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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A ideia de risco nos estudos sobre a problemática da água no Brasil]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article analyzes the meanings and functions of the idea of risk among works produced in the last decade in Brazil concerning the problematic of the management of water. The analysis was done taking into account a sample of scientific papers. Following this methodology, we found out the diffusiveness, polysemic and hardly formalized character of the risk notion in the majority of the analyzed texts, and the predominance of epistemological objectivist perspectives which not approach the sociopolitical and cultural dimensions in the management of hydric sources.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="top"></a><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>A    ideia de risco nos estudos sobre a problem&aacute;tica da &aacute;gua no Brasil</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Myriam Raquel    Mitjavila; Bruno Grah</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Universidade Federal    de Santa Catarina - UFSC</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a href="#back">Autor    para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O artigo examina    significados e fun&ccedil;&otilde;es da ideia de risco nos estudos realizados    na &uacute;ltima d&eacute;cada no Brasil sobre a problem&aacute;tica da gest&atilde;o    da &aacute;gua, a partir de uma amostra de artigos publicados em peri&oacute;dicos    cient&iacute;ficos. Constata-se o car&aacute;ter difuso, poliss&ecirc;mico e    escassamente formalizado da no&ccedil;&atilde;o de risco na maior parte dos    textos examinados, bem como o predom&iacute;nio de perspectivas epistemol&oacute;gicas    objetivistas que n&atilde;o abordam dimens&otilde;es s&oacute;cio-pol&iacute;ticas    e culturais da gest&atilde;o dos recursos h&iacute;dricos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-chave:</b>    Gest&atilde;o da &aacute;gua, risco, recursos h&iacute;dricos.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">This article analyzes    the meanings and functions of the idea of risk among works produced in the last    decade in Brazil concerning the problematic of the management of water. The    analysis was done taking into account a sample of scientific papers. Following    this methodology, we found out the diffusiveness, polysemic and hardly formalized    character of the risk notion in the majority of the analyzed texts, and the    predominance of epistemological objectivist perspectives which not approach    the sociopolitical and cultural dimensions in the management of hydric sources.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords:</b>    Management of water, risk, hydric resources</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A ideia de risco    tem se convertido em elemento nuclear da vida social contempor&acirc;nea, o    que pode ser observado, de maneira especial, no campo da an&aacute;lise, gest&atilde;o    e avalia&ccedil;&atilde;o de amea&ccedil;as e perigos associados a problemas    ambientais. O presente trabalho tem o prop&oacute;sito de examinar o papel que    desempenha a no&ccedil;&atilde;o de risco nos estudos cient&iacute;fico-t&eacute;cnicos    sobre a problem&aacute;tica da &aacute;gua, do ponto de vista do seu estatuto    conceitual na estrutura&ccedil;&atilde;o de modelos e estrat&eacute;gias interpretativas    sobre a gest&atilde;o dos recursos h&iacute;dricos no Brasil.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A perspectiva adotada    corresponde a um estudo que apresenta todas as limita&ccedil;&otilde;es pr&oacute;prias    da fase inicial de uma pesquisa de car&aacute;ter explorat&oacute;rio, na qual    predomina uma intencionalidade basicamente "topogr&aacute;fica" de pesquisadores    que v&ecirc;m desenvolvendo esse mesmo olhar em outros "territ&oacute;rios"    da vida social, n&atilde;o diretamente vinculados a quest&otilde;es ambientais,    nos campos da sa&uacute;de e da criminalidade. Com esse intuito, foram examinados    quinze artigos cient&iacute;ficos, publicados em peri&oacute;dicos brasileiros    na &uacute;ltima d&eacute;cada, os quais foram selecionados de acordo com crit&eacute;rios    de pertin&ecirc;ncia e relev&acirc;ncia tem&aacute;tica, a partir de consultas    em bases referenciais de dados bibliogr&aacute;ficos (Scielo, Portal de Peri&oacute;dicos    CAPES, Banco de Teses CAPES, Google Acad&ecirc;mico), mediante a utiliza&ccedil;&atilde;o    de palavras-chave (risco, amea&ccedil;a, vulnerabilidade, perigo, incerteza)    para a filtragem dos textos sobre gest&atilde;o de recursos h&iacute;dricos.    Neste sentido, deve-se advertir que, se bem foi poss&iacute;vel identificar    um grande n&uacute;mero de textos sobre t&oacute;picos vinculados &agrave; gest&atilde;o    dos recursos h&iacute;dricos, quando estes passaram a ser classificados de acordo    com a presen&ccedil;a de conte&uacute;dos expl&iacute;citos sobre a problem&aacute;tica    do risco nessa &aacute;rea, o universo de materiais acabou diminuindo sensivelmente    de tamanho. Ao mesmo tempo, faz-se necess&aacute;rio destacar que a constru&ccedil;&atilde;o    da amostra n&atilde;o respondeu a crit&eacute;rios de representatividade estat&iacute;stica    nem substantiva, no sentido de representa&ccedil;&atilde;o de vari&aacute;veis.    O prop&oacute;sito que norteou essa amostragem foi, apenas, ilustrar problem&aacute;ticas    que, do ponto de vista do presente artigo, s&atilde;o consideradas relevantes,    discutindo alguns aspectos do tratamento que recebem na literatura especializada    do &acirc;mbito nacional. A rela&ccedil;&atilde;o completa dos textos finalmente    selecionados pode ser consultada ao final do artigo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O ponto de vista    que orientou a an&aacute;lise do material parte do seguinte pressuposto: em    contextos de modernidade tardia, a defini&ccedil;&atilde;o de amea&ccedil;as    e perigos de v&aacute;rias &iacute;ndoles apoia-se, crescentemente, em argumentos    e conhecimentos cient&iacute;fico-t&eacute;cnicos, ao mesmo tempo em que responde    a determinantes de car&aacute;ter sociopol&iacute;tico e cultural (DOUGLAS,    1985; BECK, 1992; GIDDENS, 1990). Trata-se de um pressuposto que se encontra    na base da maior parte das pesquisas e estudos que desempenharam um papel relevante    na recente constitui&ccedil;&atilde;o da sociologia e da antropologia do risco    como verdadeiras subdisciplinas, e que outorgou firme sustenta&ccedil;&atilde;o    &agrave; afirma&ccedil;&atilde;o, bastante compartilhada nessa &aacute;rea de    estudos, de que os conte&uacute;dos e as formas de codifica&ccedil;&atilde;o    social dos perigos proporcionam uma janela, privilegiadamente localizada, para    observar o funcionamento e as transforma&ccedil;&otilde;es experimentadas pelas    sociedades contempor&acirc;neas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essa convic&ccedil;&atilde;o    firmou-se no bojo da teoria social, alicer&ccedil;ada nos trabalhos de alguns    pioneiros da an&aacute;lise do risco nas ci&ecirc;ncias sociais, entre os quais    se destacam os realizados pela antrop&oacute;loga Mary Douglas (DOUGLAS &amp;    WILDAVSKY, 1982; DOUGLAS, 1985), e pelos soci&oacute;logos Ulrich Beck (1992)    e Anthony Giddens (1990), entre outros que examinaram o papel da problem&aacute;tica    do risco nas formas tardo-modernas que assumem as rela&ccedil;&otilde;es dos    seres humanos com a natureza, com a sociedade e com a cultura. Nos tr&ecirc;s    casos, estamos diante de um tipo de produ&ccedil;&atilde;o intelectual caracterizado    por olhares que, divergentes em v&aacute;rios aspectos, coincidem no que diz    respeito &agrave; centralidade e ao alcance sist&ecirc;mico da quest&atilde;o    do risco nas sociedades contempor&acirc;neas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por outro lado,    no conjunto de trabalhos que examinam aspectos socioculturais do risco em rela&ccedil;&atilde;o    com problem&aacute;ticas mais espec&iacute;ficas, encontram-se aqueles que resultam    de interse&ccedil;&otilde;es entre a sociologia do risco e a sociologia ambiental.    Trata-se de estudos que acabaram demonstrando a import&acirc;ncia das rela&ccedil;&otilde;es    entre fen&ocirc;menos naturais e fen&ocirc;menos sociais na produ&ccedil;&atilde;o,    distribui&ccedil;&atilde;o e politiza&ccedil;&atilde;o dos riscos na &aacute;rea    ambiental (JASSANOFF, 1993; BARRIOS, 2008).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Do ponto de vista    do presente trabalho, n&atilde;o se trata de apresentar uma s&iacute;ntese,    nem de realizar um balan&ccedil;o das principais contribui&ccedil;&otilde;es    desses dois grupos de produ&ccedil;&atilde;o intelectual. Pretendemos, sim,    resgatar algumas de suas contribui&ccedil;&otilde;es em mat&eacute;ria de dimens&otilde;es    e categorias de an&aacute;lise a partir das quais empreender nosso trabalho    de mapeamento da produ&ccedil;&atilde;o bibliogr&aacute;fica brasileira sobre    a gest&atilde;o dos recursos h&iacute;dricos, do ponto de vista da quest&atilde;o    do risco, as quais podem ser agrupadas em torno de dois eixos: (i) o perfil    das defini&ccedil;&otilde;es e formas de classifica&ccedil;&atilde;o dos riscos    nos trabalhos sobre gest&atilde;o da &aacute;gua, de acordo com sua natureza,    fontes e determinantes; (ii) o estatuto conceitual que assume a no&ccedil;&atilde;o    de risco e suas deriva&ccedil;&otilde;es sociopol&iacute;ticas e culturais.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>O campo sem&acirc;ntico    da no&ccedil;&atilde;o de risco nos estudos sobre gest&atilde;o de recursos    h&iacute;dricos</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No segmento de    bibliografia que aqui consideramos, a palavra risco &eacute; amplamente utilizada    para denotar diversos significados, al&eacute;m de funcionar como sin&ocirc;nimo    de termos tais como "perigo", "amea&ccedil;a", "vulnerabilidade", "incerteza".    Esse universo de significados remete, invariavelmente, &agrave; ocorr&ecirc;ncia    futura de eventos adversos ou indesej&aacute;veis, caracter&iacute;stica do    significado da ideia de risco que se tornara universal com o advento da modernidade.<a name="top3"></a><a href="#back3"><sup>1</sup></a></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Outra caracter&iacute;stica    que merece ser registrada refere-se &agrave; aus&ecirc;ncia de trabalhos que    abordem a problem&aacute;tica do risco em si mesma, seja em n&iacute;vel te&oacute;rico    ou emp&iacute;rico. Dessa forma, poder-se-ia dizer que a refer&ecirc;ncia aos    riscos, neste tipo de produ&ccedil;&atilde;o escrita, adota um car&aacute;ter    bastante difuso, por vezes impl&iacute;cito e geralmente mais acess&oacute;rio    que estruturante dos argumentos e estrat&eacute;gias de an&aacute;lise utilizadas    pelos autores.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por outro lado,    o extremadamente amplo campo de problemas e referentes discursivos envolvidos    na gest&atilde;o dos recursos h&iacute;dricos, tanto em termos quantitativos    quanto qualitativos, preanunciaria a exist&ecirc;ncia de uma igualmente ampla    lista de riscos identificados e analisados no conjunto de artigos cient&iacute;ficos    aqui considerados. No entanto, essa expectativa n&atilde;o resultou plenamente    confirmada, na medida em que o escopo tem&aacute;tico dos textos e as estrat&eacute;gias    de abordagem dos problemas apresentam uma propor&ccedil;&atilde;o bastante elevada    de conflu&ecirc;ncias.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Isso n&atilde;o    significa que o conjunto de riscos registrados na literatura perten&ccedil;a    a um &uacute;nico tipo de evento adverso, e sim que, em cada grande tipo de    risco, apenas algumas categorias de riscos concitam majoritariamente a aten&ccedil;&atilde;o    dos pesquisadores. Os riscos relatados nos artigos examinados podem ser agrupados    em tr&ecirc;s grandes categorias, de acordo com a distribui&ccedil;&atilde;o    que se exp&otilde;e no <a href="#q1">quadro 1</a>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="q1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/asoc/v14n2/10q01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A maior parte dos    textos faz refer&ecirc;ncia a mais de um dos tipos de risco acima mencionados,    a partir de an&aacute;lises bastante abrangentes sobre a situa&ccedil;&atilde;o    dos recursos h&iacute;dricos no Brasil. Predominam estudos de natureza tecnol&oacute;gica,    a partir de enfoques que prov&ecirc;m das &aacute;reas das engenharias e da    administra&ccedil;&atilde;o. Os trabalhos de cunho sociol&oacute;gico, al&eacute;m    de serem minorit&aacute;rios (GUIVANT &amp; JACOBI, 2003; RUCHENSKY, 2004; JACOBI,    2007; JACOBI &amp; BARBI, 2007; MARTINS, 2007), caracterizam-se por privilegiar    a an&aacute;lise de riscos vinculados aos processos sociopol&iacute;ticos e,    em particular, &agrave; participa&ccedil;&atilde;o da sociedade civil na gest&atilde;o    dos recursos h&iacute;dricos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No que diz respeito    &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o de fontes e fatores determinantes dos riscos,    os trabalhos exibem ainda uma maior concord&acirc;ncia, podendo ser agrupados    em duas grandes estrat&eacute;gias interpretativas: uma que aponta a urbaniza&ccedil;&atilde;o    como a principal vari&aacute;vel explicativa de um conjunto de danos e de eventos    adversos, e outra que privilegia o papel dos fatores inerentes &agrave; governan&ccedil;a    nesta &aacute;rea.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ambas as estrat&eacute;gias    permeiam, em graus diversos, a quase totalidade dos trabalhos. As considera&ccedil;&otilde;es    a respeito da urbaniza&ccedil;&atilde;o como fator de risco inscrevem-se, amplamente,    em perspectivas que ressaltam seu impacto negativo nas condi&ccedil;&otilde;es    do ambiente f&iacute;sico urbano, principalmente em fun&ccedil;&atilde;o da    baixa qualidade da infraestrutura e dos equipamentos utilizados na gest&atilde;o    dos recursos h&iacute;dricos. O seguinte excerto de um dos artigos exprime esse    olhar sobre a urbaniza&ccedil;&atilde;o como fonte de riscos:</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A ocupa&ccedil;&atilde;o      urbana descontrolada em suas &aacute;reas de prote&ccedil;&atilde;o &eacute;      a maior amea&ccedil;a aos mananciais. Tal ocupa&ccedil;&atilde;o traz esgoto      dom&eacute;stico, lixo e carga urbana difusa de polui&ccedil;&atilde;o, levando      ao comprometimento da qualidade da &aacute;gua bruta e &agrave; poss&iacute;vel      inviabiliza&ccedil;&atilde;o de uso do manancial, dado o aumento do custo      do tratamento e tamb&eacute;m a amea&ccedil;a de redu&ccedil;&atilde;o da      qualidade da &aacute;gua a ser distribu&iacute;da para a popula&ccedil;&atilde;o,      devido &agrave; poss&iacute;vel presen&ccedil;a de subst&acirc;ncias t&oacute;xicas      associadas &agrave; polui&ccedil;&atilde;o urbana. (SILVA &amp; PORTO, 2003,      p. 133)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dimens&otilde;es    sociopol&iacute;ticas e culturais dos processos de urbaniza&ccedil;&atilde;o    que poderiam ser abordadas como fatores de risco - tais como as que se referem    &agrave; regula&ccedil;&atilde;o da ocupa&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas de    risco e, ainda, ao papel do estado e do sistema pol&iacute;tico na organiza&ccedil;&atilde;o    do espa&ccedil;o urbano, entre muitas outras, encontram-se praticamente ausentes    na quase totalidade dos artigos aqui considerados.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dessa forma, o    meio urbano e a urbaniza&ccedil;&atilde;o, como o processo que o constr&oacute;i,    aparecem como dados, como dimens&otilde;es naturalizadas ou desprovidas de car&aacute;ter    s&oacute;cio-pol&iacute;tico e cultural. Percebe-se, nesse sentido, a aus&ecirc;ncia    de instrumentos anal&iacute;ticos que a teoria social contempor&acirc;nea vem    acunhando em per&iacute;odos recentes, e que t&ecirc;m demonstrado sua validade    para a an&aacute;lise dos riscos de natureza ambiental. O car&aacute;ter social    da produ&ccedil;&atilde;o de riscos ambientais constitui hoje um assunto largamente    estudado nos campos da sociologia do risco e da sociologia ambiental. Nesse    sentido, a considera&ccedil;&atilde;o de os riscos ambientais serem em grande    parte, ou fundamentalmente, induzidos e introduzidos pela experi&ecirc;ncia    da modernidade e pelo desenvolvimento do sistema capitalista de produ&ccedil;&atilde;o    tem se tornado uma afirma&ccedil;&atilde;o quase axiom&aacute;tica dos estudos    sociol&oacute;gicos nesta &aacute;rea. Esse reconhecimento est&aacute; na base    da defini&ccedil;&atilde;o formulada por U. Beck (1994) da sociedade p&oacute;s-industrial    como uma sociedade do risco. Nela, este autor distingue duas fases: (i) Sociedade    do Risco Residual, caracterizada pela produ&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica    de efeitos e autoamea&ccedil;as sem suscitar debates p&uacute;blicos, legitimando    (justificando) os riscos como efeitos residuais do desenvolvimento e da modernidade;    e (ii) Sociedade do Risco propriamente dita: nela, os conflitos e amea&ccedil;as    introduzidos pela pr&oacute;pria modernidade tornam-se social e politicamente    problem&aacute;ticos, uma vez que fogem dos esquemas institucionais de controle    e prote&ccedil;&atilde;o da sociedade industrial, deflagrando novos conflitos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No segmento da    produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica sobre a problem&aacute;tica da &aacute;gua    que est&aacute; sendo aqui examinada, percebe-se, ainda, a aus&ecirc;ncia de    um olhar anal&iacute;tico a respeito desse descompasso, certamente existente,    entre a produ&ccedil;&atilde;o de riscos na &aacute;rea dos recursos h&iacute;dricos    e a capacidade dos suportes institucionais da sociedade brasileira para administr&aacute;-los    na dire&ccedil;&atilde;o de um desenvolvimento sustent&aacute;vel.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Sobre o estatuto    conceitual da no&ccedil;&atilde;o de risco</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na teoria social    contempor&acirc;nea, a pr&oacute;pria no&ccedil;&atilde;o de risco costuma ser    problematizada do ponto de vista epistemol&oacute;gico. A soci&oacute;loga australiana    Deborah Lupton (1999) classifica as defini&ccedil;&otilde;es do conceito de    risco de acordo com o grau de realismo ou de construtivismo em que se apoiam.    Distingue, assim, tr&ecirc;s tipos de defini&ccedil;&otilde;es ou de posicionamentos    quanto ao estatuto epistemol&oacute;gico do conceito: (i) objetivista, (ii)    construtivista moderada, e (iii) construtivista forte ou radical.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A perspectiva objetivista    corresponde a uma vis&atilde;o dos perigos e amea&ccedil;as como entidades que    possuem exist&ecirc;ncia real, independentemente da percep&ccedil;&atilde;o    dos observadores. Devido a isso, os riscos podem ser medidos, embora sua percep&ccedil;&atilde;o    possa experimentar distor&ccedil;&otilde;es, em virtude dos marcos socioculturais    que influenciam as interpreta&ccedil;&otilde;es. O objetivismo &eacute; uma    caracter&iacute;stica fortemente instalada nas abordagens das ci&ecirc;ncias    naturais, e nas &aacute;reas tecnol&oacute;gicas que se ap&oacute;iam em perspectivas    decididamente positivistas acerca dos riscos. Nesse contexto anal&iacute;tico,    as principais perguntas de pesquisa se organizam em torno da identifica&ccedil;&atilde;o    dos riscos verdadeiros (e a exclus&atilde;o dos falsos riscos); da formula&ccedil;&atilde;o    de mecanismos e tecnologias de administra&ccedil;&atilde;o ou controle de riscos    e, n&atilde;o menos importante, da percep&ccedil;&atilde;o (distorcida) dos    riscos (cientificamente identificados) por parte dos leigos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A perspectiva que    Lupton (1999) define como "construtivista moderada", embora tamb&eacute;m reconhe&ccedil;a    a exist&ecirc;ncia objetiva ou real dos riscos, considera que essa exist&ecirc;ncia    e sua percep&ccedil;&atilde;o encontram-se indissociavelmente ligadas a processos    socioculturais. Entre as principais perguntas que orientam as pesquisas que    se apoiam nessa perspectiva, Lupton (1999) destaca aquelas que pretendem explicar    por que alguns perigos s&atilde;o socialmente codificados como riscos, enquanto    outros n&atilde;o s&atilde;o assim percebidos, em virtude, n&atilde;o de "erros    de percep&ccedil;&atilde;o", como pressup&otilde;em os enfoques objetivistas,    mas sim de processos socioculturais que sustentam essa codifica&ccedil;&atilde;o    seletiva. Na &aacute;rea dos riscos ambientais, as obras de Mary Douglas (DOUGLAS    &amp; WILDAWSKY, 1982) e de Ulrich Beck (1992) representariam duas vers&otilde;es,    embora distantes entre si em outros aspectos, desse tipo de enfoque.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por &uacute;ltimo,    de acordo com a perspectiva que Lupton (1999) define em termos de um "construtivismo    forte", nada constitui um risco em si mesmo, na medida em que as pr&oacute;prias    defini&ccedil;&otilde;es acerca do que constitui ou n&atilde;o um risco s&atilde;o    produtos hist&oacute;rica, social e politicamente contingentes. Entre outros,    inscrevem-se neste tipo de enfoque os estudos de cunho foucaultiano que analisam    a quest&atilde;o do risco do ponto de vista da governamentalidade e dos dispositivos    biopol&iacute;ticos que participam nos processos de constru&ccedil;&atilde;o    da vida social e das trajet&oacute;rias biogr&aacute;ficas na contemporaneidade    (TAYLOR-GOOBY, 2006).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Evidentemente,    cada uma dessas perspectivas representa n&atilde;o somente um tipo de olhar    a respeito dos riscos, mas, tamb&eacute;m, uma maneira de conceber e justificar    as pr&aacute;ticas e processos sociopol&iacute;ticos mais apropriados para administr&aacute;-los.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No contexto do    material examinado, predominam enfoques que, de acordo com a classifica&ccedil;&atilde;o    de Lupton, podem ser considerados como objetivistas. Com efeito, os riscos vinculados    &agrave; gest&atilde;o de recursos h&iacute;dricos s&atilde;o geralmente definidos    como epis&oacute;dios, condi&ccedil;&otilde;es ou eventos que possuem uma exist&ecirc;ncia    real, independentemente da nossa percep&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o.    Esse tipo de defini&ccedil;&otilde;es se autovalida por meio de uma ret&oacute;rica    estruturada em torno de refer&ecirc;ncias a "externalidades naturais" que costumam    se manifestar sob a forma de "cat&aacute;strofes" ou "calamidades", como ilustra    o seguinte trecho de um dos artigos:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Uma calamidade      previs&iacute;vel &eacute; o rompimento de barragens devido &agrave;s enchentes,      apesar do pequeno risco. Atualmente, n&atilde;o existe regulamenta&ccedil;&atilde;o      para bacias de grande porte quanto a programas preventivos de seguran&ccedil;a      das barragens. Essa situa&ccedil;&atilde;o &eacute; preocupante, na medida      em que um evento dessa natureza, em um sistema de cascata de barragens, poder&aacute;      produzir um cen&aacute;rio desastroso caso n&atilde;o existam programas preventivos      de minimiza&ccedil;&atilde;o de impactos. (TUCCI et al.., 2000: 362)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na &aacute;rea    de an&aacute;lise dos recursos h&iacute;dricos, tamb&eacute;m resulta frequente    a utiliza&ccedil;&atilde;o dos termos "acidente" e "eventualidade" para se referir    aos "riscos ambientais urbanos", os quais podem englobar uma grande variedade    de eventos em diversas dimens&otilde;es (MENDON&Ccedil;A &amp; LEIT&Atilde;O,    2008).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A relev&acirc;ncia    atribu&iacute;da &agrave;s externalidades naturais corresponderia &agrave; defini&ccedil;&atilde;o    dessas amea&ccedil;as e eventos adversos mais em termos de perigo que de risco,    uma vez que se aceite como v&aacute;lida a hoje bastante conhecida distin&ccedil;&atilde;o    sociol&oacute;gica entre perigo e risco. Ambas as formas de defini-los podem    ser diferenciadas de acordo com diferentes crit&eacute;rios. A partir das contribui&ccedil;&otilde;es    de Ulrich Beck (1992, 1997), Anthony Giddens (1990) e Niklas Luhmann (1992),    destacam-se, a seguir, algumas diferen&ccedil;as entre ambos os termos, levando    em considera&ccedil;&atilde;o o significado de cada um deles do ponto de vista    de aspectos tais como abrang&ecirc;ncia, origem e fontes que participam de sua    produ&ccedil;&atilde;o, conforme sintetizamos no seguinte <a href="#q2">quadro</a>:</font></p>     <p>&nbsp;</p> <a name="q2"></a>    <p align="center"><img src="/img/revistas/asoc/v14n2/10q02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Se considerarmos    os riscos em sentido amplo, eles n&atilde;o constituem uma inven&ccedil;&atilde;o    da modernidade. Mas os riscos pr&eacute;-modernos podem ser definidos em maior    grau como riscos pessoais do que perigos globais (para toda a humanidade), como    seria o caso dos de origem nuclear. No primeiro caso, o mundo do risco possu&iacute;a    tra&ccedil;os de bravura e de aventura, n&atilde;o de amea&ccedil;a de autodestrui&ccedil;&atilde;o    da vida em sua totalidade (BECK, 1992)<a name="top4"></a><a href="#back4"><sup>2</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para Luhmann (1992),    essa distin&ccedil;&atilde;o corresponde aos termos perigo e risco, de acordo    com o n&iacute;vel de observa&ccedil;&atilde;o ao qual remete cada um deles.    Em ambos os casos, existe uma inseguran&ccedil;a quanto aos danos futuros, de    acordo com duas possibilidades: (i) se considerarmos que o eventual dano &eacute;    consequ&ecirc;ncia de uma decis&atilde;o (individual ou coletiva), estamos falando    de risco; (ii) quando o poss&iacute;vel dano &eacute; provocado exteriormente,    ou seja, &eacute; atribu&iacute;do &agrave; natureza, falamos de perigo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Do ponto de vista    das fontes de risco, interessa assinalar a atual perda de vigor do papel que    representavam, no passado, os perigos de origem natural e aqueles associados    a insufici&ecirc;ncias no controle tecnol&oacute;gico do ambiente. O resultado    seria a configura&ccedil;&atilde;o do que Giddens (1990: 112) denomina o novo    "perfil de risco" na modernidade, baseado numa renova&ccedil;&atilde;o e transforma&ccedil;&atilde;o    das fontes e dos fatores de risco. Neste caso, trata-se de perigos e inseguran&ccedil;as    induzidos e introduzidos pela modernidade em si mesma (GIDDENS, 1990; BECK,    1992). Como assinala Giddens (1990), aceitar a ideia de risco equivale a reconhecer    que praticamente n&atilde;o existem &aacute;reas da vida social que sigam uma    dire&ccedil;&atilde;o predeterminada, pois todas elas s&atilde;o suscet&iacute;veis    de serem afetadas por eventos contingentes. Viver, nesse tipo de circunst&acirc;ncia,    "significa viver com uma atitude de c&aacute;lculo no que respeita &agrave;s    favor&aacute;veis ou desfavor&aacute;veis possibilidades de a&ccedil;&atilde;o    que confrontamos continuamente em nossa exist&ecirc;ncia social contempor&acirc;nea    tanto individual quanto coletivamente." (GIDDENS, 1990: 44)</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Finalmente, deve-se    acrescentar que, em termos de abrang&ecirc;ncia, uma caracter&iacute;stica dos    riscos em contextos tardo-modernos consiste na expans&atilde;o e no incremento    de seu alcance, em fun&ccedil;&atilde;o de uma tend&ecirc;ncia &agrave; globaliza&ccedil;&atilde;o,    impulsionada tanto pela intensidade dos efeitos dos fatores de risco (amea&ccedil;a    de cat&aacute;strofe nuclear, por exemplo) quanto pela difus&atilde;o generalizada    de eventos contingentes (mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, por exemplo).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Outro elemento    que chama a aten&ccedil;&atilde;o na matriz de an&aacute;lise que predomina    nesta &aacute;rea de estudos refere-se ao escasso grau de formaliza&ccedil;&atilde;o    que adotam as defini&ccedil;&otilde;es objetivistas de risco, no sentido de    desempenhar fun&ccedil;&otilde;es mais de adjetiva&ccedil;&atilde;o do que de    conceitua&ccedil;&atilde;o (MITJAVILA, 2010). As defini&ccedil;&otilde;es de    risco que respondem &agrave; l&oacute;gica e aos imperativos da racionalidade    cient&iacute;fico-t&eacute;cnica caracterizam-se precisamente por uma formaliza&ccedil;&atilde;o    e "tecnicaliza&ccedil;&atilde;o" (AYRES, 1995) da linguagem e dos instrumentos    utilizados, tendo como um dos seus suportes fundamentais o c&aacute;lculo de    probabilidades. Sob essas condi&ccedil;&otilde;es, o risco passa a ser definido    como a probabilidade de ocorr&ecirc;ncia futura de um evento adverso. No entanto,    na produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica examinada, n&atilde;o foram encontradas    an&aacute;lises probabil&iacute;sticas de risco nem outras modalidades que sugiram    certo n&iacute;vel de formaliza&ccedil;&atilde;o na abordagem do conceito. Conforme    anteriormente apontado, a ideia de risco, neste segmento da produ&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica sobre o tema, permanece muito pr&oacute;xima das no&ccedil;&otilde;es    que predominam no pensamento do senso comum.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essa constata&ccedil;&atilde;o    resulta bastante instigante, e merece ser problematizada. A esse respeito, Beck    (1992) afirma que, pelo fato de o risco ser uma constru&ccedil;&atilde;o que    surge do campo da probabilidade, est&aacute; investido de certo n&iacute;vel    de invisibilidade. Possui assim um car&aacute;ter contrafatual (GIDDENS, 1990),    orientado para o futuro e baseado em interpreta&ccedil;&otilde;es causais. Isso    significa que, inicialmente, os riscos adquirem exist&ecirc;ncia s&oacute; no    conhecimento (a princ&iacute;pio, cient&iacute;fico), momento a partir do qual    eles podem ser transformados, magnificados, dramatizados ou minimizados (BECK,    1992).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A relativa invisibilidade    dos riscos e sua depend&ecirc;ncia do saber cient&iacute;fico-tecnol&oacute;gico    indicam que a exist&ecirc;ncia e distribui&ccedil;&atilde;o social dos riscos    est&atilde;o mediatizadas por princ&iacute;pios inteiramente argumentativos    que n&atilde;o fazem parte da experi&ecirc;ncia cotidiana do saber leigo (BECK,    1992). Da mesma maneira que outros produtos do conhecimento, os enunciados cient&iacute;ficos    sobre risco costumam ocultar, atr&aacute;s de uma cortina de termos t&eacute;cnicos,    um conjunto de cren&ccedil;as sociais, valores ou ideais pol&iacute;ticos que,    devido a sua inacess&iacute;vel sintaxe, resistem a qualquer forma de contraposi&ccedil;&atilde;o.    Gera-se, assim, a possibilidade de que os discursos sobre o risco se percam,    como adverte Norbert El&iacute;as, referindo-se a todas as formas de abstra&ccedil;&atilde;o    modernas, num labirinto de s&iacute;mbolos, "pois os s&iacute;mbolos de um elevado    n&iacute;vel de s&iacute;ntese n&atilde;o s&atilde;o em nossas sociedades frequentemente    mais do que palavras vazias de conte&uacute;do, palavras que perderam seu referente."    (ELIAS, 1994: 37)</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essas caracter&iacute;sticas    estariam na base dos fatores respons&aacute;veis pela transforma&ccedil;&atilde;o    do conceito de risco num instrumento extremamente vers&aacute;til para a gest&atilde;o    do social em geral, por meio de uma classe de linguagem que garante a opacidade    das dimens&otilde;es axiol&oacute;gicas dos discursos e das pr&aacute;ticas    que organizam as respostas aos problemas sociais. S&atilde;o atributos que fazem    do risco um tipo de constru&ccedil;&atilde;o m&oacute;vel, suscet&iacute;vel    de circular de forma abrangente no espa&ccedil;o social: o que fundamenta a    possibilidade de um conjunto infinito de decis&otilde;es e interven&ccedil;&otilde;es    sobre a vida, tanto em n&iacute;vel individual como coletivo, n&atilde;o ser    simplesmente o que acontece e sim a probabilidade de que alguma coisa possa    acontecer, seja ela ou n&atilde;o definida com base no c&aacute;lculo de probabilidades.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em certa medida,    isso se deve &agrave; ideia de risco ter se transformado num instrumento aberto    &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de m&uacute;ltiplos significados sociais.    Na verdade, acabam sendo as pr&oacute;prias caracter&iacute;sticas discursivas    do risco as que geralmente introduzem um toque de opacidade para a an&aacute;lise    sociol&oacute;gica. Sendo o risco uma constru&ccedil;&atilde;o primordialmente    s&oacute;cio-hist&oacute;rica, &eacute; geralmente concebido em termos n&atilde;o    hist&oacute;ricos. Assim, a ideia de risco tende a exibir a representa&ccedil;&atilde;o    de um espa&ccedil;o social reduzido, na medida em que transporta uma fala despolitizada,    isto &eacute;, no sentido da constru&ccedil;&atilde;o de imagens naturalizadas    das m&uacute;ltiplas manifesta&ccedil;&otilde;es da realidade social.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os usos sociopol&iacute;ticos    da ideia de risco revelam como, tamb&eacute;m no campo da gest&atilde;o dos    recursos h&iacute;dricos, n&atilde;o h&aacute; <i>experts</i> em riscos. Nesse    terreno, o monop&oacute;lio do conhecimento cient&iacute;fico evidencia fissuras,    em virtude da dupla depend&ecirc;ncia e das interse&ccedil;&otilde;es entre    saberes peritos e saberes leigos: a abordagem cient&iacute;fica dos riscos responde,    inevitavelmente, a expectativas e valores sociais, ao mesmo tempo em que o debate    e a percep&ccedil;&atilde;o social dos riscos dependem de argumentos cient&iacute;ficos    (tamb&eacute;m para critic&aacute;-los).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Como assinala Beck    (1992), a &aacute;rea de riscos ambientais exibe mais do que nenhuma outra as    condi&ccedil;&otilde;es prop&iacute;cias para que se desenvolvam conflitos caracterizados    por "lutas definicionais", ou seja, por confrontos entre diferentes racionalidades    que disputam defini&ccedil;&otilde;es opostas a respeito do que pode ou n&atilde;o    ser considerado um risco.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Embora a literatura    examinada n&atilde;o aborde, de maneira espec&iacute;fica, quest&otilde;es inerentes    &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es entre peritos e leigos nos conflitos sociais    vinculados &agrave; gest&atilde;o dos recursos h&iacute;dricos, faz-se necess&aacute;rio    salientar a relev&acirc;ncia deste t&oacute;pico, cujo tratamento encontra interessantes    antecedentes de pesquisa em &acirc;mbito nacional (GUIVANT, 1998; MARTINS, 2007).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O desenvolvimento    de linhas de pesquisa sobre esse tema pode trazer contribui&ccedil;&otilde;es    significativas para a necess&aacute;ria politiza&ccedil;&atilde;o dos discursos    e das pr&aacute;ticas de governan&ccedil;a em torno da problem&aacute;tica da    &aacute;gua (CASTRO, 2007), assunto que, julgamos, ainda parece permanecer protegido    pela blindagem que proporcionam os moldes de uma linguagem subordinada &agrave;    racionalidade tecnocr&aacute;tica.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Considera&ccedil;&otilde;es    finais</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O percurso anal&iacute;tico    do presente trabalho respondeu ao interesse em identificar as modalidades e    o alcance da inser&ccedil;&atilde;o da problem&aacute;tica do risco como uma    das perspectivas relevantes para o exame das dimens&otilde;es sociopol&iacute;ticas    e culturais dos processos de gest&atilde;o dos recursos h&iacute;dricos. Reconhecemos    o car&aacute;ter preliminar dessa indaga&ccedil;&atilde;o, principalmente levando    em considera&ccedil;&atilde;o que se baseou na an&aacute;lise de um segmento    reduzido - embora substantivamente eloquente - da produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica    no campo tem&aacute;tico dos estudos sobre a &aacute;gua.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O perfil desses    trabalhos mostrou o car&aacute;ter ainda t&ecirc;nue, bastante difuso e amb&iacute;guo    da utiliza&ccedil;&atilde;o da no&ccedil;&atilde;o de risco O mapeamento dos    conte&uacute;dos que, nessa produ&ccedil;&atilde;o textual, aparecem associados    &agrave; ideia de risco revela alguns tra&ccedil;os que predominam na organiza&ccedil;&atilde;o    do campo sem&acirc;ntico e do estatuto conceitual da no&ccedil;&atilde;o de    risco.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O prop&oacute;sito    fundamental do presente trabalho n&atilde;o foi avaliar o tipo de tratamento    que a quest&atilde;o do risco recebe nesse material, mas sim identificar quest&otilde;es    que merecem ser problematizadas do ponto de vista da contribui&ccedil;&atilde;o    das ci&ecirc;ncias sociais aos estudos sobre a problem&aacute;tica da &aacute;gua    em &acirc;mbito nacional. Em virtude das limita&ccedil;&otilde;es que apresenta    a base emp&iacute;rica desta indaga&ccedil;&atilde;o inicial, as considera&ccedil;&otilde;es    que se apresentam a seguir carecem de qualquer pretens&atilde;o em termos de    generaliza&ccedil;&atilde;o dos resultados. Ao contr&aacute;rio, respondem,    como anteriormente mencionado, a uma intencionalidade anal&iacute;tica que se    objetiva sob a forma de hip&oacute;teses de trabalho a serem retomadas em futuras    pesquisas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesse sentido,    e para concluir, podem ser destacados alguns t&oacute;picos e quest&otilde;es    que, em nossa opini&atilde;o, deveriam ser aprofundados e orientar a an&aacute;lise    do tema em futuros trabalhos de investiga&ccedil;&atilde;o. Esses t&oacute;picos    podem ser sinteticamente formulados nos seguintes termos:</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">- A abordagem das    dimens&otilde;es sociopol&iacute;ticas e culturais da gest&atilde;o de riscos    vinculados &agrave; problem&aacute;tica da &aacute;gua envolve um conjunto bastante    heterog&ecirc;neo de fen&ocirc;menos, e isso representa um verdadeiro desafio    para a formula&ccedil;&atilde;o de problemas de investiga&ccedil;&atilde;o que    se afastam das clivagens tem&aacute;ticas e te&oacute;ricas mais estabelecidas    no campo da pesquisa social, com tudo o que isso implica em termos de riscos    (neste caso para os resultados da investiga&ccedil;&atilde;o), mas, tamb&eacute;m,    em mat&eacute;ria de desafios intelectuais.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">- Trata-se de um    tipo de perspectiva que poderia fazer contribui&ccedil;&otilde;es te&oacute;rico-emp&iacute;ricas    relevantes para a indaga&ccedil;&atilde;o de dimens&otilde;es aparentemente    pouco exploradas no contexto brasileiro<a name="top5"></a><a href="#back5"><sup>3</sup></a>,    entre as quais destacar&iacute;amos as que se referem &agrave; participa&ccedil;&atilde;o    conflituosa de diferentes racionalidades, saberes, interesses e estrat&eacute;gias    nas &aacute;reas de governan&ccedil;a e a&ccedil;&atilde;o coletiva em torno    &agrave; problem&aacute;tica do risco nos processos de gest&atilde;o da &aacute;gua.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">- Por &uacute;ltimo,    para poder imprimir-lhe esse tipo de orienta&ccedil;&atilde;o &agrave;s atividades    de pesquisa sobre risco nesta &aacute;rea, ser&aacute; preciso, no nosso entendimento,    encontrar pontos de articula&ccedil;&atilde;o entre as especificidades que os    assuntos vinculados &agrave; quest&atilde;o da &aacute;gua colocam e uma agenda    de investiga&ccedil;&atilde;o que, a partir da &oacute;tica espec&iacute;fica    das ci&ecirc;ncias sociais, possa analisar essas peculiaridades com suas pr&oacute;prias    lentes.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias    bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">AYRES, J. C. R.    M. <b>Epidemiologia e emancipa&ccedil;&atilde;o</b>. S&atilde;o Paulo, Hucitec,    1995.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000084&pid=S1414-753X201100020001000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">BARRIOS, L. Conflictividad    y desarrollos de contingencia en la sociedad del riesgo: el conflicto de la    celulosa. <b>Prismas Dir., Pol.,e Mundial</b>, v. 5, n. 1, p. 6581. 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000086&pid=S1414-753X201100020001000002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">BECK, U. <b>Risk    society</b>. Towards a new modernity. Londres, Sage Publications, 1992.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000088&pid=S1414-753X201100020001000003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->-</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">______. La reinvenci&oacute;n    de la pol&iacute;tica: hacia una teor&iacute;a de La modernizaci&oacute;n reflexiva.    In: BECK, U.; GIDDENS, A.; LASH, S.&nbsp;<b>Modernizaci&oacute;n reflexiva:    pol&iacute;tica, tradici&oacute;n y est&eacute;tica en el orden social moderno.</b>    Madrid, Alianza, 1997.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000090&pid=S1414-753X201100020001000004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">CASTRO, J. E. Water    governance in the twentieth-first century. <b>Ambiente &amp; Sociedade,</b>    v.10, n. 2, p. 97-118. 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000092&pid=S1414-753X201100020001000005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">DOUGLAS, Mary.    <b>Risk acceptability according to the social sciences</b>. Russel Sage Foundation:    New York, 1985.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000094&pid=S1414-753X201100020001000006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">DOUGLAS, M. &amp;    WILDASKY, A. <b>Risk and culture. An essay on the selection of technical and    environmental dangers</b>. Berkeley, CA, University of California Press, 1982.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000096&pid=S1414-753X201100020001000007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">ELIAS, N. <b>Conocimiento    y poder</b>. Madri, La Piqueta, 1994.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S1414-753X201100020001000008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">GIDDENS, A. <b>The    Consequences of Modernity</b>. Cambridge, Polity Press, l990.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000100&pid=S1414-753X201100020001000009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">GUIVANT, J. A trajet&oacute;ria    das an&aacute;lises de risco: da periferia ao centro da teoria social. <b>Revista    Brasileira de Informa&ccedil;&otilde;es Bibliogr&aacute;ficas - ANPOCS</b>,    n. 46, 1998. p. 3-38.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S1414-753X201100020001000010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">GUIVANT, J.; JACOBI,    P. Da hidro-t&eacute;cnica &agrave; hidro-pol&iacute;tica: novos rumos para    a regula&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o dos riscos ambientais no Brasil. <b>Cadernos    de Pesquisa Interdisciplinas em Ci&ecirc;ncias Humanas</b>, n. 43, jul., 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S1414-753X201100020001000011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">JACOBI, P. <b>Governan&ccedil;a    dos recursos h&iacute;dricos e participa&ccedil;&atilde;o da sociedade civil.</b>    <i>In:</i> II SEMIN&Aacute;RIO NACIONAL MOVIMENTOS SOCIAIS, PARTICIPA&Ccedil;&Atilde;O    E DEMOCRACIA. <b>Anais</b>. Florian&oacute;polis, N&uacute;cleo de Pesquisa    em Movimentos Sociais - NPMS, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S1414-753X201100020001000012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">JACOBI, P. R.;    BARBI, F. Democracia e participa&ccedil;&atilde;o na gest&atilde;o dos recursos    h&iacute;dricos no Brasil. <b>Rev. kat&aacute;lysis</b>, Florian&oacute;polis,    v. 10, n. 2, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S1414-753X201100020001000013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">JASANOFF, S. Bridging    the two culture of risk analysis.<b> Risk Analysis,</b> v. 13 n. 2, p. 123-129,    1993.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S1414-753X201100020001000014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">LUHMANN, N. <b>Sociologia    del riesgo</b>. Guadalajara, Universidad Iberoamericana / Universidad de Guadalajara,    1992.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S1414-753X201100020001000015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">LUPTON, D. <b>Risk</b>.    Londres, Routledge, 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S1414-753X201100020001000016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">MARTINS, R. Ruralidade    e governan&ccedil;a ambiental no estado de S&atilde;o Paulo. <b>Estudos: Sociedade    e Agricultura,</b> Rio de Janeiro, v.15, n. 2, p. 233-267, out. 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S1414-753X201100020001000017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">MENDON&Ccedil;A,    F; LEIT&Atilde;O, S. <b>Riscos e Vulnerabilidade socioambiental humana: uma    perspectiva a partir dos recursos h&iacute;dricos. GeoTextos, v. 4, n. 1 e 2.    2008</b></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S1414-753X201100020001000018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">MITJAVILA, M. Medicaliza&ccedil;&atilde;o    do crime: olhares e estrat&eacute;gias da psiquiatria forense na avalia&ccedil;&atilde;o    da periculosidade criminal. In: Caponi, S; Verdi, M; Brzozowski, F; Hellmann,    F. <b>Medicaliza&ccedil;&atilde;o da vida, &eacute;tica, sa&uacute;de p&uacute;blica    e ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica,</b> Palho&ccedil;a, Ed. da UNISUL, p.    165-182. 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000119&pid=S1414-753X201100020001000019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">RUSCHEINSKY, A.    <b>Novos fatores sociais na luta pelo direito &agrave; &aacute;gua.</b> <i>In</i>:    <b>Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o e    Pesquisa em Ambiente e Sociedade,</b> Encontro da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional    de P&oacute;s Gradua&ccedil;&atilde;o e Pesquisa em Ambiente e Sociedade. S&atilde;o    Paulo, ANPPAS, 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000121&pid=S1414-753X201100020001000020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">SILVA, R.T.; PORTO,    M. Gest&atilde;o urbana e gest&atilde;o das &aacute;guas: caminhos da integra&ccedil;&atilde;o.    <b>Estud. av.</b>,&nbsp;S&atilde;o Paulo,&nbsp;v. 17, n. 47,&nbsp;Abr. 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000123&pid=S1414-753X201100020001000021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">TAYLOR-GOOBY, P.    Social and Public Policy: Reflexive Individualization and Regulatory Governance.    In: TAYLOR-GOOBY, P &amp; ZINN, J. <b>Risk in Social Science</b>, New York,    Oxford, 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S1414-753X201100020001000022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">TUCCI, Carlos et    al. Cen&aacute;rios da gest&atilde;o da &aacute;gua no Brasil: uma contribui&ccedil;&atilde;o    para a "vis&atilde;o mundial da &aacute;gua". <b>RBRH - Revista Brasileira de    Recursos H&iacute;dricos.</b> Porto Alegre/RS, v. 5, n. 3, p. 31-43, jul/set.    2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000127&pid=S1414-753X201100020001000023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Notas</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back3"></a><a href="#top3"><sup>1</sup></a>    Entre outros autores, Mary Douglas (1985) observou que, em suas origens mais    remotas, a id&eacute;ia de risco possu&iacute;a um significado neutro, servindo    para denotar as chances de ocorr&ecirc;ncia de eventos futuros tanto positivos    (como no caso dos jogos de azar) quanto negativos. Com o advento da modernidade,    a no&ccedil;&atilde;o de risco foi perdendo esse car&aacute;ter, passando a    ser quase exclusivamente utilizada para indicar eventos indesej&aacute;veis.    <br>   <a name="back4"></a><a href="#top4"><sup>2</sup></a> Concordamos com Ulrich    Beck (1992) e com Anthony Giddens (1990) a respeito do car&aacute;ter sist&ecirc;mico    e socialmente constru&iacute;do das amea&ccedil;as codificadas como riscos em    contextos de modernidade, e de sua tend&ecirc;ncia &agrave; globaliza&ccedil;&atilde;o.    Tanto para Beck quanto para Giddens, sempre existiram perigos e amea&ccedil;as,    mas os riscos modernos diferenciam-se dos perigos pr&eacute;-modernos pelo fato    de serem produzidos e introduzidos pela pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia da    modernidade, a partir do desenvolvimento do modo capitalista de produ&ccedil;&atilde;o,    e por possu&iacute;rem certa tend&ecirc;ncia &agrave; invisibilidade social,    decorrente de sua depend&ecirc;ncia do saber cient&iacute;fico-t&eacute;cnico.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a name="back5"></a><a href="#top5"><sup>3</sup></a> Embora n&atilde;o h&aacute;    d&uacute;vidas quanto &agrave; exist&ecirc;ncia de toda uma produ&ccedil;&atilde;o    intelectual voltada para an&aacute;lise de dimens&otilde;es sociopol&iacute;ticas    e culturais da gest&atilde;o dos recursos h&iacute;dricos - presente, entre    outros, nos trabalhos de Ferreira (2005), Jacobi (2007), Jacobi e Barbi (2007)    e Martins (2007), a quest&atilde;o das lutas pol&iacute;ticas e dos conflitos    sociais, especificamente em torno de defini&ccedil;&otilde;es sobre riscos e    perigos na gest&atilde;o da &aacute;gua, n&atilde;o parece ter concitado especial    interesse entre os pesquisadores da &aacute;rea, de acordo com o evidenciado    no perfil predominante da bibliografia examinada.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back"></a><a href="#top"><img src="/img/revistas/asoc/v14n2/seta.jpg" border="0"></a>    <b> Autor para correspond&ecirc;ncia:    <br>   </b> Myriam Raquel Mitjavila    <br>   Departamento de Servi&ccedil;o Social - CSE    <br>   Universidade Federal de Santa Catarina    <br>   Campus Universit&aacute;rio Reitor Jo&atilde;o David Ferreira Lima    <br>   Trindade - Florian&oacute;polis    <br>   Santa Catarina - Brasil CEP: 88040-970.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   E-mail: <a href="mailto:myriam@cse.ufsc.br">myriam@cse.ufsc.br</a></font></p>      ]]></body><back>
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