Níveis de óxido nítrico produzidos por monócitos em portadores de esquistossomose hepatoesplênica que se submeteram a esplenectomia, ligadura da veia gástrica esquerda e auto-implante de tecido esplênico no omento maior

OBJETIVO: Mensurar os níveis de produção de ON por monócitos do sangue periférico (MSP) em portadores de esquistossomose na forma hepatoesplênica que tinham se submetido a esplenectomia, ligadura da veia gástrica esquerda e auto-implante de tecido esplênico no omento maior. MÉTODOS: Quatro grupos de voluntários foram envolvidos na investigação: G1 - 12 portadores de esquistossomose hepatoesplênica sem nenhuma forma de tratamento (EHE); G2 - 13 portadores de EHE que receberam tratamento clínico e se submeteram cirurgia para descompressão do sistema porta esplenectomia e ligadura da veia gástrica esquerda (EHE/ELGE); G3 - 19 pacientes similares ao do último grupo, mas que receberam também auto-implante de fragmentos de tecido esplênico no omento maior (EHE/ELGE/AI); e G4 - 15 indivíduos sem infecção pelo S. mansoni advindos da mesma área geográfica e apresentando as mesmas condições sócio-econômicas (GC). A produção de ON pelos MSP foi determinada pela reação padrão de Griess, adaptada para poços em microplaca. Os resultados foram expressos por suas médias ± DP para cada grupo. Diferenças significantes nas medias de produção de ON pelos MSP foram determinadas pelo teste de comparações múltiplas de Tukey-Kramer. Foram aceito os limites de significância de p < 0,05. RESULTADOS: Os pacientes portadores de EHE não tratados (G1) evidenciaram os níveis mais baixos de produção de ON pelos MSP (5,28 ± 1,28µmol/ml). Os pacientes do G2 (EHE/ELGE) evidenciaram resultados similares (6,67 ± 0,44µmol/ml - q = 2,681 p > 0.05). Os indivíduos do G4 (GC) evidenciaram os mais altos níveis de produção de ON pelos MSP (8,19 ± 2,74µmol/ml). Os pacientes do G3 (EHE/ELGE/AI) evidenciaram produção de ON produzido pelos MSP similares aos indivíduos do - G4 (GC) (7.41 ± 1.65µmol/ml - q = 1.615 p > 0.05). Os voluntários do G4 (GC) e os do G3 (EHE/ELGE/AI) evidenciaram de forma significante maiores níveis de produção de ON pelos MSP quando comparados com os voluntários daquele do G1 (EHE) - (q = 5.837 p < 0.01, e q = 4.285 p < 0.05). CONCLUSÃO: De forma coletiva, os resultados apontam para o restabelecimento da normalidade da produção de ON pelos MSP dos portadores de EHE que receberam tratamento clínico e se submeteram ao tratamento cirúrgico, especialmente, aqueles que receberam auto-implante de fragmentos de tecido esplênico no omento maior após esplenectomia e ligadura da veia gástrica esquerda. Os dados dão suporte adicional à hipótese de que esse procedimento adicional é importante no restabelecimento da resposta imune desses pacientes, desde que a síntese de ON pelos MSP se correlaciona com a imunidade protetora contra infecção; dessa forma, protegendo-os contra infecção disseminada após esplenectomia.

Esquistossomose; Esplenectomia; Óxido Nítrico


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