Efeito do extrato de Passiflora edulis na cicatrização da parede abdominal de ratos: estudo morfológico e tensiométrico

Passiflora edulis extract and the healing of abdominal wall of rats: morphological and tensiometric study

Cálide Soares Gomes Antonio Carlos L. Campos Orlando Jorge Martins Torres Paulo Roberto Leitão de Vasconcelos Ana Tereza Ramos Moreira Sérgio Bernardo Tenório Elizabeth Milla Tâmbara Kenji Sakata Hugo Moraes Júnior André Luiz S. Ferrer Sobre os autores

INTRODUÇÃO: O emprego de plantas no tratamento de diversas moléstias é costumeiro no Brasil. O maracujá (Passiflora edulis) é muito empregado em diversas afecções, freqüentemente sem comprovação científica. Foram descritas propriedades antiinflamatórias do extrato de Passiflora edulis, semelhantes às dos antiinflamatórios não esteroidais (AINE's). OBJETIVO: Avaliar morfológica e tensiometricamente o efeito do extrato hidroalcoólico de Passiflora edulis no processo de cicatrização de laparotomias medianas em ratos. MÉTODOS: Quarenta ratos Wistar, divididos em dois grupos de 20, foram submetidos à incisão e sutura da linha alba. Em 20 deles, grupo controle (GC), administrou-se solução salina na cavidade peritonial. Nos outros 20, grupo Passiflora (GP), administrou-se extrato de Passiflora edulis na cavidade peritonial, em dose única, isovolumétrica. O extrato foi obtido por extração alcoólica das folhas secas do maracujá. Os grupos controle e Passiflora foram subdivididos em dois, conforme o dia da morte: grupo controle três dias (C3), grupo controle sete dias (C7), grupo Passiflora três dias (P3) e grupo Passiflora sete dias (P7). Após a morte dos ratos, retirou-se espécimes da parede abdominal englobando a área operada. Os espécimes foram submetidos à avaliação macroscópica, histológica e tensiométrica. RESULTADOS: Na avaliação macroscópica, não houve diferença significante entre GC e GP. Na histológica, comparando-se C3 vs. P3, a variável inflamação aguda foi mais intensa no grupo C3, enquanto a colagenização e a neoformação capilar apresentaram diferenças significantes (0,001 e 0,001, respectivamente), em favor de P3. Entre C7 vs. P7, as variáveis inflamação aguda, inflamação crônica e neoformação capilar também apresentaram diferenças significantes (p=0,002; 0,006 e 0,001, respectivamente). Na avaliação tensiométrica, a carga máxima de ruptura (Cmáx) do sétimo dia foi maior no grupo Passiflora em relação ao grupo controle (6,91 ± 1,36 vs. 5,05 ± 1,63, p=0,013). A deformação máxima de ruptura (Dmáx) do sétimo dia também foi maior no grupo Passiflora em relação ao grupo controle (36,49 ± 4,61 vs. 26,19 ± 5,74, p=0,001). CONCLUSÃO: O extrato de Passiflora edulis melhora a cicatrização de laparotomias medianas em ratos, nos aspectos histológico e tensiométrico.

Passiflora edulis; Fitoterapia; Cicatrização de Feridas; Ratos


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