Balanço eletrolítico da dieta e desempenho de frangos em condições naturais de estresse calórico

Electrolyte balance of diets under performance of broiler in naturals conditions of heat stress

Resumos

Avaliou-se o efeito da suplementação de eletrólitos sobre o desempenho de frangos, utilizando bicarbonato de sódio (NaHCO3) e cloreto de potássio (KCl) para ajuste do balanço eletrolítico da dieta (BED) com duas porcentagens de proteína bruta (PB). Utilizaram-se 800 frangos machos, alojados em 20 boxes, distribuídos em delineamento inteiramente ao acaso, com quatro tratamentos, cinco repetições e 40 aves por unidade experimental. Os tratamentos foram: dieta basal; dieta sem redução de PB suplementada com eletrólitos para ajuste do BED para 250mEq/kg; dieta com redução de PB, sem suplementação de eletrólitos; e dieta com redução de PB, com eletrólitos para ajuste do BED para 250mEq/kg. Foram avaliados: consumo da dieta, peso final, ganho de peso, ganho de peso médio diário, conversão alimentar e calórica e eficiência de utilização de nitrogênio e lisina nas fases de sete a 21 e de sete a 42 dias. Não se observaram diferenças (P>0,05) no consumo da dieta. A correção do BED com menor teor de PB melhorou (P<0,05) o peso final, na fase inicial. Houve piora (P<0,05) no ganho de peso e na conversão alimentar nas duas fases. A redução de três pontos percentuais na PB da dieta piorou o desempenho dos frangos.

frango; eletrólito; equilíbrio acidobásico; proteína bruta


The effect of the supplementation of electrolytes on de performance of broilers using sodium bicarbonate (NaHCO3) and potassium chloride (KC1) to adjust the electrolytic balance of the diet (BED) with two percentages of raw protein (PB) was studied. 800 male broiler chickens, housed in 20 boxes, distributed in random lineation, with four treatments, five repetitions and 40 birds per experimental unit were used. The treatments were: base diet; diet with no reduction of PB supplemented with electrolytes to adjust BED to 250mEq/kg; diet with a reduction of PB, with no electrolyte supplementation; and diet with the reduction of PB, with electrolytes to adjust the BED to 250mEq/kg. What was evaluated was: diet consumption, final weight, weight gain, average daily weight gain, food conversion and caloric efficiency of the use of nitrogen and lysine in phases from 7 to 21 and 7 to 42 days. No differences were observed (P>0.05) in diet consumption. The correlation of BED with the lower percentage of PB improved (P<0.05) the final weight in the initial phase. Weight gain and food conversion worsened (P<0.05) in both phases. The reduction of three percentage points in the PB in the diet worsened the broiler chicken's performance.

chicken; electrolyte; acid-base balance; raw protein


ZOOTECNIA E TECNOLOGIA E INSPEÇÃO DE PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL

M.B. MatosI; R.A. FerreiraII; H.P. CoutoI; V.D.L. SavarisIV; R.T.R.N. SoaresI; N.T.E. OliveiraIII

IUniversidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro - UENF/CCTA/LZNA - Campos dos Goytacazes, RJ

IIUniversidade Federal do Vale do Jequitinhonha e Mucuri - UFVJM/DZO

IIIUniversidade do Oeste do Paraná - UNIOESTE

IVZootecnista autônomo

RESUMO

Avaliou-se o efeito da suplementação de eletrólitos sobre o desempenho de frangos, utilizando bicarbonato de sódio (NaHCO3) e cloreto de potássio (KCl) para ajuste do balanço eletrolítico da dieta (BED) com duas porcentagens de proteína bruta (PB). Utilizaram-se 800 frangos machos, alojados em 20 boxes, distribuídos em delineamento inteiramente ao acaso, com quatro tratamentos, cinco repetições e 40 aves por unidade experimental. Os tratamentos foram: dieta basal; dieta sem redução de PB suplementada com eletrólitos para ajuste do BED para 250mEq/kg; dieta com redução de PB, sem suplementação de eletrólitos; e dieta com redução de PB, com eletrólitos para ajuste do BED para 250mEq/kg. Foram avaliados: consumo da dieta, peso final, ganho de peso, ganho de peso médio diário, conversão alimentar e calórica e eficiência de utilização de nitrogênio e lisina nas fases de sete a 21 e de sete a 42 dias. Não se observaram diferenças (P>0,05) no consumo da dieta. A correção do BED com menor teor de PB melhorou (P<0,05) o peso final, na fase inicial. Houve piora (P<0,05) no ganho de peso e na conversão alimentar nas duas fases. A redução de três pontos percentuais na PB da dieta piorou o desempenho dos frangos.

Palavras-chave: frango, eletrólito, equilíbrio acidobásico, proteína bruta

ABSTRACT

The effect of the supplementation of electrolytes on de performance of broilers using sodium bicarbonate (NaHCO3) and potassium chloride (KC1) to adjust the electrolytic balance of the diet (BED) with two percentages of raw protein (PB) was studied. 800 male broiler chickens, housed in 20 boxes, distributed in random lineation, with four treatments, five repetitions and 40 birds per experimental unit were used. The treatments were: base diet; diet with no reduction of PB supplemented with electrolytes to adjust BED to 250mEq/kg; diet with a reduction of PB, with no electrolyte supplementation; and diet with the reduction of PB, with electrolytes to adjust the BED to 250mEq/kg. What was evaluated was: diet consumption, final weight, weight gain, average daily weight gain, food conversion and caloric efficiency of the use of nitrogen and lysine in phases from 7 to 21 and 7 to 42 days. No differences were observed (P>0.05) in diet consumption. The correlation of BED with the lower percentage of PB improved (P<0.05) the final weight in the initial phase. Weight gain and food conversion worsened (P<0.05) in both phases. The reduction of three percentage points in the PB in the diet worsened the broiler chicken's performance.

Keywords: chicken, electrolyte, acid-base balance, raw protein

INTRODUÇÃO

A avicultura brasileira desenvolveu-se rapidamente e tem alcançado padrões elevados de produtividade, levando o país a ser o maior exportador de frangos de corte do mundo, devido ao mais baixo custo de produção. No entanto, a atividade continua apresentando desafios à medida que atinge os mais altos patamares de produtividade delineados pelo melhoramento genético. Entre estes desafios estão o calor e a alta umidade relativa do ar no ambiente de criação, os quais podem limitar a expressão do potencial genético.

O uso de eletrólitos via água de bebida ou nas rações está sendo implementado por produtores de frangos de corte como alternativa para minimizar o estresse térmico em ambientes quentes. Entre os principais sais utilizados destacam-se o cloreto de potássio (KCl), o bicarbonato de sódio (NaHCO3), o cloreto de cálcio (CaCl2) e o cloreto de amônio (NH4Cl2), que são incorporados às rações de verão. Esta incorporação de cátions e ânions às rações é usualmente expressa em mEq/kg de ração (Mongin, 1981).

Outra forma de minimizar o estresse por calor é o ajuste das dietas com redução da proteína bruta (PB) e suplementação com aminoácidos sintéticos, permitindo que as aves tenham balanço aminoacídico de acordo com suas exigências reais. Essa prática possibilita a redução da excreção de nitrogênio, associada ao menor calor gerado pelo catabolismo de aminoácidos ingeridos.

A redução da proteína bruta da dieta deve ser realizada com cautela, de modo a garantir a suplementação dos aminoácidos essenciais e até mesmo os não essenciais, maximizando o desempenho das aves. Assim, o estudo do balanço eletrolítico, juntamente com a redução da proteína bruta da ração, torna-se uma ferramenta adicional em rações para frangos de corte criados em clima tropical, sendo que a proporção de eletrólitos precisa ser avaliada e adequada no sentido de contribuir para este importante segmento da avicultura brasileira.

Este trabalho teve o objetivo de avaliar o efeito do balanço eletrolítico de dietas (BED) com redução de proteína bruta e suplementação de aminoácidos sobre o desempenho de frangos de corte criados em condições naturais de estresse calórico.

MATERIAL E MÉTODOS

Foram utilizados 800 pintos de corte machos da linhagem Cobb, imunizados no incubatório contra marek e bouba aviária, alojados em galpão de alvenaria com telha de amianto, pé direito de 2,70m e aberturas laterais de ventilação. As aves foram distribuídas em 20 boxes com dimensões de 1,80x2,80m, contendo um comedouro em cada boxe adequado à fase de desenvolvimento das aves. As rações e a água foram fornecidas à vontade durante todo o período experimental.

As condições ambientais do galpão foram monitoradas diariamente, em horários predeterminados - 7h30min e 16h30min -, por meio de um termo-higrômetro digital, marca Instrutherm, modelo HT 200 (temperatura de máxima e mínima, bulbo seco e bulbo úmido), termômetro de globo negro e anemômetro digital, marca Instrutherm, modelo AD250, mantidos em um boxe no centro do galpão a meia altura das aves. Estas medidas foram utilizadas para calcular o índice de temperatura de globo e umidade (ITGU), caracterizando o ambiente térmico da instalação, conforme preconizado por Buffington et al. (1981).

O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente ao acaso, com quatro tratamentos, cinco repetições e 40 aves por unidade experimental.

Na primeira semana, todas as aves receberam dieta pré-inicial. A partir do sétimo dia, as aves foram uniformizadas por peso corporal e distribuídas nas unidades experimentais, obtendo-se o peso médio inicial de 203,5±0,9g, quando receberam as respectivas dietas experimentais (Tab. 1 a 4), formuladas à base de milho e farelo de soja, de acordo com a fase de criação: inicial - de sete a 21 dias -, crescimento - de 22 a 34 dias - e final - de 35 a 42 dias. As dietas foram formuladas com base na composição química dos ingredientes e adequadas às exigências para frangos de corte machos de desempenho médio propostas por Rostagno et al. (2005).

 

Os tratamentos consistiram em: T1 - dieta sem redução de proteína bruta e sem suplementação com eletrólitos; T2 - dieta sem redução de PB, com eletrólitos para ajuste do BED para 250mEq/kg; T3 - dieta com PB reduzida, suplementada com aminoácidos e sem suplementação de eletrólitos; T4 - dieta com PB reduzida, suplementada com aminoácidos e com eletrólitos para ajuste de BED para 250mEq/kg.

As sobras de ração e os animais foram pesados a cada mudança de fase para mensuração do consumo de ração (CR), peso final (PF), ganho de peso médio diário (GPMD), conversão alimentar (CA), conversão calórica (CC) em kcal/kg, eficiência de utilização de nitrogênio para ganho de peso (EUNG) e eficiência de utilização de lisina para ganho de peso (EULG)

As análises estatísticas foram realizadas utilizando-se o SAEG (Sistema..., 1997).

Os efeitos do balanço eletrolítico e da proteína bruta da dieta foram avaliados por meio da análise de variância com base no desdobramento do grau de liberdade e da soma de quadrado dos tratamentos por meio de contrastes ortogonais, considerando-se 5% de probabilidade.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Na Tab. 4, encontram-se as médias dos elementos climáticos (temperatura do ar, temperaturas máxima e mínima, umidade relativa, temperatura de globo negro) e o índice de temperatura de globo e umidade (ITGU) observados durante o período experimental, no interior do galpão.

A temperatura do ar obtida e o ITGU calculado durante todo o período experimental indicam que o ambiente térmico atingiu valores críticos que influenciaram negativamente o desempenho das aves. Os resultados evidenciam ambiente de estresse por calor, visto que a amplitude térmica ocorrida no período experimental, de 9,1°C, exigiu das aves maior esforço fisiológico para manutenção de sua homeotermia, podendo levar os animais a acionarem seus mecanismos fisiológicos adaptativos de controle homeostásico.

De acordo com Medeiros et al. (2005), que estudaram o efeito da temperatura, umidade relativa e velocidade do vento para frangos de corte dos 22 aos 42 dias de idade, o ambiente considerado confortável para as aves é o que apresenta temperatura de 26°C e ITGU variando de 69 a 77, e o ambiente considerado quente é o que apresenta temperatura de 32°C a 36°C e ITGU de 78 a 88. Em estudo com frangos de corte, Oliveira et al. (2006) relataram que a temperatura de 25°C caracteriza ambiente de conforto térmico para frangos de um a 49 dias de idade, pois atende às recomendações da marca comercial estudada, e a temperatura do ar de 35°C é considerada estressante para os animais.

Os resultados do consumo de dieta, peso final, ganho de peso, ganho de peso médio diário, conversão alimentar, conversão calórica e eficiência de utilização de lisina e de nitrogênio estão apresentados na Tab. 5.

Não foram observadas diferenças (P>0,05) em relação ao consumo de ração nas fases estudadas. Os resultados evidenciaram que a redução da proteína bruta da dieta com suplementação de aminoácidos não afetou negativamente o consumo, da mesma forma que a correção do balanço eletrolítico da dieta não promoveu incremento do consumo. Resultado semelhante foi encontrado por Fisher da Silva et al. (2000), que trabalharam com fontes de sódio e relação sódio:cloro para frangos de corte na fase inicial e não verificaram efeito sobre o consumo de ração. Provavelmente, o ganho genético obtido ao longo destes últimos anos de seleção pode ter contribuído para o resultado observado no consumo, uma vez que as modernas linhagens comerciais de frangos de corte são consideradas hiperfágicas.

Apesar de o ambiente térmico ter sido estressante para os animais, pois estava fora da zona de conforto térmico, a utilização dos eletrólitos com ajuste do balanço eletrolítico não foi suficiente para promover resposta positiva dos animais quanto ao consumo de ração. Desse modo, a suplementação de aminoácidos foi suficiente para atender às necessidades das aves. Contudo, Vieites et al. (2004) observaram maior consumo de ração quando esta foi ajustada para balanço entre 100 e 250mEq/kg de ração.

A redução da proteína bruta da dieta piorou (P<0,05) o peso final, o ganho de peso e o ganho médio de peso diário na fase inicial, porém, quando foi feita a correção do balanço eletrolítico da dieta com menor teor de proteína bruta, houve melhora no peso (P<0,05). Contudo, no período total, esta melhora não foi observada (P>0,05) quando se reduziu a proteína e fez-se a suplementação com os sais. A piora do ganho de peso (P<0,05), observada com a redução da proteína bruta, refletiu na conversão alimentar, que piorou (P<0,05) nas duas fases estudadas. O balanço eletrolítico das dietas não suplementadas com cloreto de potássio ou bicarbonato de sódio, possivelmente, não as caracterizou como dietas ácidas, a ponto de exigir das aves maior ajuste fisiológico para manutenção da homeostase.

Estes resultados sugerem cautela quanto à decisão por formulações com menor teor de proteína bruta, mesmo com a suplementação de aminoácidos sintéticos e com correção do balanço eletrolítico, em condições naturais de calor, visto que foi observada queda significativa de algumas características de desempenho, quando se utilizou a redução da PB. Faria Filho (2003), ao estudar dietas com teores reduzidos de proteína bruta, obteve resultados semelhantes. O autor concluiu que não houve influência sobre o consumo de ração, porém houve piora no peso corporal, no ganho de peso e na conversão alimentar dos animais ao se reduzir a PB da ração. Souza et al. (2002), que não trabalharam com redução proteica, mas avaliaram a suplementação de KCl para frangos de corte no verão no período de 28 a 49 dias de idade, não encontraram efeito significativo da suplementação sobre os mesmos parâmetros estudados.

Silva et al. (2006) concluíram que é possível reduzir a proteína bruta da dieta sem prejuízos do desempenho dos animais desde que suplementadas com aminoácidos e enzimas, e Araújo et al. (2004), que trabalharam com redução de PB de 22% para 18%, também observaram que o desempenho dos animais não foi prejudicado. Já Borgatti, et al. (2004), que estudaram diferentes níveis de BED (210, 250, 290, 330) em dietas para frangos de corte criados em condições de altas temperaturas nas fases inicial (1-21dias), de crescimento (22-42 dias) e final (43-49 dias), concluíram que, na fase inicial, houve aumento linear do ganho de peso com BED de 330mEq/kg, e nas demais fases, não houve diferença sobre a variável estudada.

Em condições de desconforto térmico ou em flutuações significativas dos elementos climáticos, acima da zona de termoneutralidade para as aves, a redução dos teores de proteína bruta da fórmula pode contribuir para a menor disponibilidade de aminoácidos não essenciais às aves, via redução de fontes carbônicas para biossíntese desses aminoácidos, que neste instante poderiam limitar a síntese proteica celular.

A redução da proteína bruta da dieta contribui para o menor incremento calórico nas aves, entretanto, nas condições naturais de estresse calórico observadas neste experimento, este benefício não ocorreu. Provavelmente, a elevada amplitude térmica às quais as aves foram submetidas (9,1°C) pode ter influenciado negativamente a ocorrência destes resultados.

A piora na conversão alimentar observada com a redução da proteína bruta da dieta pode ter sido reflexo da menor eficiência de conversão calórica (P<0,05) em todas as fases, visto que a redução da proteína bruta da dieta piorou a conversão calórica das aves (P<0,05). Este resultado evidencia a menor eficiência de utilização de energia para ganho de peso com a redução da PB, uma vez que as dietas eram isoenergéticas e o consumo de dieta não foi influenciado. A ineficiência em controlar o consumo da dieta em razão da energia ingerida, observada nas linhagens comerciais modernas, pode ter contribuído para esta resposta. É oportuno ressaltar que, em condições naturais de calor, a demanda energética dessas linhagens pode sofrer alterações.

O ambiente térmico fora da zona de conforto das aves pode levá-las a sofrer com o aumento da temperatura e afetar a utilização do conteúdo energético ingerido, na tentativa de manter a homeostase corporal, com consequente diminuição da eficiência energética. Conforme foi observado, a magnitude da resposta de desempenho dos animais está intimamente condicionada às condições ambientais. Resultados conclusivos relacionados ao balanço eletrolítico das aves ainda carecem de mais estudos.

De acordo com Hays e Swelson (1996), os íons fornecidos pela dieta podem funcionar como cofatores de enzimas ligadas à utilização e transferência de energia, melhorando significativamente a conversão calórica, entretanto a correção do balanço de eletrolítico com a suplementação dos sais não foi eficiente para auxiliar as aves na manutenção de seu equilíbrio energético interno, nestas condições ambientais.

A redução da proteína bruta da dieta promoveu melhor eficiência de utilização de lisina (P<0,05) e de nitrogênio (P<0,05) para ganho de peso, nas fases estudadas. A suplementação aminoacídica das dietas com teor reduzido de proteína bruta contribuiu para o melhor equilíbrio entre estes nutrientes, resultando em maior eficiência de utilização de lisina e de nitrogênio para ganho de peso. Estes resultados evidenciam que a suplementação de aminoácidos foi eficiente quanto ao metabolismo proteico dos animais. Já a suplementação com os eletrólitos não se mostrou benéfica na condição ambiental deste experimento.

Apesar de não avaliarem o balanço eletrolítico das rações, Cella et al. (2001), ao trabalharem com frangos de corte de um a 21 dias em condições de conforto térmico e em condições de temperaturas elevadas, verificaram que, em altas temperaturas, os animais apresentaram acentuada redução da eficiência de utilização de lisina para ganho de peso.

Faria Filho et al. (2006), ao avaliarem dietas com teores reduzidos de proteína bruta em ambiente termoneutro e em altas temperaturas, para frangos de corte de 42 a 49 dias de idade, verificaram que as aves criadas em ambientes de altas temperaturas e com menor teor de proteína bruta da ração apresentavam pior eficiência de retenção de nitrogênio.

Em geral, a redução de três pontos percentuais resultou em piora de desempenho, e o ajuste do BED para 250mEq/kg não foi eficaz para reverter a situação. As condições ambientais podem ter contribuído, efetivamente, para esta resposta, já que o ambiente térmico representa importante impacto sobre a eficiência de utilização dos nutrientes.

CONCLUSÕES

A redução de três pontos percentuais da proteína bruta da dieta, com ajuste ou não do balanço eletrolítico, proporciona piora no desempenho de frangos de corte criados em condições naturais de calor.

Recebido em 29 de abril de 2010

Aceito em 13 de abril de 2011

E-mail: marizezootecnia@yahoo.com.br

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  • Balanço eletrolítico da dieta e desempenho de frangos em condições naturais de estresse calórico
    Electrolyte balance of diets under performance of broiler in naturals conditions of heat stress

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    19 Dez 2011
  • Data do Fascículo
    Dez 2011

Histórico

  • Recebido
    29 Abr 2010
  • Aceito
    13 Abr 2011
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