ESTUDO EXPERIMENTAL DO ENXERTO AUTÓLOGO DE OVÁRIO EM CADELAS SUBMETIDAS A OVARIECTOMIA E OVARIOSALPINGOHISTERECTOMIA

Resumos

Testou-se em 25 cães a aplicação do isobutil-2-cianoacrilato (Grupo I) e n-butil-<FONT FACE="Symbol">a</font> -cianoacrilato (Grupo II) para anastomose intestinal látero-lateral. As anastomoses foram avaliadas aos quatro, 14 e 28 dias de p.o. Observou-se macroscópicamente aderência entre o epiploo e a ferida cirúrgica da parede abdominal em ambos os grupos. Comparando os Grupos I e II através o teste t não pareado, estatisticamente não apresentaram diferença significativa (p=0,3624). Ao exame histológico notou-se reação inflamatória, granuloma e no seu interior presença do adesivo

Intestinal anastomosis laterolateral; Isobutyl-2-cyanoacrylate; N-butyl-<FONT FACE=Symbol>a</font> -cyanoacrylate; Tissue adhesive


Isobutyl-2-cyanoacrylate (Group I) and n-butyl-<FONT FACE="Symbol">a</font> -cyanoacriylate (Group II) were tested in two groups of dogs: Group I=13 dogs and Group II=12 dogs that had intestinal laterolateral anastomosis.The anastomosis were avaluated on days: 4, 14 and 28 after surgery. Adhesions between omentum and the surgical wall wound were grossly in both groups. Regarding the presence of adhesions comparing the two groups with unpaired t test, the difference between the Group I and II is not significant (p=0,3624). Histology revealed inflammation and granuloma on the anastomosis with the adhesive inside of it both with isobutyl-2-cyanoacrylate and n-butyl-<FONT FACE="Symbol">a</font> -cyanoacriylate

Intestinal anastomosis laterolateral; Isobutyl-2-cyanoacrylate; N-butyl-<FONT FACE=Symbol>a</font> -cyanoacrylate; Tissue adhesive


ESTUDO EXPERIMENTAL DO ENXERTO AUTÓLOGO DE OVÁRIO EM CADELAS SUBMETIDAS A OVARIOECTOMIA E OVARIOSALPINGOHISTERECTOMIA. 1 1 . Resumo da Tese de Doutorado da Escola Superior de Veterinária de Hannover - Alemanha

Julia Maria Matera 2 2 . Professor Associado - Departamento de Cirurgia - FMVZ/USP

Wilhelm Brass 3 3 . Professor Titular - Klinik für kleine Haustiere der Tierärztlichen Hochschule Hannover - Alemanha

C.Messow 4 4 . Professor Titular - Pathologie der Versuchstiere der Tierärztlichen Hochschule Hannover - Alemanha

MATERA, J.M.; BRASS, W. ; MESSOW, C. - Estudo experimental sobre o uso de cianoacrilatos para anastomose intestinal látero-lateral em cães.

RESUMO: Testou-se em 25 cães a aplicação do isobutil-2-cianoacrilato (Grupo I) e n-butil-a -cianoacrilato (Grupo II) para anastomose intestinal látero-lateral. As anastomoses foram avaliadas aos quatro, 14 e 28 dias de p.o. Observou-se macroscópicamente aderência entre o epiploo e a ferida cirúrgica da parede abdominal em ambos os grupos. Comparando os Grupos I e II através o teste t não pareado, estatisticamente não apresentaram diferença significativa (p=0,3624). Ao exame histológico notou-se reação inflamatória, granuloma e no seu interior presença do adesivo.

DESCRITORES: Anastomose intestinal látero-lateral. Isobutil-2-cianoacrilato. N-butil-a -cianoacrilato. Adesivos.

INTRODUÇÃO

Com o progresso da cirurgia veterinária , os cirurgiões se preocuparam em reduzir o tempo cirúrgico e evitar ao máximo as complicações pós-operatórias produzidas por deficiências da síntese dos tecidos.

O sucesso da anastomose intestinal está relacionada a alguns princípios como: -condições locais; -condições gerais do paciente e -à técnica empregada. Diferentes tipos de material de sutura e de técnicas tem sido utilizadas, apesar disto algumas situações continuam críticas como o aparecimento de fístulas ou deiscências, levando as vezes a morte do paciente. A busca de uma anastomose impermeável tem sido uma constante nas cirurgias gastrointestinais (SIMÕES et al, 1993).

INOU (1962) , relatou o uso de metil-2-cianoacrilato com sucesso em pele, traquéia, brônquios, estômago, baço, ossos, músculos e intestino delgado. O autor realizou 12 anastomoses intestinais, obtendo resultados excelentes em 50%, bons 25% e mortes por peritonite em 25%.

O’NEILL et al (1962) realizaram anastomose termino-terminal em 26 cães, utilizando o metil-2-cianoacrilato e concluiram que o método apresenta vantagens sobre o convencional.O estudo microscópico revelou necrose de toda parede intestinal em ambos os lados da anastomose, mas atribuíram os fracassos ao excesso de pressão aplicada sobre os clamps no momento das anastomoses.

Já SEIDENBERG et al (1963) obtiveram somente 50% de resultados satisfatórios em anastomoses gastrointestinais utilizando o metil-2-cianoacrilato.

WEILBAECHER et al (1964) confeccionaram anastomoses do intestino delgado utilizando o metil-2-cianoacrilato em 93 cães e obtiveram 33,66% de óbitos devidos a deiscência e peritonite. Os autores observaram extensas áreas de necrose e concluíram que as anastomoses com adesivo não mostraram vantagens sobre as convencionais.

MATSUMOTO et al (1967) utilizaram diferentes adesivos em anastomose intestinal termino-terminal e concluíram que o n-butil-cianoacrilato foi superior ao amil e heptil cianoacrilato, e o butil provocou reações adversas.

NELSON et al (1970) usaram o fluoralquil cianoacrilato em anastomose intestinal de seis cães, e notaram que, ele determina aderências da área da anastomose com o epiploo, e histologicamente observaram processo inflamatório crônico, piogranulomatoso envolvendo todas as camadas.

STERCHI et al (1970) trabalharam com isobutil-2-cianoacrilato e fluoralquil-cianoacrilato em anastomose intestinal em cães que foram previamente submetidos a irradiação. Após nove meses, notaram presença de células gigantes de Langerhans, inflamação cronica e a presença de pequena quantidade de adesivo.

GYURKÓ & SZALÓKI (1971) aplicaram com sucesso o n-butil-a -cianoacrilato em anastomose intestinal látero-lateral em 10 cães e recomendam o seu uso. Após 250 dias observaram substituição do adesivo por tecido conjuntivo.

SOMOGYVÁRY & EGRY (1971) utilizaram o n-butil-a -cianoacrilato associado a suturas com categute em anastomose intestinal látero-lateral em 11 cães e cicatrização da área a partir do sétimo dia.

GROSFELD et al (1972) avaliaram em ratos e cobaias o uso do isobutil-2-cianoacrilato, mas consideraram prejudicial devido a sua baixa biodegradabilidade e forte reação inflamatória granulomatosa.

CUNHA et al (1980) compararam diferentes adesivos em anastomoses intestinais em 12 cães e concluiram que o n-butil-2-cianoacrilato foi o mais eficiente.

KIRKEGAARD et al (1980) operaram 60 ratos, nos quais realizaram anastomoses colônicas, termino-terminais, com pontos separados de ácido poliglicólico, anastomoses com isobutil-cianoacrilato e anastomoses com o adesivo recobertas com retalho omental. Compararam o grupo de anastomoses convencionais com as que utilizaram adesivo associado à cobertura de retalho omental, sendo os resultados semelhantes. Os animais nos quais utilizou apenas o adesivo, foi observado estenoses em 50% das anastomoses e aderências perianastomóticas em 100%.

BETEILLE (1986) utilizou butil-2-cianoacrilato em anastomose intestinal termino-terminal na coaptação de diferentes segmentos em 10 herbívoros e concluiu que o adesivo se comportou de maneira compatível com a natureza dos tecidos, sendo absorvido em breve espaço de tempo.

INÁCIO et al (1987) fizeram anastomose esofágica em 20 cães, compararam sutura convencional com butil-2-cianoacrilato, reforçada por quatro pontos totais. Concluíram que a ultima é mais segura e poderia ser utilizada em substituição à anastomose clássica.

O objetivo deste trabalho foi avaliar a viabilidade do isobutil-2-cianoacrilato e do n-butil-a -cianoacrilato em anastomose intestinal do tipo látero-lateral.

MÉTODO

Utilizou-se 25 cães, de ambos os sexos, diferentes raças, peso variando entre cinco e 36kg, e foram divididos em 2 grupos:-Grupo I (Nº 1 a 13) isobutil-2-cianoacrilato* * Ethicon bucrylat; Ethicon, Hamburg ; -Grupo II (Nº14 a 25) n-butil-a -cianoacrilato** ** Hystoacryl blau; Braun, Melsungen . Após jejum alimentar e hídrico de 12 horas, os animais foram anestesiados com pentobarbital sódico*** *** Nembutal; Abbott, Saint Remy sur Aure na dose de 30mg/kg, iv. Os cães foram submetidos a laparotomia mediana, retroumbilical e ambos os grupos submetidos a anastomose látero-lateral, e o segmento utilizado foi o íleo à 20cm do ceco. Aplicou-se duas ligaduras com categute cromado 2/0 nos ramos das artérias e veias mesentéricas. Quatro pinças de Bainbridge foram aplicadas, permanecendo as pinças internas numa distância de 10 cm uma da outra, fechando assim a região a ser seccionada. As extremidades seccionadas foram suturadas com categute cromado 2/0, mediante sutura tipo Parker-Kerr. A seguir secou-se a serosa intestinal dos dois segmentos, posicionados peristalticamente, e aplicou-se uma fina camada do adesivo cirúrgico sobre a serosa de uma das alças intestinais e manteve-se sob leve pressão manual durante dois minutos, tempo adequado para a polimerização do cianoacrilato. Incisou-se lateralmente a alça, e realizou-se a comunicação entre elas de aproximadamente 2cm, ocorrendo assim a abertura de comunicação entre as duas alças. O local de abertura suturou-se com categute cromado 2/0, sutura do tipo Cushing. Recobriu-se a anastomose intestinal com epiploo.

Durante as primeiras 48h após a cirurgia os animais receberam dieta líquida. Nos dias subsequentes alimentação sólida em pequenas porções e acesso livre a água.

Durante o período pós-operatório os animais foram observados e sacrificados no 4º, 14º e 28º dia do p.o., sendo realizado exame macroscópico e exame histológico do segmento anastomosado .Estes foram fixados em formalina a 10%, incluídos em parafina e corados pelo HE e examinados em microscópio óptico comum e de polarização.

RESULTADOS

Dos 25 animais submetidos a experimentação, seis cães (46,15%) do Grupo I e sete (58,33%) do Grupo II apresentaram vômito nas 48h iniciais do pós-operatório.

Notou-se presença de aderência entre o epiploo e a ferida cirúrgica da parede abdominal em nove cães do Grupo I (69,23%), e em seis do Grupo II (50%); um animal de cada grupo apresentou aderência entre a área de anastomose com outro órgão (7,69% Grupo I e 8,33% Grupo II); em todos os animais o epiploo se encontrava recobrindo a área de anastomose.

Ao exame histológico, no 4º dia do p.o. evidenciou-se na serosa exsudato de fibrina, polimorfonucleares e histiócitos. Na sub-serosa observou-se atividade dos fibroblastos e moderada proliferação da parede dos vasos. No epiploo que recobria a área de anastomose, e sobre a serosa intestinal observou-se presença de polimorfonuceares e poucos histiócitos que circundavam o adesivo, fato este bem identificado através de microscópio de polarização com dupla refração (Figs.1 e 2 2 . Professor Associado - Departamento de Cirurgia - FMVZ/USP ). No 14º dia do p.o. notou-se na região da anastomose intestinal presença de tecido de granulação, rico em histiócitos e leucócitos polimorfonucleares; focos com divisão das células plasmáticas. Na serosa as células apresentavam-se edemaciadas e proliferadas (Fig.3). No 28º dia do p.o. observou-se na região da anastomose intestinal proliferação de tecido de granulação , presença de granulomas e no seu interior presença do adesivo demarcado por histiócitos, alguns leucócitos polimorfonucleares e células gigantes (Fig.4).

Fig.1- 4º dia p.o. Demarcação leucocitária em torno das partículas do adesivo(A). (40X,HE)

Fig.2 - 4º dia p.o.Difusão do adesivo (A) através o epiploo. (10X,HE, microscópio de polarização)

Fig.3 - 14º dia p.o. Corte histológico do segmento intestinal anastomosado mostrando processo proliferativo (A) na subserosa. (100X,HE)

Fig.4 - 28º dia p.o. Demarcação do adesivo (A), presença de cápsula de tecido conjuntivo (B) e leucócitos (C). (100X,HE)

Os resultados obtidos mostraram que a utilização dos adesivos determinou complicações como: peritonite difusa (23% Grupo I e 8% Grupo II); aderências (7,69% Grupo I e 8,33% Grupo II) e um óbito por deiscência da anastomose no Grupo II (8,33%) talvez decorrente por falha da técnica. Comparando os Grupos I e II através o teste t não pareado, estatisticamente eles não apresentaram diferença significativa (p=0,3624).

DISCUSSÃO

Relataram aderências: WEILBAECHER et al (1966) e KIRKEGAARD et al (1980) com o uso do isobutil-cianoacrilato, MATSUMOTO et al (1967) n-butil-cianoacrilato, NELSON et al (1970) fluoralquil cianoacrilato, em nosso estudo ambos os adesivos também determinaram.

INOU (1962) relatou em 25% dos animais morte por peritonite, verificou-se peritonite difusa em 23% dos cães do Grupo I e em 8% do Grupo II.

MATSUMOTO et al (1967); NELSON et al (1970); STERCHI et al (1970); GROSFELD et al (1972) relataram reação inflamatória rica em leucócitos polimorfonucleares e histiócitos, com tecido de granulação e presença do adesivo, resultado este também observado por nós nos diferentes períodos.

Recomendam a utilização dos adesivos nas anastomoses O’NEILL et al (1962); STERCHI et al (1970); GYURKÓ & SZALÓKI (1971) e SOMOGYVÁRY & EGRY (1971); CUNHA et al (1980); BETEILLE (1986), INÁCIO et al (1987), porém parece-nos que o uso dos cianoacrilatos ainda determina altas taxas de complicações.

Como vantagens na indicação do uso dos adesivos, podemos salientar: -diminuição do tempo cirúrgico; -economia de material; -já vem esterelizado. No entanto deve-se alertar que o controle da hemostasia é importante para a aplicação do adesivo e adesão das superfícies; observou-se que praticando uma hemostasia por compressão antes do uso do adesivo, ela foi suficiente, pois este se encarregará de fazer a hemostasia após a sua aplicação.

Os adesivos ao serem utilizados talvez devam ser aplicados em pequena quantidade, para que determinem menor reação inflamatória. A utilização do isobutil-2-cianoacrilato e do n-butil-a -cianoacrilato em anastomose intestinal talvez ainda, descerrem novas perspectivas para a sua aplicação em variadas técnicas gastrointestinais.

CONCLUSÕES

1-O controle da hemostasia durante o ato operatório, é importante, durante a aplicação dos cianoacrilatos, pois a presença de sangue afeta a perfeita colagem.

2-A aplicação dos adesivos é simples e o tempo de cirurgia se torna de curta duração.

3-Os adesivos determinam complicações: aderências; peritonite; deiscência.

MATERA, J.M.; BRASS, W. ; MESSOW, C. - Use of cyanoacrylate on intestinal laterolateral anastomosis in dogs: an experimental study.

SUMMARY: Isobutyl-2-cyanoacrylate (Group I) and n-butyl-a -cyanoacriylate (Group II) were tested in two groups of dogs: Group I=13 dogs and Group II=12 dogs that had intestinal laterolateral anastomosis.The anastomosis were avaluated on days: 4, 14 and 28 after surgery. Adhesions between omentum and the surgical wall wound were grossly in both groups. Regarding the presence of adhesions comparing the two groups with unpaired t test, the difference between the Group I and II is not significant (p=0,3624). Histology revealed inflammation and granuloma on the anastomosis with the adhesive inside of it both with isobutyl-2-cyanoacrylate and n-butyl-a -cyanoacriylate.

SUBJECT HEADINGS: Intestinal anastomosis laterolateral. Isobutyl-2-cyanoacrylate. N-butyl-a -cyanoacrylate. Tissue adhesive.

Endereço para correspondência:

Julia Maria Matera

Rua Leonor Quadros, 531- Morumbi

CEP 05691-020 São Paulo - SP

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  • 1
    . Resumo da Tese de Doutorado da Escola Superior de Veterinária de Hannover - Alemanha
  • 2
    . Professor Associado - Departamento de Cirurgia - FMVZ/USP
  • 3
    . Professor Titular - Klinik für kleine Haustiere der Tierärztlichen Hochschule Hannover - Alemanha
  • 4
    . Professor Titular - Pathologie der Versuchstiere der Tierärztlichen Hochschule Hannover - Alemanha
  • *
    Ethicon bucrylat; Ethicon, Hamburg
  • **
    Hystoacryl blau; Braun, Melsungen
  • ***
    Nembutal; Abbott, Saint Remy sur Aure

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    18 Nov 1998
  • Data do Fascículo
    Jan 1998
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