A verdadeira prevalência da hipertensão resistente

Hipertensão; Prevalência; Adesão à Medicação

CARTA AO EDITOR

A verdadeira prevalência da hipertensão resistente

Andréa Rodrigues SabbatiniI; Vanessa FontanaI; Heitor Moreno JrII

ILaboratório de Farmacologia Cardiovascular, Departamento de Farmacologia, Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Estadual de Campinas, SP – Brasil

IIAmbulatório de Hipertensão Resistente, Departamento de Medicina Interna, Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Estadual de Campinas, SP – Brasil

Correspondência

Palavras-chave: Hipertensão; Prevalência; Adesão à Medicação.

Prezado Editor,

A real prevalência de hipertensão resistente (HR) é desconhecida, ao menos em parte, porque sua definição não é universalmente aceita. Nós lemos, com grande interesse, o artigo publicado por Massierer e cols.1, demonstrando que a frequência de pacientes com HR verdadeira é mais baixa (3,0-4,5% da população geral de hipertensos) no atendimento clínico quando comparada com a prevalência de 14,5% estimada com base em dados do Spanish ABPM Registry2. A nosso ver, esta última estimativa não leva em conta dados relacionados a hipertensão não controlada por tratamento não otimizado e falta de aderência, por exemplo. Assim, a prevalência de HR observada por Massierer e cols.1 é, provavelmente, muito mais próxima da real, tendo-se em vista que alguns erros em virtude de inconsistências na definição dessa condição, falta de critérios rígidos e ausência de controle da qualidade de dados foram corretamente abordados.

Carta-resposta

Agradecemos o interesse dos colegas em nosso trabalho1. Conhecer-se a real frequência de doenças é indispensável para o planejamento de cuidados e alocação de recursos. Por vezes, estimativas são artificialmente aumentadas em virtude de vieses de seleção. É o que se configura no presente caso, a prevalência de hipertensão resistente. Concordo com os colegas quanto ao entendimento de que essa prevalência está superestimada. Definição de diagnóstico e bases amostrais não representativas contribuem para isso, mas cabe destacar que muitos pacientes estão nessa condição por insuficiente adesão ao tratamento. Em termos pragmáticos, pacientes com pressão elevada porque não tomam medicamentos estão sob risco similar aos que tomam e não têm adequada resposta. Para os primeiros cabe empregar todas as técnicas e energias para convencê-los a tomar os medicamentos, deixando para os segundos, bem menos frequentes, o emprego de métodos diagnósticos e terapêuticos avançados.

Atenciosamente,

Flávio Danni Fuchs, Daniela Massierer, Ana Claudia Tonelli de Oliveira, Ana Maria Steinhorst, Miguel Gus, Aline Maria Ascoli, Sandro Cadaval Gonçalves, Leila Beltrami Moreira, Vicente Correia Jr, Gerson Nunes, Sandra Costa Fuchs.

Referência (Carta-resposta)

Artigo recebido em 24/07/12; revisado em 24/07/12; aceito em 23/0812.

  • 1. Massierer D, Oliveira AC, Steinhorst AM, Gus M, Ascoli AM, Goncalves SC, et al. Prevalence of resistant hypertension in non-elderly adults: prospective study in a clinical setting. Arq Bras Cardiol. 2012;99(1):630-5.
  • 2. de la Sierra A, Banegas JR, Oliveras A, Gorostidi M, Segura J, de la Cruz JJ, et al. Clinical differences between resistant hypertensives and patients treated and controlled with three or less drugs. J Hypertens. 2012;30(6):1211-6.
  • 1. Massierer D, Oliveira AC, Steinhorst AM, Gus M, Ascoli AM, Goncalves SC, et al. Prevalence of resistant hypertension in non-elderly adults: prospective study in a clinical setting. Arq Bras Cardiol. 2012;99(1):630-5.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    22 Nov 2012
  • Data do Fascículo
    Nov 2012

Histórico

  • Recebido
    24 Jul 2012
  • Aceito
    23 Ago 2012
  • Revisado
    24 Jul 2012
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