diretamente com os adolescentes em conflito    com a lei, encontra-se uma equipe multidisciplinar, formada por psicólogos,    pedagogos, assistentes sociais e nutricionistas, além do quadro de apoio técnico,    tais como enfermeiros, cozinheiros, auxiliares de serviços gerais e os  ADSs.    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os ADSs possuem um papel de fundamental importância,    pois são eles que estão continuamente em contato direto com a criança e o adolescente,    favorecendo trocas e sendo os intermediários do processo de socialização. Eles    trabalham em regime de plantão de 12 horas, folgando também 12 horas, sendo    responsáveis pelo cuidado da alimentação e higiene, além de dar qualquer tipo    de assistência durante a noite aos adolescentes que estejam sob sua responsabilidade.    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">É importante ressaltar que, apesar de a FUNDAC    ser um órgão público, esse tipo de força de trabalho é terceirizado, ou seja,    não há concurso público para o preenchimento do cargo de ADS. Para preencher    essas vagas, a instituição faz uso de um serviço terceirizado de empresas de    vigilância e segurança de valores. São estes funcionários (vigilantes) que prestam    esse tipo de serviço à instituição, sendo os responsáveis diretos pela guarda    dos adolescentes. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Apesar de verificarmos uma passagem na concepção    do antigo Código de Menores para o ECA quanto à forma de encarar os adolescentes,    na prática a contratação de agentes em empresas de vigilância aponta para uma    concepção próxima aos agentes <i>carcerários</i>, detentores de um treinamento    técnico específico para a guarda e vigilância de bens e pessoas. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Estes profissionais, na sua maioria, possuem    o ensino médio completo, sendo exigida para o cargo uma escolaridade mínima    de pelo menos a educação fundamental (da 5ª à 8ª séries). Por executarem essa    função tão próxima à criança e ao adolescente, o ADS talvez exerça quase a função    de um adulto tutelar, substituto da função materna ou paterna. Verifica-se,    portanto, a importância de se investigar o que esses ADSs pensam a respeito    dos adolescentes sob a sua guarda, visto que suas práticas durante a execução    da tarefa de guarda desses menores serão guiadas por um referencial elaborado    num saber comum construído socialmente, o que se refletirá, muito provavelmente,    sobre a conduta dos menores que estão cumprindo pena naquelas unidades educativas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>METODOLOGIA</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A pesquisa foi realizada na Região Metropolitana    do Recife-PE, com ADSs de três unidades socioeducativas da FUNDAC. Uma das    unidades era destinada a adolescentes do sexo masculino, na faixa etária de    15 a 18 anos incompletos, em cumprimento de medida socioeducativa de internação.    A segunda unidade era direcionada a adolescentes do sexo feminino, na faixa    etária de 12 a 18 anos incompletos, também em cumprimento de medida socioeducativa    e de internação provisória. Por fim, a terceira unidade tinha como público-alvo    jovens do sexo masculino, no curso da execução da medida socioeducativa de internação,    que haviam completado 18 anos de idade. Fez parte da amostra metade dos ADSs    de cada unidade de atendimento, escolhidos aleatoriamente, totalizando 40 entrevistas.    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Na unidade 1, para a amostra estudada, a maioria    dos sujeitos (83%) possuem idades compreendidas entre 21  e  40 anos, são preponderantemente    casados (61%) e do sexo masculino (92%). Quanto ao nível de escolaridade, percebe-se    que a maioria deles possui o ensino médio completo (66%) e executa a função    de ADS (74%), exercendo a função da guarda dos menores dentro da instituição,    e 18% dos instrutores dão, para os adolescentes, aulas de Música e Horticultura    e Laboratório Fitoterápico.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Já na unidade 2, o que se verifica é uma inversão    quanto ao critério idade, se a compararmos com a unidade 1, uma vez que a maioria    dos sujeitos (86%) possui idade média entre 41 e 60 anos. Esta inversão quanto    à idade desses funcionários talvez seja dada pela própria distribuição dos funcionários    dentro da organização. Como aquela era uma unidade que não apresentava muitos    problemas no que diz respeito a rebeliões e tumultos, permitia à instituição    ter como parte maior do quadro pessoal pessoas mais velhas e concursadas, trabalhando    há mais de vinte anos na instituição. Seriam, talvez, esses fatores  que explicassem    o fato de essa unidade se diferenciar das demais, uma vez que a grande maioria    dos ADSs se constitui de mão-de-obra terceirizada, podendo ser reposta à medida    que estes vão ficando mais velhos.Ao analisar o gênero dos funcionários observa-se    que não há uma grande diferença, pois 43% são homens e 57%, mulheres. Possuem,    em sua maioria, o ensino médio completo (43%) e em sua totalidade executam a    função de ADS. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para a unidade 3, tem-se uma distribuição relativa    entre as idades dos sujeitos: 40% possuem idades entre 21 e 30 anos, 30% de    31 a 40 anos e os outros 30%, de 41 a 50 anos. Novamente a maioria dos sujeitos    é casada (60%), sendo todos do sexo masculino e apresentando escolaridade de    fundamental completo (40%) ou médio completo (40%). O tempo de serviço desses    funcionários se dividia, para os terceirizados, de 6 meses de experiência a    5 anos, e para os contratados da FUNDAC, de 20 anos, em média, de exercício    da função.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ao realizarmos um cruzamento entre as representações    que estes educadores possuem a respeito da adolescência e o perfil sociodemográfico,    os resultados mostram que não há uma diferença nos elementos da representação    entre os educadores quanto ao grau de escolaridade, idade ou sexo, o que estaria    indicando uma certa homogeneização entre os elementos representativos constituintes    da representação do objeto em questão para esses educadores.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os dados foram coletados a partir de uma entrevista    individual realizada dentro da instituição na qual esses educadores desenvolvem    suas atividades. O roteiro de entrevista continha aspectos que visavam traçar    o perfil sociodemográfico dos sujeitos descritos anteriormente e questões que    estavam agrupadas em três eixos temáticos: desenvolvimento humano, violência    e práticas educativas. Neste artigo nos deteremos apenas nos resultados relativos    ao eixo do desenvolvimento. Era pedido aos sujeitos que falassem sobre o desenvolvimento    humano, enfocando a adolescência e as diferenças com os jovens que estavam sob    sua guarda.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A fim de se analisarem as questões abertas nas    entrevistas realizadas, optou-se pela análise de conteúdo automática, do sistema    de análise quantitativo de dados textuais, ALCESTE - <i>Analyse de Lexémes Coocurrent    dans les Ennoncés Simples d'un Texte -</i> elaborado por Max Reinert (1990).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Na análise lexical realizada pelo ALCESTE, é    possível associar o léxico (palavra) e o contexto (posição da palavra no contexto    traduzindo sua mensagem). A noção de contexto da palavra está relacionada com    o meio ambiente da palavra no texto com os vocábulos específicos, eleitos pelas    palavras mais significativamente presentes e pelo coeficiente de associação    <font face="Symbol">c</font>² da palavra a sua posição do texto.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O objetivo do ALCESTE consiste na classificação    dos enunciados do texto em função das palavras nesses enunciados, objetivando    à análise desse <i>corpus</i>, isto é, textos, discursos, entrevistas, reportagens    gerais, ou ainda, relatos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O <i>corpus</i> geral da pesquisa foi dividido    em cinco <i>corpora</i>, analisados pelo ALCESTE. Apresentaremos aqui os resultados    relativos ao <i>corpus </i>I e ao II. O <i>corpus </i>I foi construído pela    questão que tratava do desenvolvimento humano, na qual era perguntado aos educadores    o que é a adolescência. Na questão que constituiu o <i>corpus</i> II, perguntava-se    ao educador se haveria alguma diferença entre os adolescentes que estavam cumprindo    medidas socioeducativas e os adolescentes em geral. Para a orientação dos dados    utilizou-se o processo estatístico de análise multivariada, através da análise    de proximidades geométricas e dos componentes principais pela redução de dimensionalidade,    tais como a análise de <i>clusters </i>(Classificação Hierárquica Descendente).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A análise dos resultados a seguir abordará a    organização simbólica e a representação que os educadores de adolescentes que    cumprem medidas socioeducativas em regime de internação possuem a respeito do    desenvolvimento humano. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>CONSIDERAÇÕES DOS ADSS SOBRE A ADOLESCÊNCIA</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O <i>software</i> ALCESTE efetuou a organização    do conteúdo estruturado a partir de uma análise estatística em uma <i>classificação    descendente hierárquica (CDH).</i> A finalidade da CDH é conseguir estabelecer    uma divisão entre as classes, de forma mais nítida possível, de maneira que    estas classes não possuam palavras sobrepostas. Esse processo ocorre quantas    vezes for necessário, decompondo, deste modo, uma classe em várias classes.    A CDH apresenta ainda a posição de cada classe sob a forma de dendrograma (árvore),    conforme as figuras <a href="/img/revistas/pe/v9n3/n3a03f1.gif">1</a> e <a href="/img/revistas/pe/v9n3/n3a03f2.gif">2</a>.    O dendrograma permite verificar a relação entre as classes (ligações forte ou    fraca) e a representatividade de cada classe, a partir do seu percentil no <i>corpus</i>    avaliado.  Desta forma, o dendrograma elaborado a partir da análise realizada    pelo ALCESTE permite uma análise das classes que se inter-relacionam, de modo    a formar um pensamento elaborado dos educadores sobre as diversas fases do desenvolvimento    humano. Evocam-se, a seguir, as classes e seus respectivos sentidos, que surgiram    na fala dos educadores durante a situação de entrevista, quando indagados a    respeito de sua compreensão sobre a adolescência. Obteve-se, assim, um agrupamento    dessas idéias em três classes, conforme o dendrograma  apresentado na <a href="/img/revistas/pe/v9n3/n3a03f1.gif">figura    1</a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Com relação ao aspecto sociodemográfico temos    que não há uma diferença substancial entre a faixa etária nas classes aqui determinadas.    Entretanto, se observarmos a relação estabelecida entre os educadores e as unidades    para o cumprimento das medidas como elementos representativos das três classes    propostas pelo Alceste, observamos que os educadores do sexo masculino que desenvolvem    a sua prática na unidade que abriga adolescentes do sexo feminino percebem essa    fase como centrada em dois pólos: um marcado pelos aspectos negativos e outro,    pelo desejo de liberdade e de querer fazer tudo.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Esses achados podem expressar a maneira como    estes educadores percebem a diferença de gênero. O desejo de ter uma liberdade    plena como um adulto, referencial, na maioria das vezes, da figura masculina,    não é valorizado positivamente por estes educadores; por outro lado, para os    educadores da unidade masculina com ensino superior completo, em sua totalidade    do sexo feminino - sendo este o motivo determinante para a diferença de gênero    entre os educadores aqui presentes &#151; os achados mostram que o lado negativo    da adolescência, representado pela falta de limites, por parte dos pais, para    conter esse determinismo biológico voltado para a agressividade, é algo bastante    presente entre os meninos e as meninas. Estas concepções seriam justificadas    a partir de um discurso de cunho mais científico e psicologizante, devido ao    grau de instrução desses educadores.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O dendrograma proposto pelo Alceste mostra que    a análise da questão sobre a adolescência apontou dois grandes eixos. Um deles    é formado a partir dos aspectos positivos da adolescência (classe 1), representada    como uma fase boa e importante na vida, sendo concebida como uma etapa de transição,    fase inicial da produtividade, marcada pelo trabalho e a preparação para o futuro,    segundo exemplos nas falas; e o outro, a partir dos aspectos negativos dessa    fase (classes 2 e 3). </font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2"><i>Adolescência </i>é uma fase <i>muito importante</i>.      A mais <i>importante</i> para <i>mim</i> eu <i>acho</i> que <i>adolescência</i>,      porque para <i>mim adolescência</i> é o meio da <i>vida</i>, e onde <i>você</i>      está para se decidir aonde vai.</font></p>        <p><font face="Verdana" size="2"><i>Então</i> a <i>adolescência</i> é uma coisa      que eu <i>acho</i> que <i>quando</i> a <i>pessoa está</i> ficando adolescente      e ele <i>vai</i> aprendendo algumas coisas <i>boas</i> e <i>ruins<u> </u>também</i>.      Ser adolescente, eu <i>acho </i>que é uma coisa <i>importante também</i>.      Ele está passando da <i>fase</i> de adolescente <i>para fase</i> adulta. É      como se fosse uma transformação.</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2"><i>Adolescência</i> é a <i>vida</i> que já      tá numa f<i>ase</i> de crescimento. É o que, é o <i>trabalho</i>, prazer.      V<i>iver</i>. Agora eu digo a <i>você</i>, tá difícil. Mas financeiramente      tá difícil de oferecer as condições <i>boas</i>. <i>Então</i> os adolescentes      hoje é difícil hoje.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">O segundo agrupamento, formado pelas classes    2 e 3, ressalta os aspectos negativos da adolescência pois as idéias centrais    da classe 2 fazem alusão à falta de limites por parte dos pais dos adolescentes,    que, segundo esses educadores, seria ruim e prejudicial para a formação dos    adolescentes. </font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">Alguns <i>ospais</i> deixam, <i>assim,</i>      à vontade, e <i>eles</i> de uma <i>forma</i> ou de outra se juntam <i>assim      com </i>alguns adolescentes, que a <i>sua infância não </i>foi uma <i>infância,</i>      e daí <i>ele</i> se torna um adolescente infrator, ou diante da sociedade      <i>um </i>adolescente <i>que não tem</i> aquele respaldo. (Classe 2)</font></p> </blockquote>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">Adolescência é aquela fase <i>em</i> que o      garoto está se formando de <i>jovem</i>, naquela etapa de transição entre      criança e <i>jovem</i>, onde o garoto <i>tem</i> que ter <i>um</i> acompanhamento      intensivo <i>dos pais pra não</i> se juntar <i>com</i> as más companhias.      (Classe 2)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Enquanto as idéias da classe 2 atribuem esses    aspectos negativos aos pais dos adolescentes, o conteúdo presente na classe    3 revela uma naturalização das dificuldades e problemas que seriam intrínsecos    a essa fase do desenvolvimento. </font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">Entendeu, ele já vai tendo uma postura de adulto,      de querer. É difícil trabalhar, é por isso que muitos deles já estão nas drogas,      por falta até de uma conduta de pais, educadores, que deixam eles fazerem      tudo o que querem e de repente...</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Esta classe traz a concepção da adolescência    como uma fase de transição da infância para a idade adulta e articula-se com    a idéia de adolescência como período difícil e conflituoso, pelo fato de o adolescente    se conceber como alguém que deixa de ser criança e está prestes a entrar na    vida adulta, sentindo-se, portanto, capaz de fazer todas as coisas. A representação    de adolescência que têm os ADSs ancora-se nas concepções produzidas no âmbito    das ciências psicológicas, ao tratar a adolescência como fase de transição,    caracterizada pela busca de identidade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>CONCEPÇÕES DOS ADSS SOBRE O ADOLESCENTE EM    CONFLITO COM A LEI</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A análise do <i>corpus</i> II, sobre as possíveis    diferenças entre aqueles adolescentes que estavam cumprindo pena em regime de    internação e a os outros que não estavam passando por essa situação, mostrou    um agrupamento em quatro classes, conforme a figura abaixo:</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font face="Verdana" size="2"><a href="/img/revistas/pe/v9n3/n3a03f2.gif">Figura    2</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">Neste tipo de análise, o dendrograma se apresenta    como uma representação gráfica das associações e dissociações entre as variáveis    que emergiram da representação do pensamento dos educadores sobre os adolescentes    em conflito com a lei. Em todas as classes expostas pelo dendrograma, a representação    dos educadores a respeito dos adolescentes sob a sua guarda é que estes são    diferentes dos outros adolescentes, pelo fato de terem cometido atos infracionais.    A causa de tais práticas delituosas, segundo os sujeitos, estaria no meio social,    na família. Além disso eles nutrem  descrença quanto à recuperação desses adolescentes.    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A Classe 1 traz informações de que aqueles adolescentes    em situação de reclusão são diferentes dos demais e sobre a atuação profissional,    isto é, as práticas educativas desenvolvidas pelos educadores com relação a    esses adolescentes, como é possível ver em alguns relatos: </font></p>     <blockquote>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A <i>adolescência dos </i>que estão internos      é <i>diferente</i>. Eles são infratores e nós estamos <i>aqui</i> para ajudá-los,      tanto o corpo técnico, a direção, como os educadores para ajudá-los.</font></p> </blockquote>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">A <i>adolescência</i> deles não é bem <i>assim      como</i> a <i>dos outros</i>, <i>porque isso</i> aí é bem uma <i>parte</i>      de fraqueza. Através <i>disso</i> aí é que acontecem esses fatos, que dependendo      da conversa da <i>gente,</i> que eles podem se <i>recuperar</i>.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Apesar de um dos papéis da instituição ser o    reintegrar na sociedade esse cidadão em fase de desenvolvimento e, por ser um    cidadão, concebê-lo como igual a todos os que vivem em sociedade, as falas dos    sujeitos vêm demonstrar que as representações dos educadores sobre os adolescentes    que cumprem pena em regime de privação de liberdade, é que estes não se assemelham    aos outros, pois são infratores, e a causa estaria na <i>fraqueza</i> desses    adolescentes. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A classe 2 expressa a idéia de uma possível causa    social como motivo para os adolescentes serem diferentes e violentos. </font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">Caracteriza-se <i>por</i> uma dificuldade <i>muito      </i>grande que eles têm lá fora. <i>Os problemas</i> de desemprego na <i>família</i>      acarretam a eles estarem aqui. Porque <i>são</i> bem caracterizados <i>pela</i>      discriminação <i>social</i> e <i>pela</i> má divisão de renda do <i>país</i>;</font></p> </blockquote>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">Não, eu acho que a <i>diferença</i> é o meio      <i>social</i>. A convivência com os <i>familiares</i>, porque <i>muitos</i>      deles cometem <i>por</i> causa deles. Acham bonito, eles acham. Sei lá. E      outros só pelo <i>lado social</i>, independente dos pais.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">As idéias agrupadas na classe 3 denotam uma certa    descrença da possibilidade de recuperação dos adolescentes e que essa descrença    estaria também no meio social. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2"><i>Não</i>, eu tenho <i>para mim</i> que <i>ele</i>      já fez coisas tão vivas que <i>ele</i> já traz problemas de <i>fora,</i> e      <i>não</i> é coisinha pouca <i>não</i>, é grande <i>mesmo</i>, porque tem      <i>pessoas</i> aí que <i>eles</i> passam dois anos, três anos, <i>mas, de      cem se recupera sete ou oito.</i></font></p> </blockquote>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2"><i>Não</i>, <i>totalmente</i> diferente. Eu      <i>acho</i> que os adolescentes <i>daqui eles não tiveram</i> adolescência,      devido às condições sociais de cada um deles. <i>Eles não</i> conhecem a adolescência,      <i>então ele não</i> tem <i>outra</i> solução. <i>Ele</i> vai voltar de novo      <i>para</i> o <i>mesmo</i> mundo. Eu acho que a estrutura <i>hoje</i> melhorou,      <i>mas</i> falta muito ainda<i>.</i></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Para Foucault (1987), o sistema penitenciário    serve como uma forma de manutenção daqueles indivíduos que, ao serem considerados    diferentes, suscitam a necessidade de controle através da vigilância. Os ADSs    revelam em suas falas que a sua função na instituição é tomar conta dos adolescentes.    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Por fim, a classe 4 relata que as causas pelas    quais esses adolescentes estão em conflito com a lei estariam nas relações     familiares. </font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">Às <i>vezes</i>,<i>no caso</i>, veja      bem, <i>tem</i> muito <i>adolescente</i> que parte para a <i>vida</i> errada      porque <i>tem</i> muitos exemplos dos pais <i>também</i>, porque eu acho que      <i>um pai</i> ou uma <i>mãe tem</i> que <i>está sempre</i> ali junto <i>do      adolescente</i>.</font></p> </blockquote>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2"><i> </i>É quando o <i>adolescente já tem</i>      uma família problemática, <i>um pai </i>problemático, uma <i>mãe </i>problemática.      E isso tudo é muito importante numa família. O <i>pai está</i> junto <i>do      filho,</i> aconselhando ele, a mãe <i>está</i> junto <i>do filho</i>, aconselhando      o <i>filho</i>. O <i>adolescente vai </i>crescendo, a mente <i>dele vai</i>      se abrindo.</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A família é considerada aqui como a base estrutural    da sociedade, funcionando como o meio no qual são realizados os primeiros contatos    e trocas socializatórios. Seria dessa socialização estabelecida inicialmente    nas relações familiares que derivariam outras socializações. Seria o que Berger    e Luckmann (1976) chamam de socializações secundárias. Na concepção dos educadores,    uma suposta desestruturação nas relações familiares desses adolescentes, seria    reproduzida nas suas interações sociais, gerando a infração.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nesta representação gráfica, observa-se que a    associação mais significativa está na classe 1 - Atuação profissional dos ADSs    - e a dissociação mais significativa emerge do agrupamento da causa social para    a violência, da descrença do meio social na <i>recuperação</i> dos adolescentes    e dos problemas familiares. De maneira geral, podemos dizer que, enquanto a    classe 1 fala da prática profissional dos ADSs para a <i>recuperação</i>, as    classes 2, 3 e 4 formariam um segundo grupo, mostrando as causas da infração,    o meio social, a descrença quanto a sua <i>recuperação</i> e questões de ordem    familiar.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Segundo a consideração de Abric (1996), de que    as representações guiam as práticas, percebe-se que o tratamento e atenção dispensados    a esses adolescentes em situação de reclusão e cumprindo medidas socioeducativas    se dão de forma diferenciada. Descrentes da <i>natureza</i> do adolescente e    da possibilidade de mudanças no ambiente familiar, os ADSs são também descrentes    da possibilidade de reintegração social do adolescente.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em face de tal descrença, pode-se perguntar:    as práticas desenvolvidas por esses sujeitos na função de educador estariam    de acordo com a proposta do ECA de garantir os direitos pessoais e sociais,    além de permitir o desenvolvimento físico e moral e a criação de oportunidades?</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>CONCLUSÕES</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os resultados aqui apresentados trazem à tona    uma questão importante no que concerne à efetivação das políticas sociais relativas    à criança e ao adolescente. É de fundamental importância o rompimento com a    doutrina da situação irregular e a adoção da doutrina de proteção integral.    Esta traz em seu bojo uma mudança radical no modo de conceber a criança e o    adolescente, que passam, então, a ser considerados sujeitos de direito. Tais    mudanças vão paulatinamente sendo apropriadas pelo senso comum e modificando    as concepções e práticas sociais. Entretanto, é também no cotidiano, no conjunto    de significados compartilhados no senso comum, que se estabelecem as resistências    à mudança. As relações cotidianas podem viabilizar ou não tais políticas no    sentido de modificar as práticas sociais com essa população.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ressalte-se a clara distinção feita pelos ADSs    com relação aos adolescentes que estão sob sua guarda e aos adolescentes em    geral. Os primeiros são diferentes por serem infratores. A descrença quanto    a sua <i>recuperação</i> é justificada através da idéia de uma família <i>desestruturada</i>.     Família que não segue o modelo nuclear, e termina também por ser a causa da    infração do adolescente. Por outro lado, a adolescência de modo geral é descrita    de forma mais positiva, constituindo-se como uma fase de preparação para o futuro.    Entretanto, a falta de limites na relação com os pais e um certo sentimento    de onipotência dos adolescentes são também apontados como característicos dessa    fase, constituindo-se no eixo negativo da adolescência. Seria basicamente deste    segundo eixo que sairiam os adolescentes em conflito com a lei, portanto, diferentes    dos outros.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os ADSs consideram fundamental o apoio familiar,    tanto para a <i>recuperação</i> desses jovens quanto para a sua manutenção na    sociedade. Eles afirmam que a sua maior preocupação relativa à educação é  que    o adolescente infrator não reincida e, portanto, não volte para a <i>prisão</i>.    Ao mesmo tempo em que consideram a família como um vínculo positivo na "recuperação"    do adolescente infrator, os ADSs se questionam sobre a competência dessa família    em oferecer as condições necessárias à reintegração do jovem. Daí decorre a    sua descrença em um trabalho educativo, uma vez que estes jovens irão retornar    para um <i>lar desestruturado,</i> que não tem muito a oferecer.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Observa-se que, para esses sujeitos, a família    capaz de ajudar os adolescentes seria justamente o modelo de família ideal,    leia-se, família nuclear, que constitui <i>a base da sociedade</i>. Na medida    em que esses adolescentes <i>não se encaixam</i> nesse modelo ideal de adolescência,    as práticas dos ADSs são no sentido de minimizar os problemas trazidos por eles.    Tais práticas baseiam-se em princípios corretivos e punitivos, como pôr de castigo    nas celas e proibi-los de exercer as atividades educativas, que deveriam ser    asseguradas, uma vez que fazem parte do cumprimento da pena em regime de internação.    Isso nos leva a crer que antigas concepções, anteriores ao ECA, ainda perduram.    A representação social dos ADSs relativas aos adolescentes parece ancorar-se    nas idéias de correção e punição que pautavam a doutrina da situação regular.    Esta antiga concepção não faz parte apenas da representação dos agentes sociais,    mas também, e, sobretudo, da instituição, que contrata funcionários de firmas    de segurança para serem os responsáveis pela guarda e proteção desses jovens.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Para que haja de fato uma mudança no sentido    proposto pelo ECA, é preciso que haja uma mudança da cultura da própria instituição    com relação à forma de conceber o adolescente e o seu novo papel institucional.    Avanços e resistências vão se tecendo ao longo da história. O Estatuto da Criança    e do Adolescente propicia a mudança, e as pequenas práticas cotidianas, por    vezes, expressam as resistências.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os resultados aqui apresentados fornecem subsídios    para uma proposta de intervenção na qual, a partir da discussão das práticas    educativas cotidianas, se possa romper com a lógica de um determinismo biológico    existente no modo de os agentes de desenvolvimento social conceberem a adolescência,    sobretudo o adolescente infrator. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>REFERÊNCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Abric, J-C. (1996). <i>De</i> l'importance des    représentations sociales das les problèmes de l'exclusion sociale. En J-C. Abric.    <i>Exclusion sociale, insertion et prevention </i>(pp.11-17). Saint Agnes: Érès.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S1413-7372200400030000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Berger, P., &amp; Luckmann, T. (1976). <i>A    construção social da realidade</i>. Petrópolis: Vozes.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S1413-7372200400030000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Campos, P. H. F. (2001). Quando a exclusão    se torna objeto de representação social. En A. S. P. Moreira, (Org.). <i>Representações    sociais: teoria e prática </i>(pp.103-121). João Pessoa: Ed. Universitária.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S1413-7372200400030000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Estatuto da Criança e do Adolescente. (2001).    Lei nº8.069, de 13 de julho de 1990..</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S1413-7372200400030000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Foucault, M. (1987). <i>Vigiar e punir: nascimento    da prisão</i>. Petrópolis: Vozes.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S1413-7372200400030000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Gomes, N., Luiz, M., SÁ, C., &amp; P. Oliveira,    D. C. (2003). Representações Sociais do ato infracional por adolescentes em    conflito com a lei: uma comparação estrutural. <i>III Jornada Internacional    e I Conferência Brasileira sobre Representações Sociais</i>. Rio de Janeiro    (CD-ROM). </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S1413-7372200400030000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Moscovici, S. (1961). <i>La psychanalyse: son    image et son public</i>. Paris: Presses Universitaires de France.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S1413-7372200400030000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Mosocivici, S. (1984). The phenomenon of social    representations. En: R.M., Farr &amp; Moscovici, S. (Orgs). <i>Social representations</i>.    Cambridge: Cambridge University Press.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S1413-7372200400030000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Reinert, M. (1990). Alceste, une méthodologie    d'analyse des données textuelles et une application: Aurelia de Gerard de Nerval.     En: <i>Bulletin de Méthodologie</i>, 26, 24-54.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S1413-7372200400030000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Santos, M. F. S., Novelino, A. M., &amp; Nascimento, A. P. (2001). O Mito    da Maternidade: discurso tradicional sob roupagem modernizante? En A. S. P.    Moreira, (Org.). <i>Representações sociais: teoria e prática </i>(pp.269-293).    João Pessoa: Ed. Universitária.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000146&pid=S1413-7372200400030000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Silva, R. (2000). Adolescentes: punir ou educar? <i>Revista Ciência Hoje</i>,    63-67.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000147&pid=S1413-7372200400030000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Velho, G. &amp; Alvito, M. (Orgs.). (2000). <i>Cidadania e violência</i>.    (2ª ed.). Rio de Janeiro: Ed. UFRJ/Editora FGV.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000148&pid=S1413-7372200400030000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name=correspond></a><a href="#topo"><img src="/img/revistas/pe/v9n3/seta.gif" border="0"></a><b>    Endereço para correspondência</b>     <br>   Daniel Henrique Pereira Espíndula    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Rua Dr. Delmiro Coimbra, 60 Ap. 310 Ed. Araruama, Mata da Praia    <br>   CEP 29065-360, Vitória-ES.    <br>   E-mail: <a href="mailto:despindula@hotmail.com"> despindula@hotmail.com</a></p>     <p>Recebido em 07/06/2004    <br>   Aceito em 10/09/2004</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name=n01></a><a href="#n1">1</a> Apoio: PIBIC/PROPESQ/UFPE/CNPq e CAPES/PROCAD</p> </font>       ]]></body><back>
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