Racional: A obesidade é uma doença multifatorial de alta prevalência que leva ao deenvolvimento de diversas comorbidades, representando desafios significativos para os sistemas de saúde. A cirurgia bariátrica e metabólica (CBM) consolidou-se como o tratamento mais eficaz para pacientes com obesidade; entretanto, no Brasil, o acesso limitado continua sendo uma barreira crítica.
Objetivos: Avaliar as características clínicas, demográficas e metabólicas de pacientes com obesidade submetidos à CBM no Sistema Único de Saúde brasileiro e analisar a relação entre o tempo de espera e as comorbidades.
Métodos: Foi realizado um estudo de coorte retrospectiva envolvendo 1.000 pacientes com obesidade subemtidos a tratamento entre julho de 2022 e junho de 2024. Variáveis clínicas, antropométricas e laboratoriais foram analisadas por meio de análise de regressão e testes estatísticos para avaliar a associação entre o tempo de espera e as comorbidades.
Resultados: Foi encontrada correlação significativa entre maior tempo de espera e aumento do número de comorbidades (R²=0,686; p<0,001). Além disso, o número de comorbidades explicou 60% da variabilidade do tempo de espera (R²=0,600; p<0,001), com aumento médio de 1,92 anos para cada comorbidade adicional (IC95% 1,82–2,02). Pacientes que permaneceram na lista de espera por mais de 10 anos apresentaram maiores taxas de hipertensão arterial, diabetes mellitus tipo 2 e dislipidemia. O tempo de espera também impactou parâmetros da síndrome metabólica, incluindo hemoglobina glicada (Hb1Ac) (r=+680, p=0,031), lipoproteína de baixa densidade (LDL) (r=+640, p=0,044) e colesterol total (r=+830, p=0,008).
Conclusões: O tempo prolongado de espera para a CBM está associado a uma maior carga de comorbidades metabólicas e às suas consequências.
Descritores:
Cirurgia bariátrica; Síndrome metabólica; Saúde pública; Demografia; Obesidade
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