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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A sacralização da natureza e a 'naturalização' do sagrado: aportes teóricos para a compreensão dos entrecruzamentos entre saúde, ecologia e espiritualidade]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper aims at identifying practices for self-perfectioning and environmental care linked to physical as well as mental and spiritual health and well-being. It focuses on the points of intersection between ecological and religious practices that engender processes for the "sacralization of nature" and the "naturalization of the sacred". Our field of empirical interest is the one of religious practices of ecological groups and the ecological practices of religious groups. As theoretical and methodological references we chose contributions from Merleau-Ponty's philosophy of perception, Bateson's ecological psychology, Thomas Csordas' phenomenological anthropology and Tim Ingold's ecological epistemology, since these perspectives join in the purpose to break up the dualities mind/body, subject/environment, nature/culture. We encounter in the concept of landscape a point of convergence between these different approaches as a body of the world. Thus the hypothesis which we support is that the landscape, as a body of the world, may be taken as the soil of culture, in the sense that the human subject, in his or her corporeal condition of being of this world is not only set in the landscape, but the landscape is the very condition of his or her engagement in the world and in culture.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b><a name="add1"></a>A sacraliza&ccedil;&atilde;o da natureza e a 'naturaliza&ccedil;&atilde;o' do sagrado: aportes te&oacute;ricos para a compreens&atilde;o dos entrecruzamentos entre sa&uacute;de, ecologia e espiritualidade</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>The "cultivating self": health, ecology and spirituality</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Isabel Cristina Moura Carvalho<sup>I</sup>; Carlos Alberto Steil<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Doutora em educa&ccedil;&atilde;o, Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o, Universidade Luterana do Brasil - ULBRA, Canos, RS, Brasil     <br> <sup>II</sup>Antropologia, Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o, Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS, Porto Alegre - RS, Brasil</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="#add">Autor para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O presente artigo discute as pr&aacute;ticas de aperfei&ccedil;oamento de si e do cuidado com o ambiente, voltadas para a sa&uacute;de e o bem estar f&iacute;sico, mental e espiritual. O foco desta discuss&atilde;o est&aacute; dirigida para os pontos de interse&ccedil;&atilde;o entre pr&aacute;ticas ecol&oacute;gicas e religiosas, que d&atilde;o origem a processos de sacraliza&ccedil;&atilde;o da natureza e de "naturaliza&ccedil;&atilde;o" do sagrado. O campo de interesse emp&iacute;rico s&atilde;o as pr&aacute;ticas religiosas de grupos ecol&oacute;gicos e as pr&aacute;ticas ecol&oacute;gicas de grupos religiosos. Elegemos como referenciais metodol&oacute;gicos e te&oacute;ricos as contribui&ccedil;&otilde;es da filosofia da percep&ccedil;&atilde;o de Merleau-Ponty, da psicologia ecol&oacute;gica de Bateson, da antropologia fenomenol&oacute;gica de Thomas Csordas e da epistemologia ecol&oacute;gica de Tim Ingold, na medida em que estas perspectivas somam-se no intento de colapsar as dualidades mente e corpo, sujeito e ambiente, natureza e cultura. Encontramos no conceito de paisagem, enquanto corpo do mundo, um ponto de converg&ecirc;ncia destas diferentes abordagens. Assim, a hip&oacute;tese que acionamos &eacute; a de que a paisagem, enquanto corpo do mundo, pode ser tomada como o solo da cultura, no sentido de que o sujeito humano, em sua condi&ccedil;&atilde;o corporal de ser no mundo, est&aacute; n&atilde;o apenas implicado na paisagem, mas essa &eacute; a condi&ccedil;&atilde;o de seu engajamento no mundo e na cultura.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Ecologia. Religi&atilde;o. Sa&uacute;de. Fenomenologia. Subjetividade.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> This paper aims at identifying practices for self-perfectioning and environmental care linked to physical as well as mental and spiritual health and well-being. It focuses on the points of intersection between ecological and religious practices that engender processes for the "sacralization of nature" and the "naturalization of the sacred". Our field of empirical interest is the one of religious practices of ecological groups and the ecological practices of religious groups. As theoretical and methodological references we chose contributions from Merleau-Ponty's philosophy of perception, Bateson's ecological psychology, Thomas Csordas' phenomenological anthropology and Tim Ingold's ecological epistemology, since these perspectives join in the purpose to break up the dualities mind/body, subject/environment, nature/culture. We encounter in the concept of landscape a point of convergence between these different approaches as a body of the world. Thus the hypothesis which we support is that the landscape, as a body of the world, may be taken as the soil of culture, in the sense that the human subject, in his or her corporeal condition of being of this world is not only set in the landscape, but the landscape is the very condition of his or her engagement in the world and in culture.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Keywords:</b> Ecology. Religion. Health. Phenomenology. Self-perfectioning.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>1 <i>Introdu&ccedil;&atilde;o</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil constatar a crescente aceita&ccedil;&atilde;o de uma id&eacute;ia hol&iacute;stica de sa&uacute;de, relacionada ao exerc&iacute;cio f&iacute;sico, mental e espiritual entre grupos e indiv&iacute;duos ecologicamente orientados. O anseio por esse ideal de sa&uacute;de tem se tornado constitutivo de v&aacute;rias pr&aacute;ticas ecol&oacute;gicas, tais como caminhadas, montanhismo, trilhas, turismo ecol&oacute;gico, assim como de pr&aacute;ticas religiosas de peregrina&ccedil;&otilde;es, viv&ecirc;ncias, medita&ccedil;&atilde;o, rituais xam&acirc;nicos. Na mesma dire&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m se torna freq&uuml;ente para um conjunto de pr&aacute;ticas de espiritualidade a evoca&ccedil;&atilde;o de uma ascese ecol&oacute;gica, no sentido da internaliza&ccedil;&atilde;o de sentimentos e procedimentos ecol&oacute;gicos que passam a ser vistos, nesse contexto, como media&ccedil;&atilde;o religiosa na busca do sagrado. Desta forma, h&aacute;bitos ecol&oacute;gicos de cuidado respons&aacute;vel para com o ambiente e a natureza passam a fazer parte de sistemas de cren&ccedil;as religiosas que visam situar o sujeito no mundo, na sociedade e na natureza, e ao mesmo tempo de uma experi&ecirc;ncia do sagrado, no sentido de que a reconex&atilde;o com a natureza passa a fazer parte de um sistema de cren&ccedil;as ecol&oacute;gicas. A converg&ecirc;ncia entre estes dois universos de pr&aacute;ticas parece indicar horizontes imaginativos comuns entre ecologia e espiritualidade, o que vamos chamar de pr&aacute;ticas de cultivo de si, como caminho para a sa&uacute;de e o bem estar f&iacute;sico, mental e espiritual.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A id&eacute;ia de cultivo ser&aacute; tomada aqui em duas acep&ccedil;&otilde;es que procuraremos considerar de forma articulada: uma que remete ao sujeito (<i>self</i>) e a outra ao ambiente. Quando referida ao sujeito (<i>self</i>), o cultivo de si incorpora um conjunto de pr&aacute;ticas auto-educativas que vamos identificar como uma forma de ascese no mundo, que visa o aperfei&ccedil;oamento pessoal por meio do cuidado do corpo e da alma<a href="#not01"><sup>1</sup></a><a name="not1"></a>. Assim, enquanto o cuidado do corpo sup&otilde;e um aprendizado sobre alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel, exerc&iacute;cio f&iacute;sico, uso de medicinas alternativas, o cuidado da alma compreende igualmente um dom&iacute;nio de saberes relativos a novas formas de espiritualidades, terapias alternativas, medita&ccedil;&atilde;o, dentre outras.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O cultivo do ambiente, por sua vez, refere-se fundamentalmente &agrave; preocupa&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica com a sustentabilidade da natureza, a educa&ccedil;&atilde;o ambiental e a sobreviv&ecirc;ncia do planeta. Podem ser elencadas, neste campo de pr&aacute;ticas, o consumo ecol&oacute;gico, a reciclagem, a arquitetura agro-ecol&oacute;gica, dentre outras. Embora o cultivo de si e do ambiente nem sempre apare&ccedil;am interligados, a probabilidade desse nexo &eacute; bastante recorrente, apontando processos complementares tanto de sacraliza&ccedil;&atilde;o da natureza quanto de "naturaliza&ccedil;&atilde;o" do sagrado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O solo que sustenta estas pr&aacute;ticas de cultivo de si poderia ser relacionado a certo "esp&iacute;rito do tempo", em conson&acirc;ncia com tend&ecirc;ncias e transforma&ccedil;&otilde;es observadas no pr&oacute;prio conceito de religi&atilde;o na contemporaneidade, que apontam para um deslocamento da transcend&ecirc;ncia para a iman&ecirc;ncia (CAMPBELL, 1997). Assim, o Deus das religi&otilde;es da transcend&ecirc;ncia, colocado fora do mundo, vai pouco a pouco dando lugar a um Deus no mundo, que aparece sob a forma de energias e viv&ecirc;ncias de tipo ps&iacute;quico-m&iacute;stico, caracterizando o que tem sido denominado como religi&otilde;es do <i>self</i>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>2 <i>O si mesmo (self) como lugar da experi&ecirc;ncia "aut&ecirc;ntica"</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As religi&otilde;es do <i>self</i> v&atilde;o produzir um deslocamento do "estatuto de certifica&ccedil;&atilde;o da verdade" das media&ccedil;&otilde;es institucionais cl&aacute;ssicas do campo religioso - igrejas, doutrinas e dogmas - para a experi&ecirc;ncia vivida pelo indiv&iacute;duo como a inst&acirc;ncia &uacute;ltima capaz de atestar a autenticidade do sagrado. Esse deslocamento do lugar de certifica&ccedil;&atilde;o da autenticidade do institucional para o indiv&iacute;duo, que se apresenta como um tra&ccedil;o do mundo contempor&acirc;neo p&oacute;s-aut&ecirc;ntico, traduz-se no campo religioso na preval&ecirc;ncia da experi&ecirc;ncia pessoal do sagrado sobre as formas objetivas e doutrinas das religi&otilde;es institucionalizadas<a href="#not02"><sup>2</sup></a><a name="not2"></a>. Por outro lado, se h&aacute; uma impress&atilde;o de perda da autenticidade das formas rituais institucionalizadas das religi&otilde;es tradicionais, h&aacute; tamb&eacute;m um desejo reiterado de as reencontrar, n&atilde;o mais numa inst&acirc;ncia externa ao indiv&iacute;duo, mas no seu pr&oacute;prio interior.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nota dos autores: os trechos em portugu&ecirc;s destacados de obras em ingl&ecirc;s como nesta nota e em outras passagens ao longo deste artigo s&atilde;o tradu&ccedil;&otilde;es nossas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ainda que desde uma perspectiva anal&iacute;tica possamos questionar a autenticidade da experi&ecirc;ncia religiosa certificada pelos indiv&iacute;duos, a sua perman&ecirc;ncia e a sua eloq&uuml;&ecirc;ncia convidam-nos a estar atentos aos pontos de coincid&ecirc;ncia e conex&atilde;o entre a busca de autenticidade no &acirc;mbito da espiritualidade e da ecologia. Em ambas, a autenticidade surge como a pedra de toque na forma&ccedil;&atilde;o de subjetividades que parecem reafirmar a irredutibilidade da experi&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o aos processos de objetiva&ccedil;&atilde;o pela linguagem ou de institucionaliza&ccedil;&atilde;o pelo social. Desde uma perspectiva fenomenol&oacute;gica, podemos pensar que a condi&ccedil;&atilde;o humana guarda sempre algo da ordem de uma resist&ecirc;ncia &agrave; sua completa objetiva&ccedil;&atilde;o, na medida em que abriga uma dimens&atilde;o imediata (pr&eacute;-objetiva) em seu encontro primeiro com o mundo, o que garante a inesgotabilidade do humano em face &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de sentidos culturais no plano simb&oacute;lico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa busca de autenticidade encontra na natureza e no <i>self</i> individual os lugares de refer&ecirc;ncia para a constitui&ccedil;&atilde;o de sujeitos religiosos por natureza - parafraseando uma express&atilde;o cunhada por Soares -, que conectam de forma inovadora a preocupa&ccedil;&atilde;o com o planeta com a descoberta cada vez mais &iacute;ntima de si (SOARES, 1994). As pr&aacute;ticas de grupos e indiv&iacute;duos que se situam na fronteira porosa das viv&ecirc;ncias ecol&oacute;gicas que incorporam a dimens&atilde;o religiosa, e vice-versa, poderiam ser vistos nesta perspectiva. Para aqueles que, quer ecol&oacute;gica, quer religiosamente orientados, fazem do ideal de uma rela&ccedil;&atilde;o imediata com a natureza o caminho para a integra&ccedil;&atilde;o pessoal (<i>religare</i>) com uma totalidade, essa experi&ecirc;ncia remete &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de um bem estar f&iacute;sico, mental e espiritual que torna indissoci&aacute;vel a sa&uacute;de do planeta e do indiv&iacute;duo. Estes sujeitos podem ser identificados nos grupos religiosos movidos por um esp&iacute;rito da Nova Era que buscam o sagrado e a si mesmos em lugares, espa&ccedil;os rituais e peregrina&ccedil;&otilde;es onde a natureza tem um papel protagonista, bem como em grupos ecol&oacute;gicos voltados para pr&aacute;ticas de conv&iacute;vio harmonioso com a natureza e de forma&ccedil;&atilde;o de sujeitos ecol&oacute;gicos pela educa&ccedil;&atilde;o ambiental que incorporam, em alguma medida, a id&eacute;ia da natureza investida de for&ccedil;as e energias restauradoras do corpo, da alma e de virtudes &eacute;ticas para a conviv&ecirc;ncia social.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>3 <i>Em dire&ccedil;&atilde;o a uma fenomenologia do <i>self</i>: di&aacute;logos entre a filosofia, a antropologia e a psicologia</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As linhas de converg&ecirc;ncia das quest&otilde;es abordadas neste artigo situam-se no horizonte de tr&ecirc;s &aacute;reas do conhecimento: a filosofia, a antropologia e a psicologia. A partir dos aportes te&oacute;ricos dessas &aacute;reas, buscamos refletir sobre as rela&ccedil;&otilde;es entre corpo, mente, subjetividade (<i>self</i>) e sociedade, tema que possui uma longa tradi&ccedil;&atilde;o nessas &aacute;reas do conhecimento, onde destacamos autores como: Marcel Mauss (1985), L&eacute;vi-Strauss (1974), Bateson (1972) e Tim Ingold (2000), na antropologia; Norbert Elias (1994), na sociologia; Merleau-Ponty (2007; 1971), na filosofia, e Sigmund Freud (1974), na psican&aacute;lise<a href="#not03"><sup>3</sup></a><a name="not3"></a>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na conjuga&ccedil;&atilde;o desses campos de saberes, destacamos a contribui&ccedil;&atilde;o de cinco conceitos que nos guiam na compreens&atilde;o dos entrela&ccedil;amentos te&oacute;ricos que descrevemos acima. O primeiro &eacute; a no&ccedil;&atilde;o de carne, anunciada e discutida por Merleau-Ponty, em <i>O vis&iacute;vel e invis&iacute;vel</i>, que destaca a continuidade entre o corpo do mundo e o corpo humano (MERLEAU-PONTY, 2007). O segundo &eacute; o conceito de corporeidade (<i>embodiment</i>), que tem sido trabalhado por Thomas Csordas como um paradigma de compreens&atilde;o dos sujeitos humanos na cultura (CSORDAS, 1990). O terceiro &eacute; o conceito de paisagem, o qual ser&aacute; tomado aqui desde a perspectiva da antropologia ecol&oacute;gica proposta por Tim Ingold, onde a paisagem &eacute; pensada como o horizonte de converg&ecirc;ncia dos corpos e organismos humanos e n&atilde;o-humanos com o ambiente que os engloba, apontando para a corporeidade da paisagem (<i>embodiment landascape</i>) (INGOLD, 2000). O quarto e o quinto conceito s&atilde;o, respectivamente, a no&ccedil;&atilde;o de comportamento ambiental, de Alfred Hallowell (1955), e de ecologia da mente, de Gregory Bateson (1972; 1980). Ambos est&atilde;o na interface entre antropologia e psicologia, numa abordagem que remete a autores que se situam na &aacute;rea da antropologia psicol&oacute;gica<a href="#not04"><sup>4</sup></a><a name="not4"></a>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esses conceitos foram seminais para o desenvolvimento de uma nova abordagem na psicologia e na antropologia, que passou a operar com o pressuposto de uma fronteira indistinta entre sujeito e ambiente. Assim, os autores aqui selecionados s&atilde;o fundamentais para o desenvolvimento de nossa argumenta&ccedil;&atilde;o na medida em que buscam desconstruir as dualidades interno-externo e sujeito-ambiente, recusando a fronteira org&acirc;nica da mente em rela&ccedil;&atilde;o ao ambiente que a confinava ao c&eacute;rebro do individuo. Para eles, portanto, a mente n&atilde;o est&aacute; nem aprisionada no c&eacute;rebro, nem existe como realidade aut&ocirc;noma na externalidade do mundo, mas se constitui no engajamento ativo do indiv&iacute;duo no ambiente ou na paisagem.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>4 <i>A "carne" do mundo</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A abordagem fenomenol&oacute;gica apresenta-se como um caminho que buscaremos trilhar na dire&ccedil;&atilde;o do aprofundamento das conex&otilde;es entre <i>self</i> e ambiente. Esse caminho, por sua vez, encontra na contribui&ccedil;&atilde;o de Merleau-Ponty o ponto de partida e as balizas que o orientam. Desde o seu trabalho cl&aacute;ssico <i>A Fenomenologia da Percep&ccedil;&atilde;o</i>, Merleau-Ponty (1971) preocupa-se em se afastar de uma vis&atilde;o cognitivista dos processos perceptivos e afirmar uma compreens&atilde;o articuladora do estar no mundo enquanto um habitar, mediado pela corporeidade. Ao tratar dos processos perceptivos, ele leva em conta as dimens&otilde;es f&iacute;sica do ambiente e biol&oacute;gica do corpo sem, no entanto, aceitar as explica&ccedil;&otilde;es reducionistas da percep&ccedil;&atilde;o como um processo org&acirc;nico ou mental. Essas dimens&otilde;es n&atilde;o s&atilde;o negadas, mas situadas dentro de um c&iacute;rculo virtuoso, no qual sujeito e objeto constituem-se mutuamente numa pr&aacute;tica ao mesmo tempo criativa e estruturada. Ou seja, desde essa perspectiva, o sujeito, ao mesmo tempo em que age em dire&ccedil;&atilde;o ao mundo e aos objetos, tamb&eacute;m &eacute; constitu&iacute;do pelo mundo e pelos objetos em dire&ccedil;&atilde;o aos quais ele se move. Para Merleau-Ponty, o mundo sustenta o corpo do sujeito e se move com ele, demarcando o seu campo da explora&ccedil;&atilde;o perceptual e experiencial. Como condi&ccedil;&atilde;o corporal do sujeito, o mundo &eacute; experienciado como constitutivo do sujeito-corpo que o habita e n&atilde;o mais apenas como um referente externo e objetivo aos sujeitos que nele se movem.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Abram (1996), num instigante artigo sobre Merleau-Ponty e a quest&atilde;o ambiental, argumenta em favor da contribui&ccedil;&atilde;o da fenomenologia, particularmente no &uacute;ltimo trabalho de Merleau-Ponty, <i>O vis&iacute;vel e o invis&iacute;vel</i>, como fundamento para uma filosofia da natureza que aponta para a possibilidade de supera&ccedil;&atilde;o dos impasses da ecologia herdeira da tradi&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica mecanicista na compreens&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o sujeito humano e ambiente:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> Nossa civilizada desconfian&ccedil;a dos sentidos e do corpo engendra um descolamento metaf&iacute;sico do mundo sens&iacute;vel - isso alimenta a ilus&atilde;o de que n&oacute;s mesmos n&atilde;o fazemos parte do mundo que estudamos, do qual podemos nos manter &agrave; parte, como espectadores, e assim determinar seu funcionamento desde fora. Uma renovada aten&ccedil;&atilde;o para a experi&ecirc;ncia corporal, no entanto, permite-nos reconhecer e afirmar nosso envolvimento inevit&aacute;vel naquilo que observamos, nossa imers&atilde;o corporal nas profundezas de um corpo que respira e que &eacute; muito maior do que o nosso pr&oacute;prio corpo (ABRAM, 1996, p. 85).  </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esta comunh&atilde;o entre o corpo humano e o corpo do mundo, que engloba e transcende o do indiv&iacute;duo, &eacute; denominada, em <i>O vis&iacute;vel e o invis&iacute;vel</i>, com o termo carne e se apresenta como o elo comum entre as duas ordens do humano sensiente e do mundo sens&iacute;vel. Na express&atilde;o de Merleau-Ponty,</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> Dizemos assim que o nosso corpo, como uma folha de papel, &eacute; um ser de duas faces, de um lado, coisa entre coisas e, de outro, aquilo que as v&ecirc; e as toca; dizemos, porque &eacute; evidente, que nele re&uacute;ne estas duas propriedades, e sua dupla perten&ccedil;a &agrave; ordem do "objeto"e &agrave; ordem do 'sujeito' nos revela entre as duas ordens rela&ccedil;&otilde;es muito inesperadas"(MERLEAU-PONTY, 2007, p. 133).  </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Merleau-Ponty radicaliza o que j&aacute; apontava com a no&ccedil;&atilde;o de corpo, no sentido agora de uma transcend&ecirc;ncia do sujeito no mundo do qual o corpo humano &eacute; uma express&atilde;o. Ao inv&eacute;s da posi&ccedil;&atilde;o cartesiana de um sujeito que pensa e, portanto, existe, ou, ainda, que pensa o mundo com uma mente &agrave; parte do mundo, na perspectiva fenomenol&oacute;gica, o mundo pensa no sujeito que existe na rela&ccedil;&atilde;o de continuidade e distin&ccedil;&atilde;o como uma das express&otilde;es da carne do mundo, cuja diferen&ccedil;a est&aacute; na forma de exercer a reflexividade<a href="#not05"><sup>5</sup></a><a name="not5"></a>. Como afirma Merleau-Ponty, "se o corpo &eacute; um &uacute;nico corpo em suas duas fases, incorpora todo o sens&iacute;vel e gra&ccedil;as ao mesmo movimento, incorpora-se a si mesmo num 'sens&iacute;vel em si'" (MERLEAU-PONTY, 2007, p. 134).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; importante observar que o conceito de carne em Merleau-Ponty contribui significativamente para a supera&ccedil;&atilde;o da posi&ccedil;&atilde;o antropoc&ecirc;ntrica que transforma todo n&atilde;o-humano em mero objeto. Diferentemente da cr&iacute;tica da ecologia profunda que, ao se posicionar a favor do biocentrismo contra o antropocentrismo, apenas muda de p&oacute;lo, sem alterar a rela&ccedil;&atilde;o de submiss&atilde;o entre humanos e n&atilde;o-humanos, Merleau-Ponty chama a aten&ccedil;&atilde;o para o entrela&ccedil;amento denso e extensivo entre estes p&oacute;los como uma mesma carne, ao mesmo tempo em que reconhece que o processo de autoconsci&ecirc;ncia em cada um deles n&atilde;o &eacute; id&ecirc;ntico. Assim, a carne que pensa no ser humano n&atilde;o pensa do mesmo modo nos outros seres sensientes. Sua posi&ccedil;&atilde;o evita tanto a fus&atilde;o ou dissolu&ccedil;&atilde;o da singularidade humana no bios do mundo quanto a arrog&acirc;ncia humana que se posiciona fora do mundo. Pode-se concluir, portanto, que o conceito de carne de Merleau-Ponty ao mesmo tempo em que estabelece uma continuidade entre o corpo humano e a carne do mundo tamb&eacute;m mant&eacute;m a alteridade entre esses p&oacute;los como constitutiva da experi&ecirc;ncia que se revela tanto atrav&eacute;s da via ecol&oacute;gica do encontro do sujeito humano com a natureza quanto na pr&oacute;pria intimidade do sujeito humano na viv&ecirc;ncia do sagrado (CSORDAS, 2004).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>5 <i>A corporeidade (embodiment) como paradigma</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No esfor&ccedil;o de tradu&ccedil;&atilde;o da fenomenologia para o campo da antropologia, vamos buscar na no&ccedil;&atilde;o de corporeidade (<i>embodiment</i>), desenvolvida por Thomas Csordas, a principal refer&ecirc;ncia para introduzir a quest&atilde;o da cultura na rela&ccedil;&atilde;o entre o corpo humano e a carne do mundo. Na perspectiva desse autor, mais do que um conceito, a corporeidade &eacute; uma proposta paradigm&aacute;tica que visa colapsar dicotomias tais como indiv&iacute;duo/sociedade, mente/corpo, pr&aacute;tica/estrutura, natureza/cultura, sem negar a tens&atilde;o e a alteridade entre estes p&oacute;los da experi&ecirc;ncia dos seres no mundo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A corporeidade, na acep&ccedil;&atilde;o de Csordas, funda-se especialmente na an&aacute;lise da percep&ccedil;&atilde;o de Merleau-Ponty e na teoria da pr&aacute;tica social formulada por Pierre Bourdieu. Seu projeto te&oacute;rico, como ele mesmo afirma, "come&ccedil;a com um exame cr&iacute;tico dessas duas teorias da corporeidade: Maurice Merleau-Ponty (1962), que elabora a corporeidade na problem&aacute;tica da percep&ccedil;&atilde;o, e Pierre Bourdieu (1977), que situa a corporeidade num discurso antropol&oacute;gico da pr&aacute;tica" (CSORDAS, 2002, p. 58). Assim, enquanto a teoria da percep&ccedil;&atilde;o de Merleau-Ponty ser&aacute; a principal refer&ecirc;ncia para a supera&ccedil;&atilde;o da dualidade sujeito-objeto, a teoria da a&ccedil;&atilde;o de Bourdieu vai permitir-lhe questionar a dualidade estrutura-pr&aacute;tica. Na leitura de Csordas desses autores,</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote> (...) ambos tentam n&atilde;o mediar, mas colapsar as dualidades, e a corporeidade &eacute; o princ&iacute;pio metodol&oacute;gico invocado por ambos. O colapso das dualidades na corporeidade exige que o corpo enquanto figura metodol&oacute;gica seja ele mesmo n&atilde;o-dualista, isto &eacute;, n&atilde;o distinto de - ou em intera&ccedil;&atilde;o com - um princ&iacute;pio antag&ocirc;nico da mente. Assim, para Merleau-Ponty o corpo &eacute; um "contexto em rela&ccedil;&atilde;o ao mundo", e a consci&ecirc;ncia &eacute; o corpo se projetando no mundo; para Bourdieu, o corpo socialmente informado &eacute; o "princ&iacute;pio gerador e unificador de todas as pr&aacute;ticas", e a consci&ecirc;ncia &eacute; uma forma de c&aacute;lculo estrat&eacute;gico fundido com um sistema de potencialidades objetivas. Eu devo elaborar brevemente estas vis&otilde;es como est&atilde;o sintetizadas no conceito de pr&eacute;-objetivo de Merleau-Ponty e no conceito de habitus de Bourdieu (CSORDAS, 2002, p. 60). </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na esteira, portanto, da fenomenologia existencial de Merleau-Ponty (1962), Csordas argumenta a favor da experi&ecirc;ncia corporal como ponto de partida para a an&aacute;lise cultural, a qual encontra no n&iacute;vel pr&eacute;-objetivo a base existencial para as elabora&ccedil;&otilde;es ling&uuml;&iacute;sticas e interpretativas da experi&ecirc;ncia dos seres humanos no mundo. Segundo Csordas, no entanto, o pr&eacute;-objetivo n&atilde;o significa um momento anterior &agrave; cultura, mas &agrave; maneira como os sujeitos engajam-se espontaneamente no mundo e na vida cotidiana<a href="#not06"><sup>6</sup></a><a name="not6"></a>. Assim, como o pr&oacute;prio Merleau-Ponty argumenta, os objetos culturais, n&atilde;o menos do que objetos naturais como pedras ou &aacute;rvores, s&atilde;o os produtos finais de um processo de abstra&ccedil;&atilde;o de uma consci&ecirc;ncia perceptiva na qual o corpo humano sensiente &eacute; uma abertura para um campo indeterminado, irrestrito e inesgot&aacute;vel: o mundo (CSORDAS, 2002).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Central ao seu prop&oacute;sito &eacute; compreender que o corpo da pessoa n&atilde;o &eacute; de forma alguma um objeto, mas sempre o sujeito da percep&ccedil;&atilde;o. A pessoa n&atilde;o percebe o pr&oacute;prio corpo; a pessoa &eacute; seu corpo e percebe com ele tanto no sentido de ser uma ferramenta perfeitamente familiar (MAUSS, 1950) como no sentido de ser <i>self</i> e corpo, perfeitamente coexistentes. Assim, perceber um corpo como um objeto &eacute; ter desenvolvido um processo de abstra&ccedil;&atilde;o a partir da experi&ecirc;ncia perceptiva. De certa maneira, cabe aos sujeitos sensientes atravessar os seus sentidos em dire&ccedil;&atilde;o ao mundo, ao inv&eacute;s de perceber o mundo atrav&eacute;s dos sentidos; os sentidos est&atilde;o no caminho entre o sujeito e o mundo. O corpo surge ent&atilde;o como "o solo existencial da cultura" (CSORDAS, 2002, p. 4), onde se articulam sujeito e objeto, conhecimento e autoconhecimento, subjetividade e alteridade. A corporeidade &eacute; a s&iacute;ntese desta encarna&ccedil;&atilde;o da cultura que constitui os seres humanos historicamente situados e o l&oacute;cus privilegiado de articula&ccedil;&atilde;o da dualidade sujeito e objeto e seus suced&acirc;neos, tal como prop&otilde;e a no&ccedil;&atilde;o de c&iacute;rculo hermen&ecirc;utico. Desde essa perspectiva, segundo Csordas:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> O corpo n&atilde;o &eacute; apenas biol&oacute;gico, mas igualmente religioso, ling&uuml;&iacute;stico, hist&oacute;rico, cognitivo, emocional e art&iacute;stico &#91;e eu acrescentaria, ecol&oacute;gico&#93;. Por outro lado, se a linguagem pode ser apresentada daqui para diante como uma express&atilde;o da corporeidade (embodiment) e n&atilde;o como fun&ccedil;&atilde;o representativa do Cogito Cartesiano, torna-se claro que j&aacute; n&atilde;o se trata de definir cultura apenas em termos de s&iacute;mbolos, esquemas, regras, costumes, textos ou comunica&ccedil;&atilde;o, mas igualmente em termos de sentido, movimento, inter-subjetividade, especialidade, h&aacute;bito, desejo, evoca&ccedil;&atilde;o e intui&ccedil;&atilde;o. A converg&ecirc;ncia destas duas realiza&ccedil;&otilde;es levam-me &agrave; conceitualiza&ccedil;&atilde;o do self baseado na corporeidade (embodiment). O argumento &eacute; que, pelo colapso da distin&ccedil;&atilde;o entre corpo e mente, sujeito e objeto, a linguagem se torna compreens&iacute;vel tal como um processo do self quando ela &eacute; vista n&atilde;o como uma representa&ccedil;&atilde;o, mas como institui&ccedil;&atilde;o de um modo de ser no mundo (CSORDAS, 2002, p .4). </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Paralelamente ao esfor&ccedil;o de Merleau-Ponty em colapsar a dualidade sujeito-objeto na teoria da percep&ccedil;&atilde;o, o prop&oacute;sito de Bourdieu &eacute; colapsar a dualidade signo-significa&ccedil;&atilde;o no conceito de <i>habitus<a href="#not07"><sup>7</sup></a><a name="not7"></a></i>, articulando na an&aacute;lise do fato social a a&ccedil;&atilde;o como <i>opus operatum</i> e como <i>modus operandi</i> da vida social. Assim, Bourdieu define <i>habitus</i> como um "sistema de disposi&ccedil;&otilde;es dur&aacute;veis, princ&iacute;pio inconsciente e coletivamente inculcado para a gera&ccedil;&atilde;o e a estrutura&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas e representa&ccedil;&otilde;es" (1977, p. 72). Essa defini&ccedil;&atilde;o &eacute; destacada por Csordas na teoria de Bourdieu porque, ao focalizar o conte&uacute;do psicologicamente internalizado do ambiente comportamental (HALLOWELL, 1974), o <i>habitus</i> aparece como "o princ&iacute;pio gerador e unificador de todas as pr&aacute;ticas, o sistema das insepar&aacute;veis estruturas cognitiva e avaliativa que organizam a vis&atilde;o do mundo de acordo com as estruturas objetivas de um determinado estado do mundo social" (BOURDIEU, 1977, p. 124). Enquanto princ&iacute;pio gerador e unificador das pr&aacute;ticas, o habitus &eacute; definido por Bourdieu como</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> (...) o corpo socialmente informado, com seus gostos e desgostos, suas compuls&otilde;es e repuls&otilde;es, com, numa palavra, todos os seus sentidos, isto &eacute;, n&atilde;o apenas os tradicionais cinco sentidos - que nunca escapam da a&ccedil;&atilde;o estruturante dos determinismos sociais - mas tamb&eacute;m o senso de necessidade e o senso de dever, o senso de dire&ccedil;&atilde;o e o senso de realidade, o senso de equil&iacute;brio e o senso de beleza, o senso comum e o senso do sagrado, o senso t&aacute;tico e o senso de responsabilidade, o senso para os neg&oacute;cios e o senso de propriedade, o senso de humor e o senso do absurdo, o senso moral e o senso pr&aacute;tico, e assim por diante. (1977, p. 124) </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na seq&uuml;&ecirc;ncia de sua exposi&ccedil;&atilde;o sobre a contribui&ccedil;&atilde;o de Bourdieu para a elabora&ccedil;&atilde;o do paradigma da corporeidade, Csordas destaca que o l&oacute;cus do <i>habitus</i> &eacute; a conjun&ccedil;&atilde;o entre as condi&ccedil;&otilde;es objetivas da vida e a totalidade das aspira&ccedil;&otilde;es e das pr&aacute;ticas compat&iacute;veis com tais condi&ccedil;&otilde;es. "Condi&ccedil;&otilde;es objetivas n&atilde;o causam pr&aacute;ticas, tampouco pr&aacute;ticas determinam condi&ccedil;&otilde;es objetivas" (CSORDAS, 2002, p. 63). &Eacute;, por sua vez, "o <i>habitus</i>, enquanto media&ccedil;&atilde;o universalizante, que torna a pr&aacute;tica de um agente individual, sem raz&atilde;o expl&iacute;cita ou prop&oacute;sito significativo, 'sensata' e 'razo&aacute;vel' apesar de tudo" (BOURDIEU, 1977, p. 79). Assim, com o conceito de <i>habitus</i>, Bourdieu oferece uma an&aacute;lise da pr&aacute;tica social enquanto necessidade transformada em virtude, de forma que as pr&aacute;ticas obscuras aos olhos de seus pr&oacute;prios produtores ganham um ordenamento que as torna objetivamente ajustadas a outras pr&aacute;ticas e &agrave;s estruturas, cujo princ&iacute;pio de produ&ccedil;&atilde;o &eacute; ele mesmo um produto.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Enfim, o esfor&ccedil;o de Csordas para articular as contribui&ccedil;&otilde;es metodol&oacute;gicas, aparentemente contradit&oacute;rias da fenomenologia e do estruturalismo dial&eacute;tico, foram fundamentais para a constitui&ccedil;&atilde;o do que ele chama de um paradigma da corporeidade. A singularidade de sua proposta te&oacute;rica est&aacute; em colapsar as dualidades na corporeidade por meio de uma concep&ccedil;&atilde;o de "corpo n&atilde;o-dualista, isto &eacute;, n&atilde;o distinto de - ou em intera&ccedil;&atilde;o com - um princ&iacute;pio antag&ocirc;nico da mente" (CSORDAS, 2002, p. 65). Nosso esfor&ccedil;o, por sua vez, ser&aacute; o de estender essa no&ccedil;&atilde;o de corpo para a paisagem, seguindo o mesmo movimento de Merleau-Ponty em dire&ccedil;&atilde;o ao corpo do mundo, numa rearticula&ccedil;&atilde;o com o conceito de <i>habitus</i> de Bourdieu, na dire&ccedil;&atilde;o de um contexto em que os comportamentos e valores ecol&oacute;gicos v&ecirc;m impondo-se como uma condi&ccedil;&atilde;o objetiva para os indiv&iacute;duos e grupos sociais nesse in&iacute;cio do segundo mil&ecirc;nio da era crist&atilde;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>6 <i>A paisagem como corpo do mundo</i></b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No esfor&ccedil;o para articular ecologia, religi&atilde;o e sa&uacute;de, encontramos no conceito de paisagem, como ele vem sendo elaborado na literatura antropol&oacute;gica, um ponto de conex&atilde;o com as contribui&ccedil;&otilde;es de Merleau-Ponty e de Csordas que apontamos acima. Assim, as quest&otilde;es aqui abordadas n&atilde;o dizem respeito apenas a um conhecimento que fala sobre a paisagem como um objeto, mas desde a paisagem, enquanto condi&ccedil;&atilde;o de ser no mundo, onde se entrela&ccedil;am a cultura, a natureza e o sujeito (LANE, 2002; HIRSCH, 2003; LOW, 2006). Neste sentido, podemos afirmar que a paisagem num paradigma ecol&oacute;gico ocupa um lugar semelhante ao do corpo no paradigma da corporeidade. Ao aproximar esses dois paradigmas, a antropologia da paisagem tem referido-se, com freq&uuml;&ecirc;ncia, a no&ccedil;&otilde;es de espa&ccedil;os incorporados (<i>embodied spaces</i>) (LOW; LAWRENCE-Z&Uacute;&Ntilde;IGA, 2006) ou paisagens incorporadas (<i>embodied landscapes</i>) (INGOLD, 2000). Ou seja, tomando como foco a perspectiva ecol&oacute;gica, acreditamos que se torna poss&iacute;vel desdobrar a condi&ccedil;&atilde;o da corporeidade para o ambiente. Isto &eacute;, deslocar o olhar da preocupa&ccedil;&atilde;o do corpo, visto como condi&ccedil;&atilde;o de exist&ecirc;ncia do individuo no mundo, para a paisagem, como corpo do mundo, continente planet&aacute;rio que envolve humanos e n&atilde;o-humanos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao realizar esse deslocamento, a paisagem pode ser tomada, analogamente ao corpo, como condi&ccedil;&atilde;o ou solo existencial<a href="#not08"><sup>8</sup></a><a name="not8"></a>. Dessa forma, poder&iacute;amos dizer que, se o corpo &eacute; a forma pela qual o indiv&iacute;duo existe como um ser-no-mundo, a paisagem &eacute; a forma pela qual os seres-no-mundo apresentam-se ao indiv&iacute;duo, incluindo-o. Essa mudan&ccedil;a no olhar acaba produzindo uma &ecirc;nfase no corpo ou na carne do mundo, que abarca de forma mais sim&eacute;trica humanos e n&atilde;o-humanos, relativizando, de alguma forma, os corpos dos indiv&iacute;duos ou dos humanos como o elemento articulador entre sujeito-objeto (LATOUR, 1994).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mantendo-nos na trilha do paradigma da corporeidade em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; epistemologia ecol&oacute;gica, podemos pensar o conceito de paisagem como correlato &agrave; corporeidade, enquanto campo de percep&ccedil;&atilde;o definido pelo engajamento no mundo. Nesse sentido, Csordas chama a aten&ccedil;&atilde;o para a dial&eacute;tica entre o corpo, enquanto unidade material da exist&ecirc;ncia, e a corporeidade, enquanto condi&ccedil;&atilde;o projetada e objetificada reflexivamente da exist&ecirc;ncia dos sujeitos no mundo. E conclui que, ao mesmo tempo em que o corpo apresenta-se como a condi&ccedil;&atilde;o material dos sujeitos no mundo, ele tamb&eacute;m &eacute; o l&oacute;cus da revela&ccedil;&atilde;o do ser do mundo que, embora se expresse nos corpos individuais, n&atilde;o se esgota neles.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Acreditamos que seria poss&iacute;vel reconhecer no &acirc;mbito do conceito de paisagem uma dial&eacute;tica semelhante a que Csordas atribui ao corpo, onde se poderia distinguir uma base material, a terra (<i>land</i>), e uma totalidade projetada e significada que transforma essa unidade f&iacute;sica e material em uma paisagem (<i>scape</i>). Estabelece-se a&iacute; a tens&atilde;o entre a experi&ecirc;ncia imediata e pr&eacute;-objetiva no mundo (<i>imediacy</i>) e a sua objetifica&ccedil;&atilde;o na linguagem, num jogo de alteridade entre sujeito e objeto que se realiza dentro e fora de n&oacute;s. Essa dial&eacute;tica implicada no conceito de paisagem como a forma de engajamento no mundo indica uma radical assun&ccedil;&atilde;o da simetria e do pertencimento dos seres humanos e n&atilde;o humanos &agrave; Terra, bem como de uma conseq&uuml;ente atividade (<i>agency</i>) do ambiente no desvelamento do mundo em suas exist&ecirc;ncias.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa acep&ccedil;&atilde;o de paisagem permite, assim, enfatizar a din&acirc;mica dos processos temporais e sociais que d&atilde;o forma ao ambiente, ao mesmo tempo em que constituem e modificam os lugares e os modos de habitar, permitindo distanciar-se de uma vis&atilde;o objetificadora que tende a atribuir um sentido de externalidade ao sujeito humano em rela&ccedil;&atilde;o ao mundo. Nesse sentido, relacionando o conceito de paisagem com o de corporeidade (carne do mundo), vamos entender a paisagem como a express&atilde;o da corporeidade da natureza, de modo que a rela&ccedil;&atilde;o do sujeito com o mundo - seus lugares, seus modos de ser, suas mem&oacute;rias e cren&ccedil;as - s&atilde;o constitutivos do seu ambiente de vida. Essa dimens&atilde;o relacional e sim&eacute;trica entre os humanos e os n&atilde;o-humanos no mundo converge com os intentos da antropologia fenomenol&oacute;gica para colapsar as dualidades natureza-cultura, mente-corpo, sujeito-objeto, interno-externo. Mas, agora, acrescentando um outro elemento de car&aacute;ter ativo (<i>agency</i>) na rela&ccedil;&atilde;o da paisagem com os seres que a habitam juntamente com os elementos naturais. Como afirma Ingold, "assim como os corpos n&atilde;o s&atilde;o formas dadas anteriormente, independentes dos seres que os constituem geneticamente, as formas da paisagem n&atilde;o s&atilde;o preparadas anteriormente para as criaturas ocuparem" (INGOLD, 2000).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A paisagem aparece aqui como a unidade coerente do vis&iacute;vel, o campo de percep&ccedil;&atilde;o de todos aqueles que a habitam e a constituem e por ela s&atilde;o constitu&iacute;dos. A totalidade dentro da qual todos os seres sens&iacute;veis est&atilde;o inseridos. Como afirma Abram, numa refer&ecirc;ncia direta ao pensamento de Merleau-Ponty, "a paisagem n&atilde;o &eacute; a totalidade abstrata de um universo intelig&iacute;vel, mas a unidade experienciada deste continente que nos abriga na forma de um mundo local a que chamamos Terra" (ABRAM, p. 86)<a href="#not09"><sup>9</sup></a><a name="not9"></a>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O esfor&ccedil;o aqui empreendido vem sendo, portanto, o de pensar desde a condi&ccedil;&atilde;o humana imersa no mundo para apreender esta imers&atilde;o n&atilde;o apenas no n&iacute;vel do corpo individual, mas tamb&eacute;m no da paisagem como corpo do mundo. Ou seja, a paisagem aparece aqui como um fen&ocirc;meno complexo que abarca ao mesmo tempo o vis&iacute;vel e o invis&iacute;vel e incorpora tanto o solo profundo que suporta nossos corpos quanto a atmosfera fluida na qual respiramos. Esta media&ccedil;&atilde;o exercida pela paisagem entre n&oacute;s e o universo &eacute; muitas vezes esquecida pela humanidade da mesma forma que a media&ccedil;&atilde;o do corpo &eacute; esquecida pelos indiv&iacute;duos. Assim, enquanto no &acirc;mbito do indiv&iacute;duo o apagamento da nossa condi&ccedil;&atilde;o de seres no mundo realiza-se pela separa&ccedil;&atilde;o e autonomiza&ccedil;&atilde;o da mente em rela&ccedil;&atilde;o ao corpo, no &acirc;mbito ambiental este apagamento d&aacute;-se pelo descolamento e externaliza&ccedil;&atilde;o da humanidade em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; paisagem.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>7 <i>Comportamento ambiental</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O conceito de comportamento ambiental elaborado por Hallowell nos anos 1950 &eacute; de certa forma fundacional para a abordagem que estamos sugerindo<a href="#nota10"><sup>10</sup></a><a name="not10"></a>. Por meio desse conceito, Hallowell chama a aten&ccedil;&atilde;o para o entrela&ccedil;amento do sujeito com seu meio, produzindo um ambiente que &eacute; desde sempre relacional. Nesse sentido, o ambiente n&atilde;o &eacute; externo ao organismo, mas o continente que o envolve e que d&aacute; sentido &agrave;s a&ccedil;&otilde;es humanas e n&atilde;o humanas.</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote> O conceito de comportamento ambiental leva em conta as propriedades e necessidades de adapta&ccedil;&atilde;o do organismo na intera&ccedil;&atilde;o com o mundo externo enquanto constituinte do campo comportamental real no qual as atividades de um ser &#91;humano ou n&atilde;o humano&#93; se tornariam mais intelig&iacute;veis (HALLOWELL, 1974, p. 87). </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao demarcar a a&ccedil;&atilde;o como unidade generativa da rela&ccedil;&atilde;o entre o sujeito e seu meio, Hallowell aponta para a supera&ccedil;&atilde;o da dicotomia interno-externo e argumenta no sentido de que "considerar a pele humana como a fronteira entre individuo e o mundo &eacute; irrelevante para a psicologia" (HALLOWELL, 1974, p. 87). A partir dessa premissa, prop&otilde;e que "o organismo e seu meio sejam considerados juntos, como uma &uacute;nica criatura, fazendo com que a intera&ccedil;&atilde;o ambiental torne-se a unidade m&iacute;nima que conv&eacute;m &agrave; psicologia" (HALLOWELL, 1974, p. 88). Ao usar a express&atilde;o "meio ambiente comportamental culturalmente constitu&iacute;do", ao inv&eacute;s de falar que habitamos um ambiente social ou cultural, Hallowell contrap&otilde;e-se ao que ele chama de objetivismo cultural, onde a dimens&atilde;o experiencial dos sujeitos fica subsumida nas estruturas e institui&ccedil;&otilde;es. Sua no&ccedil;&atilde;o de cultura, ao enfatizar a dimens&atilde;o ativa do ambiente e a a&ccedil;&atilde;o dos sujeitos, no seu engajamento no mundo, antecipa de alguma forma, a no&ccedil;&atilde;o de <i>taskscape</i><a href="#nota11"><sup>11</sup></a><a name="not11"></a> elaborada por Ingold como uma modalidade relacional que constitui sujeito e ambiente<a href="#nota12"><sup>12</sup></a><a name="not12"></a>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A &ecirc;nfase na a&ccedil;&atilde;o e na experi&ecirc;ncia vivida dos indiv&iacute;duos em seu meio ambiente como aspectos centrais da cultura, destaca a aproxima&ccedil;&atilde;o entre o trabalho da natureza e o da cultura, entre o processo evolutivo e o hist&oacute;rico. Nesse mesmo sentido, Csordas (2002) chama a aten&ccedil;&atilde;o para a aproxima&ccedil;&atilde;o do conceito de Hallowell com a fenomenologia merleaupontiana, para o qual a no&ccedil;&atilde;o de tarefa (<i>task</i>) apresenta-se como central para a percep&ccedil;&atilde;o como engajamento dos seres humanos e n&atilde;o humanos com o mundo. Como afirma Merleau-Ponty, "eu estou na tarefa (<i>task</i>) mais do que confrontado com ela" (1962, p. 416). Portanto, temos na articula&ccedil;&atilde;o entre percep&ccedil;&atilde;o e pr&aacute;tica e entre <i>self</i> e comportamento ambiental elaborada por Hallowell uma contribui&ccedil;&atilde;o fundamental para a antropologia fenomenol&oacute;gica.</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> O conceito &#91;comportamento ambiental&#93; n&atilde;o apenas localiza o indiv&iacute;duo na cultura, relacionando comportamento e mundo objetivo, mas tamb&eacute;m vincula processos perceptivos com restri&ccedil;&otilde;es sociais e significados culturais. Assim, o foco da formula&ccedil;&atilde;o de Hallowell era "orienta&ccedil;&atilde;o" em rela&ccedil;&atilde;o a self, objetos, tempo e espa&ccedil;o, motiva&ccedil;&atilde;o e normas. Neste sentido &eacute; que o termo "pr&aacute;tica" &eacute; relevante para a descri&ccedil;&atilde;o da quest&atilde;o de Hallowell (CSORDAS, 2002, p. 59).  </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A cultura, na perspectiva de Hallowell, &eacute; tomada como um recurso que prov&ecirc; as orienta&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas para que um indiv&iacute;duo possa agir no seu ambiente<a href="#nota13"><sup>13</sup></a><a name="not13"></a>. Sua compreens&atilde;o, no entanto, nada tem em comum com a tradi&ccedil;&atilde;o comportamental tamb&eacute;m chamada de ambientalista no campo da psicologia. Bem diferente da psicologia comportamental ou ambientalista, que toma a no&ccedil;&atilde;o de ambiente como meio externo e confere aos est&iacute;mulos ambientais a determina&ccedil;&atilde;o dos comportamentos, para Hallowell, a unidade m&iacute;nima da compreens&atilde;o da experi&ecirc;ncia &eacute; a intera&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>8 <i>A mente ecol&oacute;gica</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O conceito de mente ecol&oacute;gica de Bateson apresenta-se como uma outra refer&ecirc;ncia fundamental para o desenvolvimento de nossa argumenta&ccedil;&atilde;o. Ao afirmar que a mente n&atilde;o est&aacute; presa &agrave; caixa craniana, mas se projeta no meio ambiente, conectando as coisas no mundo, inclusive os sujeitos humanos, Bateson n&atilde;o est&aacute; propondo uma met&aacute;fora. Ao postular uma mente que transcende o indiv&iacute;duo, da qual a mente individual &eacute; apenas um subsistema, Bateson desencadeia uma virada ecol&oacute;gica com conseq&uuml;&ecirc;ncias significativas para a &aacute;rea da antropologia e da psicologia humana.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Da vasta e criativa contribui&ccedil;&atilde;o de Bateson, para nosso argumento neste artigo interessa destacar os rebatimentos da amplia&ccedil;&atilde;o da mente para a espiritualidade associada &agrave; natureza ou &agrave; paisagem. Ainda que at&eacute; o final de sua vida tivesse mantido-se agn&oacute;stico, Bateson esteve pr&oacute;ximo das tradi&ccedil;&otilde;es religiosas, especialmente do budismo e da Nova Era<a href="#nota14"><sup>14</sup></a><a name="not14"></a>. Sua reflex&atilde;o sobre a experi&ecirc;ncia religiosa, embora apresente tra&ccedil;os existenciais que remetem &agrave; linguagem m&iacute;stica, foi elaborada dentro dos marcos conceituais da ci&ecirc;ncia. Assim, ao aproximar a sua concep&ccedil;&atilde;o de mente (ecol&oacute;gica) da no&ccedil;&atilde;o de Deus, ele afirma que: "&#91;a mente&#93; &eacute; talvez o que algumas pessoas imaginam como Deus, mas isto &eacute; ainda imanente na totalidade do sistema social interconectado no sistema planet&aacute;rio ecol&oacute;gico" (BATESON, 1972, p. 467). Ao refletir sobre a morte, a id&eacute;ia da mente ecol&oacute;gica projeta-se para al&eacute;m da exist&ecirc;ncia individual dos sujeitos humanos:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> E por &uacute;ltimo existe a morte. &Eacute; incompreens&iacute;vel que numa sociedade que separa a mente do corpo, n&oacute;s tamb&eacute;m dever&iacute;amos tentar esquecer a morte ou construir mitologias acerca da sobreviv&ecirc;ncia da transcend&ecirc;ncia da mente. Mas se a mente &eacute; imanente n&atilde;o apenas naqueles caminhos de informa&ccedil;&atilde;o que est&atilde;o localizados dentro do corpo, mas tamb&eacute;m nos circuitos externos, ent&atilde;o a morte ganha um sentido diferente. O nexo individual dos circuitos que eu chamo "eu" n&atilde;o &eacute; mais t&atilde;o precioso porque este nexo &eacute; apenas parte de uma mente maior. As id&eacute;ias que parecem ser eu, podem se tornar imanentes tamb&eacute;m em voc&ecirc;. Elas podem sobreviver, se verdadeiras. (BATESON, 1972, p. 465) </blockquote> </font>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Torna-se oportuno aqui evocar o qu&atilde;o diferente a compreens&atilde;o da morte elaborada por Bateson, desde uma perspectiva ecol&oacute;gica, difere daquela pensada por Freud nos limites do mundo do sujeito ps&iacute;quico. Assim, se para Freud a morte &eacute; o limite do sujeito, o trauma estrutural insuper&aacute;vel, ou, ainda, como disse Lacan, o real que irrompe e desorganiza a fun&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica, para Bateson, &eacute; uma forma pela qual o "eu" pode sobreviver e integrar-se na iman&ecirc;ncia do mundo. Em suma, podemos dizer que Bateson expandiu o conceito de mente na dire&ccedil;&atilde;o oposta &agrave;quela tomada pela psican&aacute;lise freudiana. Ou seja, enquanto Freud expandiu o conceito de mente para dentro, voltando-se para um sistema de comunica&ccedil;&atilde;o interno - o autom&aacute;tico, o habitual e a vasta cadeia de processos inconscientes - Bateson projetou o conceito de mente para fora, em dire&ccedil;&atilde;o ao mundo e ao ambiente. Ainda que ambos concordem com a restri&ccedil;&atilde;o da esfera consciente do individuo, Bateson, ao encarar esse limite, remete imediatamente ao que ele caracteriza como: "uma certa humildade, temperada pela dignidade ou alegria de ser parte de algo muito maior. A parte - se voc&ecirc; quiser - de Deus" (BATESON, 1972, p. 267-468). Contudo, se o autor evoca Deus como um nome poss&iacute;vel para a mente ampliada, &eacute; certo que n&atilde;o se trata de Deus na acep&ccedil;&atilde;o crist&atilde;, a qual ele critica com certa ironia:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote> Se voc&ecirc; coloca Deus do lado de fora de si e o estabelece vis-&agrave;-vis com a cria&ccedil;&atilde;o e se voc&ecirc; tem a id&eacute;ia que voc&ecirc; foi criado &agrave; sua imagem, voc&ecirc; l&oacute;gica e naturalmente vai se ver como fora e contra as coisas que o rodeiam. E como voc&ecirc; reivindica toda a mente para si voc&ecirc; vai ver o mundo ao seu redor como algo sem mente e, deste modo, n&atilde;o digno de considera&ccedil;&atilde;o moral ou &eacute;tica. O meio ambiente parecer&aacute; ser seu para explorar. Sua unidade sobrevivente ser&aacute; voc&ecirc; e seu grupo contra o meio ambiente de outras unidades sociais, outras ra&ccedil;as e os brutos e os vegetais. (BATESON, 1972, p. 468). </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa concep&ccedil;&atilde;o de mente expandida, relacionada por Bateson com a no&ccedil;&atilde;o de Deus, permite retomar a conex&atilde;o entre sagrado, sa&uacute;de e ecologia, enquanto foco de nossa argumenta&ccedil;&atilde;o. Ou seja, a mente ecol&oacute;gica, na qual os sujeitos vivem a experi&ecirc;ncia do sagrado e de bem estar em harmonia com a natureza, est&aacute; dentro e fora do corpo individual. &Eacute;, enfim, nesta fronteira perme&aacute;vel entre o "eu" e o meio ambiente que se conectam os processos culturais e religiosos com os processos biol&oacute;gicos e ambientais. Esse papel atribu&iacute;do &agrave; mente, na acep&ccedil;&atilde;o de Bateson, pode ser aproximado daquele atribu&iacute;do ao corpo-self, por Klelinman e Csordas, no paradigma da corporeidade (KLEINMAN, 1997). Ou seja, o corpo fenomenol&oacute;gico expandido na percep&ccedil;&atilde;o &eacute; tamb&eacute;m um corpo-ponte, que torna poss&iacute;vel o engajamento dos sujeitos no mundo, ao mesmo tempo em que remete &agrave; alteridade radical da subjetividade humana.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, na trilha de Bateson, que identifica na tens&atilde;o entre a dimens&atilde;o individual e ecol&oacute;gica o l&oacute;cus da constitui&ccedil;&atilde;o dos sujeitos humanos, e da antropologia fenomenol&oacute;gica, que destaca o papel do corpo como ponte no engajamento dos sujeitos no mundo, queremos chamar a aten&ccedil;&atilde;o para a paisagem, enquanto corpo do mundo, como o continente da mente e a ponte que mant&eacute;m a alteridade radical da experi&ecirc;ncia dos seres que habitam o mundo que os envolve como uma totalidade englobante. Ou seja, colapsam-se as dicotomias mente-corpo, mente-meio ambiente, dentro-fora, sujeito-objeto sem se negar a alteridade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>9 <i>Alteridade radical na experi&ecirc;ncia do sagrado</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por fim, entendemos que &eacute; justamente esta alteridade estrutural que constitui o n&uacute;cleo fenomenol&oacute;gico da linguagem e da religi&atilde;o enquanto experi&ecirc;ncia de um "outro" - pr&eacute;-objetivo na linguagem. Poderia ser relacionado ao n&uacute;meno<a href="#nota15"><sup>15</sup></a><a name="not15"></a> na religi&atilde;o- que, segundo Rappaport, estaria expressando a ruptura origin&aacute;ria que se efetua no surgimento da humanidade pela inven&ccedil;&atilde;o da linguagem (RAPPAPORT, 1979). Nesse sentido, a busca recorrente do sagrado, especialmente na sua modalidade m&iacute;stica, poderia ser compreendida como a tentativa de reconstitui&ccedil;&atilde;o da intimidade perdida pela interposi&ccedil;&atilde;o da linguagem entre os sujeitos e o mundo. Ou seja, a experi&ecirc;ncia do sagrado estaria remetendo &agrave; uni&atilde;o dos aspectos discursivos e n&atilde;o discursivos da experi&ecirc;ncia humana.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na esteira do pensamento de Rappaport, Thomas Csordas faz uma releitura dos fenomen&oacute;logos da religi&atilde;o, Rudolf Otto, Mircea Eliade e Van der Leeuw, no esfor&ccedil;o de transpor o l&oacute;cus da alteridade da transcend&ecirc;ncia posta fora do sujeito e do mundo para a alteridade estrutural experimentada na intimidade do sujeito (CSORDAS, 2004). Ou seja, o "majestoso outro" transmuta-se no "&iacute;ntimo outro" de modo que a alteridade que estava fora do sujeito passa a ser experimentada como uma experi&ecirc;ncia estrutural da diferen&ccedil;a irredut&iacute;vel entre as representa&ccedil;&otilde;es culturais e a realidade corporal em sua express&atilde;o individual e ecol&oacute;gica de um "outro", que escapa sempre das tentativas de seu aprisionamento pela teia de sentidos produzida pela cultura. Como afirma Csordas, "o erro dos fenomenologistas foi fazer uma distin&ccedil;&atilde;o entre o objeto e o sujeito da religi&atilde;o quando, na verdade, o real objeto da religi&atilde;o &eacute; a objetiva&ccedil;&atilde;o de si" (2004, p. 168). Ou seja, o objeto da religi&atilde;o n&atilde;o &eacute; o Outro, mas a aporia existencial da pr&oacute;pria alteridade. Decorre disto, segundo Csordas, que o "totalmente outro" e o "intimamente outro" s&atilde;o dois lados da mesma moeda, de forma que n&atilde;o precisamos escolher entre eles (2004, p. 169). Ou ainda, numa refer&ecirc;ncia a Freud, ele afirma que "o outro est&aacute; fora somente na medida em que est&aacute; escondido", podendo voltar sempre como o "retorno do oprimido", na revanche da alteridade contra a identidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse sentido, o apelo que as pr&aacute;ticas religioso-ecol&oacute;gicas exercem sobre os indiv&iacute;duos na contemporaneidade poderia ser pensado como a busca por um horizonte que se abre para a experi&ecirc;ncia da alteridade irredut&iacute;vel, que as religi&otilde;es institucionais aprisionaram nas suas representa&ccedil;&otilde;es teol&oacute;gicas e doutrin&aacute;rias. Assim, a experi&ecirc;ncia do sagrado corporificado na natureza, que evoca energias e for&ccedil;as que remetem para uma "outridade" que n&atilde;o se esgota nas representa&ccedil;&otilde;es culturais e ling&uuml;&iacute;sticas, encontra no <i>habitus</i> ecol&oacute;gico contempor&acirc;neo um importante ponto de ancoragem e de plausibilidade. Neste contexto de intensa sensibilidade ecol&oacute;gica associada ao sagrado, podemos identificar a alteridade estrutural, referida por Csordas, corporificada na paisagem, como a refer&ecirc;ncia englobante para a dimens&atilde;o da experi&ecirc;ncia humana que, irredut&iacute;vel &agrave; simboliza&ccedil;&atilde;o, aponta reiteradamente para o al&eacute;m (ou aqu&eacute;m) do diz&iacute;vel sobre si e o mundo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>10 <i>Uma nova ascese ecol&oacute;gico-religiosa como pedagogia da percep&ccedil;&atilde;o?</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Considerando a constitui&ccedil;&atilde;o de sujeitos cuja orienta&ccedil;&atilde;o no mundo pauta-se por valores ecol&oacute;gicos, assim como a emerg&ecirc;ncia de espiritualidades onde a experi&ecirc;ncia do sagrado est&aacute; associada ao cultivo de uma interioridade pessoal (<i>self</i> interior) e &agrave; aproxima&ccedil;&atilde;o com a natureza, observamos um campo comum de aspira&ccedil;&otilde;es e horizontes imaginativos em torno de concep&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de, bem estar e cura, tanto em n&iacute;vel individual quanto planet&aacute;rio. Motivados pela cren&ccedil;a no aperfei&ccedil;oamento de si, tanto os sujeitos ecologicamente orientados quanto os adeptos das espiritualidades do <i>self</i>, fazem uso de t&eacute;cnicas corporais e mentais que incorporam a id&eacute;ia de sa&uacute;de e bem estar, relacionadas ao exerc&iacute;cio f&iacute;sico e &agrave; imers&atilde;o na natureza, proporcionada por atividades ecol&oacute;gicas e religiosas, tais como workshops, cursos, viv&ecirc;ncias, montanhismo, trilhas, peregrina&ccedil;&otilde;es, turismo ecol&oacute;gico e religioso. Parece que est&aacute; configurando-se uma pedagogia da percep&ccedil;&atilde;o, comum tanto &agrave;s praticas religiosas quanto &agrave;s ecol&oacute;gicas, que enfatiza o ver e o sentir o mundo como parte da forma&ccedil;&atilde;o de uma sensibilidade ecol&oacute;gica e espiritual, cujos contornos remetem a uma composi&ccedil;&atilde;o singular das rela&ccedil;&otilde;es entre ecologia, religi&atilde;o e sa&uacute;de. Nesse sentido, poder&iacute;amos perguntar em que medida a articula&ccedil;&atilde;o das id&eacute;ias de harmonia consigo pr&oacute;prio e com o meio ambiente - incluindo a&iacute; a dimens&atilde;o do sagrado - seria uma nova modalidade de ascese do tipo ecol&oacute;gico-religiosa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao mesmo tempo, essas mesmas pr&aacute;ticas permitem identificar uma dimens&atilde;o pedag&oacute;gica que se expressa no aprendizado de um modo de olhar e perceber a si e o ambiente, constituindo o que poder&iacute;amos chamar de uma pedagogia da percep&ccedil;&atilde;o ou uma pedagogia das sensibilidades, empenhada na forma&ccedil;&atilde;o de sujeitos que encarnem as virtudes de um bem viver ecol&oacute;gico e de um campo educativo e experiencial voltado para modos de rela&ccedil;&atilde;o existencial com os lugares, vinculando os sujeitos humanos &agrave;s paisagens.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ABBAGNANO, N. <b>Dicion&aacute;rio de filosofia.</b> 2 ed. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes, 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S1414-753X200800020000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ABRAM, D. Merleau-Ponty and the voice of the Earth. In: Macauley, D. (Ed.). <b>Minding nature.</b> The philosophers of ecology. New York, London: The Guildford Press, 1996.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000100&pid=S1414-753X200800020000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BATESON, G. <b>Steps to an ecology of mind:</b> collected essays in anthropology, psychiatry, evolution and epistemology. New York: Ballatine Books, 1972.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S1414-753X200800020000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">______. <b>Mind and nature.</b> A necessary unity. 2 ed. Toronto, New York, London: Bantam Books, 1980. Original edition, 1979.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S1414-753X200800020000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BOURDIEU, P. <b>Outline of a theory of practrice.</b> Cambridge: Cambridge University Press, 1977.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S1414-753X200800020000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CAMPBELL, C. A orientaliza&ccedil;&atilde;o do Ocidente: reflex&otilde;es sobre uma nova teodic&eacute;ia para um novo mil&ecirc;nio. <b>Religi&atilde;o e Sociedade</b>, Rio de Janeiro, v. 18, n. 1, p. 5-22, 1997.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S1414-753X200800020000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CARVALHO, I. C. M. <b>A inven&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica:</b> narrativas e trajet&oacute;rias da educa&ccedil;&atilde;o ambiental no Brasil. 2 ed. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S1414-753X200800020000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CSORDAS, T. J. Embodiment as a Paradigm for Anthropology. Ethos, Urbana, v. 18, n. 1, p. 5-47, 1990.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S1414-753X200800020000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">______. <b>Body/meaning/healing.</b> 1<sup>st</sup> ed. Contemporary anthropology of religion. New York: Palgrave Macmillan, 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S1414-753X200800020000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">______. Asymptote of the ineffable: embodiment, alterity, and the theory of religion. <b>Current anthropology</b>, Tucson, v. 45, n. 2, p. 163-185, 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S1414-753X200800020000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ELIAS, N. <b>A sociedade dos indiv&iacute;duos.</b> Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed, 1994.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S1414-753X200800020000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">GABLE, E.; HANDLER, R. After authenticity at an American heritage site. In: LOW, S; LAWRENCE-Z&Uacute;&Ntilde;IGA, D. The anthropology of space and place. Malden/Oxford/Victoria: Blackwell, 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S1414-753X200800020000600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">GIBSON, J. J. The theory of affordances. In: SHAW, J. B.<b> Perceiving, Acting and Knowing.</b> Hillsdale: Erlbaum, 1977.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S1414-753X200800020000600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">______. <b>The Ecological Approach to Visual Perception.</b> Boston: Houghton Mifflin, 1979.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S1414-753X200800020000600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">HALLOWELL, A. I. The self in its behavioral environment. In: HALLOWELL, A. I. <b>Culture and experience.</b> Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 1955.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S1414-753X200800020000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">HALLOWELL, I. A. <b>Culture and experience.</b> First paperback edition ed. Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 1974. Original edition, 1955.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S1414-753X200800020000600016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">HIRSCH, E.; O'HALON, M. <b>The anthropology of landscape.</b> Perspectives on place and space. Oxford: Clarendon, 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S1414-753X200800020000600017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">INGOLD, T. <b>The perception of the environment.</b> Essays in livelihood, dwelling and skill. London/New York: Routledge, 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S1414-753X200800020000600018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">JOE, L. (Org.) <b>Cultura infantil - a constru&ccedil;&atilde;o corporativa da inf&acirc;ncia.</b> Rio de Janeiro: Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S1414-753X200800020000600019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">KLEINMAN, A. Everything that really matters: social suffering, subjectivity, and remaking of human experience in a disordering world. <b>Harvard Theological Review</b>, Cambridge, v. 90, n. 3, p. 315-335, 1997.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S1414-753X200800020000600020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LANE, B. C.<b> Landscapes of the sacred:</b> geography and narrative in American spirituality. Expanded ed. Baltimore, Md.: Johns Hopkins University Press, 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S1414-753X200800020000600021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LATOUR, B. <b>Jamais fomos modernos.</b> Ensaio de antropologia sim&eacute;trica. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1994.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S1414-753X200800020000600022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">L&Eacute;VI-STRAUSS, C. Structuralism and ecology. <b>Social Science Information</b>, Paris v. 12, n. 1, p. 7-23, 1974.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S1414-753X200800020000600023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LOW, S. M.; LAWRENCE-Z&Uacute;&Ntilde;IGA, D. <b>The anthropology of space and place.</b> Malden/Oxford/Victoria: Blackwell, 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S1414-753X200800020000600024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">MAUSS, M. Les tecniques du corps. In: MAUSS, M. <b>Sociologie et anthropologie.</b> Paris: Press Universitaires de France, 1950.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000146&pid=S1414-753X200800020000600025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">______. The category of human mind: the notion of person; the notion of self. In: CARRUTHERS, M. C.; LUKES, S. <b>The category of the person:</b> anthropology, philosophy, history. Cambridge: Cambridge University Press, 1985.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000148&pid=S1414-753X200800020000600026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">MERLEAU-PONTY, M. <b>Fenomenologia da percep&ccedil;&atilde;o.</b> Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1971.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000150&pid=S1414-753X200800020000600027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">______. O visivel e o invisivel. S&atilde;o Paulo: Perspectiva, 2007 (Cole&ccedil;&atilde;o Debates, n.40).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000152&pid=S1414-753X200800020000600028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">RAPPAPORT, R. A. <b>Ecology, meaning, and religion.</b> Richmond: North Atlantic Books, 1979.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000154&pid=S1414-753X200800020000600029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SOARES, L. E. Religioso por natureza: cultura alternativa e misticismo ecol&oacute;gico no Brasil. In: SOARES, L. E. <b>O rigor da disciplina.</b> Rio de Janeiro: Relume Dumar&aacute;, 1994.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000156&pid=S1414-753X200800020000600030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">STEIL, C. A. A igreja dos pobres: da seculariza&ccedil;&atilde;o &agrave; m&iacute;stica. <b>Religi&atilde;o e Sociedade</b>, Rio de Janeiro, v. 19, n. 2, p. 61-76, 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000158&pid=S1414-753X200800020000600031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">______. Apari&ccedil;&otilde;es marianas contempor&acirc;neas e carismatismo cat&oacute;lico. In: SANCHIS, P. <b>Fi&eacute;is &amp; Cidad&atilde;os.</b> Percursos de sincretismo no Brasil. Rio de Janeiro: EDUERJ, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000160&pid=S1414-753X200800020000600032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">______. Renova&ccedil;&atilde;o Carism&aacute;tica Cat&oacute;lica: porta de entrada ou de sa&iacute;da do catolicismo? Uma etnografia do Grupo S&atilde;o Jos&eacute;, Porto Alegre (RS). Religi&atilde;o &amp; Sociedade, Rio de Janeiro, v. 24, n. 1, p. 11-36, 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000162&pid=S1414-753X200800020000600033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">______. Os dem&ocirc;nios geracionais. A heran&ccedil;a dos antepassados na determina&ccedil;&atilde;o das escolhas e das trajet&oacute;rias pessoais. In: DUARTE, L. F. D. H.; BARROS, M. L.; LINS, M.; PEIXOTO, C. <b>Fam&iacute;lia e Religi&atilde;o.</b> Rio de Janeiro: Contra Capa, 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000164&pid=S1414-753X200800020000600034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Notas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="not01"></a><a href="#not1">1</a> A express&atilde;o cultivo de si encontra certa analogia com os conceitos de cuidado de si, ou de tecnologias de si, de Foucault (1985), na medida em que implica em um modo de regula&ccedil;&atilde;o do self que expressa certa &eacute;tica e est&eacute;tica da exist&ecirc;ncia. Contudo, mesmo tendo a&iacute; uma aproxima&ccedil;&atilde;o sem&acirc;ntica, a no&ccedil;&atilde;o de cultivo de si n&atilde;o incorpora a estrutura das categorias foucaltianas que s&atilde;o constitu&iacute;das como dispositivos de poder modelados por uma moral sexual que inscrevem o sujeito numa ordem disciplinar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="not02"></a><a href="#not2">2</a> Segundo Gable e Handler, o mundo p&oacute;s-aut&ecirc;ntico caracteriza-se por "uma imagem permanente da ansiedade moderna de que o mundo que habitamos n&atilde;o &eacute; mais aut&ecirc;ntico - que ele se tornou uma imita&ccedil;&atilde;o falsa (fake), pl&aacute;stica e kitsh (kitschy)" (GABLE, 2006).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="not03"></a><a href="#not3">3</a> Uma retomada da discuss&atilde;o sobre a rela&ccedil;&atilde;o natureza e cultura pode ser encontrada de uma forma inovadora e cr&iacute;tica no livro de Tim Ingold, The perception of the environment, que guiar&aacute; em grande parte a nossa reflex&atilde;o (INGOLD, 2000).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="not04"></a><a href="#not4">4</a> Acreditamos que essas contribui&ccedil;&otilde;es antecipam e preparam o caminho para os desdobramentos mais contempor&acirc;neos voltados &agrave;s proposi&ccedil;&otilde;es de epistemologias ecol&oacute;gicas em trabalhos como de Gibson (1977; 1979) onde se destaca a id&eacute;ia de sustenta&ccedil;&atilde;o (affordance) do ambiente e Rappaport (1979) que, na continuidade dos estudos de Bateson, elabora o conceito de cognized environment.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="not05"></a><a href="#not5">5</a> Segundo Abram, Merleau-Ponty nunca ultrapassou o limite que demarca a diferen&ccedil;a entre o humano e o n&atilde;o-humano. Embora a sua no&ccedil;&atilde;o de self possa sugerir isso, ele nunca explicitou esta oposi&ccedil;&atilde;o (ABRAM, 1996, p. 89).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="not06"></a><a href="#not6">6</a> Como o pr&oacute;prio Csordas esclarece, "ao come&ccedil;ar assim com o pr&eacute;-objetivo, n&atilde;o estamos postulando um pr&eacute;-cultural, mas um pr&eacute;-abstrato. O conceito oferece &agrave; an&aacute;lise cultural o processo humano em aberto de assumir e habitar o mundo cultural no qual nossa exist&ecirc;ncia transcende mas permanece enraizada nas situa&ccedil;&otilde;es de fato" (CSORDAS, 2002, p.61).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="not07"></a><a href="#not7">7</a> O conceito de habitus foi introduzido, segundo Csordas, por Mauss em seu ensaio seminal sobre as t&eacute;cnicas do corpo, para se referir &agrave; soma total de usos culturalmente padronizados do corpo numa sociedade (MAUSS, 1950). Para Mauss, foi um modo de organizar o que de outra maneira seria uma miscel&acirc;nea de comportamentos culturais padronizados, merecendo apenas um par&aacute;grafo de elabora&ccedil;&atilde;o. Ainda assim, Mauss antecipou como um paradigma da corporeidade pode mediar dualidades fundamentais (mente-corpo, signo-significa&ccedil;&atilde;o, exist&ecirc;ncia-ser) em sua declara&ccedil;&atilde;o de que o corpo &eacute; simultaneamente o objeto original sobre o qual o trabalho da cultura desenvolve-se, e a ferramenta original com a qual aquele trabalho realiza-se (MAUSS, 1950, p. 372). &Eacute;, de uma vez, um objeto da t&eacute;cnica, um meio t&eacute;cnico e a origem subjetiva da t&eacute;cnica (CSORDAS, 2002, p. 62).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="not08"></a><a href="#not8">8</a> Propomos aqui um desdobramento do paradigma da corporeidade, proposto por Csordas no horizonte da antropologia psicol&oacute;gica, para o horizonte da ecologia. E, para dar conta das implica&ccedil;&otilde;es que acarreta essa passagem, nossa hip&oacute;tese &eacute; a de que o conceito de paisagem &eacute; mais adequado do que o do corpo, na medida em que ele remete &agrave; totalidade do corpo do mundo, ou &agrave; carne, como nomeia Merleau-Ponty, em O vis&iacute;vel e o invis&iacute;vel.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="not09"></a><a href="#not9">9</a> Aqui Abram refere-se &agrave; tradi&ccedil;&atilde;o fenomenol&oacute;gica, principalmente desde Husserl, &agrave; no&ccedil;&atilde;o de "Terra como o arco original", e &agrave; Heideggger e &agrave; sua vis&atilde;o da "Terra como elemento nunca revelado em contraposi&ccedil;&atilde;o ao c&eacute;u" (ABRAM, 1996, p. 87).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="nota10"></a><a href="#not10">10</a> Csordas identifica uma aproxima&ccedil;&atilde;o entre a abordagem fenomenol&oacute;gica que embasa o paradigma da corporeidade (embodiment) e a relev&acirc;ncia da pr&aacute;tica orientada para o mundo, presente no conceito de comportamento ambiental de Hallowell.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="nota11"></a><a href="#not11">11</a> A substitui&ccedil;&atilde;o de land (terra) por task (a&ccedil;&atilde;o, trabalho) no voc&aacute;bulo (landscape-taskscape) &eacute; um recurso que permite ao autor enfatizar a a&ccedil;&atilde;o em contraposi&ccedil;&atilde;o a um olhar sobre a paisagem que a compreende como um elemento externo aos indiv&iacute;duos ou um palco onde se processaria o drama da cultura.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="nota12"></a><a href="#not12">12</a> E se task &eacute; compreendida aqui como "uma a&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica, realizada por um agente habilitado (skilled) em um meio ambiente como parte do que constitui suas ocupa&ccedil;&otilde;es cotidianas", a taskscape &eacute; definida por Ingold como "o conjunto de atividades entrela&ccedil;adas" (INGOLD, 2000, p. 195). Assim, o que somos convidados a ver na paisagem &eacute; mais a a&ccedil;&atilde;o de humanos e n&atilde;o-humanos entrela&ccedil;ando-se e conformando seus contornos e horizontes e menos a natureza passiva e intocada sobre a qual os humanos inscreveriam a a&ccedil;&atilde;o da cultura.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="nota13"></a><a href="#not13">13</a> Para Hallowell, s&atilde;o cinco as orienta&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas: auto-orienta&ccedil;&atilde;o (self orientation), orienta&ccedil;&atilde;o objetal (object orientation), orienta&ccedil;&atilde;o espa&ccedil;o-temporal (space-temporal orientation), orienta&ccedil;&atilde;o motivacional (motivational-orientational) e orienta&ccedil;&atilde;o normativa (normative-orientation). Essas orienta&ccedil;&otilde;es estruturam o campo psicol&oacute;gico no qual o sujeito &eacute; preparado para agir. Ainda que os comportamentos variem na sua rela&ccedil;&atilde;o com o ambiente, h&aacute; fun&ccedil;&otilde;es comuns que devem ser providas culturalmente para manter um n&iacute;vel m&iacute;nimo de ajuste psicodin&acirc;mico (HALLOWELL, 1974).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="nota14"></a><a href="#not14">14</a> Bateson foi um membro ativo do centro de viv&ecirc;ncias Esalen, conhecido por sua orienta&ccedil;&atilde;o new age e incorpora&ccedil;&atilde;o de religi&otilde;es orientais. Como conta sua filha, quando Bateson adoeceu recolheu-se em Esalen at&eacute; o agravamento de sua enfermidade, quando teve que decidir se passaria os seus &uacute;ltimos dias num centro budista ou num hospital. A escolha, adiada at&eacute; o &uacute;ltimo momento, foi feita pela filha que o levou a um hospital.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="nota15"></a><a href="#not15">15</a> N&uacute;meno, como define Abbagnano (1998), &eacute; um termo introduzido por Kant para designar o objeto do conhecimento intelectual (a coisa em si). Remete a uma realidade que n&atilde;o pode ser objeto da sensibilidade (intui&ccedil;&atilde;o sens&iacute;vel), mas apenas do conhecimento intelig&iacute;vel. O n&uacute;meno op&otilde;e-se ao fen&ocirc;meno que est&aacute; ao alcance da experi&ecirc;ncia sens&iacute;vel.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b><a name="add"></a><a href="#add1"><img src="/img/revistas/asoc/v11n2/seta.gif" border="0"></a> Autor para correspond&ecirc;ncia:</b>    <br> Isabel Cristina Moura Carvalho    <br>  Universidade Luterana do Brasil - ULBRA    <br>  Av. Farroupilha, 8.001, Pr&eacute;dio 14, sala 217, Bairro S&atilde;o Jos&eacute;    <br> CEP 92425-900, Canoas - RS, Brasil    <br>  E-mail: <a href="mailto:icmcarvalho@uol.com.br">icmcarvalho@uol.com.br</a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Recebido: 26/11/2007    <br>  Aceito: 17/5/2008</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[ ]]></body><back>
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<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ABBAGNANO]]></surname>
<given-names><![CDATA[N.]]></given-names>
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<source><![CDATA[Dicionário de filosofia]]></source>
<year>1998</year>
<edition>2</edition>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
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