Controle glicêmico e lipídico no paciente diabético em diálise

OBJETIVO: Avaliar as características dos cuidados clínicos dos pacientes em diálise, comparar o controle glicêmico e lipídico entre os pacientes diabéticos em hemodiálise (HD) e em diálise peritoneal (DP) e correlacionar os dados laboratoriais com biomarcadores de risco cardiovascular. SUJEITOS E MÉTODOS: A primeira etapa consistiu de um questionário abordando variáveis demográficas, questões sobre a equipe multidisciplinar, incluindo a equipe médica e sobre o controle glicêmico. Na segunda, os pacientes foram avaliados com exames laboratoriais para controle glicêmico e perfil lipídico numa unidade de HD e DP. RESULTADOS: Dos 91 pacientes avaliados, setenta (77%) responderam ao questionário. Destes, 66 (94%) consideraram o nefrologista o médico responsável pelo cuidado do seu controle glicêmico. Na segunda etapa, foram avaliados 59 pacientes: 29 em HD e 30 em DP. Cinquenta e sete por cento dos pacientes diabéticos em diálise apresentaram HbA1c acima de 7%, sendo que aqueles em diálise peritoneal apresentam níveis de marcadores glicêmicos significativamente piores do que os pacientes diabéticos em HD, HbA1c: (9,37 ± 0,5) vs. (7,37 ± 0,49) p < 0.01; glicemia de jejum: (170 ± 15) vs. (126 ± 15) mg/dL, p < 0.05. Encontramos uma correlação positiva entre HbA1c e hiperfibrinogenemia (r = 0.4437, p < 0.0005). CONCLUSÕES: Nossos dados permitem inferir que o controle glicêmico da população diabética em terapia renal de substituição (TRS) é negligenciado. A diálise peritoneal está relacionada com piora nos níveis de marcadores glicêmicos, possivelmente em decorrência do conteúdo de glicose das soluções de diálise, e os níveis elevados de HbA1c estão associados com hiperfibrinogenemia nesta população.

Controle glicêmico; resistência insulínica; doença renal crônica; diálise peritoneal; inflamação


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