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Article References

NOGUEIRA, André Luís Lima. Doenças de feitiço: as Minas setecentistas e o imaginário das doenças. Varia hist. [online]. 2012, vol.28, n.47, pp. 259-278. ISSN 0104-8775.  http://dx.doi.org/10.1590/S0104-87752012000100012.


    1 As devassas eclesiásticas funcionavam ao nível do bispado, possuindo teoricamente uma periodicidade anual, em que o bispo - ou um subordinado indicado - iria percorrer arraiais e freguesias a propósito de conhecer e punir os pecados daquela comunidade mediante um conjunto de delitos pré-estabelecidos em quarenta quesitos, que eram perguntados a pessoas convocadas para contar o que sabiam na mesa da devassa. Para a organização das mesmas, bem como a análise dos delitos apresentados e ações repressoras, conferir FIGUEIREDO, Luciano. Barrocas famílias. Vida familiar em Minas Gerais no século XVIII. São Paulo: HUCITEC, 1997, p.41-8. [ Links ]


    2 CANGUILHEM, Georges. O normal e o patológico. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1995, p.206; [ Links ]

    ELIAS, Norbert. O processo civilizador. Rio de Janeiro: Zahar, 1990, p.88. [ Links ]


    4 FLECK, Ludwik. La génesis y el desarrollo de un hecho científico. Madri: Alianza Editorial, 1986, p.18. [ Links ]


    6 Nas palavras do autor: "De certo modo, a doença não existe até concordarmos que ela exista, percebendo, nomeando e respondendo a ela". Tradução livre. ROSEMBERG, Charles. Explanning epidemics and others studies in the history of medicine. Cambridge: Cambridge University Press, 1992, p.305. [ Links ]


    7 Para uma discussão que igualmente contemple a variável aceitação de explicações para a ocorrência de determinadas doenças, bem como as articulações de redes e diferentes atores (sejam estes humanos ou não-humanos), conferir, LATOUR, Bruno. Give me a laboratory and I will raise the world. In: MAULKAY, M. (ed.) Science observed: perspectives on the social study of science. Londres: Sage, 1983. [ Links ]


    9 CLARK, Stuart. Pensando com demônios. A ideia da bruxaria no princípio da Europa Moderna. São Paulo: EDUSP, 2006, p.261-283. [ Links ]


    10 PAIVA, José Pedro. Bruxaria e superstição num país sem "caça às bruxas". Lisboa: Notícias, 2002, p.336-340 e p.19-22. [ Links ]


    11 Tal discussão pode ser acompanhada, entre outros autores, em: GARIN, Eugenio. (org.) O homem renascentista. Lisboa: Presença, 1991; [ Links ]

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    17 Entre outros autores, conferir: PAIVA, José Pedro. Bruxaria e superstição num país sem "caça às bruxas"; NOGUEIRA, Carlos Roberto Figueiredo. Bruxaria e História: as práticas mágicas no ocidente cristão. Baurú: EDUSC, 2004; [ Links ]

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    18 Para tal discussão, por exemplo, conferir os argumentos de J. Thornton. O autor especifica algumas concepções de feitiçaria que seriam próprias aos africanos centro-ocidentais. Embora igualmente sublinhe outros aspectos comuns aos povos africanos e europeus. Acerca dessas diferenças, nas palavras do autor: "As diferenças entre as idéias africanas e européias sobre o mal - entre o diabo como autor de todo ele, e o uso que pessoas perversas faziam de forças espirituais amorais para fins maldosos - era também a diferença entre as tradições de feitiçaria em ambas as culturas". THORNTON, John. Religião e vida cerimonial no Congo e áreas Umbundo, entre 1500 a 1700. In: HEYWOOD, Linda M. Diáspora negra no Brasil. São Paulo: Contexto, 2009, p.92ss. [ Links ]


    19 HOLANDA, Sérgio Buarque de. Caminhos e fronteiras. Rio de Janeiro: José Olympio, 1957, p.105-147. [ Links ]


    21 FERREIRA, Luís Gomes. Erário mineral [1735]. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, 2001, p.422. [ Links ]


    22 Há grande relação, em Portugal, entre feitiçaria e infanticídio em função do mito da strix, ave noturna que sugava o sangue das crianças, como podemos encontrar no próprio dicionário de Raphael Bluteau: "Em português chamamos bruxas umas mulheres, que se entende, que matam as crianças, chupando-lhe o sangue. Bruxa em latim pode se chamar strix. Fem. que é o nome de uma ave infausta e noturna (...) e é opinião de graves autores, que esta mesma ave quando se lhe oferece ocasião também chupa aos meninos o sangue". BLUTEAU, Raphael. Vocabulário portuguez e latino. Coimbra: Colégio das Artes da Companhia de Jesus, 1728, p.710. Para tal discussão, conferir, BETHENCOURT, Francisco. O imaginário da magia: feiticeiros, saludadores e nicromantes no século XVI. Lisboa: Universidade Aberta, 1987, p.88ss. [ Links ]


    24 ABREU, Brás Luís de. Portugal médico. Coimbra: Oficina de Joam Antônio, 1726. [ Links ]


    25 PEREIRA, Bernardo. Anacephaleosis médico, theológica, mágica, jurídica, moral e política. Coimbra: Oficina de Francisco Oliveyra, 1734, p.181. [ Links ]


    26 SOUZA, Laura de Mello. O diabo e a Terra de Santa Cruz: feitiçaria e religiosidade popular no Brasil colonial. São Paulo: Companhia das Letras, 1995; [ Links ]

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    28 JORDANOVA, Ludmilla e PORTER, Roy. Images of the earth. Essays in the history of the environmental sciences. Oxford: Alden Press, 1997, p.128ss. [ Links ]

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    29 BROGNOLO, Candido. Brognolo recopilado e substanciado com aditamento de vários autores.Tradução Frei José de Jesus Maria. Coimbra: Oficina de Francisco Borges de Souza, 1757, p.49. [ Links ]


    32 KRAMER & SPRENGER. Malleus maleficarum [1484]. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1990, p.77. [ Links ]


    33 Penso aqui a ampla e complexa Ilustração em convergência com as considerações de Lorelai B. Kury: "Longe de designar somente um conjunto de idéias, as Luzes englobam, é certo, conceitos, mas também modos de agir". KURY, Lorelai. Iluminismo e império no Brasil: o patriota (1813-1814). Rio de Janeiro: Fundação Oswaldo Cruz, 2007, p.2. [ Links ]


    34 Para uma discussão mais adensada dessas mudanças no cenário médico, sobretudo na segunda metade do século XVIII, que, em muito não tocam os interesses mais específicos deste artigo, conferir entre outros autores: JORDANOVA, Ludmilla and PORTER, ROY. Images of the Earth, p.137ss.; ABREU, Jean. Ilustração, experimentalismo e mecanicismo: aspectos das transformações do saber médico em Portugal no século XVIII. Topoi. Rio de Janeiro, v.8, n.15, p.80-104, jul.-dez. 2007; [ Links ]

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    35 MARQUES, Vera B. Magia e Ciência no Brasil Setecentista, p.177ss.; ABREU, Jean. Ilustração, experimentalismo e mecanicismo, p.80; PORTER, Roy. The greatest benefit to manking: a medical history of humanity. Nova Iorque: WW. Norton & Company, 1999, p.266. [ Links ]


    53 Em seus estudos sobre a posse de livros e as leituras nas Minas setecentistas, Luiz Carlos Villalta encontrou entre os bens arrolados em inventários de alguns clérigos tratados médicos, o que pode servir para pensar na viabilidade do que fora acima mencionado. Embora, eu reafirme a necessidade de maiores bases empíricas para sustentar o argumento que aqui não é muito mais que uma inferição. VILLALTA, Luiz Carlos. Os clérigos e os livros nas Minas Gerais da segunda metade do século XVIII. Acervo, Rio de Janeiro, v.8 n.1-2, p.37-38, jan./dez. 1995. [ Links ]


    54 Aqui pensadas essas esferas não como dicotômicas ou estanques, mas à luz da consideração de seus intercâmbios e mesclas, dialogando com pesquisas como as de BURKE, Peter. Cultura popular na Idade Moderna. São Paulo: Companhia das Letras, 1989; [ Links ]

    GRUZINSKI, Serge. O pensamento mestiço. São Paulo: Companhia das Letras, 2001. [ Links ]