Sinopse das espécies de Panicum L. subg. Panicum (Poaceae, Paniceae) ocorrentes no Brasil

Synopsis of Panicum subg. Panicum (Poaceae, Paniceae) in Brazil

Resumos

O levantamento de Panicum subg. Panicum revelou a ocorrência de 29 espécies para o Brasil. O trabalho apresenta chaves para diferenciar o subgênero Panicum de outras seções de Panicum atualmente não agrupadas em subgêneros definidos, e para espécies do subgênero Panicum, ilustrações de caracteres taxonômicos selecionados e dados de distribuição geográfica das espécies tratadas.

Gramineae; Panicum; subgênero Panicum; Brasil


A survey of Panicum subg. Panicum confirmed the occurrence of 29 species in Brazil. Analytical keys to differentiate the subgenus Panicum from other sections of Panicum not included in defined subgenera, and for species of subgenus Panicum are provided, as well as illustrations of taxonomic characteristics and data on their geographic distribution.

Gramineae; Panicum; subgenus Panicum; Brazil


Sinopse das espécies de Panicum L. subg. Panicum (Poaceae, Paniceae) ocorrentes no Brasil1 1 Parte da Tese de Doutorado da primeira Autora

Synopsis of Panicum subg. Panicum (Poaceae, Paniceae) in Brazil

Adriana GuglieriII,2 2 Autor para correspondência: aguglieri@bol.com.br ; Fernando O. ZuloagaI; Hilda Maria Longhi-WagnerII

IInstituto de Botánica Darwinion, San Isidro, Argentina (fzuloaga@darwin.edu.ar)

IIDepartamento Botânica UFRGS, Porto Alegre, RS, Brasil. Bolsa CNPq (hmlw@vant.com.br)

RESUMO

O levantamento de Panicum subg. Panicum revelou a ocorrência de 29 espécies para o Brasil. O trabalho apresenta chaves para diferenciar o subgênero Panicum de outras seções de Panicum atualmente não agrupadas em subgêneros definidos, e para espécies do subgênero Panicum, ilustrações de caracteres taxonômicos selecionados e dados de distribuição geográfica das espécies tratadas.

Palavras-chave: Gramineae, Panicum, subgênero Panicum, Brasil

ABSTRACT

A survey of Panicum subg. Panicum confirmed the occurrence of 29 species in Brazil. Analytical keys to differentiate the subgenus Panicum from other sections of Panicum not included in defined subgenera, and for species of subgenus Panicum are provided, as well as illustrations of taxonomic characteristics and data on their geographic distribution.

Key words: Gramineae, Panicum, subgenus Panicum, Brazil

Introdução

O gênero Panicum L. é um dos maiores e mais importantes da família Poaceae. De acordo com a circunscrição anteriormente aceita para o gênero, 470 espécies foram reconhecidas para o mesmo por Clayton & Renvoize (1986) e aproximadamente 370 por Watson & Dallwitz (1992).

Estudos mais detalhados com a utilização de diferentes abordagens têm levado ao desmembramento do gênero Panicum, aceitando a elevação de alguns subgêneros anteriormente propostos a categorias de gêneros, tais como Steinchisma Raf. (Zuloaga et al. 1998) e Dichanthelium (Hitchc. & Chase) Gould (Gould 1974). O status de gênero para estes dois últimos foi confirmado por Aliscioni et al. (2003), que consideraram o subgênero Phanopyrum (Raf.) Pilg. como gênero independente, com apenas uma espécie da América do Norte. Das demais espécies anteriormente aceitas em Phanopyrum, parte foi transferida para outros gêneros da tribo Paniceae e parte permaneceu agrupada nas mesmas seções aceitas anteriormente, porém sem subgênero definido. O subgênero Panicum foi reconhecido como monofilético, com as seções Dichotomiflora (Hitchc.) Honda, Panicum, Rudgeana (Hitchc.) Zuloaga, Urvilleana (Hitchc.) Pilg. e Virgata Hitchc. & Chase ex Pilg. Outras espécies aceitas anteriormente em Panicum foram mantidas no gênero, porém agrupadas apenas em seções, ainda sem subgêneros definidos (Aliscioni et al. 2003).

De acordo com a circunscrição atual (Aliscioni et al. 2003), o gênero Panicum "sensu lato", compreende cerca de 400 espécies, das quais cerca de 100 incluídas no subgênero Panicum, distribuídas em regiões pantropicais, algumas das quais se estendem até as regiões temperadas.

Nos últimos anos foram publicados vários trabalhos que tratam da revisão de alguns subgêneros e seções de Panicum, tais como Zuloaga (1987a; b; 1989; 1994), Zuloaga & Morrone (1992; 1996a; b) Zuloaga et al. (1992a; b; 1993a; b) entre outros. Porém, o gênero Panicum no Brasil foi pouco estudado e a revisão do mesmo tem sido feita em algumas floras regionais.

Segundo Smith et al. (1982), 49 espécies de Panicum ocorrem no Estado de Santa Catarina. Destas, 10 espécies representam o subgênero Panicum e as seções Dichotomiflora (três espécies), Panicum (duas), Virgata (duas), Rudgeana (uma), Urvilleana (uma) e uma espécie agrupada a este subgênero sem seção definida.

Guglieri & Longhi-Wagner (2000) citaram 36 espécies para o Estado do Rio Grande do Sul. Destas, 13 fazem parte do subgênero Panicum, com cinco representantes da seção Dichotomiflora, quatro de Panicum, duas de Virgata, uma de Urvilleana e uma espécie sem seção definida.

Zuloaga et al. (2001) constataram a ocorrência de 42 espécies de Panicum para o Estado de São Paulo, sendo quatro espécies da seção Dichotomiflora, três de Rudgeana, duas de Panicum, uma de Urvilleana, e uma espécie sem seção definida, totalizando 11 espécies do subgênero Panicum.

As espécies do subgênero Panicum distribuem-se desde o Canadá até a Argentina e o Brasil, com ocorrência confirmada em alguns países da Europa e Ásia, e por toda África e Oceania (Häfliger & Scholz 1980). O referido subgênero está bem representado em todas as regiões brasileiras. Suas espécies habitam geralmente locais alterados, em ambientes variados como campos secos e úmidos, banhados e margens de arroios e rios. Este subgênero também se destaca por apresentar espécies de interesse econômico, como P. miliaceum L., o "painço", cultivada como alimento para aves, e P. racemosum Spreng., o "capim-das-dunas", com grande importância ecológica, atuando como fixadora de dunas primárias. Além disto, inclui espécies invasoras de áreas de cultivo e jardins, como P. aquaticum Poir., P. gouinii E. Fourn., P. dichotomiflorum Michx. e P. repens L.

O objetivo deste trabalho é o de fornecer meios para a identificação das espécies do subgênero Panicum ocorrentes no Brasil. Além disto, são fornecidos dados sobre a distribuição geográfica das espécies tratadas.

Material e métodos

Este trabalho foi baseado em revisão bibliográfica e de herbários, coletas e observação de populações no campo, além de estudos morfológicos detalhados.

Foram revisados os seguintes herbários, citados pela sua sigla internacional, conforme Holmgren et al. (1990): B, BA, BAA, BAB, BAF, BHCB, BLA, CEN, CEPEC, CNPO, COL, COR, CORD, CTES, CVRD, EAC, ESA, ESAL, F, FUEL, G, GH, HAMAB, HAS, HCB, HERBACRUZ, HEPH, HRCB, HST, HUCS, HUEFS, HUFU, HUI, HUM, HURG, HUPF, IAC, IAN, IBGE, ICN, INPA, INTA, ISC, JEPS, JPB, K, LA, LE, LIL, LP, LPB, M, MAC, MBM, MBML, MEXU, MO, MPUC, MY, NY, P, PACA, PAMG, PEL, PMSP, PORT, R, RB, RFA, RSPF, S, SI, SMDB, SP, SPF, SPSF, TEPB, UB, UFG, UFMT, UPCB, US, USM, UTME, VEN, W e WIS. Além destes, foi revisado o herbário Balduíno Rambo, do Museu Regional do Alto Uruguai (Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões, URI), Erexim, RS, cuja sigla, não oficial, é HERBARA.

Os dados de distribuição geográfica foram retirados da literatura e do material examinado. Os dados de ambiente foram baseados nas informações contidas nas etiquetas de herbário e em observações feitas diretamente no campo. A maior parte das espécies foi observada e coletada em seu ambiente natural. Os caracteres de maior importância taxonômica foram ilustrados.

Está sendo citado apenas um exemplar selecionado de cada táxon, como testemunho, porém listagem completa pode ser solicitada à primeira autora.

Resultados e discussão

O gênero Panicum apresenta espiguetas com duas glumas caducas, dois antécios (raramente três), o inferior membranoso, neutro ou masculino, e o superior coriáceo, com flor bissexuada, caracteres gerais da tribo Paniceae. Caracteriza-se pela gluma inferior menor do que os antécios, espiguetas em panícula laxa a contraída, ou dispostas em ramos unilaterais. Panicum subg. Panicum é caracterizado pela ausência de quilha nas folhas, gluma inferior (5)7-11(13-15)-nervada, panícula laxa a contraída, e metabolismo fotossintético C4, do tipo NAD-ME.

No Brasil ocorrem cerca de 114 espécies do gênero Panicum sensu lato,dasquais 29 incluídas no subgênero Panicum, conforme dados do presente trabalho, e as demais distribuídas nas seguintes seções: Prionitia Zuloaga, Tenera (Hitchc. & Chase) Pilg., Valida Zuloaga & Morrone e Discrepantia Zuloaga, além de P. antidotale Retz.(grupo 1 na chave a seguir); Laxa Hitchc. & Chase ex Pilg. p.p., Lorea Zuloaga, Megista Pilg., Monticola Stapf, Parvifolia Hitchc. & Chase ex Pilg., Parviglumia Hitchc. & Chase ex Pilg., e Stolonifera Hitchc. & Chase ex Pilg.(grupo 2). As seções do primeiro grupo eram incluídas no subgênero Agrostoides (Hitchc.) Zuloaga, enquanto que as do segundo grupo no subgênero Phanopyrum, anteriormente ao trabalho de Aliscioni et al. (2003), que as mantiveram "incertae sedis", sem subgênero definido.

Chave para diferenciar o subgênero Panicum das seções “incertae sedis” de Panicum ocorrentes no Brasil

1. Gluma superior (5-)7-11(13-15)-nervada. Panícula com as espiguetas dispostas irregularmente ao longo de todos os ramos .................................... subg. Panicum 1. Gluma superior 3-5-nervada. Panícula com as espiguetas dispostas irregularmente ao longo de todos os ramos ou dispostas em ramos primários unilaterais. Se glumas com número maior de nervuras, sempre espiguetas dispostas em ramos primários unilaterais. 2. Colmos maciços. Lâminas acanaladas, quilhadas, com margens fortemente
escabras, cortantes. Panícula com as espiguetas dispostas irregularmente ao longo
de todos os ramos ........................................................................... grupo 1 2. Colmos ocos. Lâminas planas, com margens levemente escabras, não cortantes.
Panícula geralmente com espiguetas dispostas em ramos primários unilaterais,
menos comumente dispostas irregularmente ao longo de todos os ramos .............
.................................................................................................... grupo 2

Chave para as espécies de Panicum subg. Panicum ocorrentes no Brasil

1. Espiguetas com três antécios, o primeiro neutro e membranoso, o segundo com flor
estaminada e também membranoso, e o terceiro com flor perfeita e coriáceo
................................................................................... 24. P. quadriglume 1. Espiguetas com dois antécios, o primeiro neutro ou com flor estaminada,
membranoso, e o segundo com flor perfeita e coriáceo 2. Segundo antécio com indumento; espiguetas glabras ou vilosas, tricomas 1-5mm
compr. 3. Segundo antécio com tricomas longos nas margens do lema; espiguetas em
geral densamente vilosas; plantas com rizomas ................ 25. P. racemosum 3. Segundo antécio com tufo de tricomas longos na base do lema, lateralmente;
espiguetas glabras; plantas sem rizomas 4. Panícula apenas com ramificações de primeira ordem; segundo antécio com
estípite .................................................................. 20. P. mystasipum 4. Panícula com ramificações de primeira, segunda e terceira ordens; segundo
antécio sem estípite ...................................................... 21. P. olyroides 2. Segundo antécio glabro; espiguetas glabras ou pilosas, se pilosas, tricomas 0,2-
0,6mm compr. 5. Gluma inferior separada da gluma superior por um entrenó conspícuo, a superior
inserida notadamente acima da inferior 6. Panícula (3-)4,5-6,5cm×(1-)1,5-3cm; segundo antécio sem estípite e com um
anel circular castanho na zona de inserção com a ráquila ............................
............................................................................. 17. P. magnispicula 6. Panícula 11-45(-62)cm×(2-)5,5-27(-44)cm; segundo antécio com ou sem
estípite e sem anel circular castanho na zona de inserção com a ráquila 7. Espiguetas 2,1-4,2(-4,4)mm compr.; segundo antécio sem estípite ou com
estípite de até 0,6mm compr. 8. Espiguetas glabras; plantas com ou sem rizomas 9. Plantas sem rizomas; espiguetas obovais ................. 6. P. cayennense 9. Plantas com rizomas; espiguetas lanceoladas a oval-lanceoladas, ou
ovais 10. Pedicelos escabros, sem tricomas longos; espiguetas 4-4,2(-4,4)mm
compr; glumas superior e inferior com o ápice retorcido. Norte do Brasil
(Maranhão).................................................................. 1. P. altum 10. Pedicelos escabros ou não, geralmente com um a vários tricomas
longos; espiguetas 2,2-3,4mm compr.; glumas superior e inferior com o
ápice não retorcido. Centro e Sul do Brasil 11. Lâminas foliares glabras; espiguetas 2,2-2,6mm compr ..................
............................................................... 29. P. tricholaenoides 11. Lâminas foliares com face abaxial glabra e face adaxial pilosa a
hirsuta, tricomas esparsos a densos; espiguetas 2,4-3,4mm compr.
....................................................................... 13. P. glabripes 8. Espiguetas esparsamente pilosas a hirsutas; plantas com rizomas 12. Espiguetas (2,9-)3,2-3,4mm compr., esparsamente hirsutas ..............
................................................................................ 27. P. rudgei 12. Espiguetas 2,5-2,9(-3)mm compr., esparsamente pilosas ....................
............................................................................ 5. P. campestre 7. Espiguetas 4,5-9mm compr.; segundo antécio com estípite de 1mm compr.
ou mais 13. Espiguetas 4,5-5,4mm compr.; estípite com base glabra; bainhas foliares
hirsutas ou híspidas; lígula (1,5-)2,5-3,5(-5)mm compr. ..... 16. P. ligulare 13. Espiguetas 6,9-9mm compr.; estípite com base pilosa, com poucos
tricomas esparsos; bainhas foliares glabras, pilosas ou hirsutas; lígula 0,6-
1,5 (-2,6)mm compr. ................................................ 7. P. cervicatum 5. Gluma inferior separada da superior por um entrenó muito curto, inconspícuo,
aparentemente inseridas no mesmo ponto 14. Espiguetas com a gluma inferior 1/6-1/3 do comprimento da espigueta,
excepcionalmente até 1/2 ou 3/4 do comprimento; plantas decumbentes, com
colmos radicantes nos nós inferiores ou eretas, de ambientes aquáticos ou
próximos a cursos d’água 15. Espiguetas estreito-lanceoladas, (3,7-)4,6-5,4mm compr.; colmos
suculentos com aerênquima ..................................... 10. P. elephantipes 15. Espiguetas lanceoladas a oval-lanceoladas, (1,9-)2,4-3,4mm compr.;
colmos sem aerênquima 16. Plantas eretas 17. Gluma inferior de ápice agudo ou obtuso; plantas sem rizomas; bainhas
foliares glabras em toda a extensão ................... 9. P. dichotomiflorum 17. Gluma inferior de ápice truncado; plantas com rizomas; bainhas foliares
glabras, pilosas ou hirsutas .......................................... 26. P. repens 16. Plantas decumbentes 18. Gluma inferior de ápice obtuso; segundo antécio com estípite de
0,2-0,4mm compr. ................................................. 22. P. pedersenii 18. Gluma inferior de ápice agudo ou truncado; segundo antécio sem
estípite 19. Gluma inferior de ápice truncado ............................... 26. P. repens 19. Gluma inferior de ápice agudo 20. Plantas com rizomas grossos de entrenós curtos, escamosos;
lâminas foliares geralmente involutas, raramente planas, 1-3(-5)mm
larg.; bainhas foliares glabras ou pilosas, tricomas subdensos a densos;
panícula geralmente subaberta, mais raramente aberta, 1-6cm larg.
............................................................................ 14. P. gouinii 20. Plantas com rizomas finos de entrenós longos, não escamosos;
lâminas foliares planas, 4-12mm larg.; bainhas foliares glabras ou
pilosas, tricomas esparsos; panícula aberta a laxa, (4-)6-14(-22,5)cm
larg. ................................................................. 3. P. aquaticum 14. Espiguetas com a gluma inferior 1/2-4/5 do comprimento da espigueta
(exceto em P. stramineum em que pode chegar a 1/3); plantas cespitosas,
com ou sem rizomas, eretas (às vezes decumbentes em P. miliaceum, mas
então espiguetas de (3,7-)4-5,5mm compr.), de ambientes abertos, não
aquáticos (exceto P. aquarum que habitam ambientes aquáticos) 21. Gluma superior caduca na espigueta madura, deixando o dorso do lema
superior exposto; segundo antécio negro na maturação 22. Plantas anuais; gluma inferior 3/4-4/5 do comprimento da espigueta ......
................................................................................12. P. exiguum 22. Plantas perenes; gluma inferior 1/2-3/4 do comprimento da espigueta
............................................................ 23. P. peladoense 21. Gluma superior persistente na espigueta madura, encobrindo o dorso do
lema superior (raramente caducas em algumas espiguetas de P. bergii);
segundo antécio estramíneo a castanho na maturação 23. Panícula com ramificações inferiores verticiladas, caindo inteira na
maturação ...................................................................... 4. P. bergii 23. Panícula com as ramificações inferiores alternas, não caindo inteira na
maturação 24. Colmos suculentos, com aerênquima, ramificados nos nós inferiores e
superiores; plantas de ambientes aquáticos .................... 2. P. aquarum 24. Colmos não suculentos, sem aerênquima, ramificados apenas nos nós
inferiores; plantas de ambientes mesófitos ou úmidos 25. Panícula com os ramos primários adpressos ao eixo principal .............
................................................................................ 8. P. chasei 25. Panícula com os ramos primários divergentes do eixo principal 26. Espiguetas (3,7-)4-5,5mm compr.; panícula (4-)10-26cm compr.
...................................................................... 18. P. miliaceum 26. Espiguetas 1,8-3,6(-3,9)mm compr.; panícula 25-45cm compr.
(exceto em P. stramineum, que mede 7,5-12,5cm compr., mas
então espiguetas de 2,2-2,5mm compr.) 27. Bainhas foliares hirsutas com tricomas urticantes. 28. Plantas com rizomas curtos, até 3m de altura; espiguetas 1,8-
2,6mm compr.; lâminas foliares 15-35mm larg. ....... 15. P. hirsutum 28. Plantas sem rizomas, 49-110cm de altura; espiguetas 3,3-3,6mm
compr.; lâminas foliares 8-15mm larg. .......... 19. P. mucronulatum 27. Bainhas foliares glabras ou hirsutas com tricomas não urticantes 29. Espiguetas 3,5-3,6mm compr.; bainhas foliares glabras; gluma
superior e lema inferior 5(-7)-nervada, 3,1mm compr.; segundo
antécio 2,1mm compr. .............................. 11. P. ephemeroides 29. Espiguetas 2,2-2,5mm compr., bainhas foliares hirsutas; gluma
superior e lema inferior 9-11(-13)-nervada, 2,1-2,4mm compr.;
segundo antécio 1,6-1,7mm compr. ................ 28. P. stramineum

1. Panicum altumHitchc. & Chase, Contr. U.S. Natl. Herb. 17: 488. 1915.

Fig. 1.

México, Caribe, Belize, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá, Venezuela e Guiana. Brasil: Região NE (MA).

Material selecionado: BRASIL. Maranhão: Loreto, 20/III/1985, Valls et al. 8433 (CEN, SI).

2. P. aquarum Zuloaga & Morrone, Novon 1:185.1991.

Colômbia e Venezuela. Brasil: N (AM e PA).

Material selecionado: BRASIL. Amazonas: Humaitá, 11/V/1980, Gemtchujnicov & Janssen 369 (IBGE, SP).

3. P. aquaticum Poir. in Lam., Encycl.,Suppl., 4: 281. 1816.

Fig. 2.

México, América Central e do Sul. Brasil: N (AC e PA), NE (BA, CE e RN), CO (MS e MT), SE (RJ e SP) e S (RS e SC).

Material selecionado: BRASIL. Rio Grande do Sul: sem localidade, 1953, Mattos 2293 (BLA).

4. P. bergii Arechav., Anales Mus. Nac. Montevideo 1: 147. 1894.

Estados Unidos e América do Sul. Brasil: N (RR), NE (PE), SE (RJ e SP) e S (RS).

Material selecionado: BRASIL. Rio Grande do Sul: Cachoeirinha, 3/II/1999, Guglieri et al. 46 (ICN).

5. P. campestre Nees ex Trin., Gram. panic. 197. 1826.

Brasil: CO (DF, GO e MT) e SE (MG, RJ e SP).

Material selecionado: BRASIL. Goiás: Mineiros, Parque Nacional das Emas, 22/V/1993, Filgueiras 2495 (SI).

6. P. cayennense Lam., Tabl. Encycl. 1: 173. 1791.

México, América Central e do Sul. Brasil: N (PA), NE (MA), CO (MS e MT) e SE (MG).

Material selecionado: BRASIL. Mato Grosso do Sul: Aquidauana, Serra de Maracaju, 12/II/1993, Hatschbach et al. 58947 (SI).

7. P. cervicatum Chase, J. Wash. Acad. Sci 32: 164. 1942.

Fig. 3-4.

Norte da América do Sul até Paraguai. Brasil: N (RO), NE (BA e MA), CO (DF, GO, MS e MT), SE (MG e SP).

Material selecionado: BRASIL. Mato Grosso: Brilhante, Casa Branca, 15/II/1970, Hatschbach 23260 (MBM).

8. P. chasei Roseng., Arr. & Izag., Bol. Fac. Agr. Montev. 103: 9. 1968.

Fig. 5.

Argentina e Uruguai. Brasil: SE (MG) e S (RS).

Material selecionado: BRASIL. Rio Grande do Sul: Porto Alegre, Morro Teresópolis, 29/I/1980, Soares 267 (HAS, ICN).

9. P. dichotomiflorum Michx., Fl. bor. amer. 1: 48. 1803.

Fig. 6-7.

América do Norte, Central e do Sul. Brasil: N (AM, AP, PA e RR), NE (BA, CE, MA, PE e RN), CO (DF, GO, MS e MT), SE (RJ e SP) e S (PR, RS e SC).

Material selecionado: BRASIL. Rio Grande do Sul: Cachoeira do Sul, X/1933, H.S.A. 60a(ICN).

10. P. elephantipes Nees ex Trin., Gram. panic: 206. 1826.

Fig. 8.

México, América Central e do Sul. Brasil: N (AP, PA e RR), NE (CE), CO (MS e MT) e S (RS).

Material selecionado: BRASIL. Rio Grande do Sul: Guaíba, 13/III/1978, Valls 4004 (ICN).

11. P. ephemeroides Zuloaga & Morrone, Ann. Missouri Bot. Gard. 83(2): 239. 1996.

Brasil: CO (GO).

Material selecionado: BRASIL. Goiás: Jataí, rodovia BR-364, 3/IV/1986, Valls et al. 9867 (CEN, SI, US).

12. P. exiguum Mez, Bot. Jahrb. Syst. 56, Beibl. 125: 3. 1921.

Colômbia, Peru, Bolívia e Paraguai. Brasil: N (PA e RN), NE (CE, MA, PB, PE e PI), CO (GO, MS e MT) e SE (MG).

Material selecionado: BRASIL. Goiás: Niquelândia, Macedo, 26/VI/1997, Oliveira et al. 766 (IBGE, SI).

13. P. glabripes Döll in Mart., Fl. bras. 2(2): 216. 1877.

Argentina e Uruguai. Brasil: S (PR, RS e SC).

Material selecionado: BRASIL. Paraná: São José dos Pinhais, Roseira, 5/XI/1961, Hatschbach 8444 (MBM).

14. P. gouinii E. Fourn., Mexic. pl. 2: 28. 1886.

Fig. 9.

México até Argentina e Uruguai. Brasil: N (PA), SE (SP) e S (PR e RS).

Material selecionado: BRASIL. Rio Grande do Sul: Eldorado do Sul (Guaíba), Estação Experimental Agronômica da UFRGS, I/1965, Machados.n. (BLA 4944).

15. P. hirsutum Sw., Fl. Ind. Occ. 1: 173. 1797.

México, América Central e do Sul. Brasil: N (PA).

Material selecionado: BRASIL. Pará: Cacanal Grande, s.d., Goeldi 111 (US).

16. P. ligulare Nees ex Trin., Gram. panic.: 206. 1826.

Venezuela. Brasil: NE (BA e PA), CO (DF e GO) e SE (MG).

Material selecionado: BRASIL. Minas Gerais: Joaquim Felício, Serra do Cabral, 14/IV/1996, Hatschbach et al. 64668 (MBM).

17. P. magnispicula Zuloaga, Morrone & Valls, Iheringia, Bot. 42: 5. 1992. Brasil: S (SC).

Material examinado: BRASIL. Santa Catarina: Água Doce, BR 153, 3/XII/1987, Valls et al. 11521 (CEN, SI).

18. P. miliaceum L., Sp. pl.: 58. 1753.

Nativa do Velho Mundo, introduzida e cultivada na América, ocorrendo algumas vezes como subespontânea.

Material selecionado: BRASIL. Minas Gerais: Belo Horizonte, 10/V/2000, Macedo 4066 (PAMG).

19.P. mucronulatum Mez, Bot. Jahrb. Syst. 56, Beibl. 125: 2. 1921.

Brasil: NE (AL e BA).

Material selecionado: BRASIL. Bahia: Dom Macedo Costa, 5/VII/1985, Noblick & Lemos 3955 (MBM, HUEFS).

20. P. mystasipum Zuloaga & Morrone, Iheringia, Bot. 42: 14. 1992.

Brasil: CO (GO).

Material selecionado: BRASIL. Goiás: Mineiros, Parque Nacional das Emas, 22/V/1993, Filgueiras 2479 (SI).

21. P. olyroides Kunth, Nov. Gen. Sp. 1: 102. 1816.

Fig. 10.

América do Sul. Brasil: N (PA), NE (MA e PB), CO, (DF, GO, MS e MT), SE (MG e SP) e S (PR, RS e SC).

Material selecionado: BRASIL. Rio Grande do Sul: Porto Alegre, Morro da Polícia, 14/XI/1988, Longhi-Wagner et al. 1769 (BLA, ICN).

22. P. pedersenii Zuloaga, Hickenia 1: 148. 1978.

Fig. 11.

Paraguai e Argentina. Brasil: S (RS).

Material selecionado: BRASIL. Rio Grande do Sul: Porto Alegre, Morro do Côco, 31/VII/1979, Bueno 1594 (ICN).

23. P. peladoense Henrard, Blumea 4: 504. 1941.

Fig. 12-13.

Bolívia, Paraguai, Argentina e Uruguai. Brasil: N (PA), CO (DF, GO, MS e MT), SE (MG e SP) e S (RS e SC).

Material selecionado: BRASIL. Rio Grande do Sul: Eldorado do Sul (Guaíba), Estação Experimental Agronômica da UFRGS, 20/I/1972, Potts.n. (BLA 11815).

24. P. quadriglume (Döll) Hitchc., Contr. U.S. Natl. Herb. 24: 460. 1927.

Fig. 14.

Peru, Bolívia, Paraguai e Argentina. Brasil: NE (MA), CO (GO, MS e MT) e SE (MG e SP).

Material selecionado: BRASIL. Mato Grosso: Ponta Porã, Ponto Alto, 12/II/1983, Hatschbach 46144 (MBM).

25. P. racemosum (P. Beauv.) Spreng., Syst. veg. 1: 313. 1825.

Fig. 15-16.

Chile, Argentina e Uruguai. Brasil: NE (CE), SE (ES, RJ e SP) e S (RS e SC).

Material selecionado: BRASIL. Rio Grande do Sul: Tramandaí, Nova Tramandaí, 2/XI/1974, Winge 219 (ICN).

26. P. repens L., Sp. pl. 2: 87. 1762.

Fig. 17.

Estados Unidos, Caribe, Belize e Argentina. Brasil: em todo o país, exceto no Rio Grande do Sul.

Material selecionado: BRASIL. Pará: Belém, IAN, 29/XI/1956, Black 56-18910 (IAN, UB).

27. P. rudgei Roem. & Schult., Syst. veg. 2: 244. 1817.

México, América Central e do Sul. Brasil: N (AM, AP, PA, RO e RR), NE (BA e PE), CO (DF, GO, MS e MT) e SE (MG, RJ e SP).

Material selecionado: BRASIL. São Paulo: MogiGuaçu, Fazenda Campininha, 26/I/1996, LonghiWagner et al. 3295 (HRCB).

28. P. stramineum Hitchc. & Chase, Contr. U.S. Natl. Herb 15: 67. 1910.

Estados Unidos, México, Venezuela, Peru, Bolívia, Paraguai e Argentina. Brasil: NE (CE e MA) e CO (MS e MT).

Material selecionado: BRASIL. Mato Grosso do Sul: Miranda, Guaicurus, Fazenda Bodoquena, 25/X/1978, Allem et al. 2145 (CEN, IBGE).

29. P. tricholaenoides Steud., Syn. pl. glumac. 1: 68. 1853.

América do Sul. Brasil: CO (MS), SE (MG) e S (PR, RS e SC).

Material selecionado: BRASIL. Minas Gerais: Formoso, Parque Nacional Grande Sertão Veredas, riacho Santa Rita, 5/XII/1997, Alvarenga 1140 (IBGE, SI).

Agradecimentos

Os autores agradecem aos curadores dos herbários revisados, pelo empréstimo de material. A primeira autora agradece ao CNPq, pela bolsa concedida.

Recebido em 04/04/2003. Aceito em 13/10/2003

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  • 1
    Parte da Tese de Doutorado da primeira Autora
  • 2
    Autor para correspondência:

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    23 Set 2004
  • Data do Fascículo
    Jun 2004

Histórico

  • Aceito
    13 Out 2003
  • Recebido
    04 Abr 2003
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