Freqüência de cães reagentes para Neospora caninum em São Luís, Maranhão

Frequency of Neospora caninum in dogs from São Luís, Maranhão

W.C. Teixeira M.I.S. Silva J.G. Pereira A.M. Pinheiro M.A.O. Almeida L.F.P. Gondim Sobre os autores

Resumo

The frequency of antibodies to Neospora caninum (Protozoa: Apicomplexa) in dog sera was investigated. Blood samples from 100 mongrel dogs, captured in the streets of São Luís, State of Maranhão, were analized using imunofluorescent antibody test. Forty five percent of the dogs were positive, and the titers ranged from 1:50 to 1:800. No sex difference was observed for frequency of N. caninum (60% in males and 40% in females). This is the first report of antibodies to N. caninum in dogs from Maranhão.

dog; frequency; Neospora caninum; indirect imunofluorescent; Maranhão; Brazil


dog; frequency; Neospora caninum; indirect imunofluorescent; Maranhão; Brazil

cão; freqüência; Neospora caninum; imunoflorescência indireta; Maranhão

COMUNICAÇÃO COMMUNICATION

Freqüência de cães reagentes para Neospora caninum em São Luís, Maranhão

Frequency of Neospora caninum in dogs from São Luís, Maranhão

W.C. TeixeiraI, III; M.I.S. SilvaI; J.G. PereiraI; A.M.. PinheiroII; M.A.O. AlmeidaII; L.F.P. GondimII

IUniversidade Estadual do Maranhão Caixa Postal 09 65055-970 - São Luís, MA

IIEscola de Medicina Veterinária – UFBA – Salvador, BA

IIIBolsista BIC/FACT

Palavras-chave: cão, freqüência, Neospora caninum, imunoflorescência indireta, Maranhão

ABSTRACT

The frequency of antibodies to Neospora caninum (Protozoa: Apicomplexa) in dog sera was investigated. Blood samples from 100 mongrel dogs, captured in the streets of São Luís, State of Maranhão, were analized using imunofluorescent antibody test. Forty five percent of the dogs were positive, and the titers ranged from 1:50 to 1:800. No sex difference was observed for frequency of N. caninum (60% in males and 40% in females). This is the first report of antibodies to N. caninum in dogs from Maranhão.

Keywords: dog, frequency, Neospora caninum, indirect imunofluorescent, Maranhão, Brazil

Neospora caninum (Protozoa: Apicomplexa) é um protozoário intracelular, relatado primeiramente em cães (Bjerkås et al., 1984; Dubey et al., 1988) e posteriormente associado a aborto em bovinos (Thislsted e Dubey, 1989). Os cães são os hospedeiros definitivos (McAllister et al., 1998).

Este trabalho registra a infecção natural por N. caninum em cães do município de São Luís, Maranhão, por meio de estudo sorológico.

Foram colhidas amostras de sangue, por punção da veia radial, de 100 cães adultos (53 machos e 47 fêmeas), sem raça definida, capturados pelo Centro de Controle de Zoonoses em São Luís, MA. As amostras foram centrifugadas a 1500rpm, por cinco minutos para obtenção dos soros, que foram estocados em tubos tipo eppendorf e mantidos a 20ºC, até a realização do teste de imunofluorescência indireta (IFI) para detecção de anticorpos para N. caninum. Consideraram-se positivas as amostras reativas no ponto de corte 1:50, conforme técnica descrita por Dubey et al. (1988).

Para análise dos resultados, foi utilizado o teste do qui-quadrado.

Do total de amostras séricas, 45 foram positivas, sendo 60% de machos e 40% de fêmeas. Não houve diferença de freqüência quanto ao sexo. Basso et al. (2001), Patitucci et al. (2001), Souza et al. (2002) e Cañón-Franco et al. (2003) também não observaram diferença na soroprevalência em relação ao sexo, sugerindo que machos e fêmeas podem ser igualmente infectados.

Para a determinação de anticorpos para N. caninum, usou-se a técnica da IFI, empregada na maioria dos trabalhos sorológicos em cães (Björkman e Uggla, 1999). A diluição de corte 1:50 permite diferenciar os animais infectados dos não infectados. Dessa forma, os animais positivos são considerados infectados no momento da colheita das amostras.

Os títulos de anticorpos para N. caninum variaram de 1:50 a 1:800 (Tab. 1). Observou-se elevada freqüência de cães soropositivos (31,1%), com título de 1:50, semelhante a resultados descritos por Trees et al. (1993) e Barber et al. (1997, o que poderia sugerir falsos positivos, atribuído a reações inespecíficas de anticorpos, principalmente com Toxoplasma gondii, que reagiria de forma cruzada. Trees et al. (1993) não evidenciaram nenhuma relação entre anticorpos anti-N. caninum e anti-T.gondii, por meio da IFI em cães infectados.

De acordo com Dubey et al. (1988) e Hay et al. (1990), títulos de anticorpos IgG >1:400 são indicativos de quadro de neosporose clínica. Neste levantamento, foram detectados seis cães com títulos >1:400, sem apresentar sinais clínicos da doença.

Dados de prevalência relatados na literatura têm ampla variação desde 1% nas Ilhas Malvinas (Barber et al., 1997) até 29%, na Itália (Gringoli et al., 1996).

Evidência sorológica de infecção por Neospora em cães, na América do Sul, foi primeiramente descrita por Barber et al. (1997) em cães do Uruguai e nas Ilhas Malvinas, em pesquisa utilizando-se IFI em 1554 soros de três continentes (África, América do Sul e Oceania). Anticorpos para N. caninum foram posteriormente relatados em cães da Argentina (Basso et al., 2001), Brasil (Gennari et al., 2002; Cañón-Franco et al., 2003; Fernandes et al., 2004) e Chile (Patitucci et al., 2001).

No Brasil, a infeção por N. caninum em cães foi relatada em Uberlândia-MG (Fernandes et al., 2004), no Paraná (Souza et al., 2002), em São Paulo-SP (Gennari et al., 2002), em Jaboticabal-SP (Rached et al., 2001) e em Monte Negro-RO (Cañón-Franco et al., 2003). Este é o primeiro registro no estado do Maranhão. Os percentuais de animais soropositivos citados por esses autores variaram, mas foram inferiores aos obtidos neste estudo.

Gennari et al. (2002) observaram soroprevalência de 40,1% em cães de rua (25/61) e de 20%, em cães com domicílio fixo. Cães de áreas periurbanas apresentaram soroprevalência mais alta do que os de áreas urbanas (Fernandes et al., 2004). Os animais com acesso à rua ou contato com outras espécies animais podem ser mais freqüentemente infectados com N. caninum (Gennari et al., 2002; Fernandes et al., 2004). Patitucci et al. (2001) observaram diferenças no percentual de cães positivos que comiam carne crua (29,5%). Também Cañón-Franco et al. (2003) mencionaram que a proporção de cães soropositivos sob dieta caseira foi maior do que a de cães alimentados com comida comercial.

Essas observações poderiam explicar a alta prevalência detectada neste estudo, desse modo, cães de rua poderiam desempenhar importante papel epidemiológico na disseminação de N. caninum.

Recebido em 11 de abril de 2005

Aceito em 6 de março de 2006

Autor para correspondência (corresponding author)

E-mail: whabtyfranct@yahoo.com.br

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    06 Out 2006
  • Data do Fascículo
    Ago 2006

Histórico

  • Recebido
    11 Abr 2005
  • Aceito
    06 Mar 2006
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