<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1413-7372</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Psicologia em Estudo]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Psicol. estud.]]></abbrev-journal-title>
<issn>1413-7372</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Departamento de Psicologia - Universidade Estadual de Maringá]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1413-73722004000300012</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.1590/S1413-73722004000300012</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A leitura, a produção de sentidos e o processo inferencial<A NAME="n1"></A>]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Reading, sense production and the inferential process]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ferreira]]></surname>
<given-names><![CDATA[Sandra Patrícia Ataíde]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Dias]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria da Graça Bompastor Borges]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A03"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Faculdades Integradas da Vitória de Santo Antão  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,Faculdade de Escada  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A03">
<institution><![CDATA[,Universidade Federal de Pernambuco  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2004</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2004</year>
</pub-date>
<volume>9</volume>
<numero>3</numero>
<fpage>439</fpage>
<lpage>448</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1413-73722004000300012&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=en"></self-uri><self-uri xlink:href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1413-73722004000300012&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=en"></self-uri><self-uri xlink:href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1413-73722004000300012&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=en"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Na produção de sentidos de textos, o leitor desempenha papel ativo, sendo as inferências um relevante processo cognitivo nesta atividade. Este artigo defende o argumento de que a compreensão da leitura não é orientada apenas pelas marcas gráficas do texto, mas, sobretudo pelo que estas marcas têm a dizer e pelo modo como o leitor apreende e interpreta a intenção do autor. Defende-se, ainda, que esta interpretação ocorre no momento da interação leitor/autor, gerando sentidos que variam de acordo com o leitor e com a natureza dessa interação.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In texts sense production the reader plays an active role, being the inferences an important cognitive process during this activity. It is believed, therefore, that reading comprehension is not guided, just, by the graphic marks of the text, but, above all, by what those marks have to say and by the way the reader apprehends and interprets the intention passed by the author. It is also believed that this interpretation happens at the reader/author interaction moment, generating senses that vary according to the reader and the nature of such interaction.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[inferências]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[texto]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[produção de sentido]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[inferences]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[text]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[sense production]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align=right><font face="Verdana" size="2"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="4"><a name=topo></a><b>A leitura, a produção de    sentidos e o processo inferencial<a name=n1></a><a href="#n01"><sup>1</sup></a></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Reading, sense production and the inferential    process</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Sandra Patrícia Ataíde Ferreira<sup>I</sup>;    Maria da Graça Bompastor Borges Dias<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><sup>I</sup>Doutora, Docente das Faculdades Integradas    da Vitória de Santo Antão (Faintvisa) e da Faculdade de Escada (Faesc) &#151;    Pernambuco    <br>   <sup>II</sup>Doutora, Docente da Programa de Pós-Graduação em Psicologia da    Universidade Federal de Pernambuco</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#correspond"><font face="Verdana" size="2">Endereço para correspondência</font></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Na produção de sentidos de textos, o leitor desempenha    papel ativo, sendo as inferências um relevante processo cognitivo nesta atividade.    Este artigo defende o argumento de que a compreensão da leitura não é orientada    apenas pelas marcas gráficas do texto, mas, sobretudo pelo que estas marcas    têm a dizer e pelo modo como o leitor apreende e interpreta a intenção do autor.    Defende-se, ainda, que esta interpretação ocorre no momento da interação leitor/autor,    gerando sentidos que variam de acordo com o leitor e com a natureza dessa interação.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave: </b>inferências, texto, produção    de sentido.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">In texts sense production the reader plays an    active role, being the inferences an important cognitive process during this    activity. It is believed, therefore, that reading comprehension is not guided,    just, by the graphic marks of the text, but, above all, by what those marks    have to say and by the way the reader apprehends and interprets the intention    passed by the author. It is also believed that this interpretation happens at    the reader/author interaction moment, generating senses that vary according    to the reader and the nature of such interaction.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Key words: </b>inferences; text; sense production.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">Falar em leitura remete à questão da produção    de sentidos constituídos no contexto de <i>interação recíproca </i>entre autor    e leitor via texto, os quais se expressam diferentemente, de acordo com a subjetividade    do leitor: seus conhecimentos, suas experiências e seus valores. Nesse caso,    pode-se dizer que o texto constrói-se a cada leitura, não trazendo em si um    sentido preestabelecido pelo seu autor, mas uma demarcação para os sentidos    possíveis. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Na produção de sentidos, o leitor desempenha    um papel ativo, sendo as inferências um processo cognitivo relevante para esse    tipo de atividade. Isto ocorre porque elas possibilitam a construção de novos    conhecimentos a partir de dados previamente existentes na memória do interlocutor,    os quais são ativados e relacionados às informações veiculadas pelo texto. Esse    processo favorece a mudança e a transformação do leitor, que, por sua vez, modifica    o texto.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O presente trabalho pretende fazer uma reflexão    teórica sobre o papel da leitura significativa enquanto possibilitadora da transformação    da perspectiva do indivíduo frente ao mundo. Objetiva-se também enfatizar o    papel dos conhecimentos e das experiências prévias do leitor na atividade de    leitura, ressaltando-se o processo inferencial nela envolvido e destacando-se,    dentre as classificações de inferências existentes, três que salientam pelo    menos dois dos três elementos que se consideram importantes à realização desta    atividade: o <i>leitor, o texto e o contexto.</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>A LEITURA E A PRODUÇÃO DE SENTIDOS</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A busca pela inserção no mundo se faz a partir    da confrontação de diferentes horizontes de significado. O indivíduo sente-se    inserido à medida que desvela e vivencia significados atribuídos ao mundo por    ele mesmo e pelos outros (Silva, 1996). Por outro lado, as significações que    elabora do mundo dependem das posições que nele assume. Portanto, o estar-no-mundo    já se revela como uma possibilidade de atribuição de significados.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Isso implica dizer que o ser humano tem o ímpeto    de atribuir sentidos às coisas do mundo e que a ausência de relações de significado    entre estas coisas o perturba. A mente humana necessita organizar as vivências    e experiências de modo significativo e articulado, buscando relações até mesmo    entre acontecimentos que não revelam ligações ou correspondências evidentes    entre si. A psiquê humana não lida apenas com o que <i>é</i>, mas com o que    <i>pode </i>ser. (Donaldson, 1987, p. 97). Ela não se limita ao que está literalmente    posto, mas, ao contrário,  vai além das aparências do que se descortina aos    órgãos dos sentidos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">É esta capacidade central do psiquismo humano    que permite ao indivíduo fazer sentido do que ouve ou lê, indo além do que está    explícito ou prontamente acessível. O significado não está embutido ou inscrito    totalmente no texto oral ou escrito. Embora o texto carregue um sentido pretendido    pelo autor, ele é polissêmico e, como tal, oferece possibilidades de ser reconstruído    a partir do universo de sentidos do receptor, que lhe atribui coerência através    de uma negociação de significados<a name=n2></a><a href="#n02"><sup>2</sup></a>.    Esse processo, por sua vez, amplia as chances de compreender e ser compreendido    na e pela interação.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Na leitura, entendida como um encontro à distância    entre leitor e autor via texto, ambos constituem-se e são constituídos através    desse encontro e confronto de significados gerados em interação de cada qual    com seu mundo. Na interação que mantém com o autor, via texto, o leitor, ao    compreendê-lo, vai modificando, ajustando e ampliando as suas concepções, as    quais exercem um impacto sobre a sua percepção. O mundo transforma-se aos olhos    do sujeito quando este é transformado. A sua posição frente à realidade se altera    e esta já não é mais vista como antes, porque a nova perspectiva assumida pelo    sujeito ampliou sua compreensão da realidade.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Essa mudança, segundo Chartier (2001), ultrapassa    o limite do campo psicológico, estendendo-se ao campo gestual, ao corporal e    ao comportamental. Isso indica que a leitura de certos textos ou registros escritos    pode estabelecer e orientar práticas ou comportamentos sociais por parte daqueles    que os lêem, corporificando-se e expressando-se em gestos e ações. Este é o    caso, por exemplo, da Bíblia, que imprime nos seus leitores valores e regras    que são evidenciados no corpo, postura e vestimentas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Por outro lado, ao atribuir sentido ao texto,    o indivíduo o constitui, transformando-o em algo novo e diferenciado. É o leitor    que atribui vida ao texto, sendo o seu significado modificado com as várias    leituras por ele realizadas. Isto fica claro, por exemplo, nas palavras de Borges    (1978, citado em Chartier, 2001, p. XI), quando faz alusão à célebre frase do    filósofo Heráclito para explicar a dependência da vida do texto para com o universo    de sentidos do leitor:</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana" size="2">(...) Ninguém se banha duas vezes no mesmo      rio porque as águas mudam, mas o mais terrível é que nós não somos menos fluidos      que o rio. Cada vez que lemos um livro, o livro mudou, a conotação das palavras      é outra.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Na interlocução, indivíduo e texto transformam-se    mutuamente (Koch, 2000). O fenômeno da compreensão cria e recria realidades    até então inexistentes: um novo livro, um mundo novo, um novo sujeito. Porém,    como salienta Chartier (2001), a liberdade de criação e apropriação do leitor    na sua relação com o texto é encerrada nas condições de possibilidades sócio-históricas    variáveis e desiguais, mas ao mesmo tempo demonstra um movimento de superação    do que está posto, criando um intercruzamento paradoxal entre transgressões    e restrições.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O leitor tem liberdade para construir sentidos,    mas ele também é limitado pelos significados trazidos pelo texto e pelas suas    condições de uso. O texto é gerado a partir dos significados atribuídos pelo    autor quando em interação com seu mundo de significação, e é recontextualizado    pelo leitor, que busca atribuir-lhe significado a partir da relação que mantém    com o seu próprio mundo e com o autor, o qual delimita (sem oprimir) as possibilidades    de construção de novos significados. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A partir disso, pode-se concluir que a compreensão    é um processo de negociação de sentidos que está sustentada no leitor, na situação    pragmática e no texto, sendo a coerência textual marcada pela interpretação    do interlocutor. Segundo Silva (1996), a interpretação desvela as possibilidades    de significação que a compreensão projeta a partir do texto. Parece, então,    que a interpretação configura-se como um nível mais profundo de desvelamento    de significados, no qual o leitor participa mais ativa e intensamente enquanto    sujeito de uma história. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Interpretar um texto implica reconhecer a intenção    do autor, evidenciando a força do enunciado através dos recursos gráficos e    léxicos. Para tal, é importante que o leitor seja capaz de diferenciar o leitor    real que é, do leitor pretendido pelo autor (Olson, 1997), sabendo-se, assim,    como alguém que carrega intenções que podem não se identificar com aquelas que    o autor pretende que o leitor assuma.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>O PROCESSO INFERENCIAL E A ORGANIZAÇÃO DOS    SENTIDOS NA LEITURA</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">O que será, não obstante, que garante a organização    desses sentidos por parte do leitor? Que processo cognitivo permite ao leitor    atribuir coerência ao texto, imprimindo nele a sua interpretação? <i>O processo    inferencial!</i> É este processo que vai permitir e garantir a organização dos    sentidos elaborados pelo indivíduo na sua relação com o texto. É a partir dele    que o estabelecimento da relação entre as partes do texto e entre estas e o    contexto torna-se possível, fazendo dele uma unidade aberta de sentido.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Acredita-se que, além de favorecer a organização    das relações de significado dentro do texto, o processo inferencial permite    destacar a <i>malha </i>ou<i> teia </i>de significados que o leitor é capaz    de estabelecer dentro do horizonte de possibilidades que é o texto. Essas relações    não são aleatórias, mas se originam no encontro-confronto de dois mundos em    situação de leitura: o do autor e o do leitor.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nessa atividade, o conhecimento geral do sujeito-leitor    exerce papel fundamental (Cain, Oakhill, Barnes, &amp; Bryant, 1998; Johnson    &amp; Smith, 1981; Marcuschi, 1985, 1989). É lançando mão desse conhecimento    (lingüístico e de mundo) que o leitor poderá garantir uma compreensão para além    dos elementos superficiais do texto, negociando com o autor os significados    plausíveis e permitidos. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">É por isso que se defende, em convergência com    alguns autores da área da ciência do texto (Cain, Oakhill, Barnes &amp; Bryant,    1998; Johnson &amp; Smith, 1981; Marcuschi, 1985, 1989; Oakhill &amp; Garnham,    1988; Oakhill, Cain &amp; Yuill, 1997; Yuill &amp; Oakhill, 1991), que a atividade    inferencial é um <i>fator essencial </i>no processo de comunicação e compreensão    em geral, podendo a mesma ser descrita como um ato inteligente que envolve raciocínio    lógico e criativo, e que é levado a efeito através da junção de informações    novas e antigas, possibilitando o surgimento de novas intuições ou conclusões    (Sperber, 1996). </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Como atividade cognitiva e intencional que é,    a inferência é uma habilidade essencial na tomada de decisão em situação-problema    (Macedo, 1999; Schliemann, 1998). Isto pode ser observado, por exemplo, na situação    de interlocução real ou virtual (leitura), na qual o indivíduo envolvido precisa    mobilizar recursos a partir de julgamentos, raciocínios e interpretação de informações,    para responder adequadamente aos objetivos do contexto comunicativo. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Assim, essa atividade mostra-se essencial ao    estabelecimento de relações entre as situações novas e antigas, assim como entre    as características do objeto, a situação atual e as crenças, desejos e conhecimentos    prévios que o indivíduo possui, podendo levá-lo a uma solução adequada de um    problema.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"> De acordo com Marcuschi (1985 e 1989), as inferências    são processos cognitivos que implicam a construção de representação semântica    baseada na informação textual e no contexto, sendo justamente a capacidade de    reconhecimento da intenção comunicativa do interlocutor, e mais precisamente    do autor, no caso do texto escrito, que caracteriza o <i>leitor maduro</i> e,    portanto, crítico, questionador e reconstrutor dos saberes acumulados culturalmente.    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Por conseguinte, falando-se de uma perspectiva    de leitura enquanto ato comunicativo e construtivo, que é a que tem sido considerada    aqui, o leitor maduro é aquele que sabe utilizar adequadamente todas as informações    disponíveis, estabelecendo ligações relevantes entre a informação textual e    o seu conhecimento prévio, sem privilegiar ou desprezar qualquer desses canais    de informação. Na atividade de negociação, contextos cognitivos surgem e se    modificam a cada momento da interação comunicativa, exigindo dos interlocutores    uma constante revisão e ajustamento aos novos contextos (Koch, 2002) os quais,    por sua vez, promovem a constituição do sentido e do sujeito, favorecendo a    mudança, a transformação e a construção de conhecimento.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Não obstante, levando em consideração que essa    é uma capacidade do leitor maduro, o que dizer do leitor-aprendiz? As crianças    jovens são capazes de fazer inferências? Que tipo de inferências elas são capazes    de fazer? E quanto aos indivíduos escolarizados que estão ou já passaram do    estágio de aprender a ler, será que estes são capazes de realizar inferências    elaboradas a partir de vários níveis de informação? Como tem sido demonstrado    pelos estudos que exploram o papel do processo inferencial na compreensão de    leitura (Cain, Oakhill, Barnes &amp; Bryant, 1998; Johnson &amp; Smith, 1981;    Trabasso &amp; Nicholas, 1980), as crianças jovens são capazes de fazer inferências,    embora esta capacidade seja limitada por fatores cognitivos e pelo alcance de    situações nas quais possam utilizar sua habilidade inferencial básica.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Partindo da hipótese de que crianças mais jovens    são capazes de construir inferências, mas que esta capacidade pode ser limitada    por fatores como a memória, a atenção e o uso de estratégias cognitivas, podendo    a distância entre as premissas no texto (adjacentes e amplamente separadas)    dificultar a integração das mesmas e a elaboração de inferências (locais e globais),    Johnson e Smith (1981) entrevistaram crianças de 3ª e 4ª séries em situação    experimental. O estudo abrangia três situações: 1) <i>história implícita</i>,    em que várias premissas eram embebidas em uma história longa; 2) <i>sentenças    isoladas</i>; 3) <i>história explícita</i>, em que todas as informações que    eram implícitas na situação (1) apareciam explicitamente nesta condição. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Como queriam investigar os possíveis limites    do uso de inferências pelas crianças, as duas últimas condições funcionaram    como controle para averiguar o papel da memória, da atenção e do uso de estratégias    sobre a habilidade inferencial. Os resultados demonstraram que, de modo geral,    as crianças das duas séries tiveram melhor desempenho na <i>condição sentença</i>,    seguida da <i>condição história explícita</i> e por último da <i>condição história    implícita</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O melhor desempenho na condição sentença, segundo    enfatizam os autores, demonstra que crianças jovens já dispõem da capacidade    básica para fazer inferências, tendo sido este aspecto indicado pela capacidade    das crianças investigadas de responder a questões que remetiam às informações    implicadas no conjunto de premissas isoladas as quais estavam presentes nas    sentenças e não precisavam ser relembradas. Além disso, as dificuldades relativas    à condição história explícita foram atribuídas a processos mais gerais como    a memória e a atenção, por exemplo. Quanto às dificuldades relacionadas à condição    história implícita, estas foram relacionadas à pouca habilidade das crianças    investigadas para integrar informações implicadas em premissas distribuídas    ao longo da história.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Outros aspectos que ficaram evidentes neste estudo    dizem respeito à maior facilidade das crianças para fazer inferências quando    liam sentenças do que quando liam histórias, assim como, para lembrar e aprender    informações explícitas em detrimento de informações implícitas contidas em uma    história. A partir da comparação entre o desempenho das crianças mais jovens    e mais velhas, os autores verificaram que, apesar de não haver diferenças significativas    em relação à condição história explícita, diferenças significativas foram observadas    quanto à condição história implícita, mesmo quando a memória era considerada.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Desse modo, Johnson e Smith (1981) chegaram à    conclusão de que, embora a memória exerça um papel importante no processo de    elaboração de inferências, isto não é suficiente para explicar a dificuldade    de crianças mais jovens em fazerem inferências quando lêem uma história. Afinal,    esta dificuldade estava presente mesmo quando estas crianças eram capazes de    se lembrar das premissas nelas contidas. Outra evidência que faz admitir que    a dificuldade de fazer inferência entre crianças jovens não é apenas uma dificuldade    mnemônica diz respeito à capacidade das mesmas em realizá-las quando na condição    sentença isolada.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para esses autores, as diferenças entre crianças    mais jovens e mais velhas e entre crianças e adultos, quanto à capacidade inferencial,    são de natureza desenvolvimental. É a natureza dos fatores envolvidos nesta    capacidade, como a memória, a atenção, o uso de estratégias, que limita esta    capacidade por parte das crianças mais jovens. Portanto, não é suficiente ter    a informação necessária na memória, é importante saber usá-la e ser capaz de    integrá-la a outras informações textuais ou extratextuais para construir uma    representação elaborada da história lida.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Quanto aos tipos de inferências que as crianças    mais jovens são capazes de elaborar, e segundo a classificação considerada por    estes autores, elas são mais capazes de elaborar <i>inferências locais</i>,    que são aquelas que exigem a integração de informações que aparecem juntas em    um mesmo parágrafo, do que de elaborar <i>inferências globais</i>, que são aquelas    que exigem a integração de informações interparágrafos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Diante do exposto, pode-se afirmar que a atividade    inferencial é uma habilidade que aumenta com a idade, estando sujeita ao desenvolvimento    cognitivo e às situações de aprendizagem. Se a criança tem capacidade para armazenar    na memória as premissas contidas na história, se ela tem um conhecimento geral    e de mundo suficiente para atribuir significado ao que lê ou ao que é lido para    ela, então é importante que o adulto desempenhe um papel de suporte. Este papel    de suporte pode favorecer a ativação do conhecimento que a criança já possui    e a relação deste com a nova informação trazida pelo texto, explicitando para    ela a relevância desta atividade, tanto em situação de aprendizagem informal    como formal. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O que se observa, não obstante, como demonstra    Marcuschi (1989), é que a leitura de indivíduos escolarizados ainda é muito    fundamentada na literalidade do texto. Este autor investigou alunos de escolas    públicas e particulares, de 4ª e 7ª séries do 1º grau, do 2º ano do 2º grau    (hoje, ensino fundamental e médio, respectivamente) e universitários da cidade    do Recife, em duas situações de teste de leitura: 1) <i>Reprodução; 2) Respostas    a Perguntas Inferenciais</i>. Em seu estudo, verificou-se que, apesar do desenvolvimento    gradativo em direção à maturidade dos participantes enquanto leitores, existe    entre a população estudada dificuldade para a realização de um trabalho inferencial    baseado em vários níveis de informação e no intercruzamento desses vários níveis.    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Como foi verificado por esse autor,  os alunos,    ou, por um lado, buscam basear-se estritamente na objetividade do texto ou,    por outro lado, sustentam o trabalho inferencial no universo pessoal. Ele evidenciou    que esse tipo de abordagem em relação ao texto pode, muitas vezes, levar a falhas    de compreensão caracterizadas, no caso das reproduções, por contradições, falhas    de relações causa-efeito, incompletudes em relação às proposições textuais e    inconsistência das conclusões. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Já no caso do teste com perguntas e respostas,    foi evidenciado que muitos alunos, especialmente os da 4ª e 7ª séries, tendem    a confundir as perguntas inferenciais com indagações subjetivas, acreditando    que, por não estarem objetivamente no texto, as respostas poderiam ser respaldadas    exclusivamente nas experiências pessoais e cotidianas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Apesar de ter observado que os leitores de sua    amostra total não se caracterizavam exatamente como leitores maduros e assim    capazes de transitar por vários níveis de informação quando em situação de leitura,    Marcuschi (1989) verificou que, dentre os alunos investigados, os que apresentaram    pior desempenho foram aqueles oriundos da escola pública. Em contrapartida,    os alunos do 2º ano da escola particular foram os que obtiveram melhor desempenho,    até mesmo em relação aos universitários. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O que se observa, então, é que mesmo entre indivíduos    com vários anos de instrução ainda existem dificuldades de desvelar o dito no    que não está representado no escrito (Olson, 1997) e de identificar, destarte,    a força ilocucionária transmitida pelo texto. Parece claro também, a partir    dos achados de Marcuschi (1989), que estes indivíduos não foram esclarecidos    sobre a importância e implicações dos seus conhecimentos no processo de compreensão    de leitura e que este se caracteriza como um encontro entre interlocutores que    possuem seus próprios referenciais, mas que são passíveis de acordo, de (re)organizações    ou de (re)ajustes.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Por outro lado, estes achados reforçam o papel    essencial das inferências na compreensão de leitura, já que são elas que permitem    <i>mergulhar </i>na trama de significados do texto e destacar as intenções comunicativas    do autor através da interlocução em um nível mais profundo de significado do    que aquele expresso pelo léxico, para, assim, ultrapassar o nível da literalidade.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Os estudos sobre o papel das inferências no processo    de compreensão de leitura (Johnson &amp; Smith, 1981; Marcuschi, 1985, 1989;    Trabasso &amp; Nicholas, 1980), ao apontarem a relevância do sujeito na construção    de significados, também ressaltam implicitamente o fato de que o tipo de inferência    elaborado por vários leitores frente a um mesmo texto pode variar por conta    do <i>background</i> sociocultural desses leitores. O que, em contrapartida,    favorece uma diversidade de compreensões que precisam ser consideradas, não    desprezadas ou vistas como <i>erradas,</i> como em geral faz a escola; e ao    fazê-lo, ressalta a idéia de uma leitura única.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>A CLASSIFICAÇÃO DAS INFERÊNCIAS SOB A PERSPECTIVA    DA RELAÇÃO ENTRE TEXTO, LEITOR E CONTEXTO</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Da mesma forma que existe uma variedade de inferências    que podem surgir quando da leitura de um texto por leitores variados e por um    mesmo leitor em momentos distintos de leitura, há também várias classificações    de inferências propostas na literatura para os diferentes tipos de inferência.    Neste estudo, serão destacadas as classificações de Kintsch (1998), de Graesser    e Zwaan (1995) e a de Marcuschi (1885/1989), haja vista que todas elas reconhecem    a participação de pelo menos duas das variáveis texto, sujeito e/ou contexto    na elaboração das inferências.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">De acordo com Kintsch (1998, pp.189-193), é importante    diferenciar as <i>inferências</i> dos <i>processos de recuperação de conhecimento</i>.    Para ele, as primeiras caracterizam-se como processos de resolução de problema,    favorecendo a geração de uma nova informação; enquanto os processos de recuperação    apenas recuperam na memória conhecimentos preexistentes. As inferências e a    recuperação de conhecimento podem ser ou automáticas (geralmente inconscientes)    ou controladas (geralmente conscientes), como pode ser visto na classificação    por ele elaborada:</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/pe/v9n3/n3a11f1.gif"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2">Quanto à <i>recuperação de conhecimento automática</i>,    ela permite que uma memória de longo prazo seja formada a partir da recuperação    de informações na memória de curto prazo e sua ligação pertinente com informações    da memória de longo prazo. Nessas condições, as informações deste tipo de memória    tornam-se acessíveis à memória de trabalho, expandindo a sua capacidade, temporariamente.    Kintsch (1998) chama essa organização de <i>Estrutura de Recuperação</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para ele, é a memória de trabalho de longo prazo    que faz a compreensão de discurso possível. No entanto o autor afirma que o    processo de tornar conteúdos da memória de longo prazo acessíveis através de    estruturas de recuperação não pode ser chamado de inferência. Afinal, a ativação    desses conteúdos, como já se discutiu, não garante a construção do novo e, por    conseguinte, a modificação dessas mesmas estruturas, que podem ser alteradas    quando da construção de novos significados possibilitados pelo encontro com    o texto. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Já a <i>recuperação de conhecimento controlada</i>    é acionada quando o processo automático não é capaz de recuperar informações    relevantes na memória de curto prazo para superar a lacuna existente no texto.    Assim, é realizada uma ampla busca na memória para produzir a informação necessária.    Este é um processo estratégico, e as estratégias utilizadas variam de acordo    com o tipo de linguagem usado ou o tipo de texto envolvido. Como no caso da    recuperação automática, a recuperação controlada não favorece o surgimento de    novas informações, apenas o seu acesso ou recuperação.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Por outro lado, segundo Kintsch (1998, p. 191),    as inferências são processos de geração que computam nova informação "(...)    sobre as bases do texto e informação de background relevante na memória de longo-prazo".    No caso da <i>geração automática</i>, os conhecimentos são gerados durante o    processo de compreensão. Nesse caso, o leitor infere uma nova informação e não    tem consciência de que ela esteja explícita no texto ou não. Os processos de    geração automáticos geram inferências que são derivadas  de relações entre termos.    </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Já os <i>processos de geração controlados </i>são    ativados quando problemas de compreensão ocorrem, funcionando como procedimento    de reparo fundamental. Nessa situação, há a participação do raciocínio dedutivo,    que desempenha um importante papel na compreensão de texto, dando origem às    inferências lógicas, as quais, segundo Kintsch (1998), são as verdadeiras inferências.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nota-se que, apesar de levar em consideração    as relações entre as variáveis texto e leitor na elaboração das inferências,    enfatizando as experiências e conhecimentos do interlocutor nesse processo,    Kintsch (1998) não ressalta o contexto ou as relações pragmáticas existentes    na comunicação leitor-autor via texto. Isso acontece porque ele não considera    as inferências geradas a partir do mundo do leitor em interação com o seu contexto    como inferências propriamente ditas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Já a classificação de inferências de Graesser    e Zwaan (1995) baseia-se no <i>Modelo de Construção-Integração</i> de Kintsch    (1988). De acordo com esse modelo, são três os níveis de representação cognitiva    gerados a partir da compreensão de um texto: o código de superfície, o texto-base    e o modelo de situação.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O código de superfície preserva as palavras e    a sintaxe das orações. Já o texto-base diz respeito ao significado explícito,    mas não às palavras e à sintaxe exata do texto, ocorrendo, neste nível, um pequeno    número de inferências necessárias ao estabelecimento da coerência textual. Quanto    ao modelo de situação, este se relaciona com o que trata o texto. É um modelo    mental das pessoas, ações, cenários e eventos, sendo a maioria das inferências    realizadas no nível da representação mental.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O componente <i>modelo de situação </i>está relacionado    tanto aos conhecimentos do leitor sobre a linguagem, sobre o mundo em geral    e sobre as situações de comunicação, como às suas experiências, sendo ambos    usados para construir uma estrutura coerente do texto e para completá-la e interpretá-la.    O modelo de situação refere-se às informações inferenciais permitidas pelo texto    e elaboradas pelo leitor a partir das relações que estabelece entre as informações    do texto e os vários conhecimentos e experiências prévias. (Kintsch, 1998, pp.    92-120).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Pelo fato de a construção do <i>modelo de situação</i>    ser pouco conhecida quando comparada ao <i>texto de superfície</i> e ao <i>texto-base</i>,    Graesser e Zwaan (1995) exploram as inferências elaboradas no nível de representação    do <i>modelo de situação</i>. Eles identificam processos que acreditam serem    centrais para a construção de modelos de situação, quando narrativas são compreendidas    por adultos. Desse modo, eles identificam classes de inferências que são geradas    a partir do modelo de situação de narrativas, estando interessados, especialmente,    nas inferências geradas <i>durante </i>a construção do modelo mental, ou seja,    nas inferências <i>on-line.</i> </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Embora o presente trabalho não tenha como interesse    discutir as classes de inferências que são geradas <i>on-line</i> ou <i>off-line,</i>    parece relevante, para seus propósitos, considerar quais são as inferências    mais prováveis de ocorrer quando da leitura de narrativas. Esse interesse recai,    especialmente, sobre as inferências que colaboram para a construção do modelo    de situação, já que  se defende, como foi dito acima, que o conhecimento e a    experiência individual têm um papel relevante na compreensão textual.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Quanto a esse fato, Graesser e Zwaan (1995) afirmam    que muitas das inferências construídas durante a compreensão de textos narrativos    são inferências de conhecimento-base, ou seja, durante a compreensão, são ativadas    na memória de longo prazo tanto estruturas de conhecimento geral quanto estruturas    de conhecimento específico. As primeiras são automáticas e dizem respeito a    conjuntos genéricos de conhecimento de mundo como os <i>scripts, frames</i>,    estereótipos ou esquemas. Esses conjuntos facilitam a compreensão de situações    textuais que não são completamente descritas no texto, haja vista a suposição    do autor de que sua audiência dispõe desse conhecimento para preencher as possíveis    lacunas. </font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Já as estruturas de conhecimento específico não    são automatizadas e referem-se às experiências ou leituras passadas. Portanto,    enquanto as estruturas genéricas de conhecimento são ativadas instantaneamente    na memória, sendo inconscientes, as mais específicas exigem mais tempo para    serem acessadas e utilizadas, configurando um processo de busca consciente e    seletiva.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">De acordo como Graesser e Zwaan (1995), as inferências    fundamentadas no conhecimento geral não incluem aquelas baseadas na lógica,    que são derivadas de raciocínio formal independente de domínio; nem de inferências    quantitativas, que são derivadas de fórmulas. Assim, diferentemente de Kintsch    (1998), eles parecem considerar as inferências baseadas no conhecimento como    inferências verdadeiras e não, simplesmente, como recuperação de conhecimento,    ressaltando a pragmática da situação comunicativa proposta pela leitura como    um aspecto importante na geração de inferências.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Graesser e Zwaan (1995) salientam ainda que todas    as inferências apontadas na classificação por eles proposta são <i>inferências    extratextuais</i>, no sentido de que são inerentes ou derivadas das estruturas    de conhecimento do leitor. Eles não focam as inferências de coerência textual,    que requerem exclusivamente, para a sua elaboração,  informações explícitas    no texto. No que se refere à classificação, os autores apresentam os seguintes    exemplos de inferências baseadas no conhecimento base:</font></p>     <blockquote>       <p><font face="Verdana" size="2">&#149; Objetivo superordinário: a inferência      é um objetivo que motiva uma ação intencional do agente.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">&#149; Objetivo ou ação subordinada: a inferência      é um objetivo, plano ou ação que especifica como a intenção de um agente é      realizada.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">&#149; Antecedente causal: a inferência refere-se      ao elo causal (ponte) entre a oração explícita sendo compreendida e o contexto      da passagem prévia.</font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">&#149; Conseqüente causal: a inferência diz      respeito a um elo causal previsto, desdobrando-se da oração explícita sendo      compreendida. Esta inclui eventos físicos e novos planos dos agentes, mas      não emoções.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">&#149; Emoção do personagem: a inferência é      uma emoção experienciada por um personagem em resposta à ação ou evento sendo      compreendido.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">&#149; Estado: a inferência é um estado que      vem da estrutura do tempo na trama da história, que não é ligado de maneira      causal ao episódio da trama. Este inclui características dos personagens,      propriedades dos objetos e relacionamentos espaciais entre entidades físicas.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Pode-se perceber, destarte, que as inferências    relacionadas ao modelo de situação de narrativas identificadas por Graesser    e Zwaan (1995) exigem muito mais do que o conhecimento do código e das regras    sintáticas implicadas na compreensão de um texto. Porém, além de conhecimentos    genéricos das situações cotidianas e sociais, a realização dessas inferências    parece exigir também certas habilidades cognitivas, como, por exemplo, a capacidade    de perceber a intenção da ação de outrem e de diferenciá-la das conseqüências    dessa ação.É preciso ter ainda a capacidade de perceber a emoção expressa no    comportamento ou ação do outro. Mas será que as crianças jovens já dispõem dessas    habilidades? Será que o acesso à escola garante o desenvolvimento delas?</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ferreira (1998), por exemplo, ao testar a compreensão    de crianças e adolescentes de 8 a 14 anos, de escolas públicas e particulares,    verificou que, dentre as questões inferenciais relativas a uma das histórias    utilizadas, a que se mostrou mais difícil de ser respondida foi a que buscava    investigar a compreensão sobre o <i>sentimento </i>da personagem envolvida.    Segundo a autora, são duas as explicações plausíveis para esta observação: 1)    falta de capacidade de muitas crianças entrevistadas para julgar o sentimento    da personagem ou para explicitá-lo e; 2) dificuldades ligadas ao vocabulário,    visto que a palavra "sentimento" podia não fazer parte do vocabulário das crianças    estudadas, ou a compreensão que possuíam dessa palavra estava ligada ao significado    que se atribui, geralmente, à palavra "sensação".</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Isso parece indicar que a elaboração de inferências    do modelo de situação de narrativas aprimora-se à medida que o sujeito participa    de contextos socioculturais variados e de situações sociais envolvendo narrativas    orais e/ou escritas, seja nas relações com pais e parentes próximos seja nas    relações com o professor em contexto de atividades formais de aprendizado da    leitura. Aprendizado este que lhe permite tanto a expansão do vocabulário como    a apropriação de situações sociais e contextos culturais variados.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Sabendo-se que Graesser e Zwaan (1995) identificaram    as inferências do modelo de situação de narrativas em adultos, é importante    que se identifiquem quais as inferências elaboradas por crianças quando da leitura    desse tipo de texto e qual a influência do conhecimento geral delas sobre a    construção de uma representação textual. Assim, pergunta-se: serão as crianças    capazes de elaborar todas as inferências do modelo de situação de narrativas    que são geradas por adultos? Quais são as inferências que elas geram quando    lêem uma narrativa ou um outro tipo de texto? Há uma classificação de inferências    adequada para a análise de inferências elaboradas por crianças e adultos?</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Marcuschi (1985) propõe uma classificação mais    ampla, que se mostra pertinente tanto para ser usada com tipos de textos variados    como para a análise de inferências elaboradas por crianças e adultos. Ademais,    sua classificação aponta para a consideração dos vários tipos de inferência    construídos nos diferentes níveis da representação textual, enfatizando as relações    entre o texto, o sujeito e o contexto.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A proposta desse autor apresenta três grupos    de inferência com vários subtipos, a saber:</font></p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">&#149; Inferências lógicas: baseadas nas relações      lógicas existentes entre as proposições e submetidas aos valores-verdade.      Podem ser dedutivas, indutivas ou condicionais;</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">&#149; Inferências analógico-semânticas: baseadas      no texto, nos conhecimentos lexicais e nas relações semânticas. Podem ocorrer      por identificação referencial, por generalização, por associações, por analogia      e por composições ou decomposições;</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">&#149; Inferências pragmático-culturais: baseadas      nos conhecimentos, experiências, crenças e ideologias individuais. Podem ser      conversacionais, experienciais, avaliativas e cognitivo-culturais.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">Em trabalho posterior, Marcuschi (1989) reviu      essa classificação, ampliando-a da seguinte forma:</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">&#149; Inferências de base textual: lógicas      (dedutivas, indutivas, condicionais), sintáticas e semânticas (associativas,      generalizadoras, co-referenciais);</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">&#149; Inferências de base contextual: pragmáticas      (intencionais, conversacionais, avaliativas), práticas (experienciais) e cognitivas      (esquemáticas, analógicas e composicionais);</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">&#149; Inferências sem base textual: falseamentos      e extrapolações infundadas.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Vê-se, portanto, que Marcuschi (1985 e 1989)    ressalta o encontro entre os mundos do leitor e do autor no processo de compreensão    de texto, destacando o papel de ambos na elaboração de inferências. Além disso,    ele não deixa de contemplar os enganos ou atropelos da compreensão quando o    leitor é guiado apenas pelos seus conhecimentos de mundo em detrimento daquilo    que o texto aponta. Assim, ele deixa claro, como o faz Chartier (2001), que    a liberdade do leitor restringe-se aos <i>limites flexíveis</i> do texto.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Não obstante, se as inferências são processos    cognitivos que geram proposições semânticas novas a partir de informações semânticas    velhas, que dados, memórias e/ou experiências do leitor são contemplados por    cada uma das classificações de inferência aqui consideradas?</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No que se refere à classificação de Kintsch (1998),    são consideradas, especialmente, as inferências que são elaboradas a partir    das relações entre proposições do texto e entre estas e a estrutura de conhecimento    geral do leitor. Assim, a partir do texto que diz "<i>Todo dia pela manhã, Marcos    vai à escola pedalando</i>", dois dados principais podem ser gerados: <i>"Marcos    estuda pela manhã"</i> e <i>"Marcos vai à escola de bicicleta".</i> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">No primeiro caso, o dado novo é construído a    partir da relação entre informações no próprio texto, sendo essa construção    considerada como um <i>processo de geração automático, </i>ou seja,gerada    a partir da relação entre termos. Já no que se refere à segunda inferência,    esta é elaborada a partir das relações entre as informações no texto e o conhecimento    de mundo do leitor que aponta para o fato de que a bicicleta é um meio de transporte    que funciona a pedaladas, ainda que o leitor não tenha em sua memória esse tipo    de experiência.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Quanto às classificações elaboradas por Graesser    e Zwaan (1995) e Marcuschi (1985, 1989), elas, além de contemplarem os conhecimentos    gerais de mundo, também contemplam as memórias de experiências pessoais e socioculturais    vividas por cada leitor, assim como os valores e ideologias construídos a partir    de suas experiências. A partir do exemplo e baseando-se em suas experiências,    o leitor poderá inferir que "Marcos chega à escola suado" - porque tem a experiência    de que o ato de pedalar demanda esforço - como também poderá construir a inferência    de que "Marcos é um adolescente", porque se fosse uma criança, de certo, seus    pais não o deixariam ir sozinho para a escola de bicicleta.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Já em outro texto que diz <i>"Paulo comprou um    Kadett novinho em folha"</i>, segundo a classificação de Kintsch (1998), as    inferências geradas vão contemplar os conhecimentos que o leitor possui sobre    as marcas de carro que circulam no seu contexto sociocultural e que estão arquivados    na sua memória de longo prazo, fazendo-o construir a inferência de que <i>"Paulo    temum carro"</i> porque sabe que <i>Kadett</i> é um carro. Informação    essa que não está explicita no texto, mas pode ser gerada a partir de suas bases,    já que os elementos textuais ativam na memória do leitor esse tipo de conhecimento.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Outra inferência que pode ser extraída desse    mesmo texto é a de que <i>"Paulo tinha recursos para comprar um carro".</i>    Ela também está fundamentada no conhecimento geral do leitor de que para comprar    um bem durável é necessário recurso financeiro, sendo esse tipo de conhecimento    de mundo contemplado tanto na classificação de inferências de Kintsch (1998)    como na classificação de Graesser e Zwaan (1995), e de Marcuschi (1985 e 1989).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Não obstante, o mesmo texto que diz que <i>"Paulo    comprou um Kadett novinho em folha" </i>pode gerar as inferências de que <i>"Paulo    é rico" </i>e de que <i>"Paulo é a melhor companhia entre outras"</i>, inferências    essas menos necessárias que as anteriores e baseadas nas crenças e/ou ideologias    do leitor, as quais são construídas e armazenadas na memória do indivíduo a    partir de suas vivências pessoais e socioculturais. Vivências estas, como já    mencionado, consideradas na classificação de inferências sugeridas por Graesser    e Zwaan (1995), e por Marcuschi (1985 e 1989) e menos enfatizadas pela classificação    de Kintsch (1998).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>COMENTÁRIOS FINAIS</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Como atividade significativa que é, a leitura    não pode ser entendida sem que se leve em consideração a participação do indivíduo    enquanto possuidor de uma história individual e singular. História que faz diferença    quando do seu encontro com o texto e que favorece o surgimento de inferências    marcadas pela ativação de um contexto o qual alude a sua memória cognitiva.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Acredita-se, portanto, que a compreensão de leitura    não é orientada, apenas, pelas marcas gráficas do texto, mas, sobretudo, pelo    que estas marcas têm a dizer e pelo modo como o leitor apreende e interpreta    a intenção pretendida pelo autor. Defende-se, ainda, que esta interpretação    ocorre no momento da interação leitor/autor, gerando sentidos que variam de    acordo com o leitor e com a natureza da interação.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">É nessa perspectiva que se toma a leitura como    um processo inferencial e cognitivo, ativado a partir da intrincada relação    entre leitor, texto e contexto. É preciso, pois, argumentar quanto à importância    de se contemplarem essas três vertentes, quando da elaboração de uma classificação    de inferências e de sua consideração para a explicação da atividade de leitura,    vista aqui como polissêmica e não-linear. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>REFERÊNCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Cain, K., Oakhill, J.V., Barnes, M. A. &amp;    Bryant, P. E. (1998). <i>Comprehension skill, inference making ability and their    relation to knowledge.</i> (Mimeo).</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S1413-7372200400030001200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Chartier, R. (2001). <i>Cultura escrita, literatura    e história</i>. (E. Rosa, Trad.) Porto Alegre: Artes Médicas. (Trabalho original    publicado em 1990)</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S1413-7372200400030001200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Donaldson, M. (1987). The origins of inference.     Em J. Bruner  &amp; H. Haste (Eds.), <i>Making sense: The child's construction    of the world</i> (pp.97-107). London: Routledge. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000127&pid=S1413-7372200400030001200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Ferreira, S. P. A. (1998). <i>Dificuldades de    compreensão de leitura: análise comparativa da eficácia das estratégias de tomar    notas e da imagem mental. </i>Dissertação de Mestrado Não-Publicada, Programa    de Pós-graduação em Psicologia, Universidade Federal de Pernambuco, Recife.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S1413-7372200400030001200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Graesser, A. C. &amp; Zwaan, R. A. (1995). Inference    generation and the construction of situation models. Em C. A. Weaver, S. Mannes,    &amp; C. R. Fletcher (Eds.), <i>Discourse comprehension: Essays in honor of    Walter Kintsch</i> (pp. 117-139). Hillsdale, N. J.: Lawrence Erlbaum.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S1413-7372200400030001200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"> Johnson, H. &amp; Smith, L.B. (1981).    Children's inferential abilities in the context of reading to understand. <i>Child    Development, 52</i>, 1216-1223.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S1413-7372200400030001200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Kintsch, W. (1988). The role of knowledge in discourse comprehension: A construction-integration    model. <i>Psychological Review, 95</i>, 163-182.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S1413-7372200400030001200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Kintsch, W. (1998). <i>Comprehension: A paradigm for cognition</i>. Cambridge:    University Press.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S1413-7372200400030001200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Koch, I. V. (2000). <i>A inter-ação pela linguagem</i>. São Paulo: Contexto.  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S1413-7372200400030001200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Macedo, L. (1999). A situação problema como técnica de avaliação e concepção    de aprendizagem. I <i>Seminário do Exame Nacional do Ensino Médio</i> -Textos    de aprofundamento dos eixos teóricos, 2-13, INEP, MEC.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S1413-7372200400030001200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Marcuschi, L. A. (1985). Leitura como processo inferencial num universo cultural    cognitivo. <i>Leitura, Teoria e Prática, 4</i>, 1-14.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S1413-7372200400030001200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Marcuschi, L. A. (1989). <i>O processo inferencial na compreensão de textos</i>.    Relatório Final apresentado ao CNPq. Programa de Pós-graduação em Letras e Lingüística,    Universidade Federal de Pernambuco, Recife.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S1413-7372200400030001200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Oakhill, J. &amp; Garnham, A. (1988). <i>Becoming a skiller reader.</i> Oxford:    Blackwell.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S1413-7372200400030001200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Oakhill, J., Cain, K. &amp; Yuill, N. (1997). Individual differences in children's    comprehension skill: Towards an integrated model Em C. Hulme, &amp; R. M. Joshi    (Eds), <i>Reading and spelling: Development and disorder.</i> Merhwah, N.J:    Lawhence Erlbaum Associates.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S1413-7372200400030001200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Olson, D. R. (1997). <i>O mundo no papel: as implicações conceituais e cognitivas    da leitura e da escrita.</i> São Paulo: Ática.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S1413-7372200400030001200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Schliemann, A. D. (1998) Logic of meanings and situated cognition. <i>Learning    and instruction. 8</i>(6), 549-560.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S1413-7372200400030001200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Silva, E. T. (1996). <i>O ato de ler: fundamentos psicológicos para uma nova    pedagogia da leitura.</i> São Paulo: Cortez.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S1413-7372200400030001200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Sperber, D. (1996). Entendendo a compreensão verbal Em J. Kahlfa (Org.). <i>A    natureza da inteligência: uma visão interdisciplinar</i>. São Paulo: UNESP.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S1413-7372200400030001200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Trabasso, T. &amp; Nicholas, D. W. (1980). >Memory and inferences in the comprehension    of narratives. Em F. Wiltening, J. Becker &amp; T. Trabasso (Eds.), <i>Information    integration by children</i> (215-242). Hillsdale, N.J.: Lawhence Erlbaum Associates.  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S1413-7372200400030001200019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Yuill, N. &amp; Oakhill, J. (1991). <i>Children's problems in text comprehension:    An experimental investigation.</i> Cambridge: Cambridge University Press.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S1413-7372200400030001200020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name=correspond></a><a href="#topo"><img src="/img/revistas/pe/v9n3/seta.gif" border="0"></a><b>    Endereço para correspondência</b>     <br>   Sandra Patrícia Ataíde Ferreira:     <br>   Rua Luiz Barbalho, 279, apto. L, Derby    <br>   CEP 50070-120, Recife-PE.    <br>   E-mail: <a href="mailto:tandaa@terra.com.br"> tandaa@terra.com.br</a></p>     <p>Recebido em 22/01/2004    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Aceito em 27/09/2004</p>     <p><a name=n01></a><a href="#n1">1</a> Apoio da CAPES.    <br>   <a name=n02></a><a href="#n2">2</a> Sentido e <i>significado</i> têm sido tomados    como termos diferenciados, mas relacionados. Sentido tem sido concebido como    algo pertencente ao universo pessoal do indivíduo, mas compartilhado dentro    do contexto de interação; enquanto <i>significado</i> tem sido compreendido    como algo culturalmente compartilhado.</p> </font>       ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Cain]]></surname>
<given-names><![CDATA[K.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Oakhill]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.V.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Barnes]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Bryant]]></surname>
<given-names><![CDATA[P. E.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Comprehension skill, inference making ability and their relation to knowledge]]></source>
<year>1998</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Chartier]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Cultura escrita, literatura e história]]></source>
<year>2001</year>
<publisher-loc><![CDATA[Porto Alegre ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Artes Médicas]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Donaldson]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The origins of inference]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Bruner]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Haste]]></surname>
<given-names><![CDATA[H.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Making sense: The child's construction of the world]]></source>
<year>1987</year>
<page-range>97-107</page-range><publisher-loc><![CDATA[London ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Routledge]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ferreira]]></surname>
<given-names><![CDATA[S. P. A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Dificuldades de compreensão de leitura: análise comparativa da eficácia das estratégias de tomar notas e da imagem mental]]></source>
<year>1998</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Graesser]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. C.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Zwaan]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Inference generation and the construction of situation models]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Weaver]]></surname>
<given-names><![CDATA[C. A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Mannes]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Fletcher]]></surname>
<given-names><![CDATA[C. R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Discourse comprehension: Essays in honor of Walter Kintsch]]></source>
<year>1995</year>
<page-range>117-139</page-range><publisher-loc><![CDATA[Hillsdale^eN. J. N. J.]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Lawrence Erlbaum]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Johnson]]></surname>
<given-names><![CDATA[H.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Smith]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.B.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Children's inferential abilities in the context of reading to understand]]></article-title>
<source><![CDATA[Child Development]]></source>
<year>1981</year>
<volume>52</volume>
<page-range>1216-1223</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Kintsch]]></surname>
<given-names><![CDATA[W.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The role of knowledge in discourse comprehension: A construction-integration model]]></article-title>
<source><![CDATA[Psychological Review]]></source>
<year>1988</year>
<volume>95</volume>
<page-range>163-182</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Kintsch]]></surname>
<given-names><![CDATA[W.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Comprehension: A paradigm for cognition]]></source>
<year>1998</year>
<publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Koch]]></surname>
<given-names><![CDATA[I. V.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A inter-ação pela linguagem]]></source>
<year>2000</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Contexto]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="confpro">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Macedo]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A situação problema como técnica de avaliação e concepção de aprendizagem]]></article-title>
<source><![CDATA[Textos de aprofundamento dos eixos teóricos]]></source>
<year>1999</year>
<conf-name><![CDATA[I Seminário do Exame Nacional do Ensino Médio]]></conf-name>
<conf-loc> </conf-loc>
<page-range>2-13</page-range><publisher-name><![CDATA[INEP, MEC]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Marcuschi]]></surname>
<given-names><![CDATA[L. A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Leitura como processo inferencial num universo cultural cognitivo]]></article-title>
<source><![CDATA[Leitura, Teoria e Prática]]></source>
<year>1985</year>
<volume>4</volume>
<page-range>1-14</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Marcuschi]]></surname>
<given-names><![CDATA[L. A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O processo inferencial na compreensão de textos]]></source>
<year>1989</year>
<publisher-loc><![CDATA[Recife ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Programa de Pós-graduação em Letras e Lingüística, Universidade Federal de Pernambuco]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Oakhill]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Garnham]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Becoming a skiller reader]]></source>
<year>1988</year>
<publisher-loc><![CDATA[Oxford ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Blackwell]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Oakhill]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Cain]]></surname>
<given-names><![CDATA[K.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Yuill]]></surname>
<given-names><![CDATA[N.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Individual differences in children's comprehension skill: Towards an integrated model]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Hulme]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Joshi]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Reading and spelling: Development and disorder]]></source>
<year>1997</year>
<publisher-loc><![CDATA[Merhwah^eN.J N.J]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Lawhence Erlbaum Associates]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Olson]]></surname>
<given-names><![CDATA[D. R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O mundo no papel: as implicações conceituais e cognitivas da leitura e da escrita]]></source>
<year>1997</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Ática]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Schliemann]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Logic of meanings and situated cognition]]></article-title>
<source><![CDATA[Learning and instruction]]></source>
<year>1998</year>
<volume>8</volume>
<numero>6</numero>
<issue>6</issue>
<page-range>549-560</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Silva]]></surname>
<given-names><![CDATA[E. T.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O ato de ler: fundamentos psicológicos para uma nova pedagogia da leitura]]></source>
<year>1996</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cortez]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B18">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Sperber]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Entendendo a compreensão verbal]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Kahlfa]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A natureza da inteligência: uma visão interdisciplinar]]></source>
<year>1996</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[UNESP]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B19">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Trabasso]]></surname>
<given-names><![CDATA[T.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Nicholas]]></surname>
<given-names><![CDATA[D. W.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Memory and inferences in the comprehension of narratives]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Wiltening]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Becker]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Trabasso]]></surname>
<given-names><![CDATA[T.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Information integration by children]]></source>
<year>1980</year>
<page-range>215-242</page-range><publisher-loc><![CDATA[Hillsdale^eN.J. N.J.]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Lawhence Erlbaum Associates]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B20">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Yuill]]></surname>
<given-names><![CDATA[N.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Oakhill]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Children's problems in text comprehension: An experimental investigation]]></source>
<year>1991</year>
<publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cambridge University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
