O fator de impacto da Acta Cirúrgica Brasileira

1 - EDITORIAL

O fator de impacto da Acta Cirúrgica Brasileira

Aldo da Cunha Medeiros* * Prof. Adjunto IV de Técnica Operatória da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) Doutor em Cirurgia. Chefe do Núcleo de Cirurgia Experimental da UFRN Vice-coordenador do Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde da UFRN Pesquisador nível I do CNPq

Endereço para correspondência

Um dos grandes problemas das revistas científicas brasileiras é a falta de visibilidade e acessibilidade nacional e internacional. São pouquíssimas as revistas nacionais indexadas no ISI (Institute for Scientific Information), no Medline e no Web of Science, os três mais importantes bancos de dados internacionais na área de publicações científicas. A conseqüência inevitável é que apenas 20% da produção científica brasileira de boa qualidade têm visibilidade nos meios acadêmicos. A ciência brasileira já foi comparada a um iceberg que tem uma parte visível acima da água, representando a produção científica indexada em bases internacionais (ISI, Medline, Web of Science) e que corresponde a 20% do total1. A produção nacional não indexada, que representa 80%, mantem-se submersa, desconhecida. Desse modo, antes da introdução do SciELO (Scientific Electronic Library Online), não havia como saber qual a qualidade dessa produção e qual o IMPACTO de sua circulação. Esses 80% da produção científica brasileira, em sua grande maioria, não estão submersos por falta de qualidade. Tanto é, que a comunidade científica internacional passou a interessar-se pelo problema dessa base do iceberg a partir da publicação do artigo de Gibbs2, que a chamou de "ciência perdida do terceiro mundo".

Neste contexto, em 1997, surgiu o SciELO, uma biblioteca eletrônica virtual que abrange uma coleção selecionada de revistas acadêmicas como parte de um projeto desenvolvido pela FAPESP, em colaboração com a Bireme. O SciELO disponibiliza atualmente textos integrais de 139 publicações científicas, das quais 95 do Brasil, 34 do Chile e 10 de Cuba. Os critérios mais importantes para o controle de qualidade das revistas incluídas no SciELO são a periodicidade e prontidão na publicação e, principalmente, o número de citações de seus trabalhos por elas mesmas e por outras revistas indexadas. É justamente este último critério que é utilizado por todos os indexadores para calcular o FATOR DE IMPACTO, a partir da divisão do número de vezes que artigos da revista são citados pelo número de artigos publicados em cada ano. Atualmente, nenhuma revista no SciELO atinge pelo menos o fator de impacto 1, como pode ser visto no site www.scielo.br, no item relatório de citações. A Acta Cirúrgica Brasileira teve impacto 0,025 nos anos 1999-2000, significando que publicou 120 artigos e estes foram citados apenas três vezes durante aquele período. É muito pequeno o impacto e muito poucas as citações, mas já é um importante começo, o suficiente para o Comitê Assessor do CNPq da área de Medicina e Farmácia passar a considerar a Acta no mesmo patamar e com o mesmo peso dos periódicos indexados no ISI. Todas as outras revistas nacionais que já têm algum impacto, publicado na página "relatório de citações" do SciELO, estão recebendo o mesmo tratamento. As revistas brasileiras que tiveram maior fator de impacto em 2000 foram Rev Soc Bras Med Trop (0,29) e Mem Inst Oswaldo Cruz (0,24).

Para efeito de comparação, vale ressaltar os fatores de impacto em 2001 de alguns periódicos indexados no ISI: Physiol Rev=30; New Engl J Med=29; Nature=27,9; Science=23,3; Mol Cell=16; Neuron=14,1; Gastroenterology=13; Lancet=13; Ann Surg =5,9; Am J Surg=3; J Am Coll Surg=2,8; Arch Surg=2,7; Surgery=2,4; J Surg Res=1,6. Quanto maior o fator de impacto, maior a importância do periódico no meio acadêmico e nas agências de fomento à pesquisa e pós-graduação. Todos os pesquisadores sabem da dificuldade para se conseguir publicar um artigo em periódicos de grande impacto e da repercussão que tem a publicação.

Portanto, o crescimento da importância da Acta Cirúrgica Brasileira depende, fundamentalmente, de todos os que nela publicam seus trabalhos, membros ou não membros da SOBRADPEC. De que maneira? Citando ou referindo o maior número possível de artigos da revista, em novas contribuições científicas a serem submetidas para publicação na Acta ou em qualquer outro periódico indexado no SciELO ou em revistas internacionais. Através dos hypertext links, as citações são captadas de qualquer banco de dados e contabilizadas para o cálculo do fator de impacto. A propósito, uma primeira contribuição está incluída nos artigos do Suplemento n.1 de 2003 da Acta Cirúrgica Brasileira3, nos quais há 27 citações. Nunca é demais lembrar que a Acta tem mais de 15 anos de existência, com inúmeros trabalhos de boa qualidade, que precisam e merecem ser citados nas nossas publicações indexadas. É preciso abandonar o hábito de citar apenas artigos de autores estrangeiros, quando há excelentes trabalhos publicados no nosso meio.

Dados recentes indicam que os fatores de impacto de cinco das poucas revistas brasileiras indexadas no ISI cresceram 130% desde sua inclusão no SciELO. Este dado indica que as redes de informação eletrônica geram repercussão internacional das publicações e têm estimulado os pesquisadores a submeterem seus trabalhos a revistas eletrônicas do padrão da Acta Cirúrgica Brasileira. Ela representa hoje um patrimônio dos cirurgiões acadêmicos (comunidade azul), construído com grande esforço, restando-nos contribuir para elevar este bem precioso ao fator de impacto que ela merece.

Referências

1. Meneghini R. Scientific literature evaluation and the Scielo project. Ci Inf 1998;27:219-20.

2. Gibbs WW. Lost science in the third world. Sci Am 1995;273:76-83.

3. IV Jornada de Pesquisa em Cirurgia. II Jornada do Departamento de Cirurgia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte-UFRN. Acta Cir Bras 2003;18(Suppl 1):5-44.

  • Endereço para correspondência
    Aldo da Cunha Medeiros
    R. Miguel Alcides de Araújo, 1889
    59078-270 Natal, RN
    E-mail:
  • *
    Prof. Adjunto IV de Técnica Operatória da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
    Doutor em Cirurgia. Chefe do Núcleo de Cirurgia Experimental da UFRN
    Vice-coordenador do Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde da UFRN
    Pesquisador nível I do CNPq

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    03 Set 2003
  • Data do Fascículo
    Mar 2003
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