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<journal-title><![CDATA[Psicologia em Estudo]]></journal-title>
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<publisher-name><![CDATA[Departamento de Psicologia - Universidade Estadual de Maringá]]></publisher-name>
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<article-id pub-id-type="doi">10.1590/S1413-73722004000300009</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A genealogia em Foucault]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The genealogy on Foucault]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This text, originated from my Master's thesis, aims to dissertate on genealogy as methodology, according to Michel Foucault's proposition. In this approach, the archeological analysis of the speech is understood as the foundation supporting genealogy by suggesting the description of the field as a net formed in the inter-relationship of the several knowledge present, which makes possible the discourse emerge according to our concept. The genealogical approach searches for the origin of the knowledge through the factors interfering in their emergence, maintenance and suitability to the discursive field, as elements included in a political speech opening the conditions to enable the individuals to be immersed in given discursive practices.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align=right><font face="Verdana" size="2"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="4"><a name=topo></a><b>A genealogia em Foucault</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>The genealogy on Foucault</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Rogério Faé</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Mestre em Psicologia Social e da Personalidade    - PUC-RS</font></p>     <p><a href="#correspond"><font face="Verdana" size="2">Endereço para correspondência</font></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Este texto, que tem origem em minha dissertação    de mestrado, se propõe discorrer sobre a genealogia enquanto metodologia, conforme    proposta por Michel Foucault. Nesta abordagem, a análise arqueológica do discurso    é entendida como a base que dá suporte à genealogia, ao propor a descrição do    campo como uma rede formada na inter-relação dos diversos saberes ali presentes,    que possibilitam a emergência do discurso como o percebemos. Já a abordagem    genealógica busca a origem dos saberes através dos fatores que interferem na    sua emergência, permanência e adequação ao campo discursivo como elementos incluídos    em um dispositivo político que abre as condições para que os sujeitos possam    se constituir imersos em determinadas práticas discursivas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave: </b>genealogia, práticas discursivas,    subjetivação.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">This text, originated from my Master's thesis,    aims to dissertate on genealogy as methodology, according to Michel Foucault's    proposition. In this approach, the archeological analysis of the speech is understood    as the foundation supporting genealogy by suggesting the description of the    field as a net formed in the inter-relationship of the several knowledge present,    which makes possible the discourse emerge according to our concept. The genealogical    approach searches for the origin of the knowledge through the factors interfering    in their emergence, maintenance and suitability to the discursive field, as    elements included in a political speech opening the conditions to enable the    individuals to be immersed in given discursive practices.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Key words: </b>genealogy, discursive practices,    subjectivity.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Segundo Deleuze (2000), na construção Foucaultiana,    o saber,o poder e a constituição de si emergem como a tripla raiz    de uma problematização do pensamento. Argumenta ainda o autor que esta teoria    é um entendimento sobre o pensar, que se constitui, caracteriza e atualiza,    principalmente, pela experimentação e problematização.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A problematização, em decorrência da indução    a novas formas de pensar, remete à produção de modos de subjetivação que atravessam    e atualizam os saberes e as relações de poder. Cabe salientar que, para Foucault,    o de-dentro enquanto constituinte do sujeito é apenas a dobra do de-fora, pois    se é o homem que ocupa o papel de sujeito de enunciação, por outro lado, são    as práticas discursivas existentes neste contexto que definem as condições de    possibilidade para que o enunciado possa surgir e ser validado. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Tal posição pressupõe um movimento contínuo de    dentro / de fora &#151; posições que se diferenciam apenas por espaços temporais,    num mesmo campo geográfico &#151; onde os sujeitos e a sociedade, atravessados pelas    práticas discursivas, se transformam na continuidade um do outro. Nesse espaço-tempo    permanentemente eles realimentam-se através do pensamento que se objetiva, prioritariamente,    através do ver e do falar nas práticas discursivas: "(...) cada formação histórica    vê e faz ver tudo o que pode em função das suas condições de visibilidades,    assim como diz tudo o que pode em função das suas condições de enunciado" (Deleuze,    1998, p. 87).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ver e falar se definem como formas de exterioridade,    porém o pensar realiza-se sob a intrusão de um de-fora mais longínquo que se    infiltra no espaço entre o ver e o falar, ou seja, no seu interstício, movimento    que é provocado pelas forças em relação. Desta forma, é sempre do de-fora que    uma força confere a outras ou recebe delas a sua afetação variável.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Com este entendimento, priorizando a problematização    sobre a forma dos enunciados &#151; priorização feita em virtude da espontaneidade    das palavras em relação às coisas &#151; Foucault desenvolve a analítica interpretativa    &#151; denominação sugerida por Rabinow e Dreyfus (1995) &#151; onde investiga a situação    presente tendo como foco as práticas de subjetivação. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para os autores acima, este método busca a análise    do que somos, sendo necessários, para isto, movimentos que se materializam como    oposição às duas formas de sujeição identificadas: uma que consiste em individuar-nos    de acordo com exigências do poder e outra que consiste em prender cada indivíduo    a uma identidade sabida e conhecida, bem-determinada.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Aqui ganha importância o entendimento sobre os    modos de objetivação de tais formas de sujeição. Neste sentido, Foucault (2000)    define como condição prioritária de materialização o falar, que emerge e se    configura através das práticas discursivas, uma vez que:</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">(...) falar é fazer alguma coisa &#151; algo diferente      de exprimir o que se pensa, de traduzir o que se sabe e, também, de colocar      em ação as estruturas de uma língua; mostrar que somar um enunciado a uma      série preexistente de enunciados é fazer um gesto complicado e custoso que      implica condições (...) e comporta regras (...) (p. 237). </font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Assim, as práticas discursivas atravessam e são    atravessadas por um saber que perpassa os diversos níveis e estruturas institucionais,    criando possibilidades de readequação ao/do contexto, através da atualização    do discurso, partindo das condições abertas no campo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Desta maneira, Foucault (1996) vai aprofundando    sua análise através do entendimento das condições que possibilitaram o surgimento    e permanência de determinadas práticas discursivas, através da genealogia. Tal    perspectiva possibilita a compreensão dos enunciados, ou melhor, da formação    discursiva como construção histórica, valorizando as condições abertas no ambiente    &#151; características e necessidades existentes &#151; que produzem ou permitem a emergência    desta mesma prática discursiva como dispositivo de poder, já que: "A genealogia,    como análise da proveniência está (...) no ponto de articulação do corpo com    a história. Ela deve mostrar o corpo inteiramente marcado de história e a história    arruinando o corpo" (Foucault, 1993, p. 22). </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Assim, se a analítica interpretativa é possível    &#151; conforme especificada acima &#151; ela tem suas bases nas propostas arqueológica    - que busca a análise da discursividade local - e genealógica - que busca as    condições de emergência da formação discursiva que ali se apresenta. Entendo    que a leitura de Foucault considera o sujeito sempre como efeito do discurso,    ou melhor, de formações discursivas que emergem em meio a um jogo de forças    que se atualizam a cada nova relação, a cada momento, e não de maneira linearmente    evolutiva ao longo do tempo.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Neste artigo, viso à problematização da relação    entre os métodos arqueológico e genealógico, como condição de possibilidade    para a emergência daquilo que Rabinow e Dreyfus (1995) denominaram analítica    interpretativa. Com este objetivo, faço uma introdução aos métodos arqueológico    e genealógico e, posteriormente, tento considerar a terceira fase da teorização    foucaultiana como resultado dos questionamentos que emergiram nas etapas anteriores    e  levam a pensar as condições de existência do homem enquanto sujeito moral.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>O DISCURSO EM FOUCAULT</b></font></p> <font face="Verdana" size="3"><font>      <p><font face="Verdana" size="2">Em Foucault (1996), somos remetidos, a todo o    momento, a uma complexa relação entre a realidade e o signo, não sendo este    último apenas expressão simbólica da primeira, mas a própria; ou melhor, a primeira    entra em uma relação de derivação quanto ao enunciado que lhe produz. O discurso,    portanto, não existe em outra dimensão senão a do real, já que é no campo dos    enunciados que toda realidade se manifesta.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O autor parte do pressuposto de que toda sociedade,    como construção histórica, tem seu suporte em práticas discursivas que a atravessam,    criando assim as possibilidades para que surja através de uma formação discursiva    própria, porém inter-relacionada com o macrocontexto. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Assim, partindo do pressuposto de que toda sociedade    engendra discursos, porém tem sua produção controlada, selecionada, organizada    e redistribuída por certo número de procedimentos que têm por função evitar    seus poderes e perigos, Foucault, em textos como: "As palavras e as coisas",    "A arqueologia do saber", "A ordem do discurso" e "História da sexualidade",    identifica e, posteriormente, atualiza procedimentos internos e externos que    regulam o acontecimento discursivo. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Tais procedimentos foram definidos a partir de    alguns princípios que identificam e analisam os mecanismos que criam as condições    de possibilidade para que o discurso seja valorizado como verdade ou excluído    de uma determinada formação discursiva. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os procedimentos internos regulam o discurso    de dentro, através de princípios de classificação, de seleção, de ordenação    e de distribuição. Tais procedimentos internos ao discurso seriam: em primeiro    lugar, o <i>comentário</i>, segundo o qual se pode supor que há, nas unidades    discursivas, uma espécie de desnivelamento entre os discursos; ou seja, existem    os discursos corriqueiros, que passam com o ato mesmo que os pronunciou, e os    discursos que estão na origem de certo número de atos novos de fala que os retomam,    transformam ou falam deles, discursos que permanecem através de sua atualização.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Tal atualização Foucault nomeou como princípio    de deslocamento. Sua materialização se dá pela utilização de discursos que,    indefinidamente, para além de sua formulação, são ditos, permanecem ditos e    estão ainda por dizer, já que, esta "substituição" não é estável, constante    ou absoluta, pois não cessa de se modificar com o tempo.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Destarte, partindo do discurso que é entendido    como multiplicidade aberta, os acasos são transferidos pelo princípio de deslocamento,    ou seja, o novo não está no que é dito, mas no acontecimento de sua volta, que    assume, no comentário, um paradoxo: dizer pela primeira vez aquilo que já havia    sido dito e repetir aquilo que nunca havia sido pronunciado. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Cabe, ainda, salientar que tal desnível entre    o discurso primeiro e o segundo &#151; seu comentário &#151; tem por atribuição    dois papéis solidários: por um lado abre a possibilidade de construção múltipla    e permanente a partir do texto primeiro; por outro lado, o comentário não possui    nenhum outro papel senão o de dizer aquilo que estava articulado silenciosamente    no texto que lhe deu origem.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O segundo procedimento é do <i>autor</i>, que,    regido pelo princípio da rarefação, agrupa o discurso como unidade e origem    de suas significações, como foco de sua coerência. Pede-se que o autor se responsabilize    pela unidade do texto a ele delegada, que sustente o sentido que o atravessa,    que o articule com sua vida. Para Foucault (2001a), o autor provoca a inserção    social do texto através da elaboração dos nós de coerência textual que o ligam    à formação discursiva.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O terceiro procedimento é a <i>disciplina</i>,    princípio que, opondo-se ao autor e ao comentário, permite que se construa -    através da submissão a um jogo restrito, já que as disciplinas se definem por    um domínio de objetos - um conjunto de métodos, um <i>corpus</i> de proposições    consideradas verdadeiras, um jogo de regras e definições, de técnicas e instrumentos,    que se constituem numa espécie de sistema anônimo à disposição de quem quer    ou pode servir-se dele, sem que seu sentido ou  validade estejam ligados a quem    lhe provocou a emergência. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Assim, o que é suposto na origem não é um sentido    a ser descoberto, mas aquilo que é requerido para a construção de novos enunciados,    sendo imprescindível a uma disciplina a possibilidade de formulação constante    de novas proposições.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Não obstante, para que uma proposição pertença    a uma disciplina, em um domínio especifico, é necessário que ela responda a    condições bastante estritas e complexas: precisa dirigir-se a um plano de objetos    determinados e deve se inscrever em um horizonte teórico singular.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Segundo Foucault, vêem-se normalmente nestes    princípios as condições para a emergência de novos discursos; porém, desconsidera-se    muitas vezes a sua principal função:</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">Tem-se o hábito de ver na fecundidade de um      autor, na multiplicidade dos comentários, no desenvolvimento de uma disciplina,      como que recursos infinitos para a criação dos discursos. Pode ser, mas não      deixam de ser princípios de coerção; e é provável que não se possa explicar      seu papel positivo e multiplicador, se não se levar em consideração sua função      restritiva e coercitiva (Foucault, 1996, p. 36).</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Já os procedimentos externos de regulação do    discurso foram definidos a partir de sistemas de exclusão que cumprem sua função    estratégica, identificando e analisando as condições de possibilidade para que    o discurso seja valorizado como verdade ou excluído de uma determinada formação    discursiva. Voltam-se para dominar o acontecimento aleatório, sendo, ao mesmo    tempo, formadores do ambiente em que se inscrevem e atravessados por este mesmo    meio institucional. Tais procedimentos externos são definidos por Foucault como:    ciclo da interdição, separação e rejeição e vontade de verdade. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O ciclo da interdição é definido por três etapas.    A primeira é a proibição, que inibe o aparecimento sob pena de supressão, jogando    com a alternativa entre duas inexistências<i>. A segunda é a censura,</i> onde    a interdição toma três formas: afirmar que não é permitido, impedir que se diga    e negar que exista, ligando o inexistente, o ilícito e o informulável e tornando-os    a cada um, princípio e efeito do outro: </font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">(...) do que é interdito não se deve falar      até ser anulado no real; o que é inexistente não tem direito à manifestação      nenhuma, mesmo na ordem da palavra que enuncia sua inexistência; e o que deve      ser calado encontra-se banido do real como o interdito por excelência (1993b,      p. 82). </font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">A terceira é a unidade do dispositivo, onde o    poder atravessa os vários níveis, regulando-os de alto a baixo. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Mas há outras formas de problematizar e esclarecer    o discurso. Por exemplo, na separação e rejeição, tem-se uma divisão valorativa    que atravessa as diversas formações discursivas; selecionando, classificando,    habilitando ou excluindo os enunciados. Tal valoração provoca a exclusão de    determinados discursos, que, a partir da separação, são vistos como divergentes,    ganham <i>status</i> diferenciado e podem ser avaliados como acima do normal    ou como não merecedores de escuta. De qualquer modo, tais discursos divergentes,    investidos pela razão, são rejeitados, tornando-se nulos e sem acolhida em determinada    formação discursiva; enfim, é o afastamento da palavra que está fora do discurso    verdadeiro.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Por último, a vontade de verdade, que se caracteriza    por ser um tipo de separação historicamente construída, define a forma geral    de materialização de nossa vontade de saber; com suporte institucional. Esta    consiste dos planos de objetos a conhecer, dos métodos para efetivar o conhecimento,    das funções e posições do sujeito cognoscente, do desejo de conhecer, verificar,    comprovar cientificamente, e, principalmente, dos investimentos materiais, técnicos,    instrumentais do conhecimento em relação ao modo como o saber é aplicado em    uma sociedade.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em relação aos procedimentos externos citados    acima, Foucault atribui à vontade de verdade o norte de condução, pois este    procura retomar os anteriores, por sua própria conta, para, ao mesmo tempo,    modificá-los e fundamentá-los.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">À medida que a vontade de verdade atravessa o    poder e o saber, produz através deles uma verdade que não cessa de se reforçar    e de se tornar mais profunda, enquanto os demais procedimentos externos, atravessados    pela vontade de verdade, tornam-se mais frágeis e incertos. Assim, os princípios    externos põem em pauta o desejo e o poder.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Por conseguinte, existem a proposta de uma verdade    ideal como lei do discurso que predomina em determinado espaço e uma racionalidade    imanente como princípio de seu desenvolvimento, que conduz a uma ética do conhecimento    que só promete a verdade ao próprio desejo de verdade, o qual se realiza unicamente    através do poder de pensá-la.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Desta forma, o discurso se caracterizaria por    pôr em jogo as estruturas mesmas da linguagem enquanto produção de sentido,     do que pode surgir a crença no sujeito como fundante e no significante.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"> Sobre isto, Foucault (1996) assinala:</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">(...) sob esta aparente veneração do discurso,      sob essa aparente logofilia, esconde-se uma espécie de temor. Tudo se passa      como se interdições, supressões, fronteiras e limites tivessem sido dispostos      de modo a dominar, ao menos em parte, a grande proliferação do discurso (p.      50).</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Com vista a esta análise discursiva, Foucault    propõe quatro noções que devem servir de princípios reguladores para a arqueologia,    em substituição a quatro outros conceitos que, de modo geral, têm dominado a    história tradicional das idéias:</font></p> </font></font>     <blockquote>       <p><font face="Verdana" size="3"><font><font face="Verdana" size="2">&#149;      <i>Noção de acontecimento</i>: é o conjunto de forças presentes no meio e      que possibilitaram a emergência de determinada prática, em substituição à      criação ou ponto de origem da obra.</font></font></font></p>       <p><font face="Verdana" size="3"><font><font face="Verdana" size="2">&#149;      <i>Noção de série:</i> é a análise em relação ao tema como multiplicidades      determináveis historicamente, em substituição à unidade de uma obra como continuidade      e estabilidade.</font></font></font></p>       <p><font face="Verdana" size="3"><font><font face="Verdana" size="2">&#149;      <i>Noção de regularidade: </i>são regras do campo onde as singularidades se      distribuem e se reproduzem, em substituição à originalidade, evitando recorrer      à idéia de originalidade centrada em um indivíduo;</font></font></font></p>       <p><font face="Verdana" size="3"><font><font face="Verdana" size="2">&#149;      <i>Noção de condições de possibilidade:</i> são alternativas abertas no campo      como resultado das relações de força que definem as opções de emergência,      em substituição à idéia de significação; esta última, tesouro indefinido dos      significados ocultos.</font></font></font></p> </blockquote> <font face="Verdana" size="3"><font>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>ARQUEOLOGIA E GENEALOGIA</b></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A arqueologia tem por propósito descrever a constituição    do campo, entendendo-o como uma rede, formada na inter-relação dos diversos    saberes ali presentes. E é exatamente nesta rede, pelas características que    lhe são próprias, que se abre o espaço de possibilidade para a emergência do    discurso. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Já a genealogia busca a origem dos saberes, ou    seja, da configuração de suas positividades, a partir das condições de possibilidades    externas aos próprios saberes; ou melhor, considera-os como elementos de um    dispositivo de natureza essencialmente estratégica. Procura-se a explicação    dos fatores que interferem na sua emergência, permanência e adequação ao campo    discursivo, defendendo sua existência como elementos incluídos em um dispositivo    político.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Na metodologia foucaultiana, a arqueologia e    a genealogia se constituem como dois conjuntos complementares, sendo sua diferença    não tanto de objeto ou de domínio, mas de ponto de ataque, de perspectiva e    de delimitação.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para Foucault (1996), a arqueologia </font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">(...) procura cercar as formas da exclusão,      da limitação, da apropriação (...); mostrar como se formaram, para responder      a que necessidades, como se modificaram e se deslocaram, que força exerceram      efetivamente, em que medida foram contornadas ( p. 60).</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Por outro lado, o conjunto genealógico põe em    prática outros princípios que se formaram através, apesar ou com o apoio da    arqueologia:</font></p>     <blockquote>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">(...) este concerne à formação efetiva dos      discursos, quer no interior dos limites do controle, quer no exterior, quer,      a maior parte das vezes, de um lado e de outro da delimitação. A crítica analisa      os processos de rarefação, mas também de agrupamento e de unificação dos discursos;      a genealogia estuda sua formação ao mesmo tempo dispersa, descontínua e regular      (Foucault, 1996, p. 65-66). </font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Estas duas tarefas são não somente complementares,    mas também inseparáveis: por um lado, as formas da seleção, adequação, reagrupamento,    alteração ou exclusão operam submetendo o discurso ao controle; por outro, este    dá sustentação à análise da proveniência, que deve levar em conta os mecanismos    e estratégias postos em prática nas relações de força e, principalmente, os    limites e regras que emergem deste dispositivo político e se objetivam através    das regularidades discursivas que delimitam o espaço de existência do discurso.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Neste ponto, Foucault entende a genealogia como    uma atividade de investigação trabalhosa, que procura os indícios nos fatos    desconsiderados, desvalorizados e mesmo apagados pelos procedimentos da história    tradicional, na busca da confirmação de suas hipóteses.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A atividade genealógica requer, indispensavelmente,    a busca da singularidade dos acontecimentos, sobretudo naquilo que não participa    da história, como "(...) os sentimentos, o amor, a consciência, os instintos"    (Foucault, 2000 b, p. 260), fazendo emergir o entendimento sobre os espaços    onde desempenharam papéis distintos e/ou foram excluídos do discurso verdadeiro.    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Trata-se, nesta análise, de ativar os saberes    locais, não legitimados ou valorizados pelo discurso verdadeiro, que, ao ocupar    um lugar qualificado como científico, ordena, hierarquiza, classifica e depura    os diversos saberes, em nome dos direitos desta ciência detida por alguns. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A genealogia escuta a história, prestando atenção    a seus acasos e suas descontinuidades, pois se há algo a decifrar, algum segredo    a desvendar, é que as coisas não têm essência, ou melhor, a suposta essência    foi deliberadamente construída, a partir de situações especificas, contextualizadas    histórica e socialmente. A própria razão nasceu do acaso, da paixão dos cientistas,    de sua busca incessante de verdade, de suas discussões fanáticas, enfim, de    sua vontade de saber e de sua necessidade em suprimir as paixões. O que dá forma    a todas as coisas emergentes não é uma suposta identidade baseada na origem,    mas a discórdia existente entre as coisas (Foucault, 1993a).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A genealogia propõe demarcar os acidentes e os    acasos, sejam eles ínfimos desvios ou inversões completas que vieram a dar origem    ao que hoje existe e possui valor; propõe que, na emergência do que somos, não    existem a verdade e o ser, mas a exterioridade do acidente.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Cabe salientar que as normas daí emergentes são    em si mesmas vazias, não-finalizadas e violentas; contudo, são exatamente aquilo    por que se luta. É a história que define as condições para a produção do sujeito,    que, ao se produzir, reproduz a história. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A genealogia ou a análise da proveniência está    no ponto de articulação do corpo com a história. Neste ponto, Foucault (1993a)    indaga a respeito dos discursos verdadeiros, quando submetidos à análise genealógica:    "Que convicção lhe resistiria? Mais ainda, que saber?" (p. 21)</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Outra característica da história efetiva é sua    noção de que todo saber sempre será perspectivo, aceitando por essa via a injustiça    pressuposta no olhar parcial que a embasa. Ele parte de um determinado ângulo    e, de forma deliberada, movimenta-se com o fim de apreciar, de avaliar, de dizer    sim ou não. Enfim, este olhar sabe para o que olha, assim como sabe o lugar    de onde olha.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Cabe salientar que o método genealógico não busca    a destruição do que somos. Não se trata de uma avaliação do passado em nome    de uma nova verdade, mas de uma análise do que somos, enquanto atravessados    pela vontade de verdade. Assim, a genealogia seria o estudo das formas de poder:    "(...) na sua multiplicidade, nas suas diferenças, na sua especificidade, na    sua reversibilidade: estudá-las, portanto, como relações de força que se entrecruzam,    que remetem umas às outras, convergem ou, ao contrário se opõem (...)<i>"</i>    (Foucault, 1997, p. 71).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Convém sublinhar que a parte arqueológica da    análise liga-se aos sistemas de recobrimento do discurso, é o método próprio    à análise da discursividade local. Porém, a parte genealógica se detém na análise    da formação efetiva do discurso busca entendê-lo em seu poder de constituir    domínios de objetos através dos quais se poderiam afirmar ou negar proposições    verdadeiras ou falsas; enfim, é a tática que, partindo da discursividade local,    ativa os vários saberes através da crítica à sujeição que ali emerge (Foucault,    2000c).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Vista a arqueologia sob este aspecto, "(...)    partindo do interior, Foucault, enquanto arqueólogo, pode retroceder no discurso    analisado e tratá-lo como um discurso objeto. A arqueologia ainda isola e indica    a arbitrariedade do horizonte hermenêutico do significado" (Rabinow &amp; Dreyfus,    1995, p. 118).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A SUBJETIVAÇÃO</b></p> </font>      <blockquote><font face="Verdana" size="2">        <p>Se, depois da saída de "A vontade de saber", Foucault fica num impasse, não      é devido à sua maneira de pensar o poder: é, antes, porque descobriu o impasse      em que o próprio poder nos coloca, na nossa vida como no nosso pensamento,      a nós que nos debatemos com ele nas nossas mais ínfimas verdades. E só haveria      saída se o de-fora fosse apanhado num movimento que o desvia da morte. Seria      como que um novo eixo, simultaneamente distinto do do saber e do do poder      (Deleuze, 1998, p. 129-130).</p>   </font> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Esse eixo não invalida os outros. Por um lado    impede-os de ficarem fechados, entendendo a própria "(...) motivação psicológica    não como a fonte, mas como o resultado de estratégias sem estrategistas (...)"    (Rabinow &amp; Dreyfus, 1995, p.121). Tal resultado leva a disposições, táticas,    técnicas e funcionamentos que emergem no interstício de uma rede de relações    sempre tensas. Por outro lado, a análise proposta só é possível a partir da    base fornecida pela arqueologia e pela genealogia, que se dirigem ao exame dos    sistemas de recobrimento e das condições de formação dos discursos locais.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Essa condição possibilita a Foucault (1994) definir    o terceiro eixo como "(...) o estudo dos modos pelos quais os indivíduos são    levados a se reconhecerem como sujeitos (...)" (p. 10); ou seja, a compreensão    sobre as maneiras pelas quais os indivíduos podem construir a experiência deles    mesmos enquanto sujeitos, constituindo-se como tal. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ganha importância, neste contexto, o conceito    de <i>técnicas de si</i>, que se caracterizam como conjuntos formados por práticas    que definem a estética da existência, ou seja, práticas reflexivas e voluntárias    através das quais:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">(...) os homens não somente se fixam regras      de conduta, como também procuram se transformar, modificar-se em seu ser singular      e fazer de sua vida uma obra que seja portadora de certos valores estéticos      e respondam a certos critérios de estilo (Foucault, 1994, p.15). </font></p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>AS PRÁTICAS DE SI</b></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Foucault (1990) explicita seu entendimento sobre    as práticas de si partindo da diferenciação entre os códigos morais e a moral.    Apesar de os códigos morais serem explicitamente formulados, sua transmissão    acontece de forma difusa, constituindo a moral enquanto jogo complexo de elementos    que se compensam, corrigem ou mesmo se anulam em pontos específicos. Desta forma,    possibilita a abertura de interstícios, onde as resistências são possíveis,    abrindo o espaço de possibilidade para que o indivíduo se submeta mais ou menos    completamente às regras de conduta, através de sua obediência ou resistência    às interdições.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Tais espaços abertos &#151; interstícios &#151;    emergem já com margens de variação ou transgressão possíveis das quais os sujeitos    ou grupos que compõem o espaço discursivo têm noção mais ou menos clara, já    que o sistema prescritivo está explícita ou implicitamente dado nas práticas    vigentes. Foucault (1994) denominou este nível de fenômeno como moralidade dos    comportamentos, diferenciando: as regras de conduta ou código moral propriamente    dito, a conduta que se pode medir em relação a estas regras ou as condutas classificáveis    de acordo com o código  e a maneira pela qual é necessário conduzir-se. Esta    última é definida como a forma pela qual o indivíduo constitui a si mesmo como    sujeito moral, ao agir sob a influência de um código.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O indivíduo age de forma a operar como sujeito    moral desta ação em relação aos códigos prescritivos que operam em sua cultura;    porém, mesmo em um contexto rígido, existem várias maneiras de ser austero.    Tais diferenças em relação às formas de ser fiel foram denominadas por Foucault    como substância ética<i>, </i>e tratam da forma como o indivíduo se constitui    como sujeito moral (Foucault, 1994).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Neste ponto, ganha importância o conceito de    modos de sujeição, isto é, a maneira como o sujeito estabelece sua relação com    tais regras, constituindo-se pela obrigação de colocá-las em prática. Para isto,    se embasa na elaboração do trabalho ético sobre si mesmo, não somente tornando    seus atos adequados a uma regra dada, mas também atualizando-se pelo exercício    da prática moral</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Saliente-se, não obstante, que a moralidade de    um ato só é valorizada por sua inserção e pelo lugar moral que ocupa, o qual    leva o indivíduo a ações e um modo de ser característicos que constituem o sujeito    ético (Foucault, 1994).   </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Neste ponto de sua análise, Foucault retoma a    importância da história, como fonte de subsídios quanto à construção de práticas    de si que levam os sujeitos a reconhecerem-se, histórica e localmente, como    possuidores ou não de conduta moral. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Tal história será a do estudo sobre a avaliação    relativa à adequação das ações de indivíduos ou grupos, comparados aos valores    propostos, e, principalmente, relativa à maneira como os sujeitos podem constituir-se    como possuidores de moral, ou seja, como são chamados a construir a relação    para consigo, a refletir sobre si, a conhecer-se, a examinar-se, enfim, a autodecifrar-se.    Isto é o que Foucault (1994) denomina como "uma história da 'ética' e da 'ascética',    entendida como história das formas da subjetivação moral e das práticas de si    destinadas a assegurá-la" (p. 29).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Sua proposta baseia-se na constituição moral,    comportando dois aspectos fundamentais: os códigos de comportamento e as formas    de subjetivação, instâncias caracterizadas pela inexistência singular ou por    serem totalmente dissociadas uma da outra. Ao mesmo tempo, essas instâncias    desenvolvem-se sob uma relativa autonomia, que varia conforme a valorização    cultural dada ao código, em sua capacidade de ajustar-se e de cobrir os campos    de comportamento, e  conforme o processo de subjetivação e das práticas de si.    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No caso de maior valorização do código moral,    pode-se chegar a um código rígido, a que o sujeito deverá submeter-se, incondicionalmente,    sob pena de punição; no caso inverso, ou seja, de maior valorização dos processos    de subjetivação, a ênfase não estará no conteúdo da lei ou nas suas condições    de aplicação, mas na relação consigo, sendo ela definida pela soberania de si    sobre si mesmo. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Aqui, para Deleuze (2000), está a descoberta    da estética da existência, ou seja, a regra facultativa do homem livre, que    deriva do poder e do saber, mas que deles não depende, pois as práticas de si,    ao tomarem forma, serão incorporadas nas relações de poder e saber, havendo    uma reintegração a estes sistemas. Porém, esta relação para consigo, mesmo que    parcialmente, sempre resistirá aos códigos e poderes, sendo esta a própria noção    de poder em Foucault quando este diz que não existe poder sem resistência.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Assim, ao pronunciar-se sobre as práticas de    si, Foucault (1994) esclarece sobre sua opção:</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">Daí a opção de método que fiz (...) manter      em mente a distinção entre os elementos de código de uma moral e os elementos      de ascese; não esquecer sua coexistência, sua relativa autonomia, nem suas      diferenças possíveis de ênfase; levar em conta tudo que parece indicar, nessas      morais, o privilégio das práticas de si, o interesse que elas podiam ter,      o esforço que era feito para desenvolvê-las, aperfeiçoá-las, e ensiná-las,      o debate que tinha lugar a seu respeito (p. 30).</font></p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>HERMENÊUTICA</b></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para Foucault, não há nenhuma essência humana    a ser resgatada, assim como não existe nenhuma verdade interpretável sob o discurso,    pois toda hermenêutica pressupõe uma verdade a ser mostrada por um suposto saber.    Da mesma forma, noções como as de unidade e identidade, quando confrontadas    com a proposta nietzschiana (não há pretensão de esclarecer ou trabalhar as    relações entre a genealogia em Nietzsche e em Foucault, neste texto), ficam    diluídas, por suporem sempre um pretenso Eu.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Assim, o conhecimento como derivado da vontade    de saber é uma construção que resulta não de instintos básicos ou naturais,    mas de confrontos, onde cada instinto deseja instituir como norma a sua perspectiva    para todos os outros, ou nas palavras de Nietzsche (1998)</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">Uma ordem de direito concebida como geral e      soberana, não como meio na luta entre complexos de poder, mas como meio contra      toda luta (...) toda vontade deve considerar outra vontade como igual, seria      um princípio hostil à vida, uma ordem destruidora e desagregadora do homem,      um atentado ao futuro do homem, um sinal de cansaço, um caminho sinuoso para      o nada (p. 65).</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">O ato discursivo, nesta perspectiva, sempre se    impõe, pois nunca é desprovido de vontade de verdade. Interpretar, portanto,    não é apenas encontrar um significado comum e universal para determinado signo,    mas, principalmente, imprimir e produzir uma verdade que submete o outro.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Rabinow e Dreyfus (1995) entendem que a interpretação    &#151; como definida anteriormente &#151; só pode advir de alguém que partilhe    o ambiente do ator, desconsiderando as práticas sociais e resultando em uma    leitura da coerência destas práticas; porém não pretende revelar seu significado    intrínseco, e é neste sentido que o método foucaultiano é interpretativo, mas    não hermenêutico.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Assim, a genealogia &#151; termo tomado de Nietzsche    &#151; é definida por Foucault como uma metodologia que visa analisar o poder    em seu contexto prático, ligado às condições que permitiram sua emergência,    fazendo a análise histórica das condições políticas de possibilidade dos discursos;    desta forma, o genealogista não busca a origem, mas a proveniência. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFERÊNCIAS</b></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> American Psychological Association. (2001).    <i>Manual de publicação da American Psychological Association.</i> Porto Alegre:    Artmed.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S1413-7372200400030000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Deleuze, G. (1998). <i>Foucault</i>. Lisboa:    Veja</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S1413-7372200400030000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Deleuze, G. (2000). <i>Conversações</i>. São    Paulo: Editora 34</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S1413-7372200400030000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Foucault, M. (1987). <i>Vigiar e punir</i>.    Petrópolis: Vozes.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S1413-7372200400030000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Foucault, M. (1990). <i>Hermeneutica del sujeto</i>.    La Piqueta: Madrid.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S1413-7372200400030000900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Foucault, M. (1993 a). <i>Microfísica do poder</i>.    Rio de Janeiro: Graal.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S1413-7372200400030000900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Foucault, M. (1993 b). <i>História da sexualidade    I &#151; a vontade de saber</i>. Rio de Janeiro: Graal.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S1413-7372200400030000900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Foucault, M. (1994). <i>História da sexualidade    II &#151; o uso dos prazeres</i>. Rio de Janeiro: Graal.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S1413-7372200400030000900008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Foucault, M. (1995). O sujeito e o poder. Em    P. Rabinow &amp; H. Dreyfus, <i>Michel Foucault &#151; uma trajetória filosófica:    para além do estruturalismo e da hermenêutica</i> (pp. 231-249). Rio de Janeiro:    Forense Universitária.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S1413-7372200400030000900009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Foucault, M. (1996). <i>A ordem do discurso</i>.    São Paulo: Edições Loyola.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S1413-7372200400030000900010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Foucault, M. (1997). <i>Resumo dos cursos do    Collège de France (1970-1982)</i>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S1413-7372200400030000900011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Foucault, M. (2000). <i>A arqueologia do saber</i>.    Rio de Janeiro: Forense Universitária.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S1413-7372200400030000900012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Foucault, M. (2000 a). <i>As palavras e as coisas</i>.    São Paulo: Martins Fontes.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S1413-7372200400030000900013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Foucault. M. (2000 b). <i>Arqueologia das ciências    e história dos sistemas de pensamentos</i>. Rio de Janeiro: Forense Universitária.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S1413-7372200400030000900014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Foucault, M. (2000 c). <i>Em defesa da sociedade</i>.    São Paulo: Martins Fontes.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S1413-7372200400030000900015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Foucault, M. (2001). <i>A verdade e as formas    jurídicas</i>. Rio de Janeiro: Nau Editora.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000146&pid=S1413-7372200400030000900016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Foucault, M. (2001 a). <i>Estética: literatura    e pintura, música e cinema</i>. Rio de Janeiro: Forense Universitária.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000147&pid=S1413-7372200400030000900017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Nietzsche, F. (1998). <i>Genealogia da moral</i>.    São Paulo: Companhia das Letras.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000148&pid=S1413-7372200400030000900018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Rabinow, P. &amp; Dreyfus, H. (1995). <i>Michel    Foucault &#151; uma trajetória filosófica: para além do estruturalismo e da    hermenêutica</i>. Rio de Janeiro: Forense Universitária.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000149&pid=S1413-7372200400030000900019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a name=correspond></a><a href="#topo"><img src="/img/revistas/pe/v9n3/seta.gif" border="0"></a><b>    Endereço para correspondência</b>     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Rogério Fae:     <br>   Rua Dra. Rita Lobato, 194, apto. 204, Praia de Belas    <br>   CEP 90110-040, Porto Alegre-RS.    <br>   E-mail: <a href="mailto:rogerfae@terra.com.br"> rogerfae@terra.com.br</a></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Recebido em 30/01/2004    <br>   Aceito em 30/08/2004</font></p> </font>      <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">Agradecimentos à Profa. Dra. Juracy C. Marques,    da Faculdade de Psicologia (PUC-RS), por seu estímulo e orientação na elaboração    de minha dissertação de mestrado, assim como pela revisão deste artigo, que    tem origem naquele trabalho</font></p>      ]]></body><back>
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