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PIRES, Francisco Murari. Jean Bodin, o Methodus e a Clio tucidideana: as figurações heroicizantes do historiador. Varia hist. [online]. 2012, vol.28, n.47, pp. 189-210. ISSN 0104-8775.  http://dx.doi.org/10.1590/S0104-87752012000100009.

    1 RIPA, Cesare. Iconologia. Roma: appresso Lepido Facii, 1603, p.346. [ Links ]


    7 LA POPELINIÈRE, Henri Lancelot Voisin de. L' histoire des histoires: l'idée de l'histoire accomplie. Paris: Fayard, 1989, p.143, 2v. [ Links ]


    8 BODIN, Jean. Method for the easy comprehension of history. Translated by Beatrice Reynolds. New York: W.W. Norton & Company, 1969, p.298. [ Links ]


    9 HOBBES, Thomas. Hobbes's Thucydides. Edited with an introduction by Richard Schlatter. New Brunswick: Rutgers University Press, 1975, p.6-7. [ Links ]


    10 A contraposição historiográfica de Heródoto e Tucídides, já firmada pelos autores antigos (Cícero e Quintiliano especialmente), comparece figurada em destaque nos dicionários de meados do XVI que fazem confrontar seus respectivos retratos. Ver OLIVIERI, Achille. Erodoto nel Rinascimento: l'umano e la storia. Roma: L'Erma di Bretschneider, 2004, p.29 e p.31. [ Links ]


    11 As reflexões pelas quais conduzimos nossos desígnios analíticos na abordagem dessa agonística historiográfica moderna afastam-se da apreciação com que Arnaldo Momigliano teceu esse paralelo polibiano-tucidideano em The Classical Foundations of Modern Historiography. Ver: MOMIGLIANO, Arnaldo. The Herodotean and the thucydidean tradition. In: The classical foundations of modern historiography. Berkeley/ Los Angeles-Oxford: University of California Press, 1990, p.29-53. [ Links ]

    A mirada à vol d'oiseau pela qual ele enquadrou a questão, a ponderação redutora de seu ajuizamento por operação de categorias historiográficas teleologicamente retroprojetadas de sua contemporaneidade, para os inícios da modernidade, ou para a antiguidade (história política, historiador profissional, etc), mais o estilo argumentativo conferencista de seus ensaios despreocupados das referenciações fundamentadoras de suas teses, tornam problemáticas uma justa ponderação das mesmas, tanto mais espinhosas face à aura de autoridade que envolve sua palavra no domínio da epistemologia historiográfica. Confiram-se, nesse sentido: o estudo de HÜBSCHER, Bruno. Arnaldo Momigliano: história da historiografia e do mundo antigo. 2010. Dissertação (Mestrado em História) - USP, São Paulo, [ Links ]


    12 O deslocamento do parâmetro da forma narrativa centrada na questão do estilo, de que Tito Lívio era o modelo por excelência, para o do primado do imperativo da veracidade factual, é situado por MELANI, Igor. Il tribunale della storia: leggere la methodus di Jean Bodin. Firenze: L. S. Olschki, 2006, p.154 e p.163-165. [ Links ]


    13 Conferir as considerações de McCREA, Adriana. Reason's muse: Andrew Marvell, R. Fletcher, and the politics of poetry in the engagement. Albion: A Quarterly Journal Concerned with British Studies, Boone, v.23, n.4, p.671 e p.676-677, 1991; [ Links ]

    ROWAN, Steven. Philosophy and government, 1572-1651. Resenha crítica de Richard Tuck. Renaissance Quarterly, New York, v.47, n.3, p.678, 1994. [ Links ]


    14 Conferir os apontamentos de COUZINET, Marie-Dominique. Histoire et méthode à la Renaissance: une lecture de la methodus ad facilem historiarum cognitionem de Jean Bodin. Paris: Librairie Philosophique J. Vrin, 1996, p.235-237; [ Links ]


    15 BROWN, John. The methodus ad facilem historiarum cognitionem of Jean Bodin: a critical study. Washington: The Catholic University of America Press, 1939, p.2-3; [ Links ]


    21 A mutação decisiva que as teses do Methodus conformam em relação ao período da estada de Bodin em Toulouse de tradicional definição "romanista" é objeto das análises de CAPRARIIS, Vittorio. Propaganda e pensiero politico in Francia durante le Guerre di Religione (1559-1572). Napoli: Edizione Scientifiche Italiane, 1959, p.340. [ Links ]


    23 Todos os críticos modernos o assinalam exaustivamente: BROWN, John. The methodus ad facilem historiarum cognitionem of Jean Bodin, p.22; CAPRARIIS, Vittorio. Propaganda e pensiero politico in Francia, p.341 e p.346; FRANKLIN, Julian H. Jean Bodin and the Sixteenth-century Revolution in the methodology of Law and History. New York/ London: Columbia University Press, 1963, p.7-82; [ Links ]

    KELLEY, Donald R. Foundations of modern historical scholarship: Language, Law, and History in the french renaissance. New York/ London: Columbia University Press, 1970, p.87-150; [ Links ]

    DESAN, Philippe. Naissance de la Méthode (Machiavel, La Ramée, Bodin, Montaigne, Descartes). Paris: Librairie A.-G. Nizet, 1987, p.98-101; [ Links ]


    26 Já assim apontado por KELLEY, Donald R. Faces of history: historical inquiry from Herodotus to Herder. New Haven/ London: Yale University Press, 1998, p.197-198. [ Links ]


    42 Confiram-se similarmente os comentários de George Huppert sobre o Methodus; HUPPERT, George. L'idée d'histoire parfaite. Traduit par Françoise et Paulette Braudel. Paris: Flammarion, 1973, p.100-101. [ Links ]


    54 Confiram-se suas considerações tidas tradicionalmente por "metodológicas" no capítulo 22 do livro I. Nesse sentido, ver as reflexões formuladas em nossos trabalhos anteriores, especialmente A Retórica do método. Ver: MURARI PIRES, Francisco. The rhetoric of method (Thucydides I.22 and II.35). Ancient History Bulletin, Calgary, v.12 n.3, p.106-112, 1998; [ Links ]

    MURARI PIRES, Francisco. A retórica do método (Tucídides I.22 e II.35). Revista de História. São Paulo, n.138, p.9-16, 1998; [ Links ]

    MURARI PIRES, Francisco. Thucydide et l'assemblée sur Pylos (IV.26-28): rhétorique de la méthode, figure de l'autorité et détours de la mémoire. The Ancient History Bulletin, Calgary, n.17, p.127-148, 2003. [ Links ]


    59 MURARI PIRES, Francisco. Thucydidean modernities: history between science and art. In: RENGAKOS, Antonios and TSAKMAKIS, Antonis (eds.). Brill's companion to Thucydides. Leiden/ Boston: Brill, 2006, p.828-829. [ Links ]


    62 Analogamente, MELANI, Igor: Il tribunale della storia, p.171 e p.193-200. entende que a visão positiva, de estilo "apologético", com que Bodin ajuiza a figura historiográfica de Tácito, modelo preferível a Tito Lívio, corresponde à sobreposição bodiniana de seu ideal do "historiador como juiz perfeito". Nesse sentido, a percepção de Bodin sobre os historiadores antigos corresponderia ao horizonte de ideias características dos "politiques" franceses de meados do XVI ("filo-francesas e anti-imperiais, filo-monárquicas e anti-republicanas, galicanas e anti-papais). A associação é também marcada por LESTRINGANT, Frank; RIEU, Josiane e TARRETE, Alexandre. Littérature française du XVIe siècle. Paris: Presses Universitaires de France, 2000, p.295. [ Links ]


    63 Conferir os dados respeitantes a ambas as publicações em BOUDOU, Bénédicte. Mars et les muses dans l'apologie pour Hérodote d'Henri Estienne. Genève: Librairie Droz, 2000, p.8-9. [ Links ]


    64 Frank Lestringant, analisando tal proposição metodológica da "conférence" (por "relatos de histórias que se correspondem e confirmam mutuamente") em Jean de Léry, a identifica primeiramente em Henri Estienne; LESTRINGANT, Frank. Le Huguenot et le sauvage: L'Amérique et la controverse coloniale en France au temps des Guerres de Religion (1555-1589). Paris: Aux Amateurs de Livres, 1990, p.100-102. [ Links ]


    67 ESTIENNE, Henri. Introduction au traité de la conformité des merveilles anciennes avec les modernes ou traité préparatif à l'apologie pour Hérodote. Paris, 1566, p.14-15. [ Links ]


    73 MURARI PIRES, Francisco. Mithistoria. São Paulo: Humanitas, 1999, p.147-276; [ Links ]

    MURARI PIRES, Francisco. Thucydide et l'assemblée sur Pylos (IV.26-28), p.127-148; [ Links ]

    MURARI PIRES, Francisco. Prologue historiographique et proème épique: les principes de la narration en Grèce ancienne. Quaderni di Storia, Bari, n.58, p.73-94, iuglio-dicembre 2003. [ Links ]


    78 Para esta caracterização da figura de heroicidade com que o historiador recomenda sua obra, vejam-se: MURARI PIRES, Francisco. The rhetoric of method (Thucydides I.22 and II.35). Ancient History Bulletin, v.12, n.3, p.106 e 112, 1998; [ Links ]

    MURARI PIRES, Francisco. Mithistoria, p.205-234; MURARI PIRES, Francisco. Thucydide et l'assemblée sur Pylos (IV.26-28): rhétorique de la méthode, figure de l'autorité et détours de la mémoire, p.127-148; MURARI PIRES, Francisco. Prologue historiographique et proème épique: les principes de la narration en Grèce ancienne. Bari, Quaderni di Storia, n.58, p.73-94, iuglio-dicembre 2003. [ Links ]


    79 MURARI PIRES, Francisco. A Morte do heróico. Rio de Janeiro, Filosofia e Política, v.III, n.1, p.102-114, 2001. [ Links ]


    80 Conferir as proposições de Miguel E. Vatter respeitantes a Maquiavel; VATTER, Miguel E. Between form and event: Machiavelli's theory of political freedom. Dordrecht/Boston/London: Kluwer Academic Publishers, 2000, p.9. [ Links ]

    E concernentes a Bruegel ver ARGAN, Giulio Claudio. Clássico anticlássico: o Renascimento de Brunelleschi a Bruegel. Tradução de Lorenzo Mammì. São Paulo: Companhia das Letras, 1999, p.462 e p.470-471. [ Links ]

    Para as intrigas hermenêuticas porque transita a figuração do heróico antigo nas reformulações da retórica discursiva dos modernos, especialmente ao longo do XVI a inícios do XVII (de Guillaume Budé a Cervantes), conferir especialmente as proposições interpretativas de HAMPTON, Timothy. Unreadable signs: Montaigne, virtue, and the interpretation of history. In: DESAN, Philippe. (ed.) Humanism in crisis: the decline of the french renaissance. Ann Arbor: The University of Michigan Press, 1991, p.85-106; [ Links ]

    HAMPTON, Timothy. Writing from history: the rhetoric of exemplarity in renaissance literature. Ithaca/ London: Cornell University Press, 1990. [ Links ]


    82 BRANN, Noel L. The debate over the origin of genius during the italian renaissance. Leiden/ Boston: Koln, 2002; [ Links ]

    WITTKOWER, Rudolf. Genius. Individualism in arts and artists. In: WIENER, Philip P. (ed.) Dictionnary of the history of ideas. New York: Charles Scribner' Sons, 1968, v.2, p.297-312; [ Links ]

    WITTKOWER, Rudolf and WITTKOWER, Margot. Born under saturn. New York: W.W. Norton & Company, 1969. [ Links ]


    83 MAZZARINO, Santo. Il pensiero storico clássico. 2. ed. Roma/ Bari: Editori Laterza, 1990, v.3, p.359-370; [ Links ]

    MONTEPAONE, C; IMBRUGLIA, G; CATARZI, M. e SILVESTRE, M. L. (a cura di). Tucidide nella storiografia moderna. Napoli: Morano Editore, 1994. [ Links ]


    86 Vejam-se, nesse sentido, os comentários de IGGERS, Georg C. The german conception of history: the national tradition of historical thought from Herder to the present. Hanover/London: Wesleyan University Press, 1998, p.76-80. [ Links ]


    87 Nos termos com que o "jovem Ranke" concebe a figura do "gênio" histórico em suas reflexões dos anos 1816-1817 ("o verdadeiramente grande", "fiel à tendência da época em consonância com o gênio", manifestação e atuação da "idéia divina" porque se define seu destino "grandioso", desde que "purificado do egoísmo" que antes o "cegasse" de modo a "ignorar ou desprezar" tal finalidade sublime, causa de sua "ruína"), tem-se conglomerado de nexos conceituais que guarda correspondência com condizente discurso porque os Antigos conceitualizaram a figura do herói especialmente apreciada em sua dimensão "hibrística" de desfecho trágico. RANKE, Leopold. Lutero e l'idea di storia universale, a cura di Francesco Donadio e Fulvio Tessitore. Napoli: Guida editori, 1986, p.172-173. [ Links ]