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<publisher-name><![CDATA[Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo]]></publisher-name>
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<article-id pub-id-type="doi">10.1590/S1517-97022012000200015</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Promoção automática nos anos 1950: a experiência pioneira do Grupo Experimental da Lapa (São Paulo)]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Automatic promotion in the 1950s: the pioneering experiment of the Experimental School of Lapa (Sao Paulo)]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article presents the pioneering project of abolishing failure in the state public schools in São Paulo state, developed in the late 1950 and implemented at the beginning of 1960 on an experimental basis at the Experimental School of Lapa, a school that worked as the official unit of research of the Department of Education. Despite its inaugural nature, such experiment has rarely appeared in publications on the subject and there are few records about it. First, this article outlines a brief historical context of the debate on the so-called automatic promotion, which in Brazil began in 1918, in the context of the First Republic, and strengthened especially in the 1950s, in the developmental period. Then the paper addresses components of the project conducted at the Experimental School of Lapa, justifying the relevance and topicality of automatic promotion. It also outlines its formatting, in particular the organization of classes, the curriculum, assessment and teaching role. After that, some excerpts from statements made by educators involved in the construction of the project are addressed. They reveal the project's strengths and contradictions. Also rare documents are presented on the topic, which were published in the context of such pioneering experiment. At the end, there are considerations regarding the experiment in question, which though little known has enormous historical importance. It is hoped that this article contributes to the construction of high quality public school, especially given the increasing implementation of the policy of cycles in Brazilian public schools.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[História da educação]]></kwd>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Promoção automática]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Automatic promotion]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><a name="top"></a><font face="Verdana" size="4"><b>Promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica nos   anos 1950: a experi&ecirc;ncia pioneira do Grupo Experimental da Lapa (S&atilde;o   Paulo)</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Lygia S. Vi&eacute;gas<sup>I</sup>; Marilene   P. R. Souza<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><sup>I</sup>Universidade Federal da Bahia    <br>  <sup>II</sup>Universidade de S&atilde;o Paulo</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#end">Correspond&ecirc;ncia</a></font></p>    <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">O presente artigo visa apresentar o projeto pioneiro   de aboli&ccedil;&atilde;o da reprova&ccedil;&atilde;o na rede estadual paulista,   elaborado no final da d&eacute;cada de 1950 e implantado no in&iacute;cio de   1960, em car&aacute;ter experimental, no Grupo Experimental da Lapa, escola   que funcionava como unidade oficial de pesquisas da Secretaria da Educa&ccedil;&atilde;o.   Apesar de inaugural, tal experi&ecirc;ncia raramente comparece em publica&ccedil;&otilde;es   sobre o tema, havendo poucos registros a seu respeito. Para tanto, o artigo   esbo&ccedil;a, a princ&iacute;pio, um breve contexto hist&oacute;rico do debate   em torno da ent&atilde;o chamada <i>promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica</i>,   que se inicia no Brasil em 1918, no contexto da Primeira Rep&uacute;blica, e   ganha for&ccedil;a, sobretudo, na d&eacute;cada de 1950, no per&iacute;odo desenvolvimentista.   Em seguida, o texto aborda elementos constitutivos do projeto realizado no Grupo   Experimental da Lapa, justificando a pertin&ecirc;ncia e a atualidade da promo&ccedil;&atilde;o   autom&aacute;tica, bem como delineia sua formata&ccedil;&atilde;o, em especial   no que diz respeito &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o das classes, ao curr&iacute;culo,   &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o e ao papel docente. Posto isso, s&atilde;o   revelados trechos de depoimentos dados por educadores envolvidos na constru&ccedil;&atilde;o   do referido projeto, os quais revelam suas potencialidades e contradi&ccedil;&otilde;es.   Tamb&eacute;m s&atilde;o apresentados documentos raros sobre o tema publicados   no contexto dessa experi&ecirc;ncia pioneira. Ao final, s&atilde;o tecidas considera&ccedil;&otilde;es   sobre a experi&ecirc;ncia em quest&atilde;o, a qual, apesar de pouco divulgada,   possui enorme import&acirc;ncia hist&oacute;rica. Espera-se, com este artigo,   contribuir para a constru&ccedil;&atilde;o da escola p&uacute;blica de qualidade,   principalmente considerando a crescente implanta&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica   de ciclos nas redes p&uacute;blicas educacionais brasileiras.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave: </b>Hist&oacute;ria da educa&ccedil;&atilde;o   - Pol&iacute;ticas educacionais - Promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>As origens da promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica   no Brasil</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Diferentemente do que se costuma supor, a proposta   de abolir a reprova&ccedil;&atilde;o nas escolas brasileiras n&atilde;o &eacute;   novidade. Ao contr&aacute;rio, um estudo hist&oacute;rico aprofundado realizado   por Lygia S. Vi&eacute;gas (2009) desvela que h&aacute; refer&ecirc;ncias &agrave;   antes denominada <i>promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica </i>no discurso   educacional brasileiro ao menos desde o in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, com   destaque para a Primeira Rep&uacute;blica e para o per&iacute;odo desenvolvimentista.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Marco hist&oacute;rico da defesa da promo&ccedil;&atilde;o   autom&aacute;tica no Brasil &eacute; a carta aberta de Sampaio D&oacute;ria   para Oscar Thompson, publicada em 1918, sob o t&iacute;tulo <i>Contra o analphabetismo</i>,   na qual o autor prop&otilde;e, como estrat&eacute;gia para atender ao objetivo   de alfabetizar o povo <i>sem onerar o poder p&uacute;blico</i>,</font></p>     <blockquote>       <p><font face="Verdana" size="2">promover do primeiro para o segundo per&iacute;odo   todos os alunos que tiverem tido o benef&iacute;cio de um ano escolar, s&oacute;   podendo os atrasados repetir o ano, se n&atilde;o houver candidatos aos lugares   que ficariam ocupados. (SAMPAIO D&Oacute;RIA,, 1918, p. 65)<a href="#nt1" name="tx1"><sup>1</sup></a></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2"> Em outro momento, ele declara a inten&ccedil;&atilde;o   de n&atilde;o negar matr&iacute;cula a novos candidatos "s&oacute; porque vadios,   ou anormaes, teriam de repetir o anno" (p. 78).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Chama a aten&ccedil;&atilde;o que desde esse   primeiro autor a mencionar tal projeto no Brasil comparece a cr&iacute;tica   &agrave; imposi&ccedil;&atilde;o da ideia: "Reformas em papel, por mais meritorias,   n&atilde;o valem nada" (p. 63). Ao contr&aacute;rio, ele ressalva que, se o   professor "n&atilde;o tiver interesse pessoal, tudo dar&aacute; em nada". Para   garantir a ades&atilde;o, sup&otilde;e ser suficiente que,</font></p>     <blockquote>       <p><font face="Verdana" size="2">al&eacute;m dos escassos vencimentos de hoje,   lhes offere&ccedil;a uma gratifica&ccedil;&atilde;o annual, um tanto por crian&ccedil;a   que consigam alphabetizar. S&oacute; com isto, ao envez de 50% actuaes, o   Professor lograr&aacute; seguramente alphabetizar 90% das crian&ccedil;as   que lhe forem confiadas. (p. 63)</font></p> </blockquote>     <blockquote></blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">O debate em torno da promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica   deixou de comparecer nas publica&ccedil;&otilde;es nacionais, voltando &agrave;   baila apenas no final da d&eacute;cada de 1950 e sendo veiculado principalmente   na <i>Revista Brasileira de Estudos Pedag&oacute;gicos</i>. V&aacute;rios expoentes   nacionais participaram do debate, de maneira ora favor&aacute;vel, ora contr&aacute;ria   &agrave; ideia.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Dentre os documentos dessa &eacute;poca, figuram   as <i>Recomenda&ccedil;&otilde;es da Confer&ecirc;ncia Regional Latino-Americana   sobre educa&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria gratuita e obrigat&oacute;ria</i>   (1956), nas quais a promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica comparece no eixo   <i>administra&ccedil;&atilde;o e financiamento</i>, assumindo seu tom econ&ocirc;mico.   Eis o que diz o documento:</font></p>     <blockquote></blockquote>     <blockquote>       <p><font face="Verdana" size="2">Que se procure solucionar o grave problema   da repet&ecirc;ncia escolar que constitui preju&iacute;zo financeiro importante   e retira oportunidades educacionais a consider&aacute;vel massa de crian&ccedil;as   em idade escolar mediante: a) a revis&atilde;o do sistema de promo&ccedil;&otilde;es   na escola prim&aacute;ria, com o fim de torn&aacute;-lo menos seletivo; b)   o estudo, com a participa&ccedil;&atilde;o do pessoal docente das escolas   prim&aacute;rias, de um regime de promo&ccedil;&otilde;es baseado na idade   cronol&oacute;gica do educando e outros aspectos de valor pedag&oacute;gico,   e aplic&aacute;-lo, <i>com car&aacute;ter experimental</i>, nos primeiros   graus da escola. (RECOMENDA&Ccedil;&Otilde;ES, 1956, p. 166, grifos nossos)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Mais uma vez, destaca-se o papel do professor,   que deveria ser preparado para "aplicar inteligentemente os planos e programas   e participar com efic&aacute;cia na sua revis&atilde;o" (p.173). Assim, recomenda-se   melhorar a forma&ccedil;&atilde;o e o sal&aacute;rio, realizar contrata&ccedil;&otilde;es,   reduzir o n&uacute;mero de alunos por classe, distribuir docentes pelo grau   de efici&ecirc;ncia e investigar a causa do abandono da carreira. Valoriza-se,   ainda, a participa&ccedil;&atilde;o do professor na elabora&ccedil;&atilde;o   da pol&iacute;tica educacional.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Diversos foram os autores que publicaram sobre   o tema na d&eacute;cada de 1950, dentre os quais figuram Almeida J&uacute;nior   (1957), o ent&atilde;o Presidente Juscelino Kubitschek (1957) e Dante Moreira   Leite (1959/1999). Em comum aos tr&ecirc;s autores, h&aacute; a cr&iacute;tica   aos altos &iacute;ndices de reprova&ccedil;&atilde;o e a defesa de que, para   garantir seu sucesso, tal programa deveria ser acompanhado de condi&ccedil;&otilde;es   relativas, sobretudo, &agrave; forma&ccedil;&atilde;o e &agrave; valoriza&ccedil;&atilde;o   docente. Almeida Junior e Dante Moreira Leite tamb&eacute;m partilham de cr&iacute;ticas   &agrave; implanta&ccedil;&atilde;o imposta em nome da lei. Apenas o segundo,   no entanto, n&atilde;o se refere a quest&otilde;es econ&ocirc;micas ao defender   o projeto, dando enfoque a aspectos do desenvolvimento infantil. O primeiro,   por sua vez, trata a quest&atilde;o fazendo diversas refer&ecirc;ncias a experi&ecirc;ncias   norte-americanas e europeias.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nesse sentido, a an&aacute;lise da bibliografia   hist&oacute;rica em torno da promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica desvela   que a ideia de abolir a reprova&ccedil;&atilde;o nas escolas p&uacute;blicas   &eacute; defendida no Brasil ao menos desde a Primeira Rep&uacute;blica, sendo   retomada intensamente no per&iacute;odo desenvolvimentista. Data deste &uacute;ltimo   per&iacute;odo sua primeira implanta&ccedil;&atilde;o experimental em S&atilde;o   Paulo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>A promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica   no Grupo Experimental da Lapa</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A segunda metade da d&eacute;cada de 1950 foi   um per&iacute;odo de intenso debate em torno da promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica,   momento em que mesmo seus defensores destacavam a import&acirc;ncia de garantir   condi&ccedil;&otilde;es para que tal projeto fosse bem-sucedido. Foi nesse contexto   que se elaborou um ensaio de implanta&ccedil;&atilde;o, tendo como l&oacute;cus   o Grupo Escolar Experimental da Lapa, unidade oficial de pesquisas da Secretaria   de Educa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para abordar tal experi&ecirc;ncia, inicialmente   ser&aacute; apresentado o projeto de implanta&ccedil;&atilde;o. Em seguida,   ser&atilde;o revelados trechos de depoimentos realizados com alguns de seus   participantes e, por fim, documentos raros que analisam a experi&ecirc;ncia   pioneira no Brasil.</font></p>     <p><b><font face="Verdana" size="2">O projeto de promo&ccedil;&atilde;o   autom&aacute;tica no Grupo Experimental da Lapa</font></b></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O referido projeto, em conson&acirc;ncia com   as <i>Recomenda&ccedil;&otilde;es</i> j&aacute; citadas, tinha car&aacute;ter   experimental. Elaborado em 1959 e iniciado em 1960, ele foi publicado apenas   em 1961, na forma de brochura datilografada - encontrada na Biblioteca da Faculdade   de Educa&ccedil;&atilde;o da USP -, tendo por signat&aacute;rios a assistente   t&eacute;cnico-did&aacute;tica Elsa Lima Gon&ccedil;alves Antunha (redatora   do projeto), o diretor da escola Ulysses Lombardi e a psicologista da Sec&ccedil;&atilde;o   de Higiene Mental Escolar Hayd&eacute;e Pereira Bueno (ANTUNHA; LOMBARDI; BUENO,   1961).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No in&iacute;cio, uma nota esclarece que o projeto   pautou-se nos <i>constantes apelos</i> por renova&ccedil;&atilde;o, sobretudo   para resolver o problema da reprova&ccedil;&atilde;o, cujas consequ&ecirc;ncias   eram a superlota&ccedil;&atilde;o de classes, a falta de vagas e a evas&atilde;o,   al&eacute;m de problemas administrativos, pedag&oacute;gicos e psicol&oacute;gicos.   Reiterando seu car&aacute;ter experimental, o texto enfatiza que <i>conclus&otilde;es   definitivas</i> seriam apresentadas ap&oacute;s cinco anos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Na introdu&ccedil;&atilde;o, uma an&aacute;lise   da escola paulista destaca o alto &iacute;ndice de reprova&ccedil;&otilde;es,   apontado como consequ&ecirc;ncia evidente de sua crise. Al&eacute;m disso, o   documento afirma que a reprova&ccedil;&atilde;o implicaria &ocirc;nus para o   Estado e graves preju&iacute;zos &agrave; crian&ccedil;a e &agrave; sua fam&iacute;lia,   especialmente psicol&oacute;gicos. Nesse sentido, urgia a ado&ccedil;&atilde;o   de medidas para melhorar a escola: instala&ccedil;&otilde;es, dura&ccedil;&atilde;o   do ano letivo, forma&ccedil;&atilde;o docente, curr&iacute;culo, planejamento,   material did&aacute;tico, crit&eacute;rios de avalia&ccedil;&atilde;o e organiza&ccedil;&atilde;o   de classes.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Apesar de reconhecer que, "mantidas as condi&ccedil;&otilde;es   atuais", a escola n&atilde;o superaria suas dificuldades, dependendo de "v&aacute;rias   provid&ecirc;ncias, de diversas ordens, especialmente por parte da administra&ccedil;&atilde;o   estadual", o texto cr&ecirc; ser poss&iacute;vel a utiliza&ccedil;&atilde;o   de "recursos de organiza&ccedil;&atilde;o escolar e de m&eacute;todos" para   "atenuar os males que a escola padece", dentre os quais a "reten&ccedil;&atilde;o   e conseq&uuml;ente repeti&ccedil;&atilde;o enfadonha e desnecess&aacute;ria   das mesmas atividades escolares" (p. 6).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para iluminar a quest&atilde;o, s&atilde;o resgatadas   as experi&ecirc;ncias francesa, inglesa e norte-americana, destacando-se que,   no Brasil, crescia o movimento em prol da</font></p>     <blockquote>       <p><font face="Verdana" size="2">passagem gradual e cont&iacute;nua da crian&ccedil;a   pelos v&aacute;rios graus da escola prim&aacute;ria, ficando, assim, garantida   a cada crian&ccedil;a a perman&ecirc;ncia de, pelo menos, quatro anos na escola,   em classes adequadas &agrave;s suas possibilidades de aprendizagem. (p. 6)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">De fato, em 1958, segundo informa o documento,   o Prof. Luiz Contier, na condi&ccedil;&atilde;o de Diretor Geral do Departamento   de Educa&ccedil;&atilde;o, consultou o Grupo Experimental da Lapa sobre a possibilidade   de testar o sistema de promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica. A decis&atilde;o   do diretor da escola, ent&atilde;o, foi de que ainda n&atilde;o havia amadurecimento   para tanto. O assunto voltou &agrave; baila no ano seguinte, na gest&atilde;o   do Prof. Carlos Pasquale, quando se considerou ser o momento oportuno &agrave;   implanta&ccedil;&atilde;o da promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica, dando   in&iacute;cio ao projeto.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; denomina&ccedil;&atilde;o   de <i>promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica</i>, havia uma preocupa&ccedil;&atilde;o   de que tal express&atilde;o desmoralizasse o regime, servindo para "fins outros   que n&atilde;o o interesse da crian&ccedil;a" (p. 6). Para evitar confus&atilde;o,   o documento destaca a necessidade de elabora&ccedil;&atilde;o cuidadosa, bem   como a condu&ccedil;&atilde;o de um plano experimental de grande profundidade,   cujas conclus&otilde;es serviriam como base para sua extens&atilde;o a toda   a rede. Nesse sentido, ele previa que o segundo semestre de 1959 seria dedicado   ao preparo da escola para a mudan&ccedil;a, que se iniciaria apenas em 1960.   Al&eacute;m disso, o projeto deveria ser chamado <i>rendimento efetivo</i>,   e n&atilde;o <i>promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A hip&oacute;tese central era de que, "dadas   certas condi&ccedil;&otilde;es m&iacute;nimas, a ado&ccedil;&atilde;o do regime   de promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica (rendimento efetivo) na escola paulista   atender&aacute; &agrave;s necessidades da crian&ccedil;a" (p. 7). Como inspiradores   estavam Almeida J&uacute;nior, publica&ccedil;&otilde;es da <i>Revista Brasileira   de Estudos Pedag&oacute;gicos</i>, estudos do Instituto Nacional de Estudos   e Pesquisas Educacionais (INEP), bem como educadores estrangeiros. A implanta&ccedil;&atilde;o   objetivava observar se a promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica atendia aos   interesses educativos e de que forma alunos, professores, comunidade e administra&ccedil;&atilde;o   reagiriam a tal sistema.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Nele, as classes seriam organizadas pelo agrupamento   e reagrupamento de alunos de acordo com suas "possibilidades" ou "rendimento   efetivo", o que seria estipulado por um "grupo classificador, composto do diretor,   assistente t&eacute;cnico-did&aacute;tico, psicologista e o professor da s&eacute;rie   anterior" (p. 9-10). Cada turma, por sua vez, desenvolveria um trabalho espec&iacute;fico,   calcado no rendimento dos alunos, de maneira a garantir a continuidade na escolariza&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A organiza&ccedil;&atilde;o das classes, sempre   pautada na idade dos alunos, seria a seguinte: 1º ano, montado de   acordo com relat&oacute;rio da pr&eacute;-escola ou testes formais e informais;   ano intermedi&aacute;rio ou de transi&ccedil;&atilde;o, para crian&ccedil;as   que, "em igualdade de condi&ccedil;&otilde;es de escolaridade, n&atilde;o conseguiram   lograr um m&iacute;nimo indispens&aacute;vel para um rendimento efetivo em qualquer   das classes do 2º ano" ou em "condi&ccedil;&otilde;es peculiares   de desenvolvimento, que venham a exigir assist&ecirc;ncia mais espec&iacute;fica"   (p.11); 2º, 3º e 4º anos, organizados conforme   avalia&ccedil;&atilde;o anterior; e, caso necess&aacute;rio, classes de ensino   emendativo, para alunos que, ao final do 4º ano, n&atilde;o tivessem   "conseguido um m&iacute;nimo de aprendizagem que seja julgado necess&aacute;rio   a uma forma&ccedil;&atilde;o elementar" (p.11). Nota-se, portanto, que o ensino   prim&aacute;rio seria realizado no m&iacute;nimo em quatro e no m&aacute;ximo   em seis anos (caso o aluno passasse pelas classes intermedi&aacute;ria e emendativa)<a href="#nt2" name="tx2"><sup>2</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No que diz respeito ao curr&iacute;culo, ao material   did&aacute;tico e aos m&eacute;todos de ensino, o projeto afirma adotar como   refer&ecirc;ncia o <i>Programa do ensino prim&aacute;rio fundamental </i>em   vigor, embora destaque que haveria flexibilidade, considerando o rendimento   efetivo de cada classe. Dessa forma, cada grupo funcionaria de maneira pr&oacute;xima   &agrave;s possibilidades dos alunos, evitando "provocar frustra&ccedil;&otilde;es   no aluno atrasado ou aborrecimento ao aluno adiantado" (p. 11-12). Finalmente,   o texto menciona a preocupa&ccedil;&atilde;o em atrair os alunos por meio de   projetos que propiciassem a liberdade de express&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Quanto &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o, ela   se basearia no trabalho di&aacute;rio e em verifica&ccedil;&otilde;es peri&oacute;dicas   realizadas por meio de provas, testes, exames e escalas de escolaridade. Destaca-se,   ainda, que ela n&atilde;o serviria <i>nunca</i> como crit&eacute;rio de promo&ccedil;&atilde;o,   mas como "meios de verifica&ccedil;&atilde;o da aprendizagem, de revis&atilde;o   e redistribui&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos curriculares, de reagrupamento   e reorganiza&ccedil;&atilde;o de classes" (p. 12). De car&aacute;ter estritamente   qualitativo e baseado no boletim de nota&ccedil;&atilde;o qualitativa<a href="#nt3" name="tx3"><sup>3</sup></a>,   o objetivo da avalia&ccedil;&atilde;o seria "promover e intensificar a coopera&ccedil;&atilde;o   entre pais e professores no trabalho conjunto de criar e formar a crian&ccedil;a",   al&eacute;m de, "sempre que poss&iacute;vel" (p. 13), incentivar o progresso   e o rendimento do aluno. Tamb&eacute;m se sugere uma an&aacute;lise global do   perfil deste, incluindo n&iacute;vel socioecon&ocirc;mico, estado f&iacute;sico,   personalidade e prontid&atilde;o, o que serviria de base para a elabora&ccedil;&atilde;o   do curr&iacute;culo de cada sala, permitindo maior acompanhamento.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No projeto, os professores s&atilde;o vistos   como "pe&ccedil;a decisiva na experi&ecirc;ncia a ser ensaiada" (p. 15). Assim,   seria mantido o quadro docente, possibilitando que seu trabalho anterior servisse   de guia aos impactos do projeto. Ao mesmo tempo, destaca-se que "ser&atilde;o   dispensados os professores que, dadas suas condi&ccedil;&otilde;es de personalidade   ou desadapta&ccedil;&otilde;es a tal tipo de pesquisa, forem julgados inadequados   pelos respons&aacute;veis pelo empreendimento" (p. 15). Para os participantes,   seriam oferecidas assist&ecirc;ncia e orienta&ccedil;&atilde;o por meio de cursos,   bolsas de estudos, reuni&otilde;es pedag&oacute;gicas, biblioteca e participa&ccedil;&atilde;o   orientada em atividade extracurricular, objetivando a "reestrutura&ccedil;&atilde;o   de grande parte de seus valores e atitudes, e uma adapta&ccedil;&atilde;o progressiva   a situa&ccedil;&otilde;es inteiramente inusitadas em nosso meio" (p. 15).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O projeto tamb&eacute;m prev&ecirc; medidas para   estreitar os la&ccedil;os entre fam&iacute;lia e escola: "ser&atilde;o proporcionados   todos os esclarecimentos necess&aacute;rios e ser&aacute; dada toda a orienta&ccedil;&atilde;o   &agrave; fam&iacute;lia, quanto ao sentido e import&acirc;ncia da experi&ecirc;ncia".   Para tanto, haveria reuni&otilde;es peri&oacute;dicas, "em especial no momento   de entrega dos boletins" (p. 16), quando professores apontariam as dificuldades   do aluno, meios para san&aacute;-las e orientariam pais, visando resgatar os   direitos da crian&ccedil;a, citando as consequ&ecirc;ncias do trabalho infantil   e o respeito e aceita&ccedil;&atilde;o aos limites e &agrave;s potencialidades.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Finalizando, o projeto reconhece que poderia   haver problemas administrativos. Para solucion&aacute;-los, destaca condi&ccedil;&otilde;es   a serem oferecidas: apoio moral e material por parte das autoridades; aquisi&ccedil;&atilde;o   de material did&aacute;tico e de trabalho; contrata&ccedil;&atilde;o de professores   e funcion&aacute;rios de apoio; a mais completa autonomia t&eacute;cnica, evitando   interfer&ecirc;ncia externa, especialmente pol&iacute;tica; gratifica&ccedil;&atilde;o   mensal aos participantes. Com todas essas garantias, ele aposta que a experi&ecirc;ncia   seria exitosa.</font></p>     <p><b><font face="Verdana" size="2">Mem&oacute;rias de participantes da   promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica no Grupo Experimental da Lapa</font></b></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Embora o documento do projeto tenha sido localizado   na Biblioteca da Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o da USP, n&atilde;o foi   poss&iacute;vel encontrar, em diversas bibliotecas, o prometido relat&oacute;rio   final com a an&aacute;lise de seus impactos. No entanto, considerando o valor   hist&oacute;rico inestim&aacute;vel de tal experi&ecirc;ncia, pioneira da promo&ccedil;&atilde;o   autom&aacute;tica no Brasil, deu-se in&iacute;cio &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o   visando encontrar preciosos documentos e antigos participantes que pudessem   contribuir com depoimentos acerca de sua viv&ecirc;ncia no projeto.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O primeiro passo foi visitar a escola onde antes   funcionava o Grupo Experimental da Lapa, a fim de procurar registros da experi&ecirc;ncia   em seu acervo. Nesse contato, constatou-se que parte da documenta&ccedil;&atilde;o   antiga havia sido transferida para a Diretoria de Ensino (DE). Al&eacute;m disso,   houve uma constata&ccedil;&atilde;o surpreendente: a equipe gestora da atual   escola sequer tinha conhecimento de que ali ocorrera, na d&eacute;cada de 1960,   a implanta&ccedil;&atilde;o pioneira da promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O contato com a DE tamb&eacute;m foi surpreendente:   novamente, n&atilde;o havia documentos sobre a antiga experi&ecirc;ncia e todos   desconheciam sua viv&ecirc;ncia no Grupo Experimental da Lapa, demonstrando   at&eacute; mesmo espanto com a express&atilde;o <i>promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica</i>.   Em breve, mas intenso, depoimento de um antigo educador do Grupo que se tornara   supervisor de ensino na DE, tomou-se conhecimento do desmonte das escolas experimentais   (iniciado na Ditadura Militar e conclu&iacute;do na d&eacute;cada de 1990),   caracterizado n&atilde;o apenas pelo fechamento das escolas, como tamb&eacute;m   pelo sistem&aacute;tico apagar de sua mem&oacute;ria. Corroborando sua avalia&ccedil;&atilde;o,   ele relatou que houve um inc&ecirc;ndio na biblioteca da escola, quando muitos   documentos foram dizimados.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Dando continuidade &agrave; pesquisa em torno   da promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica colocada em pr&aacute;tica no Grupo   Experimental da Lapa, foi poss&iacute;vel entrevistar diversos participantes   de tal projeto, ora de maneira formal, ora em conversas n&atilde;o gravadas.   Participaram dessa etapa da pesquisa a assistente t&eacute;cnica e redatora   do projeto, o diretor da escola e duas professoras da &eacute;poca. De car&aacute;ter   semidirigido, tais entrevistas enriqueceram expressivamente o estudo empreendido   para conhecer essa experi&ecirc;ncia pioneira.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Central dentre esses depoimentos foi o da assistente   t&eacute;cnica e redatora do projeto. De fato, foram diversas conversas presenciais   e telef&ocirc;nicas, nas quais ela detalhou, desde o primeiro momento, o processo   de implanta&ccedil;&atilde;o da promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica no   Grupo Experimental da Lapa, trazendo mem&oacute;rias e disponibilizando seu   acervo pessoal com diversos textos da &eacute;poca.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Embora tenha sido convidada por dirigentes da   &eacute;poca para elaborar o projeto de promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica,   sendo sua idealizadora, ela declarou que n&atilde;o p&ocirc;de participar at&eacute;   o final, pois foi afastada no contexto de mudan&ccedil;a de gestores, ocorrida   nos &uacute;ltimos dias de 1961. Assim, ela n&atilde;o sabia se houvera continuidade   ou se fora produzido o relat&oacute;rio final da experi&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Com rela&ccedil;&atilde;o ao Grupo Experimental,   enfatizou que ali havia um conjunto de projetos que, articulados &agrave; promo&ccedil;&atilde;o   autom&aacute;tica, davam contorno &agrave; escola como um todo, sobretudo a   autoavalia&ccedil;&atilde;o dos alunos e a inclus&atilde;o de deficientes. Nesse   sentido, era imposs&iacute;vel separar as v&aacute;rias experi&ecirc;ncias do   contexto maior. Disse ainda que a escola era criticada pelo suposto car&aacute;ter   elitizado, pois nem toda a rede p&uacute;blica tinha a qualidade de ensino ali   garantida. Apesar das cr&iacute;ticas, defendeu a import&acirc;ncia de escolas   com esse perfil, destacando a inten&ccedil;&atilde;o de estender as experi&ecirc;ncias   bem sucedidas para a rede e de n&atilde;o criar um nicho privilegiado.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para fundamentar a promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica,   ela criticou a estrutura de cobran&ccedil;a e amea&ccedil;a da escola tradicional,   dizendo que isso precisava ser mudado. Por outro lado, destacou que a promo&ccedil;&atilde;o   autom&aacute;tica e a inclus&atilde;o deveriam ser "respons&aacute;veis", n&atilde;o   perdendo de vista a necessidade das crian&ccedil;as e a qualidade do ensino.   Nesse momento, diferenciou o projeto antigo da atual progress&atilde;o continuada,   demonstrando sua preocupa&ccedil;&atilde;o com a necess&aacute;ria qualidade   e com o investimento que um projeto de tal natureza necessariamente requisita.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Segundo relatou, a promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica   adotada no Grupo Experimental n&atilde;o se baseava no argumento da autoestima   ou do trauma da reprova&ccedil;&atilde;o, pois "passar sem aprender tamb&eacute;m   produz trauma e baixa autoestima". A proposta era colocar a crian&ccedil;a no   centro do processo educativo, visando atender &agrave;s suas necessidades. Por   esse motivo, n&atilde;o fazia sentido repetir uma s&eacute;rie, de forma id&ecirc;ntica,   se a crian&ccedil;a tivesse dificuldades apenas em alguns conte&uacute;dos.   A ideia era dar continuidade &agrave; escolariza&ccedil;&atilde;o, come&ccedil;ando   os conte&uacute;dos do ponto em que a crian&ccedil;a parou. Al&eacute;m disso,   havia intensa forma&ccedil;&atilde;o de professores, alunos e familiares, todos   "conscientes" dos prop&oacute;sitos do projeto.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Por meio da pesquisa de campo, foi poss&iacute;vel   gravar as mem&oacute;rias do antigo diretor do Grupo Experimental da Lapa. Em   seu depoimento, foi not&aacute;vel o orgulho de ter dirigido essa escola, dando   &ecirc;nfase &agrave; sua participa&ccedil;&atilde;o no projeto de promo&ccedil;&atilde;o   autom&aacute;tica. Sobre tal experi&ecirc;ncia, ele se lembrou da intensa forma&ccedil;&atilde;o   docente, bem como da participa&ccedil;&atilde;o ativa de alunos e familiares   em sua constru&ccedil;&atilde;o, todos cientes do projeto e de suas implica&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Finalmente, foram ouvidas duas ex-professoras.   Com uma, houve breve conversa informal na qual ela afirmou que, se a promo&ccedil;&atilde;o   autom&aacute;tica foi bem sucedida no Grupo Experimental, isso se deveu ao esfor&ccedil;o   dos profissionais da escola, que se engajaram, de forma quase volunt&aacute;ria,   na constru&ccedil;&atilde;o de uma escola diferenciada, destacando o pouco apoio   por parte da Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o. Assim, falou da disposi&ccedil;&atilde;o   coletiva para enfrentar desafios e das incessantes reuni&otilde;es (n&atilde;o   remuneradas), destacando que ali "de fato havia trabalho em equipe".</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A professora tamb&eacute;m disse ser imposs&iacute;vel   separar a promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica de outras experi&ecirc;ncias   realizadas, destacando as aulas de refor&ccedil;o (oferecidas ao longo do ano   e nas f&eacute;rias) e a inclus&atilde;o de deficientes. Segundo afirmou, apesar   das dificuldades dos professores em trabalhar com tais alunos, dificuldades   estas advindas da falta de forma&ccedil;&atilde;o, havia vontade de supera&ccedil;&atilde;o.   Ela se lembrou do esfor&ccedil;o de aproxima&ccedil;&atilde;o entre escola e   fam&iacute;lia, destacando a diversidade do p&uacute;blico da escola, cujos   alunos eram filhos tanto de professores universit&aacute;rios, quanto de pais   analfabetos. Para ela, todos esses projetos partiram da necessidade da escola,   fazendo sentido &agrave;queles que participavam.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em seu relato, a professora ressaltou que muitas   daquelas experi&ecirc;ncias foram implantadas recentemente por meio de leis,   criticando essa forma de institui&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas educacionais:   "se n&atilde;o vier de dentro, n&atilde;o acredito". Refor&ccedil;ando tal ideia,   ela acrescentou que, para a promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica dar certo,   &eacute; preciso cuidar do professor, bem como realizar um trabalho com as crian&ccedil;as   e suas fam&iacute;lias, as quais devem acreditar na proposta.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ao descrever a promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica   no Grupo Experimental, a professora destacou que as crian&ccedil;as n&atilde;o   ficavam "abandonadas &agrave; pr&oacute;pria sorte". Ao contr&aacute;rio, havia   recupera&ccedil;&atilde;o durante todo o ano, al&eacute;m do "refor&ccedil;o   antecipado", ou seja, antes de iniciarem a mat&eacute;ria com a classe, o conte&uacute;do   era passado aos alunos "fracos", produzindo um curioso efeito: eles aprendiam   antes dos "fortes", refor&ccedil;ando o desejo de aprender e a autoestima.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Outro aspecto lembrado foi a classe intermedi&aacute;ria,   voltada para alunos que tinham aprendido menos, mas que, pela promo&ccedil;&atilde;o   autom&aacute;tica, deveriam progredir. Considerando a import&acirc;ncia de ver   o aluno de forma integral, a ideia era dar prosseguimento &agrave; trajet&oacute;ria   escolar a partir do ponto em que eles haviam parado, indo "o m&aacute;ximo poss&iacute;vel"   adiante. Para ela, essa experi&ecirc;ncia foi "muito boa", pois havia menos   alunos por sala e as melhores professoras trabalhando com estrat&eacute;gias   variadas (recursos l&uacute;dicos e culturais, contato estreito com a fam&iacute;lia).   A professora recordou que alguns alunos voltaram para o ensino regular antes   de terminar o ano letivo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Ela tamb&eacute;m pareceu compadecida em rela&ccedil;&atilde;o   ao desmonte das escolas experimentais, mencionando sua deteriora&ccedil;&atilde;o   ao longo do tempo, o que em nada guarda parentesco com a quest&atilde;o educacional   propriamente dita. Sentia, especialmente, pelo fato de n&atilde;o haver, hoje,   sequer resqu&iacute;cios do que antes existiu. Tamb&eacute;m recordou o inc&ecirc;ndio   na escola, quando se perderam relat&oacute;rios das experi&ecirc;ncias mais   significativas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Finalmente, foi realizada longa entrevista gravada   com uma professora que trabalhou no Grupo Experimental da Lapa entre 1960 e   1988, saindo de l&aacute; aposentada: "eu entrei l&aacute; solteira, e s&oacute;   n&atilde;o sa&iacute; av&oacute; por um ano". Desde o primeiro momento, a professora   deu um relato emocionado de sua viv&ecirc;ncia na escola, onde aconteceu boa   parte de sua vida profissional, adjetivada reiteradas vezes como "incr&iacute;vel",   "maravilhosa", "inesquec&iacute;vel".</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ela reafirmou que a promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica   compunha um projeto maior de escola, que articulava experi&ecirc;ncias dif&iacute;ceis   de isolar: autoavalia&ccedil;&atilde;o, inclus&atilde;o, forma&ccedil;&atilde;o   para artes e elabora&ccedil;&atilde;o de cadernos de forma&ccedil;&atilde;o,   os quais guardam semelhan&ccedil;a com os <i>Par&acirc;metros Curriculares Nacionais</i>.   Destacou, orgulhosa, o objetivo de estender os projetos bem sucedidos para a   rede de ensino. Nesse sentido, embora vivessem as dificuldades t&iacute;picas   de inova&ccedil;&otilde;es, havia engajamento de todos na constru&ccedil;&atilde;o   de uma escola de qualidade, o que se refletia nas infind&aacute;veis reuni&otilde;es   de planejamento aos s&aacute;bados, que, embora n&atilde;o remuneradas, contavam   com a ades&atilde;o docente.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Segundo relata, a promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica   no Grupo Experimental da Lapa aconteceu de forma natural, sendo t&atilde;o enraizada   que ela n&atilde;o recordava quando nem por que havia sido interrompida. Embora   reconhe&ccedil;a que alguns alunos ficavam atrasados, disse que o trabalho com   eles era intenso, visando n&atilde;o prejudicar sua forma&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Ela chegou a lecionar em classe intermedi&aacute;ria   por um ano, experi&ecirc;ncia apontada como desafio e conquista. Ainda sobre   essa experi&ecirc;ncia, destacou que tanto alunos como familiares estavam esclarecidos   sobre o funcionamento da classe e do projeto de promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O envolvimento da professora com a escola, t&atilde;o   marcado em sua trajet&oacute;ria, apareceu na tristeza pelo fato de que parte   das mem&oacute;rias do trabalho ali realizado est&aacute; esquecida, se n&atilde;o   apagada (memorando o inc&ecirc;ndio na biblioteca). Segundo contou entre l&aacute;grimas,   sua ang&uacute;stia cresceu, pois, a partir da pesquisa, ela voltou &agrave;   escola, a qual em nada lembrava a institui&ccedil;&atilde;o que ela ajudou a   construir.</font></p>     <p><b><font face="Verdana" size="2">Publica&ccedil;&otilde;es sobre a promo&ccedil;&atilde;o   autom&aacute;tica no Grupo Experimental da Lapa</font></b></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Conforme mencionado, a redatora do projeto de   promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica no Grupo Experimental da Lapa disponibilizou   uma s&eacute;rie de documentos raros sobre aquela experi&ecirc;ncia. Organizados   por ela de forma impec&aacute;vel em uma pasta pessoal, muitos eram vers&otilde;es   originais, datilografadas e encadernadas em pequenas brochuras.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Cronologicamente, a primeira publica&ccedil;&atilde;o   &eacute; uma nota do jornal <i>A Tribuna</i>, de Santos, datada de 28 de maio   de 1961 e intitulada <i>Que &eacute; promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica?</i>.   De pronto, afirma-se que o problema da promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica   estava na <i>ordem do dia</i>,</font></p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">apontada, por uns, como meio de resolver a   crise de vagas na escola prim&aacute;ria; combatida, por outros, com igual   veem&ecirc;ncia, como processo que acabar&aacute; por esvaziar, totalmente,   o conte&uacute;do do ensino fundamental.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2"> Ciente da experi&ecirc;ncia realizada no Grupo   Experimental da Lapa, o departamento cultural do jornal convidou Elsa Antunha   (1962) para proferir uma palestra sobre o tema, publicada posteriormente na   revista <i>Pesquisa e Planejamento</i> sob o t&iacute;tulo <i>Promo&ccedil;&atilde;o   Autom&aacute;tica na escola prim&aacute;ria</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Logo no in&iacute;cio, a autora concorda que   o tema &eacute; pol&ecirc;mico, bem como afirma que sua postura n&atilde;o seria   de apresentar conclus&otilde;es "definitivas", mas de "cooperar com o debate"   por meio de considera&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas e observa&ccedil;&otilde;es   pr&aacute;ticas sobre a experi&ecirc;ncia em marcha, pretendendo, portanto,   "trocar id&eacute;ias, receber sugest&otilde;es e cr&iacute;ticas" (p. 98).   Tamb&eacute;m a autora destaca a polariza&ccedil;&atilde;o, apontada no jornal,   entre o aspecto pedag&oacute;gico e os aspectos social e econ&ocirc;mico. Em   seu ponto de vista, no entanto, o tema &eacute; mais complexo, e ela assim resume   sua concep&ccedil;&atilde;o:</font></p>     <blockquote>       <p><font face="Verdana" size="2">1) a ado&ccedil;&atilde;o imediata do sistema   de promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica seria insuficiente por si s&oacute;   para resolver a crise de vagas na escola prim&aacute;ria; 2) embora sua utiliza&ccedil;&atilde;o   sem cuidados, sem as condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias, possa 'acabar   por esvaziar totalmente o conte&uacute;do do ensino prim&aacute;rio fundamental',   a ado&ccedil;&atilde;o desse regime, desde que sejam previamente estabelecidas   as condi&ccedil;&otilde;es indispens&aacute;veis para o seu funcionamento,   corresponde inteiramente aos interesses da escola prim&aacute;ria e da crian&ccedil;a.   (p. 99)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Em seguida, ela aprofunda a discuss&atilde;o,   enfatizando algumas <i>obviedades</i> da promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica:   disponibilidade de vagas, melhor distribui&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as   pelos anos escolares, diminui&ccedil;&atilde;o da repet&ecirc;ncia e da evas&atilde;o.   No entanto, discorda da perspectiva, adotada pelo poder p&uacute;blico, de que   ela aliviaria a sobrecarga or&ccedil;ament&aacute;ria, sendo, portanto, <i>econ&ocirc;mica   </i>e <i>pr&aacute;tica</i>, quando pondera: "&eacute; preciso n&atilde;o esquecer   que o estabelecimento das condi&ccedil;&otilde;es indispens&aacute;veis para   que o regime possa funcionar honestamente elevar&aacute; naturalmente os gastos   com a educa&ccedil;&atilde;o" (p. 99). Segue dizendo:</font></p>     <blockquote></blockquote>     <blockquote>       <p><font face="Verdana" size="2">N&atilde;o nos parece que a ado&ccedil;&atilde;o   do sistema da promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica levaria a uma diminui&ccedil;&atilde;o   dos gastos com a educa&ccedil;&atilde;o. Pelo contr&aacute;rio, para que se   possa chegar ao estabelecimento das condi&ccedil;&otilde;es que propiciem   o abandono da reprova&ccedil;&atilde;o, com as vantagens decorrentes, seria   necess&aacute;rio que os governantes se apercebessem de que a educa&ccedil;&atilde;o,   quando realmente eficiente, a par de ser um investimento altamente rend&aacute;vel,   &eacute; cara, pois s&atilde;o necess&aacute;rias aplica&ccedil;&otilde;es   maci&ccedil;as de verbas para constru&ccedil;&otilde;es, material escolar,   sal&aacute;rios etc. (p. 100)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Al&eacute;m da quest&atilde;o econ&ocirc;mica,   a autora critica a implanta&ccedil;&atilde;o imposta:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote></blockquote>     <blockquote>       <p><font face="Verdana" size="2">a solu&ccedil;&atilde;o dos problemas da educa&ccedil;&atilde;o   prim&aacute;ria brasileira n&atilde;o consiste, pois, em mudar 'por decreto'   um sistema que &eacute;, antes de mais nada, conseq&uuml;&ecirc;ncia de uma   s&eacute;rie de condi&ccedil;&otilde;es que a tornam ineficiente e anti-democr&aacute;tica,   mas sim atacar essas condi&ccedil;&otilde;es, super&aacute;-las, enfim. (p.   100)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Segundo Antunha, para superar o fracasso escolar,   devem-se eliminar entraves que d&atilde;o &agrave; escola car&aacute;ter seletivo   e competitivo, sendo necess&aacute;rias novas constru&ccedil;&otilde;es, a aboli&ccedil;&atilde;o   de turnos, a distribui&ccedil;&atilde;o de material did&aacute;tico, a forma&ccedil;&atilde;o   docente, a moderniza&ccedil;&atilde;o de m&eacute;todos e curr&iacute;culos,   a orienta&ccedil;&atilde;o de pais e o aumento do senso de responsabilidade   infantil. Tais medidas levariam "'automaticamente' &agrave; elimina&ccedil;&atilde;o   das reprova&ccedil;&otilde;es", pois "em uma escola com todas essas condi&ccedil;&otilde;es,   n&atilde;o poderia haver causas, a n&atilde;o ser circunstanciais, para o baixo   rendimento, e portanto para a reprova&ccedil;&atilde;o" (p. 100-101).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Assim, "o simples abandono do regime de reprova&ccedil;&atilde;o"   poderia "agravar mais ainda a atual situa&ccedil;&atilde;o", levando ao "esvaziamento   total do conte&uacute;do do ensino" e &agrave; "desmoraliza&ccedil;&atilde;o   do regime de promo&ccedil;&atilde;o flex&iacute;vel". Esclarece, no entanto,   que n&atilde;o defende a reprova&ccedil;&atilde;o<a href="#nt4" name="tx4"><sup>4</sup></a>, mas que ela pode dar "certa apar&ecirc;ncia de seriedade",   por levar alunos a realizarem as exig&ecirc;ncias da escola e pais a cobrarem   estudo dos filhos "ao menos &agrave;s v&eacute;speras dos exames" (p. 101).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Antunha assevera que, enquanto o medo e a coa&ccedil;&atilde;o   n&atilde;o forem substitu&iacute;dos pelo interesse e pela responsabilidade   da crian&ccedil;a, n&atilde;o haver&aacute; possibilidade de mudar a escola   com sucesso, o que depende, no entanto, da forma&ccedil;&atilde;o docente e   da compreens&atilde;o e participa&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia no processo   de escolariza&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A autora analisa, ainda, as rea&ccedil;&otilde;es   contr&aacute;rias &agrave; proposta como decorr&ecirc;ncia de sua designa&ccedil;&atilde;o   <i>inadequada</i>, referindo-se &agrave; conota&ccedil;&atilde;o negativa da   palavra <i>autom&aacute;tica</i>. No entanto, declara que a inten&ccedil;&atilde;o   n&atilde;o &eacute; propor um regime maquinal ou inconsciente. Ao contr&aacute;rio,   ele implica um "sens&iacute;vel aumento de responsabilidades por parte do governo,   dos administradores, professores, pais e pela pr&oacute;pria crian&ccedil;a"   (p. 103).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Diferentemente daquela vis&atilde;o, a promo&ccedil;&atilde;o   autom&aacute;tica seria a</font></p>     <blockquote>       <p><font face="Verdana" size="2">passagem gradual e cont&iacute;nua do educando   pelas v&aacute;rias s&eacute;ries da escola elementar, de maneira que lhe   seja assegurado o direito de a&iacute; permanecer todo aquele tempo que lhe   &eacute; garantido por lei, em condi&ccedil;&otilde;es adequadas &agrave;s   suas possibilidades de aprendizagem. (p. 103-104)</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"> Antunha enfatiza, ent&atilde;o, a aus&ecirc;ncia   de lacunas no programa e o fim do preconceito de que o ensino deve ser constru&iacute;do   em torno do aluno m&eacute;dio. Al&eacute;m disso, reitera a pertin&ecirc;ncia   da express&atilde;o <i>promo&ccedil;&atilde;o por rendimento efetivo</i>, explicando   seu significado: a passagem de ano pelo crit&eacute;rio de idade e a organiza&ccedil;&atilde;o   de classes pelas reais possibilidades de aprendizagem. Assim, havia classes   de s&eacute;ries mais avan&ccedil;adas aprendendo conte&uacute;dos mais simples   que outras iniciais. O projeto envolvia, portanto, a dupla homogeneiza&ccedil;&atilde;o:   et&aacute;ria e por desempenho<a href="#nt5" name="tx5"><sup>5</sup></a>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Concluindo, a autora afirma que a promo&ccedil;&atilde;o   autom&aacute;tica &eacute; vi&aacute;vel "desde que sejam tomados os cuidados   indispens&aacute;veis", destacando a forma&ccedil;&atilde;o docente, a orienta&ccedil;&atilde;o   de pais, a utiliza&ccedil;&atilde;o de m&eacute;todos ativos, a &ecirc;nfase   na avalia&ccedil;&atilde;o qualitativa e na autoaprecia&ccedil;&atilde;o de   alunos. Al&eacute;m disso, defende que, se respeitado o potencial da crian&ccedil;a,   haver&aacute; "um sens&iacute;vel aumento do rendimento escolar", apostando:   "a escola, assim, deixa de ser seletiva. Educa cada um no n&iacute;vel a que   cada um pode chegar. A sociedade precisa de todos, independentemente da uniformidade   de suas aptid&otilde;es" (p. 107-108). Antunha finaliza perguntando: "desde   que a escola s&oacute; deve exigir do aluno aquilo que ele pode fazer e, de   seu lado, ele s&oacute; faz o que est&aacute; ao seu alcance, por que reprovar?"   (p. 109).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Outra publica&ccedil;&atilde;o relevante sobre   a promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica no Grupo Experimental da Lapa comparece   no livro de Mere Abramowicz, Marisa Del Cioppo Elias e Teresinha Maria Neli   Silva (1987). Com o objetivo de discutir as possibilidades e os limites de inova&ccedil;&otilde;es   educacionais nas s&eacute;ries iniciais, as autoras desenvolveram estudos de   caso, sendo um deles relativo &agrave; <i>escola do rendimento efetivo</i>.   A pesquisa foi realizada a partir de depoimentos, e as autoras lamentam, desde   o pref&aacute;cio, a dificuldade de localizar documentos sobre tal experi&ecirc;ncia,   afirmando:</font></p>     <blockquote>       <p><font face="Verdana" size="2">N&atilde;o h&aacute; tradi&ccedil;&atilde;o   em nossos meios educacionais de preserva&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria   do ensino p&uacute;blico. E quando documentos n&atilde;o s&atilde;o preservados,   valorizados, mas destru&iacute;dos e desbaratados, torna-se dif&iacute;cil   a reconstitui&ccedil;&atilde;o dos fatos educacionais. (p. XVI)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Ao analisar de maneira gen&eacute;rica as experi&ecirc;ncias   pesquisadas, as autoras definem-nas como <i>t&iacute;midas</i>, destacando implica&ccedil;&otilde;es   referentes &agrave; (falta de) vontade pol&iacute;tica na supera&ccedil;&atilde;o   de dificuldades.</font></p>     <blockquote></blockquote>     <blockquote>       <p><font face="Verdana" size="2">Assim, experi&ecirc;ncias bem-sucedidas s&atilde;o   interrompidas por simples remo&ccedil;&atilde;o de pessoas-chave nelas envolvidas,   por corte de verbas, dificultando as solu&ccedil;&otilde;es administrativas   necess&aacute;rias ou, ainda, por proposi&ccedil;&atilde;o de leis que ficam   'no papel' sem serem viabilizadas.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2"> Na contram&atilde;o, estaria o trabalho docente,   que "luta para encontrar os caminhos que levam ao desenvolvimento do aluno,   ainda que esbarrando em dificuldades impostas pelo sistema, por vezes intranspon&iacute;veis"   (p. 2).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Quanto &agrave; promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica,   as autoras definem-na como medida t&eacute;cnico-pedag&oacute;gica, por estar   apoiada em "determinados recursos de organiza&ccedil;&atilde;o escolar, de m&eacute;todos,   de avalia&ccedil;&atilde;o do rendimento, para tentar resolver o problema da   repet&ecirc;ncia na escola prim&aacute;ria" (p. 10). Visando conhecer a promo&ccedil;&atilde;o   autom&aacute;tica implantada no Grupo Experimental da Lapa, foram feitas entrevistas   com alguns protagonistas (professores, diretor, assistente t&eacute;cnica, orientadora   de l&iacute;ngua portuguesa e psic&oacute;loga).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No que concerne &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o   das classes e ao agrupamento dos alunos, elas destacam a forma&ccedil;&atilde;o   de turmas pelo rendimento efetivo. No entanto, segundo uma professora, tal crit&eacute;rio   coincidia com o econ&ocirc;mico, ou seja, os melhores alunos tinham melhor condi&ccedil;&atilde;o   financeira, formando as melhores classes, que se concentravam no turno matutino.   Consequentemente, "os pais disputavam a matr&iacute;cula para seus filhos no   hor&aacute;rio nobre e os pr&oacute;prios alunos passaram a se julgar privilegiados   e a tratar os colegas diferenciadamente" (p. 12).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Uma professora lembrou que antes a reprova&ccedil;&atilde;o   n&atilde;o era significativa, pois a escola tinha infraestrutura administrativa,   t&eacute;cnica, pedag&oacute;gica e material, al&eacute;m de professores preparados   e competentes, aspectos tamb&eacute;m mencionados pela assistente t&eacute;cnica   e pelo diretor da escola, que enfatizam que sua incorpora&ccedil;&atilde;o para   a rede s&oacute; seria bem sucedida se tamb&eacute;m houvesse esse cuidado.   O diretor ainda afirmou que n&atilde;o se tratava de empurrar o aluno, mas de   garantir um bom curso para ele.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Pelos depoimentos, tem-se conhecimento de que   a classe de ensino emendativo n&atilde;o foi implantada, embora n&atilde;o se   explique o porqu&ecirc;. Quanto &agrave; classe intermedi&aacute;ria, a assistente   relata que a ideia surgiu da preocupa&ccedil;&atilde;o com alunos que n&atilde;o   poderiam ser reprovados, mas n&atilde;o tinham condi&ccedil;&otilde;es de acompanhar   a classe regular. A inten&ccedil;&atilde;o era "pegar o n&uacute;cleo do bloqueio   do rendimento", "garantir uma base s&oacute;lida e eliminar os pontos de estrangulamento   encontrados pelas crian&ccedil;as no 1º ano" (p.14). Segundo declarou,   seu filho passou por tal classe, lembrando, ainda, que parte dos alunos era   reintegrada no ensino regular antes do final do ano.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Duas professoras tamb&eacute;m falaram sobre   as classes intermedi&aacute;rias, destacando o n&uacute;mero reduzido de alunos,   bem como as dificuldades vividas. Uma delas afirmou que os professores, apesar   de competentes, ficavam rotulados de fracos; outra definiu a experi&ecirc;ncia   como <i>dif&iacute;cil</i> e <i>perigosa</i>, e seus alunos como <i>problema</i>.   Ela disse que tinha de, ao mesmo tempo, atender &agrave;s dificuldades de alguns   e ensinar o conte&uacute;do para todos. Com isso, s&oacute; se ensinavam os   conte&uacute;dos m&iacute;nimos, aumentando as dificuldades da turma e os problemas   de adapta&ccedil;&atilde;o dos alunos quando do retorno ao ensino regular.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Tamb&eacute;m a coordenadora de portugu&ecirc;s   definiu a promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica como <i>dif&iacute;cil</i>.   Para ela, era <i>loucura</i> aprovar alunos sem conhecimentos, ideia tamb&eacute;m   utilizada para definir o agrupamento homog&ecirc;neo de alunos. Isso porque   havia resist&ecirc;ncia de professores, principalmente dos mais din&acirc;micos,   que entendiam ser desperd&iacute;cio lecionar para os lentos. Por meio de seu   depoimento, desvela-se que havia a reten&ccedil;&atilde;o de alunos no 1º   ano caso eles n&atilde;o assimilassem um m&iacute;nimo de conte&uacute;dos necess&aacute;rio   mesmo na classe intermedi&aacute;ria. Por sua vez, o diretor da escola falou   que os pais dos alunos das classes intermedi&aacute;rias, ainda que estivessem   cientes do processo, ficavam angustiados e ansiosos com essa condi&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Quanto aos programas e m&eacute;todos, todos   destacaram sua adequa&ccedil;&atilde;o ao ritmo dos alunos, lembrando que havia   liberdade para experimentar m&eacute;todos mais ativos e din&acirc;micos de   ensino. Ainda no que diz respeito a esse aspecto, a orientadora de portugu&ecirc;s   relatou que o refor&ccedil;o era desenvolvido com atividades <i>mais leves</i>,   l&uacute;dicas e culturais. Como tal atividade ocorria sempre no turno oposto   ao das aulas regulares, criou-se o projeto de lanche e almo&ccedil;o, cujo card&aacute;pio   era elaborado por uma nutricionista.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o,   os depoentes destacam a aprecia&ccedil;&atilde;o constante do rendimento efetivo   dos alunos, considerando o trabalho di&aacute;rio e as verifica&ccedil;&otilde;es   peri&oacute;dicas. O crit&eacute;rio de avalia&ccedil;&atilde;o tinha car&aacute;ter   qualitativo, pautando-se em conceitos e n&atilde;o em notas. O diretor da escola   recordou que houve dificuldade por parte de pais e alunos para entender o novo   processo de avalia&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o raro sendo solicitada sua decodifica&ccedil;&atilde;o   em notas. Tal dificuldade, no entanto, foi trabalhada at&eacute; que todos adquiriram   confian&ccedil;a no trabalho. A assistente destacou que havia um trabalho para   alunos entenderem que promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica n&atilde;o era   simplesmente passar de ano.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">No que se refere ao acompanhamento do trabalho   docente, o diretor destaca que ele envolvia outros funcion&aacute;rios da escola,   bem como pais e alunos, sendo realizado na forma de reuni&otilde;es de sensibiliza&ccedil;&atilde;o   para a quest&atilde;o da promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Por fim, as autoras da pesquisa concluem que   "essa experi&ecirc;ncia veio demonstrar que o sistema de promo&ccedil;&atilde;o   autom&aacute;tica &eacute; incompat&iacute;vel com a qualidade do ensino" (p.   28), sobretudo se implantado em uma escola com estrutura e organiza&ccedil;&atilde;o   prec&aacute;rias<a href="#nt6" name="tx6"><sup>6</sup></a>. Defendendo que o   problema da escola supera o t&eacute;cnico-administrativo, alcan&ccedil;ando   quest&otilde;es pol&iacute;ticas, psicossociais e de desenvolvimento, elas afirmam:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote></blockquote>     <blockquote>       <p><font face="Verdana" size="2">O fato de os alunos serem diferentes em seu   ritmo de aprendizagem, e sujeitos a m&uacute;ltiplos fatores intervenientes   no seu rendimento tornava imposs&iacute;vel o desejado progresso paralelo   em uma mesma classe. Qualquer tentativa de nivelamento, para fins exclusivos   de promo&ccedil;&atilde;o de uma s&eacute;rie para outra, acabava por criar   pontos de estrangulamento para o aluno e dificuldades de atendimento pelo   professor. Observou-se que essa situa&ccedil;&atilde;o se transfere para toda   a escolaridade do aluno e que, quanto mais o tempo passa, mais dif&iacute;cil   se torna superar os obst&aacute;culos. A promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica,   enquanto medida administrativa e legal, contribuiu para agravar a crise da   escola de 1º grau, camuflando seus reais problemas e dificuldades.   (p. 28)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Nessa dire&ccedil;&atilde;o, as autoras definem   a classe intermedi&aacute;ria como <i>disfarce</i>, pois seu surgimento deita   raiz na tentativa de contornar a necessidade de reten&ccedil;&atilde;o de alunos,   imposs&iacute;vel no novo sistema. Descoberta por pais e alunos, a situa&ccedil;&atilde;o   trouxe uma conota&ccedil;&atilde;o pejorativa para tal classe, despertando resist&ecirc;ncias.   Al&eacute;m disso, houve dificuldade em mudar a mentalidade dos envolvidos,   o que seria necess&aacute;rio para o sucesso da nova forma de avalia&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Como aspecto positivo, elas mencionam a boa infraestrutura   t&eacute;cnica, administrativa, material e docente. Citam tamb&eacute;m as tentativas   de mudan&ccedil;a na avalia&ccedil;&atilde;o, as quais, no entanto, <i>puseram   a descoberto </i>"a impraticabilidade da promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica"   (p.30).</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Por fim, questionam a importa&ccedil;&atilde;o   pura e simples de ideias vindas de fora, bem como a falta de vontade pol&iacute;tica   para construir uma escola p&uacute;blica de qualidade, representada pela constante   amea&ccedil;a de fechamento das escolas experimentais, acusadas de elitistas.   Assim, a equipe ficava em constante sobressalto, atrapalhando a tranquilidade   necess&aacute;ria para o desenvolvimento pleno do trabalho. No entanto,</font></p>     <blockquote></blockquote>     <blockquote>       <p><font face="Verdana" size="2">Ainda que verdadeiras 'ilhas' dentro do sistema   de ensino, as escolas experimentais conseguiram demonstrar que &eacute; poss&iacute;vel   melhorar a qualidade de ensino e &eacute; poss&iacute;vel realizar a educa&ccedil;&atilde;o   no seu sentido 'lato'. Como escola alternativa, diferenciada e democr&aacute;tica,   conseguiu reunir crian&ccedil;as de todas as camadas sociais e oferecer a   elas amplas possibilidades de desenvolvimento. Conseguiu ser uma escola de   boa qualidade para todos que a procuraram. (p. 31)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">De fato, a hist&oacute;ria comprovou seu desmonte:   todas as escolas experimentais de S&atilde;o Paulo foram fechadas e transformadas   em escola de ensino regular.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Para compreender a proposta de promo&ccedil;&atilde;o   autom&aacute;tica implantada no Grupo Experimental da Lapa, &eacute; fundamental   reconhecer o contexto de sua implanta&ccedil;&atilde;o, o qual &eacute; marcado   pelo intenso debate em torno da proposta iniciado d&eacute;cadas antes, desvelando   que o alto &iacute;ndice de reprova&ccedil;&otilde;es &eacute; problema antigo   e ainda n&atilde;o solucionado no Brasil. A leitura de documentos da &eacute;poca   evidencia que, desde o princ&iacute;pio, houve vozes contr&aacute;rias e favor&aacute;veis,   pois mesmo tais textos sempre listaram condi&ccedil;&otilde;es para garantir   o sucesso da proposta, bem como criticaram sua imposi&ccedil;&atilde;o legal.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Destaca-se, ainda, que se trata de projeto importado,   sem, no entanto, reconhecer a desigualdade entre os sistemas estrangeiros de   ensino e o brasileiro, que ainda padece de problemas j&aacute; enfrentados naqueles   pa&iacute;ses. Essa estrutura de implanta&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas   p&uacute;blicas ultrapassa o &acirc;mbito educacional, sendo uma constante na   hist&oacute;ria brasileira. &Eacute; nessa perspectiva que Roberto Schwarz (1977)   afirma que "ao longo de sua reprodu&ccedil;&atilde;o social, incansavelmente   o Brasil p&otilde;e e rep&otilde;e id&eacute;ias europ&eacute;ias, sempre em   sentido impr&oacute;prio" (p. 77). Para tal autor, no Brasil, "o teste de realidade   n&atilde;o parecia importante. &Eacute; como se coer&ecirc;ncia e generalidade   n&atilde;o pesassem muito" (p. 63). Precursor de tais ideias, S&eacute;rgio   Buarque de Holanda (1999) afirma de modo certeiro e desconcertante:</font></p>     <blockquote></blockquote>     <blockquote>       <p><font face="Verdana" size="2">A tentativa de implanta&ccedil;&atilde;o da   cultura europ&eacute;ia em extenso territ&oacute;rio, dotado de condi&ccedil;&otilde;es   naturais, se n&atilde;o adversas, largamente estranhas &agrave; sua tradi&ccedil;&atilde;o   milenar, &eacute;, nas origens da sociedade brasileira, o fato dominante mais   rico em conseq&uuml;&ecirc;ncias. Trazendo de pa&iacute;ses distantes nossas   formas de conv&iacute;vio, nossas institui&ccedil;&otilde;es, nossas id&eacute;ias,   e timbrando em manter tudo isso em ambiente muitas vezes desfavor&aacute;vel   e hostil, somos ainda hoje uns desterrados em nossa terra. (p. 31)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">De fato, a importa&ccedil;&atilde;o da promo&ccedil;&atilde;o   autom&aacute;tica atendeu a demandas locais. Diferentemente de outros pa&iacute;ses,   ela sempre foi defendida aqui como forma de contornar o alto &iacute;ndice de   reprova&ccedil;&otilde;es, criticado, sobretudo, sob a &oacute;tica econ&ocirc;mica.   Apenas Dante Moreira Leite e Elsa Antunha n&atilde;o frisaram o car&aacute;ter   financeiro da promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica; o primeiro sequer menciona   a quest&atilde;o, e a segunda afirma que seu sucesso implica mais gastos, e   n&atilde;o economia de recursos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Analisando a promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica   implantada no Grupo Experimental da Lapa, &eacute; poss&iacute;vel notar que   ela se sustentou na vis&atilde;o naturalizada de desenvolvimento infantil, vista   sob o manto ideol&oacute;gico das diferen&ccedil;as de capacidade. Na esteira   dessa concep&ccedil;&atilde;o, formam-se classes separadas para alunos fracos,   geralmente os mais pobres, refor&ccedil;ando preconceitos.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Destaque deve ser dado ao fato de que condi&ccedil;&otilde;es   fundamentais, apontadas desde Sampaio D&oacute;ria, foram garantidas no Grupo   Experimental da Lapa, visando ao sucesso da promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica:   n&uacute;mero reduzido de alunos por classe, forma&ccedil;&atilde;o docente,   mudan&ccedil;a nos m&eacute;todos, nos programas e na avalia&ccedil;&atilde;o,   mas, sobretudo, di&aacute;logo profundo com seus participantes - professores,   alunos e familiares. Ainda assim, nota-se que houve dificuldades e pol&ecirc;micas   em sua concretiza&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Chama a aten&ccedil;&atilde;o que a discuss&atilde;o   acerca da garantia de tais condi&ccedil;&otilde;es desapareceu no contexto de   implanta&ccedil;&atilde;o recente da progress&atilde;o continuada. A situa&ccedil;&atilde;o   &eacute; agravada se considerarmos que tal pol&iacute;tica ignorou essas condi&ccedil;&otilde;es,   implantando a proposta at&eacute; mesmo por meio da t&atilde;o criticada imposi&ccedil;&atilde;o   legal.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O desprezo pelo debate refor&ccedil;a o desprezo   pela pr&oacute;pria hist&oacute;ria. De fato, os projetos do Grupo Experimental   n&atilde;o s&atilde;o rememorados, quando n&atilde;o apagados. O inc&ecirc;ndio   na biblioteca da escola destruiu registros de projetos pioneiros que hoje, curiosamente,   s&atilde;o leis na escola p&uacute;blica; leis que, ironicamente, desconsideram   as experi&ecirc;ncias realizadas justamente para fortalecer tais programas.   Embora n&atilde;o haja provas de motiva&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, ainda   que como acidente, tal inc&ecirc;ndio convoca &agrave; reflex&atilde;o. A an&aacute;lise   da hist&oacute;ria brasileira desvela que a destrui&ccedil;&atilde;o de documentos   &eacute; constante recurso para queimar arquivos e apagar a mem&oacute;ria nacional,   ironicamente chamada de <i>curta</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Novamente, falamos de recurso importado. Segundo   Jos&eacute; Castello (2006), a queima de livros &eacute; t&atilde;o antiga quanto   a pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia dos livros. Em breve excurs&atilde;o hist&oacute;rica,   da Mesopot&acirc;mia aos dias atuais, o autor revela que motiva&ccedil;&otilde;es   morais, religiosas e pol&iacute;ticas conduziram &agrave; destrui&ccedil;&atilde;o   de milh&otilde;es de livros, quando n&atilde;o de bibliotecas inteiras, estrat&eacute;gia   adotada por conservadores e progressistas que compartilham a ideia de que alguns   escritos s&atilde;o perigosos e devem ser silenciados.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">Na contram&atilde;o dessa vis&atilde;o, Theodor   Adorno (2003) enfatiza a import&acirc;ncia de conhecer e elaborar o passado.   Segundo afirma, a</font></p>     <blockquote></blockquote>     <blockquote>       <p><font face="Verdana" size="2">terr&iacute;vel imagem de uma humanidade sem   mem&oacute;ria" n&atilde;o &eacute; mero "produto da decad&ecirc;ncia, da   forma de reagir de uma humanidade sobrecarregada de est&iacute;mulos e que   n&atilde;o consegue mais dar conta dos mesmos, como se costuma dizer, mas   refere-se a algo vinculado necessariamente &agrave; progressividade dos princ&iacute;pios   burgueses. (p. 32)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana" size="2">Ou seja,</font></p>     <blockquote>       <p><font face="Verdana" size="2">A mem&oacute;ria, o tempo e a lembran&ccedil;a   s&atilde;o liquidados pela pr&oacute;pria sociedade burguesa em seu desenvolvimento,   como se fossem uma esp&eacute;cie de resto irracional, do mesmo modo como   a racionaliza&ccedil;&atilde;o progressiva dos procedimentos da produ&ccedil;&atilde;o   industrial elimina junto aos outros restos da atividade artesanal tamb&eacute;m   categorias como a da aprendizagem, ou seja, do tempo de aquisi&ccedil;&atilde;o   da experi&ecirc;ncia no of&iacute;cio. (p. 33)</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A experi&ecirc;ncia de promo&ccedil;&atilde;o   autom&aacute;tica no Grupo Experimental da Lapa foi inegavelmente esquecida,   ou mesmo renegada. E agora, com a progress&atilde;o continuada, a ideia &eacute;   editada como novidade. Com isso, abre-se caminho para que os mesmos equ&iacute;vocos   e dificuldades ressurjam, e para que a pol&iacute;tica p&uacute;blica educacional   brasileira permane&ccedil;a como um eterno reinventar de estrat&eacute;gias   antigas. Cabe-nos perguntar: o que aprendemos com nossa pr&oacute;pria hist&oacute;ria?   Como entender as pol&iacute;ticas de Estado que pouco ou quase nada s&atilde;o   avaliadas?</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">O <i>d&eacute;j&agrave; vu</i> de pol&iacute;ticas   que, mesmo quando implantadas, pouco mudaram o quadro educacional constitui   sentimentos de indigna&ccedil;&atilde;o, descr&eacute;dito e desalento. Fazendo   nossas as palavras de Darcy Ribeiro, o Brasil &eacute; um pa&iacute;s que gasta   vidas, tamb&eacute;m no campo da educa&ccedil;&atilde;o. Sabemos que a educa&ccedil;&atilde;o   imprime marcas nas gera&ccedil;&otilde;es e n&atilde;o temos mais tempo de realizar   ou de propor inova&ccedil;&otilde;es (que nem sempre s&atilde;o t&atilde;o inovadoras!)   desconsiderando a hist&oacute;ria da educa&ccedil;&atilde;o, as pr&aacute;ticas   educacionais e pol&iacute;ticas que n&atilde;o foram bem-sucedidas.</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">A mudan&ccedil;a do olhar para o fen&ocirc;meno   educativo necessariamente precisa estar acompanhada de uma vis&atilde;o cr&iacute;tica   e propositiva para a supera&ccedil;&atilde;o das dificuldades educacionais.   Hoje, temos em m&atilde;os dados preciosos sobre o sistema escolar brasileiro.   Resta-nos investir em propostas pol&iacute;ticas realmente fact&iacute;veis,   cuja estrutura de implanta&ccedil;&atilde;o seja de fato existente. Os conhecimentos   produzidos por aqueles que lutam por uma escola para todos indicam muitas sa&iacute;das   e possibilidades.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">ABRAMOWICZ, Mere; ELIAS, Marisa Del Cioppo; SILVA,   Teresinha M. Neli. <b>A melhoria do ensino nas 1as s&eacute;ries: </b>enfrentando   o desafio. S&atilde;o Paulo: EPU/EDUC, 1987.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000158&pid=S1517-9702201200020001500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">ADORNO, Theodor. <b>Educa&ccedil;&atilde;o e   emancipa&ccedil;&atilde;o</b>. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000160&pid=S1517-9702201200020001500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">ALMEIDA JUNIOR, Antonio. Repet&ecirc;ncia ou   promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica? Revista Brasileira de Estudos Pedag&oacute;gicos,   Rio de Janeiro, v. 27, n. 65, p. 3-15, jan./mar. 1957.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000162&pid=S1517-9702201200020001500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">ANTUNHA, Elsa L. Gon&ccedil;alves.<b> A influ&ecirc;ncia   de um boletim de nota&ccedil;&atilde;o qualitativa sobre o rendimento escolar   e a conduta do educando</b>. S&atilde;o Paulo: Centro Regional de Pesquisas   Educacionais 'Prof. Queiroz Filho', Divis&atilde;o de Aperfei&ccedil;oamento   do Magist&eacute;rio, 1960.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000164&pid=S1517-9702201200020001500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">______. Promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica   na escola prim&aacute;ria. <b>Pesquisa e Planejamento</b>, S&atilde;o Paulo,   n. 5, p. 97-110, jun. 1962.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000166&pid=S1517-9702201200020001500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">ANTUNHA, Elsa L. Gon&ccedil;alves; LOMBARDI,   Ulysses; BUENO, Hayd&eacute;e P. <b>Promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica</b>.   S&atilde;o Paulo: Servi&ccedil;o de Expans&atilde;o Cultural (SEC), 1961.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000168&pid=S1517-9702201200020001500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">CASTELLO, Jos&eacute;. Da biblioteca para a fogueira.   <b>Revista Entre Livros</b>, n. 16, ago. 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000170&pid=S1517-9702201200020001500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">HOLANDA, S&eacute;rgio Buarque de. <b>Ra&iacute;zes   do Brasil</b>. S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras, 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000172&pid=S1517-9702201200020001500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">KUBITSCHEK, Juscelino. Reforma do ensino prim&aacute;rio   com base no sistema de promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica. <b>Revista   Brasileira de Estudos Pedag&oacute;gicos</b>, Rio de Janeiro, v. XXVII, n. 65,   p. 141-145, jan./mar. 1957.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000174&pid=S1517-9702201200020001500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">LEITE, Dante Moreira. Promo&ccedil;&atilde;o   autom&aacute;tica e adequa&ccedil;&atilde;o do curr&iacute;culo ao desenvolvimento   do aluno. <b>Estudos em Avalia&ccedil;&atilde;o Educacional</b>, S&atilde;o   Paulo, n. 19, p. 5-24, jan./jul. 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000176&pid=S1517-9702201200020001500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2"><b>QUE &eacute; promo&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica</b>?   A Tribuna, Santos, 28 maio 1961.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000178&pid=S1517-9702201200020001500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">RECOMENDA&Ccedil;&Otilde;ES da Confer&ecirc;ncia   Regional Latino-Americana sobre educa&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria gratuita   e obrigat&oacute;ria. <b>Revista Brasileira de Estudos Pedag&oacute;gicos</b>,   Bras&iacute;lia, v. 26, n. 63, p. 158-178, jul./set. 1956.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000180&pid=S1517-9702201200020001500012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">SAMPAIO D&Oacute;RIA, Ant&ocirc;nio. Contra o   analphabetismo. In: S&Atilde;O PAULO (Estado). Diretoria Geral da Instru&ccedil;&atilde;o   P&uacute;blica. <b>Anu&aacute;rio do Ensino do Estado de S&atilde;o Paulo</b>.   S&atilde;o Paulo, 1918. p. 58-81.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000182&pid=S1517-9702201200020001500013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">SCHWARZ, Roberto. As id&eacute;ias fora do lugar.   In: ______. <b>Ao vencedor, as batatas:</b> forma liter&aacute;ria e processo   social nos in&iacute;cios do romance brasileiro. S&atilde;o Paulo: Duas Cidades,   1977. p. 59-83.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000184&pid=S1517-9702201200020001500014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">VI&Eacute;GAS, Lygia S. Progress&atilde;o continuada   em uma perspectiva hist&oacute;rica. <b>Revista Brasileira de Estudos Pedag&oacute;gicos</b>,   Bras&iacute;lia, v. 90, n. 225, p. 489-510, maio/ago. 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000186&pid=S1517-9702201200020001500015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="end" href="#top"><img src="/img/revistas/ep/v38n2/seta.jpg" border="0"></a><font face="Verdana" size="2"><b>   Correspond&ecirc;ncia:    <br>  </b>Lygia de Sousa Vi&eacute;gas    <br>  <a href="mailto:lyosviegas@gmail.com">lyosviegas@gmail.com</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Recebido em: 05.04.2010    <br>  Aprovado em: 16.08.2010</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Lygia S. Vi&eacute;gas</b> &eacute; professora   adjunta da Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal da Bahia   (UFBA), psic&oacute;loga, mestre e doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento   Humano pela Universidade de S&atilde;o Paulo (USP).    <br>  <b>Marilene P. R. Souza</b> &eacute; psic&oacute;loga, mestre e doutora em Psicologia   Escolar e do Desenvolvimento Humano pela Universidade de S&atilde;o Paulo (USP).   &Eacute; professora assistente doutora do Instituto de Psicologia da Universidade   de S&atilde;o Paulo, coordenadora e pesquisadora do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o   em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano no Instituto de Psicologia   da Universidade de S&atilde;o Paulo. Atua na &aacute;rea de Psicologia Escolar   e Educacional, pesquisando, principalmente, os seguintes temas: processos de   escolariza&ccedil;&atilde;o, pol&iacute;ticas p&uacute;blicas em educa&ccedil;&atilde;o,   forma&ccedil;&atilde;o do psic&oacute;logo e de professores, processos de sala   de aula, problemas de aprendizagem e educa&ccedil;&atilde;o, etnografia educacional,   direitos da crian&ccedil;a e do adolescente. Coordena o Laborat&oacute;rio Interinstitucional   de Ensino e Pesquisas em Psicologia Escolar. E-mail: <a href="mailto:marileneproenca@hotmail.com">marileneproenca@hotmail.com</a>    <br>  <a href="#tx1" name="nt1">1</a>- Como decorr&ecirc;ncia da promo&ccedil;&atilde;o   autom&aacute;tica, Sampaio D&oacute;ria prev&ecirc; outras medidas, dentre as   quais simplificar o programa e constituir classes especiais de atrasados.    <br>  <a href="#tx2" name="nt2">2</a> - O documento declara, ainda, que   assim seria analisada a expans&atilde;o do ensino prim&aacute;rio para seis   anos.    <br>  <a href="#tx3" name="nt3">3</a> - Trata-se de projeto realizado   no Grupo Experimental, o qual imprimiu mudan&ccedil;as na avalia&ccedil;&atilde;o   (ANTUNHA, 1960).    <br>  <a href="#tx4" name="nt4">4</a> - A autora critica a reprova&ccedil;&atilde;o   por uma s&eacute;rie de motivos: responsabiliza&ccedil;&atilde;o unilateral   da crian&ccedil;a; concep&ccedil;&atilde;o fatalista da potencialidade de alunos;   desrespeito &agrave;s diferen&ccedil;as; supervaloriza&ccedil;&atilde;o dos   exames; descontinuidade curricular; repeti&ccedil;&atilde;o enfadonha, injusta   e desnecess&aacute;ria do conte&uacute;do; turbul&ecirc;ncia, fraude e inseguran&ccedil;a   dos alunos (p. 101-103).    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>  <a href="#tx5" name="nt5">5</a> - A autora reconhece a pol&ecirc;mica   em torno da homogeneiza&ccedil;&atilde;o das classes, afirmando que se trata,   em realidade, de "classes com menor limite de varia&ccedil;&atilde;o" (p. 106-107).   Destaca, ainda, que a localiza&ccedil;&atilde;o de um aluno em determinada classe   n&atilde;o representava um fatalismo, tendo em vista a possibilidade de remanejamento.    <br>  <a href="#tx6" name="nt6">6</a> - "A quest&atilde;o educacional   exige qualidade e &#91;...&#93; essa qualidade custa dinheiro e investimento   em recursos humanos, &uacute;nica forma de garantir sua durabilidade" (p. 77).</font></p>      ]]></body><back>
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