<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1413-7372</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Psicologia em Estudo]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Psicol. estud.]]></abbrev-journal-title>
<issn>1413-7372</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Departamento de Psicologia - Universidade Estadual de Maringá]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1413-73722004000300008</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.1590/S1413-73722004000300008</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Experiência religiosa em grupos de auto-ajuda: o exemplo de neuróticos anônimos]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Religious experience in self-help groups: the neurotics anonymous example]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Roehe]]></surname>
<given-names><![CDATA[Marcelo Vial]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade Regional Integrada  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Frederico Westphalen RS]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2004</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2004</year>
</pub-date>
<volume>9</volume>
<numero>3</numero>
<fpage>399</fpage>
<lpage>407</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1413-73722004000300008&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=en"></self-uri><self-uri xlink:href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1413-73722004000300008&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=en"></self-uri><self-uri xlink:href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1413-73722004000300008&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=en"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[O artigo caracteriza o que são os grupos de auto-ajuda, apresenta o programa de recuperação do grupo Neuróticos Anônimos (N/A) e revisa sucintamente o papel da religião na saúde em geral e no psiquismo. A seguir, o trabalho explora o aspecto religioso da pesquisa de Mestrado do autor, sobre a recuperação no grupo de auto-ajuda N/A. Trechos de entrevistas são citados, a fim de exemplificar a discussão. A experiência religiosa manifestada pelos integrantes de N/A entrevistados se mostrou determinante no processo de recuperação, a ponto de vir a confundir-se com este. A experiência religiosa acaba por ser um requisito para a "cura", uma vez que o programa de recuperação do grupo é uma versão terapêutica dos princípios básicos da doutrina judaico-cristã.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The article presents the defining characteristics of the self-help groups, describes the recovery program of the Neurotics Anonymous group and briefly revises the role of religion in psychological and general health. The article also explores the religious aspect of the autor's Master degree research, about recovery in Neurotics Anonymous self-help group. Portions of interviews are cited as discussion's examples. The religious experience presented by Neurotics Anonymous' members apeared as a determinant in their process of recovery in a way that makes difficult to distinguish between the two. The religious experience is a requirement for "cure" because the group's recovery program is a therapeutic version of the biblical doctrine basic principles.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[grupos de auto-ajuda]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Neuróticos Anônimos]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[psicologia da religião]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[self-help groups]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Neurotics Anonymous]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[religion psychology religion]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align=right><font face="Verdana" size="2"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="4"><a name=topo></a><b>Experiência religiosa em    grupos de auto-ajuda: o exemplo de neuróticos anônimos</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Religious experience in self-help groups:    the neurotics anonymous example</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Marcelo Vial Roehe</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Docente do Curso de Psicologia da URI-Campus    Frederico Westphalen/RS. Psicólogo pela UFRGS, Mestre em Psicologia pela PUCRS</font></p>     <p><a href="#correspond"><font face="Verdana" size="2">Endereço para correspondência</font></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O artigo caracteriza o que são os grupos de auto-ajuda,    apresenta o programa de recuperação do grupo Neuróticos Anônimos (N/A) e revisa    sucintamente o papel da religião na saúde em geral e no psiquismo. A seguir,    o trabalho explora o aspecto religioso da pesquisa de Mestrado do autor, sobre    a recuperação no grupo de auto-ajuda N/A. Trechos de entrevistas são citados,    a fim de exemplificar a discussão. A experiência religiosa manifestada pelos    integrantes de N/A entrevistados se mostrou determinante no processo de recuperação,    a ponto de vir a confundir-se com este. A experiência religiosa acaba por ser    um requisito para a "cura", uma vez que o programa de recuperação do grupo é    uma versão <i>terapêutica</i> dos princípios básicos da doutrina judaico-cristã.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave: </b>grupos de auto-ajuda,    Neuróticos Anônimos, psicologia da religião.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">The article presents the defining characteristics    of the self-help groups, describes the recovery program of the Neurotics Anonymous    group and briefly revises the role of religion in psychological and general    health. The article also explores the religious aspect of the autor's Master    degree research, about recovery in Neurotics Anonymous self-help group. Portions    of interviews are cited as discussion's examples. The religious experience presented    by Neurotics Anonymous' members apeared as a determinant in their process of    recovery in a way that makes difficult to distinguish between the two. The religious    experience is a requirement for "cure" because the group's recovery program    is a therapeutic version of the  biblical doctrine basic principles.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Key words: </b>self-help groups, Neurotics    Anonymous, religion psychology religion.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Este estudo se desenvolve a partir do interesse    do autor em saber como se dá o entendimento e o "tratamento" da "neurose"    num contexto leigo como o da auto-ajuda.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O objetivo da pesquisa foi investigar como integrantes    de Neuróticos Anônimos percebem seu processo de recuperação, a fim de contribuir    para uma aproximação entre a Psicologia e grupos de auto-ajuda (GAAs). Pretendeu-se,    ainda, apresentar e compreender a vivência dos membros de N/A entrevistados,    tornando-a acessível a profissionais de saúde mental, com vistas a facilitar    uma maior colaboração entre estes e o grupo e diminuir eventuais preconceitos    referentes a GAAs.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Grupos de auto-ajuda (GAAs)</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Inicialmente, convém destacar que, de acordo    com o processo básico de funcionamento dos GAAs, a denominação mais adequada    é a de <i>ajuda mútua</i> (Sanchez Vidal, 1991). O autor propõe uma integração    das duas expressões: são grupos de auto-ajuda na medida em que mantêm total    autonomia em relação a instituições e profissionais (ou seja, o grupo ajuda    a si mesmo); e são grupos de ajuda mútua porque baseiam sua atuação na mutualidade    (os participantes ajudam uns aos outros).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A partir dos trabalhos de Borkman (1976), Jacobs    e Goodman (1989), Levy (1976) e Rootes e Aanes (1992), reuniram-se mais informações    para melhor definir um GAA. Os critérios mais utilizados são os seguintes:</font></p>       <blockquote>       <p><font face="Verdana" size="2">&#149; autogestão - os próprios integrantes      encarregam-se de todos os procedimentos necessários para a manutenção do grupo;</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">&#149; independência de instituições e profissionais      de saúde &#151; os GAAs são leigos e autônomos;</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">&#149; participação voluntária - a freqüência      ao grupo é totalmente livre;</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">&#149; nenhum interesse financeiro &#151; os      GAAs não visam a lucro; sustentam-se com doações espontâneas dos integrantes;</font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">&#149; dirigidos para um único problema - os      grupos têm um foco: alcoolismo, drogadição, problemas emocionais, compulsão      alimentar;</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">&#149; experiências pessoais como principal      fonte de ajuda &#151; os GAAs não utilizam conhecimento científico ou literatura      especializada; o conhecimento partilhado é experiencial. </font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Os GAAs proliferaram nos EUA depois da experiência    pioneira e positiva dos Alcoólicos Anônimos (grupo criado em 1935, nos EUA).    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para Sanchez Vidal (1991), a primazia dos EUA    no desenvolvimento de GAAs deve-se à importância atribuída na sociedade norte-americana    às iniciativas da sociedade civil, estimulando que as pessoas se responsabilizem    por sua cidadania. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Dumont (1974) associa a origem do programa dos    Doze Passos, criado por Alcoólicos Anônimos e utilizado por vários grupos, entre    eles N/A, à tradição protestante norte-americana. Exemplos disso são o reconhecimento    da pecaminosidade, o modelo confessional e a busca por pureza espiritual. Também    a cultura da igualdade, típica dos GAAs, encontra respaldo na sociedade norte-americana,    orientada para coesão por identificação grupal, limites bem demarcados entre    diferentes grupos e divisões étnicas nas metrópoles (Dumont, 1974).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Além disso, surge um novo senso de igualitarismo,    contribuindo, conforme Vattano (1972), para a queda em importância da autoridade    e do <i>status</i> tradicional (exemplo é o bordão "power to the people").    Assim, iniciativas com respaldo oficial e credenciais especiais já não são automaticamente    consideradas competentes (Back &amp; Taylor, 1976). </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para Dumont (1974), os GAAs reforçam a idéia    de que a distância entre quem ajuda e quem é ajudado não deve ser tão grande    quanto pensam os profissionais mais tradicionais. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>NEURÓTICOS ANÔNIMOS (N/A)</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">N/A foi criado em 3 de fevereiro de 1964, nos    EUA, quando Grover B., um integrante dos Alcoólicos Anônimos, adaptou o programa    do grupo para problemas emocionais. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">No Brasil, o grupo iniciou suas atividades em    abril de 1969, em São Paulo. O primeiro grupo gaúcho foi criado em Porto Alegre,    no ano de 1975. De Mari, Teich, Nogueira, Camargos e Pimentel (1999) informam    a existência de 450 grupos de N/A no Brasil.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O autor observou algumas reuniões de N/A, em    Porto Alegre/RS. Os encontros duram cerca de duas horas. Os participantes colocam-se,    preferencialmente, em círculo. Cada grupo tem um coordenador, geralmente um    integrante antigo de N/A. Não são permitidos diálogos e apartes; os integrantes    que pedem a palavra ou que são convidados a dar o seu depoimento podem fazê-lo    por um período de até 10 minutos. No depoimento, a pessoa costuma falar sobre    os motivos que a levaram ao grupo, sua situação atual ou experiências com o    programa. Os integrantes de N/A que atingiram uma situação pessoal confortável    relatam suas experiências de forma a demonstrar a eficácia do programa aos demais,    que ainda buscam progressos. Um dos livretos do grupo informa que, apesar de    não haver diálogo, "(...) o que se verifica, na realidade, é uma permuta de    experiências e identificação de problemas semelhantes, indiretamente proporcionando    as respostas que possam estar sendo procuradas" (Neuróticos Anônimos, livreto,    s/d).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A principal referência teórica de N/A é o livro    <i>As Leis da Doença Mental eEmocional</i> (1996), conhecido entre os    membros do grupo como <i>livro vermelho</i>. Esse trabalho consiste numa coletânea    de artigos publicados no <i>Journal of Mental Health</i> (EUA), entre 1965 e    1970. Os textos - 30 mais o prefácio - foram escritos, quase todos, na primeira    pessoa do plural, em nome de N/A, com exceção de quatro cujos autores são indicados:    dois textos de Grover B., um de um psiquiatra e um de um padre. Além disso,    o grupo tem publicado alguns livretos e folhetos e um <i>Boletim Informativo</i>    mensal.   </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para N/A, neurótica é "(...) qualquer pessoa    cujas emoções descontroladas interferem em seu comportamento, de qualquer forma    e em qualquer grau, segundo ela mesma o reconhece" (Neuróticos Anônimos, folheto,    s/d).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Conforme o entendimento de N/A (1969/1996), existem    oito <i>leis</i> que definem a doença mental e emocional:</font></p>     <blockquote>       <p><font face="Verdana" size="2">1) uma única doença, uma coisa só;</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">2) doença espiritual;</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">3) sempre a mesma em todas as pessoas, variando      apenas nos detalhes superficiais;</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">4) caracterizada por sintomas penosos, não      sendo sempre os mesmos, porém, os que se manifestam;</font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">5) progressiva se não for tratada;</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">6) de tratamento imediatamente aplicável;</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">7) causada pelo egoísmo inato, que impede a      aquisição da capacidade de amar;</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">8) curada pela eliminação do egoísmo e aquisição      da capacidade de amar.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Como o próprio grupo reconhece, a idéia de <i>doença    espiritual</i> pode gerar uma compreensão errônea, <i>sobrenatural</i>, da neurose.    N/A propõe a seguinte definição para espiritual: "Relativo a pensamentos e emoções"    (Neuróticos Anônimos, 1966/1996, p. 13). E acrescenta: "(...) 'espírito' está    sendo aí considerado a soma das emoções, pensamentos, atitudes, crenças, modo    de sentir, tudo, enfim, que leva o ser humano a agir da maneira que o faz" (Neuróticos    Anônimos, 1966/1996, p. 13). </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Segundo N/A, a neurose é doença espiritual na    medida em que não há comprovação médica de problemas físicos ou mentais. E se    é doença espiritual, pode ser curada com ajuda espiritual, por meio da crença    num <i>Poder Superior</i>. Nas palavras de N/A:</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">Para a pessoa doente é unicamente necessário      que ela creia nesse Poder, que poderá conceber como queira. Poderá concebê-Lo      como sendo a força da gravidade, por exemplo, ou o movimento dos átomos, a      evolução, o amor entre os seres humanos, qualquer coisa enfim, não importa      qual seja. É preciso apenas, como já dissemos, que admita a existência desse      Poder, isto é, a existência de Algo superior a si mesma. Essa crença irá ajudá-la      a eliminar o egocentrismo (tão acentuado nos doentes emocionais), a fim de      que a pessoa possa vir a se tornar um ser humano no exato sentido da palavra.      É dessa forma que podemos sair de nós mesmos (Neuróticos Anônimos, 1966/1996,      p. 15-16).</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">O grupo chama esse Poder Superior de <i>Deus</i>,    mas com a ressalva: "(...) segundo a concepção de cada um" (Neuróticos Anônimos,    1966/1996, p.15).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="3"><b>RELIGIÃO, PSICOLOGIA E SAÚDE</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os termos religião, religiosidade e espiritualidade    costumam ser utilizados como sinônimos em estudos empíricos (Miller &amp; Thorensen,    2003). A diferenciação apresentada por Miller e Thorensen (2003) é que o termo    espiritualidade é mais amplo do que religiosidade e religião; estas dizem respeito    a entidades sociais ou instituições caracterizadas por crenças e práticas específicas,    normas para quem deseja se tornar  um integrante e modos de organização social,    ao passo que espiritualidade se refere aos aspectos não-materiais da vida, àqueles    que não são comumente percebidos pelos sentidos. A espiritualidade é entendida    como um princípio ou qualidade vital que dá vida ou energia aos constituintes    materiais do homem (Miller &amp; Thorensen, 2003). Sendo assim, pode-se dizer    que a religião é a formalização social da espiritualidade. As informações a    seguir preservam o termo utilizado pelos autores mencionados.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A pesquisa contemporânea indica uma influência    positiva da religião sobre a saúde (Argyle, 1993; Hill, 1999; Larson, 1992;    McCullough, 1995; Miller e Thorensen, 2003; Paiva, 1998). Efeitos negativos,    entretanto, são também observados (Hill, 1999; Larson, 1992; Paloutzian, 1996).    Bergin (1988, 1991) afirma que os estudos a respeito da relação entre religião    e saúde mental são ambíguos e inconclusos. O autor acredita que a religiosidade    pode ter custos e benefícios para o psiquismo, dependendo de como ela atua na    vida do indivíduo. Paloutzian (1996) sustenta posição similar, concluindo que    as pesquisas sobre o tema sugerem que <i>como</i> a pessoa é religiosa é mais    importante do que <i>se</i> ela é religiosa. Numa visão geral, os efeitos positivos    da religião sobre a saúde são bem mais freqüentes do que os negativos (Larson,    1992; Paiva, 1998).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A revisão de Hill (1999) aponta que a prática    religiosa é preditor negativo de drogadição e de sexualidade pré e extramarital,    é preditor positivo de estabilidade matrimonial e familiar, pode contribuir    para abuso infantil e relacionar-se com preconceito e discriminação.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Paiva (1998) informa sobre estudos que apontam    diversas formas de bem-estar físico que acompanham a religiosidade, como longevidade    e menor taxa de suicídios, menor incidência de distúrbios cardíacos, cirrose    hepática, câncer cervical e tuberculose.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Observando com cautela os resultados de alguns    estudos, Argyle (1993) escreve que a religiosidade pode influenciar positivamente    os comportamentos de ajuda e a preocupação para com os outros.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para McCullough (1995), a pesquisa sobre prática    religiosa pode ser útil no que diz respeito a como ela promove melhor relacionamento    interpessoal na família, na comunidade e na própria Igreja, uma vez que compreensão    e reconciliação fazem parte do trabalho da Igreja, num mundo caracterizado por    divisões entre as pessoas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Bergin (1988) salienta o papel compensador da    religião em situações de dificuldade. A experiência religiosa compensa dificuldades    vitais de tal modo que a pessoa pode atingir um nível de "ajustamento" além    do que seria esperado.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Paiva (1998) destaca a relevância da religião    como recurso para o enfrentamento de circunstâncias estressoras. A religião,    ao propor maneiras de se compreenderem os acontecimentos, influencia diretamente    as avaliações e atitudes de seus adeptos frente ao estressor. Uma pessoa pode,    por exemplo, interpretar o evento estressor como sendo um castigo de Deus e,    por isso, aumentar a freqüência de suas orações. A religião atua também preventivamente,    uma vez que atividades que podem gerar estresse, como uso de drogas, tornam-se    menos prováveis na vida de alguém religiosamente comprometido. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Paiva (1998) comenta a revisão de Pargament no    tocante a estudos com pacientes crônicos necessitados de diálise, doentes terminais    e pacientes com câncer avançado nos quais a religiosidade aparece associada    com maior sociabilidade, maior docilidade ao tratamento, menor medo da morte,    menor perturbação do sono, menos dor e maior auto-estima. Outros efeitos, de    "ndole espiritual", têm sido associados ao enfrentamento religioso, como intimidade    e identidade, conforto e desafio de crescimento, expressão ou controle das emoções    e esperança revolucionária ou escatológica (Paiva, 1998).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Tentando compreender a religião como fenômeno    psicológico, Seminério (1998) opta pelo estudo dos determinismos psicológicos,    dentre os quais se destaca a "visão antecipatória" que o ser humano tem da própria    finitude, a qual constitui sua "angústia básica". </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O ponto de partida de Seminério (1998) para o    entendimento da religião como fenômeno psicológico é a idéia de intolerância    à ambigüidade de Brunswick. Sempre que uma dúvida está presente, o ser humano    gera hipóteses, em acordo com suas emoções e convicções, que venham a mitigá-la.    As crenças originadas desse processo atuam como "verdades existenciais" que    garantem equilíbrio pessoal, independentemente de sua validade "objetiva". Assim    considerada, a crença religiosa pode desempenhar uma importante função de defesa,    uma tentativa de solução para a ambigüidade, de modo a atribuir um significado    à existência (Seminério, 1998). </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Pensando na especificidade da religião como alternativa    para o enfrentamento de situações estressoras, Pargament (1990; citado em Paiva,    1998) propõe que</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">Parte do poder singular da religião pode residir      em sua capacidade de responder a tão numerosas necessidades de maneiras tão      diversas. O caráter abstrato, simbólico e misterioso da maioria das tradições      religiosas pode, por vezes, frustrar seus adeptos. Contudo são exatamente      essas qualidades que permitem às religiões adaptarem-se às mudanças dos tempos,      das circunstâncias e das necessidades (p. 205 do original).</font></p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>EXPERIÊNCIA RELIGIOSA EM N/A</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Seis integrantes de N/A em Porto Alegre (RS)    foram entrevistados sobre seu processo de recuperação, para pesquisa relativa    à Dissertação de Mestrado do autor (Roehe, 2000). Foram convidadas para participar    do estudo pessoas que se consideravam recuperadas do(s) problema(s) que motivou(aram)    sua adesão ao grupo, a fim de que se pudesse obter um relato que abrangesse    todo o percurso da recuperação. Essas pessoas ainda estão em N/A porque o grupo,    seguindo o modelo de Alcoólicos Anônimos, considera que a recuperação nunca    é definitiva, sempre se está em recuperação, e o incentivo aos iniciantes no    grupo faz parte do programa. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A informação de caráter religioso apareceu de    modo substancial na maioria das entrevistas e é esse aspecto da pesquisa que    é explorado na seqüência do artigo. Opta-se pelo termo religião e por termos    derivados porque, como se mostrará em seguida, a experiência dos entrevistados,    assim como o programa de N/A, está claramente vinculada aos preceitos do cristianismo,    e o próprio N/A como instituição é um determinante do relato dos entrevistados.     </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Entre os problemas pessoais que motivaram os    informantes da pesquisa a procurar N/A estão viuvez, alcoolismo do cônjuge,    problemas psiquiátricos do cônjuge e história de problemas emocionais como depressão,    confusão mental, angústia, insegurança, retraimento social, entre outros relatados    nas entrevistas. Sendo assim, as dificuldades emocionais e a conseqüente busca    por auxílio dessas pessoas em nada diferem de situações comumente encontradas    pelos psicólogos clínicos em seu ambiente profissional. Com essa afirmação,    quer-se ressaltar que a trajetória dos entrevistados não constitui um caso extraordinário,    que tenha determinado uma opção terapêutica esdrúxula.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Todas as pessoas entrevistadas afirmaram ter    prática religiosa. A trajetória religiosa de 4 dos 6 entrevistados é claramente    marcada pela participação no grupo. Dois deles, depois de entrar em N/A, retomaram    a prática religiosa,  que haviam abandonado. Um  tornou-se "católico fervoroso",    após ingressar no grupo. E o outro desenvolveu uma nova religiosidade, menos    apegada à prática formal. Quanto aos dois entrevistados restantes, um mantém    participação religiosa desde antes de conhecer N/A e foi em atividades de igreja    que conheceu a pessoa que lhe indicou o grupo; o outro, também com prática anterior    à chegada em N/A, refere ter vivenciado uma "obsessão religiosa"<i>, </i>tendo    freqüentado uma "casa espírita", apesar de ser católico.  </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O estudo não ficou restrito à experiência relatada    pelos informantes. N/A oferece um programa de recuperação que abrange, além    da proposta apresentada acima, uma adaptação dos Doze Passos (<i>vide</i> <a href="#anexo">Anexo</a>),    originalmente elaborados por Alcoólicos Anônimos, grupo criado em 1935. Os <i>passos</i>    são as ações que o integrante deve realizar, a fim de atingir a recuperação,    a <i>cura</i>. As freqüentes referências dos entrevistados aos entendimentos,    ações e jargão presentes no programa de N/A conduziram a pesquisa, também, a    uma análise desse programa, gerando como que um debate entre os relatos e a    proposta "terapêutica" do grupo.  </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Perguntado a respeito das transformações que    observou em si mesmo ao longo da participação em N/A, A. diz:</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">(...) a primeira transformação que eu senti      é o seguinte: eu diminuí o meu interesse pelo dinheiro, pelos bens materiais,      dando mais valor ao espiritual. Eu me tornei religioso (...) eu não era católico,      não digo que odiasse, mas não era muito fanático da religião católica e hoje      eu sou católico praticante fervoroso (...) eu sinto que Deus me deu uma missão      (...) ele me dá forças e eu levo essa missão adiante, dá através do N/A.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">O programa de recuperação de N/A apresenta ensinamentos    básicos da doutrina cristã como sendo um caminho para a saúde emocional. Compreender    a doença emocional como "(...) egoísmo inato que impede a aquisição da capacidade    de amar" (Neuróticos Anônimos, 1969/1996, p. 1) e propor que a <i>cura</i> exige    "Acreditar que um poder superior a nós mesmos poderia devolver-nos à sanidade"    (2º passo) e, portanto, que é necessário entregar a vontade e a vida aos cuidados    de Deus - o Poder Superior -, na forma em que O concebemos (3º passo), é recolocar,    na forma de metas de saúde psicológica, os dois principais mandamentos cristãos    (Mateus, 22: 37-40): reconhecimento de Deus como poder superior e objetivo primeiro    do amor humano e amor aos outros como prova de amor a Deus e valorização dos    demais (conduta não <i>egocêntrica</i>, conforme N/A).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O programa sustenta que "quanto mais perto estivermos    das pessoas, mais perto de Deus nós estaremos" (1996/1969, p. 98). Na Primeira    Epístola de São João encontra-se: "(...) quem não ama seu irmão, a quem vê,    a Deus, a quem não vê, não poderá amar" (1 João, 4: 20).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O percurso pessoal relatado pelos informantes    da pesquisa demonstrou a interdependência entre recuperação e religiosidade,    como ilustram as seguintes passagens de entrevistas:</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">(...) eu era doente porque eu não via um Poder      Superior a mim, eu era o centro de tudo... se eu fosse procurar um Poder Superior,      eu era esse Poder Superior (...) (N.).</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">(...) tamanha era a minha decadência emocional      que eu tentei contra minha vida três vezes... e, graças ao Poder Superior,      falhou (...) eu não via outra saída... era só a morte que ia dar jeito em      mim, mas creia ou não creia, existe um poder que rege tudo, né? E esse poder      me salvou, com a ajuda do programa de N/A. (E.).</font></p> </blockquote>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">Quando eu entrei no N/A... entrei aqui de mal      com Deus, inclusive o meu primeiro depoimento foi esse: 'olha, eu me sinto      morta e esse Deus não me olha, esse Deus não me ressuscita, esse Deus não      me dá vida... esse Deus não faz nada por mim'. E justamente com o programa      eu fui melhorando o meu contato com esse Poder Superior, eu fui concebendo...      interiormente, esse Poder Superior... aí, no momento que eu fiz o primeiro      5º passo, eu senti necessidade de me aproximar novamente da Igreja, porque      uma das reparações de dano que eu tive que fazer, eu tive que fazer com uma      pessoa já falecida (...) (R.).</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Este último relato retrata a integração da fé    religiosa com a busca de bem-estar emocional, assim como a retomada da participação    religiosa dentro da perspectiva inaugurada em N/A. A prática religiosa formal    havia sido abandonada, pois R. esperava que sua fé lhe propiciasse bem-estar.    Uma vez em N/A, a obtenção de bem-estar é associada à nova concepção de Deus    - Poder Superior -, e a realização dos passos oferece a oportunidade de reconciliação    com a religiosidade formal.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Outro exemplo alude ao relato de M., no qual    ela menciona o sentimento de estar "sendo útil de novo", ao perceber que pode    contribuir para o bem-estar dos outros. M. diz:</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">(...) eu acho que eu preciso fortificar a minha      fé, porque tem muita gente que tá precisando da minha fé, porque quando eu      falo... no meu grupo, eu sinto que as pessoas recebem aquilo, porque agora      eu já tô noutra fase... a minha vida está melhorando (...) então eles gostam      (...).</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">M. coloca fé e bem-estar como realizações interdependentes.    Primeiro, fé para atingir bem-estar pessoal; depois, reforço da fé, de modo    que o bem-estar pessoal implique o bem-estar dos demais, ou seja, a concretização    da dinâmica interpessoal de base religiosa, que atua em N/A (Roehe, 2000).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Mais uma ilustração do elo entre religiosidade    e saúde emocional, instaurado em N/A, é oferecida por N.:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">(...) a minha ignorância espiritual também      melhorou... Antes eu achava que espiritualidade era um espírito que entrava      dentro de mim, me daria coisas boas, Deus ia fazer um milagre comigo, ia me      curar, né, então essa ignorância acabou, eu tô sendo mais adulto, não tão      criancinha como eu era, tão fantasioso, isso o N/A tudo que me deu, essa ferramenta,      essa força... que tá construindo a minha vida....</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Esse depoimento demonstra que a mudança de entendimento    a respeito da "espiritualidade" derivou para um pensamento mais realista    e estimulante da iniciativa pessoal na busca de bem-estar (<i>vide</i> as referências    a "ferramenta" e construção da vida).    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Analisando os Doze Passos como terapêutica para    o alcoolismo, Pfeffer (1958, citado em Martins, 1979) escreve que o 2º e o 3º    passos propiciam o abandono da onipotência das idéias, procedimento defensivo    comum nos alcoolistas, e a aceitação de um personagem paterno protetor.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em N/A, que trabalha com uma adaptação dos Doze    Passos de Alcoólicos Anônimos, verifica-se que um processo análogo tem lugar.    A maioria dos entrevistados menciona a transição de um modo de ser superestimado    para uma postura mais humilde, menos autocêntrica.</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">(...) eu acho que eu não tenho humildade suficiente      ainda... eu preciso me lapidar nesse ponto, eu acho que eu sou um pouco orgulhosa      (...) principalmente em 2 anos que estou em N/A (...) as minhas emoções já      não são tão primárias... eu procuro falar mais baixo em casa, eu falava muito      alto e sempre era a dona da verdade... o que eu pensava, o que eu dizia (...)      (M.).</font></p> </blockquote>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">(...) eu era muito agressiva, eu era muito      mandona, eu era dona da situação, devido àquele problema do marido ser assim      (alcoolista), que eu tive que tomar a frente de tudo, eu me tornei muito mandona,      sabe? Eu resolvia as coisas no grito e com o programa eu me reeduquei (...)      (E.).</font></p> </blockquote>     <blockquote>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">(...) eu era muito auto-suficiente e muito      egocêntrico, eu me promovia a mim mesmo (...) eu era o centro e tudo, tudo      quem tava em primeiro lugar era eu... (N.).</font></p> </blockquote>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">(...) hoje eu entrego totalmente a minha vida      aos cuidados do Poder Superior, esse Deus que antes eu não acreditava mais...      esse Deus que não me ajudava (...) na verdade eu queria me colocar no lugar      dele... eu sou a criatura, ele é o criador, eu queria tá lá no lugar dele,      eu queria resolver as coisas. Então, no momento que eu comecei a usar a humildade,      me colocar no meu lugar de criatura (...) eu sinto que todos os meus defeitos      de caráter estão sendo... substituídos por qualidades (...) eu tenho exercitado      muito a fé, né, nesse Poder Superior (...) como uma filha, eu tenho ele como      um pai. (R.).</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Essa última transcrição oportuniza a reflexão    sobre as dimensões da experiência religiosa, conforme a proposta de Martín-Baró    (1998), e suas implicações na recuperação dos integrantes de N/A.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Segundo Martín-Baró (1998), a experiência religiosa    transita numa dupla dimensão, correspondente aos dois elementos fundamentais    das representações religiosas: a relação entre homem e Deus e a salvação.</font></p>     <blockquote>       <p><font face="Verdana" size="2">&#149; Verticalidade-horizontalidade: refere-se      à relação entre Deus e o homem. Varia de uma concepção de Deus como ser superior,      distante e inacessível, com o qual somente é possível se relacionar na forma      de uma criatura diante de seu criador, uma relação vertical de submissão hierárquica,      até o entendimento de Deus ainda como ser superior, contudo próximo e acessível,      com o qual se pode estabelecer um relacionamento de respeitoso companheirismo,      algo tipo um <i>pai bondoso</i>.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">&#149; Transcendentalidade-historicidade: alude      à idéia de salvação. Alterna-se entre a salvação compreendida como <i>ação      meta-histórica</i> de Deus, que intervém na marcha dos acontecimentos para      estabelecer, milagrosamente, a devida ordem e a salvação na forma de movimento      divino através dos homens, que, por isso, devem assumir a responsabilidade      de transformar o mundo a partir da própria história. No primeiro caso, o homem      pede e espera a salvação; no segundo, age, como desígnio de Deus, para salvar-se.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Martín-Baró (1998) associa verticalidade com    transcendentalidade e horizontalidade com historicidade.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Acima, R. diz que entrega sua vida aos cuidados    do Poder Superior, poder este que, anteriormente, ela sentia distante. A seguir,    R. conclui que estava tentando assumir o lugar de Deus, esquecendo-se de sua    condição de criatura. Ao situar-se como criatura perante o criador, R. entra    em harmonia com o Poder Superior, tal como uma filha com seu pai.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Pensando em termos da dupla dimensão de Martín-Baró    (1998), nota-se a ruptura da polaridade entre a experiência vertical e a horizontal    de relação com Deus. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Colocando-se na posição de criatura (relação    vertical), R. sente-se mais próxima de Deus (Poder Superior), como uma filha    próxima ao pai (relação horizontal). Reportando-se a sua situação anterior a    N/A, R. entende que estava longe de Deus, justamente por querer tomar o lugar    dEle, fazer o que somente Ele poderia fazer, "resolver as coisas"    (relação transcendental), ou seja, um projeto mais próximo daquilo que Martín-Baró    (1998) considera horizontal e histórico.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Depois de entrar em N/A, R. recuperou sua prática    religiosa de acordo com os novos parâmetros que o grupo lhe apresentou: reconhecimento    da própria impotência perante as emoções (1º Passo), crença e entrega pessoal    ao Poder Superior, que pode restaurar o bem-estar (2ºe 3º Passos).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Após determinar um compromisso religioso vertical    e transcendental, o programa dos Doze Passos dirige-se para a ação do praticante,    através da realização do "inventário moral"  (auto-análise para identificar    e assumir os "defeitos" pessoais) e da admissão das próprias falhas perante    Deus,  si mesmo e outra pessoa (4ºe 5º Passos), abrindo, também, uma experiência    religiosa histórica, cuja efetividade depende das atitudes do praticante.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os passos 6 e 7 retomam - e reforçam - a religiosidade    vertical-transcendente, enquanto o 8º, 9º e 10º novamente deslocam a ênfase    para a ação pessoal (religiosidade histórica). O passo 11 tende à verticalidade,    e o 12, à historicidade.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A religiosidade instaurada pelo programa dos    Doze Passos é vertical no que diz respeito à relação com Deus, o Poder Superior,    e inclina-se para a historicidade no que tange à salvação (cura). Entende-se    que a religiosidade não é totalmente histórica, porque à verticalidade está,    necessariamente, associado um componente transcendental (<i>vide </i>passos    2, 6 e 7), que a reforça.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A horizontalidade que R. vivencia em sua relação    com Deus pode dever-se aos progressos pessoais que obteve a partir da crença    num poder superior, de tal maneira que o bem-estar alcançado seja interpretado    como recompensa e ratifique essa crença, a qual se torna mediadora de um sentimento    de proximidade. É possível pensar: se Deus responde é porque está próximo.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Outros entrevistados também manifestam uma religiosidade    vertical, vinculada a acontecimentos positivos e progressos pessoais:</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">(...) tamanha era a minha decadência emocional      que eu tentei contra minha vida três vezes (...) e, graças ao Poder Superior,      falhou... eu agradeço ao meu Poder Superior todos os dias, pelos 5 filhos      que tive(...) homem eu não podia ver na minha frente, não era minha intenção      casar, por isso que eu digo que existe um Poder Superior que traça as coisas,      a gente faz um plano, e as coisas acontecem de outro(...). (E.).</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">As referências de E. ao Poder Superior encerram,    também, uma religiosidade transcendental.</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">(...) eu era doente, porque eu não via um poder      superior a mim (...) eu era o Poder Superior meu mesmo (...) (N.).</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Essa verticalidade religiosa, no entanto, não    obscurece o comprometimento pessoal dos entrevistados com sua recuperação (historicidade).    Quando solicitados a avaliar o trabalho de N/A, destacaram a utilidade do programa,    desde que a pessoa se dedique ativamente a sua prática.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A integração, a princípio contraditória, de uma    experiência religiosa vertical e histórica, como ocorre em N/A, faz pensar na    origem desse programa de recuperação com Alcoólicos Anônimos. Diferentemente    de um problema emocional, em geral associado a idiossincrasias que dificultam    uma formulação genérica de sua dinâmica, o alcoolismo apresenta-se na forma    de comportamentos facilmente mapeáveis, em relação aos quais uma abordagem mais    prescritiva e pragmática é necessária. É necessário parar de beber.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A transposição do programa de Alcoólicos Anônimos    para N/A exigiu um recurso conceitual restritivo: na falta de um comportamento-padrão    que definisse a "doença mental e emocional", adotou-se a idéia-base da doutrina    cristã para defini-la como "Uma única doença, uma coisa só" (Neuróticos Anônimos,    1996/1969, p. 1), cujo modo de manifestação (idiossincrasias) é variável. O    que um doente emocional deve <i>parar</i>? Deve <i>parar</i> o egoísmo-egocentrismo.    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em se tratando de uma construção <i>terapêutica</i>    sobre a doutrina cristã, a verticalidade da relação com Deus reforça o aspecto"curativo" do Poder Superior e garante o devido suporte para as inadiáveis    iniciativas que o <i>neurótico</i> precisa tomar, a fim de recuperar-se. Tendo    em vista o estado de debilitação que costuma acompanhar os sofredores de problemas    emocionais, entende-se que a "prescrição" de fé num poder realmente superior    funciona como um estratagema cognitivo que alavanca atitudes em pessoas com    precária capacidade de mobilização. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Conforme Amatuzzi (1998), a pessoa religiosa    age estimulada pelo sentimento da presença protetora de Deus, cuja resposta    humana é a confiança da entrega. O autor mostra que, apesar de a experiência    religiosa envolver entrega ou abandono pessoal ao poder de Deus, numa postura    sugestiva de submissão, passividade e conformismo, ela se caracteriza por uma    resposta ativa, na forma de enfrentamento de situações de um modo até inédito,    sem que a pessoa, no entanto, deixe de atribuir seus sucessos à presença de    Deus. A experiência dos informantes deste estudo segue a descrição do autor.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>CONCLUSÃO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A experiência religiosa aqui considerada apresenta    uma importante diferença em relação aos trabalhos mencionados acima: a experiência    dos informantes inicia com uma procura por auxílio para dificuldades emocionais,    o grupo ao qual se dirigem é para "neuróticos". O que encontraram lá, no entanto,    foi uma adaptação de princípios cristãos para uma suposta "doença emocional"    que se caracteriza precisamente pelo distanciamento desses princípios. Sendo    assim, a experiência religiosa se confunde com a recuperação emocional. Somente    há experiência religiosa à medida que a pessoa se vincula ao grupo, e essa vinculação    indica progresso na superação do problema pessoal. É difícil distinguir o que    é experiência religiosa do que é processo de recuperação.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Pode-se retomar a afirmação de Pargament (citado    em Paiva, 1998) citada acima: a religião apresenta uma flexibilidade muito grande    para prover seus adeptos de meios e fins. N/A não é religião, é justamente um    exemplo desse alcance da doutrina religiosa. A entrega pessoal por meio de crença    e compromisso religioso relatada pelos entrevistados permite pensar que, sem    ela, uma pessoa que se dirija a N/A dificilmente vivenciará os progressos relatados    pelos participantes desta pesquisa. Um ilustrativo trecho de entrevista para    finalizar o artigo: </font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">(...) eu acho que o N/A, se não conduz a uma      religião, ele conduz a você acreditar (...) a se espiritualizar, que o programa      é totalmente espiritual (...) você acredita num Poder Superior, que é Deus      como cada um O concebe... E através disso (...) muitas pessoas, elas acabam      indo pra uma religião (A.).</font></p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>REFERÊNCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Amatuzzi, M. M. (1998). A experiência religiosa:    estudando depoimentos. <i>Estudos de Psicologia</i>, <i>15</i>(2), 3-27.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000149&pid=S1413-7372200400030000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Argyle, M. (1993). <i>The social psychology    of everyday life</i>. London: Routledge.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000150&pid=S1413-7372200400030000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> As leis da doença mental e emocional (1996).    São Paulo: ENABRA.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000151&pid=S1413-7372200400030000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Back, K. W. &amp; Taylor, R. C. (1976). Self-help    groups: tool or symbol ? <i>The Journal of Applied Behavioral Science</i>, <i>12</i>,    295-309.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000152&pid=S1413-7372200400030000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Bergin, A. E.; Stinchfield, R.; Gaskin, T.;    Masters, K. &amp; Sullivan, C. (1988). Religious life-styles and mental health:    An exploratory study. <i>Journal of Counseling Psychology</i>, <i>35</i>(1),    91-98.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000153&pid=S1413-7372200400030000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Bergin, A. E. (1991). Values and religious issues    in psychotherapy and mental health. <i>American Psychologist</i>, <i>46</i>(4),    394-403.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000154&pid=S1413-7372200400030000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Bíblia de Jerusalém. (1985). N. T. Evangelho    de São Mateus (pp. 1837-1896). Português. São Paulo: Edições Paulinas.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000155&pid=S1413-7372200400030000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Bíblia de Jerusalém. (1985). N. T. Primeira    Epístola de São João (pp. 2282-2293). Português. São Paulo: Edições Paulinas.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000156&pid=S1413-7372200400030000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Borkman, T. (1976). Experiential knowledge:    a new concept for the analysis of self-help     groups. <i>Social Service Revie,    50</i>, 446-454.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000157&pid=S1413-7372200400030000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> De Mari, J.; Teich, D. H.; Nogueira, P.; Camargos    D. &amp; Pimentel, M. (1999, 24 de fevereiro). A luta contra o vício: como funcionam    os grupos anônimos que ajudam as pessoas a se livrar da dependência. <i>Veja</i>,    8.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000158&pid=S1413-7372200400030000800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Dumont, M. P. (1974). Self-help treatment programs.    <i>American Journal of Psychiatry</i>, 131, 631-635.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000159&pid=S1413-7372200400030000800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Hill, P. C. (1999). Giving religion away: What    the study of religion gives psychology. <i>The International Journal for the    Psychology of Religion</i>, <i>9</i>(4), 229-249.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000160&pid=S1413-7372200400030000800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Jacobs, M. &amp; Goodman, G. (1989). Psychology    and self-help groups. <i>American Psychologist</i>, <i>44</i>, 536-545.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000161&pid=S1413-7372200400030000800013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Larson, D. B. (1992). Associations between dimensions    of religious commitment and mental health reported in the <i>American Journal    of Psychiatry</i> and <i>Archives of General Psychiatry</i>: 1978-1989. <i>American    Journal of Psychiatry</i>, <i>149</i>(4) 557-559.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000162&pid=S1413-7372200400030000800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Levy, L.H. (1976). Self-help groups: types and    psychological processes. <i>Journal ofApplied Behavioral Science</i>,    <i>12</i>, 310-322.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000163&pid=S1413-7372200400030000800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Martins, M. C. (1979). Em busca de uma compreensão    do trabalho terapêutico dos Alcoólicos Anônimos. <i>Arquivos da Clínica Pinel,    5</i>(4), 271-277.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000164&pid=S1413-7372200400030000800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Martín-Baró, I. (1998). Psicología de la liberación.    Madrid: Trotta S. A.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000165&pid=S1413-7372200400030000800017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> McCullough, M. (1995). Prayer and health: conceptual    issues, research review, and research agenda. <i>Journal of Psychology and Theology</i>,    <i>23</i>(1), 15-29.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000166&pid=S1413-7372200400030000800018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Miller, W. &amp; Thorensen, C. (2003). Spirituality,    religion, and health: an emerging research field. <i>American Psychologist</i>,    <i>58</i>(1), 24-35.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000167&pid=S1413-7372200400030000800019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Neuróticos Anônimos. (1996). A doença emocional    é doença espiritual. Em <i>As leis da doença mental e emocional</i> ( pp.13-17).    São Paulo: ENABRA. (Trabalho original publicado em 1966)</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000168&pid=S1413-7372200400030000800020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Neuróticos Anônimos. (1969). As leis da doença    mental e emocional. In <i>As leis da doença mental e emocional</i> (pp. 1-8).    São Paulo: ENABRA.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000169&pid=S1413-7372200400030000800021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Neuróticos Anônimos. Folheto, s/d.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"> Neuróticos Anônimos. Livreto, s/d.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Paiva, G. J. de (1998). AIDS, psicologia e religião:    o estado da questão na literatura psicológica. <i>Psicologia: Teoria e Pesquisa</i>,    <i>14</i>(1), 27-34.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000172&pid=S1413-7372200400030000800022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Paloutzian, R. F. (1996). <i>Invitation to the    Psychology of Religion</i>. Boston: Allyn &amp; Bacon.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000173&pid=S1413-7372200400030000800023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Roehe, M. V. (2000). <i>Do desabafo à mensagem:    vivência de recuperação em Neuróticos Anônimos</i>. Dissertação de Mestrado    Não-Publicada., Faculdade de Psicologia, Pontifícia Universidade Católica do    Rio Grande do  Sul. Porto Alegre.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000174&pid=S1413-7372200400030000800024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Rootes, L. &amp; Aanes, D.(1992). A conceptual    framework for understanding self-help groups. <i>Hospital and Community Psychiatry</i>,    <i>43</i>(4), 379-381.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000175&pid=S1413-7372200400030000800025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Sanchez Vidal, A. (1991). <i>Psicologia comunitária:    bases conceptuales yorganizativas, métodos de intervención</i>. Barcelona:    PPU.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000176&pid=S1413-7372200400030000800026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Seminério, F. (1998). A religião como fenômeno    psicológico. <i>Temas em Psicologia</i>, <i>6</i>(2), 161-172.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000177&pid=S1413-7372200400030000800027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Vattano, A. (1972). Power to the people: Self-help    groups. <i>Social Work</i>, <i>17</i>, 7-15.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000178&pid=S1413-7372200400030000800028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a name=correspond></a><a href="#topo"><img src="/img/revistas/pe/v9n3/seta.gif" border="0"></a><b>    Endereço para correspondência</b>     <br>   Marcelo Vial Roehe:     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Rua Caiapó, 120    <br>   CEP 91900-550. Porto Alegre-RS    <br>   E-mail: <a href="mailto:mvroehe@ibest.com.br"> mvroehe@ibest.com.br</a></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Recebido em 25/05/2004    <br>   Aceito em 24/09/2004</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b><a name="anexo"></a>ANEXO</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Os Doze Passos de N/A</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">1 - Admitimos que éramos impotentes perante nossas    emoções - que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">2 - Viemos a acreditar que um Poder superior    a nós mesmos poderia devolver-nos à sanidade.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">3 - Decidimos entregar nossa vontade e nossa    vida aos cuidados de Deus, na forma em que o concebíamos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">4 - Fizemos minucioso e destemido inventário    moral de nós mesmos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">5 - Admitimos perante Deus, perante nós mesmos    e perante outro ser humano a natureza exata de nossas falhas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">6 - Prontificamo-nos inteiramente a deixar que    Deus removesse todos esses defeitos de caráter.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">7 - Humildemente rogamos a Ele que nos livrasse    de nossas imperfeições.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">8 - Fizemos uma relação de todas as pessoas que    tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">9 - Fizemos reparações diretas dos danos causados    a tais pessoas, sempre que possível, salvo quando fazê-lo significasse prejudicá-las    ou a outrem.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">10 - Continuamos fazendo o inventário pessoal    e, quando estávamos errados, nos o admitíamos prontamente.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">11 - Procuramos, através da prece e da meditação,    melhorar nosso contrato consciente com Deus, na forma em que o concebíamos,    rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós e forças para    realizar essa vontade.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">12 - Tendo experimentado um despertar espiritual    graças a estes passos, procuramos transmitir essa mensagem aos neuróticos e    praticar esses princípios a todas nossas atividades.</font></p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Amatuzzi]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A experiência religiosa: estudando depoimentos]]></article-title>
<source><![CDATA[Estudos de Psicologia]]></source>
<year>1998</year>
<volume>15</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>3-27</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Argyle]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The social psychology of everyday life]]></source>
<year>1993</year>
<publisher-loc><![CDATA[London ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Routledge]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="book">
<source><![CDATA[As leis da doença mental e emocional]]></source>
<year>1996</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[ENABRA]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Back]]></surname>
<given-names><![CDATA[K. W.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Taylor]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Self-help groups: tool or symbol ?]]></article-title>
<source><![CDATA[The Journal of Applied Behavioral Science]]></source>
<year>1976</year>
<volume>12</volume>
<page-range>295-309</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Bergin]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. E.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Stinchfield]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Gaskin]]></surname>
<given-names><![CDATA[T.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Masters]]></surname>
<given-names><![CDATA[K.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Sullivan]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Religious life-styles and mental health: An exploratory study]]></article-title>
<source><![CDATA[Journal of Counseling Psychology]]></source>
<year>1988</year>
<volume>35</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>91-98</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Bergin]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. E.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Values and religious issues in psychotherapy and mental health]]></article-title>
<source><![CDATA[American Psychologist]]></source>
<year>1991</year>
<volume>46</volume>
<numero>4</numero>
<issue>4</issue>
<page-range>394-403</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="book">
<source><![CDATA[Bíblia de Jerusalém]]></source>
<year>1985</year>
<page-range>1837-1896</page-range><publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Edições Paulinas]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="book">
<source><![CDATA[Bíblia de Jerusalém]]></source>
<year>1985</year>
<page-range>2282-2293</page-range><publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Edições Paulinas]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Borkman]]></surname>
<given-names><![CDATA[T.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Experiential knowledge: a new concept for the analysis of self-help groups]]></article-title>
<source><![CDATA[Social Service Revie]]></source>
<year>1976</year>
<volume>50</volume>
<page-range>446-454</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[De Mari]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Teich]]></surname>
<given-names><![CDATA[D. H.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Nogueira]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Camargos]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Pimentel]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[A luta contra o vício: como funcionam os grupos anônimos que ajudam as pessoas a se livrar da dependência]]></article-title>
<source><![CDATA[Veja]]></source>
<year>1999</year>
<month>, </month>
<day>24</day>
<volume>8</volume>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Dumont]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Self-help treatment programs]]></article-title>
<source><![CDATA[American Journal of Psychiatry]]></source>
<year>1974</year>
<volume>131</volume>
<page-range>631-635</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Hill]]></surname>
<given-names><![CDATA[P. C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Giving religion away: What the study of religion gives psychology]]></article-title>
<source><![CDATA[The International Journal for the Psychology of Religion]]></source>
<year>1999</year>
<volume>9</volume>
<numero>4</numero>
<issue>4</issue>
<page-range>229-249</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Jacobs]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Goodman]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Psychology and self-help groups]]></article-title>
<source><![CDATA[American Psychologist]]></source>
<year>1989</year>
<volume>44</volume>
<page-range>536-545</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Larson]]></surname>
<given-names><![CDATA[D. B.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Associations between dimensions of religious commitment and mental health reported in the American Journal of Psychiatry and Archives of General Psychiatry: 1978-1989]]></article-title>
<source><![CDATA[American Journal of Psychiatry]]></source>
<year>1992</year>
<volume>149</volume>
<numero>4</numero>
<issue>4</issue>
<page-range>557-559</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Levy]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.H.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Self-help groups: types and psychological processes]]></article-title>
<source><![CDATA[Journal of Applied Behavioral Science]]></source>
<year>1976</year>
<volume>12</volume>
<page-range>310-322</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Martins]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Em busca de uma compreensão do trabalho terapêutico dos Alcoólicos Anônimos]]></article-title>
<source><![CDATA[Arquivos da Clínica Pinel]]></source>
<year>1979</year>
<volume>5</volume>
<numero>4</numero>
<issue>4</issue>
<page-range>271-277</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Martín-Baró]]></surname>
<given-names><![CDATA[I.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Psicología de la liberación]]></source>
<year>1998</year>
<publisher-loc><![CDATA[Madrid ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Trotta S. A.]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B18">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[McCullough]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Prayer and health: conceptual issues, research review, and research agenda]]></article-title>
<source><![CDATA[Journal of Psychology and Theology]]></source>
<year>1995</year>
<volume>23</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>15-29</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B19">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Miller]]></surname>
<given-names><![CDATA[W.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Thorensen]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Spirituality, religion, and health: an emerging research field]]></article-title>
<source><![CDATA[American Psychologist]]></source>
<year>2003</year>
<volume>58</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>24-35</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B20">
<nlm-citation citation-type="book">
<collab>Neuróticos Anônimos</collab>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A doença emocional é doença espiri]]></article-title>
<source><![CDATA[As leis da doença mental e emocional]]></source>
<year>1996</year>
<page-range>13-17</page-range><publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[ENABRA]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B21">
<nlm-citation citation-type="book">
<collab>Neuróticos Anônimos</collab>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[As leis da doença mental e emocional]]></article-title>
<source><![CDATA[As leis da doença mental e emocional]]></source>
<year>1969</year>
<page-range>1-8</page-range><publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[ENABRA]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B22">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Paiva]]></surname>
<given-names><![CDATA[G. J. de]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[AIDS, psicologia e religião: o estado da questão na literatura psicológica]]></article-title>
<source><![CDATA[Psicologia: Teoria e Pesquisa]]></source>
<year>1998</year>
<volume>14</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>27-34</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B23">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Paloutzian]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Invitation to the Psychology of Religion]]></source>
<year>1996</year>
<publisher-loc><![CDATA[Boston ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Allyn & Bacon]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B24">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Roehe]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. V.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Do desabafo à mensagem: vivência de recuperação em Neuróticos Anônimos]]></source>
<year>2000</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B25">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Rootes]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Aanes]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[A conceptual framework for understanding self-help groups]]></article-title>
<source><![CDATA[Hospital and Community Psychiatry]]></source>
<year>1992</year>
<volume>43</volume>
<numero>4</numero>
<issue>4</issue>
<page-range>379-381</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B26">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Sanchez Vidal]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Psicologia comunitária: bases conceptuales yorganizativas, métodos de intervención]]></source>
<year>1991</year>
<publisher-loc><![CDATA[Barcelona ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[PPU]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B27">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Seminério]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A religião como fenômeno psicológico]]></article-title>
<source><![CDATA[Temas em Psicologia]]></source>
<year>1998</year>
<volume>6</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>161-172</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B28">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Vattano]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Power to the people: Self-help groups]]></article-title>
<source><![CDATA[Social Work]]></source>
<year>1972</year>
<volume>17</volume>
<page-range>7-15</page-range></nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
