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<journal-title><![CDATA[Revista Brasileira de Ensino de Física]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Introdução à supercondutividade, suas aplicações e a mini-revolução provocada pela redescoberta do MGB2: uma abordagem didática]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Introduction to the superconductivity, its applications and the mini-revolution provoked by the rediscovered of the MgB2: a didactic approach]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Federal de São Carlos Departamento de Física ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In this article the discovery of the superconductivity at39K in MgB2 is discussed in a didactic and conceptual way. To point out its importance the history of the superconductors is discribed shortly, from its discovery in 1911 in Hg up to nowadays. The main inherent characteristics to the superconductor state are pointed out and some of its applications are indicated and represented in illustrations. The text present then the changes that the MgB2 discovery brings to research and applications. In the way it is written, it is believed the text is of interest not only to the general scientific community, not specialized in superconductivity, but especially to high school physics teachers, that could take advantage of the text in activities involving topics of contemporary physics.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[   <B><FONT SIZE=5>    <P ALIGN="CENTER">Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; Supercondutividade, Suas Aplica&ccedil;&otilde;es e a Mini-Revolu&ccedil;&atilde;o Provocada Pela Redescoberta do MgB<SUB>2</SUB>: Uma Abordagem Did&aacute;tica </P> </B></FONT><FONT SIZE=4>    <P ALIGN="CENTER">Introduction to the superconductivity, its applications and the mini-revolution provoked by the rediscovered of the MgB<SUB>2</SUB>: a didactic approach </P> </FONT>    <P ALIGN="CENTER">&nbsp;</P> <FONT SIZE=4>    <P ALIGN="CENTER">Paulo S. Bran&iacute;cio </FONT><I>    <BR> Departamento de F&iacute;sica, Universidade Federal de S&atilde;o Carlos    <BR> 13565-905, S&atilde;o Carlos, S&atilde;o Paulo</I> </P>     <P ALIGN="CENTER">&nbsp;</P>     <P ALIGN="CENTER">Recebido em 11 de Junho de 2001. Aceito em 29 de Outubro de 2001.</P>     <P>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P>     <BLOCKQUOTE>Neste artigo a descoberta da supercondutividade a 39K no MgB<SUB>2</SUB> &eacute; discutida de forma did&aacute;tica e conceitual. Para salientar sua import&acirc;ncia, a hist&oacute;ria dos supercondutores &eacute; descrita brevemente, desde sua descoberta em 1911 no Hg at&eacute; os dias de hoje. S&atilde;o apontadas as principais caracter&iacute;sticas inerentes ao estado supercondutor e indicadas algumas das suas in&uacute;meras aplica&ccedil;&otilde;es, que est&atilde;o representadas em ilustra&ccedil;&otilde;es. O texto apresenta, ent&atilde;o, as mudan&ccedil;as que a descoberta do MgB<SUB>2</SUB> traz ao campo de pesquisa e &agrave;s aplica&ccedil;&otilde;es. Da maneira como est&aacute; apresentado, o texto deve ser de interesse n&atilde;o s&oacute; da comunidade cient&iacute;fica em geral, n&atilde;o especializada em supercondutividade, mas em especial dos professores de f&iacute;sica do ensino m&eacute;dio, que poder&atilde;o se valer do texto em atividades envolvendo t&oacute;picos de f&iacute;sica contempor&acirc;nea.</BLOCKQUOTE>     <BLOCKQUOTE>In this article the discovery of the superconductivity at39K in MgB<SUB>2</SUB> is discussed in a didactic and conceptual way. To point out its importance the history of the superconductors is discribed shortly, from its discovery in 1911 in Hg up to nowadays. The main inherent characteristics to the superconductor state are pointed out and some of its applications are indicated and represented in illustrations. The text present then the changes that the MgB<SUB>2</SUB> discovery brings to research and applications. In the way it is written, it is believed the text is of interest not only to the general scientific community, not specialized in superconductivity, but especially to high school physics teachers, that could take advantage of the text in activities involving topics of contemporary physics.</BLOCKQUOTE>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp; </P> <B>    <P>I&nbsp;&nbsp;Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; supercondutividade</P> </B>    <P>Supercondutores s&atilde;o materiais que perdem a resist&ecirc;ncia &agrave; corrente el&eacute;trica quando est&atilde;o abaixo de uma certa temperatura. A compreens&atilde;o dos complexos mecanismos que levam alguns materiais a se comportarem como supercondutores vem intrigando os cientistas h&aacute; quase um s&eacute;culo. Tudo come&ccedil;ou com o trabalho de Heike Kamerlingh-Onnes[1], que em 1911 descobriu que o Hg podia transportar corrente el&eacute;trica sem nenhuma resist&ecirc;ncia aparente, como mostrado na <A HREF="#fig01">Fig. 1</A>. Al&eacute;m disso, esta corrente podia persistir por um tempo indefinido. Onnes conseguiu esse feito trabalhando em seu laborat&oacute;rio de baixas temperaturas em Leiden na Holanda, onde alguns anos antes tinha conseguido liquefazer o h&eacute;lio pela primeira vez. Ele deu o nome de supercondutividade ao estranho fen&ocirc;meno. A partir de ent&atilde;o, o termo supercondutores vem sendo usado para denotar todos os materiais que, abaixo de uma certa temperatura cr&iacute;tica, T<I><SUB>c</I></SUB>, perdem a resist&ecirc;ncia &agrave; passagem de corrente el&eacute;trica, al&eacute;m de apresentar outras propriedades. Dois anos ap&oacute;s a descoberta, em 1913, Onnes &eacute; agraciado com o pr&ecirc;mio Nobel de F&iacute;sica. Em seu discurso, ele observa ainda que o estado supercondutor podia ser destru&iacute;do aplicando-se um campo magn&eacute;tico suficientemente grande. </P>     <P><A NAME="fig01"></A></P>     <P>&nbsp;</P>     <P ALIGN="CENTER"><IMG SRC="/img/fbpe/rbef/v23n4/04fi01.gif"></P>     
]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P>     <P>A partir da descoberta inicial, a supercondutividade foi sendo procurada em v&aacute;rios materiais e, em especial, nos metais, que s&atilde;o naturalmente bons condutores de eletricidade. Em1929, o T<I><SUB>c</I></SUB> recorde estava com o Ni&oacute;bio em 9.25 K; em 1941 com a liga de Ni&oacute;bio-Nitrog&ecirc;nio em 16 K; j&aacute; em 1953 com a liga de Van&aacute;dio-Sil&iacute;cio em 17.5 K; e da&iacute; por diante. At&eacute; 1986, o T<I><SUB>c</I></SUB> recorde estava com a liga de Ni&oacute;bio e Germ&acirc;nio em 23.2 K, quando ent&atilde;o os supercondutores de alta temperatura foram descobertos. A supercondutividade a baixas temperaturas descrita em 1957 pela teoria BCS, desenvolvida pelos cientistas americanos John Bardeen, Leon Cooper e John Schrie&eacute;r. Em 1972, eles foram agraciados com o pr&ecirc;mio Nobel de F&iacute;sica em reconhecimento &agrave; import&acirc;ncia desta teoria. No entanto, mesmo sendo precisa na explica&ccedil;&atilde;o da supercondutividade a baixas temperaturas em metais e ligas simples, a teoria BCS revelou-se ineficiente na descri&ccedil;&atilde;o completa da supercondutividade a altas temperaturas, como nas cer&acirc;micas supercondutoras descobertas na d&eacute;cada de 80. A primeira delas, La<SUB>2_<I>x</I></SUB>Ba<I><SUB>x</I></SUB>CuO<SUB>4</SUB> foi descoberta por Alex M&uuml;ller e Georg Bednorz em 1986. Essa descoberta foi de tal import&acirc;ncia que mudou notadamente os rumos da supercondutividade. O fato mais marcante foi que a supercondutividade foi descoberta em um material at&eacute; ent&atilde;o considerado isolante, ou seja, que normalmente &eacute; um p&eacute;ssimo condutor de eletricidade. At&eacute; ent&atilde;o, os cientistas n&atilde;o tinham considerado seriamente a possibilidade de um material como este ser um supercondutor, muito menos de ter um T<I><SUB>c</I></SUB> maior que o dos metais. No ano seguinte, M&uuml;ller e Bednorz ganham o pr&ecirc;mio Nobel de F&iacute;sica pela descoberta. De 1987 at&eacute; hoje, os cientistas passaram a procurar intensamente novas cer&acirc;micas supercondutoras e dezenas delas foram descobertas elevando o valor recorde de T<I><SUB>c</I></SUB> a incr&iacute;veis 138 K para o composto Hg<SUB>0.8</SUB>Tl<SUB>0.2</SUB>Ba<SUB>2</SUB>Ca<SUB>2</SUB>Cu<SUB>3</SUB>O<SUB>8.33</SUB>, a press&atilde;o ambiente. Em contrapartida, a procura de novos compostos met&aacute;licos supercondutores foi deixada de lado devido ao entusiasmo gerado com as possibilidades abertas com a descoberta dos supercondutores de alto T<I><SUB>c</I></SUB>. Em janeiro de 2001, a comunidade cient&iacute;fica &eacute; sacudida novamente com a descoberta da supercondutividade no composto met&aacute;lico MgB<SUB>2</SUB>, a 39.2 K. Nada menos que 16 K maior que qualquer composto met&aacute;lico at&eacute; ent&atilde;o conhecido. Para melhor apreciar a import&acirc;ncia desta descoberta e como ela est&aacute; revolucionando o estudo da supercondutividade, vamos entender com mais detalhes algumas caracter&iacute;sticas dos supercondutores e algumas de suas aplica&ccedil;&otilde;es. </P>     <P>&nbsp;</P> <B>    <P>A. Supercondutores Tipo 1 e Tipo 2</B> </P>     <P>Os supercondutores s&atilde;o divididos em dois tipos, de acordo com suas propriedades espec&iacute;ficas. Os supercondutores do Tipo 1 s&atilde;o formados principalmente pelos metais e por algumas ligas e, em geral, s&atilde;o condutores de eletricidade &agrave; temperatura ambiente. Eles possuem um T<I><SUB>c</I></SUB> extremamente baixo, que, segundo a teoria BCS, seria necess&aacute;rio para diminuir as vibra&ccedil;&otilde;es dos &aacute;tomos do cristal e permitir o fluxo sem dificuldades dos el&eacute;trons pelo material, produzindo assim a supercondutividade. Os supercondutores desse tipo foram os primeiros a serem descobertos e os cientistas verificaram que a transi&ccedil;&atilde;o para o estado supercondutor a baixa temperatura tinha caracter&iacute;sticas peculiares: ela acontecia abruptamente, veja <A HREF="#fig02">Fig. 2(a)</A>, e era acompanhada pelo efeito Meissner. Esse efeito, que talvez seja a caracter&iacute;stica mais famosa dos supercondutores, &eacute; a causa da levita&ccedil;&atilde;o magn&eacute;tica de um &iacute;m&atilde;, por exemplo, quando &eacute; colocado sobre um peda&ccedil;o de supercondutor. A explica&ccedil;&atilde;o para o fen&ocirc;meno est&aacute; na repuls&atilde;o total dos campos magn&eacute;ticos externos pelos supercondutores do Tipo 1, o que faz com que o campo magn&eacute;tico interno seja nulo, desde que o campo externo aplicado n&atilde;o seja muito intenso. A maioria dos materiais, como vidro, madeira e &aacute;gua, tamb&eacute;m repele campos magn&eacute;ticos externos, o que faz com que o campo no interior deles seja diferente do campo externo aplicado. Esse efeito &eacute; chamado de diamagnetismo e tem sua origem no movimento orbital dos el&eacute;trons ao redor dos &aacute;tomos, que cria pequenos "loopings" de correntes. Elas, por sua vez, criam campos magn&eacute;ticos, segundo as leis da eletricidade e magnetismo e, com a aplica&ccedil;&atilde;o de campo magn&eacute;tico externo tendem a se alinhar de tal forma que se oponham ao campo aplicado. No caso dos condutores, al&eacute;m do alinhamento do movimento orbital dos el&eacute;trons, correntes de blindagem s&atilde;o induzidas no material e cancelam parte do campo magn&eacute;tico no seu interior. Se considerarmos um condutor ideal, ou seja, que n&atilde;o apresenta resist&ecirc;ncia &agrave; corrente el&eacute;trica, o cancelamento do campo &eacute; total, caracterizando o chamado "diamagnetismo perfeito". Nos supercondutores do Tipo 1, o cancelamento do campo magn&eacute;tico interno tamb&eacute;m &eacute; total, por&eacute;m esse comportamento &eacute; distinto do diamagnetismo perfeito. Como podemos ver na <A HREF="#fig03">Fig. 3</A>, os supercondutores do Tipo 1, no estado supercondutor, possuem campo magn&eacute;tico nulo no seu interior, mesmo no caso de o campo magn&eacute;tico externo ser diferente de zero antes da transi&ccedil;&atilde;o supercondutora, diferente do comportamento de um condutor ideal. </P>     <P><A NAME="fig02"></A></P>     <P>&nbsp;</P>     <P ALIGN="CENTER"><IMG SRC="/img/fbpe/rbef/v23n4/04fi02.gif"></P>     
<P>&nbsp;</P>     <P><A NAME="fig03"></A></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P>     <P ALIGN="CENTER"><IMG SRC="/img/fbpe/rbef/v23n4/04fi03.gif"></P>     
<P>&nbsp;</P>     <P>Praticamente todos os metais s&atilde;o supercondutores do Tipo 1, a temperaturas suficientemente baixas. Entre eles, temos (T<I><SUB>c</I></SUB> em Kelvinentre par&ecirc;nteses): Pb (7.2), Hg (4.15), Al (1.175), Ti (0.4), U (0.2), W(0.0154), Rh (0.000325). Curiosamente os melhores condutores dispon&iacute;veis, que s&atilde;o o ouro (Au), a prata (Ag) e o Cobre (Cu) n&atilde;o s&atilde;o supercondutores.</P>     <P>J&aacute; os supercondutores do Tipo 2 s&atilde;o formados por ligas met&aacute;licas e outros compostos. As exce&ccedil;&otilde;es s&atilde;o os metais puros, Van&aacute;dio (V), Tecn&eacute;cio (Tc) e Ni&oacute;bio (Nb). Em geral, as temperaturas cr&iacute;ticas associadas a eles s&atilde;o muito mais altas que as dos supercondutores do Tipo 1, como &eacute; o caso das cer&acirc;micas baseadas em &oacute;xidos de cobre. No entanto, o mecanismo at&ocirc;mico que leva &agrave; supercondutividade neste tipo de supercondutor, at&eacute; hoje n&atilde;o est&aacute; completamente desvendado. O primeiro material supercondutor do Tipo 2 descoberto foi uma liga de chumbo e bismuto fabricada em 1930 por W. de Haase J. Voogd. Eles perceberam que a liga apresentava caracter&iacute;sticas distintas dos supercondutores convencionais, Tipo 1. A transi&ccedil;&atilde;o para o estado supercondutor era gradual, com a presen&ccedil;a de um estado intermedi&aacute;rio, como est&aacute; mostrado na <A HREF="#fig02">Fig 2(b)</A>. Al&eacute;m disso, o efeito Meissner n&atilde;o era perfeito: o material permitia a penetra&ccedil;&atilde;o de algum campo magn&eacute;tico, de modo contr&aacute;rio aos supercondutores do Tipo 1. No estado intermedi&aacute;rio, o supercondutor do Tipo 2 apresenta regi&otilde;es no estado normal, cercada por regi&otilde;es supercondutoras, como &eacute; mostrado na <A HREF="#fig04">Fig. 4(a)</A>. Essas regi&otilde;es mistas, chamadas de v&oacute;rtices, permitem a penetra&ccedil;&atilde;o de campo magn&eacute;tico no material, atrav&eacute;s dos n&uacute;cleos normais. Conforme a temperatura aumenta, dentro do estado intermedi&aacute;rio, os n&uacute;cleos v&atilde;o superando as regi&otilde;es supercondutoras, como &eacute; mostrado na <A HREF="#fig04">Fig. 4(b)</A>. Isso acontece at&eacute; a perda completa do estado supercondutor, quando os n&uacute;cleos normais se sobrep&otilde;em. </P>     <P><A NAME="fig04"></A></P>     <P>&nbsp;</P>     <P ALIGN="CENTER"><IMG SRC="/img/fbpe/rbef/v23n4/04fi04.gif"></P>     
<P>&nbsp;</P>     <P>Todos os supercondutores de alta temperatura pertencem ao Tipo 2, incluindo-se o recordista atual, que pertence &agrave; classe das cer&acirc;micas baseadas em &oacute;xidos de cobre (cupretos). A seguir, enumeramos alguns destes compostos com seu respectivo T<I><SUB>c</I></SUB> em Kelvin, entre par&ecirc;nteses: Hg<SUB>0.8</SUB>Tl<SUB>0.2</SUB>Ba<SUB>2</SUB>Ca<SUB>2</SUB>Cu<SUB>3</SUB>O<SUB>8.33</SUB> (138), Bi<SUB>2</SUB>Sr<SUB>2</SUB>Ca<SUB>2</SUB>Cu<SUB>3</SUB>O<SUB>10</SUB> (115), Ca1-<I>x</I>Sr<I><SUB>x</I></SUB>CuO<SUB>2</SUB> (110), TmBa<SUB>2</SUB>Cu<SUB>3</SUB>O<SUB>7</SUB> (101), YBa<SUB>2</SUB>Cu<SUB>3</SUB>O<SUB>7+</SUB> (93), La<SUB>1.85</SUB>Ba<SUB>.15</SUB>CuO<SUB>4</SUB> (35), CsC<SUB>60</SUB>(40), MgB<SUB>2</SUB> (39.2), Nb<SUB>3</SUB>Ge (23.2) e os metais Nb (9.25), Tc(7.8) e V (5.4). <IMG SRC="/img/fbpe/rbef/v23n4/sbgnvec.gif"></P> <B>    
]]></body>
<body><![CDATA[<P>B. Teoria BCS</P> </B>    <P>A teoria que viria a explicar satisfatoriamente a supercondutividade abaixas temperaturas, presente nos supercondutores do Tipo 1, apareceu somente em 1957, gra&ccedil;as ao trabalho de John Bardeen, Leon Cooper e Robert Schrieffer. Um ponto chave na teoria criada por eles &eacute; a forma&ccedil;&atilde;o de pares de el&eacute;trons, conhecidos como pares de Cooper, atrav&eacute;s de intera&ccedil;&otilde;es com oscila&ccedil;&otilde;es da rede cristalina. Esta teoria &eacute; conhecida hoje como teoria BCS, nome formado com as iniciais dos sobrenomes dos autores, que podem ser vistos na <A HREF="#fig05">Fig. 5</A>. Os el&eacute;trons, assim como todas as part&iacute;culas com spin fracion&aacute;rio, s&atilde;o chamados de f&eacute;rmions e obedecem ao princ&iacute;pio de exclus&atilde;o de Pauli, o qual pro&iacute;be que duas part&iacute;culas ocupem o mesmo n&iacute;vel de energia. No entanto, os pares de Cooper se comportam de maneira muito diferente do de el&eacute;trons isolados. Eles atuam como b&oacute;sons, part&iacute;culas de spin inteiro, podendo se condensar em um mesmo n&iacute;vel de energia. Os pares de Cooper podem ser comparados a duas bolas de boliche nas bordas de um colch&atilde;o de &aacute;gua, como mostrado na <A HREF="#fig06">Fig 6</A>. Conforme algu&eacute;m empurra uma das bolas, o colch&atilde;o se deforma e a deforma&ccedil;&atilde;o atrai a segunda bola.</P>     <P><A NAME="fig05"></A></P>     <P>&nbsp;</P>     <P ALIGN="CENTER"><IMG SRC="/img/fbpe/rbef/v23n4/04fi05.gif"></P>     
<P>&nbsp;</P>     <P><A NAME="fig06"></A></P>     <P>&nbsp;</P>     <P ALIGN="CENTER"><IMG SRC="/img/fbpe/rbef/v23n4/04fi06.gif"></P>     
<P>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Em suma, na teoria BCS, a atra&ccedil;&atilde;o entre pares de el&eacute;trons mediada por oscila&ccedil;&otilde;es da rede cristalina &eacute; a respons&aacute;vel pela supercondutividade. Os pares de Cooper formam um condensado que flui sem resist&ecirc;ncia pelo material e atua expelindo campos magn&eacute;ticos externos fracos, ocasionando o efeito Meissner. Uma discuss&atilde;o mais detalhada da teoria BCS e dos supercondutores do Tipo 1 pode ser encontrada no artigo de Ostermann <I>et al.</I>[5] </P> <B>    <P>C. Supercondutores a altas temperaturas</B> </P>     <P>Mesmo tendo muito sucesso na explica&ccedil;&atilde;o da supercondutividade a baixas temperaturas, a teoria BCS n&atilde;o explica satisfatoriamente o fen&ocirc;meno a altas temperaturas. O primeiro material dessa classe foi descoberto 15 anos atr&aacute;s e deixou a comunidade cient&iacute;fica perplexa, pois a supercondutividade havia sido descoberta em cer&acirc;micas, um material que geralmente &eacute; isolante, e o mais impressionante, em torno de 30 K. Os descobridores, George Bednorz e Alex M&uuml;ller [6], podem ser vistos na <A HREF="#fig07">Fig. 7</A>. A descoberta se tornou ainda mais surpreendente quando, em novembro de 1986, Paul Chu da Universidade de Houston e Mang-Kang Wu da Universidade do Alabama, descobriram que o YBa<syb>2</syb>Cu3O7, simbolizado por YBCO e mostrado na <A HREF="#fig08">Fig. 8</A>, com sua estrutura de camadas, superconduzia a 93 K, ou seja, a temperaturas superiores &agrave; temperatura do nitrog&ecirc;nio l&iacute;quido (77K). Ficou claro naquele ano que uma revolu&ccedil;&atilde;o na F&iacute;sica havia come&ccedil;ado. No ano seguinte, em uma sess&atilde;o especial da reuni&atilde;o de mar&ccedil;o da Sociedade Americana de F&iacute;sica em Nova Iorque, ocorreu a celebra&ccedil;&atilde;o do come&ccedil;o da nova era da supercondutividade. Este evento, que ficou conhecido como o "Woodstock" da F&iacute;sica, reuniu mais de 3000 pessoas na sala de apresenta&ccedil;&atilde;o principal, com outras 3000 pessoas assistindo em circuito de televis&atilde;o fechado, do lado de fora. Nos anos seguintes, v&aacute;rias outras cer&acirc;micas supercondutoras foram descobertas, todas baseadas em &oacute;xidos de cobre, incluindo aquelas com t&aacute;lio e merc&uacute;rio que hoje apresentam as maiores temperaturas cr&iacute;ticas.</P>     <P><A NAME="fig07"></A></P>     <P>&nbsp;</P>     <P ALIGN="CENTER"><IMG SRC="/img/fbpe/rbef/v23n4/04fi07.gif"></P>     
<P>&nbsp;</P>     <P><A NAME="fig08"></A></P>     <P>&nbsp;</P>     <P ALIGN="CENTER"><IMG SRC="/img/fbpe/rbef/v23n4/04fi08.gif"></P>     
]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P> <B>    <P>II&nbsp;&nbsp;Aplica&ccedil;&otilde;es de supercondutores</P> </B>    <P>Os supercondutores s&atilde;o materiais muito interessantes para uso em v&aacute;rias aplica&ccedil;&otilde;es devido &agrave;s suas propriedades peculiares. A maioria das suas aplica&ccedil;&otilde;es se vale da resistividade nula, que em alguns aparelhos el&eacute;tricos &eacute; sin&ocirc;nimo de efici&ecirc;ncia m&aacute;xima, como &eacute; o caso dos geradores de eletricidade e dos cabos de transmiss&atilde;o, que n&atilde;o t&ecirc;m perda de energia el&eacute;trica por calor. Outras aplica&ccedil;&otilde;es se valem dos altos campos magn&eacute;ticos que podem ser obtidos e_cientemente com magnetos supercondutores. Os aparelhos de resson&acirc;ncia magn&eacute;tica, por exemplo, assim como os trens flutuantes (Maglev) e alguns aparelhos utilizados no estudo de materias utilizam estes campos. As outras aplica&ccedil;&otilde;es mais comuns se valem do efeito Meissner.</P> <B>    <P>A.</B> <B>Produ</B>&ccedil;&atilde;<B>o</B> <B>e</B> <B>transmiss</B>&atilde;<B>o</B> <B>de</B> <B>eletricidade</B> </P>     <P>Uma aplica&ccedil;&atilde;o ideal para os supercondutores seria a transmiss&atilde;o de energia el&eacute;trica das esta&ccedil;&otilde;es geradoras para as cidades. Entretanto, isso est&aacute; longe de ser economicamente vi&aacute;vel devido ao alto custo e &agrave; dificuldade t&eacute;cnica de se refrigerar v&aacute;rios quil&ocirc;metros de cabos supercondutores a temperaturas criog&ecirc;nicas, embora cabos de at&eacute; 45 metros possam ser encontrados em utiliza&ccedil;&atilde;o. Cabos de 120 metros, capazes de transportar 100 milh&otilde;es de watts est&atilde;o sendo constru&iacute;dos pela empresa americana Pirelli Wire e devem entrar em opera&ccedil;&atilde;o brevemente em uma subesta&ccedil;&atilde;o em Frisbie, Detroit. Na <A HREF="#fig09">Fig. 9</A>, podemos ver um cabo BSCCO (Bi<SUB>2</SUB>Sr<SUB>2</SUB>CaCu<SUB>2</SUB>O<SUB>9</SUB>) resfriado com nitrog&ecirc;nio l&iacute;quido. J&aacute; a constru&ccedil;&atilde;o e utiliza&ccedil;&atilde;o de geradores de eletricidade em usinas geradoras t&ecirc;m grande potencial. Como a e_ci&ecirc;ncia desses geradores &eacute; maior que 99% e seu tamanho &eacute; a metade daquele dos geradores convencionais feitos de cobre, eles s&atilde;o muito atrativos e v&aacute;rias empresas t&ecirc;m planos para constru&iacute;-los. A empresa americana General Eletric &eacute; uma delas e est&aacute; atualmente desenvolvendo um prot&oacute;tipo capaz de gerar 100 MVA (megawatt-ampere).</P>     <P><A NAME="fig09"></A></P>     <P>&nbsp;</P>     <P ALIGN="CENTER"><IMG SRC="/img/fbpe/rbef/v23n4/04fi09.gif"></P>     
<P>&nbsp;</P>     <P>Al&eacute;m de produzir e transmitir eletricidade, os supercondutores podem tamb&eacute;m ser usados para armazen&aacute;-la. Existem dois tipos principais de baterias que podem ser constru&iacute;das. O primeiro tipo &eacute; o das SMES (super-conducting magnetic energy storage), veja <A HREF="#fig10">Fig. 10(a)</A>, que podem ser descritas como bobinas gigantes, matendo uma alta corrente, que podem ser usadas quando desejado. O segundo tipo &eacute; chamado comumente de "flywheel" e consiste em um &iacute;m&atilde; permanente em formato cil&iacute;ndrico, com grande massa, girando com alta velocidade sobre um supercondutor, veja <A HREF="#fig10">Fig. 10(b)</A>. Esta bateria utiliza-se do efeito Meissner, que faz os supercondutores repelirem fortemente qualquer im&atilde; permanente. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><A NAME="fig10"></A></P>     <P>&nbsp;</P>     <P ALIGN="CENTER"><IMG SRC="/img/fbpe/rbef/v23n4/04fi10.gif"></P>     
<P>&nbsp;</P>     <P>As baterias supercondutoras s&atilde;o especialmente interessantes na estabiliza&ccedil;&atilde;o de redes el&eacute;tricas, em especial as SMES. Em mar&ccedil;o de 2000, por exemplo, foi encomendada a fabrica&ccedil;&atilde;o de um conjunto delas SMES para a estabiliza&ccedil;&atilde;o da rede do estado de Winconsin - EUA. Um conjunto destas SMES &eacute; capaz de reservar mais de 3 milh&otilde;es de watts para ser usado durante pequenos blecautes.</P> <B>    <P>B. Trem magneticamente levitado (MAGLEV)</B> </P>     <P>Como altas correntes el&eacute;tricas podem ser mantidas nos supercondutores, altos campos magn&eacute;ticos podem ser gerados, de acordo com as leis da eletricidade e magnetismo. Uma das aplica&ccedil;&otilde;es &eacute; a levita&ccedil;&atilde;o magn&eacute;tica que pode ser utilizada em ve&iacute;culos de transporte, como trens, eliminando a fric&ccedil;&atilde;o com os trilhos. Trens desse tipo podem ser feitos com magnetos convencionais, pois utilizam basicamente atra&ccedil;&atilde;o e repuls&atilde;o magn&eacute;ticas na levita&ccedil;&atilde;o. Entretanto, os magnetos convencionais desperdi&ccedil;am energia el&eacute;trica na forma de calor e precisam ser bem maiores que os magnetos supercondutores para fornecerem os campos magn&eacute;ticos necess&aacute;rios &agrave; levita&ccedil;&atilde;o. Na d&eacute;cada de 90, trens comerciais come&ccedil;aram a ser desenvolvidos principalmente no Jap&atilde;o, onde o desenvolvimento da tecnologia MA-GLEV ganhou apoio maci&ccedil;o do governo. Recentemente o &uacute;ltimo prot&oacute;tipo desenvolvido, MLX01 (veja <A HREF="/img/fbpe/rbef/v23n4/04fi11.gif">Fig. 11</A>), chegou a 552 Km/h em uma composi&ccedil;&atilde;o tripulada, de 5 vag&otilde;es. Outros trens est&atilde;o sendo desenvolvidos e devem entrar em opera&ccedil;&atilde;o nos pr&oacute;ximos anos na Alemanha e nos Estados Unidos. </P>     
<P>&nbsp;</P> <B>    <P>C. Resson&acirc;ncia magn&eacute;tica nuclear</B> </P>     <P>Outra aplica&ccedil;&atilde;o para os altos campos magn&eacute;ticos obtidos dos supercondutores &eacute; a fabrica&ccedil;&atilde;o e utiliza&ccedil;&atilde;o de aparelhos de resson&acirc;ncia magn&eacute;tica nuclear (RMN). O&nbsp;princ&iacute;pio de funcionamento desses aparelhos &eacute; baseado na resson&acirc;ncia que os &aacute;tomos de hidrog&ecirc;nio entram na aplica&ccedil;&atilde;o de campo magn&eacute;tico forte. Os &aacute;tomos de H presentes nas mol&eacute;culas de &aacute;gua e de gordura absorvem a energia magn&eacute;tica e a emitem numa freq&uuml;encia, que &eacute;, detectada e analisada graficamente em um computador. A <A HREF="#fig12">Fig. 12</A> mostra uma imagem por RMN. O diagn&oacute;stico atrav&eacute;s de imagens deste tipo tornou-se atualmente um procedimento m&eacute;dico indispens&aacute;vel devido, principalmente, ao desenvolvimento da capacidade de processamento dos computadores, necess&aacute;ria na an&aacute;lise da grande quantidade de dados que &eacute; gerada durante os exames. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><A NAME="fig12"></A></P>     <P>&nbsp;</P>     <P ALIGN="CENTER"><IMG SRC="/img/fbpe/rbef/v23n4/04fi12.gif"></P>     
<P>&nbsp;</P> <B>    <P>III&nbsp;&nbsp;Supercondutividade no MgB<SUB>2</P> </B></SUB>    <P>Desde a descoberta da supercondutividade a altas temperaturas em cer&acirc;micas 15, anos atr&aacute;s, os pesquisadores praticamente ignoraram compostos met&aacute;licos simples porque, em geral, superconduzem a temperaturas muito baixas. Assim, foi um choque quando nos primeiros meses de 2001, a comunidade cient&iacute;fica tomou conhecimento da descoberta de Akimitsu e seus colaboradores[10]. Um composto intermet&aacute;lico com T<I><SUB>c </I></SUB>= 39K acima de qualquer outra liga met&aacute;lica, tinha sido descoberto. Segundo Cav[11], o que torna a descoberta ainda mais fant&aacute;stica &eacute; que ela foi feita praticamente ao acaso, por um grupo de cientistas que n&atilde;o estavam interessados em supercondutividade. Akimitsu e seu grupo estavam procurando um material semicondutor similar ao CaB<SUB>6</SUB>. Eles tentaram substituir o Ca por Mg, que est&aacute; logo acima na tabela peri&oacute;dica. Como liga inicial, eles sintetizam o MgB<SUB>2</SUB>, um composto simples com o processo de fabrica&ccedil;&atilde;o conhecido desde 1954[12, 13] e vendido por fornecedores de materiais inorg&acirc;nicos por aproximadamente 3 d&oacute;lares o grama[14]. Tamanho deve ter sido o susto quando eles descobriram o valor da temperatura cr&iacute;tica do composto. </P>     <P>Segundo o artigo original de Akimitsu <I>et al.</I>, as amostras de MgB<SUB>2 </SUB>foram preparadas na maneira usual, misturando-se Magn&eacute;sio em p&oacute; (99.9% Mg) e Boro amorfo, tamb&eacute;m em p&oacute;, (99% B) na raz&atilde;o apropriada (Mg:B = 1:2). As amostras foram, ent&atilde;o, prensadas e aquecidas a 973 K sob alta press&atilde;o de arg&ocirc;nio (196 MPa), por 10 horas. Exames da amostra resultante por difra&ccedil;&atilde;o de raio X revelaram a forma&ccedil;&atilde;o da estrutura hexagonal do MgB<SUB>2</SUB>, como mostra a <A HREF="#fig13">Fig. 13</A>. O estado supercondutor foi, ent&atilde;o, demonstrado, medindo a resistividade e a magnetiza&ccedil;&atilde;o da amostra na presen&ccedil;a de campo magn&eacute;tico. Na <A HREF="#fig14">Fig. 14</A> podemos ver a susceptibilidade no MgB<SUB>2</SUB>. Devido ao efeito Meissner, a amostra se magnetiza na dire&ccedil;&atilde;o oposta ao campo magn&eacute;tico, e portanto a susceptibilidade, que &eacute; a raz&atilde;o da magnetiza&ccedil;&atilde;o pelo campo magn&eacute;tico, &eacute; negativa. Quando o efeito Meissner n&atilde;o &eacute; perfeito, os valores da susceptibilidade ficam entre -1 e 0, como &eacute; o caso. Na <A HREF="#fig15">Fig. 15</A> podemos ver a perda da resistividade a 39 K.</P>     <P><A NAME="fig13"></A></P>     <P>&nbsp;</P>     <P ALIGN="CENTER"><IMG SRC="/img/fbpe/rbef/v23n4/04fi13.gif"></P>     
]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P>     <P><A NAME="fig14"></A></P>     <P>&nbsp;</P>     <P ALIGN="CENTER"><IMG SRC="/img/fbpe/rbef/v23n4/04fi14.gif"></P>     
<P>&nbsp;</P>     <P><A NAME="fig15"></A></P>     <P>&nbsp;</P>     <P ALIGN="CENTER"><IMG SRC="/img/fbpe/rbef/v23n4/04fi15.gif"></P>     
<P>&nbsp;</P> <B>    <P>A. Fabrica&ccedil;&atilde;o de MgB<SUB>2</SUB> em p&oacute; e depend&ecirc;ncia isot&oacute;pica de T<I><SUB>c</B></I></SUB> </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Logo ap&oacute;s a divulga&ccedil;&atilde;o da descoberta de Akimitsu <I>et al.</I>, v&aacute;rios grupos ao redor do mundo come&ccedil;aram seus estudos para reproduzir e confirmar a descoberta dos japoneses. Entre eles, um grupo de cientistas do laborat&oacute;rio Ames, incluindo Paul Canfield, Doug Finnemore e Sergey Bud'ko[15, 16, 17], conseguiu sistematizar a produ&ccedil;&atilde;o de MgB<SUB>2</SUB> em p&oacute; com alta pureza em um processo de duas horas. O processo consistia em misturar Mg (99.9% puro) e B (99.5%) na raz&atilde;o estequiom&eacute;trica correta em um tubo de Ta, que era ent&atilde;o selado em uma ampola de quartzo e colocado em um forno a 950-C. Ap&oacute;s duas horas, a ampola era retirada e o material resfriado &agrave; temperatura ambiente. Como o ponto de fus&atilde;o do Mg &eacute; de 922 K e o do B &eacute; de 2573 K, o processo de fabrica&ccedil;&atilde;o do MgB2 feito a 1222 K (950 -C) acontece com Mg na fase l&iacute;quida e B ainda na fase s&oacute;lida. Isso, aliado ao fato de que quando peda&ccedil;os grandes de B s&atilde;o utilizados a amostra resultante n&atilde;o &eacute; homog&ecirc;nea, levou os cientistas a perceberem que a rea&ccedil;&atilde;o se d&aacute; pela difus&atilde;o dos &aacute;tomos de Mg pelas part&iacute;culas de B.</P>     <P>Ap&oacute;s a sistematiza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o, eles zeram substitui&ccedil;&otilde;es isot&oacute;picas. Trocando o is&oacute;topo <SUP>11</SUP>B, que forma 80% do Boro presente na natureza, por <SUP>10</SUP>B, eles descobriram que o T<I>c</I> aumentava em 1.0 K, veja <A HREF="#fig16">Fig. 16</A>. Essa depend&ecirc;ncia isot&oacute;pica de T<I><SUB>c</I></SUB> verificada &eacute; consistente com a prevista na teoria BCS, ou seja, proporcional a M<SUP>1/2</SUP>. Assim, mesmo tendo um T<I><SUB>c</I></SUB> incrivelmente grande, o MgB<SUB>2</SUB> &eacute; um supercondutor convencional, com os f&ocirc;nons gerados pelos &aacute;tomos de B mediando a intera&ccedil;&atilde;o entre el&eacute;trons na forma&ccedil;&atilde;o dos pares de Cooper.</P>     <P><A NAME="fig16"></A></P>     <P>&nbsp;</P>     <P ALIGN="CENTER"><IMG SRC="/img/fbpe/rbef/v23n4/04fi16.gif"></P>     
<P>&nbsp;</P> <B>    <P>B. Fabrica&ccedil;&atilde;o de fios</B> </P>     <P>Dados o alto T<I><SUB>c</I></SUB> do MgB<SUB>2</SUB> e a abund&acirc;ncia dos elementos Mg e B na crosta terrestre, (o magn&eacute;sio &eacute; o oitavo elemento mais abundante na Terra), a quest&atilde;o imediata que fica &eacute; se o processo de fabrica&ccedil;&atilde;o de fios &eacute; simples e barato, e o principal, se os fios s&atilde;o capazes de transportar altas correntes el&eacute;tricas. Este, de fato, &eacute; o problema principal enfrentando na utiliza&ccedil;&atilde;o das cer&acirc;micas supercondutoras em aplica&ccedil;&otilde;es do dia a dia. Em um trabalho recente, Canfield[15] e colaboradores descrevem um processo de fabrica&ccedil;&atilde;o de fios bem simples e barato, utilizando fibras de Boro e Magn&eacute;sio fundido, veja <A HREF="#fig17">Fig.17</A>. Como o ponto de fus&atilde;o do Mg &eacute; de 922 K e o do B &eacute; de 2573 K (950-C) leva em conta a alta difus&atilde;o do Mg pelas fibras de B. As fibras de B s&atilde;o seladas juntamente com Mg em p&oacute;, em um tubo de Ta, na raz&atilde;o estequiom&eacute;trica correta, o tubo &eacute;, ent&atilde;o, lacrado em uma ampola de quartzo e levado ao forno. Ap&oacute;s aproximadamente duas horas de rea&ccedil;&atilde;o, a ampola &eacute; removida do forno e resfriada &agrave; temperatura ambiente. A apar&ecirc;ncia deformada dos fios, logo ap&oacute;s a retirada do tubo de Ta, pode ser observada na <A HREF="#fig18">Fig. 18</A>. As fibras flex&iacute;veis e retas de B mostram-se deformadas e quebradi&ccedil;as ap&oacute;s a rea&ccedil;&atilde;o. Segundo Canfield, os fios eram 80% densos e mostraram resistividade de 9.6 <FONT FACE=Symbol>mW</FONT>cm &agrave; temperatura ambiente. Isso quer dizer que, mesmo no estado normal, os fios de MgB<SUB>2</SUB> s&atilde;o bons condutores de eletricidade, melhores at&eacute; que o chumbo, cuja resistividade &eacute; 21<FONT FACE=Symbol>mW</FONT>cm. Os fios podiam ainda transportar correntes de at&eacute; J<I><SUB>c</I></SUB> = 60kA/cm<SUP>2</SUP>. O comprimento m&aacute;ximo alcan&ccedil;ado foi 5cm, mas fios maiores poderiam ser constru&iacute;dos, considerando-se a prote&ccedil;&atilde;o externa com revestimento.</P>     <P><A NAME="fig17"></A></P>     <P>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P ALIGN="CENTER"><IMG SRC="/img/fbpe/rbef/v23n4/04fi17.gif"></P>     
<P>&nbsp;</P>     <P><A NAME="fig18"></A></P>     <P>&nbsp;</P>     <P ALIGN="CENTER"><IMG SRC="/img/fbpe/rbef/v23n4/04fi18.gif"></P>     
<P>&nbsp;</P> <B>    <P>C. Vantagens e aplica&ccedil;&otilde;es em potencial</B> </P>     <P>O entusiasmo com a redescoberta do MgB<SUB>2</SUB> justifica-se por duas raz&otilde;es principais. Primeiro, porque a liga, como vimos anteriormente, superconduz seguindo a teoria BCS[4]. Assim, diferentemente das cer&acirc;micas supercondutoras, a liga parece ser um supercondutor convencional, como a maioria dos metais, mas com uma temperatura surpreendentemente alta. Segundo, porque, sendo uma liga met&aacute;lica, &eacute; grande a expectativa de que ela se torne o material preferido na manufatura de os que s&atilde;o a base para as aplica&ccedil;&otilde;es do dia-a-dia. Com T<I><SUB>c</I></SUB> de 39K, &eacute; bem poss&iacute;vel que n&atilde;o seja necess&aacute;ria a refrigera&ccedil;&atilde;o com h&eacute;lio l&iacute;quido, o que reduz significativamente os custos das aplica&ccedil;&otilde;es.</P> <B>    <P>D. Conclus&atilde;o</B> </P>     <P>Os estudos iniciais do MgB<SUB>2</SUB> indicam que o material tem grande chance de se tornar o supercondutor preferido para aplica&ccedil;&otilde;es, substituindo as at&eacute; agora preferidas ligas de Ni&oacute;bio. Assim, magnetos de alto campo, usados em m&aacute;quinas de resson&acirc;ncia magn&eacute;tica, trens MAGLEVs, etc; cabos de transmiss&atilde;o; SMES e v&aacute;rias outras aplica&ccedil;&otilde;es poder&atilde;o ter seu custo reduzido com o uso do MgB<SUB>2</SUB>. Talvez em alguns anos um exame de resson&acirc;ncia magn&eacute;tica, por exemplo, saia pela metade do pre&ccedil;o com o uso do MgB<SUB>2</SUB> em vez das ligas de Ni&oacute;bio.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Al&eacute;m das aplica&ccedil;&otilde;es imediatas, a descoberta deste novo supercondutor intermet&aacute;lico, com T<I><SUB>c</I></SUB> t&atilde;o alto, reacendeu a esperan&ccedil;a na procura de um supercondutor &agrave; temperatura ambiente. Se tomarmos a tend&ecirc;ncia mostrada na <A HREF="#fig19">Fig. 19</A>, este sonho n&atilde;o parece estar t&atilde;o distante. A descoberta da supercondutividade a 39 K no MgB<SUB>2</SUB> &eacute;, ent&atilde;o, mais uma esperan&ccedil;a de que novos supercondutores intermet&aacute;licos com T<I><SUB>c</I></SUB> recorde sejam descobertos.</P>     <P><A NAME="fig19"></A></P>     <P>&nbsp;</P>     <P ALIGN="CENTER"><IMG SRC="/img/fbpe/rbef/v23n4/04fi19.gif"></P>     
<P>&nbsp;</P> <B>    <P>References</P> </B>    <!-- ref --><P>[1] H. K. Onnes, Commun. Phys. Lab. Univ. Leiden, Nos. 119, 120,122 (1911).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S1806-1117200100040000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>[2] M. K. Wu, J. R. Ashburn, C. J. Torng, P. H. Hor, R. L. Meng, L.Gao, Z. J. Huang, Y. Q. Wang, C. W. Chu, Phys. Rev. Lett. <B>58</B>(9), 908, (1987).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S1806-1117200100040000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>[3] Joe Eck. Superconductors.org. Dispon&iacute;vel em: &lt;<A HREF="http://superconductors.org/">http://superconductors.org</A>&gt;. Acesso em: 8 de agosto de 2001.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S1806-1117200100040000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>[4] J. Bardeen, L. N.Cooper, J. R. Schrieffer, Phys. Rev. <B>108</B>, 1175 (1957).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S1806-1117200100040000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>[5] F. Ostermann, L. M. Ferreira, C. J. H. Cavalcanti, Rev. Bras.Ens. Fs. <B>20</B>, 270 (1998).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S1806-1117200100040000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>[6] J. G. Bednorz, K. A. Mller, Z. Phys. B <B>64</B>, 189 (1986).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S1806-1117200100040000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>[7] P. F. Dahl, <I>Superconductivity: its historical roots and development from mercury to the ceramic oxides</I>, New York: American Institute of Physics, 1992, 406 p.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S1806-1117200100040000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>[8] <B>Maglev Systems Development Department Home Page</B>. Dispon&iacute;vel em: &lt;<A HREF="http://www.rtri.or.jp/rd/maglev/html/english/%20maglev_frame_E.html">http://www.rtri.or.jp/rd/maglev/html/english/ maglev_frame_E.html</A>&gt;. Acesso em: 8 de agosto de 2001.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S1806-1117200100040000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>[9] J. P. Hornak, <B>The Basics of MRI</B>. Disponvel em &lt;<A HREF="http://www.cis.rit.edu/htbooks/mri">http://www.cis.rit.edu/htbooks/mri</A>&gt;. Acesso em 8 de agosto de 2001).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S1806-1117200100040000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>[10] J. Nagamatsu, N. Nakagawa, T. Muranaka, Y. Zenitani, J.Akimitsu, Nature <B>410</B>, 63 (2001).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S1806-1117200100040000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>[11] R. J. Cava, Nature <B>410</B>, 23 (2001).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S1806-1117200100040000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>[12] M. E. Jones, R. E. Marsh, J. Am. Chem. 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Acesso em 8 de agosto de 2001.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S1806-1117200100040000400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>[15] P. C. Canfield, D. K. Finnemore, S. L. Bud'ko, J. E.Ostenson, G. Lapertot, C. E. Cunningham, C. Petrovic, Phys. Rev. Lett. <B>86</B>, 2423 (2001).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S1806-1117200100040000400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>[16] D. K. Finnemore, J. E. Ostenson, S. L. Bud'ko, G.Lapertot, P. C. Canfield, Phys. Rev. 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