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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Soccer has a great social representation in many cultures. But the passion developed in the fans can born aggressive and violent behaviors in a moment that should be for fun, characterizing the deviant leisure, theme that needs more investigation. This qualitative research has a main goal to investigate, in the academics studies, the aggressive behavior of the organized fans and their consequences in the leisure time. By a bibliographical research, information were found in reference material, composed by books and thesis, besides the use of databases, with the key-words: leisure, cheerleaders, aggressiveness and violence. The results show that, independently of the genesis of an aggressive behavior, other factors could interfere. When inside a group, or depending on the social-historical context, the profile of the fans, the violence of each society, the media, the poor organization of sport and impunity, these factors can affect individual behavior, contributing to aggressive and violent manifestations in soccer context, inside the field and inside the organizations of the fans. This kind of manifestation leads to a smaller audience at the stadiums, and even creating limitations in activities of leisure context. These violent conducts can bring serious physics and/or psychological consequences. After all, is pointed the necessity of specific public policies involving leisure and the international events.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="enda"></a><b>Lazer, agressividade e viol&ecirc;ncia: considera&ccedil;&otilde;es sobre o comportamento das torcidas organizadas</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Leisure, aggressiveness and violence: considerations over the organized fans' behavior</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Marcelo Fadori Soares Palhares; Gisele Maria Schwartz; Ana Paula Teruel; Danilo Roberto Pereira Santiago; Priscila Raquel Tedesco da Costa Trevisan</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Laborat&oacute;rio de Estudos do Lazer (LEL), Departamento de Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica, IB-Universidade Estadual Paulista, Rio Claro, SP, Brasil</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="#end">Endere&ccedil;o</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O futebol possui grande representatividade social em diferentes culturas. Por&eacute;m, a paix&atilde;o despertada nas torcidas pode gerar comportamentos agressivos e violentos, em um momento que deveria ser de divers&atilde;o, caracterizando o lazer desviante, o qual ainda n&atilde;o est&aacute; devidamente esclarecido. Esta pesquisa qualitativa teve como objetivo investigar, nos estudos acad&ecirc;micos, o comportamento agressivo das torcidas organizadas e seus desdobramentos no tempo destinado ao lazer. Para tanto, na pesquisa bibliogr&aacute;fica, buscou-se informa&ccedil;&otilde;es em obras de refer&ecirc;ncia, compostas por livros e teses, al&eacute;m da consulta a diferentes bases de dados, com os descritores: lazer, torcidas organizadas, agressividade e viol&ecirc;ncia. Os resultados indicam que, independente da g&ecirc;nese do comportamento agressivo, quando em presen&ccedil;a de um grupo, ou dependendo do contexto sociohist&oacute;rico, da composi&ccedil;&atilde;o das torcidas, da viol&ecirc;ncia integrante da sociedade, da m&iacute;dia, da m&aacute; organiza&ccedil;&atilde;o esportiva e da impunidade, estes fatores podem afetar mudan&ccedil;a no comportamento individual, contribuindo para manifesta&ccedil;&otilde;es agressivas e violentas no &acirc;mbito futebol&iacute;stico em campo e nas torcidas. Este tipo de manifesta&ccedil;&atilde;o pode favorecer a diminui&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico nos est&aacute;dios, al&eacute;m de repercutir na delimita&ccedil;&atilde;o das atividades vivenciadas no contexto do lazer. Estas condutas violentas podem, at&eacute; mesmo, acarretar graves conseq&uuml;&ecirc;ncias nos &acirc;mbitos f&iacute;sico e/ou ps&iacute;quico. Por fim, aponta-se a prem&ecirc;ncia de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas espec&iacute;ficas envolvendo o lazer e os megaeventos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Lazer. Viol&ecirc;ncia. Torcidas Organizadas.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Soccer has a great social representation in many cultures. But the passion developed in the fans can born aggressive and violent behaviors in a moment that should be for fun, characterizing the deviant leisure, theme that needs more investigation. This qualitative research has a main goal to investigate, in the academics studies, the aggressive behavior of the organized fans and their consequences in the leisure time. By a bibliographical research, information were found in reference material, composed by books and thesis, besides the use of databases, with the key-words: leisure, cheerleaders, aggressiveness and violence. The results show that, independently of the genesis of an aggressive behavior, other factors could interfere. When inside a group, or depending on the social-historical context, the profile of the fans, the violence of each society, the media, the poor organization of sport and impunity, these factors can affect individual behavior, contributing to aggressive and violent manifestations in soccer context, inside the field and inside the organizations of the fans. This kind of manifestation leads to a smaller audience at the stadiums, and even creating limitations in activities of leisure context. These violent conducts can bring serious physics and/or psychological consequences. After all, is pointed the necessity of specific public policies involving leisure and the international events.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Key-words:</b> <i>Leisure. Violence. Organized fans</i>.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial promoveu profunda transforma&ccedil;&atilde;o social e pol&iacute;tica na sociedade. As cidades come&ccedil;aram a se constituir ao redor das f&aacute;bricas, formando grandes centros urbanos, enquanto, os trabalhadores do meio rural estabeleceram-se nos sub&uacute;rbios das cidades (GOMES , 2008). Em decorr&ecirc;ncia disto, esses centros urbanos possu&iacute;am diversos imigrantes sem identifica&ccedil;&atilde;o com esse espa&ccedil;o e, t&atilde;o pouco, com pessoas locais. Na tentativa de supera&ccedil;&atilde;o desses entraves, o futebol desponta como uma atividade na qual as pessoas podiam se reunir, gerando alguma identidade de grupo. Com isso, surgem os clubes de bairros, que fazem crescer o interesse social pelas cidades urbanas. Cresce tamb&eacute;m o sentimento de pertencimento a determinado grupo ou agremia&ccedil;&atilde;o (TOLEDO , 1996).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao longo dos anos, o futebol ganha import&acirc;ncia no tempo destinado ao lazer da popula&ccedil;&atilde;o em geral, como uma atividade que proporciona prazer e in&uacute;meras emo&ccedil;&otilde;es. Logo, acaba sendo muito presente no tempo destinado ao lazer, tanto em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sua pr&aacute;tica, quanto em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; assist&ecirc;ncia, chegando a ser um fen&ocirc;meno social muito representativo (ESCHER ; REIS, 2006).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Todavia, a paix&atilde;o despertada pelo futebol n&atilde;o se ap&oacute;ia apenas em elementos hedon&iacute;sticos, podendo, inclusive, gerar comportamentos agressivos e violentos em um momento que deveria ser de divers&atilde;o. Os confrontos f&iacute;sicos entre as torcidas, pr&aacute;tica recorrente em muitos pa&iacute;ses, poderiam caracterizar o que se convencionou chamar de lazer desviante (STEBBINS , 1997; ROJEK , 1999a; WILLIAMS ; WALKER, 2006). Este &eacute; caracterizado por condutas que ferem os princ&iacute;pios e normas morais de uma sociedade, pr&aacute;ticas geralmente ligadas &agrave; criminalidade. Assim, por interm&eacute;dio da viv&ecirc;ncia exacerbada do prazer, procura-se justificar condutas anti-sociais (WILLIAMS ; WALKER, 2006).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Conquanto haja grande interesse em se focalizar o futebol como pr&aacute;tica desportiva, pouco ainda se conhece sobre os elementos subjetivos envolvidos nesta atividade. As quest&otilde;es referentes &agrave; viv&ecirc;ncia de prazer e a ado&ccedil;&atilde;o de condutas violentas s&atilde;o ainda bem pouco explorados e merecem aten&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica, o que instigou o olhar deste estudo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dentro desta premissa, o objetivo desta presente pesquisa foi investigar, nos estudos acad&ecirc;micos, o comportamento agressivo das torcidas organizadas e seus desdobramentos no tempo destinado ao lazer. Para atender a tal objetivo, deve-se, inicialmente, diferenciar agressividade e viol&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A agressividade seria a capacidade ou o potencial que determinado individuo possui para realizar uma a&ccedil;&atilde;o violenta. J&aacute; a viol&ecirc;ncia &eacute; uma forma do comportamento agressivo, na qual a pessoa possui inten&ccedil;&atilde;o em lesar outrem de maneira grave (MACHADO , 1997). Cabe salientar desde j&aacute;, que a viol&ecirc;ncia &eacute; um fen&ocirc;meno amplo e n&atilde;o est&aacute; restrita aos esportes. Para se compreender esse aspecto subjetivo, deve-se considerar o contexto social de uma forma mais ampla, pois a viol&ecirc;ncia pode possuir diversas causas (ESCHER ; REIS, 2006). Este artigo discutir&aacute;, mais especificamente, a viol&ecirc;ncia no futebol, sua rela&ccedil;&atilde;o com o comportamento das torcidas organizadas (T.O.), assim como, seus impactos no tempo destinado ao lazer da popula&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; compreens&atilde;o sobre a representatividade social do futebol, por exemplo, no que tange &agrave; escolha de um time, n&atilde;o raro, esta j&aacute; ocorre logo ao nascimento, por press&atilde;o familiar (REIS , 2006). Outro exemplo seria a quantidade de pessoas que uma &uacute;nica partida chega a movimentar, assim como, suas resson&acirc;ncias nos dias posteriores &agrave;s partidas. A aten&ccedil;&atilde;o de muitas pessoas e da m&iacute;dia, n&atilde;o raro, continua focada em determinada partida de futebol que ocorreu h&aacute; dois ou tr&ecirc;s dias atr&aacute;s, gerando repercuss&otilde;es interessantes e, muitas vezes, inexploradas pelos estudiosos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para entender um pouco mais do significado do futebol para o brasileiro, Da&oacute;lio (2005) o apresenta, assim como o carnaval, como manifesta&ccedil;&otilde;es populares, que seriam capazes de expressar a sociedade brasileira. J&aacute; Da Matta (1982) categoriza o futebol como uma express&atilde;o de representa&ccedil;&otilde;es e dramatiza&ccedil;&otilde;es da sociedade brasileira, ou seja, a partir do futebol a sociedade brasileira &eacute; descoberta e expressa suas caracter&iacute;sticas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O aumento da afinidade da popula&ccedil;&atilde;o pelo futebol fez com que este se profissionalizasse, fato fundamental na expans&atilde;o do futebol de forma global. Tal fato contribuiu tamb&eacute;m para sua amplia&ccedil;&atilde;o no territ&oacute;rio brasileiro (REIS , 2006). Segundo Toledo (1996) o futebol j&aacute; era considerado um esporte de massa em 1930, todavia, cabe ressaltar alguns aspectos que contribu&iacute;ram posteriormente na sua expans&atilde;o e dissemina&ccedil;&atilde;o. Uma delas foi referente &agrave;s transmiss&otilde;es por r&aacute;dio na d&eacute;cada de 30, pelas quais se iniciou a expans&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao esporte bret&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na d&eacute;cada de 50, por meio da televis&atilde;o, as partidas ganharam um atrativo a mais, a imagem. Agora, era poss&iacute;vel visualizar aquilo que o r&aacute;dio n&atilde;o permitia, atraindo, assim, mais adeptos. Estes fatos foram somados aos dois primeiros t&iacute;tulos mundiais conquistados pelo Brasil no final da d&eacute;cada de 50 e in&iacute;cio de 60, al&eacute;m da utiliza&ccedil;&atilde;o da imagem da sele&ccedil;&atilde;o campe&atilde; mundial em 1970 como propagandas pol&iacute;tica, por parte do governo militar. Estes fatos tamb&eacute;m contribu&iacute;ram neste processo de expans&atilde;o (REIS , 2006).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por fim, o aumento do n&uacute;mero de campeonatos e est&aacute;dios contribuiu para a afirma&ccedil;&atilde;o do futebol como mania nacional. Estes elementos, por sua vez, retiraram a perspectiva mais local do futebol, expandindo-o em &acirc;mbito nacional. O primeiro Campeonato Brasileiro realizado em 1971 comprova tal expans&atilde;o, pois este oportunizou confrontos at&eacute; ent&atilde;o in&eacute;ditos no futebol nacional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Devido &agrave; expans&atilde;o e representatividade social do futebol, por fim, este passa a ser alvo de investimentos em dinheiro e propaganda. Em meio ao processo de expans&atilde;o e consolida&ccedil;&atilde;o do futebol em &acirc;mbito nacional, diversas pessoas passam a se interessar em pratic&aacute;-lo, assim como, em acompanh&aacute;-lo (TOLEDO , 1996). Surgem ent&atilde;o, movimentos e grupamentos de pessoas que possu&iacute;am afinidade e gostos em comum, que ultrapassavam os times, surgindo, assim, as torcidas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Torcidas Organizadas </i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para a compreens&atilde;o do surgimento das torcidas, Toledo (1996) explicita inicialmente o processo hist&oacute;rico de desenvolvimento das mesmas, salientando como ponto principal, a diferencia&ccedil;&atilde;o no p&uacute;blico de uma partida de futebol. Tal diferencia&ccedil;&atilde;o &eacute; decorrente do surgimento das torcidas uniformizadas e, posteriormente, das organizadas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sendo assim, surge uma ruptura entre o p&uacute;blico em uma partida de futebol, em que se nota o torcedor comum e o organizado. O torcedor comum &eacute; aquele que acompanha os jogos, independentemente da freq&uuml;&ecirc;ncia, e local do est&aacute;dio, sendo que este torcedor n&atilde;o est&aacute; associado a nenhum tipo de grupo. J&aacute; os torcedores organizados s&atilde;o aqueles vinculados a determinado grupo e corroboram suas regras (PIMENTA , 1997).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como componentes de um contexto social maior, as torcidas organizadas, assim como qualquer outra organiza&ccedil;&atilde;o, est&atilde;o sujeitas a adequa&ccedil;&atilde;o aos par&acirc;metros sociais. Logo, deve-se sempre levar em considera&ccedil;&atilde;o o contexto social mais amplo. Desta forma, pode-se melhor compreender alguns fatos que ser&atilde;o aqui expostos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s torcidas. Para Reis (2005) estes par&acirc;metros sociais s&atilde;o definidos pelo capital.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As primeiras torcidas organizadas eram grupamentos de pessoas que visavam apoiar seus clubes, com a utiliza&ccedil;&atilde;o de instrumentos musicais, de uma forma alegre e com a utiliza&ccedil;&atilde;o de uniformes. Este conjunto de pessoas era denominado de "charanga", ou seja, eram torcedores equipados com instrumentos musicais e uniformes. Estas charangas possu&iacute;am um chefe de torcida, o torcedor-s&iacute;mbolo. A Torcida Uniformizada do S&atilde;o Paulo, criada em 1940 e a Charanga do Flamengo, criada em 1942 foram apontados como os primeiros movimentos enquanto uma torcida organizada, nos estudos consultados (TOLEDO , 1996; PIMENTA , 1997; MURAD , 2007).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Considerando a sociedade atual, as torcidas tiveram de aderir ao modelo capitalista de exist&ecirc;ncia. Desta forma, as torcidas organizadas, nos moldes contempor&acirc;neos, mais se assemelham a empresas. Possuem organiza&ccedil;&atilde;o burocr&aacute;tica, contendo: Conselho Deliberativo e Fiscal, Diretoria Executiva, Conselho Vital&iacute;cio, estatuto, quadro de associados, mensalidades e elei&ccedil;&otilde;es (PIMENTA , 1997).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este esquema de organiza&ccedil;&atilde;o demonstra uma esp&eacute;cie de evolu&ccedil;&atilde;o organizacional nas torcidas, uma vez que estas apresentam algo al&eacute;m da simples uniformiza&ccedil;&atilde;o dos componentes. O termo "torcida uniformizada" &eacute; anterior ao termo "torcida organizada", por&eacute;m ambas podem coexistir (TOLEDO , 1996). Este fato demonstra a poss&iacute;vel evolu&ccedil;&atilde;o ou, simplesmente, uma nova forma de organiza&ccedil;&atilde;o dentro destas institui&ccedil;&otilde;es. Tal forma perpassa ainda a oferta de projetos sociais e servi&ccedil;os aos seus associados e &agrave; comunidade.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao se procurar efetivamente compreender o que deu in&iacute;cio ao surgimento da mobiliza&ccedil;&atilde;o de pessoas em torno das torcidas, M&aacute;rio Filho (1964) relata, em seu estudo, que o uso de fitas espec&iacute;ficas no chap&eacute;u por parte de alguns torcedores, mais especificamente os s&oacute;cios, &eacute; que foi um marco importante. Estas fitas eram trazidas da Europa, a fim de marcarem um grupo caracter&iacute;stico de espectadores. Tal s&iacute;mbolo gerava grande expectativa em rela&ccedil;&atilde;o a sua chegada, pois, sem a fita pendurada no chap&eacute;u, o individuo n&atilde;o pertencia ao grupo. Sendo assim, estes torcedores, que n&atilde;o possu&iacute;am a identifica&ccedil;&atilde;o do grupo, sentiam-se exclu&iacute;dos e at&eacute; mesmo humilhados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Todavia, Pimenta (1997) explicita que epis&oacute;dios como este n&atilde;o poderiam marcar o in&iacute;cio das torcidas organizadas, pois somente a vestimenta, o pertencimento e identifica&ccedil;&atilde;o ao grupo, elementos presentes no caso supracitado, n&atilde;o s&atilde;o suficientes para caracterizar uma torcida organizada. A caracteriza&ccedil;&atilde;o de uma torcida organizada perpassa diversos elementos, os quais ser&atilde;o abordados adiante.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As Torcidas Organizadas, assim como se entende hoje contendo estatuto e estrutura organizacional interna, come&ccedil;aram a existir no final da d&eacute;cada de 60 e in&iacute;cio de 70. O Gr&ecirc;mio Gavi&otilde;es da Fiel, com funda&ccedil;&atilde;o em 1969 &eacute; considerada a primeira torcida organizada (TOLEDO , 1996; PIMENTA , 1997). Ambos os trabalhos relatam a indigna&ccedil;&atilde;o da torcida com a falta de t&iacute;tulos que o clube enfrentava, al&eacute;m do desejo de mudan&ccedil;a do presidente do clube. Este fato revela o objetivo principal de surgimento das torcidas: exercer press&atilde;o pol&iacute;tica em rela&ccedil;&atilde;o aos clubes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Toledo (1996) aborda a quest&atilde;o expondo que os torcedores organizados come&ccedil;aram a buscar direitos, que lhes foram negados, enquanto "simples" torcedores comuns. Cobravam melhores resultados e mudan&ccedil;as na estrutura dos clubes, utilizando, posteriormente, inclusive comportamento agressivo para estas reivindica&ccedil;&otilde;es. Segundo Pimenta (1997) as torcidas necessitam de epis&oacute;dios de auto-afirma&ccedil;&atilde;o, do uso da viol&ecirc;ncia como fator de afirma&ccedil;&atilde;o e das transgress&otilde;es. A Mancha Verde &eacute; utilizada como exemplo pelo autor, pois surge da uni&atilde;o de diversas pequenas torcidas cansadas de sofrerem agress&otilde;es das torcidas rivais. Tais elementos de revolta ficam evidentes, inclusive, na escolha do mascote da torcida, representado por um personagem com imagem ligada &agrave; criminalidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com o passar dos anos, as torcidas v&atilde;o se firmando, inclusive por meio da viol&ecirc;ncia, e passam a ganhar notoriedade na m&iacute;dia e na sociedade, principalmente nos anos 90. Nesta d&eacute;cada, o quadro de associados cresce de maneira significativa e ocorrem diversos epis&oacute;dios violentos, culminando no epis&oacute;dio da luta campal ocorrida no Pacaembu, no ano de 1995, conforme relatou (TOLEDO , 1996; PIMENTA , 1997).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ap&oacute;s este fato, algumas das torcidas organizadas envolvidas em epis&oacute;dios violentos foram banidas. O fen&ocirc;meno das torcidas ganha aten&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o e &eacute; evidenciada a resson&acirc;ncia destes problemas relacionados &agrave; viol&ecirc;ncia dentro do campo de futebol. Assim, agora afetando diretamente o jogo, passam a ser discutidas poss&iacute;veis solu&ccedil;&otilde;es para o problema.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mediante esta pequena incurs&atilde;o hist&oacute;rica e a exposi&ccedil;&atilde;o dos problemas relativos &agrave; viol&ecirc;ncia constante no &acirc;mbito do futebol, seja em campo ou nas torcidas, surgem outras inquieta&ccedil;&otilde;es. O comportamento das torcidas organizadas, vivenciado no contexto do lazer, fen&ocirc;meno cultural ampliado a partir da organiza&ccedil;&atilde;o social do trabalho, pode ser considerado dentro das premissas do que se convencionou chamar de lazer desviante (STEBBINS , 1997; ROJEK , 1999a; WILLIAMS ; WALKER, 2006)? Quais as resson&acirc;ncias deste fen&ocirc;meno no tempo destinado ao lazer da popula&ccedil;&atilde;o em geral? Estas e outras inquieta&ccedil;&otilde;es advindas da reflex&atilde;o ser&atilde;o tratadas a seguir.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Torcidas Organizadas, Hooligans e Lazer Desviante </i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O lazer desviante &eacute; caracterizado por condutas transgressoras &agrave; lei e aos princ&iacute;pios morais de uma sociedade, justificando tal comportamento pela viv&ecirc;ncia intensa ou exacerbada do lazer (STEBBINS , 1997; ROJEK , 1999a; WILLIAMS ; WALKER, 2006). Dentre as pr&aacute;ticas realizadas no &acirc;mbito do lazer desviante vivenciadas especificamente pelos torcedores de futebol, destacam-se: depreda&ccedil;&atilde;o de transporte coletivo, trens, metr&ocirc;s, patrim&ocirc;nio privado e p&uacute;blico, arrast&otilde;es, brigas, saques e roubos. A partir deste cen&aacute;rio destrutivo, come&ccedil;aram a existir diversas campanhas de conscientiza&ccedil;&atilde;o para os torcedores, como a que foi realizada pelo metr&ocirc; de S&atilde;o Paulo (PIMENTA , 1997). Nesta a&ccedil;&atilde;o, foi criado um torcedor s&iacute;mbolo, Sampaio, o qual utilizava a linguagem do futebol a fim de transmitir valores em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; necessidade de se seguir as regras, tanto esportivas, quanto sociais. Sendo assim, a cria&ccedil;&atilde;o deste torcedor s&iacute;mbolo, visava a conserva&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o do metr&ocirc;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao citar estes tipos de comportamentos fora do Brasil, pode-se encontrar as a&ccedil;&otilde;es dos <i>hooligans</i>. Inicialmente, o termo <i>hooligan </i>pode designar, tanto um comportamento ligado a uma fam&iacute;lia que apresenta conduta anti-social, quanto a um grupamento espec&iacute;fico de torcedores. Dunning (1992) investigou o <i>hooliganismo</i> e, a partir de seus estudos, se pode estabelecer importantes diferen&ccedil;as entre este movimento e o movimento das torcidas organizadas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Pimenta (1997, p. 66) caracteriza uma torcida organizada (T.O.) por tais elementos: "&#91;...&#93; vestimenta, virilidade, c&acirc;nticos de guerra, transgress&otilde;es &agrave; regra, coreografias, sentimento de pertencimento ao grupo.". O mesmo autor ainda destaca as rela&ccedil;&otilde;es verticalizadas, a coes&atilde;o grupal e o estilo de vida (PIMENTA , 1997), como elementos que permeiam a caracteriza&ccedil;&atilde;o das torcidas organizadas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para a identifica&ccedil;&atilde;o dos <i>hooligans, </i>entretanto, algumas caracter&iacute;sticas os diferem das T.O.. A primeira caracter&iacute;stica que difere os <i>hooligans</i> &eacute; que estes possuem afinidade com movimentos pol&iacute;ticos de extrema direita, com ideais xenof&oacute;bicos e, constantemente, discutem quest&otilde;es pol&iacute;ticas, defendendo posi&ccedil;&otilde;es nacionalistas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os <i>hooligans</i> est&atilde;o camuflados, ou seja, n&atilde;o possuem vestimenta diferenciada dos demais torcedores. Desta forma, est&atilde;o diretamente vinculados ao clube, diferentemente das torcidas organizadas, em que os componentes vestem a camisa da torcida e n&atilde;o a do clube. As t&aacute;ticas militares avan&ccedil;adas, utilizadas para os confrontos com o intuito de driblar os &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos de seguran&ccedil;a, tamb&eacute;m os diferem das T.O. Em alguns confrontos entre <i>hooligans</i> tamb&eacute;m j&aacute; se notou a utiliza&ccedil;&atilde;o de armas de fogo, fen&ocirc;meno n&atilde;o t&atilde;o constante no Brasil, mas que, ultimamente, &eacute; uma pr&aacute;tica crescente (TOLEDO , 1996; PIMENTA , 1997; REIS , 2006).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Certamente, ambos os fen&ocirc;menos convergem na utiliza&ccedil;&atilde;o de viol&ecirc;ncia como estrat&eacute;gia de auto-afirma&ccedil;&atilde;o, assim como, na exist&ecirc;ncia de pequenos grupos fan&aacute;ticos, enfrentamento com a pol&iacute;cia e alto grau de rivalidade. Tais elementos, combinados a outros como: m&aacute; organiza&ccedil;&atilde;o esportiva, declara&ccedil;&otilde;es vinculadas na m&iacute;dia e quest&otilde;es f&iacute;sicas do est&aacute;dio, s&atilde;o tamb&eacute;m capazes de provocar manifesta&ccedil;&otilde;es agressivas e violentas por parte dos torcedores.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Efetivamente, as similaridades entre torcidas organizadas e <i>hooligans</i> s&atilde;o maiores do que as diferen&ccedil;as, contudo deve-se compreender o contexto sociohist&oacute;rico do desenvolvimento de cada fen&ocirc;meno. Assim, ambos s&atilde;o fen&ocirc;menos diferentes e necessitam de olhar especial, tendo em vista as peculiaridades de realidades e contextos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Independentemente de tais diferen&ccedil;as, uma das similaridades mais frequentes entre as T.O. e <i>hooliganismo</i> &eacute; o envolvimento em brigas entre fac&ccedil;&otilde;es rivais ou n&atilde;o e, at&eacute; mesmo, com os policiais, al&eacute;m do prazer decorrente de tal pr&aacute;tica, as quais s&atilde;o frequentes. &Eacute; justamente este prazer em burlar as regras e ultrapassar os limites &eacute;ticos que caracteriza o lazer desviante, um dos desafios a serem ainda elucidados dentro da complexidade dos aspectos psicol&oacute;gicos envolvendo o lazer (SCHWARTZ , 2004). Estes conflitos ocorrem em locais p&uacute;blicos, onde existem &oacute;rg&atilde;os de seguran&ccedil;a para tentarem evitar os mesmos. Estes elementos refor&ccedil;am a satisfa&ccedil;&atilde;o na transgress&atilde;o &agrave; lei por parte dos envolvidos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Pimenta (1997, p. 73) ao comparar a viol&ecirc;ncia nos est&aacute;dios brasileiros com os conflitos ocorridos nos pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina, destaca pa&iacute;ses como Col&ocirc;mbia, Argentina e Uruguai, como aqueles onde a viol&ecirc;ncia em torno do futebol tamb&eacute;m &eacute; frequente. Nestes casos, para esses conflitos, se formariam "&#91;...&#93; verdadeiros grupos de guerrilha urbana &#91;...&#93;", objetivando a busca do prazer proporcionado pela viol&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Dunning (1992, p. 330) estabeleceu uma classifica&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s diversas formas de viol&ecirc;ncia apresentadas no campo esportivo:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <blockquote>      <p>1) Se a viol&ecirc;ncia &eacute; real ou simb&oacute;lica, isto &eacute;, se apresenta a forma de uma agress&atilde;o f&iacute;sica directa ou envolve simplesmente atitudes verbais e/ou atitudes n&atilde;o verbais;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>2) Se a viol&ecirc;ncia apresenta a forma de um "jogo" ou "simula&ccedil;&atilde;o", ou se ela &eacute; "s&eacute;ria" ou "real". Esta dimens&atilde;o pode tamb&eacute;m ser apreendida atrav&eacute;s da distin&ccedil;&atilde;o entre viol&ecirc;ncia "ritual" ou "n&atilde;o ritual";</p>      <p>3) Se uma arma ou armas s&atilde;o utilizadas ou n&atilde;o;</p>      <p>4) No caso de armas serem utilizadas, se os atacantes chegam a estabelecer contacto directo;</p>      <p>5) Se a viol&ecirc;ncia &eacute; intencional ou a conseq&uuml;&ecirc;ncia acidental de uma sequ&ecirc;ncia de a&ccedil;&otilde;es que, no inicio, n&atilde;o tinham a inten&ccedil;&atilde;o de ser violenta;</p>      <p>6) Se se considerar a viol&ecirc;ncia iniciada sem provoca&ccedil;&atilde;o ou como sendo uma resposta, sem retalia&ccedil;&atilde;o a um acto intencionalmente violento, ou sem a inten&ccedil;&atilde;o de o ser;</p>      <p>7) Se a viol&ecirc;ncia &eacute; leg&iacute;tima no sentido de estar de acordo com as regras, normas e valores socialmente prescritos ou se n&atilde;o &eacute; normativa ou ileg&iacute;tima no sentido de envolver uma infrac&ccedil;&atilde;o dos padr&otilde;es sociais aceites;</p>      <p>8) Se a viol&ecirc;ncia toma uma forma "racional" ou "afectiva", isto &eacute;, se &eacute; escolhida de modo racional como um meio de assegurar a realiza&ccedil;&atilde;o de um objectivo dado, ou subordinada a "um fim em si mesmo" emocionalmente satisfat&oacute;rio e agrad&aacute;vel. Outra forma de conceptualizar esta diferen&ccedil;a seria distinguir entre viol&ecirc;ncia nas formas "instrumentais" e "expressivas".</p> </blockquote> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Antes da an&aacute;lise das categorias propostas pelo autor, deve-se compreender um conceito-chave elaborado em seu estudo. O autor relata a busca da excita&ccedil;&atilde;o agrad&aacute;vel, presente nas atividades do contexto do lazer. Assim, as pessoas procuram determinada atividade, em busca do prazer que a mesma pode proporcionar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apropriando-se deste conceito, o autor entrevistou um <i>hooligan, </i>o qual disse ter tanto prazer por lutas, assim como, por fugir da pol&iacute;cia, que este prazer proporcionado pela viol&ecirc;ncia pode ser comparado ao prazer sexual. Para este <i>hooligan,</i> a briga faz parte do contexto de ir assistir a um jogo de futebol. Neste exemplo, a assist&ecirc;ncia &agrave; partidas de futebol, aliada a pr&aacute;ticas desviantes no lazer, proporcionam a excita&ccedil;&atilde;o agrad&aacute;vel, ou seja, o prazer ocorre por meio da viol&ecirc;ncia, o que os estudos de Pimenta (1997) corroboram.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Considerando os itens elaborados por Dunning e anteriormente expostos, o entrevistado apresenta viol&ecirc;ncia real, intencional, transgressora da lei, al&eacute;m de ser agrad&aacute;vel para ele, proporcionando a viv&ecirc;ncia do prazer. Esta entrevista evidencia efetivamente uma pr&aacute;tica considerada no &acirc;mbito do lazer desviante, por parte do entrevistado. Assim sendo, as torcidas organizadas, assim como os <i>hooligans</i>, se apropriam do comportamento designado no &acirc;mbito do lazer desviante em suas pr&aacute;ticas urbanas. A entrevista aponta tamb&eacute;m para a constata&ccedil;&atilde;o de que esta problem&aacute;tica da viol&ecirc;ncia esportiva n&atilde;o est&aacute; centrada apenas na sociedade brasileira, mas que perpassa outras culturas ao redor do mundo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Contudo, como compreender este prazer proporcionado pela viol&ecirc;ncia. Quais seriam suas raz&otilde;es e motiva&ccedil;&otilde;es? Dunning (1992) aponta que os estudos acad&ecirc;micos somente poderiam responder a esta quest&atilde;o, se fossem realizados envolvendo diversas &aacute;reas do conhecimento. Na opini&atilde;o do autor, existem causas sociais, fisiol&oacute;gicas e psicol&oacute;gicas, que somente uma ci&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; capaz de contemplar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em meio a este fen&ocirc;meno de viol&ecirc;ncia entre as torcidas, se as motiva&ccedil;&otilde;es para o prazer decorrente da viol&ecirc;ncia permanecem obscuras, j&aacute; as conseq&uuml;&ecirc;ncias dos atos violentos, por sua vez, s&atilde;o bem evidentes e este artigo pretendeu discutir algumas destas conseq&uuml;&ecirc;ncias, com base na literatura especializada sobre o assunto.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>M&eacute;todo</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este estudo qualitativo, de natureza bibliogr&aacute;fica, contou com a pesquisa de informa&ccedil;&otilde;es em obras de refer&ecirc;ncia, compostas por livros e teses, al&eacute;m da consulta a bases de dados, com os descritores: lazer, torcidas organizadas, agressividade e viol&ecirc;ncia. A coleta foi realizada entre 21 de fevereiro de 2011 e 4 de mar&ccedil;o de 2011.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Resultados e Discuss&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Primeiramente, cabe salientar, que &eacute; complexa a correla&ccedil;&atilde;o entre os fatores que aqui ser&atilde;o apresentados, n&atilde;o sendo poss&iacute;vel determinar exatamente at&eacute; onde um fator contribui ou n&atilde;o para as manifesta&ccedil;&otilde;es violentas. Os resultados advindos dos estudos pesquisados indicam que, independentemente da g&ecirc;nese do comportamento violento e de suas causas, a mudan&ccedil;a no comportamento individual quando em presen&ccedil;a de um grupo &eacute; um fator importante em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; viol&ecirc;ncia futebol&iacute;stica, por conseguinte, possui resson&acirc;ncias no tempo destinado ao lazer.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A mudan&ccedil;a do comportamento seria composta por dois principais motivos: a reuni&atilde;o de muitas pessoas e a comunh&atilde;o de regras e valores das mesmas. Para melhor compreens&atilde;o deste aspecto recorre-se ao &acirc;mbito da Psicologia do Esporte, em que Machado (1997) aponta que fatores econ&ocirc;micos, pol&iacute;ticos ou socioculturais podem influenciar o comportamento e a atitude dos torcedores.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desta forma, um primeiro fator constituinte da mudan&ccedil;a do comportamento &eacute; decorrente da reuni&atilde;o de indiv&iacute;duos, tal como ocorre nas torcidas. Toledo (1996, p. 86) aponta que: "&#91;...&#93; este comportamento de massa tende a alterar certos valores, expectativas, sentimentos e o sentido das a&ccedil;&otilde;es individuais". Desta forma, tal ambiente grupal pode representar uma v&aacute;lvula de escape para a manifesta&ccedil;&atilde;o de condutas agressivas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Pimenta (1997, p. 99) aponta as torcidas como um "&#91;...&#93; instrumento que reproduz as rela&ccedil;&otilde;es desenvolvidas na sociedade, num vi&eacute;s contr&aacute;rio, refletindo na forma&ccedil;&atilde;o de novos tipos de comportamentos, fundamentos no uso da for&ccedil;a f&iacute;sica". Esta reuni&atilde;o de indiv&iacute;duos pode estimular a express&atilde;o de comportamentos socialmente reprimidos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um destes comportamentos reprimidos &eacute; a viol&ecirc;ncia, pois, devido ao processo civilizat&oacute;rio, inicia-se um rep&uacute;dio a manifesta&ccedil;&otilde;es violentas. Desta forma, a tend&ecirc;ncia deveria ser a de diminui&ccedil;&atilde;o de ocorr&ecirc;ncia destes tipos de manifesta&ccedil;&otilde;es agressivas. Neste processo, entendeu-se que, caso o comportamento violento aparecesse, caberia ao Estado reprimi-lo. Esta exclusividade da repress&atilde;o, por parte do Estado, ocorreu devido ao monop&oacute;lio do mesmo, no uso da for&ccedil;a contra manifesta&ccedil;&otilde;es violentas (DUNNING , 1992). Afinal, nem sempre as condutas em grandes grupos s&atilde;o habituais do indiv&iacute;duo em seu cotidiano (CAPEZ , 1996). Pimenta (1997, p. 95), a esse respeito, aborda que os torcedores tamb&eacute;m possuem outros pap&eacute;is sociais, no entanto, quando est&atilde;o presentes neste grupo das torcidas organizadas, assumem a identidade coletiva de "&#91;...&#93; intimida&ccedil;&atilde;o, masculinidade, trucul&ecirc;ncia, for&ccedil;a f&iacute;sica e tens&otilde;es emocionais."</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Talvez, a necessidade de serem diferenciados dos torcedores comuns, possa contribuir tamb&eacute;m nesta mudan&ccedil;a de comportamento. Esta necessidade fica evidente na escolha de seus s&iacute;mbolos, bem como, nas pr&oacute;prias atitudes. Um exemplo simples &eacute; que os torcedores organizados assistem &agrave;s partidas em p&eacute;, sentando-se somente nos intervalos. Esta postura &eacute; exatamente oposta &agrave; dos torcedores comuns, que assistem ao jogo, sentados, levantando-se, somente, durante os intervalos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dentro desta l&oacute;gica, os torcedores organizados necessitam de dist&acirc;ncia real e simb&oacute;lica dos torcedores comuns. Querem ser reconhecidos como &uacute;nicos (TOLEDO , 1996). Esta postura diferenciada adotada pelas torcidas, possui rela&ccedil;&atilde;o com o segundo fator contribuinte na mudan&ccedil;a de comportamento, a comunh&atilde;o de regras e valores destes grupos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Inicialmente, para pertencer ao grupo o indiv&iacute;duo deve compactuar com suas regras. As regras das torcidas versam sobre diversos elementos, todavia, neste momento, somente ser&aacute; destacado o uso da vestimenta, principalmente a camiseta.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Usar a camiseta de uma torcida organizada "&#91;...&#93; refor&ccedil;a o compromisso com o grupo." (TOLEDO , p. 57). Com isso, pode-se dizer tamb&eacute;m que a camiseta &eacute; um s&iacute;mbolo de refor&ccedil;o do sentimento de pertencimento a esse grupo. O indiv&iacute;duo, ao utiliz&aacute;-la, deve assumir determinadas posturas, assim como relata Toledo (1996, p. 57), ao se referir que a camisa "&#91;...&#93; relaciona-se a uma certa conduta e est&eacute;tica; assumir-se enquanto um membro de uma Torcida Organizada &eacute;, sobretudo, assumir seus s&iacute;mbolos e marcas.".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma destas posturas tamb&eacute;m pode ser observada quando existe a mudan&ccedil;a na rota, ou seja, no trajeto do individuo at&eacute; o est&aacute;dio. A partir disto, os torcedores organizados parecem possuir certa obriga&ccedil;&atilde;o de realizarem em conjunto o trajeto: casa - sede da torcida - est&aacute;dio. Com isto, ocorre uma mudan&ccedil;a geogr&aacute;fica da dist&acirc;ncia entre casa e est&aacute;dio, modificando-se a &aacute;rea a ser percorrida por um torcedor. Subjacente a esta mudan&ccedil;a, ocorre a valoriza&ccedil;&atilde;o da sede para estes torcedores. Tais elementos possuem rela&ccedil;&atilde;o com a comunh&atilde;o dos valores das torcidas e o significado de pertencimento ao grupo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra postura que normalmente &eacute; assumida &eacute; a de rivalidade, pois o pertencimento ao grupo refor&ccedil;a identidades, solidariedade e oposi&ccedil;&otilde;es, conforme salienta Toledo (1996). A rivalidade, muitas vezes, pode gerar a viol&ecirc;ncia de uma forma extrema, sendo assim, h&aacute; necessidade de separa&ccedil;&atilde;o espacial, o que j&aacute; se tornou uma praxe nos est&aacute;dios.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esta separa&ccedil;&atilde;o ocorre, n&atilde;o somente no campo de jogo entre os times e nas arquibancadas entre as torcidas, mas chega a ultrapassar os limites do jogo, delineando, at&eacute; mesmo o percurso para a chegada ao est&aacute;dio. (TOLEDO , 1996). Toledo (1996, p. 76) denominou este fato como "&#91;...&#93; apropria&ccedil;&atilde;o privada do espa&ccedil;o p&uacute;blico.". Este fato ocorre principalmente nas grandes cidades, quando, nos dias de grandes jogos, devem ser conhecidos os trajetos, a fim de evitar os confrontos, pois existe determinada rota a ser seguida para tal.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Muitas vezes, o percurso mais r&aacute;pido ou mais simples entre a resid&ecirc;ncia e o est&aacute;dio n&atilde;o pode ser utilizado, devido &agrave;s ruas possu&iacute;rem alto n&uacute;mero de torcedores de outra equipe, ou seja, se estaria cruzando uma &aacute;rea teoricamente pertencente &agrave; outra torcida, invadindo um territ&oacute;rio inimigo. Entretanto, existem pessoas que cruzam estes limites, tanto de forma equivocada, como de modo deliberado e nestes encontros entre torcedores a tens&atilde;o se faz evidente.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O encontro com um torcedor organizado, de qualquer torcida gera rea&ccedil;&otilde;es diferentes daquelas ao se encontrar um torcedor comum. Tais emo&ccedil;&otilde;es, geralmente, n&atilde;o s&atilde;o positivas, dentre elas est&atilde;o medo e &oacute;dio, por exemplo. Para Toledo (1996), entretanto, esta divis&atilde;o espacial acaba exacerbando ainda mais as rivalidades.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em decorr&ecirc;ncia da comunh&atilde;o de valores e regras, que muitas vezes perpassam ideologias b&eacute;licas (MURAD , 2007) ou est&atilde;o pautadas na auto-afirma&ccedil;&atilde;o por meio da viol&ecirc;ncia (PIMENTA , 1997), ao vestir a camiseta da torcida organizada, delimita-se o espa&ccedil;o do indiv&iacute;duo, no espa&ccedil;o da pr&oacute;pria cidade. J&aacute; aparece aqui uma primeira resson&acirc;ncia da viol&ecirc;ncia das torcidas organizadas nas atividades do contexto do lazer, evidenciada por meio da apropria&ccedil;&atilde;o privada do espa&ccedil;o publico. Muitas pessoas acabam sendo privadas de seu direito como cidad&atilde;o, em decorr&ecirc;ncia das diversas manifesta&ccedil;&otilde;es violentas que ocorrem durante os dias de jogos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Somado &agrave; comunh&atilde;o de regras, existe ainda a alta subordina&ccedil;&atilde;o dos componentes da torcida em rela&ccedil;&atilde;o aos seus diretores, o que colabora com o estabelecimento destes comportamentos. Toledo (1996) evidencia essa subordina&ccedil;&atilde;o ao descrever, durante uma viagem feita ao Rio de Janeiro para assistir a uma partida contra o Vasco, que se pode perceber os componentes acatando de forma significativa as ordens de um diretor de torcida.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O contexto sociohist&oacute;rico de cria&ccedil;&atilde;o das torcidas organizadas tamb&eacute;m possui relev&acirc;ncia na express&atilde;o violenta e agressiva dos torcedores. Assim, desde o in&iacute;cio, se tornam n&iacute;tidas as rela&ccedil;&otilde;es da hist&oacute;ria da organiza&ccedil;&atilde;o das torcidas com o cen&aacute;rio atual, sobre algumas das regras e valores deste grupo espec&iacute;fico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O in&iacute;cio das manifesta&ccedil;&otilde;es de torcidas organizadas se deu na &eacute;poca correspondente &agrave; ditadura militar brasileira, per&iacute;odo de viol&ecirc;ncia, persegui&ccedil;&otilde;es e repress&atilde;o a manifesta&ccedil;&otilde;es sociais. As torcidas organizadas surgem para reivindicar aspectos do clube e exercer participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, que os torcedores comuns n&atilde;o conseguiam (TOLEDO , 1996).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os chefes das torcidas possu&iacute;am grande prest&iacute;gio no ambiente das torcidas e iniciaram a reivindica&ccedil;&atilde;o de um espa&ccedil;o n&atilde;o obtido at&eacute; aquele momento. Este espa&ccedil;o que as T.O. conseguiram dentro dos clubes foi decisivo e revolucion&aacute;rio em determinados momentos, principalmente nos desfavor&aacute;veis, culminando, inclusive, na demiss&atilde;o de jogadores e treinadores. Por&eacute;m, esta participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica que a torcida buscava tamb&eacute;m no &acirc;mbito do Estado, lhe foi negada, tendo em vista os ditames pol&iacute;ticos da &eacute;poca, revigorando ainda mais a efervesc&ecirc;ncia interna como grupo social.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mediante essa era de muita repress&atilde;o e censura, a falta de participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica pode ter migrado da esfera social, para a esfera esportiva. Assim, as torcidas nasceram com um car&aacute;ter revolucion&aacute;rio. Este fato pode ser evidenciado em diversas bandeiras de torcidas com alus&otilde;es a figuras revolucion&aacute;rias, com Che Guevara, por exemplo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Todavia, apesar deste car&aacute;ter revolucion&aacute;rio, estes grupos mantiveram e reproduziram as mesmas rela&ccedil;&otilde;es de poder existentes na esfera da sociedade, uma vez que somente um grupo pequeno controla a torcida organizada, assim como no governo. Este grupo seleto &eacute; de dif&iacute;cil acesso e possui goza de grande respeito por parte dos demais integrantes (PIMENTA , 1997).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A partir deste argumento de manuten&ccedil;&atilde;o da ordem social, Pimenta (1997) discorda de que as torcidas estejam substituindo a fam&iacute;lia, Estado e outras institui&ccedil;&otilde;es sociais, pois a separa&ccedil;&atilde;o e diferencia&ccedil;&atilde;o social s&atilde;o mantidas neste grupo tamb&eacute;m. Toledo (1996), ao descrever uma de suas viagens feitas a S&atilde;o Janu&aacute;rio, verificou alguns destes elementos que evidenciavam essa separa&ccedil;&atilde;o apontada anteriormente por Pimenta, dentro da torcida. Nesta viagem, Toledo salienta que cerca de 400 pessoas sa&iacute;ram de S&atilde;o Paulo e foram divididas conforme suas caracter&iacute;sticas e/ou "status" na torcida.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desta maneira, percebe-se a cria&ccedil;&atilde;o de grupos menores, dentro da pr&oacute;pria torcida, reproduzindo os padr&otilde;es sociais, que s&atilde;o fundamentados nas diferen&ccedil;as. O alto escal&atilde;o daquele grupo social, a diretoria, viajou no mesmo &ocirc;nibus. Em meio &agrave;quele ambiente, devido ao prest&iacute;gio conquistado, os componentes da torcida se dirigiam &agrave; diretoria respeitosamente, com express&otilde;es como: "&ocirc; meu presidente", conforme relatou Toledo (1996).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A cria&ccedil;&atilde;o de pequenos grupos dentro da torcida leva &agrave; aglutina&ccedil;&atilde;o de sujeitos semelhantes de diversas formas. Esta divis&atilde;o, como relata Toledo (1996), pode ser um fator estimulador de viol&ecirc;ncia, pois os indiv&iacute;duos mais agressivos tenderiam a se agrupar, tendendo a fortalecer a express&atilde;o do comportamento violento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os resultados deste estudo indicam a composi&ccedil;&atilde;o das torcidas, como um fator que pode gerar manifesta&ccedil;&otilde;es violentas. Em torno deste fator, a variedade de pessoas, com diferentes idades e de diversas classes sociais chama a aten&ccedil;&atilde;o. As torcidas, muitas delas, s&atilde;o formadas por jovens de faixa et&aacute;ria entre 15 e 17 anos, em sua maioria. Estes jovens necessitam de afirma&ccedil;&atilde;o social, podendo esta acontecer por meio da viol&ecirc;ncia, no ambiente das torcidas organizadas. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; classe social, a predomin&acirc;ncia observada &eacute; entre as classes B e C (TOLEDO , 1996).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nos debates vinculados na m&iacute;dia, conforme salienta Pimenta (1997), a forma&ccedil;&atilde;o das torcidas com muitos jovens &eacute; apontada como capaz de ocasionar, com maior freq&uuml;&ecirc;ncia, epis&oacute;dios violentos. Apesar de os jovens n&atilde;o serem, exclusivamente, os &uacute;nicos respons&aacute;veis pela viol&ecirc;ncia, &eacute; ineg&aacute;vel a participa&ccedil;&atilde;o destes em diversos epis&oacute;dios. Isto fica evidente, nas mortes noticiadas envolvendo menores de 18 anos (PIMENTA , 1997). Estes fatos constantemente chamam a aten&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao fen&ocirc;meno da viol&ecirc;ncia futebol&iacute;stica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A concep&ccedil;&atilde;o de que os jovens contribuem com a viol&ecirc;ncia &eacute; decorrente da necessidade de afirma&ccedil;&atilde;o social que esta fase do desenvolvimento geralmente apresenta. O universo das torcidas organizadas, que possui elementos como: coes&atilde;o grupal, comunh&atilde;o de regras e valores, lealdade, companheirismo, pode ser um atrativo para a ades&atilde;o destes jovens &agrave;s torcidas. Novamente, &eacute; importante ressaltar os diversos pap&eacute;is sociais exercidos pelos indiv&iacute;duos, al&eacute;m do papel de torcedor. Al&eacute;m dos jovens, h&aacute; grande diversidade de pessoas que comp&otilde;em as torcidas organizadas, sendo elas de diferentes idades, cren&ccedil;as e classes sociais. &Eacute; constantemente veiculada pela m&iacute;dia que esta composi&ccedil;&atilde;o das torcidas com muitos jovens proporcionaria um ambiente para escamotear marginais, desocupados, v&acirc;ndalos, pessoas sem fam&iacute;lia e vagabundos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Reis (2011), no I Semin&aacute;rio de Hooliganismo, demonstra os seguintes dados sobre as torcidas organizadas. Tendo como base a composi&ccedil;&atilde;o familiar, 87, 5% moram com fam&iacute;lia original. J&aacute; em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; escolaridade, 32% possuem Ensino M&eacute;dio completo, 31,5% possuem Ensino M&eacute;dio Incompleto, 8% possuem Ensino Superior completo e 10, 5% p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o. PIMENTA (1997) contribuiu com mais dados para esta discuss&atilde;o, em estudo anterior, evidenciando que, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; atividade profissional dos torcedores tem-se que:</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/motriz/v18n1/a19tab01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; faixa de 25% apontados como desempregados ou subsidiados, cabe uma ressalva. Nesta faixa estariam os adolescentes e jovens, os quais participam das torcidas organizadas. O mesmo autor apresenta os dados com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; escolaridade:</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/motriz/v18n1/a19tab02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/motriz/v18n1/a19tab03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desta forma, ambos os estudos apresentados contrariam o mito de que as torcidas abrigam indiv&iacute;duos &agrave; margem da sociedade e vagabundos. No entanto, restam ainda alguns desafios, entre eles, como compreender a grande atra&ccedil;&atilde;o dos jovens para este fen&ocirc;meno?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Reis (2005) aponta a crise moral como um fator contribuinte para a grande quantidade de jovens nas torcidas, pois os jovens conseguiriam aceita&ccedil;&atilde;o e sucesso que n&atilde;o obtiveram na fam&iacute;lia e no trabalho, escola, etc. Pimenta (1997) aponta o esvaziamento do Estado no tecido social, gerando a forma&ccedil;&atilde;o de novos indiv&iacute;duos, com novos padr&otilde;es de comportamento. Sendo assim, os novos indiv&iacute;duos possuem um novo estilo de vida e novas caracter&iacute;sticas, sendo uma delas a viol&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">J&aacute; em rela&ccedil;&atilde;o ao segundo fator, a classe social, para Dunning (1992) adolescentes e jovens das classes trabalhadoras mais rudes parecem ter maior participa&ccedil;&atilde;o nos epis&oacute;dios de comportamento <i>hooligan </i>no contexto ingl&ecirc;s. Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s torcidas organizadas, Pimenta (1997) destaca a diversidade de pessoas presente dentro de uma torcida. Desta forma, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel classificar a origem da viol&ecirc;ncia conforme a classe social.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Reis (2005) relata a dificuldade de se abordar esta tem&aacute;tica, pela falta de estudos com dados consistentes e a falta de informa&ccedil;&atilde;o nos registros das torcidas organizadas. A autora destaca somente os estudos de Cardia (1996), Capez (1996) e Telles (1996) como estudos abordando tal tem&aacute;tica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se a composi&ccedil;&atilde;o das torcidas &eacute; capaz de estimular ou coibir a viol&ecirc;ncia, a partir de agora ser&atilde;o estabelecidas algumas rela&ccedil;&otilde;es com a viol&ecirc;ncia futebol&iacute;stica propriamente dita. Os resultados da presente pesquisa apontam que a viol&ecirc;ncia e a agressividade fazem parte do contexto de vida dos torcedores, ou seja, s&atilde;o elementos que permeiam suas vidas. Estas podem possuir diversas motiva&ccedil;&otilde;es e serem demonstradas de diferentes formas, como por exemplo: na m&iacute;dia, pelo n&uacute;mero exacerbado de desenhos, filmes e notici&aacute;rios que contenham viol&ecirc;ncia; nas rela&ccedil;&otilde;es de poder, por meio da conduta autorit&aacute;ria de diversas institui&ccedil;&otilde;es; na linguagem, entre outras.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Reis (2006, p. 14) explicita que o futebol cont&eacute;m uma carga de viol&ecirc;ncia na pr&oacute;pria din&acirc;mica do jogo. A origem do futebol possui "&#91;...&#93; valores masculinidade, valores exacerbados de virilidade, for&ccedil;a e sobrepujan&ccedil;a &#91;...&#93; ". O futebol foi um ambiente f&eacute;rtil para o surgimento de grupos masculinos que fazem normas de masculinidade e a luta &eacute; uma destas normas (DUNNING 1992). Aqui, desponta a rela&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia intr&iacute;nseca ao futebol com a comunh&atilde;o de regras das torcidas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Todavia, cabe salientar que a viol&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; somente proveniente do pr&oacute;prio futebol. H&aacute; rela&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia com fatores sociais, bem como, h&aacute; rela&ccedil;&atilde;o com a pr&oacute;pria forma&ccedil;&atilde;o moral do indiv&iacute;duo (REIS , 2006). Desta forma, a viol&ecirc;ncia faz parte do pr&oacute;prio contexto do futebol, assim como, do contexto social, podendo ter graves e s&eacute;rias consequ&ecirc;ncias.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em rela&ccedil;&atilde;o a este contexto social, as torcidas surgem nos ambientes urbanos, como conseq&uuml;&ecirc;ncias, por exemplo, de uma mudan&ccedil;a do campo para a cidade, do estabelecimento e da superpopula&ccedil;&atilde;o de indiv&iacute;duos em bairros perif&eacute;ricos, ou seja, como resultado da crescente e desenfreada urbaniza&ccedil;&atilde;o (PIMENTA , 1997). A viol&ecirc;ncia, como parte deste contexto, pode ser expressa de diversas formas e pode ter causas variadas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No que tange &agrave; viol&ecirc;ncia das T.O., Reis (2006) e Toledo (1996) apresentam diversos fatores que contribuem para tal. A centralidade do futebol na vida do torcedor, principalmente do organizado, que chega a dedicar-se exclusivamente &agrave; torcida, como retrata Toledo (1996) na excurs&atilde;o de corintianos &agrave; Bahia, para ver um jogo de futebol, parece ser uma delas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A centralidade do futebol gera um sentimento coletivo em torno do clube. Este sentimento pode fazer com que o torcedor n&atilde;o estabele&ccedil;a claramente os limites entre a sua identidade e a do outro (REIS , 2006). Por este motivo, existem casos de torcedores, que passam a interferir em quest&otilde;es pessoais de jogadores, causando situa&ccedil;&otilde;es desagrad&aacute;veis como persegui&ccedil;&otilde;es e cobran&ccedil;as excessivas. Aqui fica evidente mais uma conseq&uuml;&ecirc;ncia da viol&ecirc;ncia das torcidas no tempo destinado ao lazer. Desta vez, os jogadores de futebol s&atilde;o as v&iacute;timas da viol&ecirc;ncia. Tais condutas s&atilde;o caracter&iacute;sticas de torcedores fan&aacute;ticos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O fanatismo possui rela&ccedil;&atilde;o com a falta de oportunidades em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; pr&aacute;tica do futebol. A falta da viv&ecirc;ncia cr&iacute;tica do futebol pode gerar concep&ccedil;&atilde;o reduzida sobre o fen&ocirc;meno do esporte. Assim, o individuo n&atilde;o seria capaz de aceitar claramente os diversos interesses que giram em torno do futebol, como por exemplo, a manipula&ccedil;&atilde;o de resultados (PIMENTA , 1997).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O fanatismo, por sua vez, pode gerar agressividade, que &eacute; manifesta na rela&ccedil;&atilde;o do torcedor com seus rivais. Assim, a rivalidade &eacute; expressa nas ofensas contra os outros torcedores, tema que ser&aacute; abordado adiante, nos cantos das torcidas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os pr&oacute;prios resultados da equipe podem desencadear a viol&ecirc;ncia, por exemplo, quando se tem um longo per&iacute;odo sem t&iacute;tulos. Outros fatores que podem desencadear a viol&ecirc;ncia s&atilde;o as declara&ccedil;&otilde;es de personagens envolvidos, sendo eles: dirigentes, jogadores, treinadores, entre outros, o clima de guerra criado pela m&iacute;dia, a a&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;cia, consumo de bebidas e a falta de infra-estrutura (PIMENTA , 1997).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As declara&ccedil;&otilde;es dos personagens do jogo e o clima de guerra s&atilde;o informa&ccedil;&otilde;es veiculadas por repetidas vezes pela m&iacute;dia. Diversos estudos (PIMENTA , 1997; REIS , 2006; MURAD , 2007) consideram que a viol&ecirc;ncia pode ser estimulada pela m&iacute;dia. Sintetizando estas informa&ccedil;&otilde;es Murad (2007) critica a m&iacute;dia devido ao sensacionalismo exacerbado, por generalizar os torcedores como violentos e, inclusive, por pensar somente na audi&ecirc;ncia em detrimento da verdade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A partir destas cr&iacute;ticas o olhar &eacute; dirigido para se analisar os meios de comunica&ccedil;&atilde;o, especialmente, televis&atilde;o e r&aacute;dio. Em ambos existem programas exclusivos de futebol. Cabe ressaltar, o grande acesso da popula&ccedil;&atilde;o, principalmente a urbana, aos meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa, sendo esta a mesma popula&ccedil;&atilde;o que possui acesso &agrave;s torcidas organizadas como atividade do &acirc;mbito do lazer. Nestes programas, geralmente, h&aacute; discuss&atilde;o das partidas, al&eacute;m da repeti&ccedil;&atilde;o constante de lances pol&ecirc;micos, conforme constata Murad (2007). Tais medidas visam atrair audi&ecirc;ncia significativa, pois, conforme salienta Reis (2005) o futebol, como fruto do sistema capitalista, deve ser rent&aacute;vel, um produto a ser consumido.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desta forma, Reis (2005) corrobora o pensamento de Betti (1997), em rela&ccedil;&atilde;o ao esporte espet&aacute;culo, em que o futebol &eacute; considerado como uma mercadoria que deve ser consumida por toda a sociedade. A autora ainda retrata a irresponsabilidade com que alguns dos envolvidos com a m&iacute;dia esportiva tratam a quest&atilde;o da viol&ecirc;ncia, o que tamb&eacute;m &eacute; evidenciado por Murad (2007). Estes programas esportivos, agindo de maneira sensacionalista, s&atilde;o capazes de modificar opini&otilde;es facilmente. Na opini&atilde;o dos pr&oacute;prios torcedores organizados, a m&iacute;dia &eacute; algo que perseguiria as torcidas (PIMENTA , 1997).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A capacidade da m&iacute;dia em modificar opini&otilde;es conta, algumas vezes, com estrat&eacute;gias como a generaliza&ccedil;&atilde;o simplista e dissemina&ccedil;&atilde;o do terror, por meio de opini&otilde;es e campanhas contendo <i>slogans</i> como: "N&atilde;o v&aacute; aos est&aacute;dios". Afinal, na opini&atilde;o de muitos cronistas esportivos os est&aacute;dios est&atilde;o repletos de vagabundos. Nestas campanhas transparece a capacidade da m&iacute;dia em gerar viol&ecirc;ncia, utilizando como argumento a composi&ccedil;&atilde;o denegrida destas torcidas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por&eacute;m, os dados aqui apresentados ajudam a desvendar alguns mitos em torno do assunto, com o intuito de apontar outra situa&ccedil;&atilde;o. Da mesma forma que a m&iacute;dia prejudica a imagem das torcidas, tamb&eacute;m a enaltece, estabelecendo, assim como apontam Reis (1998) e Silva (2001), uma posi&ccedil;&atilde;o amb&iacute;gua em rela&ccedil;&atilde;o a elas. Nos ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o de massa, as torcidas s&atilde;o criminalizadas e tomadas como as respons&aacute;veis pelos epis&oacute;dios de viol&ecirc;ncia nos est&aacute;dios, por&eacute;m, quando se fala da festa e do elemento est&eacute;tico das arquibancadas, se utilizam imagens destas mesmas torcidas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esta rela&ccedil;&atilde;o amb&iacute;gua, ainda perpassa os benef&iacute;cios que a m&iacute;dia proporciona ao futebol e, por conseguinte, &agrave;s torcidas. Como j&aacute; foi apontado na introdu&ccedil;&atilde;o, a m&iacute;dia contribui para a expans&atilde;o e profissionaliza&ccedil;&atilde;o do futebol.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por fim, pode-se dizer que o papel amb&iacute;guo da m&iacute;dia pode interferir negativamente, inclusive nas atividades do contexto do lazer, por meio das campanhas e da persegui&ccedil;&atilde;o das torcidas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entretanto, pode tamb&eacute;m estimular a presen&ccedil;a aos est&aacute;dios, com as imagens veiculadas na televis&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A a&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;cia, conforme j&aacute; citado, &eacute; outro fator que pode gerar viol&ecirc;ncia. Reis (2006) aponta que, mediante a viol&ecirc;ncia por parte dos &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos, os torcedores respondem tamb&eacute;m com viol&ecirc;ncia, seja f&iacute;sica ou simb&oacute;lica, expressando-se, principalmente, por meio de m&uacute;sicas. Pimenta (1997, p.126) ao descrever a a&ccedil;&atilde;o dos policiais relata que a interven&ccedil;&atilde;o "&#91;...&#93; se resume em socos, chutes, cassetetes entre outros &#91;...&#93;", ou seja, com o uso da for&ccedil;a, for&ccedil;a restrita ao Estado, como descrito por Dunning (1992). Desta forma, o papel destas autoridades pode diminuir ou aumentar a viol&ecirc;ncia (TOLEDO , 1996; PIMENTA , 1997; REIS , 2006), sendo necess&aacute;rio maior empenho de gestores de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas em ampliar o apoio aos estudos que promovam novas estrat&eacute;gias para minimizar esse quadro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em decorr&ecirc;ncia desta rela&ccedil;&atilde;o conturbada entre T.O. e policiais, as torcidas, por vezes, demonstram algum tipo de antipatia para com a pol&iacute;cia. Os torcedores respondem de maneira violenta &agrave; interven&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;cia, n&atilde;o somente viol&ecirc;ncia f&iacute;sica, mas tamb&eacute;m a verbal, configurando-se como uma viol&ecirc;ncia por meio da linguagem.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tomando-se por foco a linguagem, percebe-se que diversas letras de m&uacute;sicas cantadas pelas torcidas estimulam a viol&ecirc;ncia e possuem alta conota&ccedil;&atilde;o e denota&ccedil;&atilde;o violenta e/ou agressiva (REIS , 1998). Diversos estudos (DUNNING , 1992; TOLEDO , 1996; PIMENTA , 1997; REIS , 1998) demonstram diferentes can&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o entoadas pelas torcidas, nos est&aacute;dios ou fora deles, contendo um car&aacute;ter agressivo em suas letras.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Estas m&uacute;sicas servem tamb&eacute;m como amea&ccedil;a, al&eacute;m de demonstrarem vangl&oacute;rias por vit&oacute;rias passadas contra os rivais. Constitu&iacute;das de palavras extremamente violentas como: luta, morte, pontap&eacute;, rendi&ccedil;&atilde;o, as m&uacute;sicas podem possuir um vi&eacute;s sexual, pois, destacam um papel sexual submisso e com conota&ccedil;&atilde;o homossexual para ampliar a chacota, sendo estas caracter&iacute;sticas dirigidas para os rivais (DUNNING , 1992).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Reis (1998, p. 104) observou a predomin&acirc;ncia de agress&otilde;es simb&oacute;licas no ambiente do est&aacute;dio, gestos, xingamentos e cantos em determinados momentos. A predomin&acirc;ncia deste tipo de viol&ecirc;ncia acontece por esta ser "&#91;...&#93; legitima, est&aacute; de acordo com regras normas e valores socialmente prescritos e aceitos.". No est&aacute;dio de futebol existiria a instaura&ccedil;&atilde;o de uma ordem diferente da cotidiana, onde, por exemplo, falar palavr&otilde;es &eacute; aceit&aacute;vel e desculp&aacute;vel (TOLEDO , 1996; REIS , 1998).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com isso, a viol&ecirc;ncia simb&oacute;lica expressa nas manifesta&ccedil;&otilde;es da torcida, principalmente nos cantos, variam de acordo com o momento do jogo. No in&iacute;cio das partidas, estes cantos visam exaltar a equipe. No intervalo, variam de acordo com os acontecimentos da primeira etapa, podendo, at&eacute;, serem direcionadas ofensas, n&atilde;o somente &agrave; torcida rival, mas a outros componentes do jogo, como policiais, &aacute;rbitro, t&eacute;cnicos e jogadores advers&aacute;rios, ou at&eacute; mesmo, da equipe do torcedor.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As m&uacute;sicas acabam desempenhando uma fun&ccedil;&atilde;o de di&aacute;logo entre diferentes grupos do est&aacute;dio. Esta forma de manifesta&ccedil;&atilde;o &eacute; bastante recorrente em meio &agrave;s T.O., entretanto, os torcedores comuns tamb&eacute;m as utilizam (REIS , 1998).  Toledo (1996) classificou os palavr&otilde;es e cantos em quatro tipos: auto-afirma&ccedil;&atilde;o, incentivo, intimidadores e de protesto.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como Dunning (1992) j&aacute; evidenciou, nota-se que a sexualidade permeia estes cantos. Mediante um ambiente diferenciado do cotidiano, as palavras de baixo cal&atilde;o, acompanham estes gritos. Assim sendo, os palavr&otilde;es destacam determinadas caracter&iacute;sticas, por exemplo, nos gritos de intimida&ccedil;&atilde;o, as caracter&iacute;sticas masculinas de virilidade e trucul&ecirc;ncia s&atilde;o exaltadas. A partir destas caracter&iacute;sticas &eacute; poss&iacute;vel relacionar as m&uacute;sicas com a rivalidade. Toledo (1996) exp&otilde;e esta problem&aacute;tica ao citar os diversos "apelidos" que as torcidas costumam receber.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O problema central da linguagem como forma de viol&ecirc;ncia &eacute; que a alta quantidade de viol&ecirc;ncia simb&oacute;lica presente nos cantos das torcidas, bem como, nos est&aacute;dios, pode gerar viol&ecirc;ncia real. A viol&ecirc;ncia real pode ser estimulada pelo consumo de drogas licitas e il&iacute;citas, como, por exemplo, o &aacute;lcool. Sob o efeito destas subst&acirc;ncias, h&aacute; maior ades&atilde;o a comportamentos n&atilde;o comuns, como os violentos (REIS , 2005).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desta forma, os resultados desta pesquisa apontam outro fator que contribui para o aparecimento de manifesta&ccedil;&otilde;es violentas, referente ao uso de &aacute;lcool. Dunning (1992) evidencia que o &aacute;lcool faz com que o individuo perca a inibi&ccedil;&otilde;es, sendo mais dif&iacute;cil distinguir comportamentos desej&aacute;veis de indesej&aacute;veis.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na Inglaterra, a ingest&atilde;o de bebida alco&oacute;lica, &eacute; uma das raz&otilde;es mais aceitas para explicar o comportamento <i>hooligan</i>. Contudo, as discuss&otilde;es devem ser aprofundadas, pois nem todos os <i>hooligans</i> bebem. Al&eacute;m do mais, esta conduta de ingest&atilde;o de bebidas alco&oacute;licas prejudicaria o<i> hooligan</i> no ato da busca da excita&ccedil;&atilde;o agrad&aacute;vel, mais especificamente para este caso, na luta (DUNNING , 1992).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A viol&ecirc;ncia pode ser gerada tamb&eacute;m por quest&otilde;es ligadas &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o esportiva, assim como, a falta de medidas punitivas. Reis (1998; 2006), em seus estudos, evidenciou diversos problemas na estrutura atual do futebol nacional, que condicionariam &agrave; viol&ecirc;ncia. Inicialmente, destaca-se a exist&ecirc;ncia de dirigentes, principalmente dos grandes clubes, que n&atilde;o se preocupam com o time, sendo estes, um dos grandes culpados pela atual situa&ccedil;&atilde;o do futebol brasileiro. Tais dirigentes podem ser os mesmos respons&aacute;veis pela pouca organiza&ccedil;&atilde;o esportiva.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Estes fatores, n&atilde;o s&atilde;o evidentes nos dias de jogos para os torcedores, entretanto, in&uacute;meras outras condi&ccedil;&otilde;es s&atilde;o bem vis&iacute;veis e constantes nos est&aacute;dios brasileiros. Primeiramente, o sistema de venda de ingressos contendo desorganiza&ccedil;&atilde;o, filas gigantescas, a&ccedil;&atilde;o de cambistas e falsifica&ccedil;&otilde;es podem ser agravantes para incentivar condutas de revolta e viol&ecirc;ncia. A falta de condi&ccedil;&otilde;es de acesso aos est&aacute;dios, incluindo falta de transporte p&uacute;blico e estacionamentos, s&atilde;o fatores primordiais, sendo bastante considerados pela Federa&ccedil;&atilde;o Internacional de Futebol (FIFA) na realiza&ccedil;&atilde;o de uma Copa do Mundo (REIS , 2006).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra condi&ccedil;&atilde;o percept&iacute;vel para o torcedor s&atilde;o as quest&otilde;es f&iacute;sicas do est&aacute;dio. A aus&ecirc;ncia de assentos em todos os setores, condi&ccedil;&otilde;es de limpeza e higiene inadequadas, principalmente em banheiros, pouca variedade na alimenta&ccedil;&atilde;o, falta de c&acirc;meras de seguran&ccedil;a, s&atilde;o apenas alguns dos problemas dos est&aacute;dios brasileiros. A utiliza&ccedil;&atilde;o de c&acirc;meras de seguran&ccedil;a &eacute; importante e ajudou a responsabilizar os participantes da torcida "Imp&eacute;rio Verde" em 2009, por suas a&ccedil;&otilde;es, quando invadiram o campo e agrediram &aacute;rbitro, policiais e jogadores, ap&oacute;s o t&eacute;rmino da partida entre Coritiba e Fluminense, que culminou no rebaixamento da equipe curitibana.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O n&atilde;o cumprimento total do Estatuto do Torcedor (BRASIL , 2003), tamb&eacute;m demonstra o descaso e desrespeito com o torcedor. Esse estatuto foi elaborado em forma de Lei n. 10.671/03, e visa defender o torcedor como um consumidor. Desta forma, a organiza&ccedil;&atilde;o do futebol deve prezar pelo respeito e pela transpar&ecirc;ncia, inclusive, com rela&ccedil;&atilde;o ao torcedor. Este problema toma propor&ccedil;&otilde;es ainda mais preocupantes, visto que o Brasil ser&aacute; a pr&oacute;xima sede da Copa do Mundo de futebol e as mudan&ccedil;as relativas a adequa&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias ainda n&atilde;o foram efetuadas nos est&aacute;dios brasileiros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Reis (1998), ao entrevistar os torcedores do Palmeiras, evidencia a falta de instala&ccedil;&otilde;es adequadas, as quais, por sua vez, inibiam a participa&ccedil;&atilde;o feminina nos est&aacute;dios. Na opini&atilde;o da autora, a presen&ccedil;a de mulheres poderia tamb&eacute;m contribuir para a diminui&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia. Os entrevistados de sua pesquisa ressaltaram tamb&eacute;m que esta desorganiza&ccedil;&atilde;o representa a pr&oacute;pria viol&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esta &eacute; outra resson&acirc;ncia da viol&ecirc;ncia no &acirc;mbito do lazer. As mulheres, em meio ao ambiente violento, procuram se esquivar de comparecer nos est&aacute;dios ou, n&atilde;o raro, s&atilde;o exclu&iacute;das do ambiente futebol&iacute;stico. A viol&ecirc;ncia promove, ent&atilde;o, resson&acirc;ncias negativas no que se refere a estas atividades do contexto do lazer das mulheres.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A falta de medidas punitivas pode tamb&eacute;m pode refor&ccedil;ar a viol&ecirc;ncia, pois os praticantes de agress&atilde;o se sentem mais &agrave; vontade para cometerem delitos. A proibi&ccedil;&atilde;o da entrada de sujeitos com hist&oacute;rico violento, fazendo com que os mesmos compare&ccedil;am &agrave;s delegacias nos hor&aacute;rios dos jogos, seria uma medida preventiva, a fim de impedir a participa&ccedil;&atilde;o deste sujeito no est&aacute;dio novamente. Esta medida preventiva, dentre outras, seria um contribuinte importante para acabar com a impunidade ainda vigente (REIS , 2006).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Considera&ccedil;&otilde;es Finais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No processo de desenvolvimento do futebol, em meio aos grandes centros urbanos, este passa a possuir muitos adeptos e ser uma atividade de grande relev&acirc;ncia social. Concomitantemente a isto, diversos conflitos s&atilde;o constituintes do espa&ccedil;o urbano de cria&ccedil;&atilde;o das grandes cidades. Este processo gerou a forma&ccedil;&atilde;o de novos indiv&iacute;duos, que se expressam pela nega&ccedil;&atilde;o do outro e pelo confronto entre grupos. A no&ccedil;&atilde;o do coletivo &eacute; praticamente nula. Neste contexto j&aacute; emocionalmente exacerbado, surge o torcedor organizado, que se sente parte do jogo (PIMENTA , 1997), um jogo que, nem sempre, traz consigo as caracter&iacute;sticas de uma atividade l&uacute;dica por si s&oacute;, mas, evidencia-se, inclusive, como um campo de disputas pol&iacute;ticas, mercadol&oacute;gicas e de afirma&ccedil;&atilde;o de <i>status</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Estas evid&ecirc;ncias ressaltam a viol&ecirc;ncia e a agressividade envolvidas, tanto na pr&aacute;tica como na assist&ecirc;ncia a esses jogos como torcedor. Estes aspectos, conforme a literatura pesquisada, podem acabar delimitando o tempo, o espa&ccedil;o e as atividades do contexto do lazer, especialmente para as mulheres. Em rela&ccedil;&atilde;o ao tempo e espa&ccedil;o, esses elementos podem provocar a mudan&ccedil;a de roteiros e h&aacute;bitos, bem como, o esvaziamento dos est&aacute;dios. J&aacute; com refer&ecirc;ncia &agrave;s atividades, estas podem interferir ampliando a perspectiva de exclus&atilde;o de determinado p&uacute;blico nos est&aacute;dios de futebol, especialmente mulheres e crian&ccedil;as, como v&iacute;timas mais freq&uuml;entes. Incluem-se nesta categoria tamb&eacute;m os idosos, que j&aacute; n&atilde;o s&atilde;o t&atilde;o ass&iacute;duos freq&uuml;entadores dos est&aacute;dios, devido &agrave; falta de estrutura para a recep&ccedil;&atilde;o e acomoda&ccedil;&atilde;o, bem como, pelo fato de tamb&eacute;m acabarem sendo v&iacute;timas da viol&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tanto a viol&ecirc;ncia como a agressividade podem acarretar graves conseq&uuml;&ecirc;ncias f&iacute;sicas e/ou psicol&oacute;gicas aos envolvidos, tendo, inclusive, a possibilidade de gerar v&iacute;timas fatais. Uma fam&iacute;lia que perdeu um parente em um jogo de futebol, certamente reconsiderar&aacute; seus conceitos acerca desta atividade no &acirc;mbito do lazer, assim como, as diversas pessoas que sofreram agress&otilde;es ou at&eacute; perderam a vida, enquanto buscavam a excita&ccedil;&atilde;o agrad&aacute;vel, por meio do futebol.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Reis (2006) aponta que a viol&ecirc;ncia no futebol possui raz&otilde;es sociais e que estas v&atilde;o al&eacute;m da depend&ecirc;ncia da exist&ecirc;ncia de Torcidas Organizadas, principalmente, quando o argumento utilizado, de forma subjacente, &eacute; a classe socioecon&ocirc;mica. As p&eacute;ssimas condi&ccedil;&otilde;es dos est&aacute;dios, m&iacute;dia, m&aacute; organiza&ccedil;&atilde;o esportiva e a a&ccedil;&atilde;o policial tamb&eacute;m contribuem para a configura&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia no futebol.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Torna-se importante proceder-se a an&aacute;lises aprofundadas dessas in&uacute;meras vari&aacute;veis que aparecem ao se analisar o esvaziamento dos est&aacute;dios, n&atilde;o somente pelo vi&eacute;s da viol&ecirc;ncia, mas tamb&eacute;m, por outros fatores que contribuem para isto, como por exemplo, o pre&ccedil;o envolvido no processo de participa&ccedil;&atilde;o e assist&ecirc;ncia a uma partida, a precariedade do transporte, a descabida distribui&ccedil;&atilde;o de ingressos. Soma-se a estes agravantes, inclusive, o baixo n&iacute;vel t&eacute;cnico e de desempenho das equipes. Todos esses fatores interferem sensivelmente na configura&ccedil;&atilde;o do lazer contempor&acirc;neo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O lazer, na atual sociedade &eacute; a &uacute;nica esfera p&uacute;blica em que as decis&otilde;es podem ser tomadas buscando, antes de tudo, a satisfa&ccedil;&atilde;o pessoal (DUNNING , 1992). No entanto, nas atuais condi&ccedil;&otilde;es, como buscar esta satisfa&ccedil;&atilde;o em meio a um cen&aacute;rio de viol&ecirc;ncia extrema? Esta viol&ecirc;ncia pode interferir n&atilde;o somente no lazer, mas tamb&eacute;m, em outras esferas da vida humana, como o trabalho, nas depreda&ccedil;&otilde;es que ocorrem nos trens, metros e &ocirc;nibus coletivos das cidades, tornando-se um problema a ser gerido, tanto pol&iacute;tica quanto economicamente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em meio a estes dados preocupantes est&aacute; a confirma&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s como cidade sede de megaeventos, entre eles, a Copa do Mundo de futebol. Para que esta tarefa ocorra de forma razo&aacute;vel em termos de seguran&ccedil;a, infraestrutura e p&uacute;blico, tornam-se prementes que novas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de esporte e lazer sejam configuradas no pa&iacute;s, contemplando, inclusive, a educa&ccedil;&atilde;o para o lazer, no sentido de apreender o lazer como um espa&ccedil;o para ressignifica&ccedil;&atilde;o e mudan&ccedil;a de atitudes e cren&ccedil;as, visando tamb&eacute;m a forma&ccedil;&atilde;o de cidad&atilde;os aptos para um conv&iacute;vio com qualidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Torna-se vital, inclusive, a sistematiza&ccedil;&atilde;o de novas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas espec&iacute;ficas para os megaeventos, principalmente pensando-se na Copa de 2014, no sentido de prevenir condutas violentas, uma vez que este evento contar&aacute; com a presen&ccedil;a de torcidas com hist&oacute;rico violento, como Ultras, Barra Bravas e Hinchas, al&eacute;m das torcidas organizadas. Sugere-se, tamb&eacute;m, que novos estudos sejam efetivados em &acirc;mbito acad&ecirc;mico, para que se consiga ampliar as possibilidades de configura&ccedil;&atilde;o de novas estrat&eacute;gias, capazes de subsidiar a implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas eficientes, na perspectiva de contribuir interdisciplinarmente com outras reflex&otilde;es acerca desta relevante tem&aacute;tica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BETTI, M. <b>Viol&ecirc;ncia em campo</b>: dinheiro, m&iacute;dia e transgress&atilde;o &agrave;s regras no futebol espet&aacute;culo. Iju&iacute;: Ed. UNIJU&Iacute;, 1997.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000169&pid=S1980-6574201200010001900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BRASIL. Lei nº 10.671 de 15 de maio de 2003. Disp&otilde;e sobre o Estatuto de Defesa do Torcedor e d&aacute; outras provid&ecirc;ncias, 2003. <b>Di&aacute;rio Oficial &#91;da&#93; Rep&uacute;bica Federativa do Brasil</b>, Bras&iacute;lia, DF, 16 maio 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000171&pid=S1980-6574201200010001900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CAPEZ, F. Viol&ecirc;ncia no futebol. In: LERNER, J. (Org.). <b>A viol&ecirc;ncia no esporte</b>. S&atilde;o Paulo: Secretaria da Justi&ccedil;a e da Defesa da Cidadania/IMESP, 1996. p. 49-52.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000173&pid=S1980-6574201200010001900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CARDIA, N. A viol&ecirc;ncia no futebol e a viol&ecirc;ncia na sociedade. In: S&Atilde;O PAULO (Estado). Secretaria de Estado da Justi&ccedil;a e de Defesa da Cidadania. <b>A viol&ecirc;ncia no esporte</b>. S&atilde;o Paulo, 1996.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000175&pid=S1980-6574201200010001900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">DA MATTA, R (Org.). <b>Universo do Futebol</b>: esporte e sociedade brasileira. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1982.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000177&pid=S1980-6574201200010001900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">DAOLIO, J. (Org.) <b>Futebol, cultura e sociedade.</b> Campinas, SP: Autores Associados, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000179&pid=S1980-6574201200010001900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">DUNNING, E. <b>A busca da excita&ccedil;&atilde;o</b>. Lisboa, Difel: 1992.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000181&pid=S1980-6574201200010001900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ESCHER, T. A. REIS, H. H. B; <b>Futebol e sociedade</b>. Bras&iacute;lia: Liber Livros, 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000183&pid=S1980-6574201200010001900008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">GOMES, L. C. <b>Lazer, trabalho e educa&ccedil;&atilde;o</b>: rela&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas, quest&otilde;es contempor&acirc;neas. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000185&pid=S1980-6574201200010001900009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">MACHADO, A. A (Org.). <b>Psicologia do esporte</b>: temas emergentes. Jundia&iacute;: &Aacute;pice, 1997.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000187&pid=S1980-6574201200010001900010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">M&Aacute;RIO FILHO. <b>O negro no futebol brasileiro</b>. Rio de Janeiro: Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira, 1964.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000189&pid=S1980-6574201200010001900011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">MURAD, M. <b>A viol&ecirc;ncia e o futebol:</b> dos estudos cl&aacute;ssicos aos dias de hoje.  Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000191&pid=S1980-6574201200010001900012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">PIMENTA, C. A. M. <b>Torcidas organizadas de futebol:</b> viol&ecirc;ncia e auto-afirma&ccedil;&atilde;o, aspectos da constru&ccedil;&atilde;o de novas rela&ccedil;&otilde;es sociais. Taubat&eacute;: Vogal, 1997.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000193&pid=S1980-6574201200010001900013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">REIS, H. H. B. <b>Futebol e sociedade:</b> as manifesta&ccedil;&otilde;es da torcida. 1998. 127 f. Tese (Doutorado em Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica) - Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000195&pid=S1980-6574201200010001900014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">REIS, H. H. B. Espet&aacute;culo futebol&iacute;stico e viol&ecirc;ncia: uma complexa rela&ccedil;&atilde;o. In: DAOLIO, J. (Org.) <b>Futebol, cultura e sociedade.</b> Campinas: Autores Associados, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000197&pid=S1980-6574201200010001900015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">REIS, H. H. B. <b>Futebol e viol&ecirc;ncia</b>. Campinas: Armaz&eacute;m do Ip&ecirc; (Autores Associados), 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000199&pid=S1980-6574201200010001900016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">REIS, H. H. B. Viol&ecirc;ncia das torcidas Organizadas. In: SIMP&Oacute;SIO INTERNACIONAL SOBRE HOOLIGANISMO E COPA DO MUNDO DE 2014, 1., 2011, Campinas. <b>Anais...</b>, Campinas: Centro de Estudos Avan&ccedil;ados, 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000201&pid=S1980-6574201200010001900017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ROJEK, C. Deviant leisure: The dark side of free-time activity. In: JACKSON, E.L.; BURTON, T.L. (Org.). <b>Leisure studies</b>: Prospects for the twenty-first century. Pennsylvania: Venture, 1999. p. 81-96.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000203&pid=S1980-6574201200010001900018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SCHWARTZ, G. M. Aspectos Psicol&oacute;gicos do Lazer. <b>Licere</b>, Belo Horizonte, v. 7, n. 1, p. 9-21, 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000205&pid=S1980-6574201200010001900019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SILVA, S. R. <b>Tua imensa torcida &eacute; bem feliz...</b> da rela&ccedil;&atilde;o do torcedor com o clube. 2001. 130 f.Tese (Doutorado em Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica). Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica, Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000207&pid=S1980-6574201200010001900020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">STEBBINS, R. A casual leisure: a conceptual statement. <b>Leisure Studies</b>, London, v. 16, n. 1, p. 17-25, 1997.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000209&pid=S1980-6574201200010001900021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">TELLES, V. S. Viol&ecirc;ncia e cidadania. In: S&Atilde;O PAULO (Estado). Secretaria de Estado da Justi&ccedil;a e de Defesa da Cidadania. <b>A viol&ecirc;ncia no esporte</b>. S&atilde;o Paulo, 1996.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000211&pid=S1980-6574201200010001900022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">TOLEDO, L. H. <b>Torcidas organizadas de futebol</b>. Campinas: Autores Associados: Anpocs, 1996.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000213&pid=S1980-6574201200010001900023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">WILLIAMS, D.J.; WALKER, G.J. Leisure, deviant leisure, and crime: 'Caution: Objects may be closer than they appear'. <b>Leisure/Loisir</b>, Waterloo, v. 30, n. 1, 30, p.193-218, 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000215&pid=S1980-6574201200010001900024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="end"></a><a href="#enda"><img src="/img/revistas/motriz/v18n1/seta.jpg"border="0"></a> <b>Endere&ccedil;o:</b>    <br>  Marcelo Fadori Soares Palhares    <br>  Avenida 24 A, 1515 - Bela Vista    <br>  Rio Claro, SP Brasil, 13506-900    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>  Telefone: (11) 2232-2691    <br>  e-mail: <a href="mailto:marcelofsp@hotmail.com">marcelofsp@hotmail.com</a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Recebido em: 20 de setembro de 2011.     <br>  Aceito em: 29 de setembro de 2011.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este artigo original foi aprovado na categoria de Tema Livre Premiado no VII Congresso Internacional de Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica e Motricidade Humana e XIII Simp&oacute;sio Paulista de Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica, realizado pelo Departamento de Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica do Instituto de Bioci&ecirc;ncias da UNESP - C&acirc;mpus de Rio Claro - SP, Brasil, entre os dias 26 a 29 de maio de 2011.</font></p>      ]]></body><back>
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