Revendo o diagnóstico: mixedema tuberoso de Dossekker

Tatiana Jerez Jaime Alexandre Carlos Gripp

CORRESPONDÊNCIA

Revendo o diagnóstico: mixedema tuberoso de Dossekker

Tatiana Jerez JaimeI; Alexandre Carlos GrippII

IMédica especialista pela SBD, pós graduada em Dermatologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro (RJ), Brasil

IIProfessor assistente do serviço de Dermatologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Mestre em Dermatologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF) - Rio de Janeiro (RJ), Brasil

Endereço para correspondência

Prezado Editor,

É com grande honra que respondo à carta enviada ao editor pelo Dr. Nelson Proença, grande nome da Dermatologia brasileira, sobre o caso "Mucinose papulosa associada ao hipotireoidismo" publicado no primeiro número de 2010 destes Anais.

Trata-se de um caso do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, que por ocasião da publicação havia sido diagnosticado como espécie de mucinose cutânea, porém ainda não havia sido submetido a qualquer tratamento. Atualmente a paciente encontrase em acompanhamento no ambulatório de dermatologia do HUPE, onde trata-se de pitiríase versicolor recorrente. Suas lesões pelo depósito de mucina já não existem mais. Tais lesões regrediram alguns meses após o início do uso do hormônio tireoidiano para tratamento do hipotireoidismo, parafraseando o próprio Dr. Nelson e seus colegas, "assim como se desfaz a neve sob o sol". A paciente é também seguida pela endocrinologia e encontra-se com a doença tireoidiana sob controle.

Frente à evolução do caso, podemos afirmar com maior certeza que trata-se de um novo caso de Mixedema Tuberoso de Dosseker (MTD). Nosso caso apresentava lesões exuberantes, porém menos intensas que o publicado anteriormente pelos colegas da Santa Casa de São Paulo. O tempo para piora e aumento das lesões também foi mais lento em nosso caso. A resposta das lesões cutâneas ao tratamento para a doença tireoidiana é fato de suma importância para os casos relatados de MTD. Como não era certa a evolução da paciente frente ao tratamento da doença tireoidiana, utilizamos a terminologia "mucinose papulosa" que consideramos mais ampla e corretamente embasada pelo aspecto histopatológico e etiológico. Frente aos dados atuais, concordamos com o Dr. Nelson Proença e reformulamos nosso diagnóstico, afirmando que publicamos o segundo caso brasileiro do raríssimo Mixedema Tuberoso de Dosseker.

AGRADECIMENTOS

Agradecimentos: residentes e pós graduandos do serviço de Dermatologia do HUPE/UERJ e Camila e Denise, secretárias do serviço.

  • 1.  Proença NG, Alonso FF, Campana JO, Müller H - Mixedema tuberoso atípico de Dossekker. An Bras Dermatol. 1980; 55: 39-44.
  • 2.  Volpato & col. Mucinose papulosa asociada ao hipotiroidismo. An Bras Dermatol 2010, 85(1) :89-92.
  • 3.  Rongioletti F, Rebora A. Updated classification of papular mucinosis, lichen myxedematosus, and scle romyxedema. J Am Acad Dermatol. 2001;44:273-81.

  • Endereço para correspondência:
    Tatiana Jerez Jaime
    Al. Tókio, 224 - Tamboré 3
    06543 050 Santana de Parnaíba - SP, Brasil

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    24 Set 2010
  • Data do Fascículo
    Jun 2010
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