Identificação de termos oitocentistas relacionados às plantas medicinais usadas no Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro, Brasil

Identification of 19th century terms for medicinal plants used in the São Bento Monastery of Rio de Janeiro, Brazil

Maria Franco Trindade Medeiros Regina Helena Potsch Andreata Luci de Senna Valle Sobre os autores

Resumos

Em busca da identificação das plantas utilizadas na medicina do século XIX, este trabalho se deteve à análise dos seis códices intitulados "livros de receitas de medicamentos", depositados no Arquivo do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro (Brasil). O levantamento foi concretizado através da leitura sistemática dos mesmos visando à elaboração de uma listagem geral dos termos que faziam alusão às plantas usadas na prática diária da enfermaria e botica (farmácia) do mosteiro do Rio de Janeiro, no período de 1837 a 1840, 1860 e 1880. Assim, criou-se uma categoria de nomes populares presentes nas formulações, qual seja, a "referência direta", que passou a agrupar todos os nomes populares que faziam menção diretamente ao nome de um vegetal. Este grupo passou por um processo de identificação por meio de consulta à bibliografia especializada e de especialistas botânicos. Ao final desta etapa pode-se chegar às pistas taxonômicas referentes aos termos ligados às plantas. São, portanto, 150 referências diretas, das quais 92% (138) puderam ser identificadas botanicamente. Ao todo foram identificadas 152 espécies e variedades, pertencentes a 123 gêneros, englobados em 67 famílias. Estes documentos que versam sobre a prática médica brasileira, mais especificamente no tocante às plantas utilizadas em épocas passadas, constituem-se em fontes primárias de informação sobre o repertório de espécies conhecidas.

análise documental; Etnobotânica histórica; plantas medicinais; Rio de Janeiro; século XIX


In order to identify plants used for medicinal purposes in the 19th century, this work analyzed six codices entitled "books of medicinal formulations" kept in the archives of the São Bento Monastery of Rio de Janeiro, Brazil. The survey was carried out by way of a systematic reading of the six volumes and preparation of a list of terms that refer to plants used on a regular basis in the infirmary and pharmacy at the monastery in Rio de Janeiro from 1837 to 1840, and from 1860 to 1880. It was therefore possible to create a list of popular names from the formulas and this "direct reference" categorized the popular names that made direct reference to a given plant. These plants were then identified by consulting the specialized literature and botanists. At the end of this stage we obtained the taxonomic clues that made reference to the popular names of the plants. A total of 150 direct references to plants were encountered in the codices, of which 92% (138) were identified botanically, representing 67 families comprising 123 genera and 152 species and varieties. These documents record the history of medical practice in Brazil and constitute the primary reference source for information about the traditional repertoire of medicinal plant species used in the 19th century.

document analysis; historical ethnobotany; medicinal plants; Rio de Janeiro; 19th century


ARTIGOS

Identificação de termos oitocentistas relacionados às plantas medicinais usadas no Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro, Brasil1 1 Parte da tese de Doutorado da primeira Autora

Identification of 19th century terms for medicinal plants used in the São Bento Monastery of Rio de Janeiro, Brazil

Maria Franco Trindade MedeirosI,* * Autora para correspondência: mariaftm@hotmail.com ; Regina Helena Potsch AndreataII; Luci de Senna ValleIII

IUniversidade Federal Rural de Pernambuco, Departamento de Biologia, Laboratório de Etnobotânica Aplicada, Recife, PE, Brasil

IIUniversidade Santa Úrsula, Instituto de Ciências Biológicas e Ambientais, Laboratório de Angiospermas, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

IIIUniversidade Federal do Rio de Janeiro, Museu Nacional, Departamento de Botânica, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

RESUMO

Em busca da identificação das plantas utilizadas na medicina do século XIX, este trabalho se deteve à análise dos seis códices intitulados "livros de receitas de medicamentos", depositados no Arquivo do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro (Brasil). O levantamento foi concretizado através da leitura sistemática dos mesmos visando à elaboração de uma listagem geral dos termos que faziam alusão às plantas usadas na prática diária da enfermaria e botica (farmácia) do mosteiro do Rio de Janeiro, no período de 1837 a 1840, 1860 e 1880. Assim, criou-se uma categoria de nomes populares presentes nas formulações, qual seja, a "referência direta", que passou a agrupar todos os nomes populares que faziam menção diretamente ao nome de um vegetal. Este grupo passou por um processo de identificação por meio de consulta à bibliografia especializada e de especialistas botânicos. Ao final desta etapa pode-se chegar às pistas taxonômicas referentes aos termos ligados às plantas. São, portanto, 150 referências diretas, das quais 92% (138) puderam ser identificadas botanicamente. Ao todo foram identificadas 152 espécies e variedades, pertencentes a 123 gêneros, englobados em 67 famílias. Estes documentos que versam sobre a prática médica brasileira, mais especificamente no tocante às plantas utilizadas em épocas passadas, constituem-se em fontes primárias de informação sobre o repertório de espécies conhecidas.

Palavras-chave: análise documental, Etnobotânica histórica, plantas medicinais, Rio de Janeiro, século XIX

ABSTRACT

In order to identify plants used for medicinal purposes in the 19th century, this work analyzed six codices entitled "books of medicinal formulations" kept in the archives of the São Bento Monastery of Rio de Janeiro, Brazil. The survey was carried out by way of a systematic reading of the six volumes and preparation of a list of terms that refer to plants used on a regular basis in the infirmary and pharmacy at the monastery in Rio de Janeiro from 1837 to 1840, and from 1860 to 1880. It was therefore possible to create a list of popular names from the formulas and this "direct reference" categorized the popular names that made direct reference to a given plant. These plants were then identified by consulting the specialized literature and botanists. At the end of this stage we obtained the taxonomic clues that made reference to the popular names of the plants. A total of 150 direct references to plants were encountered in the codices, of which 92% (138) were identified botanically, representing 67 families comprising 123 genera and 152 species and varieties. These documents record the history of medical practice in Brazil and constitute the primary reference source for information about the traditional repertoire of medicinal plant species used in the 19th century.

Key words: document analysis, historical ethnobotany, medicinal plants, Rio de Janeiro, 19th century

Introdução

O estudo das evidências escritas constitui-se numa importante ferramenta para a investigação de diferentes aspectos da relação entre as sociedades humanas e as plantas na história passada (Medeiros 2009). Valendose de textos históricos deixados por cronistas, literatos, médicos, naturalistas, etc., a Etnobotânica histórica, a partir da análise minuciosa destas fontes primárias, reúne informações sobre a inter-relação estabelecida entre o homem de diferentes culturas e as plantas (Cotton 1996; Medeiros 2007). Alguns autores têm trabalhado sob este prisma, contribuindo para o resgate de informações e para uma interpretação do que hoje é vivenciado no âmbito da utilização de recursos vegetais como, por exemplo, Pardo-de-Santayana (2006), Giorgetti et al. (2007), Almeida et al. (2008), Brandão et al. (2008), Pollio (2008) e Luczaj (2008).

Neste sentido, os documentos que versam sobre a prática médica brasileira, mais especificamente no tocante às plantas utilizadas em épocas passadas, constituem-se em fontes primárias de informação sobre o repertório de espécies conhecidas. Um documento inédito que versa sobre o emprego de plantas medicinais no período oitocentista da história brasileira são os manuscritos intitulados "livros de receitas de medicamentos". Nestas evidências escritas são apresentadas as formulações que eram prescritas diariamente pelos médicos e cirurgiões da enfermaria do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro, na cidade do Rio de Janeiro (Brasil), e que, por sua vez, eram aviadas pelos boticários (farmacêuticos) da botica do dito mosteiro. Estes receituários retratam portanto, um período em que os monges beneditinos do mosteiro carioca mantinham atividades relacionadas às artes de curar. Através da terapêutica vigente naquele período, eram atendidos nas oficinas de enfermaria e botica os enfermos da própria comunidade religiosa, escravos, bem como a população da cidade em geral. Diante deste cenário, a análise, transcrição e identificação dos termos paleográficos contidos nas formulações que se relacionavam às espécies vegetais utilizadas na medicina do século XIX, presentes nos "livros de receitas de medicamentos", depositados no Arquivo do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro, tornaram-se o alvo de estudo do trabalho que aqui se apresenta.

Material e métodos

Procedeu-se à leitura dos seis volumes de manuscritos originais intitulados "livros de receitas de medicamentos", depositados no Arquivo do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro (AMSBRJ), localizado na cidade do Rio de Janeiro, Brasil. Estes se constituíram na fonte primária fornecedora dos termos que faziam alusão às plantas usadas na prática diária da enfermaria e botica do mosteiro do Rio de Janeiro durante o período compreendido por um triênio inicial - 1837 a 1839 - e as décadas subsequentes - 1840, 1860 e 1880, não sendo contempladas as décadas de 50 e 70 por ausência de informações nos manuscritos.

Os termos botânicos, relativos aos nomes populares das plantas, foram transcritos conforme a caligrafia da época (século XIX), optando-se por manter a versão da leitura paleográfica dos receituários analisados e, por isto, aparecem no texto entre aspas, excetuando-se nas tabelas para uma visualização mais clara das mesmas.

Com a coleta destas informações elaborou-se uma listagem geral das referências encontradas nos documentos. Fez-se também uma seleção dos dados entre três categorias propostas por Filgueiras & Peixoto (2002): referências diretas, "identificáveis" e "não identificáveis", com algumas adequações para o estudo em questão. As referências diretas fazem menção diretamente aos nomes populares das plantas medicinais utilizadas nabotica do mosteiro. Às plantas inseridas na categoria de "identificáveis" buscou-se atribuir nomes científicos a partir de consultas ao Chernoviz (1908) e Gomes (1876), livros de cunho médico-farmacêutico que eram extremamente difundidos e consultados na época. Com relação ao "Chernoviz" pode-se dizer que este guia médico foi utilizado por pessoas de diferentes categorias sociais e profissionais, como donos de boticas, religiosos, líderes políticos e matriarcas que cuidavam de pessoas doentes e necessitadas (Guimarães, 2005). Quando o nome popular de uma planta (a referência direta) aparecia neste processo de identificação com mais de uma possibilidade para a nomenclatura científica, todas elas foram anotadas. A nomenclatura botânica empregada na identificação necessitou de atualização devido às mudanças ocorridas desde o século XIX aos tempos atuais. Tal atualização foi realizada na base de dados Missouri Botanical Garden's VAST (VAScular Tropicos) nomenclatural database - W3 Tropicos (2006), The International Plant Names Index - IPNI (2006), em literatura especializada, além de passar por revisão nomenclatural de especialistas botânicos. A abreviatura dos nomes dos autores das espécies e variedades seguiu Brumitt & Powell (1992). O sistema de classificação adotado para Angiospermae e Pinophyta foi o Angiosperm Phylogeny Group - APG II (2003), para Pteridophyta o de Tryon & Tryon (1982), para Rodophyta o de Taylor (1967) e Wynne (1998) e para Ascomycota o de Kirk et al. (2001).

Resultados e discussão

Das 150 referências diretas, 92% (138) puderam ser identificadas botanicamente. Ao todo foram identificadas 152 espécies e variedades, pertencentes a 123 gêneros, englobados em 67 famílias (Tab. 1). Destas, somente cinco referências foram identificadas em nível genérico como, por exemplo, o "aloes" ao qual podem estar relacionadas diferentes espécies do gênero Asparagus L., não havendo especificação pela própria literatura da época. Para 12 referências diretas não foi possível chegar a uma identificação botânica, dentre estas citam-se a "alexandria" e o "pucilago". Na Carta de Caminha a D. Manoel I, na época do descobrimento, Filgueiras & Peixoto (2002) fazem menção a 45 termos referentes a plantas, dos quais 19 puderam ser identificados botanicamente. Em pesquisa realizada por Alcides (2005) sobre as espécies vegetais contidas na Historia naturalis Brasiliae, obra de Piso e Marcgrave que tinha como principal objetivo coletar e descrever espécies medicinais e alimentícias, foram apontadas 367 espécies vegetais descritas pelos autores. Ao estabelecer um paralelo entre o número de táxons usados na botica do Mosteiro de São Bento e a percepção do mundo vegetal de Caminha e membros da expedição de Cabral no século XVI, e os recursos naturais contemplados e estudados por Piso e Marcgrave no século XVII, percebe-se que há um incremento e depois um decréscimo no número de táxons mencionados ao longo dos séculos XVI, XVII e XIX. Esta comparação permite evidenciar que o universo de conhecimentos acerca dos vegetais sofre modificações no decorrer da história, por estar condicionado às questões políticas, econômicas, sociais e culturais daqueles que lançaram o "primeiro olhar" sobre o Novo Mundo, dos naturalistas que buscavam registrar todo o possível no que dissesse respeito ao uso de vegetais, dos médicos que faziam a anamnese dos doentes que recorriam à botica do mosteiro, e de boticários que manipulavam os medicamentos determinados pelas prescrições médicas.

As referências diretas encontradas nos manuscritos foram identificadas como fazendo parte das Angiospermae, Pteridophyta, Pinophyta, Rodophyta e Ascomycota. As Angiospermae foram as que obtiveram o maior número de famílias (61) e de espécies e variedades, representando um total de 95% (145) (Tab. 2).

Dentre as Angiospermae, as famílias mais representativas são Fabaceae (9%, 14 táxons), Asteraceae (7%, 11 táxons), seguidas de Lamiaceae, Rosaceae (5%, oito táxons cada) e Solanaceae (5%, sete táxons) (Fig. 1). Estas cinco famílias que contribuíam com o maior número de plantas usadas na botica do mosteiro representam 32% do total de táxons, o que também pode ser evidenciado em outros estudos. Em trabalhos de plantas medicinais realizados nos Estados do Amazonas, Pernambuco, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Rio Grande do Sul, as informações compiladas junto a comunidades locais normalmente indicam que as famílias Fabaceae, Asteraceae, Lamiaceae e Solanaceae estão ente as que encerram maior riqueza específica (cf. Almeida & Albuquerque 2002; Amorozo 2002; Boscolo & Senna-Valle 2008; Botrel et al. 2006; Garlet & Irgang, 2001; Marodin & Baptista 2001; Silva & Corrêa 1995). Este fato evidencia que estas famílias botânicas continuam sendo, desde o século XIX até os dias de hoje, as grandes fornecedoras de matéria-prima de uso medicinal, isto porque tratam-se de famílias que contêm ingredientes ativos, como óleos essenciais (Asteraceae, Lamiaceae), alcalóides (Solanaceae) e heterosídeos (Fabaceae), com atividades farmacológicas.


Apesar de se poder atribuir diferentes espécies à referência direta "avenca" (Barros & Andrade 1997), levou-se em consideração as informações do século XIX contidas em Chernoviz (1908), ficando assim definido que Adiantum capillus-veneris (Pteridaceae) seria a espécie a ser considerada. Santos & Sylvestre (2000) chamam a atenção para os poucos trabalhos de cunho etnobotânico que abordem as Pteridófitas que, no entanto, podem ser fontes preciosas de recursos para a medicina, paisagismo e alimentação.

Pinophyta incluiu espécies que forneciam à farmácia um óleo que, no caso do "zimbro" (Juniperus communis - Cupressaceae) era extraído das sementes e, nas Pinaceae ("pez de borgonha" - Pinus abies e "pinheiro" - Pinus maritima), extraía-se dos ramos novos (Chernoviz 1908).

Grupos como Ascomycota e Rodophyta incluíram as referências diretas "musgo islandico" ou "musgo islândico" e "musgo da corcega", que foram identificadas como Cetraria islandica e Gigartina helminthocorton, respectivamente. Fato curioso é o nome popular destas duas espécies trazerem em si uma referência "enganosa" aos musgos, uma vez que não se tratam de Briófitas. Ainda em Ascomycota, foi citada a referência "centeio espigado" (Claviceps purpurea - Clavicipitaceae), um fungo que tem como planta hospedeira espécies de Poaceae, principalmente o centeio (Triticum cereale), como indicado por Mendes et al. (1998).

Do elenco passível de identificação, 15 referências estão relacionadas a mais de uma espécie (Tab. 1). "Favas" foi a única referência que apresentou dupla possibilidade de identificação específica, sendo cada uma delas pertencente a famílias botânicas distintas: Physostigma venenosum - Fabaceae e Strychnos ignatii - Loganiaceae.

Das 152 espécies e variedades 16% (25) são de plantas nativas do Brasil (Tab. 4) e 84% (127) são de exóticas, mormente européias. Para duas referências diretas foram encontradas duas possibilidades de identificação, sendo uma espécie nativa e a outra exótica (Tab. 1). Foi o caso do "alcassus", que apareceu relacionado às espécies Glycyrrhiza glabra e Periandra mediterranea, sendo esta última uma planta nativa usualmente empregada no lugar da primeira, sendo ambas utilizadas para edulcorar as tisanas e para confeccionar pílulas (Anesi 1913; Araújo 1916). A outra referência direta com dupla possibilidade de identificação nativa/ exótica foi a "centauria menor", que poderia ser Centaurium erythraea, uma planta exótica, comum em Portugal, ou seria a Deianira pallescens e Deianira nervosa, espécies nativas das "partes montanhosas do Brasil Central" (Chernoviz 1908). Esta utilização de elevado número de espécies exóticas com fins terapêuticos foi também documentado por Medeiros et al. (2005), em pesquisa desenvolvida junto a sitiantes que residem em área de Mata Atlântica, como igualmente observaram Silva & Andrade (1998), em levantamento das espécies medicinais de duas aldeias da tribo Xucuru (em Pernambuco). Amorozo (2002) nota que o uso de plantas medicinais por comunidades locais pode ser desvalorizado e restringido pelas novas opções de cuidados com a saúde, trazidas pela "modernização", o que acaba gerando um abandono das práticas tradicionais de cura, além do que a substituição de ambientes naturais por artificiais destinados ao cultivo pode acarretar na sobreposição de novos valores aos antigos exercidos. Esta ocorrência da flora medicinal ser em grande parte composta por espécies exóticas sugere que o aporte cultural de comunidades locais que passam a residir em áreas mais expostas ao contato com o conhecimento e uso de plantas introduzidas, como também a proximidade de recursos institucionalizados de saúde, modifica o rol de plantas medicinais nativas conhecidas pelos indivíduos. Vê-se então que diferentes aportes podem influenciar a seleção de espécies vegetais nativas e exóticas, repercutindo no conhecimento e ação das populações humanas em processos que são dinâmicos e diferenciados ao longo da história. Porém, apesar de todas as intervenções o ser humano dá continuidade ao uso expressivo de espécies outrora usadas.

Sugere-se que o avivamento desta memória é uma rica fonte de pistas acerca do emprego de plantas medicinais.

Agradecimentos

Ao Dom Abade Roberto Lopes, Dom Abade Filipe da Silva e Dom João Evangelista Martins Afonso de Paiva e aos funcionários do Arquivo do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro pela acolhida de nossa proposta de pesquisa de tese; à Maria José Franco Trindade Medeiros pela leitura do texto, ao Alexandre Muta pelo auxílio no ajuste técnico da imagem, à Dra. Mariângela Menezes, à Dra. Fátima Gil, à Dra. Elsie FranklinGuimarães, à Dra. Lúcia d'Ávila F. de Carvalho, ao Dr. Anibal Alves de C. Junior, ao Dr. Roberto Esteves, ao Dr. João Marcelo A. Braga, ao Dr. Massimo G. Bovini, ao M.Sc. Frederico Tapajós de S. Tâmega, à Dr. Claudine Mynssen e ao Robson D. Ribeiro, especialistas que dispensaram seu tempo e atenção à atualização da identificação botânica, e indicação de literatura específica; à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pela bolsa de doutorado e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pela bolsa de pós-doutorado e de produtividade concedidas à primeira autora e à segunda autora, respectivamente.

Referências

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Recebido em 19/04/2010.

Aceito em 19/06/2010

  • *
    Autora para correspondência:
  • 1
    Parte da tese de Doutorado da primeira Autora
    • Alcides, M.M. 2005. Historia naturalis Brasiliae: um estudo do registro botânico holandês seiscentista. 2005. 205 f. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento e Meio Ambiente - PRODEMA) - Universidade Federal de Alagoas, Alagoas.
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    * Autora para correspondência: mariaftm@hotmail.com 1 Parte da tese de Doutorado da primeira Autora

    Datas de Publicação

    • Publicação nesta coleção
      10 Nov 2010
    • Data do Fascículo
      Set 2010

    Histórico

    • Aceito
      19 Jun 2010
    • Recebido
      19 Abr 2010
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