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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><FONT size="2" face="Verdana"> <B>APRESENTA&Ccedil;&Atilde;O</B></FONT></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b> Autismo e transtornos invasivos do desenvolvimento    </b></font></p>     <p>&nbsp; </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT size="2" face="Verdana">O autismo e os transtornos invasivos do desenvolvimento    (TIDs), &agrave;s vezes denominados transtornos do espectro do autismo, referem-se    a uma fam&iacute;lia de dist&uacute;rbios da socializa&ccedil;&atilde;o com    in&iacute;cio precoce e curso cr&ocirc;nico, que possuem um impacto vari&aacute;vel    em &aacute;reas m&uacute;ltiplas e nucleares do desenvolvimento, desde o estabelecimento    da subjetividade e das rela&ccedil;&otilde;es pessoais, passando pela linguagem    e comunica&ccedil;&atilde;o, at&eacute; o aprendizado e as capacidades adaptativas.<SUP>1</SUP>    A manifesta&ccedil;&atilde;o paradigm&aacute;tica dos TIDs – o autismo – &eacute;    um transtorno de desenvolvimento com um modelo complexo, no sentido de que qualquer    tentativa de compreend&ecirc;-lo requer uma an&aacute;lise em muitos n&iacute;veis    diferentes, como do comportamento &agrave; cogni&ccedil;&atilde;o, da neurobiologia    &agrave; gen&eacute;tica, e as estreitas intera&ccedil;&otilde;es ao longo do    tempo. Sessenta anos ap&oacute;s as descri&ccedil;&otilde;es iniciais do autismo,    sabemos que os TIDs s&atilde;o as condi&ccedil;&otilde;es mais prevalentes e    marcadamente gen&eacute;ticas entre todos os transtornos de desenvolvimento.    O aumento exponencial na identifica&ccedil;&atilde;o dos indiv&iacute;duos com    autismo na d&eacute;cada passada renovou a urg&ecirc;ncia com que os pesquisadores    em todo o mundo est&atilde;o se esfor&ccedil;ando para elucidar suas causas    e desenvolver tratamentos mais eficazes. Este suplemento fornece um resumo desse    esfor&ccedil;o, conduzindo-nos pelas descri&ccedil;&otilde;es das caracter&iacute;sticas    cl&iacute;nicas e das classifica&ccedil;&otilde;es diagn&oacute;sticas dos TIDs,    passando pelo que conhecemos sobre os mecanismos neurobiol&oacute;gicos, neurofuncionais    e gen&eacute;ticos, at&eacute; os tratamentos biom&eacute;dicos, comportamentais    e educacionais mais avan&ccedil;ados. </FONT></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Com a globaliza&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia    e o f&aacute;cil acesso aos par&acirc;metros das melhores pr&aacute;ticas, os    indiv&iacute;duos com autismo devem receber o melhor que as ci&ecirc;ncias m&eacute;dicas    t&ecirc;m para oferecer onde quer que eles estejam, com tratamentos validados    empiricamente, em substitui&ccedil;&atilde;o &agrave;s cren&ccedil;as que n&atilde;o    t&ecirc;m comprova&ccedil;&atilde;o de apresentarem algum benef&iacute;cio &agrave;s    pessoas com autismo e &agrave;s suas fam&iacute;lias. Este suplemento re&uacute;ne    cientistas cl&iacute;nicos do Brasil, dos Estados Unidos, da Holanda e da Fran&ccedil;a.    Por meio de suas m&uacute;ltiplas pesquisas em colabora&ccedil;&atilde;o, esses    pesquisadores cl&iacute;nicos combinam os estudos sistem&aacute;ticos com seu    comprometimento com melhores pr&aacute;ticas cl&iacute;nicas. Essa sinergia    &eacute; cr&iacute;tica se queremos evitar vias sem sa&iacute;da, pr&aacute;ticas    prejudiciais e discrep&acirc;ncias ou isolamento geogr&aacute;ficos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O suplemento come&ccedil;a com uma vis&atilde;o    geral sobre o autismo e a s&iacute;ndrome de Asperger,<SUP>1</SUP> o mais conhecido    dos TIDs. Sabemos, hoje, que essas condi&ccedil;&otilde;es s&atilde;o "primas"    pr&oacute;ximas nas perspectivas comportamentais, neurobiol&oacute;gicas e gen&eacute;ticas.    E elas apontam para um vasto grupo heterog&ecirc;neo de condi&ccedil;&otilde;es,    com os indiv&iacute;duos afetados variando quanto &agrave; intelig&ecirc;ncia:    desde comprometimento profundo &agrave; faixa super-dotada; alguns n&atilde;o    falam, ao passo que outros s&atilde;o loquazes, assoberbando os demais com mon&oacute;logos    intermin&aacute;veis; alguns t&ecirc;m suas vidas dominadas por maneirismos    e rituais motores imut&aacute;veis, ao passo que outros dedicam toda sua energia    intelectual &agrave; busca exclusiva de fatos e de informa&ccedil;&otilde;es    sobre t&oacute;picos incomuns e altamente circunscritos. </font></p>     <p><FONT size="2" face="Verdana">Esse <I>continuum</I> de acometimento n&atilde;o    somente deu origem ao termo transtornos do espectro do autismo, mas tamb&eacute;m    fez com que os pesquisadores cl&iacute;nicos se conscientizassem de que as    nosologias categoriais t&ecirc;m limita&ccedil;&otilde;es e que temos que buscar    abordagens dimensionais em nossos estudos sobre o autismo. Em outros termos,    quais s&atilde;o as dimens&otilde;es que geram esse espectro de condi&ccedil;&otilde;es?    E quais s&atilde;o os fatores que medeiam a express&atilde;o da s&iacute;ndrome    e dos desfechos finais? As respostas a essas perguntas ainda s&atilde;o equ&iacute;vocas,    mas sabemos que os mais prevalentes dos TIDs n&atilde;o s&atilde;o necessariamente    os mais conhecidos – o autismo e a s&iacute;ndrome de Asperger –, mas aqueles    com as formas residuais ou variantes pobremente definidas do autismo, hoje em    dia ainda abrangidas pelo termo transtorno invasivo do desenvolvimento – sem    outra especifica&ccedil;&atilde;o (TID-SOE). O segundo artigo<SUP>2</SUP> neste    suplemento cobre esse tema, sua import&acirc;ncia e as oportunidades em termos    de pesquisa que as manifesta&ccedil;&otilde;es vari&aacute;veis de comprometimento    social e de comunica&ccedil;&atilde;o com in&iacute;cio precoce abrem para uma    melhor ci&ecirc;ncia da psicopatologia do desenvolvimento. &Eacute; importante    que saibamos que os indiv&iacute;duos com transtornos do espectro do autismo,    que preenchem ou n&atilde;o os crit&eacute;rios das s&iacute;ndromes mais bem    definidas, requerem todos eles servi&ccedil;os de apoio individualizados, intensivos    e abrangentes. Al&eacute;m disso, esse segundo artigo tamb&eacute;m apresenta    o conhecimento atual sobre as duas categorias restantes dos TIDs: a s&iacute;ndrome    de Rett e o transtorno desintegrativo da inf&acirc;ncia. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os dois artigos seguintes<SUP>3-4</SUP> cobrem    as mais animadoras &aacute;reas de pesquisa atual sobre o autismo. Apesar de    que os mecanismos espec&iacute;ficos que impactam o crescimento e a organiza&ccedil;&atilde;o    cerebral e suas interrup&ccedil;&otilde;es ainda sejam desconhecidos, as duas    &uacute;ltimas d&eacute;cadas testemunharam uma transforma&ccedil;&atilde;o    radical na &aacute;rea, tendo emergido a partir de centenas de estudos uma estrat&eacute;gia    de pesquisa multifacetada e com grande sinergia. Em primeiro lugar, sabemos    que a morfometria cerebral est&aacute; alterada, mas que isso ocorre t&atilde;o    precocemente na vida que levanta hip&oacute;teses sobre interrup&ccedil;&otilde;es    no crescimento e na conectividade, com eventos de desenvolvimento em cascata    que levam a sistemas cerebrais at&iacute;picos, que s&atilde;o os mais incomuns,    se considerados como circuitos e n&atilde;o como estruturas isoladas.<SUP>3</SUP>    Em segundo lugar, a pesquisa isolou o substrato neural da socializa&ccedil;&atilde;o,    desde a percep&ccedil;&atilde;o das faces e vozes, do olhar e do movimento social,    chegando &agrave; capacidade de atribuir inten&ccedil;&otilde;es aos demais    e de ler pensamentos.<SUP>3</SUP> Todos eles s&atilde;o "endofen&oacute;tipos"    candidatos, ou fen&oacute;tipos mediadores que est&atilde;o potencialmente no    cora&ccedil;&atilde;o dos mecanismos de herdabilidade envolvidos no autismo.    Infelizmente, os modelos de transmiss&atilde;o s&atilde;o ainda desconhecidos.    E, mesmo assim, a pesquisa gen&eacute;tica avan&ccedil;ou a um ritmo alucinante:    a pesquisa sobre as fam&iacute;lias afetadas definiu o "fen&oacute;tipo    de autismo no sentido amplo", abrangendo o autismo al&eacute;m dos indiv&iacute;duos    com um diagn&oacute;stico de TID; as abordagens gen&eacute;ticas moleculares    isolaram as regi&otilde;es de suscetibilidade, mesmo que a reprodutibilidade    dos achados ainda seja limitada; e as abordagens citogen&eacute;ticas isolaram    genes espec&iacute;ficos envolvidos em algumas formas de TIDs.<SUP>4</SUP> Atualmente,    estamos longe de sermos capazes de aconselhar de forma apropriada as fam&iacute;lias    ou de realizar o rastreamento gen&eacute;tico mais al&eacute;m do nosso conhecimento    sobre os &iacute;ndices de recorr&ecirc;ncia. Mais ainda, apesar das complexidades    esperadas em termos de intera&ccedil;&otilde;es gene a gene e gene-ambiente,    n&atilde;o podemos sen&atilde;o esperar que sejam revelados grandes achados    na pr&oacute;xima d&eacute;cada. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Mas &eacute; improv&aacute;vel que, mesmo com    a elucida&ccedil;&atilde;o dos fatores causativos do autismo, surjam da&iacute;    tratamentos curativos. Por isso a import&acirc;ncia dos &uacute;ltimos dois    artigos nesta edi&ccedil;&atilde;o, que resumem os tratamentos psicofarmacol&oacute;gicos<SUP>5</SUP>    e psicoeducacionais<SUP>6</SUP> para os indiv&iacute;duos com autismo. Ainda    estamos muito longe de possuirmos os agentes farmacol&oacute;gicos que possam    alterar eficazmente os sintomas nucleares do autismo, tais como os d&eacute;ficits    de intera&ccedil;&atilde;o social e de comunica&ccedil;&atilde;o. Mas essas    abordagens podem ser extremamente &uacute;teis para mitigar as caracter&iacute;sticas    com&oacute;rbidas e permitir que os indiv&iacute;duos afetados se beneficiem    mais da ess&ecirc;ncia dos tratamentos reconhecidos atuais baseados em evid&ecirc;ncias,    a saber, as interven&ccedil;&otilde;es comportamentais e educacionais. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><B>Ami Klin, Marcos T Mercadante    </B></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><B>Refer&ecirc;ncias</B> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><B>1</b>. Klin A. Autism and Asperger syndrome:    an overview. <I>Rev Bras Psiquiatr</I>. 2006;28(Supll l):3-12. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><B>2</B>. Mercadante MT, Van der Gaag RJ, Schwartzman    JS. Non-Autistic Pervasive Developmental Disorders: Rett syndrome, disintegrative    disorder and pervasive developmental disorder not otherwise specified. <I>Rev    Bras Psiquiatr</I>. 2006;28(Supll l):13-21. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><B>3</B>. Zilbovicius M, Meresse I, Boddaert    N. Neuroimaging in autism. <I>Rev Bras Psiquiatr</I>. 2006;28(Supll I):22-9.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><B>4</B>. Gupta AR, State MW. Genetics of autism.    <I>Rev Bras Psiquiatr</I>. 2006;28(Supll I):30-9. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><B>5</B>. Nikolov R, Jonker J, Scahill L. Autistic    disorder: current psychopharmacological treatments and areas of interest for    future developments. <I>Rev Bras Psiquiatr</I>. 2006;28(Supll l):40-7. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><B>6</B>. Bosa CA. Autism: psychoeducational    intervention. <I>Rev Bras Psiquiatr</I>. 2006;28(Supll I):48-54.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Nota: Esse suplemento optou pelo termo Transtorno    Invasivo do Desenvolvimento (TID) em detrimento das outras duas tradu&ccedil;&otilde;es    que t&ecirc;m sido utilizadas em portugu&ecirc;s para o termo Pervasive Developmental    Disorder: transtorno global do desenvolvimento e transtorno abrangente do desenvolvimento.    <br>   A Edusp, na tradu&ccedil;&atilde;o do CID-10, utilizou o termo "global"    como tradu&ccedil;&atilde;o para "pervasive"; por&eacute;m, a Artmed,    que traduziu o CID-10 e o DSM-IV, optou pelo termo "invasivo".<a name="tx01"></a><a href="#nt01"><sup>1</sup></a>    Apenas por estar presente nas tradu&ccedil;&otilde;es dos dois manuais, decidimos    utilizar essa &uacute;ltima op&ccedil;&atilde;o.    <br>   <a name="nt01"></a><a href="#tx01">1</a>    Lippi JRS. Autismo e Transtornos Invasivos do Desenvolvimento - Revis&atilde;o    hist&oacute;rica do conceito, diagn&oacute;stico e classifica&ccedil;&atilde;o.    2003. Avaliable at: <a href="http://www.autismo.med.br/pdf/Autismo/AUTISMO%20e%20Transtornos%20Invasivos%20do%20Desenvolvimento.pdf" target="_blank">http://www.autismo.med.br/pdf/Autismo/AUTISMO%20e%20Transtornos%20Invasivos%20do%20Desenvolvimento.pdf</a></font>  </p>      ]]></body>
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