Biologia reprodutiva em Amasonia obovata Gleason (Laminaceae)

Mecanismos florais que garantem produção de sementes via autogamia, são mais prováveis de ocorrer em espécies que crescem em habitats onde a polinização é escassa. Amasonia obovata foi estudada na região sudoeste do estado de Mato Grosso, durante os anos de 2009 a 2012, e o estudo teve por objetivo analisar as características morfológicas, morfométricas e reprodutivas, além de associar o sucesso reprodutivo à frequência de polinizadores. A. obovata concentrou a floração e frutificação em um período de cinco meses, durante a estação chuvosa. A dicogamia em flores de A. obovata não está claramente demarcada, já que as funções sexuais se sobrepõem nas fases masculina e feminina. A espécie é autocompatível e não apomítica. Os valores percentuais de frutificação obtidos na autopolinização manual não diferiram dos valores obtidos na polinização cruzada (F= 0,74; P=0,39). Em observações realizadas nos anos de 2010 a 2012, o beija-flor (Thalurania furcata) realizou de 20 a 100% de visitas legítimas às flores nas fases masculina e feminina, de diferentes indivíduos de A. obovata e, devido à sua frequência, foi considerado o potencial polinizador da espécie. Os resultados mostram que a limitada disponibilidade de polinizadores pode selecionar plantas de características florais e estratégias de reprodução que levam a um sistema reprodutivo autogâmico.

Autogamia; beija-flor; fenologia de floração; morfologia floral


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