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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Entre o reflexo e a proposição: dilemas sobre o encerramento dos fóruns deliberativos]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[How can we end a deliberation? What is the concrete result that a deliberative forum may address to the institutions and the public? The deliberative theory is not clear on this issue, while the practice tends to switch between different solutions. In principle, the conclusion of a deliberation should meet two criteria: faithfulness and straightforwardness. Since these criteria are contradictory, practical experiences tend to favour one of them. Through the analysis of the most diffused practices, the paper considers four types of conclusions, two of them point mostly on fidelity (the "mirror conclusions") and two on straightforwardness (the "proposal conclusions"). The strengths and weaknesses of these four types of conclusion are then evaluated.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"> <font size="2"><b><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">DOSSI&Ecirc;</font></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4"><b><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entre o reflexo e a proposi&ccedil;&atilde;o:</font> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">dilemas sobre o encerramento dos f&oacute;runs   deliberativos<a id="tx1"></a><a href="#nt1"><sup>1</sup></a></font></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Between reflex and   proposition: dilemmas in closing deliberative forums</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Luigi Bobbio</font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Luigi Bobbio, Universit&agrave; di Torino, Dipartimento di studi   politici, via Giolitti 33, 10123 Torino, It&aacute;lia. Tel. +390116704109, <a href="mailto:luigi.bobbio@unito.it">luigi.bobbio@unito.it</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como   se pode encerrar uma delibera&ccedil;&atilde;o? Qual o resultado concreto que um f&oacute;rum   deliberativo pode transmitir &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es e ao p&uacute;blico? A teoria   deliberativa n&atilde;o &eacute; clara sobre isso, embora a pr&aacute;tica tenda a oscilar entre   diferentes solu&ccedil;&otilde;es. Em princ&iacute;pio, a conclus&atilde;o de uma delibera&ccedil;&atilde;o deveria   responder a dois crit&eacute;rios: fidelidade e univocidade. Por&eacute;m, como esses   crit&eacute;rios s&atilde;o contradit&oacute;rios, tende-se a privilegiar um ou outro nas experi&ecirc;ncias   concretas. Analisando seus dispositivos mais difundidos, o artigo considera   quatro tipos de encerramento &#150; dois visam mais &agrave; fidelidade (as "conclus&otilde;es   reflexo") e dois visam &agrave; univocidade (as "conclus&otilde;es proposi&ccedil;&atilde;o") &#150; e avalia os   pontos fortes e fracos de cada um. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Teoria deliberativa. Conclus&atilde;o do   processo deliberativo. J&uacute;ris cidad&atilde;os. Participa&ccedil;&atilde;o social.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">How can we end a deliberation? What   is the concrete result that a deliberative forum may address to the   institutions and the public? The deliberative theory is not clear on this   issue, while the practice tends to switch between different solutions. In   principle, the conclusion of a deliberation should meet two criteria:   faithfulness and straightforwardness. Since these criteria are contradictory,   practical experiences tend to favour one of them. Through the analysis of the   most diffused practices, the paper considers four types of conclusions, two of   them point mostly on fidelity (the "mirror conclusions") and two on   straightforwardness (the "proposal conclusions").&nbsp; The strengths and weaknesses   of these four types of conclusion are then evaluated.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Keywords:</b> Deliberative theory. Conclusion of   deliberative process. Citizen's juries. Social participation.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como se pode encerrar uma delibera&ccedil;&atilde;o? Qual o resultado   concreto que um f&oacute;rum deliberativo pode transmitir &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es e ao p&uacute;blico?   O problema do encerramento da delibera&ccedil;&atilde;o constitui &#150; em minha opini&atilde;o &#150; um   ponto fraco da teoria da delibera&ccedil;&atilde;o e, sobretudo, da pr&aacute;tica (minip&uacute;blicos,   f&oacute;runs deliberativos, debates p&uacute;blicos, etc., Fung, 2003), pois a teoria   dedica-se mais ao processo do que &agrave; sua conclus&atilde;o. Ela presume que o pr&oacute;prio   fato de argumentar em grupo, em condi&ccedil;&otilde;es de paridade, produz efeitos virtuosos   independentemente das conclus&otilde;es adotadas ao final da discuss&atilde;o: o processo   deliberativo melhora as rela&ccedil;&otilde;es entre os participantes, favorece a   aprendizagem, atenua os preconceitos, etc. No entanto, embora a delibera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o   seja apenas uma discuss&atilde;o ou uma conversa (Manin, 2005; Urfalino, 2005), mas   uma confronta&ccedil;&atilde;o argumentada e voltada &agrave; solu&ccedil;&atilde;o de um problema ou ao desfecho   de uma controv&eacute;rsia ou conflito, &eacute; importante ver se e como essas dificuldades   s&atilde;o efetivamente resolvidas. Ou, ent&atilde;o, o que resulta delas. Ali&aacute;s, pode-se   supor que a principal virtude da delibera&ccedil;&atilde;o &eacute; produzir algo que n&atilde;o existia   anteriormente: ou redefinindo (ampliando, modificando, esclarecendo) o problema   inicial, ou encontrando solu&ccedil;&otilde;es in&eacute;ditas. Portanto, seu encerramento &eacute;   importante e n&atilde;o pode ser negligenciado. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nem sempre   a teoria &eacute; precisa sobre esse assunto. Discutiu-se muito a "imposs&iacute;vel" f&oacute;rmula   da "for&ccedil;a do melhor argumento" de Habermas, questionou-se se a necessidade real   do consenso, ou a admissibilidade do voto. Interrogou-se a possibilidade de   substituir o consenso (frequentemente imposs&iacute;vel ou n&atilde;o desej&aacute;vel) por sa&iacute;das   mais flex&iacute;veis e, ao mesmo tempo, mais realistas, como o <i>metaconsenso</i> (Niemeyer e Dryzek, 2007), isto &eacute;,   um consenso mais sobre a natureza da quest&atilde;o do que sobre a solu&ccedil;&atilde;o, ou &#150; em um   esp&iacute;rito pragm&aacute;tico &#150; a <i>conflu&ecirc;ncia</i> em torno de um problema comum   (Kadlec, 2008). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esses arrazoados n&atilde;o se traduzem facilmente na pr&aacute;tica. As experi&ecirc;ncias   concretas necessitam chegar a uma conclus&atilde;o, s&atilde;o obrigadas a produzir um   resultado capaz de mostrar ao exterior o que a delibera&ccedil;&atilde;o concluiu. Uma   discuss&atilde;o sem desfecho corre o risco de permanecer muda e, portanto, de parecer   in&uacute;til. Se cidad&atilde;os fazem o esfor&ccedil;o de se reunirem, de se informarem, de   refletirem juntos, eles devem mostrar os resultados disso. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na pr&aacute;tica dos f&oacute;runs deliberativos, encontraram-se solu&ccedil;&otilde;es muito   diferentes, at&eacute; opostas, que revelam um certo constrangimento em rela&ccedil;&atilde;o a esse   assunto. O problema &eacute; que o encerramento de uma delibera&ccedil;&atilde;o deveria responder a   dois crit&eacute;rios contradit&oacute;rios: fidelidade e univocidade. De um lado, o   encerramento deveria ser o mais fiel poss&iacute;vel ao processo deliberativo que o antecedeu,   sem trair as vozes dos participantes. De outro, ele deveria ser o mais claro e   preciso poss&iacute;vel para comunicar ao exterior de maneira eficaz o conte&uacute;do dos   resultados. O primeiro crit&eacute;rio visa o ponto de partida, a coer&ecirc;ncia com o   debate; o segundo crit&eacute;rio visa sua continuidade, o impacto da delibera&ccedil;&atilde;o no   p&uacute;blico, nas institui&ccedil;&otilde;es competentes e &#150; pode-se acrescentar &#150; no sistema   deliberativo em sua complexidade (Mansbridge <i>et al</i>., 2011).   Trata-se do problema da rela&ccedil;&atilde;o entre o n&iacute;vel micro e o n&iacute;vel macro (Hendricks,   2006; Goodin, 2008). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os dois   crit&eacute;rios s&atilde;o potencialmente contradit&oacute;rios: uma conclus&atilde;o fiel corre o risco   de n&atilde;o ser suficientemente clara e de n&atilde;o responder de modo preciso &agrave; pergunta   que todos fazem ao final de uma delibera&ccedil;&atilde;o: "mas, resumindo, o que foi   decidido?". Uma conclus&atilde;o clara, ao contr&aacute;rio, corre o risco de n&atilde;o ser muito   fiel, de suprimir nuances, d&uacute;vidas ou mesmo diverg&ecirc;ncias, em nome da   visibilidade. Raz&atilde;o do dilema: &eacute; prefer&iacute;vel refletir o que aconteceu ou fazer   uma s&iacute;ntese? &Eacute; prefer&iacute;vel um encerramento que se apresente como um reflexo ou   um encerramento que assuma a forma de uma proposi&ccedil;&atilde;o ou de uma escolha?&nbsp; Nas   experi&ecirc;ncias pr&aacute;ticas, tende-se a oscilar entre os dois, conforme o objetivo   almejado. Alguns dispositivos visam, sobretudo, ao "encerramento-reflexo";   outros, ao encerramento-proposi&ccedil;&atilde;o". Considerando as diferentes experi&ecirc;ncias   deliberativas do mundo real, parece-me que se pode agrupar as formas principais   de encerramento em quatro tipos: dois tendem ao modelo do reflexo e dois ao   modelo da proposi&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Mudan&ccedil;a das opini&otilde;es</font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O primeiro   tipo de conclus&atilde;o, que reflete o processo sem formular nenhuma proposi&ccedil;&atilde;o, &eacute; o   adotado pelas sondagens deliberativas (<i>Deliberative     Pollings, </i>Fishkin,   1995, 2009) e, &agrave;s vezes, tamb&eacute;m por outros dispositivos (por exemplo, j&uacute;ris de   cidad&atilde;os). Nesses casos, o resultado final da delibera&ccedil;&atilde;o consiste em uma   compara&ccedil;&atilde;o entre as opini&otilde;es expressas pelos participantes, sobre as mesmas   quest&otilde;es, antes e depois do processo. A delibera&ccedil;&atilde;o encerra-se mostrando se e   como suas opini&otilde;es mudaram. Sua conclus&atilde;o &eacute; a medida dessa mudan&ccedil;a. As   sondagens deliberativas n&atilde;o formulam nenhuma escolha, n&atilde;o tomam nenhuma   decis&atilde;o, n&atilde;o visam a um consenso nem &agrave; resolu&ccedil;&atilde;o de conflitos. As pessoas   recebem informa&ccedil;&otilde;es, fazem perguntas aos especialistas, discutem em pequenos   grupos e, ao final, preenchem um question&aacute;rio com os mesmos itens que j&aacute; haviam   respondido quando recrutadas. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>       <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A sondagem deliberativa</b></font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="left"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A sondagem deliberativa (<i>Deliberative     Polling</i>) foi proposta por James Fishkin (1995, 2009), com o     objetivo de examinar como cidad&atilde;os comuns, sorteados aleatoriamente, mudam suas     opini&otilde;es depois de receber informa&ccedil;&otilde;es sobre um problema de car&aacute;ter p&uacute;blico e     de discuti-lo com especialistas. As sondagens deliberativas envolvem entre 200     e 600 pessoas e s&atilde;o geralmente realizadas ao longo de um fim de semana. A     informa&ccedil;&atilde;o &eacute; transmitida aos participantes atrav&eacute;s de material informativo     especial, elaborado em conjunto pelos principais interessados; a discuss&atilde;o &eacute;     realizada em pequenos grupos em que os participantes, reunidos em sess&atilde;o     plen&aacute;ria, fazem perguntas aos especialistas e pol&iacute;ticos. Um mesmo question&aacute;rio     &eacute; aplicado aos participantes antes e depois do evento, para verificar eventuais     mudan&ccedil;as de opini&atilde;o.</font></p>       <p align="left"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na It&aacute;lia, uma sondagem deliberativa foi realizada em Turim, em 2007,     sobre os direitos de voto dos imigrantes e sobre um projeto de infraestrutura     (uma nova linha ferrovi&aacute;ria Lyon-Turim) que era alvo de intensa pol&ecirc;mica na     regi&atilde;o em que seria constru&iacute;da (Isernia <i>et al</i>., 2008).</font></p>       <p align="left">&nbsp;</p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa abordagem baseia-se na ideia &#150; fundamental na teoria da   democracia deliberativa &#150; de que as prefer&ecirc;ncias n&atilde;o s&atilde;o definitivas, mas que   evoluem e se modificam quando expostas a uma troca discursiva. A pr&aacute;tica das   sondagens deliberativas teve o grande m&eacute;rito de demonstrar, ap&oacute;s in&uacute;meras   experimenta&ccedil;&otilde;es, que, de fato, h&aacute; importantes mudan&ccedil;as de opini&atilde;o e,   principalmente, que essas mudan&ccedil;as orientam-se para atitudes menos ego&iacute;stas e   mais solid&aacute;rias. Por essa raz&atilde;o, criticam-se as sondagens tradicionais, que s&oacute;   detectam opini&otilde;es brutas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A meu ver, o problema principal desse procedimento &eacute; que o   resultado da delibera&ccedil;&atilde;o &eacute; verificado somente em n&iacute;vel individual. V&ecirc;-se como   cada participante se transforma, mas n&atilde;o se v&ecirc; se h&aacute; consequ&ecirc;ncias coletivas.   Os participantes n&atilde;o s&atilde;o encorajados a oferecer novas solu&ccedil;&otilde;es ou novas vis&otilde;es   do problema. Al&eacute;m disso, como o question&aacute;rio &eacute; preparado de antem&atilde;o, ele n&atilde;o   pode levar em conta os novos temas ou as novas abordagens que surgem no debate.   Refletem-se as posi&ccedil;&otilde;es dos participantes sobre as quest&otilde;es que os   organizadores j&aacute; haviam previsto desde o in&iacute;cio, mas n&atilde;o se podem registrar as   diferen&ccedil;as ocorridas ao longo do processo. Tudo permanece no n&iacute;vel individual.   Os resultados provenientes dos question&aacute;rios s&atilde;o fi&eacute;is, mas refletem apenas a   transforma&ccedil;&atilde;o das prefer&ecirc;ncias individuais em eixos determinados de antem&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A efic&aacute;cia dos   question&aacute;rios &eacute; vari&aacute;vel. Na maioria dos casos, os itens s&atilde;o muito numerosos e   as respostas revelam v&aacute;rias tend&ecirc;ncias, que devem ser interpretadas. Os   resultados podem ser mais claros quando existe uma problem&aacute;tica principal (por   exemplo, no caso da sondagem deliberativa sobre a ado&ccedil;&atilde;o do euro na Dinamarca)   (Andersen e Hanse, 2007).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Representa&ccedil;&atilde;o dos discursos</font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma outra   maneira, completamente diferente, de oferecer um reflexo ao desenrolar da   discuss&atilde;o &eacute; apresentar, ao final da delibera&ccedil;&atilde;o, a pluralidade dos temas,   demandas, argumentos e posi&ccedil;&otilde;es que circularam durante o processo. O documento   conclusivo &eacute; um cat&aacute;logo, mais ou menos argumentado, de tudo que resultou da   delibera&ccedil;&atilde;o. Tampouco nesse caso a delibera&ccedil;&atilde;o chega a uma proposi&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o   s&atilde;o as opini&otilde;es dos indiv&iacute;duos que s&atilde;o detectadas (e contadas), e sim os   argumentos apresentados, independentemente de terem sido defendidos por um   grande n&uacute;mero de participantes, por grupos min&uacute;sculos ou at&eacute; mesmo por uma   &uacute;nica pessoa. Nesse caso, &eacute; a natureza ou a qualidade do argumento que conta,   n&atilde;o a amplitude da ades&atilde;o. Renuncia-se a qualquer forma de cumula&ccedil;&atilde;o quantitativa   (presente, ao contr&aacute;rio, no procedimento anterior), limitando-se a representar   &#150; qualitativamente &#150; a totalidade dos argumentos sem posicionar-se sobre nenhum   deles. Esse procedimento corresponde a um outro princ&iacute;pio evocado pelos   te&oacute;ricos da delibera&ccedil;&atilde;o: um f&oacute;rum deliberativo n&atilde;o deve ser representativo dos   indiv&iacute;duos, mas dos discursos &#150; de todos os discursos &#150; existentes na sociedade   sobre a quest&atilde;o submetida &agrave; delibera&ccedil;&atilde;o (Drysek e Niemeyer, 2008). Nessas   experi&ecirc;ncias, o objetivo da delibera&ccedil;&atilde;o &eacute; encorajar a express&atilde;o e o confronto   de todos os discursos; portanto, seu resultado consiste em um levantamento dos   discursos e das discuss&otilde;es feitas. Diferentemente do procedimento anterior,   neste o levantamento final pode registrar os novos temas surgidos no debate e   provocar surpresas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">V&aacute;rias   experi&ecirc;ncias deliberativas terminam com encerramentos desse tipo. &Eacute; o caso das   "reuni&otilde;es em espa&ccedil;o aberto" (<i>Open     Space Technology</i>),   onde os participantes s&atilde;o convidados a propor temas e a discuti-los com os   interessados. O objetivo &eacute; explorar uma ampla variedade de temas e de   abordagens e incitar &agrave; criatividade. Nessas reuni&otilde;es, n&atilde;o se busca decidir,   mas, ao contr&aacute;rio, explorar uma vasta gama de possibilidades. O relat&oacute;rio final   &eacute; apenas a apresenta&ccedil;&atilde;o dos temas escolhidos e das discuss&otilde;es feitas nos   grupos. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <blockquote>       <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b><i>Open Space Technology</i></b></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Trata-se de uma     ferramenta, proposta por Harrison Owen (1997), adequada a abranger um p&uacute;blico     entre 100 e 300 pessoas em eventos cujo objetivo &eacute; levantar livremente temas,     problemas e solu&ccedil;&otilde;es. N&atilde;o h&aacute; oradores convidados para falar nem programa     predefinido. A reuni&atilde;o &eacute; organizada a partir do princ&iacute;pio de que s&atilde;o os     participantes, reunidos em um grande c&iacute;rculo e informados sobre algumas regras     de trabalho, que elaborar&atilde;o o programa do encontro. Os participantes que     desejarem podem propor temas para discuss&atilde;o e reunirem-se para discuti-las com     quem quiserem. Ao final do dia, &eacute; apresentado um relat&oacute;rio breve com os temas     de debate e um resumo das discuss&otilde;es nos grupos. O m&eacute;todo &eacute; particularmente     adequado para explorar um situa&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica atrav&eacute;s de um processo     participativo.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nos &uacute;ltimos anos, foram realizadas dezenas de experi&ecirc;ncias     deste tipo na It&aacute;lia (Garramone e Aicardi, 2009).</font></p>       <p>&nbsp;</p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um   encerramento semelhante ocorre em um contexto bem diferente &#150; os conflitos   sobre as infraestruturas &#150;, no caso dos debates p&uacute;blicos administrados pela <i>Comiss&atilde;o Nacional do Debate P&uacute;blico</i>, na Fran&ccedil;a (Revel <i>et al</i>., 2007). Nesse caso, o que se   busca decidir &eacute; a oportunidade e o conte&uacute;do de um projeto. Todavia, a defini&ccedil;&atilde;o   da decis&atilde;o n&atilde;o &eacute; deixada ao debate, mas ao gestor do projeto ap&oacute;s a conclus&atilde;o.   O debate tem um outro objetivo: levantar os argumentos, isto &eacute;, permitir a   todos os cidad&atilde;os envolvidos que expressem seus pontos de vista plurais. O   relat&oacute;rio da comiss&atilde;o particular do debate p&uacute;blico consiste, portanto, em uma   apresenta&ccedil;&atilde;o argumentada do estado da quest&atilde;o. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>       <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O debate p&uacute;blico franc&ecirc;s</b></font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ap&oacute;s os intensos protestos da popula&ccedil;&atilde;o local contra o     tra&ccedil;ado da linha f&eacute;rrea de trens de alta velocidade entre Lyon e Marselha, no     in&iacute;cio dos anos 1990, o governo franc&ecirc;s decidiu que os projetos de grandes     obras p&uacute;blicas deveriam ser submetidos previamente a um debate p&uacute;blico entre     todas as pessoas interessadas. Com a Lei Barnier, de 1995, parcialmente     alterada em 2002, foi institu&iacute;da uma autoridade independente, denominada     Comiss&atilde;o Nacional do Debate P&uacute;blico (CNDP), com a compet&ecirc;ncia de estabelecer um     debate p&uacute;blico sobre todos os grandes projetos de infraestrutura que atendessem     a determinados requisitos. O debate tem a dura&ccedil;&atilde;o de quatro meses e abrange n&atilde;o     s&oacute; as caracter&iacute;sticas do projeto, mas tamb&eacute;m a oportunidade de realiza&ccedil;&atilde;o da     obra. &Eacute; precedido de uma extensa campanha informativa voltada &agrave; popula&ccedil;&atilde;o     envolvida, da qual participam todas as associa&ccedil;&otilde;es e grupos que o desejarem.     Ap&oacute;s o debate p&uacute;blico, o presidente da Comiss&atilde;o elabora um relat&oacute;rio do qual     constam os argumentos a favor e contra coletados ao longo dos quatro meses. No     prazo de tr&ecirc;s meses a partir da publica&ccedil;&atilde;o do relat&oacute;rio, o proponente da obra     deve informar de sua inten&ccedil;&atilde;o de seguir com o projeto, alter&aacute;-lo ou retir&aacute;-lo     (Fourniau 2001, Revel et al.,&nbsp; 2007).</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O mesmo mecanismo foi utilizado na It&aacute;lia no caso do     distrito de Castelfalfi e da autoestrada urbana de G&ecirc;nova. </font></p>       <p>&nbsp;</p>       <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O debate p&uacute;blico sobre o vilarejo de     Caltelfalfi</b></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Castelfalfi &eacute; um vilarejo medieval, no munic&iacute;pio de     Montaione, na Toscana, quase totalmente abandonado. Foi comprado por uma empresa     alem&atilde;, que decidiu transform&aacute;-lo em um resort tur&iacute;stico, com a restaura&ccedil;&atilde;o dos     antigos pr&eacute;dios e a constru&ccedil;&atilde;o de novos. O munic&iacute;pio decidiu abrir um debate     p&uacute;blico, administrado pela Garantia Geral da Comunica&ccedil;&atilde;o , que durou quatro     meses (de setembro a dezembro de 2007). O relat&oacute;rio final da Garantia deu ao     munic&iacute;pio a possibilidade de negociar com a empresa propriet&aacute;ria uma diminui&ccedil;&atilde;o     das novas constru&ccedil;&otilde;es (Floridia, 2008).</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;<a href="http://www.dp-castelfalfi.it/home.page" target="_blank">http://www.dp-castelfalfi.it/home.page</a></font></p>       <p>&nbsp;</p>       <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O debate p&uacute;blico sobre o contorno     rodovi&aacute;rio de G&ecirc;nova</b></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O munic&iacute;pio de G&ecirc;nova decidiu, no final de 2008, com o     consentimento do proponente privado da obra (a Societ&agrave; autostrade), submeter a     um debate p&uacute;blico o projeto de um contorno rodovi&aacute;rio de 20 km a oeste da     cidade, j&aacute; rejeitado em 1990 por oposi&ccedil;&atilde;o dos moradores: o tra&ccedil;ado passava em     meio urbano e v&aacute;rias casas teriam sido demolidas. Dessa vez, decidiu-se     apresentar ao p&uacute;blico cinco alternativas diferentes de tra&ccedil;ado. O debate,     administrado por uma comiss&atilde;o independente, formada por especialistas     estrangeiros ao meio genov&ecirc;s, seguiu de perto o modelo franc&ecirc;s. Desenrolou-se     em tr&ecirc;s meses em um contexto muito turbulento devido &agrave;s contesta&ccedil;&otilde;es dos     comit&ecirc;s dos moradores. Ap&oacute;s a conclus&atilde;o do debate, o proponente escolheu uma     das cinco alternativas, com v&aacute;rias mudan&ccedil;as, a fim de minimizar o impacto da     autoestrada sobre as habita&ccedil;&otilde;es. Essa escolha foi aceita pelas coletividades     locais e, em 2011, o proponente concluiu o projeto (Bobbio 2010; Pomatto 2011).</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="http://urbancenter.comune.genova.it/spip.php?rubrique7068" target="_blank">http://urbancenter.comune.genova.it/spip.php?rubrique7068</a></font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A lei toscana sobre participa&ccedil;&atilde;o</b></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 2007, ap&oacute;s um complexo processo participativo que durou     mais de um ano, o Conselho Regional da Toscana aprovou a primeira lei sobre a     participa&ccedil;&atilde;o promulgada na It&aacute;lia.     A lei prev&ecirc; o estabelecimento de uma autoridade independente monocr&aacute;tica,     denominada "Autoridade regional para a garantia e promo&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o",     que &eacute; designada pelo Conselho Regional ap&oacute;s este ouvir os candidatos, e que tem     como principais atribui&ccedil;&otilde;es: </font></p>   <ul>         <li><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">gerenciar o debate p&uacute;blico pr&eacute;vio sobre projetos       de grandes obras (conforme o modelo franc&ecirc;s);</font></li>         <li><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">selecionar os projetos de participa&ccedil;&atilde;o propostos       pelas autoridades locais e pela sociedade civil com base em crit&eacute;rios       estabelecidos por lei. Os projetos selecionados recebem apoio financeiro da       regi&atilde;o, bem como apoio t&eacute;cnico na forma de consultoria.</font></li>       </ul>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A lei tem prazo de vig&ecirc;ncia: expira automaticamente ao cabo     de 5 anos. Sua eventual renova&ccedil;&atilde;o deve ser precedida de uma discuss&atilde;o     aprofundada para avalia&ccedil;&atilde;o de sua implementa&ccedil;&atilde;o nos cinco anos anteriores     (Floridia, 2007). Nos primeiros tr&ecirc;s anos de execu&ccedil;&atilde;o, nenhum debate p&uacute;blico     sobre grandes obras foi realizado, mas a autoridade financiou 71 projetos     participativos. A maioria deles foi proposta pelas autoridades locais. Apenas     10% foram apresentados por associa&ccedil;&otilde;es ou por cidad&atilde;os (Irpet, 2011).</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="http://www.consiglio.regione.toscana.it/partecipazione/" target="_blank">www.consiglio.regione.toscana.it/partecipazione/</a></font></p>       <p>&nbsp;</p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O "cat&aacute;logo dos discursos" que encerra esses tipos de f&oacute;runs   pode ser percebido como inoperante. Nenhuma proposi&ccedil;&atilde;o &eacute; oferecida, nenhuma   escolha &eacute; considerada. A decis&atilde;o &eacute; remetida a outras institui&ccedil;&otilde;es em um momento   futuro. Mas ele tem uma vantagem. O relat&oacute;rio pode, facilmente, ser bastante   fiel, pois seu conte&uacute;do n&atilde;o prejulga diretamente a escolha final; portanto, n&atilde;o   h&aacute; um forte interesse na manipula&ccedil;&atilde;o. Ali&aacute;s, ningu&eacute;m &eacute; impelido a um acordo ou   a uma solu&ccedil;&atilde;o consensual; consequentemente, os participantes s&atilde;o livres para   apresentar suas raz&otilde;es, sem nenhuma obriga&ccedil;&atilde;o. Mesmo os opositores mais   radicais podem aceitar participar do jogo sem o temor de ca&iacute;rem em armadilhas   ou de serem cooptados (com exce&ccedil;&otilde;es, como o caso do debate sobre as   nanotecnologias na Fran&ccedil;a; Laurent, 2010). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Recomenda&ccedil;&otilde;es</font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um tipo de   conclus&atilde;o que se inclina mais para a proposi&ccedil;&atilde;o &eacute; a recomenda&ccedil;&atilde;o. Esse   encerramento &eacute; muito comum, por exemplo, nos j&uacute;ris de cidad&atilde;os e nas <i>consensus conferences </i>(confer&ecirc;ncias de cidad&atilde;os). Nesses   casos, um pequeno n&uacute;mero de participantes (frequentemente sorteados) n&atilde;o se   limita apenas a se informar, discutir e questionar os especialistas, mas   consegue, ao final do processo (ap&oacute;s um ou v&aacute;rios dias), emitir um parecer, que   &eacute; enviado aos gestores e &agrave; opini&atilde;o p&uacute;blica. Uma s&iacute;ntese &eacute; produzida pelos   pr&oacute;prios participantes. As recomenda&ccedil;&otilde;es s&atilde;o documentos, em geral bem breves,   que prop&otilde;em linhas de a&ccedil;&atilde;o sobre as quest&otilde;es submetidas ao j&uacute;ri, escolhem   alternativas, sugerem a considera&ccedil;&atilde;o de certos interesses ou de certas ideias.   Para evitar uma press&atilde;o excessiva para um consenso e o conformismo, normalmente   se admite que o documento final possa registrar opini&otilde;es divergentes. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse caso,   a delibera&ccedil;&atilde;o culmina em uma ou v&aacute;rias escolhas. Parece, portanto, uma   conclus&atilde;o mais firme do que as anteriores, porque n&atilde;o se limita apenas a   representar o estado da arte, mas expressa uma vontade precisa. No entanto,   pode apresentar problemas de fidelidade. As recomenda&ccedil;&otilde;es s&atilde;o normalmente   redigidas por facilitadores externos e, mesmo que o fa&ccedil;am sob controle direto   dos participantes (que, &agrave;s vezes, acompanham a elabora&ccedil;&atilde;o do parecer em um   tel&atilde;o), n&atilde;o se pode excluir que os animadores possam influenciar seu conte&uacute;do   (mesmo sem pensar na manipula&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria que, de resto, &eacute; perfeitamente   poss&iacute;vel). Outros problemas prov&ecirc;m dos fen&ocirc;menos de <i>group thinking</i>, conformismo, polariza&ccedil;&atilde;o   (Sunstein, 2002; Set&auml;l&auml;, 2010), particularmente prov&aacute;veis quando o debate se   desenrola entre cidad&atilde;os comuns, com posi&ccedil;&otilde;es originais pouco definidas e sem muita   reflex&atilde;o (Bobbio, 2010). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por&eacute;m,   tamb&eacute;m a efic&aacute;cia do parecer para o exterior pode ser questionada.   Diferentemente dos j&uacute;ris no processo penal, o encerramento desses j&uacute;ris n&atilde;o   consiste em um mero "culpado ou inocente". Com frequ&ecirc;ncia, as recomenda&ccedil;&otilde;es   cont&ecirc;m v&aacute;rios pareceres que n&atilde;o indicam uma clara linha de a&ccedil;&atilde;o e podem ser   interpretados de diferentes modos ou at&eacute; mesmo serem instrumentalizados. Houve   casos em que os legisladores apreciaram publicamente os resultados de um j&uacute;ri,   enquanto escondiam aspectos pouco confort&aacute;veis para eles (Bobbio e Ravazzi,   2006). Existe tamb&eacute;m o risco de que os pareceres dos j&uacute;ris sejam racionais   demais: proposi&ccedil;&otilde;es indefinidas, que diluem a diversidade das perspectivas e,   portanto, n&atilde;o auxiliam a discuss&atilde;o coletiva sobre quest&otilde;es controversas. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>       <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Os j&uacute;ris de cidad&atilde;os</b></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os j&uacute;ris de cidad&atilde;os (<i>citizen's juries</i>),     propostos por Ned Crosby nos anos 70 (Smith e Wales, 2000; Crosby e Nethercut,     2005), foram inspirados no funcionamento dos j&uacute;ris populares do direito     processual norte-americano. Um pequeno n&uacute;mero de pessoas (15 a 25), escolhidas     por sorteio, re&uacute;nem-se, ao longo de alguns dias (de 2 a 5), para discutir um     tema controverso, ouvir as opini&otilde;es de especialistas e question&aacute;-los e, ao     final, deliberar para chegar a um consenso sobre o tema, o qual &eacute; transmitido     aos gestores pol&iacute;ticos na forma de recomenda&ccedil;&otilde;es. Os cidad&atilde;os s&atilde;o selecionados     de modo a compor um grupo representativo de toda a popula&ccedil;&atilde;o em termos     sociodemogr&aacute;ficos.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na     It&aacute;lia, ap&oacute;s as primeiras experi&ecirc;ncias (Bobbio e Ravazzi, 2006; Bobbio e     Giannetti, 2007; Carson, 2006), foram&nbsp; realizados diversos j&uacute;ris de cidad&atilde;os no     &acirc;mbito de implementa&ccedil;&atilde;o da lei de participa&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o da Toscana (ver     quadro).</font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>       <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>As <i>consensus conferences</i></b></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; cada vez mais comum a ocorr&ecirc;ncia de temas tecnocient&iacute;ficos socialmente     controversos, at&eacute; mesmo entre os pr&oacute;prios cientistas (veja-se, por exemplo, os     efeitos dos transg&ecirc;nicos, as ondas eletromagn&eacute;ticas, a destina&ccedil;&atilde;o do lixo     radioativo, etc.). Para fazer frente a esses problemas, no final dos anos 1980,     o parlamento dinamarqu&ecirc;s decidiu promover "reuni&otilde;es de consenso" (<i>consensus       conferences</i>), formadas por 15 a 20 pessoas, escolhidas     aleatoriamente, as quais, depois de dialogar com especialistas, podiam     manifestar seu pr&oacute;prio ponto de vista ao parlamento (Joss 1998, Hendriks,     2005). A experi&ecirc;ncia foi replicada em outros pa&iacute;ses como, por exemplo, a Fran&ccedil;a     (Boy <i>et al</i>., 2000).</font></p>       <p>&nbsp;</p> </blockquote>     <p><b><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Voto sobre alternativas</font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A forma da   recomenda&ccedil;&atilde;o, apesar de seus defeitos, parece fortemente de acordo com a teoria   da delibera&ccedil;&atilde;o: os participantes chegam a uma posi&ccedil;&atilde;o comum (un&acirc;nime ou quase)   que n&atilde;o resulta de uma negocia&ccedil;&atilde;o, mas da conflu&ecirc;ncia para uma vis&atilde;o compartilhada.   A recomenda&ccedil;&atilde;o &eacute; a forma mais apropriada para mostrar concretamente que os   participantes foram convencidos pela "for&ccedil;a do melhor argumento". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Todavia, em alguns casos, prefere-se concluir o f&oacute;rum deliberativo com   uma vota&ccedil;&atilde;o sobre as alternativas poss&iacute;veis. Apelar para o voto &eacute;, em   princ&iacute;pio, algo mal visto pelos deliberativistas, devido a seu car&aacute;ter agregativo,   mas a maioria deles admite que uma vota&ccedil;&atilde;o suceda &agrave; discuss&atilde;o porque a   unanimidade total &eacute; improv&aacute;vel (e, talvez, tamb&eacute;m perigosa). Al&eacute;m disso, o fato   de contar as prefer&ecirc;ncias dos participantes sobre as alternativas dadas tem a   vantagem de estabelecer o resultado de modo claro e incontest&aacute;vel. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De fato, a virtude principal do voto &eacute; a univocidade: ap&oacute;s o voto, todos   sabem exatamente o que os participantes escolheram; tamb&eacute;m por isso o apelo ao   voto &eacute; bastante frequente nos dispositivos deliberativos. Vota-se para   classificar alternativas, por exemplo, nos or&ccedil;amentos participativos; ou   vota-se para escolher uma alternativa. No caso da assembleia dos cidad&atilde;os da   Columbia Brit&acirc;nica, no Canad&aacute;, sobre o sistema eleitoral, os participantes   votaram duas vezes: para decidir sobre manter ou mudar o sistema existente e,   em seguida, para escolher entre duas proposi&ccedil;&otilde;es alternativas. A sondagem   deliberativa ocorrida em 2006, em Maroussi, na periferia de Atenas, para   escolher o candidato a prefeito do partido socialista se concluiu   (diferentemente das outras sondagens deliberativas) com um voto que designou o   candidato preferido pelos participantes (que foi aceito pelo partido). Tamb&eacute;m   nas <i>21st Century Town Meetings</i> (Assembl&eacute;ias Municipais do S&eacute;culo XXI), promovidas pela   organiza&ccedil;&atilde;o <i>America Speaks</i> (Lukensmeyer <i>et al</i>., 2005), frequentemente se vota. Pede-se aos   participantes (bastante numerosos) que escolham entre as alternativas dadas, e   eles podem faz&ecirc;-lo rapidamente, gra&ccedil;as &agrave; possibilidade do voto eletr&ocirc;nico, cujos   resultados podem ser imediatamente visualizados em um tel&atilde;o. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b><i>21st Century</i> <i>Town Meeting</i></b> </font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; um     instrumento criado pela organiza&ccedil;&atilde;o <i>America       Speaks</i> (Lukensmeyer <i>et al</i>., 2005), que possibilita     desenvolver uma discuss&atilde;o e tomada de decis&atilde;o envolvendo um grande grupo de     pessoas (algumas centenas ou milhares). Os participantes se re&uacute;nem em um s&oacute;     lugar e em pequenos grupos (10-12 pessoas), assistidos por um facilitador. Cada     grupo tem &agrave; sua disposi&ccedil;&atilde;o um computador conectado em rede que transmite o     conte&uacute;do de sua discuss&atilde;o a uma inst&acirc;ncia central, que o revisa e reapresenta &agrave;     plen&aacute;ria. &Eacute; poss&iacute;vel conhecer em tempo real as opini&otilde;es dos participantes     atrav&eacute;s do instrumento de televoto. Os participantes podem ser selecionados com     base em sorteio, podem ser convidados ou apresentar-se voluntariamente.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na It&aacute;lia,     esse mecanismo tem sido utilizado com frequ&ecirc;ncia (Garramone e Aicardi, 2011). O     caso italiano aqui mencionado consistiu em um debate sobre a quest&atilde;o dos     testamentos vitais (<i>living       will</i>), que havia     suscitado intensa pol&ecirc;mica entre cat&oacute;licos e secularistas no Parlamento. O     debate foi realizado simultaneamente em Turim e em Floren&ccedil;a, em 25 abril de     2009, entre cerca de 300 pessoas volunt&aacute;rias (na sua maioria pertencentes a     associa&ccedil;&otilde;es), utilizando-se o m&eacute;todo do <i>21st Century Town Meeting </i>(Ravazzi, 2011). O relat&oacute;rio final     est&aacute; dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.comune.torino.it/biennaledemocrazia/testamentobiologico/pdf/instantreport.pdf" target="_blank">www.comune.torino.it/biennaledemocrazia/testamentobiologico/pdf/instantreport.pdf</a></font></p>       <p>&nbsp;</p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; a fidelidade que pode causar problemas, se as alternativas sobre as   quais se vota n&atilde;o se originam na delibera&ccedil;&atilde;o (mas s&atilde;o propostas pelo exterior)   e se os participantes n&atilde;o tiveram a possibilidade de refletir sobre elas. No   caso da Col&uacute;mbia Brit&acirc;nica, a fidelidade n&atilde;o est&aacute; em quest&atilde;o, pois as   alternativas eram provenientes de um debate que durou v&aacute;rios meses (Warren e   Pearse, 2008), mas, em outros casos, o problema pode ocorrer. Nas <i>21th Century     Town Meetings</i>, por exemplo, as alternativas s&atilde;o apresentadas aos   participantes pelos organizadores, que n&atilde;o podem levar em conta a discuss&atilde;o   feita por centenas e mesmo milhares de participantes, divididos em pequenos   grupos. Durante experi&ecirc;ncias desse tipo feitas na It&aacute;lia, descobriu-se com   frequ&ecirc;ncia que os participantes tinham dificuldade para votar sobre   alternativas que n&atilde;o correspondiam perfeitamente ao que estavam discutindo no   grupo. Em um caso &#150; o debate sobre a eutan&aacute;sia organizado em forma de <i>Town Meeting</i> em Floren&ccedil;a,   em 2009 (ver quadro) &#150;, os organizadores foram obrigados a mudar o modelo de   conclus&atilde;o durante o pr&oacute;prio processo. Ao inv&eacute;s de terminar com uma s&eacute;rie de   vota&ccedil;&otilde;es, eles preferiram, devido a protestos dos participantes, suspender toda   vota&ccedil;&atilde;o e encerrar o debate com um documento que relatava o conte&uacute;do das   discuss&otilde;es, dentro do modelo da "representa&ccedil;&atilde;o dos discursos". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Maja Set&auml;l&auml; <i>et al.</i> (2010) tentaram ver se a vota&ccedil;&atilde;o   afeta a qualidade da delibera&ccedil;&atilde;o, confiando a grupos no mesmo f&oacute;rum deliberativo   (sobre a instala&ccedil;&atilde;o de uma nova central nuclear na Finl&acirc;ndia) duas tarefas   diferentes: alguns deviam terminar com um voto, outros com uma recomenda&ccedil;&atilde;o   compartilhada. Eles constataram que o segundo grupo conseguiu desenvolver uma   discuss&atilde;o mais aprofundada e obtiveram mais informa&ccedil;&otilde;es, mas os que tinham de   votar n&atilde;o receberam press&otilde;es mais fortes para se posicionar (contudo, deve-se   acrescentar, a quest&atilde;o em jogo n&atilde;o tinha muitas consequ&ecirc;ncias: tratava-se de   uma mera experimenta&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o pretendia ter efeito sobre as institui&ccedil;&otilde;es). </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Conclus&atilde;o: reflexo ou proposi&ccedil;&atilde;o?</font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Existem, portanto, maneiras diferentes de concluir um f&oacute;rum   deliberativo. Pode-se mostrar como as opini&otilde;es dos participantes mudaram;   podem-se apresentar todos os discursos que circularam; pode-se concluir por uma   declara&ccedil;&atilde;o compartilhada sob a forma de uma recomenda&ccedil;&atilde;o e, por fim, pode-se   tomar uma decis&atilde;o pelo voto. A escolha entre essas alternativas depende de   v&aacute;rios fatores, sobretudo da natureza do tema em discuss&atilde;o. H&aacute; temas que   demandam um aprofundamento dos problemas e das alternativas antes da decis&atilde;o;   em outros, decidir &eacute; poss&iacute;vel e at&eacute; mesmo desej&aacute;vel. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Contudo, deve-se salientar que a mesma quest&atilde;o pode ser tratada por meio   de diferentes dispositivos, que preveem conclus&otilde;es diferentes. Por exemplo, a   decis&atilde;o sobre a instala&ccedil;&atilde;o de um equipamento indesej&aacute;vel (i.e., um incinerador)   pode ser submetida a uma enquete deliberativa, que mostrar&aacute; como os   participantes modificam suas posi&ccedil;&otilde;es em um debate p&uacute;blico, que levantar&aacute; todos   os argumentos e deixar&aacute; a decis&atilde;o ao respons&aacute;vel pelo projeto, ou a um j&uacute;ri de   cidad&atilde;os, que emitir&aacute; pareceres ou tomar&aacute; uma decis&atilde;o mais ou menos coercitiva   para as autoridades competentes. Em todos esses casos, haver&aacute; delibera&ccedil;&atilde;o, mas   com efeitos bem diferentes: seja sobre o desenrolar do processo, sobre o que se   solicita aos participantes ou, sobretudo, sobre a escolha final. A rela&ccedil;&atilde;o   entre o n&iacute;vel micro do f&oacute;rum e o n&iacute;vel macro da sociedade ou do sistema de   decis&atilde;o ser&aacute; muito diferente. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A escolha do dispositivo (e de sua conclus&atilde;o) tem uma import&acirc;ncia   crucial, pois a oferta de dispositivos passou a ser muito ampla e   frequentemente acontece, na pr&aacute;tica, de n&atilde;o haver muita reflex&atilde;o sobre essa   escolha. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A par da   natureza da quest&atilde;o em jogo, existem v&aacute;rios argumentos favor&aacute;veis a uma   conclus&atilde;o firme ou propositiva. O primeiro deles &eacute; que ter de escolher incita   os participantes a uma maior responsabilidade. Formulando novo parecer sobre   uma boa delibera&ccedil;&atilde;o, Jon Elster ressaltou que "o f&oacute;rum deveria ter o direito de   tomar uma decis&atilde;o ou formular uma proposi&ccedil;&atilde;o que um outro grupo deveria aceitar   ou rejeitar sem poder modific&aacute;-la"<a id="tx2"></a><a href="#nt2"><sup>2</sup></a> (sua refer&ecirc;ncia &eacute; a assembleia   sobre o sistema eleitoral na Col&uacute;mbia Brit&acirc;nica). Se uma verdadeira decis&atilde;o n&atilde;o   estiver em jogo, corre-se o risco de os participantes n&atilde;o levarem a s&eacute;rio seu   papel e de a delibera&ccedil;&atilde;o se reduzir a uma conversa leviana, gratuita,   desengajada. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Poder&iacute;amos acrescentar, que uma delibera&ccedil;&atilde;o s&oacute; tem sentido se os   participantes tiverem a possibilidade de resolver um problema, encontrar   solu&ccedil;&otilde;es, solucionar um conflito. A discuss&atilde;o n&atilde;o &eacute; importante apenas em si,   mas por trazer uma contribui&ccedil;&atilde;o coletiva a uma controv&eacute;rsia. Sua conclus&atilde;o   natural &eacute; a supera&ccedil;&atilde;o de uma situa&ccedil;&atilde;o de bloqueio ou de incerteza. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O argumento   mais frequentemente evocado pelas associa&ccedil;&otilde;es e pelos movimentos nos discursos   sobre a "democracia participativa" para sustentar uma conclus&atilde;o firme &eacute; o do   empoderamento (<i>empowerment</i>), ou seja, dar aos cidad&atilde;os a   possibilidade de contar. &Eacute; evidente que a voz dos cidad&atilde;os s&oacute; pode ser ouvida   se for suficientemente clara, un&iacute;voca, decidida. A passagem do micro ao macro   ser&aacute; mais efetiva se os participantes souberem se expressar claramente em uma   &uacute;nica voz. &Eacute; o argumento representado pela c&eacute;lebre escala de Arnstein (1969) &#150;   o texto mais citado na literatura sobre a participa&ccedil;&atilde;o &#150;, que classifica os   diferentes tipos de participa&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao poder que d&atilde;o aos cidad&atilde;os. Para   alcan&ccedil;ar o topo da escala &#150; o <i>citizen     power</i> &#150;, &eacute; preciso   que os cidad&atilde;os sejam capazes de expressar-se de modo incontest&aacute;vel. As outras   formas de conclus&atilde;o, mais flex&iacute;veis, t&ecirc;m o inconveniente de delegar a decis&atilde;o a   outros grupos e, portanto, a delibera&ccedil;&atilde;o corre o risco de ser um exerc&iacute;cio   in&uacute;til, que cria uma dist&acirc;ncia entre aqueles que "participam" e aqueles que   "aproveitam", conforme o slogan de Maio de 1968<a id="tx3"></a><a href="#nt3"><sup>3</sup></a>, que Arnstein   reproduz, e com raz&atilde;o, em seu artigo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Todavia, existem tamb&eacute;m bons argumentos para desconfiar de conclus&otilde;es   claras e precisas demais. Simone Chambers (1999) observou que, quando uma   decis&atilde;o est&aacute; em jogo, a delibera&ccedil;&atilde;o corre o risco de perder em qualidade,   porque os participantes tender&atilde;o a se fechar em suas posi&ccedil;&otilde;es e ficar&atilde;o mais   expostos &agrave;s press&otilde;es do exterior<a id="tx4"></a><a href="#nt4"><sup>4</sup></a>. De acordo com James Fishkin   (1995, p. 185), os procedimentos que n&atilde;o requerem uma decis&atilde;o do grupo evitam   "a press&atilde;o social para chegar a um consenso". Recentemente, em uma cidadezinha   da Toscana, a escolha sobre a localiza&ccedil;&atilde;o de um pequeno equipamento para   res&iacute;duos (um pirogaseificador) foi confiada a um j&uacute;ri de cidad&atilde;os sorteados   entre os moradores pr&oacute;ximos, que deviam primeiramente questionar o respons&aacute;vel   pelo projeto e os especialistas e, depois, emitir um parecer (que era visto   como coercitivo para a administra&ccedil;&atilde;o municipal) (ver quadro). Como havia uma   grande oposi&ccedil;&atilde;o local ao equipamento, os jurados sofreram press&otilde;es fortes e   cont&iacute;nuas durante os tr&ecirc;s meses de debate e, ao final, eles decidiram, por   unanimidade, rejeitar a instala&ccedil;&atilde;o do equipamento, mesmo que raz&otilde;es ambientais   contra o incinerador se tenham revelado fr&aacute;geis durante as audi&ccedil;&otilde;es. O que teria   acontecido se o tema tivesse sido discutido &#150; como teria sido poss&iacute;vel &#150; em um   debate p&uacute;blico (do tipo CNDP)? A discuss&atilde;o teria sido mais aprofundada? Os   participantes teriam ficado mais livres? O projeto teria sido aceito?</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>       <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O pirogaseificador de Castelfranco     (2010-2011)</b></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma empresa de tratamento de res&iacute;duos especiais, situada em     Castelfranco, na Toscana, desejava ampliar suas atividades, instalando no mesmo     local um pequeno equipamento tecnologicamente muito avan&ccedil;ado (um     pirogaseificador), e solicitou autoriza&ccedil;&atilde;o ao munic&iacute;pio. Como l&aacute; havia uma     oposi&ccedil;&atilde;o muito combativa (de moradores e ecologistas), o munic&iacute;pio e a empresa     optaram por abrir um processo participativo sobre esse projeto e solicitaram &agrave;     autoridade regional que o financiasse. A autoridade quis que todas as vozes     pudessem se expressar. Assim, a administra&ccedil;&atilde;o do processo coube a um comit&ecirc; de     garantia formado por todas as partes envolvidas (autoridades p&uacute;blicas,     associa&ccedil;&otilde;es, comit&ecirc;s de moradores); um j&uacute;ri de cinquenta cidad&atilde;os sorteados     recebeu a tarefa de deliberar sobre o assunto. O comit&ecirc; de garantia e o j&uacute;ri     dos cidad&atilde;os mostraram-se muito desequilibrados em favor dos opositores. Ap&oacute;s     tr&ecirc;s meses de confrontos bastante duros, o j&uacute;ri emitiu um parecer muito     negativo em rela&ccedil;&atilde;o ao equipamento, que o munic&iacute;pio aceitou, negando a     autoriza&ccedil;&atilde;o &agrave; empresa (Pillon e Romano, 2012). <a href="http://www.insiemeperdecidere.it/index.php" target="_blank">http://www.insiemeperdecidere.it/index.php</a></font></p>       <p>&nbsp;</p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ali&aacute;s, uma   conclus&atilde;o do tipo "representa&ccedil;&atilde;o dos discursos" n&atilde;o &eacute; necessariamente isenta de   efeitos. As evid&ecirc;ncias do debate p&uacute;bico franc&ecirc;s s&atilde;o, a esse respeito,   ambivalentes, mas mostram que se chegou &agrave;s vezes a resultados significativos. A   influ&ecirc;ncia de um argumento, de uma representa&ccedil;&atilde;o de um problema, de um relato,   pode ser independente do poder que lhe &eacute; <i>a priori</i> confiado. Uma delibera&ccedil;&atilde;o aprofundada, que esquadrinha os problemas, mostra   novas possibilidades ou novas maneiras de ver as quest&otilde;es em jogo, pode ser   mais eficaz do que uma delibera&ccedil;&atilde;o pouco produtiva, mas com poder. O <i>citizen power</i> &eacute; um processo bem mais longo e   complicado e com mais desvios do que Sherry Arnstein havia considerado (Tritter   e McCallum, 2006; Collins e Ison, 2009). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">E ent&atilde;o:   reflexo ou proposi&ccedil;&atilde;o? N&atilde;o pretendo oferecer uma conclus&atilde;o. Limitei-me a   mostrar que o encerramento de um f&oacute;rum deliberativo &eacute; um problema complexo e   delicado. Como as experi&ecirc;ncias deliberativas est&atilde;o se multiplicando, seria   muito desej&aacute;vel que os te&oacute;ricos e os profissionais implicados refletissem sobre   esse assunto. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Bibliografia</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ANDERSEN,   Vibeke - HANSEN, Kasper. How deliberation makes better citizens: The Danish   Deliberative Poll on the Euro. <b>European     Journal of Political Research. </b>n.   46, p. 531&#150;556, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000117&pid=S1517-4522201200020000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ARNSTEIN,   Sherry. A Ladder of Citizen Participation. <b>Journal of the American Institute of Planner</b>.<i>,</i> n. 35, p. 216-224, 1969.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000119&pid=S1517-4522201200020000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BOBBIO,   Luigi - GIANNETTI, Daniela. Presentazione. <b>Rivista Italiana di Politiche Pubbliche</b>. n. 2, p. 5-14, 2007. &#91;Numero   monografico sulle giurie di cittadini&#93;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000121&pid=S1517-4522201200020000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BOBBIO,   Luigi - RAVAZZI, Stefania. Cittadini comuni e decisioni pubbliche. L'esperienza   di una giuria di cittadini. <b>Studi     organizzativi</b>. n.   2, p. 89-112. 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000123&pid=S1517-4522201200020000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BOBBIO,   Luigi. Il dibattito pubblico sulle grandi opere. Il caso dell'autostrada di   Genova. <b>Rivista italiana di politiche pubbliche</b>. n. 1, p. 119-146, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S1517-4522201200020000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BOBBIO,   Luigi. Types   of Deliberation. Journal of Public Deliberation. v.6, n. 2, 2010. Dispon&iacute;vel em: &lt; <a href="http://services.bepress.com/jpd/vol6/iss2/art1" target="_blank">http://services.bepress.com/jpd/vol6/iss2/art1</a>&gt;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000127&pid=S1517-4522201200020000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BOY,   Daniel, et al. Un exemple de d&eacute;mocratie participative. La 'conf&eacute;rence des   citoyens' sur les organismes g&eacute;n&eacute;tiquement modifi&eacute;s. <b>Revue fran&ccedil;aise de science politique</b>. n. 4-5, p. 779-809, 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S1517-4522201200020000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CARSON,   Lynn. Improving Public Deliberative Practice: A Comparative Analysis of Two   Italian Citizens' Jury Projects in 2006. <b>Journal of Public Deliberation</b>. v. 2, n. 1, 2006. Dispon&iacute;vel   em: &lt;<a href="http://services.bepress.com/jpd/vol2/iss1/art12" target="_blank">http://services.bepress.com/jpd/vol2/iss1/art12</a>&gt;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S1517-4522201200020000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CHAMBERS,   Simone. <b>Talking versus     Voting:</b> Legitimacy   and Deliberative Democracy. Unpublished manuscript, University of Colorado,   1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S1517-4522201200020000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">COLLINS,   Kevin - ISON, Ray. Jumping off Arnstein's Ladder: Social Learning as a New   Policy Paradigm for Climate Change Adaptation, <b>Environmental Policy and Governance</b>, n. 19, p. 358&#150;373, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S1517-4522201200020000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CROSBY,   Ned - NETHERCUT, Doug. Citizens Juries: Creating a Trustworthy Voice of the   People. In: GASTIL John, LEVINE,Peter (Org.) <b>The Deliberative Democracy Handbook:</b> Strategies for Effective Civic   Engagement in the Twenty-First Century. San Francisco: Jossey-Bass, 2005, p.   111-119.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S1517-4522201200020000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">DRYZEK,   John - NIEMEYER, Simon. Discursive Representation, <b>American Political Science Review</b>, v. 102, n. 4, p. 481-493, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S1517-4522201200020000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FISHKIN, James. <b>The Voice of the People:</b> Public Opinion and Democracy, New Haven   CT, Yale University Press, 1995.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S1517-4522201200020000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FISHKIN, James. <b>When   the People Speak:</b> Deliberative Democracy and Public Consultation. Oxford: Oxford University Press,   2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S1517-4522201200020000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FLORIDIA,   Antonio. Democrazia deliberativa e processi decisionali: la legge della Regione   Toscana sulla partecipazione, <b>Stato     e mercato.</b> n..82,   p. 83-110, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S1517-4522201200020000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FLORIDIA,   Antonio. <b>Democrazia     deliberativa, strategie negoziali, strategie argomentative:</b> un'analisi del Dibattito   Pubblico sul caso   Castelfalfi. Paper presented at the Sisp congress, Pavia v. 4, n.6, september   2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000147&pid=S1517-4522201200020000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FOURNIAU,   Jean-Michel. Information, Access to Decision-making and Public Debate in   France: the Growing Demand for Deliberative Democracy. <b>Science and Public Policy</b><i>.</i> v.28, n. 6, p.   441-445, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000149&pid=S1517-4522201200020000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FUNG,   Archon. Survey article: Recipes for public spheres: Eight institutional design   choices and their consequences. <b>The     Journal of Political Philosophy</b>.   n.11, p. 338-367, 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000151&pid=S1517-4522201200020000300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">GARRAMONE,   Vito - AICARDI, Mario. <b>Paradise     l'Ost?</b> Spunti per   l'uso e l'analisi dell'Open Space Technology. Milano: F. Angeli, 2009</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000153&pid=S1517-4522201200020000300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">GARRAMONE,   Vito - AICARDI, Mario. <b>Democrazia     partecipata ed Electronic Town Meeting: </b>Incontri ravvicinati del terzo tipo. Milano: F. Angeli,   2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000154&pid=S1517-4522201200020000300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">GOODIN,   Robert. <b>Innovation     democracy: </b>democratic   theory and practice after the deliberative turn. Oxford: Oxford University   Press, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000156&pid=S1517-4522201200020000300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">HENDRIKS,   Carolyn. Consensus Conferences and Planning Cells: Lay Citizen Deliberations.   In: GASTIL, John, LEVINE, Peter (Org.) <b>The Deliberative Democracy Handbook:</b> Strategies for   Effective Civic Engagement in the Twenty-First Century. San Francisco:   Jossey-Bass, 2005, p. 80-110.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000158&pid=S1517-4522201200020000300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">HENDRIKS,   Carolyn. Integrated Deliberation: Reconciling civil society's dual role in   deliberative democracy. <b>Political     Studies. n. </b>54,   p. 486&#150;508, 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000160&pid=S1517-4522201200020000300023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">IRPET. <b>Partecipazione,   politiche pubbliche, territori</b>:   La L.R. 69/2007, 2011<i>.</i>Dispon&iacute;vel em : &lt; <a href="http://www.irpet.it" target="_blank">www.irpet.it</a>&gt;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000162&pid=S1517-4522201200020000300024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ISERNIA,   Pierangelo et al. La democrazia in un ambiente ostile: un quasi-esperimento   deliberativo. <b>Stato e     mercato</b>. n. 3, p.   443-474, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000164&pid=S1517-4522201200020000300025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">JOSS,   Simon. Danish consensus conferences as a model of participatory technology   assessment: an impact study of consensus conferences on Danish Parliament and   Danish publica debate. <b>Science     and Public Policy</b>.   v. 25, n. 1, p. 2-22, 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000166&pid=S1517-4522201200020000300026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">KADLEC,   Alison. Critical Pragmatism and Deliberative Democracy. <b>Theoria</b>. p. 54-80, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000168&pid=S1517-4522201200020000300027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LAURENT,   Brice. <b>Les politiques     des nanotechnologies.</b> Pour un traitement d&eacute;mocratique d'une science &eacute;mergente. Paris: Charles L&eacute;opold   Mayer, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000170&pid=S1517-4522201200020000300028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LUKENSMEYER,   Carolyn et al. A Town Meeting for the Twenty-First Century. In: GASTIL, John,   LEVINE, Peter (Org.) <b>The     Deliberative Democracy Handbook: </b>Strategies for Effective Civic Engagement in the   Twenty-First Century. San   Francisco: Jossey-Bass, 2005, p. 154-163.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000172&pid=S1517-4522201200020000300029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">MANIN,   Bernard. D&eacute;liberation et discussion. <b>Revue     Suisse de Science Politique. v.</b>10,   n. 4, p. 180-192, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000174&pid=S1517-4522201200020000300030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">MANSBRIDGE,   Jane. et al. <b>A     Systemic Approach to Deliberative Democracy</b>, Paper presented at ECPR Joint Session,   St Gallen, v.12, n.16, April 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000176&pid=S1517-4522201200020000300031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">NIEMEYER,   Simon - DRYZEK John. The Ends of Deliberation: Meta-consensus and   Inter-subjective Rationality as Ideal Outcomes. <b>Swiss Political Science Review</b>. v. 13, n. 4, p.   497&#150;526, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000178&pid=S1517-4522201200020000300032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">OWEN,   Harrison. <b>Open     Space Technology:</b>User's   Guide. San Francisco: Barrett-Koehler, 1997.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000180&pid=S1517-4522201200020000300033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">PILLON,   Andrea - ROMANO, Iolanda. Percorso partecipativo su un conflitto: il caso del   pirogassificatore di Castelfranco di Sotto.&nbsp; In: PERRONE, Camilla (Org.), <b>A che serve partecipare? </b>Firenze: Firenze University Press,   2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000182&pid=S1517-4522201200020000300034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">POMATTO,   Gianfranco. <b>Gioco     strategico e deliberazione: </b>il   dibattito pubblico sulla gronda di Genova. Torino: Dps University Press, 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000184&pid=S1517-4522201200020000300035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">RAVAZZI,   Stefania. Gli esiti di un Electronic Town Meeting. In: GARRAMONE, Vito &#150; AICARDI,   Marco (Org.), <b>Democrazia     partecipata ed Electronic Town Meeting. </b>Incontri ravvicinati del terzo tipo. Milano: F.   Angeli, 2011, p. 119-133.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000186&pid=S1517-4522201200020000300036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">REVEL,   Martine et al<i>. </i><b>Le d&eacute;bat public: </b>une exp&eacute;rience fran&ccedil;aise de   d&eacute;mocratie participative. Paris: La D&eacute;couverte, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000188&pid=S1517-4522201200020000300037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SET&Auml;L&Auml;,   Maija et al. Citizen Deliberation on Nuclear Power: A Comparison of Two   Decision-Making Methods. <b>Political     Studies.</b> n. 58, p. 688&#150;714, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000190&pid=S1517-4522201200020000300038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SUNSTEIN,   Cass R. The Law of Group Polarization. <b>Journal of Political Philosophy. v.</b>10, n. 2, p. 175-195,   2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000192&pid=S1517-4522201200020000300039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">TRITTER,   Jonathan Q., MCCALLUM, Alison. The snakes and ladders of user involvement:   Moving beyond Arnstein. <b>Health     Policy</b>.   n.76, p. 156&#150;168, 2006</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000194&pid=S1517-4522201200020000300040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">URFALINO,   Philippe. La d&eacute;lib&eacute;ration n'est pas une conversation, D&eacute;lib&eacute;ration, d&eacute;cision   collective et n&eacute;gociation. <b>N&eacute;gociations.</b> n.2, p. 99-114, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000195&pid=S1517-4522201200020000300041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">WARREN,   Mark - PEARSE, Hilary. (Org.). <b>Designing     Deliberative Democracy:</b> The British Columbia Citizens' Assembly. Cambridge: Cambridge University Press,   2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000197&pid=S1517-4522201200020000300042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">YOUNG,   Iris. Activist challenges to deliberative democracy. <b>Political Theory.</b> v.29, n. 5, p. 670-690, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000199&pid=S1517-4522201200020000300043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Recebido em:  05/12/2011<br />   Aceite final: 28/02/2012</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a id="nt1"></a><a href="#tx1">1</a> Este artigo se baseia em uma comunica&ccedil;&atilde;o apresentada   no col&oacute;quio "Le tournant d&eacute;lib&eacute;ratif: bilan, critiques, perspectives", Paris,   EHESS, 16-17 junho de 2011. Tradu&ccedil;&atilde;o de Patr&iacute;cia C. R. Reuillard (UFRGS).    <br>   </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a id="nt2"></a><a href="#tx2">2</a> Comunica&ccedil;&atilde;o na Biennale Democrazia, Turim, 23 de     abril de 2009.    <br>   </font><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a id="nt3"></a><a href="#tx3">3</a> N. de T.: Je participe. Tu participes. Il participe.     Nous participons. Vous participez. Ils profitent &#91;Eu participo, tu participas,     ele participa. Voc&ecirc;s participam. Eles aproveitam&#93;. </font>    <br>   <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a id="nt4"></a><a href="#tx4">4</a> Isso n&atilde;o se confirmou na experimenta&ccedil;&atilde;o mencionada de     Set&auml;l&auml; et al. (2010). </font></p>      ]]></body><back>
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