Alterações hematológicas detectadas em cães infectados por Hepatozoon canis em um município do estado do Mato Grosso do Sul, Brasil

L.M. Paiz R.C. Silva F. Satake T.L. Fraga Sobre os autores

RESUMO

Realizou-se estudo retrospectivo de laudos hematológicos de nove cães detectados com infecção por Hepatozoon canis, por meio de exame microscópico de esfregaços sanguíneos, em um laboratório no município de Dourados, Mato Grosso do Sul, Brasil. Este estudo objetivou avaliar o perfil hematológico dos cães infectados, além da ocorrência de coinfecções com outros agentes que infectam células sanguíneas, tendo em vista que estudos a respeito da hepatozoonose canina no Brasil são escassos e que existem algumas divergências a respeito da infecção por H. canis que ainda requerem esclarecimento. Os nove casos de infecção por H. canis foram identificados dentre todos os cães examinados no laboratório estudado, em 2009 e 2010, com uma ocorrência de 7/1.192 (0,59%; IC 95% 0,15 - 1,02%) cães positivos no primeiro ano e de 2/1.313 (0,15%; IC 95% 0,02 - 0,55%) em 2010. A análise dos laudos hematológicos dos nove cães evidenciou a ocorrência de coinfecção entre H. canis e outros agentes em dois (2/9; 22,22%; IC 95% 2,81 - 60,00%) desses cães, um deles com E. canis e outro com Babesia spp. (1/9; 11,11%; IC 95% 0,28 - 48,24%). Apenas o exame sanguíneo de um cão não evidenciou alterações, com base nos valores de referência. Anemia foi a alteração hematológica mais frequentemente observada (6/9; 66,67%; IC 95% 29,93 - 92,51%). Embora a ocorrência de infecções por H. canis neste estudo tenha sido baixa, alterações hematológicas significativas foram observadas na maioria dos cães infectados. Coinfecções com Babesia spp. e E. canis foram observadas em dois cães, não sendo possível atribuir exclusivamente a H. canis as alterações hematológicas detectadas nesses animais. Estudos longitudinais seriam fundamentais para determinar a causalidade dessas alterações. Os resultados ressaltam a importância de realizar diagnóstico diferencial em cães quando há suspeita clínica de infecção por hemoparasitas, uma vez que as alterações hematológicas em cães infectados por H. canis são bastante variáveis.

Palavras-chave:
Hepatozoon canis; coinfecção; anemia; eritrograma; leucograma

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