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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Mercadores de moralidade: aretórica ambientalista e a prática do desenvolvimento sustentável]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b>TANGENCIAL </b>TANGENTIAL</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b><a name="tx"></a>Mercadores de moralidade:    aret&oacute;rica ambientalista e a pr&aacute;tica do desenvolvimento sustent&aacute;vel</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Igor Ferraz da Fonseca<SUP>I</sup>; Marcel    Bursztyn<SUP>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><SUP>I</sup>Soci&oacute;logo pela Universidade    de Bras&iacute;lia    <br>   <SUP>II</sup>Professor do Centro de Desenvolvimento Sustent&aacute;vel da Universidade    de Bras&iacute;lia – UnB</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#end">Autor para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>1 <i>Introdu&ccedil;&atilde;o</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nas &uacute;ltimas quatro d&eacute;cadas do s&eacute;culo    XX, a quest&atilde;o ambiental ganhou import&acirc;ncia em diversos campos das    sociedades modernas. Os discursos ambientalistas est&atilde;o presentes no dom&iacute;nio    p&uacute;blico dessas coletividades e temas ambientais s&atilde;o discutidos    e aparentam estar sendo assimilados em diferentes esferas: na pol&iacute;tica,    na economia, na cultura, na educa&ccedil;&atilde;o, nas artes, na m&iacute;dia    em geral. Por outro lado, e de forma paradoxal, n&atilde;o parece estar havendo    revers&atilde;o das pr&aacute;ticas que provocam degrada&ccedil;&atilde;o do    ambiente. A quest&atilde;o &eacute;: por que indiv&iacute;duos que dizem saber    como agir a favor da sustentabilidade planet&aacute;ria, e compreendem os motivos    desse ato, agem de modo contr&aacute;rio ao que afirmam ser seus pontos de vista?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Esse texto explora a id&eacute;ia de que tal    comportamento n&atilde;o &eacute; irracional e que, ao contr&aacute;rio, segue    uma l&oacute;gica pr&oacute;pria, que est&aacute; em sintonia com a busca de    vantagens materiais e simb&oacute;licas. Muitos "pegam carona" na    ret&oacute;rica ambientalista, contribuindo, assim, para o aparente consenso    sobre a quest&atilde;o. Por ser muito mais aparente do que real, a efetividade    pr&aacute;tica do discurso &eacute; bem mais limitada do que se esperaria. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Uma premissa deste trabalho &eacute; que a problem&aacute;tica    ambiental est&aacute; cada vez mais presente no cotidiano das sociedades modernas    e que posi&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis ao "ecologicamente correto"    s&atilde;o, de forma progressiva, reconhecidas como v&aacute;lidas por essas    sociedades. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">De acordo com Soromenho-Marques (1994, p. 86-87),    o ecologismo se fez sentir, nas duas &uacute;ltimas d&eacute;cadas do s&eacute;culo    XX, em cinco dom&iacute;nios: </font></p>     <blockquote>        <p><font size="2" face="Verdana">• dom&iacute;nio pol&iacute;tico-partid&aacute;rio:      notadamente o surgimento de partidos verdes;</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">• dom&iacute;nio c&iacute;vico n&atilde;o-governamental:      marcado pelo surgimento de muitas e grandes organiza&ccedil;&otilde;es;</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">• dom&iacute;nio cient&iacute;fico-pedag&oacute;gico:      caracterizado pelo grande interesse despertado pelos temas ambientais no campo      das ci&ecirc;ncias e na academia;</font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">• dom&iacute;nio comunicacional e informativo:      que expressou uma ades&atilde;o de grandes ve&iacute;culos da m&iacute;dia      a temas ambientais; e</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">• dom&iacute;nio &eacute;tico e filos&oacute;fico,      seguramente o que menos avan&ccedil;ou no per&iacute;odo.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">No Brasil, at&eacute; os anos 1970, o ambientalismo    arregimentava um n&uacute;mero limitado de pessoas, pertencentes a pequenos    grupos da sociedade civil e do Estado (VIOLA, 1997). Tais minorias ocupavam    posi&ccedil;&otilde;es reservadas especificamente para a quest&atilde;o ambiental    dentro da estrutura do Estado Federal e em algumas unidades da federa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nas d&eacute;cadas de 1980 e 1990, o l&oacute;cus    do ambientalismo foi ampliado. N&atilde;o mais se restringia &agrave;s ag&ecirc;ncias    ambientais estatais e a movimentos ambientalistas organizados da sociedade civil.    A problem&aacute;tica ambiental foi incorporada por universidades, por empresas,    pela m&iacute;dia em geral e por &oacute;rg&atilde;os do poder p&uacute;blico    que n&atilde;o s&atilde;o especificamente ambientais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Santilli (2005, p. 48), evocando as primeiras    pesquisas de percep&ccedil;&atilde;o ambiental do brasileiro, coordenadas por    Samyra Crespo, assinala que, ap&oacute;s a confer&ecirc;ncia Rio-92, cresceram    a consci&ecirc;ncia e a ades&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o &agrave; causa    ambientalista. Diversas organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais    passaram a atuar na &aacute;rea ambiental e o "mercado verde" ganhou    relev&acirc;ncia, com o uso de algumas tecnologias sustent&aacute;veis no processo    produtivo e a cria&ccedil;&atilde;o de mecanismos de certifica&ccedil;&atilde;o    ambiental, como o selo ISO 14000. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nesse contexto, multiplica-se a ades&atilde;o    de grupos e institui&ccedil;&otilde;es &agrave; tem&aacute;tica e a promo&ccedil;&atilde;o    da "ideologia" ambientalista<a name="tx01"></a><a href="#nt01"><SUP>1</SUP></a>    torna-se mais consistente (RIBEIRO, 1991, p. 84), enraizando-se inclusive no    n&iacute;vel das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e do planejamento do desenvolvimento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para efeito de avalia&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel    de assimila&ccedil;&atilde;o do discurso ambiental no Brasil, tomamos como representativa    a pesquisa "O que os brasileiros pensam sobre a biodiversidade<a name="tx02"></a><a href="#nt02"><SUP>2</SUP></a>",    que assinala, entre suas conclus&otilde;es, que (CRESPO, 2006, p. 6-7):</font></p>     <blockquote>        <p><font size="2" face="Verdana">• considerando o per&iacute;odo de 1992 a 2006,      podemos afirmar que cresceu significativamente a consci&ecirc;ncia ambiental      no Brasil;</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">• essa expans&atilde;o e crescimento ocorre      de modo pouco diferenciado em todas as regi&otilde;es e se distribui homogeneamente      em todos os grupos populacionais – destacando-se somente aqueles que apresentam      maior escolaridade, associada &agrave; maior renda e &agrave; resid&ecirc;ncia      em cidades de maior porte;</font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">• no global, tamb&eacute;m n&atilde;o faz diferen&ccedil;a      no padr&atilde;o de respostas, as vari&aacute;veis de g&ecirc;nero e religi&atilde;o;      e </font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">• nas quest&otilde;es espec&iacute;ficas sobre      "biodiversidade", a rodada de pesquisa de 2006 revelou o surpreendente      dom&iacute;nio do conceito por parte expressiva da popula&ccedil;&atilde;o,      bem como sobre o repert&oacute;rio de temas relacionados.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Uma &uacute;ltima conclus&atilde;o da pesquisa    ressalta que "<B>o crescimento da consci&ecirc;ncia </B>– espantoso e animador    – <B>n&atilde;o &eacute; acompanhado na mesma medida de comportamentos que indiquem    mudan&ccedil;as significativas de h&aacute;bitos ou atitudes.</B>" (CRESPO,    2006, p. 7, grifo nosso). Sendo assim, "a causa ambiental re&uacute;ne    elevado grau de consenso, mas isto n&atilde;o impede que a natureza continue    sendo degradada em ritmo acelerado" (BURSZTYN, 1995, p. 97). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Se a consci&ecirc;ncia ambiental &eacute; generalizada,    tanto individual quanto coletivamente; se termos como desenvolvimento sustent&aacute;vel    e sustentabilidade fazem parte da elabora&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas    governamentais; se a m&iacute;dia d&aacute; amplo espa&ccedil;o &agrave; quest&atilde;o;    se quest&otilde;es voltadas ao entendimento do tema est&atilde;o presentes nos    curr&iacute;culos escolares; se cursos superiores de gradua&ccedil;&atilde;o    e p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o relacionados &agrave; gest&atilde;o sustent&aacute;vel    do ambiente e dos recursos naturais proliferam; se leis ambientais s&atilde;o    publicadas diariamente; se o mercado verde, o ecoturismo e a certifica&ccedil;&atilde;o    ambiental s&atilde;o cada vez mais importantes nas pr&aacute;ticas empresariais    modernas; e se o cidad&atilde;o m&eacute;dio apresenta conhecimento dos problemas    ambientais e de maneiras de combat&ecirc;-los; ent&atilde;o por que o mundo    continua o mesmo?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Explicar a diferen&ccedil;a entre discurso e    pr&aacute;tica &eacute; complexo e muitas vari&aacute;veis devem ser levadas    em conta; por&eacute;m, a raiz dessas vari&aacute;veis se encontra no dom&iacute;nio    &eacute;tico. A perspectiva sociol&oacute;gica mostra-se relevante na an&aacute;lise    de tal diferen&ccedil;a, pois a problem&aacute;tica em foco apresenta uma rela&ccedil;&atilde;o    <I>sui generis</I> entre normas sociais e interesses individuais, que pode ser    melhor explicitada utilizando o referencial te&oacute;rico dessa disciplina.    &Eacute; o que procuramos fazer nas p&aacute;ginas seguintes.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>2 <i>As normas sociais e os interesses individuais</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>2.1 O mercado dos bens simb&oacute;licos</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Segundo Bourdieu (1983), os campos sociais seriam    espa&ccedil;os onde s&atilde;o travadas lutas concorrenciais entre atores em    torno de interesses espec&iacute;ficos que caracterizam uma determinada &aacute;rea.    O campo &eacute; estruturado pelas posi&ccedil;&otilde;es objetivas ocupadas    pelos atores, que s&atilde;o determinadas pela posse de capital espec&iacute;fico    ao campo. A natureza do capital depende dos interesses e dos objetos em disputa    em seu interior, que s&atilde;o guiados por uma racionalidade t&iacute;pica    de cada campo em particular. Os atores elaboram estrat&eacute;gias para maximizar    os lucros simb&oacute;licos e atingir posi&ccedil;&otilde;es dominantes na arena    de disputa. O que est&aacute; em jogo &eacute; a luta pelo monop&oacute;lio    de dizer o que &eacute; ou n&atilde;o considerado verdade universal dentro do    campo. A posse desse capital leva a posi&ccedil;&otilde;es simbolicamente vantajosas,    que permitem ao ator ditar as regras do campo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Aqueles que ocupam as posi&ccedil;&otilde;es    dominantes determinam os modos de pensar, sentir e agir do campo, bem como a    cren&ccedil;a na validade das "verdades universais" da tem&aacute;tica    em foco, em determinado recorte espa&ccedil;o-temporal. A mudan&ccedil;a dessas    verdades universais pressup&otilde;e uma altera&ccedil;&atilde;o entre as posi&ccedil;&otilde;es    da arena e uma redistribui&ccedil;&atilde;o do capital.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">A quest&atilde;o ambiental est&aacute; se conformando    em um campo relativamente aut&ocirc;nomo<a name="tx03"></a><a href="#nt03"><SUP>3</SUP></a>,    que define seus crit&eacute;rios internos, suas regras de funcionamento e um    modo de agir, sentir e pensar t&iacute;pico, em disposi&ccedil;&otilde;es dur&aacute;veis    do sujeito (o <I>habitus<a name="tx04"></a><a href="#nt04"><SUP>4</SUP></a>    </I>do campo). O que est&aacute; em jogo no campo ambiental s&atilde;o as pr&oacute;prias    representa&ccedil;&otilde;es sociais do que significaria o meio ambiente e como    s&atilde;o estabelecidas as rela&ccedil;&otilde;es ontol&oacute;gicas constru&iacute;das    sobre seres humanos e natureza.</font></p>     <blockquote>        <p><font size="2" face="Verdana">&#91;...&#93; o campo ambiental em constru&ccedil;&atilde;o,      sempre perpassado e alimentado pelos demais campos sociais e funcionando como      um amplo, din&acirc;mico, flu&iacute;do, inst&aacute;vel e heterog&ecirc;neo      espa&ccedil;o de debate onde tendem a se concentrar as disputas sobre que      discursos/a&ccedil;&otilde;es deveriam ser institu&iacute;dos como sendo os      mais "verdadeiros" ou, no m&iacute;nimo, mais "competentes",      faz com que determinadas id&eacute;ias, conceitos e pr&aacute;ticas possam      naturalizar-se e, concomitantemente, sejam vistas como ambientalmente corretas.      (GERHARDT; ALMEIDA, 2005, p. 4). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Nas lutas internas aos campos sociais &eacute;    gerado seu capital pr&oacute;prio. Esse <I>quantum</I> socialmente valioso (em    princ&iacute;pio de v&aacute;rias formas, podendo ser econ&ocirc;mico, pol&iacute;tico,    cultural etc.), pode ser traduzido em capital simb&oacute;lico. "O capital    simb&oacute;lico n&atilde;o &eacute; outra coisa sen&atilde;o o capital econ&ocirc;mico    ou cultural quando conhecido e reconhecido" (BOURDIEU, 1990, p. 163). Ele    &eacute; "as formas de que se revestem as diferentes esp&eacute;cies de    capital quando percebidas e reconhecidas como leg&iacute;timas" (ibid.,    p. 154).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O alinhamento a determinados valores comuns &eacute;    gerador de capital simb&oacute;lico, pelo fato de que promover tais valores    gera reconhecimento, que &eacute; base do capital simb&oacute;lico. Os valores    sociais dominantes s&atilde;o aqueles que, ao serem incorporados ao senso comum    de determinada sociedade, geram status e prest&iacute;gio &agrave;queles que    o professam e praticam corretamente. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A ades&atilde;o do indiv&iacute;duo &agrave;s    normas sociais, faz com que esse ator "esteja em dia com a sociedade".    Com isso, o ator fortalece as normas sociais, mas tamb&eacute;m valoriza a si    mesmo como promotor de a&ccedil;&otilde;es socialmente legitimadas. Da mesma    forma, o n&atilde;o apoio a essas normas gera descr&eacute;dito social. Essa    rela&ccedil;&atilde;o entre as normas sociais e os indiv&iacute;duos, e as estrat&eacute;gias    destes para maximizar os lucros simb&oacute;licos, que s&atilde;o espec&iacute;ficos    da esfera social (WEBER, 1981) - como honra, prest&iacute;gio etc. - fazem parte    do "mercado dos bens simb&oacute;licos" (BOURDIEU, 1974).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O ambientalismo, por seu elevado consenso e por    sua legitima&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica, est&aacute; presente nas normas    sociais da sociedade moderna. Dessa maneira, o apoio discursivo e a pr&aacute;tica    de a&ccedil;&otilde;es "pr&oacute;-ambiente" s&atilde;o fontes geradoras    de capital simb&oacute;lico. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ter o discurso ambientalista como norma social,    pass&iacute;vel de gerar lucro ou preju&iacute;zo simb&oacute;lico, possibilita    que o fato de dizer-se "ambientalmente correto" possa ser uma estrat&eacute;gia    de determinados atores sociais, visando posi&ccedil;&otilde;es socialmente (e    economicamente) vantajosas. Vale lembrar que o capital simb&oacute;lico gerado    nas lutas internas do campo ambiental pode, como ocorre com as diversas esp&eacute;cies    de capital, ser transmutado (em suas devidas propor&ccedil;&otilde;es) em capital    cultural, econ&ocirc;mico, pol&iacute;tico etc.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute; nesse contexto que podemos compreender    a posi&ccedil;&atilde;o de empresas que ap&oacute;iam iniciativas de prote&ccedil;&atilde;o    ao meio ambiente. O objetivo principal de uma empresa, nas economias de mercado,    &eacute; o aumento de seu capital econ&ocirc;mico e sua continuidade ao longo    do tempo. Para as empresas, o capital simb&oacute;lico proveniente do apoio    e da promo&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es "ecologicamente corretas"    pode ser convertido em capital econ&ocirc;mico. O marketing ambiental, selos    como o ISO 14000, investimentos na conserva&ccedil;&atilde;o do meio natural    e a promo&ccedil;&atilde;o de tecnologias que levem em conta a quest&atilde;o    ambiental, s&atilde;o exemplos da busca do lucro econ&ocirc;mico mediante a    aquisi&ccedil;&atilde;o de capital ambientalista.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Outro exemplo pode ser retirado do campo pol&iacute;tico.    O capital ambiental pode influenciar o meio pol&iacute;tico. Nas sociedades    democr&aacute;ticas, a manifesta&ccedil;&atilde;o pr&oacute;-ambiente, ao angariar    apoio de institui&ccedil;&otilde;es e indiv&iacute;duos ligados ao campo ambiental,    gera capital simb&oacute;lico que pode ser transmutado em capital pol&iacute;tico.    A elei&ccedil;&atilde;o de candidatos com plataforma ambientalista e o fortalecimento    de partidos verdes em pa&iacute;ses como Fran&ccedil;a e Alemanha mostram como    o capital ambientalista pode influenciar o campo pol&iacute;tico.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Em suma, ser favor&aacute;vel ao meio ambiente    gera lucro simb&oacute;lico na esfera social. O capital proveniente dessa postura,    al&eacute;m de ser central nas din&acirc;micas internas do campo ambiental,    tamb&eacute;m pode influenciar outros campos sociais. Bourdieu afirma que os    atores elaboram estrat&eacute;gias para aumentar o seu capital global<a name="tx05"></a><a href="#nt05"><SUP>5</sup></a>,    pois isso permite que esses indiv&iacute;duos ocupem posi&ccedil;&otilde;es    dominantes nas sociedades modernas. O capital ambiental entra na soma global    de capital e &eacute; meio de alcan&ccedil;ar essas posi&ccedil;&otilde;es,    por interm&eacute;dio das vantagens simb&oacute;licas adquiridas por aqueles    que o possuem. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ressalta-se que o apoio &agrave;s normas sociais    com vistas ao lucro simb&oacute;lico da&iacute; resultante n&atilde;o necessita,    em princ&iacute;pio, ter reflexos nas a&ccedil;&otilde;es cotidianas dos indiv&iacute;duos.    O aplauso discursivo &agrave;s normas gera efeitos simb&oacute;licos semelhantes    &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica das mesmas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute; claro que a pr&aacute;tica da norma    reafirma a ades&atilde;o discursiva a ela, mas somente a prova de que tal apoio    discursivo n&atilde;o corresponde a a&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas pode    prejudicar o capital simb&oacute;lico acumulado pelo discurso. A m&aacute;xima    de que "todos s&atilde;o inocentes at&eacute; provado o contr&aacute;rio"    &eacute; v&aacute;lida aqui. O apoio discursivo &agrave;s normas continua sendo    fonte de lucro simb&oacute;lico e o estigma de ser um "desviante social"    &eacute; evitado, enquanto n&atilde;o &eacute; posto em evid&ecirc;ncia que    tal apoio n&atilde;o corresponde a a&ccedil;&otilde;es efetivas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>2.2 O estigma e os valores sociais dominantes</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A a&ccedil;&atilde;o individual influencia as    normas sociais. Na seq&uuml;&ecirc;ncia, as pr&oacute;prias normas t&ecirc;m    efeitos sobre as a&ccedil;&otilde;es. Segundo Coleman <I>apud</I> Aquino(2000,    p. 20), uma teoria social &eacute; composta de tr&ecirc;s momentos:</font></p>     <blockquote>        <p><font size="2" face="Verdana">1) momento inteiramente situado no n&iacute;vel      micro, onde se d&aacute; a compreens&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es sociais      praticadas por indiv&iacute;duos; 2) momento de transi&ccedil;&atilde;o do      n&iacute;vel micro para o n&iacute;vel macro, onde se exp&otilde;e como eventos      individuais podem resultar em mudan&ccedil;as sociais; e 3) momento de transi&ccedil;&atilde;o      do n&iacute;vel macro para o n&iacute;vel micro, ou seja, a influ&ecirc;ncia      de aspectos da sociedade sobre os indiv&iacute;duos.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">As normas sociais s&atilde;o geradas e modificadas    no decorrer desses momentos. Por conseguinte, "as normas sociais s&atilde;o    construtos situados no n&iacute;vel macro, baseadas em a&ccedil;&otilde;es racionais    no n&iacute;vel micro, mas criadas sob certas condi&ccedil;&otilde;es atrav&eacute;s    de uma transi&ccedil;&atilde;o micro-para-macro" (ibid., p. 20).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para Goffman (1982, p. 7), o estigma &eacute;    "a situa&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo que est&aacute; inabilitado    para a aceita&ccedil;&atilde;o social plena", pela incapacidade de agir    em sintonia com o roteiro padr&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es socialmente aceit&aacute;veis    em determinada sociedade. O estigmatizado &eacute; relacionado a caracter&iacute;sticas    pr&oacute;prias que possuem uma valoriza&ccedil;&atilde;o negativa na esfera    social. &Eacute; visto como inadequado ao meio, por n&atilde;o ser capaz de    realizar certas atividades ou por n&atilde;o compartilhar certos valores que    s&atilde;o socialmente dominantes em forma&ccedil;&otilde;es sociais espec&iacute;ficas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute; pelo respeito &agrave;s normas sociais    que o indiv&iacute;duo se insere na ordem social. Ao apoiar a norma, o mesmo    a fortalece e a mant&eacute;m presente no cotidiano do grupo e, como pr&ecirc;mio,    a sociedade lhe confere prest&iacute;gio e status. O inverso tamb&eacute;m &eacute;    valido. Quando o ator age contrariamente &agrave;s normas sociais legitimadas,    ele sofrer&aacute; san&ccedil;&atilde;o referente &agrave; viola&ccedil;&atilde;o.    Por&eacute;m, se um n&uacute;mero relevante de indiv&iacute;duos agir contra    a norma, a legitimidade da norma passa a ser posta em xeque.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Essa din&acirc;mica representa o processo de    mudan&ccedil;a nas sociedades. Os primeiros atores contr&aacute;rios a determinados    valores sociais dominantes s&atilde;o categorizados como desviantes, estigmatizados    e recebem a san&ccedil;&atilde;o social (simb&oacute;lica, econ&ocirc;mica,    f&iacute;sica etc.) referente &agrave;quele desvio espec&iacute;fico. Por&eacute;m,    se a din&acirc;mica social favorece o surgimento de um grande n&uacute;mero    de desviantes, a norma perde legitimidade e pode ser alterada ou negada. Se    a san&ccedil;&atilde;o ao indiv&iacute;duo funciona e a din&acirc;mica social    n&atilde;o favorece o surgimento de contestadores em n&uacute;mero suficiente,    a san&ccedil;&atilde;o aplicada ao ator fortalece a norma referida, sendo esta    legitimada. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O caso da incorpora&ccedil;&atilde;o do ambientalismo    como norma social explicita esse processo. O avan&ccedil;o da busca do desenvolvimento    a qualquer pre&ccedil;o no ocidente, com a acelera&ccedil;&atilde;o dos ciclos    t&eacute;cnico-cient&iacute;ficos e a generaliza&ccedil;&atilde;o do mercado    aumentou a press&atilde;o sobre os recursos naturais do planeta. Alguns indiv&iacute;duos,    sensibilizados com a situa&ccedil;&atilde;o e preocupados com o futuro, deram    in&iacute;cio a manifesta&ccedil;&otilde;es de cunho ambientalista. Como os    valores sociais dominantes de ent&atilde;o representavam o "desenvolvimentismo"<a name="tx06"></a><a href="#nt06"><SUP>6</SUP></a>,    os valores ambientalistas foram ignorados e negados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os primeiros ambientalistas foram considerados    desviantes e sofreram san&ccedil;&otilde;es simb&oacute;licas referentes ao    desvio: desde a indiferen&ccedil;a, passando por perda de prest&iacute;gio,    de status e at&eacute; alega&ccedil;&atilde;o de insanidade. Neste primeiro    momento, o ambientalismo foi exclu&iacute;do simbolicamente e seus adeptos foram    estigmatizados. A norma social ("desenvolvimentismo") continuava dominante    e os contestadores que surgiam n&atilde;o representavam n&uacute;mero suficiente    para contradizer a norma. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Por&eacute;m, alertas como o relat&oacute;rio    Meadows (1972), a Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Meio    Ambiente Humano (1972) e a crise do petr&oacute;leo (1973-1974) modificaram    a din&acirc;mica societal e o n&uacute;mero de "desviantes" aumentou.    Com muitos indiv&iacute;duos contr&aacute;rios &agrave; norma, o "desenvolvimentismo"    sofreu perda de legitimidade e gradualmente o eixo de legitima&ccedil;&atilde;o    foi sendo alterado para o conceito moderno de desenvolvimento sustent&aacute;vel.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em que momento o desenvolvimentismo perdeu a    sua condi&ccedil;&atilde;o de valor social dominante e esse posto foi ocupado    pelo desenvolvimento sustent&aacute;vel &eacute; imposs&iacute;vel dizer com    precis&atilde;o. Essa mudan&ccedil;a de paradigma, longe de ter sido conclu&iacute;da,    est&aacute; em processo de consolida&ccedil;&atilde;o, mas como toda mudan&ccedil;a    sociocultural, &eacute; um processo lento e descont&iacute;nuo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">De qualquer maneira, a balan&ccedil;a das normas    sociais come&ccedil;a a pender para o desenvolvimento sustent&aacute;vel (pelo    menos como recurso discursivo) em detrimento do "desenvolvimentismo".    Os ambientalistas, que num primeiro momento eram tidos como desviantes, mas    j&aacute; n&atilde;o o s&atilde;o mais. Mostrar-se preocupado com a sustentabilidade    planet&aacute;ria, ao inv&eacute;s de acarretar preju&iacute;zos simb&oacute;licos,    gera lucro na esfera social. Nessa situa&ccedil;&atilde;o, o estigmatizado j&aacute;    n&atilde;o &eacute; mais o ambientalista, mas aquele que se apresenta explicitamente    contra a sustentabilidade: uma invers&atilde;o de pap&eacute;is! Os indiv&iacute;duos    que consideram que o desenvolvimento sem preocupa&ccedil;&otilde;es com a natureza    &eacute; positivo e gera progresso sofrem san&ccedil;&otilde;es semelhantes    aos primeiros ambientalistas e passam a ser os novos estigmatizados. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&Agrave; medida que o desenvolvimento sustent&aacute;vel    &eacute; fortalecido como nova norma social, lucros simb&oacute;licos s&atilde;o    concedidos &agrave;queles que o ap&oacute;iam. Preju&iacute;zos simb&oacute;licos    sofrem os que s&atilde;o contr&aacute;rios. Simultaneamente, quanto mais os    "desenvolvimentistas" s&atilde;o vistos como desviantes, mais a nova    norma social se torna dominante. &Eacute; assim que a din&acirc;mica social    muda o eixo dos valores relacionados &agrave; quest&atilde;o ambiental e produz    estigmas para aqueles que s&atilde;o contr&aacute;rios &agrave; nova ideologia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>2.3 O encobrimento do estigma</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Goffman utiliza o conceito de identidade social para se referir &agrave; categoria e aos atributos sociais dos indiv&iacute;duos.    A identidade social &eacute; a soma dos atributos no n&iacute;vel dos indiv&iacute;duos    e do grupo social. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A imagem que fazemos de um indiv&iacute;duo,    ou seja, os atributos que lhe imputamos pela informa&ccedil;&atilde;o que temos    dele (recebida de forma direta, pelo contato cotidiano ou pela informa&ccedil;&atilde;o    social corrente) &eacute; denominada identidade social virtual. A categoria    e os atributos que o indiv&iacute;duo, na realidade, prova possuir, s&atilde;o    chamados de identidade social real (GOFFMAN, 1982).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">O estigma constitui uma discrep&acirc;ncia entre    a identidade real e a virtual de um indiv&iacute;duo e </font></p>     <blockquote>        <p><font size="2" face="Verdana">Quando conhecida ou manifesta, essa discrep&acirc;ncia      estraga a sua identidade social; ela tem como efeito afastar o indiv&iacute;duo      da sociedade e de si mesmo de tal modo que ele acaba por ser uma pessoa desacreditada      frente a um mundo n&atilde;o receptivo (GOFFMAN, 1982, p. 28).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">A situa&ccedil;&atilde;o do estigmatizado varia    de acordo com o grau em que o estigma &eacute; conhecido ou imediatamente evidente    para os demais atores sociais. Se o estigma for amplamente conhecido ou imediatamente    vis&iacute;vel, a condi&ccedil;&atilde;o do ator em quest&atilde;o ser&aacute;    a condi&ccedil;&atilde;o do desacreditado. Quando o estigma n&atilde;o &eacute;    conhecido ou n&atilde;o evidente, havendo a possibilidade de ocult&aacute;-lo    com chances razo&aacute;veis de sucesso, a condi&ccedil;&atilde;o do ator em    quest&atilde;o &eacute; denominada desacredit&aacute;vel. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O indiv&iacute;duo na posi&ccedil;&atilde;o de    desacreditado manipula a tens&atilde;o e o desacredit&aacute;vel manipula a    informa&ccedil;&atilde;o. Na situa&ccedil;&atilde;o de desacreditado, o sujeito    controla a tens&atilde;o para que, mesmo estigmatizado, consiga manter rela&ccedil;&otilde;es    sociais e ainda possa agir como ser social atuante. J&aacute; o desacredit&aacute;vel,    manipula a informa&ccedil;&atilde;o, ou seja, esconde os s&iacute;mbolos que    denunciariam o estigma e emite informa&ccedil;&otilde;es falsas de si mesmo,    com o objetivo de manter ocultas essas caracter&iacute;sticas e n&atilde;o sofrer    as san&ccedil;&otilde;es simb&oacute;licas referentes ao estigma. "A manipula&ccedil;&atilde;o    da informa&ccedil;&atilde;o oculta que desacredita o eu", &eacute; denominada    "encobrimento" (GOFFMAN, 1982, p. 52). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os s&iacute;mbolos transmitem informa&ccedil;&atilde;o    social. Indicam a identidade e a posi&ccedil;&atilde;o social do indiv&iacute;duo,    bem como diversas caracter&iacute;sticas pessoais do ator. Ao referir-se a esses    s&iacute;mbolos, Goffman (1982) cita tr&ecirc;s: os s&iacute;mbolos de status    ou prest&iacute;gio, os s&iacute;mbolos de estigma e os "desidentificadores".    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os s&iacute;mbolos de status ou prest&iacute;gio    s&atilde;o informa&ccedil;&otilde;es que estabelecem "uma pretens&atilde;o    especial a prest&iacute;gio, honra ou posi&ccedil;&atilde;o de classe desej&aacute;vel"    (ibid., p. 53). J&aacute; os s&iacute;mbolos de estigma revelam "uma degradante    discrep&acirc;ncia de identidade que quebra o que poderia, de outra forma, ser    um retrato global coerente, com uma redu&ccedil;&atilde;o conseq&uuml;ente em    nossa valoriza&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo" (ibid., p. 52). Os    desidentificadores s&atilde;o signos que procuram "quebrar uma imagem,    de outra forma coerente, mas nesse caso numa dire&ccedil;&atilde;o positiva    desejada pelo ator, buscando n&atilde;o s&oacute; estabelecer uma nova pretens&atilde;o,    mas lan&ccedil;ar s&eacute;rias d&uacute;vidas sobre a validade da identidade    virtual (ibid., p. 52).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Esses s&iacute;mbolos podem ser contabilizados    como lucros e preju&iacute;zos no j&aacute; mencionado mercado dos bens simb&oacute;licos.    "Quando tais signos s&atilde;o reivindica&ccedil;&otilde;es de prest&iacute;gio,    eles podem ser chamados ‘pontos’; quando desacreditam reivindica&ccedil;&otilde;es    t&aacute;citas, ‘erros’ "(ibid., p. 55).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Quando o ambientalismo se torna valor social    dominante, praticar ou apoiar as novas normas sociais torna-se signo de prest&iacute;gio    e colocar-se contr&aacute;rio reflete-se em signos de estigma. &Eacute; natural,    portanto, que alguns indiv&iacute;duos antes identificados como "vil&otilde;es"    no nascente campo ambiental, queiram livrar-se dos signos de estigma conferidos    atualmente aos "anti-ambiente", degradadores ou poluidores. De acordo    com Bourdieu,</font></p>     <blockquote>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">&#91;...&#93; os dominados nas rela&ccedil;&otilde;es      de for&ccedil;a simb&oacute;licas &#91;...&#93; n&atilde;o t&ecirc;m outra escolha      a n&atilde;o ser a da aceita&ccedil;&atilde;o &#91;...&#93; da defini&ccedil;&atilde;o      dominante da sua identidade ou da busca da assimila&ccedil;&atilde;o, a qual      sup&otilde;e um trabalho que fa&ccedil;a desaparecer todos os sinais destinados      a lembrar o estigma &#91;...&#93; e que tenha em vista propor, por meio de estrat&eacute;gias      de dissimula&ccedil;&atilde;o ou de embuste, a imagem de si o menos afastada      poss&iacute;vel da identidade leg&iacute;tima. &#91;...&#93; O que est&aacute; nela      em jogo &eacute; o poder de se apropriar das vantagens simb&oacute;licas associadas      &agrave; posse de uma identidade leg&iacute;tima (BOURDIEU, 2005, p. 124-125).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">A oculta&ccedil;&atilde;o de caracter&iacute;sticas    indesej&aacute;veis pela apresenta&ccedil;&atilde;o de signos falsos &eacute;    elemento que possibilita ao ator livrar-se do estigma e ao mesmo tempo adquirir    vantagens simb&oacute;licas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute; certo que, no momento em que o ambientalismo    passa de valor dominado para dominante e torna-se norma social legitimada, &eacute;    necess&aacute;rio que o novo valor esteja presente no senso comum da sociedade.    &Eacute; prov&aacute;vel que muitos atores que antes n&atilde;o tinham preocupa&ccedil;&otilde;es    ambientais, tenham modificado sua vis&atilde;o e hoje estejam preocupados com    valores como sustentabilidade. Assim, </font></p>     <blockquote>        <p><font size="2" face="Verdana">N&atilde;o h&aacute; candidato a cargo pol&iacute;tico      que n&atilde;o se identifique formalmente com a necess&aacute;ria sustentabilidade      do desenvolvimento. N&atilde;o h&aacute; entidade corporativa que afronte      a avassaladora ades&atilde;o da opini&atilde;o p&uacute;blica ao imperativo      do ecologicamente correto. E essa afirma&ccedil;&atilde;o se aplica inclusive      a atores e representa&ccedil;&otilde;es coletivas cujas pr&aacute;ticas efetivas      colidem com os princ&iacute;pios da sustentabilidade.(BURSZTYN; BURSZTYN,      2006, p. 54).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">O aplauso discursivo &agrave; nova norma funciona,    para alguns atores, como desidentificadores. Nesse caso, esse apoio serviria    como encobrimento dos signos de estigma referentes &agrave; postura "anti-ambiente",    evitando tal estigma. Ao mesmo tempo, o desidentificador, se tomado como real,    acarreta lucros simb&oacute;licos referentes &agrave; postura "pr&oacute;-ambiente".    Para explicitar melhor esse mecanismo, faz-se necess&aacute;ria uma introdu&ccedil;&atilde;o    ao conceito de<I> free-riders</I> (caroneiros) de Mancur Olson.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>3 <i>Duas racionalidades: a pr&aacute;tica    e o discurso</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>3.1 A a&ccedil;&atilde;o racional e os bens    coletivos</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Mancur Olson dedica sua A L&oacute;gica da A&ccedil;&atilde;o    Coletiva a demonstrar como s&atilde;o organizados os grupos sociais, quando    essa organiza&ccedil;&atilde;o tem como objetivo o provimento de um bem coletivo    ou comum. O bem coletivo &eacute; aquele que n&atilde;o &eacute; pass&iacute;vel    de apropria&ccedil;&atilde;o privada, ou seja, n&atilde;o h&aacute; possibilidade    de exclus&atilde;o do indiv&iacute;duo que n&atilde;o contribuiu para o provimento    do bem. Quando um bem comum &eacute; provido, todos t&ecirc;m direito a dele    desfrutar. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">O controle da polui&ccedil;&atilde;o atmosf&eacute;rica    &eacute; exemplo de situa&ccedil;&atilde;o cujo foco &eacute; um bem coletivo.    Parte-se do princ&iacute;pio de que ar puro, livre de polui&ccedil;&atilde;o,    &eacute; condi&ccedil;&atilde;o de qualidade de vida para aquele que o respira.    Por&eacute;m, tanto o membro de entidade preocupada com a qualidade do ar, que    usa tecnologia limpa e dedica parte do seu tempo &agrave; promo&ccedil;&atilde;o    da causa ambientalista, quanto o industrial que lan&ccedil;a gases nocivos na    atmosfera mediante a queima de combust&iacute;veis f&oacute;sseis e outras t&eacute;cnicas    produtivas n&atilde;o-sustent&aacute;veis, beneficiam-se da qualidade de vida    derivada do ar puro. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Caso o membro da entidade intensifique seus esfor&ccedil;os    e consiga um ar cada vez mais limpo, ele n&atilde;o pode excluir aquele industrial    dos benef&iacute;cios advindos de sua a&ccedil;&atilde;o, pois o ar n&atilde;o    pode ser privatizado. Nesse sentido, o ar &eacute; um bem coletivo. A ilumina&ccedil;&atilde;o    e a seguran&ccedil;a p&uacute;blica, entre outros, por serem alvos da mesma    l&oacute;gica, ganham tamb&eacute;m a denomina&ccedil;&atilde;o de bens comuns,    uma atualiza&ccedil;&atilde;o do conceito de bem livre de Ricardo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Como o bem coletivo &eacute; de interesse de    muitos, &eacute; plaus&iacute;vel pensar que os indiv&iacute;duos formariam    um grupo com a finalidade de prov&ecirc;-lo. E quanto maior o grupo, quanto    mais geral for o benef&iacute;cio do bem comum a ser provido e mais consciente    de seus interesses forem os indiv&iacute;duos, mais f&aacute;cil seria o provimento    do mesmo. A tese de Olson nega essa premissa e aponta que os grupos grandes    seguem uma l&oacute;gica contr&aacute;ria &agrave; exposta acima. Segundo o    autor,</font></p>     <blockquote>        <p><font size="2" face="Verdana">N&atilde;o &eacute; verdade que a id&eacute;ia      de que os grupos agir&atilde;o para atingir seus objetivos seja uma seq&uuml;&ecirc;ncia      l&oacute;gica da premissa do comportamento racional e centrado nos pr&oacute;prios      interesses. N&atilde;o &eacute; fato que s&oacute; porque todos os indiv&iacute;duos      de um determinado grupo ganhariam se atingissem seu objetivo grupal, eles      agir&atilde;o para atingir esse objetivo, mesmo que todos eles sejam pessoas      racionais e centradas nos seus pr&oacute;prios interesses. Na verdade, a menos      que o n&uacute;mero de indiv&iacute;duos do grupo seja realmente pequeno,      ou a menos que haja coer&ccedil;&atilde;o ou algum outro dispositivo especial      que fa&ccedil;a os indiv&iacute;duos agirem em interesse coletivo, <B>os indiv&iacute;duos      racionais e centrados nos pr&oacute;prios interesses n&atilde;o agir&atilde;o      para promover seus interesses comuns ou grupais </B>(OLSON, 1999, p. 14, grifo      nosso).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Mesmo que os membros do grande grupo almejem    a maximiza&ccedil;&atilde;o de seu bem-estar pessoal por interm&eacute;dio do    bem coletivo e que haja acordo dentro do grupo sobre os m&eacute;todos para    obter o bem, somente a associa&ccedil;&atilde;o grupal n&atilde;o assegura o    provimento em n&iacute;vel &oacute;timo desse benef&iacute;cio. &Eacute; necess&aacute;rio    uma coer&ccedil;&atilde;o, que force os indiv&iacute;duos a arcar com os custos    da a&ccedil;&atilde;o do grupo, ou ent&atilde;o que sejam oferecidos, individualmente    aos membros, incentivos cuja recompensa &eacute; outro bem diferente do bem    coletivo. S&oacute; assim os indiv&iacute;duos aceitar&atilde;o contribuir com    os custos da a&ccedil;&atilde;o referente &agrave; obten&ccedil;&atilde;o do    bem comum.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Isso ocorre porque os bens coletivos possuem    caracter&iacute;sticas pr&oacute;prias, que dificultam a organiza&ccedil;&atilde;o    e a a&ccedil;&atilde;o que visa seu provimento. Olson assinala que existem tr&ecirc;s    fatores independentes, por&eacute;m cumulativos, que podem impedir os grandes    grupos de promoverem seus interesses:</font></p>     <blockquote>        <p><font size="2" face="Verdana">&#91;...&#93; Primeiro, quanto maior for o grupo, menor      a fra&ccedil;&atilde;o do ganho total grupal que receber&aacute; cada membro      que atue pelos interesses do grupo, menos adequada a recompensa a qualquer      a&ccedil;&atilde;o grupal, e mais longe ficar&aacute; o grupo de atingir o      ponto &oacute;timo de obten&ccedil;&atilde;o do bem coletivo, se &eacute;      que obter&aacute; algum. Segundo, dado que quanto maior for o grupo, menor      ser&aacute; a parte do ganho total que caber&aacute; a cada membro ou a qualquer      pequeno subgrupo (sem exce&ccedil;&atilde;o), menor ser&aacute; a probabilidade      de que algum subgrupo – e muito menos algum membro sozinho – ganhe o suficiente      com a obten&ccedil;&atilde;o do benef&iacute;cio coletivo para compensar os      custos de prover at&eacute; mesmo uma pequena quantidade do benef&iacute;cio.      &#91;...&#93; Terceiro, quanto maior for o n&uacute;mero de membros do grupo, mais      custosa ser&aacute; a organiza&ccedil;&atilde;o e, portanto, mais alta ser&aacute;      a barreira a ser saltada antes que alguma quantidade do benef&iacute;cio coletivo      possa ser obtida (ibid., p. 60).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Por mais que um indiv&iacute;duo isolado contribua    para a aquisi&ccedil;&atilde;o do bem coletivo e essa contribui&ccedil;&atilde;o    seja relativamente elevada, no limite de suas possibilidades, ela ser&aacute;    insignificante, caso o bem comum tenha alto grau de generalidade.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Voltando &agrave; quest&atilde;o da polui&ccedil;&atilde;o    atmosf&eacute;rica, &eacute; sabido que o autom&oacute;vel particular contribui    com essa polui&ccedil;&atilde;o. Por&eacute;m, o fato de um indiv&iacute;duo    isolado parar de usar seu autom&oacute;vel n&atilde;o mudar&aacute; significativamente    a qualidade do ar. Nesse caso, o custo para o indiv&iacute;duo (parar de usar    transporte particular) &eacute; muito superior ao benef&iacute;cio obtido, que    ser&aacute; insignificante se tomarmos a dimens&atilde;o de uma frota de autom&oacute;veis    poluidores. Sem um incentivo negativo (san&ccedil;&atilde;o social ou econ&ocirc;mica)    ou positivo (benef&iacute;cios privados), o indiv&iacute;duo provavelmente n&atilde;o    interromper&aacute; o uso do autom&oacute;vel e o beneficio coletivo n&atilde;o    ser&aacute; provido (ibid., p. 57).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Em grupos grandes, os esfor&ccedil;os individuais    n&atilde;o t&ecirc;m efeitos sens&iacute;veis sobre o provimento ou n&atilde;o    de um bem p&uacute;blico e os custos privados derivados de seus esfor&ccedil;os    s&atilde;o superiores aos benef&iacute;cios advindos do bem comum. Ao mesmo    tempo, esse indiv&iacute;duo poder&aacute; desfrutar de quaisquer vantagens    obtidas pelos outros, quer tenha ou n&atilde;o colaborado com o grupo. Ademais,    a coer&ccedil;&atilde;o que vise &agrave; contribui&ccedil;&atilde;o ser&aacute;    refor&ccedil;ada caso os atos de um ou mais membros do grupo sejam percept&iacute;veis    para os demais membros do grupo. Mas, quanto maior o grupo, menor a possibilidade    de que o n&atilde;o-colaborador seja descoberto. Essas condi&ccedil;&otilde;es    favorecem o tipo de comportamento denominado por Olson de<I> free-rider</I>    (caroneiro). Esses indiv&iacute;duos</font></p>     <blockquote>        <p><font size="2" face="Verdana">&#91;...&#93; n&atilde;o t&ecirc;m nenhum interesse      comum no que toca a pagar o custo desse benef&iacute;cio coletivo. Cada membro      preferiria que os outros pagassem todo o custo sozinhos, e por via de regra      desfrutariam de qualquer vantagem provida quer tivessem ou n&atilde;o arcado      com uma parte do custo (ibid., p. 33).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">O <I>free-rider</I> &eacute; aquele que desfruta    do bem coletivo sem ter pago nenhum custo para a obten&ccedil;&atilde;o do mesmo.    Seja porque a rela&ccedil;&atilde;o custo/benef&iacute;cio desestimula o ator    a agir em prol de seus interesses ou ent&atilde;o por ser imposs&iacute;vel    excluir o ator que n&atilde;o contribui com a a&ccedil;&atilde;o do grupo dos    benefici&aacute;rios. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A busca por interesses individuais impede a obten&ccedil;&atilde;o    do bem comum e em alguns casos leva a uma "trag&eacute;dia dos bens comuns"    (HARDIN, 1968). Um exemplo para explicar essa trag&eacute;dia pode ser assim    exposto: </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em um lago, a sobre-explora&ccedil;&atilde;o    da atividade pesqueira leva a uma diminui&ccedil;&atilde;o no n&uacute;mero    de peixes dispon&iacute;veis, gerando preju&iacute;zo para os pescadores. Estes,    ent&atilde;o, formam um grupo para a obten&ccedil;&atilde;o do bem comum (um    estoque pesqueiro sustent&aacute;vel) e criam regras para a pesca no lago (controle    do n&uacute;mero e tamanho de peixes pescados, &eacute;pocas proibidas para    a pesca etc.). Com essas medidas, o n&uacute;mero de peixes aumenta e o benef&iacute;cio    coletivo come&ccedil;a a ser provido. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Por&eacute;m, um indiv&iacute;duo isolado teria    benef&iacute;cios individualmente se n&atilde;o respeitasse as regras e n&atilde;o    arcasse com os custos do grupo pois, nesse caso, h&aacute; grandes vantagens    em n&atilde;o cooperar exatamente porque os demais assumem comportamentos cooperativos.    Ele "pegaria carona" no benef&iacute;cio coletivo, pois ningu&eacute;m    poderia exclu&iacute;-lo de ser beneficiado com um aumento do estoque de peixes.    Ao mesmo tempo, a sobre-pesca praticada por esse indiv&iacute;duo isolado n&atilde;o    ter&aacute; grande impacto no estoque do lago. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Essas condi&ccedil;&otilde;es fazem com que ningu&eacute;m    queira pagar os custos da a&ccedil;&atilde;o do grupo, mas queiram se beneficiar    dos lucros derivados do comportamento alheio. Nesse caso, o bem coletivo n&atilde;o    &eacute; provido e ocorre uma "trag&eacute;dia dos bens comuns", com    a sobre-pesca esgotando o estoque pesqueiro do lago. O <I>free-rider</I>, por    desfrutar do bem coletivo sem pagar os custos dele, &eacute; o principal fator    que impede que os grupos grandes atinjam seus objetivos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>3.2 A a&ccedil;&atilde;o racional e os bens    simb&oacute;licos</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Foi dito anteriormente que a rela&ccedil;&atilde;o    entre os atores e a norma apresenta um duplo movimento: primeiro, aderir &agrave;    norma social explicitamente gera lucro simb&oacute;lico e n&atilde;o aderir    gera preju&iacute;zo na esfera social. O apoio &agrave;s normas sociais acumula    prest&iacute;gio, status e reconhecimento social, ou seja, capital simb&oacute;lico.    Segundo, aqueles que n&atilde;o podem ou n&atilde;o querem apoiar e legitimar    as mesmas, s&atilde;o taxados como desviantes e s&atilde;o estigmatizados. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Tamb&eacute;m foi assinalado que tais lucros    e estigmas s&atilde;o atribu&iacute;dos &agrave;queles que se manifestam a favor    ou contra o valor social dominante, e isso depende da informa&ccedil;&atilde;o    social que temos do indiv&iacute;duo: a sua identidade social virtual. Enquanto    n&atilde;o for provada a falsidade da informa&ccedil;&atilde;o que temos do    ator ou, enquanto n&atilde;o houver uma ruptura entre a identidade social real    e a identidade social virtual do indiv&iacute;duo, os benef&iacute;cios e preju&iacute;zos    relativos ao alinhamento ou recusa da norma continuar&atilde;o v&aacute;lidos.    Isso significa que manifestar apoio discursivo &agrave; norma social (sem que    este seja desmentido por fatos emp&iacute;ricos) permite acumular lucros simb&oacute;licos    e evitar o estigma.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As normas sociais n&atilde;o s&atilde;o bens    coletivos e n&atilde;o podem ser analisadas como tal. A a&ccedil;&atilde;o cujo    objetivo &eacute; o provimento de um bem comum, por este bem ter um car&aacute;ter    substancial de materialidade, faz com que os indiv&iacute;duos ajam racionalmente,    visando os pr&oacute;prios interesses, em uma an&aacute;lise de custo-benef&iacute;cio    de meios que visam obter fins espec&iacute;ficos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Diferentemente, na legitima&ccedil;&atilde;o    e na pr&aacute;tica das normas sociais, os atores s&atilde;o influenciados por    outros fatores e n&atilde;o somente pela raz&atilde;o instrumental. A racionalidade    e a busca por interesses particulares continuam presentes, mas quando se trata    de normas sociais, elementos como tradi&ccedil;&atilde;o, senso pr&aacute;tico    (ou <I>habitus</I>) e a pr&oacute;pria cren&ccedil;a nos valores tamb&eacute;m    s&atilde;o importantes. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A cren&ccedil;a em determinados valores e a incorpora&ccedil;&atilde;o    da tradi&ccedil;&atilde;o e do senso pr&aacute;tico, em combina&ccedil;&atilde;o    com a racionalidade instrumental no n&iacute;vel individual, comandam a a&ccedil;&atilde;o    do indiv&iacute;duo em sociedade. A pr&aacute;tica cotidiana do indiv&iacute;duo    &eacute; guiada pela sua &eacute;tica, misto de objetividade e subjetividade,    de consci&ecirc;ncia coletiva e a&ccedil;&atilde;o racional. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A &eacute;tica representa a incorpora&ccedil;&atilde;o    das normas sociais no n&iacute;vel individual. Quando uma norma social, mesmo    que presente nas institui&ccedil;&otilde;es sociais, n&atilde;o possui respaldo    na &eacute;tica individual, o indiv&iacute;duo n&atilde;o cr&ecirc; em sua validade    e a rela&ccedil;&atilde;o indiv&iacute;duo-norma passa a ser guiada pela raz&atilde;o    instrumental. &Eacute; somente nesse contexto que podemos analisar a rela&ccedil;&atilde;o    entre atores e normas sociais com base na racionalidade que visa interesses    individuais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O desenvolvimento sustent&aacute;vel come&ccedil;a    a firmar-se como norma social, mas este processo &eacute; recente e o pr&oacute;prio    conceito &eacute; objeto de disputas internas entre as diversas correntes do    campo ambiental. Por esse motivo (e pela perman&ecirc;ncia de comportamentos    oriundos do "desenvolvimentismo"), as san&ccedil;&otilde;es referentes    &agrave; viola&ccedil;&atilde;o dos novos valores dominantes n&atilde;o s&atilde;o    aplicadas em n&iacute;veis significativos, e os incentivos para agir de acordo    ainda s&atilde;o t&iacute;midos, se comparados &agrave; generaliza&ccedil;&atilde;o    e consenso na dissemina&ccedil;&atilde;o dos discursos "ambientalmente    corretos".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os discursos ambientalistas s&atilde;o bem vistos    pela sociedade, mas as san&ccedil;&otilde;es e os incentivos que promoveriam    a aplica&ccedil;&atilde;o da norma s&atilde;o pouco eficazes em for&ccedil;ar    a sua pr&aacute;tica por aqueles que, no &iacute;ntimo, n&atilde;o acreditam    nesses valores, ou seja, por aqueles que n&atilde;o incorporaram o ambientalismo    em sua &eacute;tica individual, de <I>facto</I>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A norma n&atilde;o incorporada na &eacute;tica    &eacute; alvo de uma l&oacute;gica semelhante &agrave; l&oacute;gica dos bens    coletivos. Os indiv&iacute;duos t&ecirc;m interesse na aplica&ccedil;&atilde;o    da norma, mas os custos dos esfor&ccedil;os em prol da mesma superam os benef&iacute;cios    provenientes do seu respeito. A busca por outros valores individuais (tais como    a busca pelo lucro, a satisfa&ccedil;&atilde;o pelo consumo e o conforto pessoal)    apresentam-se como mais ben&eacute;ficos a esses indiv&iacute;duos, pois dependem    em maior grau de sua busca particular do que a implementa&ccedil;&atilde;o do    desenvolvimento sustent&aacute;vel, que precisa de esfor&ccedil;o coletivo para    ter aplica&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Como ocorre com os bens coletivos, o esfor&ccedil;o    individual isolado com vistas ao desenvolvimento sustent&aacute;vel n&atilde;o    &eacute; significativo no resultado da aplica&ccedil;&atilde;o do mesmo. Portanto,    o custo que o indiv&iacute;duo ter&aacute; de arcar ao por em pr&aacute;tica    os novos valores &eacute; grande se comparado ao &iacute;nfimo benef&iacute;cio    que ele receber&aacute; em troca e, sem incentivos ou san&ccedil;&otilde;es    que promovam a aplica&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica da norma, o ator dificilmente    o far&aacute; (a menos que a norma seja incorporada &agrave; &eacute;tica, o    que n&atilde;o &eacute; o caso nesse exemplo). Por&eacute;m, mesmo sem a pr&aacute;tica    efetiva, os discursos ambientalistas, por serem socialmente legitimados, geram    lucro na esfera social ao serem usados como instrumentos de ret&oacute;rica.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Nesse quadro, a possibilidade do comportamento    do carona &eacute; grande. Para caracterizar o "carona dos bens simb&oacute;licos",    elabora-se o conceito de "<I>free-rider</I> discursivo". O "free-rider    discursivo" (aplicado &agrave; quest&atilde;o ambiental) &eacute; aquele    que, ao manifestar apoio discursivo ao desenvolvimento sustent&aacute;vel, desfruta    dos benef&iacute;cios de ser "ecologicamente correto" sem de fato    s&ecirc;-lo; ou seja, &eacute; aquele que se apropria dos bens simb&oacute;licos    sem que essa ades&atilde;o discursiva tenha respaldo na pr&aacute;tica, que    continua sendo guiada por interesses individuais.</font></p>     <p> <font size="2" face="Verdana">Do mesmo modo que o <I>free-rider</I> de Olson,    o "free-rider discursivo" n&atilde;o contribui com os custos pr&aacute;ticos    de nenhum dos benef&iacute;cios simb&oacute;licos que recebe e n&atilde;o pode    ser impedido de participar dos lucros simb&oacute;licos da utiliza&ccedil;&atilde;o    do discurso, a menos que a discrep&acirc;ncia entre identidade social virtual    e real seja provada. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute; racional para esse ator apoiar os novos    valores sociais dominantes no n&iacute;vel da ret&oacute;rica, mas tamb&eacute;m    &eacute; racional que ele n&atilde;o os pratique em seus h&aacute;bitos cotidianos.    J&aacute; que esse ator n&atilde;o incorporou a norma social no n&iacute;vel    da &eacute;tica, a busca da maximiza&ccedil;&atilde;o de interesses individuais    - materiais e simb&oacute;licos - guia a rela&ccedil;&atilde;o entre o indiv&iacute;duo    e a norma social.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O comportamento do "<I>free-rider</I> discursivo"    frente &agrave; quest&atilde;o ambiental contribui para explicar a diferen&ccedil;a    entre discurso e pr&aacute;tica. Enquanto o "<I>free-rider</I> discursivo"    propaga os discursos ambientalistas – por meio da racionalidade que maximiza    os lucros simb&oacute;licos – esses discursos s&atilde;o referendados no contexto    dos valores sociais dominantes e o desenvolvimento sustent&aacute;vel continua    presente e, cada vez mais, legitimado. Ao mesmo tempo, sem incentivos ou san&ccedil;&otilde;es    que forcem a pr&aacute;tica de a&ccedil;&otilde;es ambientalmente corretas,    o carona simb&oacute;lico pauta suas a&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas pela    otimiza&ccedil;&atilde;o de seus interesses individuais, que muitas vezes n&atilde;o    coincidem com os imperativos da sustentabilidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>3.3 A representa&ccedil;&atilde;o do carona    dos bens simb&oacute;licos</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O "<I>free-rider</I> discursivo", em    sua a&ccedil;&atilde;o cotidiana, segue a l&oacute;gica do que se diz e n&atilde;o    &eacute; feito e o que se faz e n&atilde;o &eacute; dito. Os conceitos de regi&atilde;o    de fachada e regi&atilde;o de fundo (GOFFMAN, 1985) contribuem para explicar    como age esse ator. A regi&atilde;o de fachada se refere &agrave; parte da representa&ccedil;&atilde;o    de um papel social explicitada na intera&ccedil;&atilde;o cotidiana. Ela traduz    a impress&atilde;o vis&iacute;vel ao p&uacute;blico e normalmente transmite    a informa&ccedil;&atilde;o que o ator intencionalmente deseja. Na regi&atilde;o    de fundo, ou bastidores da representa&ccedil;&atilde;o, situam-se os meios usados    para criar a impress&atilde;o desejada, bem como elementos que desacreditariam    a informa&ccedil;&atilde;o transmitida publicamente. &Eacute; na regi&atilde;o    de fundo que discrep&acirc;ncias entre as identidades sociais real e virtual    s&atilde;o encontradas. Quando elementos dos bastidores inadvertidamente tornam-se    de dom&iacute;nio p&uacute;blico, a representa&ccedil;&atilde;o pode ser desacreditada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">De acordo com Goffman (1985, p. 41), "quando    o indiv&iacute;duo se apresenta diante dos outros, seu desempenho tender&aacute;    a incorporar e exemplificar os valores oficialmente reconhecidos pela sociedade".    Os atores desejam estar de acordo com as normas sociais e, para isto, procuram    manter a impress&atilde;o de que sua a&ccedil;&atilde;o coincide com tais padr&otilde;es    morais, mas n&atilde;o necessariamente porque acreditamos em tais padr&otilde;es.    Como afirma Goffman, </font></p>     <blockquote>        <p><font size="2" face="Verdana">&#91;...&#93; os indiv&iacute;duos interessam-se n&atilde;o      pela quest&atilde;o moral de realizar esses padr&otilde;es, mas pela quest&atilde;o      amoral de <B>maquinar uma impress&atilde;o convincente de que esses padr&otilde;es      est&atilde;o sendo realizados</B>. Nossa atividade, portanto, est&aacute;      amplamente ligada a assuntos morais, mas, como atores, n&atilde;o temos interesse      moral neles. Como atores, somos <B>mercadores de moralidade</B> (ibid., p.      230, grifos nossos).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Se um indiv&iacute;duo deseja emitir impress&otilde;es    ideais de ser um ator moralmente correto, ele dever&aacute; abandonar ou esconder    a&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o estejam de acordo com aquelas legitimadas    socialmente.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Para que a intera&ccedil;&atilde;o cotidiana    seja eficaz, o p&uacute;blico comumente admitir&aacute; que o personagem projetado    diante dela &eacute; tudo o que h&aacute; no indiv&iacute;duo que executa a    representa&ccedil;&atilde;o, concedendo os benef&iacute;cios simb&oacute;licos    correspondentes aos valores socialmente leg&iacute;timos. Somente a prova emp&iacute;rica    de que a representa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o condiz com a realidade pode    desacreditar a mesma, mas "em geral n&atilde;o h&aacute; raz&atilde;o para    pretender que os fatos discordantes da impress&atilde;o criada sejam mais a    verdadeira realidade que a realidade criada" (ibid., p. 66).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A representa&ccedil;&atilde;o falsa &eacute;    sabidamente presente nas intera&ccedil;&otilde;es cotidianas, mas como geralmente    acredita-se que o ator &eacute; aquilo que aparenta ser, os preju&iacute;zos    simb&oacute;licos relacionados a ela s&oacute; se manifestam quando &eacute;    trazido para a regi&atilde;o de fachada o que deveria ser exclusivo da regi&atilde;o    de fundo. Embora normalmente as pessoas sejam o que aparentam, as apar&ecirc;ncias    podem ser, e s&atilde;o, manipuladas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na quest&atilde;o ambiental, os caronas dos bens    simb&oacute;licos seguem essa l&oacute;gica. A impress&atilde;o que eles desejam    emitir est&aacute; de acordo com os princ&iacute;pios da sustentabilidade, que    s&atilde;o valores oficialmente sancionados. Esse ator manipula a informa&ccedil;&atilde;o    do discurso. A representa&ccedil;&atilde;o favor&aacute;vel ao desenvolvimento    sustent&aacute;vel &eacute; preparada nos bastidores, onde a pr&aacute;tica    cotidiana desacreditaria o ator. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Empres&aacute;rios que utilizam marketing ambiental    sem contrapartida percept&iacute;vel ou que se associam a institui&ccedil;&otilde;es    relacionadas &agrave; quest&atilde;o ambiental, para n&atilde;o destoar das    a&ccedil;&otilde;es moralmente v&aacute;lidas; pol&iacute;ticos que utilizam    os discursos ambientalistas para fins eleitoreiros; cidad&atilde;os que se declaram    "muito preocupados" com o meio ambiente, mas que n&atilde;o fazem    nada para modificar seus h&aacute;bitos de consumo e sua rela&ccedil;&atilde;o    ontol&oacute;gica com a natureza. Estes s&atilde;o os "<I>free-riders</I>    discursivos". Alguns mais, outros menos conscientes de sua falsa representa&ccedil;&atilde;o.    Mas todos contribuem para que a discrep&acirc;ncia entre o discurso e a pr&aacute;tica    do desenvolvimento sustent&aacute;vel seja mantida e a sustentabilidade ainda    constitua uma realidade distante.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>4 <i>Considera&ccedil;&otilde;es finais</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No per&iacute;odo que abrange o avan&ccedil;o    das ideologias ambientalistas, as percep&ccedil;&otilde;es das sociedades modernas    sobre a quest&atilde;o ambiental sofreram significativas transforma&ccedil;&otilde;es.    A constata&ccedil;&atilde;o que a a&ccedil;&atilde;o antr&oacute;pica, se realizada    em bases insustent&aacute;veis, acarreta degrada&ccedil;&atilde;o do meio ambiente,    levou as coletividades a repensar o atual modelo de desenvolvimento. Essas percep&ccedil;&otilde;es    evolu&iacute;ram e foram incorporadas em diversos campos sociais. O desenvolvimento    sustent&aacute;vel desponta como alternativa ao "desenvolvimentismo"    e possui legitimidade social.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Por&eacute;m, a incorpora&ccedil;&atilde;o discursiva    n&atilde;o &eacute; traduzida na mesma medida em atitudes individuais e coletivas.    A degrada&ccedil;&atilde;o ambiental continua preocupante e as desigualdades    sociais se acentuam. Na pr&aacute;tica, a necess&aacute;ria sustentabilidade    caminha em passos lentos e em alguns aspectos retrocede com rela&ccedil;&atilde;o    a pontos que pareciam consensuais, por exemplo, em 1992. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Realizada em 2002, em Johannesburgo, a C&uacute;pula    Mundial sobre Desenvolvimento Sustent&aacute;vel (ou Rio + 10) &eacute; descrita    como um relativo fracasso pelos participantes do campo ambiental. Guimar&atilde;es,    referindo-se &agrave; mesma, questiona: "Estar&iacute;amos, em realidade,    diante da Rio + 10, ou estar&iacute;amos, de fato, diante da amea&ccedil;a de    retroceder &agrave; Rio – 20?" (GUIMAR&Atilde;ES, 2003, p. 273).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Elementos centrais como o "princ&iacute;pio    da precau&ccedil;&atilde;o", as "responsabilidades comuns, por&eacute;m    diferenciadas" e o compromisso de "recursos novos e adicionais"    para a promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento sustent&aacute;vel, assumido    pelos pa&iacute;ses ricos, perderam import&acirc;ncia. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Outras medidas relativas ao novo paradigma n&atilde;o    foram adequadamente implantadas. O Protocolo de Kyoto, que entrou em vigor em    2005, n&atilde;o conta com a participa&ccedil;&atilde;o da maior na&ccedil;&atilde;o    poluidora do planeta, os Estados Unidos. Essa mesma na&ccedil;&atilde;o n&atilde;o    ratificou a Conven&ccedil;&atilde;o da Biodiversidade, pois segundo seu governo,    contrariaria os interesses econ&ocirc;micos deste pa&iacute;s. No n&iacute;vel    individual, os h&aacute;bitos ambientalmente corretos s&atilde;o fr&aacute;geis,    se comparados ao dom&iacute;nio discursivo da popula&ccedil;&atilde;o sobre    a quest&atilde;o ambiental. Consequentemente, a "grande" ades&atilde;o    aos princ&iacute;pios inerentes ao desenvolvimento sustent&aacute;vel tem car&aacute;ter    muito mais ret&oacute;rico do que efetivo e expressar ret&oacute;rica bem-intencionada    em mat&eacute;ria de meio ambiente &eacute; pr&aacute;tica recorrente (BURSZTYN;    BURSZTYN, 2006, p. 62).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O conceito de "<I>free-rider</I> discursivo",    e a an&aacute;lise de suas a&ccedil;&otilde;es relativas &agrave; quest&atilde;o    ambiental, pode ser uma ferramenta para examinar a discrep&acirc;ncia entre    discurso e pr&aacute;tica. A racionalidade do indiv&iacute;duo no que concerne    &agrave; referida quest&atilde;o, favorece o comportamento do carona, que permite    que o ator maximize tanto seus interesses materiais quanto os lucros simb&oacute;licos.</font></p>     <p> <font size="2" face="Verdana">Pela a&ccedil;&atilde;o do "<I>free-rider</I>    discursivo", o desenvolvimento sustent&aacute;vel se alastra em n&iacute;vel    de ret&oacute;rica e a quest&atilde;o ambiental se torna de dom&iacute;nio p&uacute;blico.    Ainda como conseq&uuml;&ecirc;ncia dessa a&ccedil;&atilde;o, a pr&aacute;tica    cotidiana dos esfor&ccedil;os que visam a sustentabilidade &eacute; limitada,    pois diante do consenso sobre os problemas ambientais, os pontos de disc&oacute;rdia    tendem a se anular, ainda que poucas a&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas sejam    realizadas. A unanimidade ret&oacute;rica, se n&atilde;o for acompanhada de    incorpora&ccedil;&atilde;o no n&iacute;vel da &eacute;tica, impede o avan&ccedil;o    do novo paradigma.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Mas nem tudo &eacute; negativo. O avan&ccedil;o    da consci&ecirc;ncia ambiental, mesmo sem contrapartida na &eacute;tica individual,    incentiva (em grau limitado) as a&ccedil;&otilde;es "ambientalmente corretas".    Os discursos ambientalistas s&atilde;o sancionados pela sociedade e isso implica    que exista um modelo ideal de comportamento a ser seguido por aquele que pretende    "estar em dia" com os valores dominantes. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A iniciativa de alguns atores que seguem o modelo,    incorporando o desenvolvimento sustent&aacute;vel &agrave; sua &eacute;tica    individual, faz com que a fiscaliza&ccedil;&atilde;o sobre as a&ccedil;&otilde;es    pr&aacute;ticas de alguns setores da sociedade seja lentamente ampliada. Com    intuito de que sua representa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o seja desacreditada,    o "<I>free-rider</I> discursivo" concede espa&ccedil;os para a pr&aacute;tica    efetiva de a&ccedil;&otilde;es sustent&aacute;veis. Para que seus interesses    individuais continuem sendo contemplados (como o lucro e o voto), n&atilde;o    basta para esse indiv&iacute;duo dizer que &eacute; ecologicamente correto,    pois precisa mostrar que pratica, em alguma medida, essas a&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O carona dos bens simb&oacute;licos, mesmo sem    incorporar o ambientalismo no dom&iacute;nio &eacute;tico, &eacute; levado (ainda    que em reduzida medida) a praticar a&ccedil;&otilde;es ambientalmente corretas,    pela din&acirc;mica social de propaga&ccedil;&atilde;o e legitima&ccedil;&atilde;o    da norma com a qual ele pr&oacute;prio contribuiu. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Embora a pr&aacute;tica ambientalista possa avan&ccedil;ar    em alguma medida, esse avan&ccedil;o provavelmente ser&aacute; aqu&eacute;m    do ideal e o fortalecimento discursivo ser&aacute; maior que a pr&aacute;tica    efetiva. Faz-se necess&aacute;rio uma verdadeira incorpora&ccedil;&atilde;o    das ideologias ambientalistas na &eacute;tica individual para que a diferen&ccedil;a    entre discurso e pr&aacute;tica seja resolvida. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Mas essa incorpora&ccedil;&atilde;o &eacute;    um processo que necessita de educa&ccedil;&atilde;o, conscientiza&ccedil;&atilde;o,    amplia&ccedil;&atilde;o das certezas cient&iacute;ficas sobre os riscos ambientais    e aumento da sensibilidade ecol&oacute;gica, o que s&oacute; se produz mediante    esfor&ccedil;os de longo prazo. Por&eacute;m, atualmente, a problem&aacute;tica    ambiental apresenta car&aacute;ter emergencial, e h&aacute; d&uacute;vidas se    haver&aacute; tempo suficiente para essa sensibilidade ser adequadamente disseminada.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Uma alternativa para enfrentar essa quest&atilde;o,    no curto e m&eacute;dio prazos, consiste em minimizar o comportamento <I>free-rider</I>.    Tal diminui&ccedil;&atilde;o pode ser realizada pela oferta de benef&iacute;cios    individuais, al&eacute;m do aumento e efic&aacute;cia de san&ccedil;&otilde;es    que visem promover a pr&aacute;tica do desenvolvimento sustent&aacute;vel. A    redu&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de caronas simb&oacute;licos, aliada    &agrave; promo&ccedil;&atilde;o da consci&ecirc;ncia ambiental, podem ser uma    chave para a adequada implementa&ccedil;&atilde;o da sustentabilidade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">AQUINO, J. A. As teorias da a&ccedil;&atilde;o    social de Coleman e de Bourdieu.<B> Humanidades e Ci&ecirc;ncias Sociais</B>,    Fortaleza, v. 2, n. 2, p. 13-27, 2000. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.scielo.br">http://www.scielo.br</a>&gt;.    Acesso em: 04 fev. 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000154&pid=S1414-753X200700020001300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">BOURDIEU, P. <B>A economia das trocas simb&oacute;licas</B>.    MICELI, S. (Org.). S&atilde;o Paulo: Perspectiva, 1974. 361 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000156&pid=S1414-753X200700020001300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">______. <B>Coisas ditas</B>. S&atilde;o Paulo:    Brasiliense, 1990. 234 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000158&pid=S1414-753X200700020001300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">______. <B>O poder simb&oacute;lico</B>. 8 ed.    Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005. 322 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000160&pid=S1414-753X200700020001300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">______. <B>Pierre Bourdieu: Sociologia</B>.    ORTIZ, R. (Org.) S&atilde;o Paulo: &Aacute;tica, 1983. 191 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000162&pid=S1414-753X200700020001300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">BURSZTYN, M. Armadilhas do progresso: contradi&ccedil;&otilde;es    entre economia e ecologia. <B>Sociedade e Estado</B>, Bras&iacute;lia, v. X,    n. 1, p. 97-124, 1995.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000164&pid=S1414-753X200700020001300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">BURSZTYN, M. A.; BURSZTYN, M. Desenvolvimento    sustent&aacute;vel: biografia de um conceito. In: NASCIMENTO, E.; VIANNA, J.    <B>Economia, meio ambiente e comunica&ccedil;&atilde;o</B>, Rio de Janeiro:    Garamond, 2006. p. 54-67.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000166&pid=S1414-753X200700020001300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">CRESPO, S. (Coord.). <B>O que os brasileiros    pensam sobre a biodiversidade?</B> Rio de Janeiro: ISER/VOX POPULI, 2006. Dispon&iacute;vel    em: &lt;<a href="http://www.mma.gov.br/estruturas/ascom_boletins/_arquivos/pesquisa_sobre_biodiversidade.pps" target="_blank">www.mma.gov.br/estruturas/ascom_boletins/_arquivos/pesquisa_sobre_biodiversidade.pps</a>&gt;.    Acesso em: 05 jun. 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000168&pid=S1414-753X200700020001300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">DONELLA H. M. et al. <B>The Limits to Growth</B>.    New York: Universe Books. (1972)</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000170&pid=S1414-753X200700020001300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">GERHARDT, C. H.; ALMEIDA, J. A dial&eacute;tica    dos campos sociais na interpreta&ccedil;&atilde;o da problem&aacute;tica ambiental:    uma an&aacute;lise cr&iacute;tica a partir de diferentes leituras sobre os problemas    ambientais. <B>Ambiente &amp; Sociedade</B>, Campinas, v. 8, n. 2, p. 53-84,    2005. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.scielo.br/pdf/asoc/v8n2/28605.pdf">http://www.scielo.br/pdf/asoc/v8n2/28605.pdf</a>&gt;.    Acesso em: 20 abr. 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000171&pid=S1414-753X200700020001300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">GOFFMAN, E. <B>A Representa&ccedil;&atilde;o    do Eu na Vida Cotidiana</B>. 3. ed. Petr&oacute;polis: Vozes, 1985. 233 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000173&pid=S1414-753X200700020001300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">______. <B>Estigma</B>: notas sobre a manipula&ccedil;&atilde;o    da identidade deteriorada<B>.</B> 4. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1982. 158 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000175&pid=S1414-753X200700020001300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">GUIMAR&Atilde;ES, R. Desarrollo sostenible em    Am&eacute;rica Latina y el Caribe entre las conferencias de Rio en 1992 y Johannesburgo    en 2002: avances, retrocesos y nuevos retos institucionales. In: CALDERON, F.    (Coord.). <B>Es sostenible la globalizaci&oacute;n en Am&eacute;rica Latina?</B>,    Santiago: Fondo de Cultura Econ&ocirc;mica, 2003. p. 245-282.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000177&pid=S1414-753X200700020001300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">HARDIN, G. The tragedy of the commons. <B>Science</B>,    v. 162, p. 1243-1248, 1968. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.eumed.net/cursecon/textos/hardin-tragedia.htm" target="_blank">http://www.eumed.net/cursecon/textos/hardin-tragedia.htm</a>&gt;.    Acesso em: 05 out. 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000179&pid=S1414-753X200700020001300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">OLSON, M. <B>A L&oacute;gica da a&ccedil;&atilde;o    coletiva:</B> os benef&iacute;cios p&uacute;blicos e uma teoria dos grupos sociais.    S&atilde;o Paulo: EDUSP, 1999. 201 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000181&pid=S1414-753X200700020001300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">RIBEIRO, G. Ambientalismo e desenvolvimento    sustentado: nova ideologia/utopia do desenvolvimento. <B>Revista de Antropologia</B>,    S&atilde;o Paulo, v. 34, p. 59-101, 1991.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000183&pid=S1414-753X200700020001300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">SANTILLI, J. <B>Socioambientalismo e novos direitos:</B>    prote&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica &agrave; diversidade biol&oacute;gica    e cultural. S&atilde;o Paulo: Editora Peir&oacute;polis, 2005. 303 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000185&pid=S1414-753X200700020001300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">SOROMENHO-MARQUES, V. <B>Regressar &agrave;    terra:</B> consci&ecirc;ncia ecol&oacute;gica e pol&iacute;tica de meio ambiente.    Lisboa: Ed. Fim de s&eacute;culo, 1994.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000187&pid=S1414-753X200700020001300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">VIOLA, E. et al. Confronto e Legitima&ccedil;&atilde;o    (1970 a 1990). In: SVIRSKY, E.; CAPOBIANCO, J. <B>Ambientalismo no Brasil:</B>    passado, presente e futuro. S&atilde;o Paulo: ISA, 1997. p. 27-36.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000189&pid=S1414-753X200700020001300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p> <font size="2" face="Verdana">WEBER, M. Classe, status, partido. In: VELHO,    O. et al. (Org.). <B>Estrutura de classes e estratifica&ccedil;&atilde;o social</B>.    Rio de Janeiro: Zahar, 1981. p. 61-83.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000191&pid=S1414-753X200700020001300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Notas:</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt01"></a><a href="#tx01">1</a> O ambientalismo,    com valores e &eacute;tica pr&oacute;pria, traduz-se em uma nova forma de ideologia,    t&iacute;pica da modernidade e do mundo globalizado (RIBEIRO, 1991).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt02"></a><a href="#tx02">2</a> A pesquisa    de 1996 &eacute; o quarto epis&oacute;dio de uma s&eacute;rie iniciada em 1992.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt03"></a><a href="#tx03">3</a> Segundo    Bourdieu , a autonomia de um campo ocorre quando existe um conjunto de valores    particulares ao campo, com condutas compartilhadas (o <I>habitus</I> pr&oacute;prio    ao campo). Em um campo aut&ocirc;nomo, um corpo de especialistas, cujo poder    &eacute; legitimado por crit&eacute;rios internos, determina as verdades universais    aceitas pelo campo. A influ&ecirc;ncia externa de outros campos sociais no campo    aut&ocirc;nomo &eacute; relativa.</font></p>     <p> <font size="2" face="Verdana"><a name="nt04"></a><a href="#tx04">4</a> O <I>habitus</I>    representa o conhecimento adquirido pelo indiv&iacute;duo, em disposi&ccedil;&otilde;es    dur&aacute;veis dos sujeitos. Gerado e gerador dos campos sociais, faz com que    o indiv&iacute;duo tenha uma maneira t&iacute;pica de sentir, pensar e agir,    de acordo com a posi&ccedil;&atilde;o social que ocupa; mas ao mesmo tempo permite    que esse ator construa estrat&eacute;gias que possibilitam a mudan&ccedil;a    de posi&ccedil;&otilde;es nos campos sociais. &Eacute; uma tentativa de s&iacute;ntese    da polariza&ccedil;&atilde;o indiv&iacute;duo/sociedade, corrente nos debates    sociol&oacute;gicos, onde o ator tem liberdade relativa para agir de acordo    com seus interesses individuais, mas o objetivo e os meios dessa a&ccedil;&atilde;o    s&atilde;o influenciados pelas normas sociais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt05"></a><a href="#tx05">5</a> Capital    global &eacute; a soma dos capitais espec&iacute;ficos (econ&ocirc;mico, cultural,    pol&iacute;tico, simb&oacute;lico etc.) adquiridos pelo ator social em lutas    internas nos diversos campos sociais. A posse de alta quantia de capital global    possibilitar&aacute; que o indiv&iacute;duo assuma posi&ccedil;&otilde;es sociais    de alta relev&acirc;ncia. "Assim, os agentes est&atilde;o distribu&iacute;dos    no espa&ccedil;o social global, na primeira dimens&atilde;o de acordo com o    volume global de capital que eles possuem sob diferentes esp&eacute;cies, e    na segunda dimens&atilde;o, de acordo com a estrutura de seu capital, isto &eacute;,    de acordo com o peso relativo das diferentes esp&eacute;cies de capital, econ&ocirc;mico    e cultural, no volume total de seu capital (BOURDIEU, 1990, p. 154).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt06"></a><a href="#tx06">6</a> O conceito    de "desenvolvimentismo" aqui adotado refere-se ao modo de desenvolvimento    baseado no uso potencializado de recursos naturais para financiar um modelo    exponencial de promo&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria e do lucro. O desenvolvimento    acelerado da ci&ecirc;ncia e da tecnologia, visando &agrave; busca do bem-estar    e do conforto como &uacute;ltimos fins, sem respeito &agrave;s limita&ccedil;&otilde;es    da natureza, &eacute; condi&ccedil;&atilde;o de possibilidade do "desenvolvimentismo".    Tal conceito &eacute; apresentado neste trabalho entre aspas, para n&atilde;o    ser confundido com a id&eacute;ia que resultou da doutrina de planejamento do    desenvolvimento que evoluiu a partir da CEPAL e que tratava da a&ccedil;&atilde;o    coordenada de for&ccedil;as p&uacute;blicas no sentido da supera&ccedil;&atilde;o    do estado de subdesenvolvimento a que foi historicamente relegada a Am&eacute;rica    Latina. O conceito aqui empregado refere-se t&atilde;o somente ao modo de desenvolvimento    que tem no crescimento da ind&uacute;stria e do consumo suas metas principais    e onde a natureza ocupa papel secund&aacute;rio.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><a name="end"></a><a href="#tx"><img src="/img/revistas/asoc/v10n2/seta.gif" border="0"></a>    <b>Autor para correspond&ecirc;ncia:</b>    <br>   Marcel Bursztyn    <br>   Centro de Desenvolvimento Sustentavel, Universidade de Brasilia – UnB, SAS    <br>   Quadra 5, Bloco H, 2º andar    <br>   CEP 70070-914, Brasilia, DF, Brasil    <br>   E-mail: <a href="mailto:marcel@unb.br">marcel@unb.br</a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Recebido: 02/8/2007    <br>   Aceito: 09/8/2007</font></p>      ]]></body><back>
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