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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Autismo e síndrome de Asperger: uma visão geral]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Autism and Asperger syndrome: an overview]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Autism and Asperger syndrome are diagnostic entities in a family of neurodevelopmental disorders disrupting fundamental processes of socialization, communication and learning, collectively known as pervasive developmental disorders. This group of conditions is among the most common developmental disorders, affecting 1 in every 200 or so individuals. They are also the most strongly genetically related among developmental disorders, with recurrence risks within sibships of the order of 2 to 15% if a broader definition of affectedness is adopted. Their early onset, symptom profile, and chronicity implicate fundamental biological mechanisms involved in social adaptation. Advances in their understanding are leading to a new social neuroscience perspective of normative socialization processes and specific disruptions thereof. These processes may lead to the emergence of the highly heterogeneous phenotypes associated with autism, the paradigmatic pervasive developmental disorder, and its variants. This overview focuses on the history, nosology, and the clinical and associated features of the two most well-known pervasive developmental disorders - autism and Asperger syndrome.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Autismo]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><B><a name="tx"></a>Autismo e s&iacute;ndrome    de Asperger: uma vis&atilde;o geral</B></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><B> Ami Klin</B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Yale Child Study Center, Yale University School    of Medicine, New Haven, Connecticut, USA</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#end">Correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="VERDANA"> <B>RESUMO</B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Autismo e s&iacute;ndrome de Asperger s&atilde;o    entidades diagn&oacute;sticas em uma fam&iacute;lia de transtornos de neurodesenvolvimento    nos quais ocorre uma ruptura nos processos fundamentais de socializa&ccedil;&atilde;o,    comunica&ccedil;&atilde;o e aprendizado. Esses transtornos s&atilde;o coletivamente    conhecidos como transtornos invasivos de desenvolvimento. Esse grupo de condi&ccedil;&otilde;es    est&aacute; entre os transtornos de desenvolvimento mais comuns, afetando aproximadamente    1 em cada 200 indiv&iacute;duos. Eles est&atilde;o tamb&eacute;m entre os com    maior carga gen&eacute;tica entre os transtornos de desenvolvimento, com riscos    de recorr&ecirc;ncia entre familiares da ordem de 2 a 15% se for adotada uma    defini&ccedil;&atilde;o mais ampla de crit&eacute;rio diagn&oacute;stico. Seu    in&iacute;cio precoce, perfil sintom&aacute;tico e cronicidade envolvem mecanismos    biol&oacute;gicos fundamentais relacionados &agrave; adapta&ccedil;&atilde;o    social. Avan&ccedil;os em sua compreens&atilde;o est&atilde;o conduzindo a uma    nova perspectiva da neuroci&ecirc;ncia ao estudar os processos t&iacute;picos    de socializa&ccedil;&atilde;o e das interrup&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas    deles advindas. Esses processos podem levar &agrave; emerg&ecirc;ncia de fen&oacute;tipos    altamente heterog&ecirc;neos associados ao autismo, o paradigm&aacute;tico transtorno    invasivo de desenvolvimento e suas variantes. Esta revis&atilde;o foca o hist&oacute;rico,    a nosologia e as caracter&iacute;sticas cl&iacute;nicas e associadas aos dois    transtornos invasivos de desenvolvimento mais conhecidos – o autismo e a s&iacute;ndrome    de Asperger. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><B>Descritores:</B> Autismo/terapia; S&iacute;ndrome    de Asperger/terapia; Psicofarmacologia/efeito de drogas; Desenvolvimento infantil/efeito    de drogas; Gerenciamento da doen&ccedil;a</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><B>Introdu&ccedil;&atilde;o</B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O autismo e a s&iacute;ndrome de Asperger s&atilde;o    os mais conhecidos entre os transtornos invasivos do desenvolvimento (TID),    uma fam&iacute;lia de condi&ccedil;&otilde;es marcada pelo in&iacute;cio precoce    de atrasos e desvios no desenvolvimento das habilidades sociais, comunicativas    e demais habilidades. Na quarta edi&ccedil;&atilde;o revisada do Manual Diagn&oacute;stico    e Estat&iacute;stico de Transtornos Mentais (DSM-IV-TR), a categoria TID inclui    condi&ccedil;&otilde;es que est&atilde;o invariavelmente associadas ao retardo    mental (s&iacute;ndrome de Rett e transtorno desintegrativo da inf&acirc;ncia),    condi&ccedil;&otilde;es que podem ou n&atilde;o estar associados ao retardo    mental (autismo e TID sem outra especifica&ccedil;&atilde;o ou TID-SOE) e uma    condi&ccedil;&atilde;o que &eacute; tipicamente associada &agrave; intelig&ecirc;ncia    normal (s&iacute;ndrome de Asperger). Os TIDs est&atilde;o entre os transtornos    de desenvolvimento mais comuns. Referem-se a uma fam&iacute;lia de condi&ccedil;&otilde;es    caracterizadas por uma grande variabilidade de apresenta&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas.    Podem variar tanto em rela&ccedil;&atilde;o ao perfil da sintomatologia quanto    ao grau de acometimento, mas s&atilde;o agrupados por apresentarem em comum    uma interrup&ccedil;&atilde;o precoce dos processos de sociabiliza&ccedil;&atilde;o.    S&atilde;o, por natureza, transtornos do neurodesenvolvimento que acometem mecanismos    cerebrais de sociabilidade b&aacute;sicos e precoces. Consequentemente, ocorre    uma interrup&ccedil;&atilde;o dos processos normais de desenvolvimento social,    cognitivo e da comunica&ccedil;&atilde;o. A consci&ecirc;ncia de que as manifesta&ccedil;&otilde;es    comportamentais s&atilde;o heterog&ecirc;neas e de que h&aacute; diferentes    graus de acometimento, e provavelmente m&uacute;ltiplos fatores etiol&oacute;gicos,    deram origem ao termo transtornos do espectro do autismo que, como o termo TID,    refere-se a v&aacute;rias condi&ccedil;&otilde;es distintas (autismo, s&iacute;ndrome    de Asperger e TID-SOE), mas que, ao contr&aacute;rio do termo TID, refere-se    a uma poss&iacute;vel natureza dimensional que interconecta diversas condi&ccedil;&otilde;es    mais do que a fronteiras claramente definidas em torno de r&oacute;tulos diagn&oacute;sticos.    Este conceito de natureza dimensional ap&oacute;ia-se no fato de que o autismo    e transtornos relacionados s&atilde;o os transtornos do desenvolvimento mais    fortemente associados a fatores gen&eacute;ticos, e no fato de que podem ser    encontradas vulnerabilidade e rigidez social em familiares desses pacientes,    mesmo que esses familiares n&atilde;o preencham crit&eacute;rios para um diagn&oacute;stico    cl&iacute;nico. Refere-se, muitas vezes, a esses familiares como portadores    do "fen&oacute;tipo mais amplo de autismo".<SUP>1-2</SUP> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Esta revis&atilde;o foca o paradigma dos TID    (o autismo), bem como uma variante pr&oacute;xima (a s&iacute;ndrome de Asperger).    Enquanto a validade do diagn&oacute;stico de autismo &eacute; inquestion&aacute;vel,    o status de validade da s&iacute;ndrome de Asperger (SA) ainda &eacute; controverso,    mesmo 12 anos ap&oacute;s sua formaliza&ccedil;&atilde;o no DSM-IV. A controv&eacute;rsia    &eacute; relacionada principalmente ao fato deste diagn&oacute;stico ser confundido    com o de autismo n&atilde;o acompanhado de retardo mental, ou autismo com "alto    grau de funcionamento" (AAGF). N&oacute;s iremos enfatizar a descri&ccedil;&atilde;o    de casos protot&iacute;picos dessas condi&ccedil;&otilde;es. No entanto, as    discuss&otilde;es cient&iacute;ficas atuais nessa &aacute;rea tendem a focar    sua aten&ccedil;&atilde;o nos potenciais mediadores da express&atilde;o cl&iacute;nica    da s&iacute;ndrome (i.e. fatores preditores de diferentes apresenta&ccedil;&otilde;es    fenot&iacute;picas) e n&atilde;o nas quest&otilde;es do diagn&oacute;stico diferencial    (i.e. na quest&atilde;o se o AAGF e SA s&atilde;o a mesma entidade diagn&oacute;stica    ou n&atilde;o). Uma boa dose de confus&atilde;o ainda cerca o uso do termo s&iacute;ndrome    de Asperger ou transtorno de Asperger, sendo que n&atilde;o h&aacute; quase    nenhum consenso entre a comunidade de pesquisadores cl&iacute;nicos.<SUP>3</SUP>    A &ecirc;nfase desta revis&atilde;o n&atilde;o est&aacute; nas pesquisas voltadas    a uma ou outra forma espec&iacute;fica de separar SA e AAGF. Ao contr&aacute;rio,    enfatiza as necessidades e os desafios t&iacute;picos enfrentados pelos indiv&iacute;duos    com essas condi&ccedil;&otilde;es, independentemente do r&oacute;tulo espec&iacute;fico    a eles atribu&iacute;do. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><B>Autismo</B> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">O autismo, tamb&eacute;m conhecido como <I>transtorno    autistico, autismo da inf&acirc;ncia, autismo infantil</I> e <I>autismo    infantil precoce</I>, &eacute; o TID mais conhecido. Nessa condi&ccedil;&atilde;o,    existe um marcado e permanente preju&iacute;zo na intera&ccedil;&atilde;o social,    altera&ccedil;&otilde;es da comunica&ccedil;&atilde;o e padr&otilde;es limitados    ou estereotipados de comportamentos e interesses. As anormalidades no funcionamento    em cada uma dessas &aacute;reas devem estar presentes em torno dos tr&ecirc;s    anos de idade. Aproximadamente 60 a 70% dos indiv&iacute;duos com autismo funcionam    na faixa do retardo mental, ainda que esse percentual esteja encolhendo em estudos    mais recentes. Essa mudan&ccedil;a provavelmente reflete uma maior percep&ccedil;&atilde;o    sobre as manifesta&ccedil;&otilde;es do autismo com alto grau de funcionamento,    o que, por sua vez, parece conduzir a que um maior n&uacute;mero de indiv&iacute;duos    seja diagnosticado com essa condi&ccedil;&atilde;o.<SUP>4</SUP> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><B>1. Hist&oacute;rico e nosologia</B> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em 1943, Leo Kanner descreveu, pela primeira    vez, 11 casos do que denominou <I>dist&uacute;rbios aut&iacute;sticos do contato    afetivo.</I><SUP>5</SUP> Nesses 11 primeiros casos, havia uma "incapacidade    de relacionar-se" de formas usuais com as pessoas desde o in&iacute;cio    da vida. Kanner tamb&eacute;m observou respostas incomuns ao ambiente, que inclu&iacute;am    maneirismos motores estereotipados, resist&ecirc;ncia &agrave; mudan&ccedil;a    ou insist&ecirc;ncia na monotonia, bem como aspectos n&atilde;o-usuais das habilidades    de comunica&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a, tais como a invers&atilde;o    dos pronomes e a tend&ecirc;ncia ao eco na linguagem (ecolalia). Kanner foi    cuidadoso ao fornecer um contexto de desenvolvimento para suas observa&ccedil;&otilde;es.    Ele enfatizou a predomin&acirc;ncia dos d&eacute;ficits de relacionamento social,    assim como dos comportamentos incomuns na defini&ccedil;&atilde;o da condi&ccedil;&atilde;o.    Durante os anos 50 e 60 do s&eacute;culo passado, houve muita confus&atilde;o    sobre a natureza do autismo e sua etiologia, e a cren&ccedil;a mais comum era    a de que o autismo era causado por pais n&atilde;o emocionalmente responsivos    a seus filhos (a hip&oacute;tese da "m&atilde;e geladeira"). Na maior    parte do mundo, tais no&ccedil;&otilde;es foram abandonadas, ainda que possam    ser encontradas em partes da Europa e da Am&eacute;rica Latina. No in&iacute;cio    dos anos 60, um crescente corpo de evid&ecirc;ncias come&ccedil;ou a acumular-se,    sugerindo que o autismo era um transtorno cerebral presente desde a inf&acirc;ncia    e encontrado em todos os pa&iacute;ses e grupos socioecon&ocirc;micos e &eacute;tnico-raciais    investigados. Um marco na classifica&ccedil;&atilde;o desse transtorno ocorreu    em 1978, quando Michael Rutter prop&ocirc;s uma defini&ccedil;&atilde;o do autismo    com base em quatro crit&eacute;rios: 1) atraso e desvio sociais n&atilde;o    s&oacute; como fun&ccedil;&atilde;o de retardo mental; 2) problemas de comunica&ccedil;&atilde;o,    novamente, n&atilde;o s&oacute; em fun&ccedil;&atilde;o de retardo mental associado;    3) comportamentos incomuns, tais como movimentos estereotipados e maneirismos;    e 4) in&iacute;cio antes dos 30 meses de idade.<SUP>6</SUP> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A defini&ccedil;&atilde;o de Rutter e o crescente    corpo de trabalhos sobre o autismo influenciaram a defini&ccedil;&atilde;o desta    condi&ccedil;&atilde;o no DSM-III, em 1980, quando o autismo pela primeira vez    foi reconhecido e colocado em uma nova classe de transtornos, a saber: os transtornos    invasivos do desenvolvimento (TIDs). O termo TID foi escolhido para refletir    o fato de que m&uacute;ltiplas &aacute;reas de funcionamento s&atilde;o afetadas    no autismo e nas condi&ccedil;&otilde;es a ele relacionadas. Na &eacute;poca    do DSM-III-R, o termo TID ganhou ra&iacute;zes, levando &agrave; sua ado&ccedil;&atilde;o    tamb&eacute;m na d&eacute;cima revis&atilde;o da Classifica&ccedil;&atilde;o    Estat&iacute;stica Internacional de Doen&ccedil;as e     Problemas Relacionados &agrave; Sa&uacute;de (CID-10). Para o DSM-IV, os novos    crit&eacute;rios potenciais para o autismo, bem como as v&aacute;rias condi&ccedil;&otilde;es    candidatas a serem inclu&iacute;das na categoria TID, foram avaliados em um    estudo internacional, multic&ecirc;ntrico, que incluiu mais de 1.000 casos avaliados    por mais de 100 avaliadores cl&iacute;nicos.<SUP>7</SUP> Os sistemas de classifica&ccedil;&atilde;o    do DSM-IV e da CID-10 foram tornados equivalentes para evitar uma poss&iacute;vel    confus&atilde;o entre pesquisadores cl&iacute;nicos que trabalham em diferentes    partes do mundo guiados por um ou por outro sistema nosol&oacute;gico. A defini&ccedil;&atilde;o    dos crit&eacute;rios foi decidida com base em dados emp&iacute;ricos revelados    em trabalho de campo. A confiabilidade entre os avaliadores foi medida para    o autismo e condi&ccedil;&otilde;es relacionadas, indicando, em geral, um acordo    de bom a &oacute;timo, principalmente entre os cl&iacute;nicos experientes.    O DSM-IV-TR vem acompanhado de textos atualizados sobre autismo, s&iacute;ndrome    de Asperger e outros TIDs, mas os crit&eacute;rios diagn&oacute;sticos permanecem    os mesmos que os do DSM-IV. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><B>2. Epidemiologia</B> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O primeiro estudo epidemiol&oacute;gico sobre    o autismo foi realizado por Victor Lotter, em 1966. Nesse estudo, ele relatou    um &iacute;ndice de preval&ecirc;ncia de 4,5 em 10.000 crian&ccedil;as em toda    a popula&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as de 8 a 10 anos de Middlesex, um    condado ao noroeste de Londres. Desde ent&atilde;o, mais de 20 estudos epidemiol&oacute;gicos    foram relatados na literatura e milh&otilde;es de crian&ccedil;as foram pesquisadas    pelo mundo todo. Os &iacute;ndices de preval&ecirc;ncia resultantes, particularmente    nos estudos mais recentes, apontam para um &iacute;ndice conservador de um indiv&iacute;duo    com autismo (protot&iacute;pico) em cada 1.000 nascimentos; cerca de mais quatro    indiv&iacute;duos com transtorno do espectro do autismo (e.g., s&iacute;ndrome    de Asperger, TID-SOE) a cada 1.000 nascimentos; e &iacute;ndices muito menores    para a s&iacute;ndrome de Rett e menores ainda para o transtorno desintegrativo    infantil. As poss&iacute;veis raz&otilde;es para o grande aumento na preval&ecirc;ncia    estimada do autismo e das condi&ccedil;&otilde;es relacionadas s&atilde;o: 1)    a ado&ccedil;&atilde;o de defini&ccedil;&otilde;es mais amplas de autismo (como    resultado do reconhecimento do autismo como um espectro de condi&ccedil;&otilde;es);    2) maior conscientiza&ccedil;&atilde;o entre os cl&iacute;nicos e na comunidade    mais ampla sobre as diferentes manifesta&ccedil;&otilde;es de autismo (e.g.,    gra&ccedil;as &agrave; cobertura mais freq&uuml;ente da m&iacute;dia); 3) melhor    detec&ccedil;&atilde;o de casos sem retardo mental (e.g., maior conscientiza&ccedil;&atilde;o    sobre o AAGF e a SA); 4) o incentivo para que se determine um diagn&oacute;stico    devido a elegibilidade para os servi&ccedil;os proporcionada por esse diagn&oacute;stico    (e.g., nos EUA, como resultado das altera&ccedil;&otilde;es na lei sobre educa&ccedil;&atilde;o    especial); 5) a compreens&atilde;o de que a identifica&ccedil;&atilde;o precoce    (e a interven&ccedil;&atilde;o) maximizam um desfecho positivo (estimulando    assim o diagn&oacute;stico de crian&ccedil;as jovens e encorajando a comunidade    a n&atilde;o "perder" uma crian&ccedil;a com autismo, que de outra    forma n&atilde;o poderia obter os servi&ccedil;os necess&aacute;rios); e 6)    a investiga&ccedil;&atilde;o com base populacional (que expandiu amostras cl&iacute;nicas    referidas por meio do sistem&aacute;tico "pente-fino" na comunidade    em geral &agrave; procura de crian&ccedil;as com autismo que de outra forma    poderiam n&atilde;o ser identificadas). &Eacute; importante enfatizar que o    aumento nos &iacute;ndices de preval&ecirc;ncia do autismo significa que mais    indiv&iacute;duos s&atilde;o identificados como tendo esta ou outras condi&ccedil;&otilde;es    similares. Isso n&atilde;o significa que a incid&ecirc;ncia geral do autismo    esteja aumentando. A cren&ccedil;a de aumento na incid&ecirc;ncia levou &agrave;    id&eacute;ia que estava ocorrendo uma "epidemia" de autismo (i.e.    que o n&uacute;mero de indiv&iacute;duos com autismo estava crescendo em n&uacute;meros    alarmantes). At&eacute; hoje, n&atilde;o existem evid&ecirc;ncias convincentes    de que isso seja verdadeiro e os riscos ambientais potenciais que hipoteticamente    seriam "ativadores" de tal epidemia (e.g., programas de vacina&ccedil;&atilde;o)    n&atilde;o receberam nenhuma valida&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica em   v&aacute;rios estudos em grande escala realizados na Escandin&aacute;via, no    Jap&atilde;o e nos EUA, entre outros.<SUP>8</SUP> Infelizmente, ainda &eacute;    prevalente a cren&ccedil;a entre algumas pessoas de que a vacina&ccedil;&atilde;o    (e.g., a vacina tr&iacute;plice viral ou sarampo/caxumba/rub&eacute;ola), ou    os conservantes utilizados em programas de imuniza&ccedil;&atilde;o (e.g., timerosol),    possam causar autismo. Essa cren&ccedil;a levou muitos pais a retirar seus filhos    dos programas de imuniza&ccedil;&atilde;o. Como resultado disso, acumulam-se    dados no Reino Unido e nos EUA sugerindo a perigosa reapari&ccedil;&atilde;o    dessas doen&ccedil;as graves, particularmente o sarampo, que pode levar ao retardo    mental ou at&eacute; &agrave; morte. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Um achado interessante envolvendo tanto as amostras    cl&iacute;nicas quanto as epidemiol&oacute;gicas foi o de que h&aacute; uma    maior incid&ecirc;ncia de autismo em meninos do que em meninas, com propor&ccedil;&otilde;es    m&eacute;dias relatadas de cerca de 3,5 a 4,0 meninos para cada menina. Essa    propor&ccedil;&atilde;o varia, no entanto, em fun&ccedil;&atilde;o do grau de    funcionamento intelectual. Alguns estudos relataram propor&ccedil;&otilde;es    de at&eacute; 6,0 ou mais homens para cada mulher, em indiv&iacute;duos com    autismo sem retardo mental, ao passo que as propor&ccedil;&otilde;es entre os    que tinham retardo mental de moderado a grave eram de 1,5 para 1. Ainda n&atilde;o    est&aacute; claro porque as mulheres t&ecirc;m uma menor representa&ccedil;&atilde;o    na faixa sem retardo mental. Uma possibilidade &eacute; de que os homens possuam    um limiar mais baixo para disfun&ccedil;&atilde;o cerebral do que as mulheres,    ou, ao contr&aacute;rio, de que um preju&iacute;zo cerebral mais grave poderia    ser necess&aacute;rio para causar autismo em uma menina. De acordo com essa    hip&oacute;tese, quando uma pessoa com autismo for uma menina, ela teria maior    probabilidade de apresentar preju&iacute;zo cognitivo grave. V&aacute;rias outras    hip&oacute;teses foram propostas, incluindo a possibilidade de que o autismo    seja uma condi&ccedil;&atilde;o gen&eacute;tica ligada ao cromossomo X (dessa    forma, tornando os homens mais vulner&aacute;veis), mas atualmente os dados    ainda s&atilde;o limitados para possibilitar quaisquer conclus&otilde;es. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><B>3. Diagn&oacute;stico e caracter&iacute;sticas    cl&iacute;nicas</B> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Um diagn&oacute;stico de transtorno aut&iacute;stico    requer pelo menos seis crit&eacute;rios comportamentais, um de cada um dos tr&ecirc;s    agrupamentos de dist&uacute;rbios na intera&ccedil;&atilde;o social, comunica&ccedil;&atilde;o    e padr&otilde;es restritos de comportamento e interesses.<SUP>9</SUP> H&aacute;    quatro crit&eacute;rios de defini&ccedil;&atilde;o no grupo "Preju&iacute;zo    qualitativo nas intera&ccedil;&otilde;es sociais", incluindo preju&iacute;zo    marcado no uso de formas n&atilde;o-verbais de comunica&ccedil;&atilde;o e intera&ccedil;&atilde;o    social; n&atilde;o desenvolvimento de relacionamentos com colegas; aus&ecirc;ncia    de comportamentos que indiquem compartilhamento de experi&ecirc;ncias e de comunica&ccedil;&atilde;o    (e.g., habilidades de "aten&ccedil;&atilde;o conjunta" - mostrando,    trazendo ou apontando objetos de interesse para outras pessoas); e falta de    reciprocidade social ou emocional. Quatro crit&eacute;rios definidores de "Preju&iacute;zo    qualitativo na comunica&ccedil;&atilde;o" incluem atrasos no desenvolvimento    da linguagem verbal, n&atilde;o acompanhados por uma tentativa de compensa&ccedil;&atilde;o    por meio de modos alternativos de comunica&ccedil;&atilde;o, tais como gesticula&ccedil;&atilde;o    em indiv&iacute;duos n&atilde;o-verbais; preju&iacute;zo na capacidade de iniciar    ou manter uma conversa&ccedil;&atilde;o com os demais (em indiv&iacute;duos    que falam); uso estereotipado e repetitivo da linguagem; e falta de brincadeiras    de faz-de-conta ou de imita&ccedil;&atilde;o social (em maior grau do que seria    esperado para o n&iacute;vel cognitivo geral daquela crian&ccedil;a). Quatro    crit&eacute;rios no grupo "Padr&otilde;es restritivos repetitivos e estereotipados    de comportamento, interesses e atividades" incluem preocupa&ccedil;&otilde;es    abrangentes, intensas e r&iacute;gidas com padr&otilde;es estereotipados e restritos    de interesse; ades&atilde;o inflex&iacute;vel a rotinas ou rituais n&atilde;o-funcionais    espec&iacute;ficos; maneirismos estereotipados e repetitivos (tais como abanar    a m&atilde;o ou o dedo, balan&ccedil;ar todo o corpo); e preocupa&ccedil;&atilde;o    persistente com partes de objetos (e.g., a textura de um brinquedo, as rodas    de um carro em miniatura). Como foi dito, o diagn&oacute;stico de um transtorno    aut&iacute;stico tamb&eacute;m requer desenvolvimento anormal em pelo menos    um dos seguintes aspectos: social, linguagem, comunica&ccedil;&atilde;o ou brincadeiras    simb&oacute;licas/imaginativas, nos tr&ecirc;s primeiros anos de vida. E se    a crian&ccedil;a preenche os crit&eacute;rios da s&iacute;ndrome de Rett ou    de transtorno desintegrativo infantil, esses transtornos t&ecirc;m preced&ecirc;ncia    sobre o autismo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">H&aacute; uma varia&ccedil;&atilde;o not&aacute;vel    na express&atilde;o de sintomas no autismo. As crian&ccedil;as com funcionamento    mais baixo s&atilde;o caracteristicamente mudas por completo ou em grande parte,    isoladas da intera&ccedil;&atilde;o social e com realiza&ccedil;&atilde;o de    poucas incurs&otilde;es sociais. No pr&oacute;ximo n&iacute;vel, as crian&ccedil;as    podem aceitar a intera&ccedil;&atilde;o social passivamente, mas n&atilde;o    a procuram. Nesse n&iacute;vel, pode-se observar alguma linguagem espont&acirc;nea.    Entre as que possuem grau mais alto de funcionamento e s&atilde;o um pouco mais    velhas, seu estilo de vida social &eacute; diferente, no sentido que elas podem    interessar-se pela intera&ccedil;&atilde;o social, mas n&atilde;o podem inici&aacute;-la    ou mant&ecirc;-la de forma t&iacute;pica. O estilo social de tais indiv&iacute;duos    foi denominado "ativo, mas estranho", no sentido de que eles geralmente    t&ecirc;m dificuldade de regular a intera&ccedil;&atilde;o social ap&oacute;s    essa ter come&ccedil;ado. As caracter&iacute;sticas comportamentais do autismo    se alteram durante o curso do desenvolvimento. H&aacute; um consider&aacute;vel    potencial para diagn&oacute;sticos equivocados, especialmente nos extremos dos    n&iacute;veis de funcionamento intelectual. A avalia&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a    com autismo deve incluir um hist&oacute;rico detalhado, avalia&ccedil;&otilde;es    de desenvolvimento, psicol&oacute;gicas e de comunica&ccedil;&atilde;o abrangentes    e a grada&ccedil;&atilde;o das habilidades adaptativas (i.e. habilidades espont&acirc;neas    e consistentemente realizadas para atender &agrave;s exig&ecirc;ncias da vida    di&aacute;ria). Um exame adicional pode ser necess&aacute;rio para excluir preju&iacute;zo    auditivo, assim como d&eacute;ficits ou anormalidades motoras e sensoriais evidentes    ou sutis. O exame cl&iacute;nico deve excluir convuls&otilde;es e esclerose    tuberosa (ver abaixo nas condi&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas associadas),    e a pesquisa gen&eacute;tica deve excluir a s&iacute;ndrome do cromossomo X    fr&aacute;gil.<SUP>10</SUP> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">1) Idade de in&iacute;cio </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O in&iacute;cio do autismo &eacute; sempre antes    dos tr&ecirc;s anos de idade. Os pais normalmente come&ccedil;am a se preocupar    entre os 12 e os 18 meses, na medida em que a linguagem n&atilde;o se desenvolve.    Ainda que os pais possam estar preocupados pelo fato de que a crian&ccedil;a    n&atilde;o escuta (devido &agrave; falta de resposta &agrave;s abordagens verbais),    normalmente eles podem observar que a crian&ccedil;a responde de forma dram&aacute;tica    aos sons de objetos inanimados (e.g., um aspirador de p&oacute;, doces sendo    desembrulhados); ocasionalmente, os pais relatam retrospectivamente que a crian&ccedil;a    era "demasiadamente boa", tinha poucas exig&ecirc;ncias e tinha pouco    interesse na intera&ccedil;&atilde;o social. Isso contrasta claramente com as    crian&ccedil;as com desenvolvimento normal, para as quais a voz e a face humanas    e a intera&ccedil;&atilde;o social est&atilde;o entre as caracter&iacute;sticas    mais interessantes e evidentes do mundo. Ocasionalmente, os pais relatam que    a crian&ccedil;a parecia desenvolver alguma linguagem e, ent&atilde;o, a fala    permaneceu no mesmo patamar ou perdeu-se; tal hist&oacute;rico &eacute; relatado    em cerca de 20 a 25% dos casos.<SUP>11</SUP> Quase sempre os pais relatam terem    ficado preocupados ao redor de dois anos e inevitavelmente em torno dos tr&ecirc;s    anos. Com a maior conscientiza&ccedil;&atilde;o sobre o autismo e seus sinais    precoces (e.g., falta de contato visual,    de apontar, dar ou demonstrar comportamentos ou alegria social compartilhadas),    um n&uacute;mero crescente de pais tem se preocupado quando se aproxima o primeiro    ano de vida da crian&ccedil;a. Claramente, esta sensibilidade aos atrasos e    desvios no desenvolvimento social &eacute; maior em fam&iacute;lias em que um    irm&atilde;o mais velho j&aacute; tenha sido diagnosticado com autismo. Ocasionalmente,    os pais de crian&ccedil;as autistas com alto grau de funcionamento podem se    preocupar menos no primeiro ou no segundo ano de vida, especialmente se a fala    e a linguagem estiverem surgindo, mas mesmo nesses casos os pais ficam preocupados    antes dos tr&ecirc;s anos de vida, na medida em que os graves d&eacute;ficits    na intera&ccedil;&atilde;o social se tornam mais aparentes em outras situa&ccedil;&otilde;es    al&eacute;m do contato pr&oacute;ximo com os pais (e.g., em lugares p&uacute;blicos,    na intera&ccedil;&atilde;o com colegas da mesma idade ou com familiares). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">2) Preju&iacute;zos qualitativos na intera&ccedil;&atilde;o    social </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Crian&ccedil;as com desenvolvimento normal possuem    um marcado interesse na intera&ccedil;&atilde;o social e no ambiente social    a partir do nascimento. Mecanismos b&aacute;sicos da socializa&ccedil;&atilde;o,    tais como aten&ccedil;&atilde;o seletiva para faces sorridentes ou vozes agudas    e brincadeiras, levam as crian&ccedil;as a procurar os cuidadores. A coreografia    social mutuamente refor&ccedil;adora entre a crian&ccedil;a e o cuidador inicia    o desenvolvimento das habilidades sociais cognitivas, de comunica&ccedil;&atilde;o    e simb&oacute;licas. Em beb&ecirc;s e crian&ccedil;as jovens com autismo, a    face humana possui pouco interesse; observam-se dist&uacute;rbios no desenvolvimento    da aten&ccedil;&atilde;o conjunta, apego e outros aspectos da intera&ccedil;&atilde;o    social. Por exemplo, a crian&ccedil;a pode n&atilde;o se engajar nos jogos habituais    de imita&ccedil;&atilde;o da inf&acirc;ncia (e.g., esconde-esconde), pode gastar    um tempo descomedido explorando o ambiente inanimado quando estimulada pela    fala incidental produzida pelos demais em sua proximidade. As habilidades l&uacute;dicas,    al&eacute;m da explora&ccedil;&atilde;o sensorial dos brinquedos, podem estar    completamente ausentes. Esses d&eacute;ficits s&atilde;o extremamente caracter&iacute;sticos    e n&atilde;o se devem somente ao atraso do desenvolvimento.<SUP>12-13</SUP>    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O interesse social pode aumentar com o passar    do tempo. H&aacute;, em geral, uma progress&atilde;o no desenvolvimento: indiv&iacute;duos    mais jovens e com maior comprometimento podem ser distantes ou arredios &agrave;    intera&ccedil;&atilde;o, ao passo que indiv&iacute;duos um pouco mais velhos    ou mais avan&ccedil;ados podem ter mais disposi&ccedil;&atilde;o de aceitar    passivamente a intera&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o a buscam ativamente.    Entre pessoas com autismo, mais capazes funcionalmente, existe com freq&uuml;&ecirc;ncia    interesse social, mas elas t&ecirc;m dificuldade em administrar as complexidades    da intera&ccedil;&atilde;o social; isto freq&uuml;entemente leva ao surgimento    de um estilo social n&atilde;o-usual ou exc&ecirc;ntrico. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">3) Preju&iacute;zo qualitativo na comunica&ccedil;&atilde;o    verbal e n&atilde;o-verbal e nas brincadeiras </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">De 20 a 30% dos indiv&iacute;duos com autismo    nunca falam. Esse percentual &eacute; consideravelmente menor do que era h&aacute;    cerca de 10 a 15 anos, gra&ccedil;as, em grande parte, &agrave; interven&ccedil;&atilde;o    precoce e intensiva. Retardos na aquisi&ccedil;&atilde;o da linguagem s&atilde;o    as reclama&ccedil;&otilde;es mais freq&uuml;entes dos pais. Os padr&otilde;es    usuais de aquisi&ccedil;&atilde;o da linguagem (e.g., brincar com os sons e    balbuciar) podem estar ausentes ou ser raros. Beb&ecirc;s e crian&ccedil;as    jovens com autismo podem guiar a m&atilde;o dos pais para obter um objeto desejado,    sem fazer contato visual (i.e. como se ela estivesse obtendo o objeto pela m&atilde;o    e n&atilde;o pela pessoa). Ao contr&aacute;rio da crian&ccedil;a com transtorno    de desenvolvimento da linguagem, n&atilde;o h&aacute; motiva&ccedil;&atilde;o    aparente em estabelecer comunica&ccedil;&atilde;o ou tentar comunicar-se por    meios n&atilde;o-verbais. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Quando os indiv&iacute;duos com autismo chegam    a falar, sua linguagem &eacute; not&aacute;vel de v&aacute;rias formas. Eles    podem repetir o que lhes &eacute; dito (ecolalia imediata) ou o que escutam    em seu ambiente, como a TV (ecolalia tardia). A linguagem tende a ser menos    flex&iacute;vel, de forma que, por exemplo, n&atilde;o existe uma avalia&ccedil;&atilde;o    de que a mudan&ccedil;a de perspectiva ou com quem se fala necessite de uma    mudan&ccedil;a de pronome; isso leva &agrave; invers&atilde;o pronominal. A    linguagem pode ser n&atilde;o-rec&iacute;proca em sua natureza, e.g., a crian&ccedil;a    produz uma linguagem sem inten&ccedil;&atilde;o de comunica&ccedil;&atilde;o.    Mesmo que a sintaxe e a morfologia da linguagem estejam relativamente preservadas,    o vocabul&aacute;rio e as habilidades sem&acirc;nticas podem ter um desenvolvimento    lento e aspectos dos usos sociais da linguagem (pragm&aacute;tica) s&atilde;o    particularmente dif&iacute;ceis para os indiv&iacute;duos com autismo. Portanto,    o humor e o sarcasmo podem ser uma fonte de confus&atilde;o, na medida em que    a pessoa com autismo pode n&atilde;o conseguir apreciar a inten&ccedil;&atilde;o    de comunica&ccedil;&atilde;o do falante, resultando em uma interpreta&ccedil;&atilde;o    completamente literal da declara&ccedil;&atilde;o. Em geral, a entona&ccedil;&atilde;o    de voz &eacute; apagada ou mon&oacute;tona e os demais aspectos comunicativos    da voz (e.g., &ecirc;nfase, altura, volume, e ritmo ou express&otilde;es) s&atilde;o    idiossincr&aacute;ticos e pobremente modulados. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os d&eacute;ficits no brincar podem incluir a    falha no desenvolvimento de padr&otilde;es usuais de desempenho de pap&eacute;is,    ou brincadeiras de faz-de-conta, simb&oacute;licas ou imaginativas. A crian&ccedil;a    aut&iacute;stica pode explorar os aspectos n&atilde;o-funcionais dos brinquedos    (e.g., gosto ou cheiro) ou usar partes dos brinquedos para a auto-estimula&ccedil;&atilde;o    (girar os pneus de um caminh&atilde;o de brinquedo). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">4) Repert&oacute;rio notavelmente restrito de    atividades e interesses </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Crian&ccedil;as com autismo freq&uuml;entemente    possuem dificuldade em tolerar altera&ccedil;&otilde;es e varia&ccedil;&otilde;es    na rotina. Por exemplo, uma tentativa de alterar a seq&uuml;&ecirc;ncia de alguma    atividade pode deparar-se com terr&iacute;vel sofrimento por parte da crian&ccedil;a.    Os pais podem relatar que a crian&ccedil;a insiste em que eles participem das    atividades de formas muito espec&iacute;ficas. As altera&ccedil;&otilde;es na    rotina ou no ambiente podem evocar grande oposi&ccedil;&atilde;o ou contrariedade.    A crian&ccedil;a pode desenvolver um interesse em uma atividade repetitiva,    e.g., colecionar cord&otilde;es e utiliz&aacute;-los para auto-estimula&ccedil;&atilde;o,    memorizar n&uacute;meros, repetir certas palavras ou express&otilde;es. Em crian&ccedil;as    mais jovens, as vincula&ccedil;&otilde;es aos objetos, quando ocorrem, diferem    dos objetos transicionais habituais, no sentido de que os objetos escolhidos    tendem a ser r&iacute;gidos e n&atilde;o fofos e geralmente &eacute; a classe    do objeto, mais do que o objeto espec&iacute;fico, que &eacute; importante,    e.g., a crian&ccedil;a pode insistir em carregar algum tipo de revista com ela    para todos os lugares. Movimentos estereotipados podem incluir andar na ponta    dos p&eacute;s, estalar os dedos, balan&ccedil;ar o corpo e outros maneirismos;    esses movimentos s&atilde;o realizados como uma fonte de prazer ou forma de    se auto-acalmar e podem, &agrave;s vezes, ser exacerbados por situa&ccedil;&otilde;es    de estresse. A crian&ccedil;a pode preocupar-se com objetos que giram, e.g.,    ela pode gastar longos per&iacute;odos de tempo olhando um ventilador de teto    girando. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">5) Caracter&iacute;sticas associadas </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Como observamos anteriormente, 60 a 70% dos indiv&iacute;duos    com autismo possuem retardo mental e cerca de metade deles enquadra-se na faixa    de retardo mental leve e os demais na faixa de retardo mental de moderado a    profundo. Est&aacute; bem estabelecido que o retardo mental n&atilde;o &eacute;    simplesmente conseq&uuml;&ecirc;ncia de negativismo ou da falta de motiva&ccedil;&atilde;o.    O perfil t&iacute;pico nos testes psicol&oacute;gicos &eacute; marcado por d&eacute;ficits    significativos de racioc&iacute;nio abstrato, forma&ccedil;&atilde;o de conceitos    verbais e habilidades de integra&ccedil;&atilde;o, e nas tarefas que requerem    um certo grau de racioc&iacute;nio verbal e compreens&atilde;o social.<SUP>14</SUP>    Portanto, nas escalas do Wechsler, por exemplo, os pontos fracos s&atilde;o    notados freq&uuml;entemente nos subtestes de Similaridades e Compreens&atilde;o.    Por outro lado, os pontos relativamente fortes s&atilde;o geralmente observados    nas &aacute;reas de aprendizado mec&acirc;nico e habilidades de mem&oacute;ria    e solu&ccedil;&atilde;o de problemas visuo-espaciais, particularmente se a tarefa    puder ser completada "passo a passo", i.e. sem a crian&ccedil;a ter    que inferir o contexto ou a "<I>Gestalt</I>" da tarefa. Portanto,    o desempenho nos subtestes Desenho de Blocos e Lembran&ccedil;a de N&uacute;meros    das escalas do Wechsler usualmente correspondem aos melhores desempenhos obtidos.    A prefer&ecirc;ncia t&iacute;pica por racioc&iacute;nios repetitivos e seq&uuml;&ecirc;ncias,    mais do que por tarefas de racioc&iacute;nio e integra&ccedil;&atilde;o, normalmente    implicam que os indiv&iacute;duos com autismo exibem um estilo muito fragmentado    de aprendizado, n&atilde;o completando diferentes partes de uma tarefa, comunica&ccedil;&atilde;o    ou situa&ccedil;&otilde;es em conjuntos coerentes (como se fossem incapazes    de ver "o bosque a partir das &aacute;rvores").<SUP>15</SUP> Dada    a ubiq&uuml;idade dos d&eacute;ficits verbais no autismo, o desempenho nas escalas    de Wechsler geralmente &eacute; caracterizado pelo melhor desempenho nos escores    de execu&ccedil;&atilde;o do que nos escores verbais, particularmente nos indiv&iacute;duos    que t&ecirc;m escores na faixa do retardo mental. Indiv&iacute;duos com autismo    e maior n&iacute;vel de funcionamento podem n&atilde;o apresentar um diferencial    no desempenho verbal segundo o QI, ainda que continuem apresentando uma prefer&ecirc;ncia    por tarefas repetitivas, mem&oacute;ria verbal e por testes de reconstru&ccedil;&atilde;o    visual das partes para o todo em detrimento de tarefas de racioc&iacute;nio    conceitual e social. As fun&ccedil;&otilde;es "executivas" est&atilde;o    em geral prejudicadas, resultando em dificuldade de planejamento de manuten&ccedil;&atilde;o    de um objetivo em mente enquanto executam os passos para faz&ecirc;-lo, do aprendizado    por meio de <I>feedback</I> e da inibi&ccedil;&atilde;o de respostas irrelevantes    e ineficientes.<SUP>16</SUP> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Um dos mais fascinantes fen&ocirc;menos cognitivos    no autismo &eacute; a presen&ccedil;a das denominadas "ilhotas de habilidades    especiais" ou <I>splinter skills</I>, i.e. habilidades preservadas ou altamente    desenvolvidas em certas &aacute;reas que contrastam com os d&eacute;ficits gerais    de funcionamento da crian&ccedil;a.<SUP>17</SUP> N&atilde;o &eacute; incomum,    por exemplo, que as crian&ccedil;as com autismo tenham grande facilidade de    decifrar letras e n&uacute;meros, &agrave;s vezes precocemente (hiperlexia),    mesmo que a compreens&atilde;o do que l&ecirc;em esteja muito prejudicada. Talvez    10% dos indiv&iacute;duos com autismo exibam uma forma de habilidades "<I>savant</I>"    – i.e. desempenho alto, &agrave;s vezes prodigioso em uma habilidade espec&iacute;fica    na presen&ccedil;a de retardo mental leve ou moderado. Esse fascinante fen&ocirc;meno    relaciona-se a um &acirc;mbito reduzido de capacidades – memoriza&ccedil;&atilde;o    de listas ou de informa&ccedil;&otilde;es triviais, c&aacute;lculos de calend&aacute;rios,    habilidades visuo-espaciais, tais como desenho ou habilidades musicais envolvendo    tonalidade musical perfeita ou tocar uma pe&ccedil;a musical ap&oacute;s t&ecirc;-la    ouvido somente uma vez. &Eacute; interessante que indiv&iacute;duos autistas    representam uma maioria desproporcional entre todas as pessoas "<I>savant</I>".    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Tanto a hiper quanto a hipossensibilidade aos    est&iacute;mulos sensoriais s&atilde;o t&iacute;picos das crian&ccedil;as com    autismo. As crian&ccedil;as com autismo podem ser muito agudamente sens&iacute;veis    a sons (hiperacusia), e.g., tapar os ouvidos ao ouvir um c&atilde;o latir ou    o barulho de um aspirador de p&oacute;. Outras podem parecer ausentes frente    a ru&iacute;dos fortes ou a pessoas que as chamam, mas ficam fascinados pelo    fraco tique-taque de um rel&oacute;gio de pulso ou pelo som de um papel sendo    amassado. Luzes brilhantes podem causar estresse, ainda que algumas crian&ccedil;as    sejam fascinadas pela estimula&ccedil;&atilde;o luminosa, e.g., mover um objeto    para frente e para tr&aacute;s em frente dos seus olhos. Pode haver extrema    sensibilidade ao toque (defensividade t&aacute;til), incluindo rea&ccedil;&otilde;es    fortes a tecidos espec&iacute;ficos ou ao toque social/afetuoso, embora haja    muitas crian&ccedil;as que sejam insens&iacute;veis &agrave; dor e possam n&atilde;o    chorar ap&oacute;s um ferimento grave. Muitas crian&ccedil;as s&atilde;o fascinadas    por certos est&iacute;mulos sensoriais, tais como objetos que giram, ou partes    de brinquedos que podem girar, enquanto algumas t&ecirc;m prazer com sensa&ccedil;&otilde;es    vestibulares, como rodopiar, realizando esta a&ccedil;&atilde;o sem, aparentemente,    ficarem tontas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Dist&uacute;rbios do sono e alimentares podem    ser muito esgotantes na vida familiar, particularmente durante a inf&acirc;ncia.    Crian&ccedil;as com autismo podem apresentar padr&otilde;es err&aacute;ticos    de sono com acordares freq&uuml;entes &agrave; noite por longos per&iacute;odos.    Dist&uacute;rbios alimentares podem envolver avers&atilde;o a certos alimentos,    devido &agrave; textura, cor ou odor, ou insist&ecirc;ncia em comer somente    uma pequena sele&ccedil;&atilde;o de alimentos e recusa de provar alimentos    novos. Em crian&ccedil;as com preju&iacute;zo cognitivo mais grave, a pica (i.e.    comer coisas n&atilde;o-comest&iacute;veis) pode colocar um conjunto de quest&otilde;es    de seguran&ccedil;a, incluindo o risco &agrave; toxicidade por chumbo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Crian&ccedil;as com autismo com um grau de funcionamento    menor podem morder as m&atilde;os ou punhos, muitas vezes levando ao sangramento    e a forma&ccedil;&otilde;es calosas. O fato de golpear a cabe&ccedil;a, particularmente    nas que possuem um retardo mental mais grave ou profundo, pode tornar necess&aacute;rio    o uso de capacetes ou outros dispositivos protetores. As crian&ccedil;as podem    tamb&eacute;m cutucar excessivamente a pele, arrancar o cabelo, bater no peito    ou golpear-se. Existe uma percep&ccedil;&atilde;o menor do perigo, o que, junto    com a impulsividade, pode levar a ferimentos. Acessos de ira s&atilde;o comuns,    particularmente em rea&ccedil;&atilde;o &agrave;s exig&ecirc;ncias impostas    (e.g., cumprir uma tarefa), altera&ccedil;&otilde;es na rotina ou eventos inesperados.    A falta de compreens&atilde;o ou a incapacidade de comunicar-se, ou a frustra&ccedil;&atilde;o    total, podem, eventualmente, levar a explos&otilde;es de agressividade. Ainda    que alguns indiv&iacute;duos com um grau mais elevado de funcionamento – e.g.,    aqueles com s&iacute;ndrome de Asperger – tenham sido descritos como particularmente    vulner&aacute;veis a exibir comportamentos anti-sociais, &eacute; de fato mais    prov&aacute;vel que esses indiv&iacute;duos sejam v&iacute;timas de piadas ou    outras formas de agress&atilde;o; mais comumente ainda, esses indiv&iacute;duos    tendem a se dirigir &agrave; periferia dos ambientes sociais. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><B>4. Curso e progn&oacute;stico</B> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O autismo &eacute; um comprometimento permanente    e a maioria dos indiv&iacute;duos afetados por esta condi&ccedil;&atilde;o permanece    incapaz de viver de forma independente, e requer o apoio familiar ou da comunidade    ou a institucionaliza&ccedil;&atilde;o. No entanto, a maioria das crian&ccedil;as    com autismo apresenta melhora nos relacionamentos sociais, na comunica&ccedil;&atilde;o    e nas habilidades de autocuidado quando crescem. Pensa-se em v&aacute;rios fatores    como preditores do curso e do desfecho de longo prazo, particularmente a presen&ccedil;a    de alguma linguagem de comunica&ccedil;&atilde;o ao redor dos cinco ou seis    anos, n&iacute;vel intelectual n&atilde;o-verbal, gravidade da condi&ccedil;&atilde;o    e a resposta &agrave; interven&ccedil;&atilde;o educacional. Crian&ccedil;as    mais jovens mais freq&uuml;entemente apresentam uma falta "global"    de relacionamentos interpessoais, que costumava ser inclu&iacute;da em sistemas    diagn&oacute;sticos mais antigos. Ainda que algumas evid&ecirc;ncias de responsividade    diferenciada aos pais possa ser observada quando a crian&ccedil;a ingressa na    escola prim&aacute;ria, os padr&otilde;es de intera&ccedil;&atilde;o social    permanecem bastante desviados da normalidade. Apesar disso, os ganhos em obedi&ecirc;ncia    e comunica&ccedil;&atilde;o s&atilde;o conseguidos geralmente durante os anos    em que ela cursa a escola prim&aacute;ria, especialmente se s&atilde;o feitas    interven&ccedil;&otilde;es estruturadas, individualizadas e intensivas. Durante    a adolesc&ecirc;ncia, algumas crian&ccedil;as autistas podem apresentar deteriora&ccedil;&atilde;o    comportamental; numa minoria delas, o decl&iacute;nio nas habilidades de linguagem    e sociais pode ser associado ao in&iacute;cio de um transtorno convulsivo.    V&aacute;rios estilos de intera&ccedil;&atilde;o podem ser observados, variando    de arredio a passivo e a exc&ecirc;ntrico (e.g., crian&ccedil;as que realizam    tentativas de iniciar o contato com os demais, mas que o fazem de uma forma    muito desajeitada ou r&iacute;gida); esses estilos est&atilde;o relacionados    ao n&iacute;vel de desenvolvimento. Sintomas depressivos e ansiosos podem aparecer    em adolescentes com grau mais elevado de funcionamento, que se tornam dolorosamente    conscientes de sua incapacidade de estabelecer amizades, apesar de assim o desejarem,    e que come&ccedil;am a sofrer do efeito cumulativo de anos de contato frustrado    com os demais, e de serem alvo da goza&ccedil;&atilde;o dos colegas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">V&aacute;rios estudos sobre o desfecho no longo    prazo<SUP>18</SUP> sugerem que aproximadamente dois ter&ccedil;os das crian&ccedil;as    autistas t&ecirc;m um desfecho pobre (incapazes de viver independentemente)    e que talvez somente um ter&ccedil;o &eacute; capaz de atingir algum grau de    independ&ecirc;ncia pessoal e de auto-sufici&ecirc;ncia como adultos; entre    estes, a maioria pode ter um desfecho razo&aacute;vel (ganhos sociais, educacionais    ou vocacionais a despeito de dificuldades comportamentais e de outra ordem),    ao passo que uma minoria (cerca de um d&eacute;cimo de todos os indiv&iacute;duos    com autismo) pode ter um bom desfecho (ter capacidade de exercer atividade profissional    com efici&ecirc;ncia e ter vida independente). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><B>S&iacute;ndrome de Asperger</B> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A s&iacute;ndrome de Asperger (SA) caracteriza-se    por preju&iacute;zos na intera&ccedil;&atilde;o social, bem como interesses    e comportamentos limitados, como foi visto no autismo, mas seu curso de desenvolvimento    precoce est&aacute; marcado por uma falta de qualquer retardo clinicamente significativo    na linguagem falada ou na percep&ccedil;&atilde;o da linguagem, no desenvolvimento    cognitivo, nas habilidades de autocuidado e na curiosidade sobre o ambiente.    Interesses circunscritos intensos que ocupam totalmente o foco da aten&ccedil;&atilde;o    e tend&ecirc;ncia a falar em mon&oacute;logo, assim como incoordena&ccedil;&atilde;o    motora, s&atilde;o t&iacute;picos da condi&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o    s&atilde;o necess&aacute;rios para o diagn&oacute;stico. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><B>1. Hist&oacute;rico e nosologia</B> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em 1944, Hans Asperger, um pediatra austr&iacute;aco    com interesse em educa&ccedil;&atilde;o especial, descreveu quatro crian&ccedil;as    que tinham dificuldade em se integrar socialmente em grupos.<SUP>19</SUP> Desconhecendo    a descri&ccedil;&atilde;o de Kanner do autismo infantil precoce publicado s&oacute;    um ano antes, Asperger denominou a condi&ccedil;&atilde;o por ele descrita como    "psicopatia aut&iacute;stica", indicando um transtorno est&aacute;vel    de personalidade marcado pelo isolamento social. Apesar de ter as habilidades    intelectuais preservadas, as crian&ccedil;as apresentaram uma not&aacute;vel    pobreza na comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-verbal, que envolvia tanto gestos    como tom afetivo de voz, empatia pobre e uma tend&ecirc;ncia a intelectualizar    as emo&ccedil;&otilde;es, uma inclina&ccedil;&atilde;o a ter uma fala prolixa,    em mon&oacute;logo e &agrave;s vezes incoerente, uma linguagem tendendo ao formalismo    (ele os denominou "pequenos professores"), interesses que ocupavam    totalmente o foco da aten&ccedil;&atilde;o envolvendo t&oacute;picos n&atilde;o-usuais    que dominavam sua conversa&ccedil;&atilde;o, e incoordena&ccedil;&atilde;o motora.    Ao contr&aacute;rio dos pacientes de Kanner, essas crian&ccedil;as n&atilde;o    eram t&atilde;o retra&iacute;das ou alheias; elas tamb&eacute;m desenvolviam,    &agrave;s vezes precocemente, uma linguagem altamente correta do ponto de vista    gramatical e n&atilde;o poderiam, de fato, ser diagnosticadas nos primeiros    anos de vida. Descartando a possibilidade de origem psicog&ecirc;nica, Asperger    salientou a natureza familiar da condi&ccedil;&atilde;o e, inclusive, levantou    a hip&oacute;tese de que os tra&ccedil;os de personalidade fossem de transmiss&atilde;o    ligada ao sexo masculino. O trabalho de Asperger, publicado originalmente em    alem&atilde;o, tornou-se amplamente conhecido no mundo angl&oacute;fono somente    em 1981, quando Lorna Wing publicou uma s&eacute;rie de casos apresentando sintomas    similares.<SUP>20</SUP> Sua codifica&ccedil;&atilde;o da s&iacute;ndrome, no    entanto, descaracterizou um pouco as diferen&ccedil;as entre as descri&ccedil;&otilde;es    de Kanner e Asperger, pois incluiu um pequeno n&uacute;mero de meninas e crian&ccedil;as    com retardo mental leve, bem como de algumas crian&ccedil;as que tinham apresentado    alguns atrasos de linguagem nos primeiros anos de vida. Desde ent&atilde;o,    v&aacute;rios estudos tentaram validar a SA como distinta do autismo sem retardo    mental, ainda que a compara&ccedil;&atilde;o dos achados esteja sendo dif&iacute;cil    devido &agrave; falta de consenso para os crit&eacute;rios diagn&oacute;sticos    da condi&ccedil;&atilde;o.<SUP>3</SUP> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A SA n&atilde;o recebeu um reconhecimento oficial    antes da publica&ccedil;&atilde;o da CID-10 e do DSM-IV, ainda que tenha sido    relatada pela primeira vez na literatura da Alemanha em 1944. O trabalho de    Asperger era conhecido essencialmente nos pa&iacute;ses german&oacute;fonos    e, somente nos anos 1970, foram feitas as primeiras compara&ccedil;&otilde;es    com o trabalho de Kanner, especialmente por pesquisadores holandeses, tais como    Van Krevelen, que tinham familiaridade com as literaturas em ingl&ecirc;s e    alem&atilde;o. As tentativas iniciais de comparar as duas condi&ccedil;&otilde;es    foram dif&iacute;ceis devido &agrave;s grandes diferen&ccedil;as nos pacientes    descritos – os pacientes de Kanner eram mais jovens e tinham maior preju&iacute;zo    cognitivo. Da mesma forma, a conceitualiza&ccedil;&atilde;o de Asperger foi    influenciada pelos relatos de esquizofrenia e de transtornos de personalidade,    ao passo que Kanner foi influenciado pelo trabalho de Arnold Gesell e sua abordagem    de desenvolvimento. Tentativas de codificar os escritos de Asperger em uma defini&ccedil;&atilde;o    categorial da condi&ccedil;&atilde;o foram feitas por v&aacute;rios pesquisadores    influentes na Europa e na Am&eacute;rica do Norte, mas nenhuma defini&ccedil;&atilde;o    consensual surgiu at&eacute; o advento da CID-10. E dada a reduzida valida&ccedil;&atilde;o    emp&iacute;rica dos crit&eacute;rios da CID-10 e do DSM-IV, a defini&ccedil;&atilde;o    da condi&ccedil;&atilde;o provavelmente ir&aacute; mudar &agrave; medida que    novos e mais rigorosos estudos surjam no futuro pr&oacute;ximo.<SUP>21</SUP>    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><B>2. Epidemiologia</B> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Dada a falta de defini&ccedil;&otilde;es diagn&oacute;sticas    at&eacute; recentemente, n&atilde;o &eacute; surpreendente que a preval&ecirc;ncia    da condi&ccedil;&atilde;o seja desconhecida, ainda que tenha sido relatado um    &iacute;ndice de preval&ecirc;ncia de 2 a 4 em 10.000.<SUP>22</SUP> H&aacute;    poucas d&uacute;vidas de que a condi&ccedil;&atilde;o seja mais prevalente entre    homens do que em mulheres, com um &iacute;ndice relatado de 9 para 1. Nos &uacute;ltimos    anos, tem havido uma prolifera&ccedil;&atilde;o de associa&ccedil;&otilde;es    de apoio familiar, organizadas em torno do conceito de SA, e h&aacute; indica&ccedil;&otilde;es    de que esse diagn&oacute;stico est&aacute; sendo feito pelos cl&iacute;nicos    de forma muito mais freq&uuml;ente do que h&aacute; somente alguns poucos anos;    h&aacute; tamb&eacute;m indica&ccedil;&otilde;es de que a SA tamb&eacute;m esteja    funcionando atualmente como um diagn&oacute;stico residual dado a crian&ccedil;as    com n&iacute;vel de intelig&ecirc;ncia normal e com um grau de comprometimento    de habilidades sociais que n&atilde;o preenchem os crit&eacute;rios de autismo,    superpondo-se, dessa forma, com o termo TID-SOE do DSM-IV. Possivelmente, o    uso mais comum do termo SA &eacute; como um sin&ocirc;nimo ou uma substitui&ccedil;&atilde;o    para autismo em indiv&iacute;duos com QIs normais ou superiores. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Esse padr&atilde;o diluiu o conceito e reduziu    sua utilidade cl&iacute;nica. A valida&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica dos    crit&eacute;rios diagn&oacute;sticos espec&iacute;ficos &eacute; extremamente    necess&aacute;ria, ainda que tenha que aguardar relatos de estudos rigorosos    que utilizem procedimentos diagn&oacute;sticos-padr&atilde;o, e fatores que    d&ecirc;em valida&ccedil;&atilde;o realmente independente da defini&ccedil;&atilde;o    diagn&oacute;stica, tais como dados neuropsicol&oacute;gicos, neurobiol&oacute;gicos    e gen&eacute;ticos.<SUP>3</SUP> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><B>3. Diagn&oacute;stico e caracter&iacute;sticas    cl&iacute;nicas</B> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">O diagn&oacute;stico de SA requer a demonstra&ccedil;&atilde;o    de preju&iacute;zos qualitativos na intera&ccedil;&atilde;o social e padr&otilde;es    de interesses restritos, crit&eacute;rios que s&atilde;o id&ecirc;nticos aos    do autismo. Ao contr&aacute;rio do autismo, n&atilde;o h&aacute; crit&eacute;rios    para o grupo dos sintomas de desenvolvimento da linguagem e de comunica&ccedil;&atilde;o    e os crit&eacute;rios de in&iacute;cio da doen&ccedil;a diferem no sentido de    que n&atilde;o deve haver retardo na aquisi&ccedil;&atilde;o da linguagem e    nas habilidades cognitivas e de autocuidado. Aqueles sintomas resultam num preju&iacute;zo    significativo no funcionamento social e ocupacional.<SUP>9</SUP> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Contrastando um pouco com a representa&ccedil;&atilde;o    social no autismo, os indiv&iacute;duos com SA encontram-se socialmente isolados,    mas n&atilde;o s&atilde;o usualmente inibidos na presen&ccedil;a dos demais.    Normalmente, eles abordam os demais, mas de uma forma inapropriada e exc&ecirc;ntrica.    Por exemplo, podem estabelecer com o interlocutor, geralmente um adulto, uma    conversa&ccedil;&atilde;o em mon&oacute;logo caracterizada por uma linguagem    prolixa, pedante, sobre um t&oacute;pico favorito e geralmente n&atilde;o-usual    e bem delimitado. Podem expressar interesse em fazer amizades e encontrar pessoas,    mas seus desejos s&atilde;o invariavelmente frustrados por suas abordagens desajeitadas    e pela insensibilidade em rela&ccedil;&atilde;o aos sentimentos e inten&ccedil;&otilde;es    das demais pessoas e pelas formas de comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-literais    e impl&iacute;citas que elas emitem (e.g., sinais de t&eacute;dio, pressa para    deixar o ambiente e necessidade de privacidade). Cronicamente frustrados pelos    seus repetidos fracassos de envolver outras pessoas e de estabelecer rela&ccedil;&otilde;es    de amizade, alguns indiv&iacute;duos com SA desenvolvem sintomas de transtorno    de ansiedade ou de humor que podem requerer tratamento, incluindo medica&ccedil;&atilde;o.    Eles tamb&eacute;m podem reagir de forma inapropriada ou n&atilde;o compreender    o valor do contexto da intera&ccedil;&atilde;o afetiva, geralmente transmitindo    um sentido de insensibilidade, formalidade ou desconsidera&ccedil;&atilde;o    pelas express&otilde;es emocionais das demais pessoas. Podem ser capazes de    descrever corretamente, de uma forma cognitiva e freq&uuml;entemente formalista,    as emo&ccedil;&otilde;es, as inten&ccedil;&otilde;es esperadas e as conven&ccedil;&otilde;es    das demais pessoas; no entanto, s&atilde;o incapazes de atuar de acordo com    essas informa&ccedil;&otilde;es de uma forma intuitiva e espont&acirc;nea, perdendo,    dessa forma, o ritmo da intera&ccedil;&atilde;o. Sua intui&ccedil;&atilde;o    pobre e falta de adapta&ccedil;&atilde;o espont&acirc;nea s&atilde;o acompanhadas    por um not&aacute;vel apego &agrave;s regras formais do comportamento e &agrave;s    r&iacute;gidas conven&ccedil;&otilde;es sociais. Essa apresenta&ccedil;&atilde;o    &eacute; respons&aacute;vel, em grande parte, pela impress&atilde;o de ingenuidade    social e rigidez comportamental, que &eacute; t&atilde;o for&ccedil;osamente    transmitida por esses indiv&iacute;duos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ainda que significativas anormalidades na linguagem    n&atilde;o sejam comuns em indiv&iacute;duos com SA, h&aacute; pelo menos tr&ecirc;s    aspectos nos padr&otilde;es de comunica&ccedil;&atilde;o desses indiv&iacute;duos    que s&atilde;o de interesse cl&iacute;nico.<SUP>21</SUP> Primeiro, a linguagem    pode ser marcada pela pros&oacute;dia pobre, ainda que a inflex&atilde;o e a    entona&ccedil;&atilde;o possam n&atilde;o ser t&atilde;o r&iacute;gidas e monot&ocirc;nicas    como no autismo. Eles geralmente exibem um espectro restrito de padr&otilde;es    de entona&ccedil;&atilde;o que &eacute; utilizado com pouca rela&ccedil;&atilde;o    no funcionamento comunicativo da declara&ccedil;&atilde;o (e.g., asser&ccedil;&otilde;es    de fato, coment&aacute;rios bem-humorados). A velocidade da fala   pode ser incomum (e.g., fala muito r&aacute;pida) ou pode haver falta de flu&ecirc;ncia    (e.g., fala entrecortada) e h&aacute;, freq&uuml;entemente, modula&ccedil;&atilde;o    pobre do volume (e.g., a voz &eacute; muito alta, apesar da proximidade f&iacute;sica    do parceiro da conversa&ccedil;&atilde;o). A &uacute;ltima caracter&iacute;stica    pode ser particularmente observ&aacute;vel no contexto de falta de ajustamento    ao ambiente social em quest&atilde;o (e.g., em uma biblioteca, em uma multid&atilde;o    barulhenta). Segundo, a fala pode ser tangencial e circunstancial, transmitindo    um sentido de frouxid&atilde;o de associa&ccedil;&otilde;es e incoer&ecirc;ncia.    Ainda que em um n&uacute;mero muito pequeno de casos esse sintoma possa ser    um indicador de um poss&iacute;vel transtorno de pensamento, a falta de conting&ecirc;ncia    na fala &eacute; um resultado do estilo de conversa&ccedil;&atilde;o em mon&oacute;logo    e egoc&ecirc;ntrico (e.g., mon&oacute;logos incans&aacute;veis sobre nomes,    c&oacute;digos e atributos de in&uacute;meras esta&ccedil;&otilde;es de TV no    pa&iacute;s), incapacidade de fornecer a origem dos coment&aacute;rios e de    demarcar claramente as mudan&ccedil;as de t&oacute;pico, e a n&atilde;o-supress&atilde;o    da produ&ccedil;&atilde;o vocal que acompanha os pensamentos introspectivos.    Terceiro, o estilo da comunica&ccedil;&atilde;o dos indiv&iacute;duos com SA    caracteriza-se, geralmente, por not&aacute;vel verbosidade. A crian&ccedil;a    ou adulto pode falar incessantemente sobre um assunto favorito, geralmente sem    qualquer rela&ccedil;&atilde;o com o fato de a pessoa que escuta estar interessada,    envolvida, ou tentar interpor um coment&aacute;rio ou alterar o tema da conversa&ccedil;&atilde;o.    Apesar de tais mon&oacute;logos prolixos, o indiv&iacute;duo pode n&atilde;o    chegar nunca a um ponto ou a uma conclus&atilde;o. As tentativas do interlocutor    de elaborar sobre quest&otilde;es de conte&uacute;do ou de l&oacute;gica ou    de mudar a conversa&ccedil;&atilde;o para t&oacute;picos relacionados s&atilde;o    freq&uuml;entemente frustradas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os indiv&iacute;duos com SA normalmente acumulam    uma grande quantidade de informa&ccedil;&otilde;es factuais sobre um t&oacute;pico,    de uma forma muito intensa. O t&oacute;pico em quest&atilde;o pode alterar-se    de tempos em tempos, mas em geral domina o conte&uacute;do do interc&acirc;mbio    social. Freq&uuml;entemente, toda a fam&iacute;lia pode estar imersa no assunto    por longos per&iacute;odos de tempo. Esse comportamento &eacute; extravagante    no sentido de que, na maior parte das vezes, grandes quantidades de informa&ccedil;&otilde;es    factuais s&atilde;o aprendidas sobre t&oacute;picos muito circunscritos (e.g.,    cobras, nomes de estrelas, guias de programa&ccedil;&atilde;o da TV, panelas    de fritura comerciais, informa&ccedil;&otilde;es sobre o tempo, informa&ccedil;&otilde;es    pessoais sobre membros do Congresso), sem uma genu&iacute;na compreens&atilde;o    dos fen&ocirc;menos mais amplos envolvidos. Esse sintoma pode nem sempre ser    facilmente reconhecido na inf&acirc;ncia, j&aacute; que fortes interesses, como    dinossauros ou personagens ficcionais da moda, s&atilde;o onipresentes. No entanto,    tanto em crian&ccedil;as mais jovens como em mais velhas, os interesses especiais    normalmente se tornam mais bizarros e com foco mais restrito. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Indiv&iacute;duos com SA podem ter um hist&oacute;rico    de aquisi&ccedil;&atilde;o atrasada das habilidades motoras, tais como andar    de bicicleta, agarrar uma bola, abrir garrafas e subir em brinquedos de parquinho    ao ar livre. Com freq&uuml;&ecirc;ncia, s&atilde;o visivelmente desajeitados    e t&ecirc;m uma coordena&ccedil;&atilde;o pobre, e podem exibir padr&otilde;es    de andar arqueado ou aos saltos e uma postura bizarra. Do ponto de vista neuropsicol&oacute;gico,    existe, em geral, um padr&atilde;o relativamente elevado em habilidades auditivas    e verbais e aprendizado repetitivo, e d&eacute;ficits significativos nas habilidades    visuomotoras e visuoperceptuais e no aprendizado conceptual. Muitas crian&ccedil;as    exibem altos n&iacute;veis de atividade na inf&acirc;ncia precoce e, como mencionado,    podem desenvolver ansiedade e depress&atilde;o na adolesc&ecirc;ncia e no in&iacute;cio    da vida adulta. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><B>4. Curso e progn&oacute;stico </B> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">N&atilde;o h&aacute; ainda estudos sistem&aacute;ticos    de acompanhamento no longo prazo de crian&ccedil;as com SA, parcialmente devido    a problemas com a nosologia. Muitas crian&ccedil;as s&atilde;o capazes de assistir    a aulas em escola regular com servi&ccedil;os de apoio adicional, ainda que    sejam especialmente vulner&aacute;veis a serem vistas como exc&ecirc;ntricas    e a serem alvo de chacotas ou serem vitimizadas; outras requerem servi&ccedil;os    de educa&ccedil;&atilde;o especial, geralmente n&atilde;o devido a d&eacute;ficits    acad&ecirc;micos, mas devido &agrave;s suas dificuldades sociais e comportamentais.    A descri&ccedil;&atilde;o inicial de Asperger previu um desfecho positivo para    muitos de seus pacientes que, com freq&uuml;&ecirc;ncia, eram capazes de utilizar    seus talentos especiais para obter emprego e ter vidas auto-sustentadas. Sua    observa&ccedil;&atilde;o de tra&ccedil;os similares em familiares, i.e. pais,    pode tamb&eacute;m t&ecirc;-lo tornado mais otimista sobre o desfecho final.    Ainda que seu relato tenha sido pouco comprovado durante o per&iacute;odo em    que ele tinha visto 200 pacientes com a s&iacute;ndrome (25 anos ap&oacute;s    seu artigo original), Asperger continuava a acreditar que um desfecho mais positivo    era um crit&eacute;rio central para diferenciar os indiv&iacute;duos com sua    s&iacute;ndrome daqueles com o autismo de Kanner. Ainda que alguns cl&iacute;nicos    tenham apoiado informalmente essa afirma&ccedil;&atilde;o, particularmente com    rela&ccedil;&atilde;o a conseguir um bom emprego, independ&ecirc;ncia e o estabelecimento    de uma fam&iacute;lia, n&atilde;o existe nenhum estudo dispon&iacute;vel que    tenha estudado especificamente o desfecho no longo prazo de indiv&iacute;duos    com SA. O preju&iacute;zo social (particularmente as excentricidades e a insensibilidade    social) &eacute; considerado permanente. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><B>Conclus&atilde;o </B> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As s&iacute;ndromes aut&iacute;sticas e a de    Asperger s&atilde;o s&iacute;ndromes originadas de altera&ccedil;&otilde;es    precoces e fundamentais no processo de socializa&ccedil;&atilde;o, levando a    uma cascata de impactos no desenvolvimento da atividade e adapta&ccedil;&atilde;o,    da comunica&ccedil;&atilde;o e imagina&ccedil;&atilde;o sociais, entre outros    comprometimentos. Muitas &aacute;reas do funcionamento cognitivo est&atilde;o    freq&uuml;entemente preservadas e, &agrave;s vezes, os indiv&iacute;duos com    essas condi&ccedil;&otilde;es exibem habilidades surpreendentes e at&eacute;    prodigiosas. O in&iacute;cio precoce, o perfil de sintomas e a cronicidade dessas    condi&ccedil;&otilde;es implicam que mecanismos biol&oacute;gicos sejam centrais    na etiologia do processo.<SUP>23</SUP> Avan&ccedil;os na gen&eacute;tica, neurobiologia    e neuroimagem (descritos em outros artigos deste suplemento) est&atilde;o ampliando    conjuntamente nossa compreens&atilde;o sobre a natureza dessas condi&ccedil;&otilde;es    e sobre a forma&ccedil;&atilde;o do c&eacute;rebro social em indiv&iacute;duos    com esses caracter&iacute;sticas.<SUP>24</SUP> Junto com esta nova onda de estudos    prospectivos sobre o autismo,<SUP>25</SUP> na qual irm&atilde;os sob risco de    desenvolver a condi&ccedil;&atilde;o s&atilde;o acompanhados desde o nascimento,    uma nova perspectiva da neuroci&ecirc;ncia social sobre a patog&ecirc;nese e    a psicobiologia dos fatores est&aacute; surgindo. Este esfor&ccedil;o provavelmente    ir&aacute; elucidar os mist&eacute;rios da etiologia e da patog&ecirc;nese dessas    condi&ccedil;&otilde;es. A transi&ccedil;&atilde;o do foco das pesquisas para    tratamentos mais eficazes, sen&atilde;o a preven&ccedil;&atilde;o, ir&aacute;    provavelmente acontecer. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><B>Refer&ecirc;ncias</B></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"><B>1</b>. Volkmar FR, Lord C, Bailey A, Schultz    RT, Klin A. Autism and pervasive developmental disorders. <I>J Child Psychol    Psychiatry</I>. 2004;45(1):135-70. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000075&pid=S1516-4446200600050000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"><B>2</B>. Rutter M. Genetic influences in autism.    In: Volkmar F, Paul R, Klin A, Cohen D, editors. Handbook of autism and pervasive    developmental disorders. 3rd ed. New York: Wiley; 2005. Volume 1, Section III,    Chapter 16, p. 425-52. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000076&pid=S1516-4446200600050000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"><B>3</B>. Klin A, Pauls D, Schultz R, Volkmar    F. Three diagnostic approaches to Asperger syndrome: implications for research.    <I>J Autism Dev Disord</I>. 2005;35(2):221-34. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000077&pid=S1516-4446200600050000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"><B>4</B>. Fombonne E. Epidemiological studies    of pervasive developmental disorders. In: Volkmar F, Paul R, Klin A, Cohen D,    editors. Handbook of autism and pervasive developmental disorders. 3rd ed. New    York: Wiley; 2005. Volume 1, Section I, Chapter 2, p. 42-69. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000078&pid=S1516-4446200600050000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"><B>5</B>. Kanner L. Autistic disturbances of    affective contact. <I>Nerv Child</I>. 1943;2:217-50. 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Developmental deficits    in social perception in autism: the role of the amygdale and fusiform face area.    <I>Int J Devl Neuroscience</I>. 2005;23(2-3):125-41. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000087&pid=S1516-4446200600050000200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"><B>14</B>. Klin A, Saulnier C, Tsatsanis K, Volkmar    F. Clinical evaluation in autism spectrum disorders: psychological assessment    within a transdisciplinary framework. In: Volkmar F, Paul R, Klin A, Cohen D,    editors. Handbook of Autism and Pervasive Developmental Disorders. 3rd ed. New    York: Wiley; 2005. 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Executive    functions and developmental psychopathology. <I>J Child Psychol Psychiatry</I>.    1996;37(1):51-87. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000090&pid=S1516-4446200600050000200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"><B>17</B>. Hermelin B. Bright splinters of the    mind: a personal story of research with autistic savants. London: Jessica Kingsley    Publishers; 2001. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000091&pid=S1516-4446200600050000200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"><B>18</B>. Howlin P. Outcomes in autism spectrum    disorders. In: Volkmar F, Paul R, Klin A, Cohen D, editors. Handbook of autism    and pervasive developmental disorders. 3rd ed. New York: Wiley; 2005. Volume    1, Section I, Chapter 7, p. 201-21. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000092&pid=S1516-4446200600050000200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"><B>19</B>. Asperger H. 'Autistic Psychopathy'    in childhood. (trans. U. Frith) In: Frith U. Autism and Asperger Syndrome. 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Epidemiologic    data on Asperger disorder. <I>Child Adolesc Psychiatric Clin N Am</I>. 2003;12(1):15-21,    v-vi. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000096&pid=S1516-4446200600050000200022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"><B>23</B>. Klin A, Jones W, Schultz R, Volkmar    F, Cohen D. Defining and quantifying the social phenotype in autism. <I>Am J    Psychiatry</I>. 2002;159(6):895-908. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000097&pid=S1516-4446200600050000200023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"><B>24</B>. Schultz RT, Romanski LM, Tsatsanis    KD. Neurofunctional models of autistic disorder and Asperger syndrome: clues    from neuroimaging. In: Klin A, Volkmar FR, Sparrow SS, editors. Asperger Syndrome.    New York: Guilford Press; 2000. p. 172-209. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S1516-4446200600050000200024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana"><B>25</B>. Zwaigenbaum L, Bryson S, Rogers T,    Roberts W, Brian J, Szatmari P. 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<body><![CDATA[<br>   Ami Klin    <br>   Yale Child Study Center    <br>   230 South Frontage Road    <br>   New Haven CT 06520, USA</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Financiamento: Inexistente    <br>   Conflito de interesses: Inexistente </font></p>      ]]></body><back>
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