Persistência da artéria trigeminal intrasselar e simultâneo adenoma de hipófise: descrição de dois casos e importância para o diagnóstico diferencial das lesões selares

Marcio Carlos Machado Sergio Kodaira Nina Rosa Castro Musolino Sobre os autores

Persistência da artéria trigeminal (PAT) é a comunicação embrionária mais frequente entre os sistemas carotídeo e vertebrobasilar. No entanto, alterações hormonais ou associação de PAT com outras lesões selares, como adenomas hipofisários, são extremamente raros. O objetivo do presente estudo foi relatar dois pacientes com PAT intrasselar e concomitante adenoma hipofisário e enfatizar a importância para o diagnóstico diferencial de lesões selares. Caso 1. Paciente do sexo feminino, 41 anos, admitida com história de cefaleia crônica (> 20 anos). Ressonância magnética (RM) de hipófise mostrou imagem arredondada na porção esquerda da glândula sugestiva de adenoma (provavelmente adenoma clinicamente não funcionante). Adicionalmente, a RM demonstrou ectasia da artéria carótida interna direita e imagem sugestiva de artéria intrasselar, posteriormente confirmada por angio-RM dos vasos cerebrais como PAT. Caso 2. Paciente do sexo feminino, 42 anos, admitida com história de amenorreia e galactorreia em 1994. A investigação laboratorial revelou hiperprolactinemia. RM de hipófise mostrou pequena área de hipossinal na porção anterior da glândula sugestiva de microadenoma, sendo iniciado agonista dopaminérgico. Na evolução, além da primeira lesão, a RM mostrou uma imagem arredondada bem delimitada dentro da glândula pituitária semelhante a vaso sanguíneo. Angio-RM confirmou PAT primitiva esquerda. A falta de reconhecimento de tais vasos anômalos dentro da sela túrcica pode levar a sérias complicações durante a cirurgia transesfenoidal. Portanto, apesar de sua ocorrência não ser comum, o conhecimento de lesões vasculares dentro da sela túrcica ou glândula hipofisária é importante para o diagnóstico diferencial de lesões da hipófise, especialmente com adenomas hipofisários.


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