Open-access Empatia comunicativa em estudantes de Medicina: entre a autopercepção e a percepção do outro

RESUMO

Objetivo  Verificar os níveis de empatia relatados por estudantes de Medicina e sua relação com a empatia percebida por avaliadores durante simulações de atendimento médico.

Métodos  Estudo observacional com delineamento transversal, realizado com 41 estudantes de Medicina. Para avaliar a habilidade de empatia autopercebida, foi utilizado o Inventário de Empatia, protocolo de autopercepção com 40 itens que avalia a empatia a partir de quatro fatores: Sensibilidade Afetiva, Altruísmo, Tomada de Perspectiva e Flexibilidade Interpessoal. Para avaliar a habilidade de empatia sob a perspectiva do outro, foram realizadas simulações de atendimento nas quais os estudantes simularam um atendimento médico com atores profissionais. As simulações foram registradas em vídeo e avaliadas por juízes externos que foram orientados para responder à escala Consultation and Relational Empathy (CARE) de forma adaptada.

Resultados  Em relação à pontuação do Inventário de Empatia, a amostra apresentou maiores médias nos fatores, respectivamente de: Sensibilidade Afetiva, Altruísmo, Flexibilidade Interpessoal e Tomada de Perspectiva. A escala CARE apresentou média geral moderada entre os três avaliadores. As emoções mais identificadas foram medo, tristeza e dúvida. Não houve correlação entre a pontuação do Inventário de Empatia e da escala CARE. Houve boa consistência interna entre os avaliadores.

Conclusão  Embora os estudantes de Medicina relatem maiores níveis de empatia, essa habilidade não se manifesta de forma consistente nas práticas simuladas. A ausência de correlação entre a empatia autorrelatada e a avaliada por observadores sugere uma possível lacuna entre a percepção interna e a expressão observável da empatia.

Palavras-chave:
Emoções; Comunicação não verbal; Empatia; Comunicação em saúde; Assistência humanizada à saúde

ABSTRACT

Purpose  To compare the level of empathy reported by medical students to that perceived by evaluators during simulated medical consultations.

Methods  This was a cross-sectional observational study conducted with 41 medical students. To assess self-perceived empathy, the Empathy Inventory (EI) was used—a 40-item self-report protocol that evaluates empathy based on four factors: Affective Sensitivity (AS), Altruism (AL), Perspective Taking (PT), and Interpersonal Flexibility (IF). To assess empathy from the perspective of others, simulated consultations were conducted in which students performed medical appointments with professional actors. The simulations were video-recorded and evaluated by external judges who were instructed to respond to an adapted version of the CARE Scale (Consultation and Relational Empathy).

Results  Regarding EI scores, the sample showed higher mean scores, respectively, for the following factors: Affective Sensitivity, Altruism, Interpersonal Flexibility, and Perspective Taking. The CARE scale showed a moderate overall mean among the three evaluators. The emotions most frequently identified were fear, sadness, and doubt. No correlation was found between EI and CARE scores. Good internal consistency was observed among the evaluators.

Conclusion  The study showed that although medical students report higher levels of empathy, this skill is not consistently manifested in simulated practice. The absence of correlation between self-reported empathy and observer-rated empathy suggests a possible gap between internal perception and the observable expression of empathy.

Keywords:
Emotions; Nonverbal communication; Empathy; Health communication; Humanization of assistance

INTRODUÇÃO

A comunicação é uma habilidade essencial para estabelecer relações interpessoais saudáveis e promover interações eficazes no âmbito pessoal e profissional do indivíduo. Durante o atendimento em saúde, a comunicação entre o profissional de saúde e o paciente é um elemento central na qualidade do cuidado e no estabelecimento do vínculo terapêutico, aspecto crucial para a adesão ao tratamento. Nesse contexto, essa competência é importante não apenas para o domínio técnico da linguagem verbal na prática terapêutica, mas também para a capacidade de estabelecer conexões humanas fundamentadas no respeito, na escuta ativa e na empatia(1).

A empatia, nesse cenário, configura-se como uma habilidade que contribui diretamente para o fortalecimento das relações interpessoais e a satisfação do paciente com o atendimento recebido(2). Essa aptidão envolve processos afetivos e cognitivos, incluindo a capacidade de reconhecer e compreender os sentimentos e perspectivas do outro, bem como de responder de maneira apropriada a esses estados emocionais(3). A empatia é compreendida na literatura como um fenômeno com diferentes dimensões(4). O indivíduo pode expressar essa habilidade de diversas formas e, de acordo com o contexto, pode ser reconhecida como empatia emocional ou empatia cognitiva. Cada um desses tipos de empatia é caracterizado por um comportamento comunicativo próprio e está associado a fatores específicos.

A empatia comunicativa é uma perspectiva interacional a partir do uso dos aspectos comunicacionais verbais e não verbais como uma forma de percepção emocional e de expressão assertiva da comunicação(5). Por meio do conhecimento e da prática das manifestações verbais e não verbais associadas ao estado emocional do outro durante uma interação, o sujeito pode demonstrar maior capacidade de percepção dos sentimentos, intenções e necessidades pela escuta ativa e se expressar de forma eficaz nas palavras, voz, gestos, postura e demais componentes expressivos da comunicação(6,7). Nesse sentido, é importante que a comunicação percebida e demonstrada seja realizada de forma consciente e coerente, para que essa habilidade possa ser uma estratégia eficaz utilizada nos diversos contextos(8).

A percepção da empatia pode ocorrer sob diferentes perspectivas: por meio da autopercepção e pela percepção do outro. Quando o sujeito identifica em si aspectos inerentes a esse processo, ele entende sua atitude comunicativa de forma positiva durante suas interações cotidianas. Já a percepção da empatia pelo outro ocorre por meio do impacto da sua expressão em seu interlocutor. Quando essa interação acontece de forma assertiva, ambos os sujeitos reconhecem traços empáticos por meio dos canais verbais e não verbais e há uma conexão de sentimentos e necessidades. Porém, nem sempre o grau de autopercepção dos aspectos comunicativos da empatia é condizente com a sua expressão. Isso pode ser percebido quando o sujeito se compreende como um comunicador empático, embora não demonstre atitudes comunicativas coerentes com essa percepção na sua prática(9).

Nos diversos cursos de graduação para formação de profissionais na área da saúde, em particular na Medicina, o desenvolvimento da empatia comunicativa constitui um dos desafios enfrentados pelas instituições de ensino, uma vez que essa habilidade se refere aos aspectos relacionais e não técnicos, que são os mais valorizados por estudantes dessa área. O desenvolvimento da empatia requer experiências práticas que estimulem a autorreflexão e a sensibilidade diante das demandas emocionais do outro(10,11).

Diante desse panorama, torna-se relevante investigar a correspondência entre a empatia comunicativa autopercebida pelos futuros médicos e a observação dessa habilidade por avaliadores externos em situações de atendimento simulado, a fim de que esse conhecimento seja utilizado para conscientização da importância da utilização da empatia de forma mais consciente e eficaz nos diferentes contextos durante o atendimento em saúde.

Assim, este estudo teve como objetivo verificar os níveis de empatia relatados por estudantes de Medicina e sua relação com a empatia percebida por avaliadores durante simulações de atendimento médico.

MÉTODO

Participantes

Estudo observacional com delineamento transversal, realizado no Programa de Pós-graduação em Ciências da Reabilitação da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre - PPG-CR/UFCSPA, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa - CEP da instituição, sob o número 5.204.872.

Foram convidados a participar da pesquisa estudantes do curso de Medicina, de ambos os sexos, com idade entre 18 e 30 anos, regularmente matriculados entre o primeiro e o segundo ano de curso. A inclusão de estudantes entre o primeiro e o segundo ano teve como objetivo a observação das habilidades empáticas em estágio inicial, período menos influenciado por práticas institucionais e protocolos clínicos já consolidados, a fim de favorecer a compreensão da relação entre a autopercepção e a expressão inicial da empatia. A amostra foi constituída por conveniência, a partir de divulgação presencial em sala de aula e por meio digital, com o compartilhamento de banners em grupos de redes sociais dos estudantes. A duração dessa fase inicial foi de, aproximadamente, seis meses. Inicialmente, os participantes que demonstraram interesse em integrar o estudo assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e responderam ao questionário de caracterização da amostra.

O cálculo amostral foi realizado com base na análise de correlação entre os escores do Inventário de Empatia (IE) e da escala Consultation and Relational Empathy (CARE), considerando nível de significância de 5% e poder estatístico de 90%, conforme parâmetros descritos na literatura para estudos com delineamento semelhante(11). A amostra mínima estimada foi de 38 participantes. Para uma correlação esperada de r = 0,50, calculou-se a margem de erro aproximada de 0,235 para o intervalo de confiança de 95%.

Materiais e procedimentos

Para avaliar a habilidade de empatia autopercebida, foi utilizado o Inventário de Empatia (IE), protocolo de autopercepção com 40 itens que avalia a empatia a partir de quatro fatores: Tomada de Perspectiva (TP), Flexibilidade Interpessoal (FI), Altruísmo (AL) e Sensibilidade Afetiva (SA) (Anexo 1). O IE é um protocolo desenvolvido no Brasil, com o objetivo de oferecer um instrumento psicométrico para avaliar diferentes dimensões da empatia em contextos educacionais, clínicos e de pesquisa. Aborda a empatia sob a perspectiva de componentes cognitivos (capacidade de compreender o outro) e afetivos (capacidade de compartilhar e responder às emoções do outro). O fator Tomada de Perspectiva refere-se ao comportamento empático mais difundido entre o conhecimento comum, ou seja, a habilidade de se colocar no lugar do outro, compreendendo seu ponto de vista. Já o fator Flexibilidade Interpessoal relaciona-se à capacidade de manter atitudes positivas e flexíveis em situações de conflito ou diferença de opinião. O fator Altruísmo está ligado à tendência em priorizar o bem-estar do outro, mesmo que em detrimento de interesses próprios, e o fator Sensibilidade Afetiva é associado à habilidade de perceber e responder de forma sensível às emoções alheias(12).

A pontuação de cada fator do IE foi obtida por meio da média aritmética dos itens correspondentes, respeitando-se a composição específica de cada fator e a aplicação do cálculo reverso nos itens formulados, conforme as instruções dos autores do instrumento. Valores mais elevados indicam maior empatia autopercebida naquele domínio.

Para avaliar a habilidade de empatia sob a perspectiva do outro, foram realizadas simulações de atendimento nas quais os estudantes foram orientados a atuar, de forma simulada, como médicos em atendimentos com atores profissionais que representaram possíveis pacientes. Os estudantes receberam instruções para conduzir os atendimentos da maneira mais próxima possível da realidade clínica, em situações que abordavam o contato inicial com pacientes com demandas específicas de cuidado em saúde. O objetivo dessa etapa foi avaliar o desempenho comunicativo e empático dos estudantes em situações que envolviam um contexto de tomada de decisão mediante diagnóstico de doença grave relatado pelos pacientes. As simulações de atendimento foram baseadas em estudos que demonstraram a efetividade dessa proposta como uma estratégia eficiente para avaliar e treinar, de forma prática, as habilidades de comunicação e empatia(9,13,14).

As simulações de atendimento médico foram realizadas individualmente, em ambiente reservado e registradas em vídeo. Os participantes foram informados de que se tratava de uma simulação, sem acesso prévio ao caso. Os atores foram orientados por um roteiro previamente estruturado e adaptado ao contexto de um atendimento médico, no qual representaram reações emocionais associadas ao luto diante do diagnóstico de uma doença grave. As interações tiveram como foco a observação das atitudes comunicativas dos estudantes, com ênfase na empatia, escuta ativa e expressão assertiva.

Os registros dessas simulações foram avaliados por três juízes fonoaudiólogos com expertise na área de voz e comunicação, treinados em relação à utilização da escala Consultation and Relational Empathy (CARE) e orientados a se colocarem na perspectiva do paciente ao assistir às gravações em vídeo para julgar os comportamentos empáticos manifestos durante a interação, com base nos itens da escala.

A escala CARE é composta por dez itens e, em seu formato original, tem como objetivo avaliar a percepção do paciente acerca da empatia demonstrada pelo profissional de saúde durante uma consulta(13). Trata-se de um instrumento amplamente utilizado em contextos de avaliação do atendimento em saúde, por contemplar aspectos relacionados à escuta ativa, compreensão, apoio, vínculo terapêutico e empatia na interação clínica. Cada item da escala é pontuado de 1 a 5, em que 1 corresponde à avaliação “ruim” e 5 à avaliação “excelente”. A opção “não se aplica” foi tratada como dado ausente, não sendo incluída no cálculo do escore total. A pontuação total da CARE foi obtida pela soma dos escores dos itens válidos, resultando em valores que variaram de 10 a 50 pontos, sendo que escores mais elevados indicaram maior empatia percebida. Para as análises, foram consideradas as pontuações individuais atribuídas por cada avaliador, bem como a média geral entre os avaliadores (Anexo 2).

Embora a escala CARE tenha sido originalmente desenvolvida para avaliar a empatia sob a perspectiva do paciente em consultas clínicas reais, neste estudo ela foi utilizada como instrumento observacional, com o objetivo de mensurar a empatia comunicativa expressa pelos estudantes durante simulações de atendimento.

A escolha da CARE fundamentou-se no fato de que seus itens avaliam aspectos comunicativos observáveis, como escuta ativa, demonstração de compreensão, apoio emocional, vínculo e compartilhamento de decisões, que podem ser identificados por observadores treinados em contextos de simulação clínica. Ressalta-se que essa aplicação representa uma adaptação do uso original do instrumento, não tendo como finalidade substituir a avaliação do paciente real, mas sim operacionalizar a percepção da empatia a partir de comportamentos comunicativos verbais e não verbais observáveis. Dessa forma, os resultados obtidos por meio da escala CARE devem ser interpretados como uma medida da empatia comunicativa percebida por observadores externos no contexto específico de simulações clínicas(9,13).

Após a simulação, os participantes da pesquisa preencheram um questionário de autoavaliação sobre seu desempenho comunicativo durante esse atendimento. O questionário foi composto por quatro questões nas quais se investigaram as principais emoções e canais de comunicação mais percebidos, expressão da empatia e autoavaliação comunicativa por meio de uma nota de 1 a 5 (Apêndice 1).

Análise de dados

As variáveis quantitativas foram apresentadas por meio de média e desvio padrão. A normalidade dos dados foi verificada pelo teste de Shapiro-Wilk. Os dados foram analisados por estatística descritiva para caracterização da amostra e dos escores.

A concordância entre os avaliadores foi analisada por meio do coeficiente de correlação intraclasse (ICC), adotando-se modelo de efeitos aleatórios com concordância absoluta. As diferenças entre os avaliadores foram avaliadas pelo teste de Friedman. As correlações entre a escala CARE, o Inventário de Empatia e a autoavaliação foram examinadas pelo coeficiente de Spearman.

As diferenças entre os sexos nos fatores do Inventário de Empatia e no valor médio da empatia percebida pelos avaliadores, de acordo com a escala CARE, foram analisadas pelo teste de Mann-Whitney. Adotou-se nível de significância de 0,05. As análises foram realizadas no software estatístico SPSS (IBM SPSS Statistics for Windows, Version 25.0. Armonk, NY: IBM Corp.).

RESULTADOS

Participaram do estudo 41 estudantes com média de idade de 22 anos (±2 anos e 5 meses), sendo 24 do sexo masculino (58,5%) e 17 do sexo feminino (41,5%). Desse total, 39 estudantes cursavam o primeiro ano (95%) e 2 estavam no segundo ano (5%). No que tange à raça da amostra, 36 alunos se denominaram brancos (87,8%), 3 pardos (7,3%) e 2 negros (4,8%).

Os escores do IE relativos à autopercepção da empatia foram analisados conforme os diferentes tipos de empatia avaliados nos participantes (Tabela 1).

Tabela 1
Análise do Inventário de Empatia e do tipo de empatia em estudantes de Medicina

Não houve diferença significativa das médias em relação ao sexo e idade em nenhum dos fatores. Os fatores do IE não demonstraram correlações significativas com idade, semestre ou autoavaliação comunicativa.

A escala CARE apresentou mediana de 26 pontos, considerando a média das avaliações dos três juízes, revelando um escore médio avaliativo de 52%, valor que se refere à classificação considerada como “moderada”, na qual apenas 26,8% dos estudantes atingiram níveis mais altos de empatia, ou seja, pontuações acima de 80%. Houve diferença significativa entre os avaliadores (teste de Friedman, p< 0,001). A análise de concordância evidenciou baixa concordância entre as avaliações (ICC = 0,366) (Tabela 2).

Tabela 2
Empatia percebida, concordância e diferenças das avaliações pelos juízes na escala Consultation and Relational Empathy

Os itens mais bem avaliados na escala CARE foram: Item 2 – “Deixou-me contar minha história”, Item 3 – “Realmente me escutou” e Item 6 – “Mostrou cuidado e compaixão”. Os itens menos pontuados foram: Item 9 – “Ajudou-me a sentir em controle”, Item 10 – “Planejou o cuidado comigo” e Item 1 – “Deixou-me à vontade” (Tabela 3).

Tabela 3
Pontuação dos itens na escala Consultation and Relational Empathy entre os avaliadores

Os resultados da análise de correlação de Spearman não evidenciaram associação significativa entre a empatia autorreferida, mensurada pelo Inventário de Empatia (IE), e a empatia percebida pelos avaliadores externos por meio da escala CARE. A correlação entre o escore total do IE e a média da pontuação da CARE foi praticamente nula (r = 0,02; p= 0,91), indicando ausência de relação linear entre as variáveis (Tabela 4).

Tabela 4
Correlação entre empatia autorreferida e empatia percebida

Dos 41 estudantes da amostra, 11 (26,83%) apresentaram um nível elevado de empatia durante o atendimento e obtiveram uma nota atribuída pelos juízes acima de 40 pontos (80%) na escala.

A nota média atribuída pelos estudantes ao seu próprio desempenho comunicativo, após as simulações de atendimento, foi de 2,97 (±1,9), em uma escala de 1 a 5, e 61% dos estudantes relataram ter demonstrado empatia durante o atendimento.

A comparação entre a pontuação média geral da escala CARE e a nota de autoavaliação atribuída pelos estudantes ao seu desempenho comunicativo demonstrou que ambas as medidas convergem para um nível moderado de empatia e de habilidades comunicativas.

O canal comunicativo mais percebido pela amostra foi o não verbal, e as emoções mais identificadas pelos estudantes durante a simulação foram medo, tristeza e dúvida.

DISCUSSÃO

A empatia se apresenta por meio de componentes cognitivos e emocionais, que estão relacionados aos fatores avaliados pelo IE (SA, AL, TP, FI) e são expressos por meio de comportamentos comunicativos verbais e não verbais. Os fatores de Sensibilidade Afetiva (SA) e Altruísmo (AL) foram os mais bem pontuados nesta amostra e têm relação com os componentes de empatia emocional e preocupação empática, enquanto os fatores de Flexibilidade Interpessoal (FI) e Tomada de Perspectiva (TP) foram os menos pontuados e estão relacionados à empatia cognitiva. Esses dados indicam que os estudantes desta amostra tendiam a se perceber melhor em dimensões emocionais/afetivas do que nas cognitivas, padrão observado em pesquisas semelhantes(3,7,12).

De forma geral, o IE possibilita identificar as manifestações da empatia no indivíduo e, em particular, permite avaliar a percepção dessa habilidade em grupos específicos, como estudantes e profissionais da saúde, sendo útil para inferir o impacto da comunicação durante interações que envolvam o cuidado e a qualidade do vínculo estabelecido com o paciente, aspectos fundamentais para a eficácia terapêutica, adesão ao tratamento e satisfação do paciente(12).

Estudos demonstram que estudantes e profissionais de saúde tendem a apresentar maior facilidade em mobilizar dimensões emocionais e de preocupação empática, enquanto a empatia cognitiva, ligada a processos de raciocínio e negociação, exige maior experiência e treinamento específico para ser plenamente expressa em interações clínicas(7,10). Profissionais de saúde mais empáticos podem apresentar melhores desfechos clínicos e maior confiança por parte de seus pacientes(4,5). Entretanto, embora a empatia seja frequentemente valorizada no discurso sobre boas práticas clínicas, sua manifestação concreta durante as interações profissionais nem sempre é evidente, especialmente entre estudantes em formação na área da saúde(5,7).

Um estudo que avaliou a empatia em estudantes universitários da área da saúde apontou maior autopercepção da empatia afetiva/emocional nesse grupo em comparação com estudantes de outras áreas, e os fatores cognitivos apareceram com menores médias no grupo da saúde(5). Esse achado reforça a ideia de que, em profissionais de saúde, a dimensão afetiva da empatia é mais frequentemente relatada do que a cognitiva, embora ambas sejam fundamentais(2).

Uma revisão integrativa sobre o impacto da empatia em estudantes de Medicina apontou que a empatia afetiva contribui mais fortemente para vínculos terapêuticos e bem-estar do paciente, enquanto a empatia cognitiva, ainda que essencial, é menos autopercebida pelos estudantes(14). Dessa forma, a literatura concorda com os dados apresentados neste estudo, que demonstraram que, em estudantes universitários, particularmente da área da saúde, os fatores emocionais (SA, AL) do IE tendem a ser mais altos que os cognitivos (FI,TP).

Os dados do IE revelam o nível da empatia percebida pelos próprios estudantes, de acordo com seus comportamentos e ações em situações pessoais e acadêmicas. Isso indica que eles avaliam essa habilidade relacionando-a com aspectos emocionais e afetivos durante seus relacionamentos interpessoais. Já os valores obtidos pela escala CARE indicam o nível de empatia desses estudantes atribuído pelo outro.

A escala CARE aborda aspectos qualitativos do atendimento em saúde e não há uma pontuação de corte que seja considerada padrão. Porém, espera-se que, para fins de um atendimento assertivo e mais positivo em relação à qualidade da interação, esses valores sejam superiores a um escore médio de 80%, considerando que todas as afirmativas da escala se referem a aspectos essenciais do relacionamento humano. O valor encontrado no presente estudo confirma valores observados em pesquisas semelhantes com estudantes de Medicina sem experiência profissional e com aqueles que tinham maior nível de experiência profissional, mas sem treinamento específico em comunicação em saúde(13,15,16).

Uma revisão sistemática mostrou que a empatia demonstrada por estudantes de Medicina é consistentemente menor nos anos iniciais, quando não há treinamento em comunicação, com médias moderadas e frágeis em aspectos relacionais(6). Apesar de os participantes deste estudo se encontrarem entre o primeiro e o segundo ano de formação, os dados obtidos na escala CARE foram semelhantes aos de pesquisas que envolveram médicos residentes, estudantes de Medicina com mais de dois anos de formação e médicos com maior experiência profissional(1,13,16), indicando que nem sempre a prática profissional está diretamente ligada ao desenvolvimento da empatia percebida pelo outro.

O médico é o profissional da saúde de referência para grande parte da população e, por muitas vezes, antecede os outros profissionais na busca pela realização de diagnóstico e de encaminhamentos necessários. Desse modo, é fundamental que o primeiro contato com esse profissional seja estabelecido de maneira assertiva, a fim de que todo o processo terapêutico ocorra de forma eficaz.

Nesse contexto, destaca-se a importância da humanização da assistência em saúde, em que a comunicação se configura como uma habilidade-chave, que vai além da competência técnica e envolve acolher, escutar ativamente e reconhecer o paciente em sua integralidade biopsicossocial(1). Essa habilidade favorece a construção de vínculo, aumenta a confiança do paciente no profissional e contribui para maior adesão ao tratamento, além de reduzir inseguranças e ansiedades frente ao processo de cuidado. Assim, um atendimento humanizado no primeiro contato não apenas qualifica a relação médico-paciente, mas também impacta positivamente os desfechos clínicos e a satisfação com o cuidado recebido(2).

A literatura aponta que profissionais e estudantes de Medicina que receberam treinamento específico em comunicação em saúde são mais bem avaliados e apresentam médias superiores aos valores encontrados neste estudo, ou seja, uma avaliação igual ou acima de 80% nesse instrumento, equivalente ao escore “muito bom” ou “excelente” na escala CARE(14,16,17). Os valores de empatia percebida neste estudo podem ser justificados pela baixa experiência profissional e de atendimentos realizados por esses indivíduos; em profissionais experientes, essa habilidade pode ser percebida de forma mais consistente e significativamente mais alta do que em estudantes.

Estudos revelam, no entanto, que ao longo do curso de formação médica os níveis de empatia podem decrescer, ou seja, os aspectos técnicos seriam mais valorizados em detrimento dos valores humanos e relacionais. Esses dados apontam que esse declínio está relacionado não apenas à sobrecarga emocional e ao estresse inerente ao processo de formação, mas também a um modelo curricular ainda fortemente centrado no desempenho técnico, em detrimento da comunicação e da dimensão humanística do cuidado em saúde(6,10,18).

As emoções mais identificadas pelos estudantes durante a simulação refletem um padrão amplamente descrito na literatura sobre comunicação em saúde. Situações que envolvem más notícias ou diagnósticos graves evocam, predominantemente, reações emocionais de valência negativa, sendo o medo e a tristeza os estados afetivos mais reconhecíveis, enquanto sentimentos mais sutis, como esperança ou resiliência, tendem a ser menos percebidos(19,20). Estudos indicam que, nos anos iniciais da formação, os estudantes demonstram maior facilidade em captar manifestações explícitas de sofrimento, como choro, ansiedade ou expressões de medo, mas apresentam dificuldades em lidar com emoções complexas ou mistas, bem como em oferecer respostas que favoreçam o senso de controle do paciente(15,16).

O protocolo SPIKES, sigla em inglês que representa seis etapas para a comunicação de más notícias na área da saúde — Setting up (preparar), Perception (percepção), Invitation (convite), Knowledge (conhecimento), Empathy/Emotions (empatia/emoções) e Strategy/Summary (estratégia/resumo) — é amplamente utilizado e descreve as emoções mais esperadas nesses contextos, como a ansiedade, o medo e a tristeza, sendo que a habilidade do médico em reconhecê-las e responder adequadamente está diretamente associada à percepção de empatia pelo paciente(21). Nesse sentido, os achados do presente estudo reforçam essa perspectiva ao evidenciarem que, embora os estudantes tenham reconhecido e relatado níveis elevados de empatia, houve dificuldade em expressá-la de forma consistente nas interações simuladas, especialmente no manejo das emoções do paciente. Essa discrepância sugere que o domínio teórico de protocolos como o SPIKES não garante, por si só, a competência prática para lidar com situações emocionalmente sensíveis. Além disso, reforça a necessidade de treinamentos que integrem aspectos cognitivos e comportamentais da empatia, com ênfase na identificação de pistas emocionais, na validação dos sentimentos do paciente e na construção de respostas comunicativas adequadas, de modo a tornar a empatia mais perceptível e efetiva no contexto clínico.

Dessa forma, é necessário ampliar a sensibilidade desses estudantes, não apenas para perceber emoções negativas evidentes, mas também para captar sinais emocionais por meio do reconhecimento dessas emoções por canais não verbais, como a expressão facial e a voz.

Os dados deste estudo apontaram que os estudantes podem valorizar os fatores de Sensibilidade Afetiva e Altruísmo, dimensões relacionadas à empatia emocional e à preocupação empática, enquanto os avaliadores perceberam de forma mais consistente a escuta ativa e a demonstração de compaixão como pontos fortes no desempenho dos estudantes.

Os pontos mais frágeis em relação à percepção do comportamento empático dos estudantes estiveram relacionados à autonomia do paciente e à construção do vínculo inicial, sugerindo que eles têm maior dificuldade em compartilhar decisões clínicas e em criar conforto no início do atendimento. Esse achado indica que os estudantes, ainda em formação, tendem a expressar de maneira mais discreta e menos evidente os aspectos afetivos e relacionais da empatia, tanto na autopercepção, quanto na avaliação externa.

Os fatores com menores médias no IE apresentaram semelhança com os itens menos pontuados na CARE, evidenciando dificuldades no exercício de dimensões mais cognitivas da empatia, relacionadas à autonomia do paciente e ao compartilhamento de decisões. Esses achados reforçam a literatura, que aponta maior facilidade dos estudantes em mobilizar dimensões afetivas da empatia, considerando que as dimensões cognitivas e de negociação clínica exigem maior experiência e treinamento específico para se consolidarem na prática comunicativa(5-7).

A análise de correlação entre a CARE e o IE indicou que a percepção dos estudantes sobre seu desempenho não se relacionou de forma significativa com a forma como sua comunicação foi observada e avaliada externamente, sugerindo que, embora os estudantes tenham demonstrado certa consciência de suas limitações, a autopercepção não foi suficiente para predizer a empatia percebida pelo interlocutor.

A literatura aponta que medidas de autorrelato tendem a captar mais a intenção empática do que sua expressão observável, reforçando a importância de estratégias pedagógicas que integrem autoavaliação e feedback externo para promover maior consciência e efetividade na comunicação clínica(1,9,13,16).

A diferença significativa e a baixa concordância entre as pontuações dos avaliadores na escala CARE podem ser explicadas tanto pela variabilidade na expressão da empatia pelos estudantes durante as simulações, quanto pela natureza subjetiva do julgamento dos avaliadores. A heterogeneidade no desempenho dos participantes sugere que os comportamentos empáticos não foram manifestados de forma consistente, o que dificulta a convergência das avaliações.

Além disso, por se tratar de uma medida baseada na observação, é esperado que diferentes avaliadores atribuam pesos distintos a sinais verbais e não verbais de empatia, conforme suas próprias referências e critérios interpretativos(11). Ainda assim, a inconsistência nos resultados aponta para o uso pouco sistematizado da empatia comunicativa como habilidade interpessoal.

Essa interpretação é reforçada pelo fato de que a empatia, especialmente em contextos clínicos simulados, envolve múltiplas dimensões, cognitivas, afetivas e comportamentais, que nem sempre são igualmente desenvolvidas pelos estudantes(5). A ausência de treinamento estruturado e de feedback específico pode contribuir para uma expressão empática mais intuitiva do que intencional, tornando-a menos perceptível aos observadores(3). Além disso, o próprio contexto de simulação pode gerar interferências, como ansiedade de desempenho e foco excessivo em aspectos técnicos da consulta, o que tende a reduzir a atenção aos elementos relacionais. Dessa forma, a variabilidade nas avaliações não apenas reflete diferenças de julgamento, mas também evidencia lacunas na consolidação da empatia como competência clínica observável e consistente.

A relação entre comunicação e empatia está diretamente associada à forma como percebemos e nos expressamos em relação aos sentimentos, comportamentos e intenções do outro. A empatia é expressa por meio dos canais comunicativos verbais e não verbais e é compreendida como uma competência comunicacional complexa, que envolve componentes afetivos, cognitivos e comportamentais. Reconhecer em si essa capacidade é uma habilidade essencial, especialmente em contextos que envolvem a prática médica e em saúde(3-5).

Sendo assim, quando não há coerência entre a empatia percebida e a empatia demonstrada, o resultado dessas interações pode não gerar conexão entre os indivíduos e alguns aspectos podem se tornar barreiras comunicativas para um ou ambos os envolvidos nesse processo(13). A análise comparativa entre essas duas perspectivas permite identificar possíveis lacunas entre a intenção empática e a forma como ela é percebida pelo outro em diversos contextos e, de forma particular, durante o atendimento clínico(10,22). Estudos anteriores sugerem que a baixa correlação entre essas medidas, pode indicar que nem sempre o que o profissional acredita comunicar é, de fato, percebido pelo interlocutor como um comportamento empático(13,23,24).

Estudos que envolvem simulações de atendimento médico demonstraram que tais procedimentos aproximam os estudantes de situações clínicas reais e oferecem oportunidades para a verificação prática da utilização da empatia e habilidades interpessoais. Entre os benefícios da utilização dessa estratégia está a melhora significativa da empatia autorrelatada e percebida pelo outro, melhora da autoconfiança na comunicação e na motivação(11,13,19).

Uma das formas de verificar a empatia autopercebida é a utilização de protocolos de autoavaliação, medida amplamente utilizada em estudos que envolvem essa competência(3). A autopercepção refere-se à capacidade do sujeito de perceber em si mesmo aspectos pelos quais ele avalia seus próprios estados internos, comportamentos e características, constituindo um aspecto central da autoconsciência e da construção da identidade pessoal. Essa habilidade envolve componentes cognitivos e possibilita maior autorregulação e adaptação social em diversas situações, sejam elas pessoais ou profissionais. Tal capacidade é desenvolvida ao longo da vida em um processo de neurodesenvolvimento, em especial nas áreas cerebrais relacionadas à metacognição e à regulação emocional, como o córtex pré-frontal. A dificuldade de autopercepção em qualquer área, cognitiva ou afetiva, de forma subestimada ou superestimada, pode ser um fator negativo à autoconsciência emocional e, consequentemente, ao estabelecimento de relações sociais e à expressão da empatia. A empatia está diretamente associada à capacidade do sujeito em se perceber e perceber o próximo, sendo um fator essencial para interações sociais assertivas(3,9,11).

A literatura aponta que a percepção e a expressão da empatia entre os estudantes da amostra são passíveis de aprimoramento, por se tratarem de habilidades de natureza interpessoal e comportamental. Essas habilidades, conhecidas como soft skills, são desenvolvidas ao longo da vida e podem ser aperfeiçoadas tanto por meio de treinamentos específicos, quanto pela experiência profissional. Nesse sentido, o desenvolvimento da empatia configura-se como um aspecto essencial a ser trabalhado ao longo de todo o período de formação do profissional de saúde(3,11,17,20).

Embora os participantes tenham relatado níveis positivos de empatia, segundo o IE, a avaliação dos observadores externos pela escala CARE revelou resultados menos consistentes, sugerindo um domínio ainda limitado dessa competência. Essa divergência entre o que se percebe e o que se expressa demonstra que sentir empatia não implica, necessariamente, comunicá-la de forma eficaz. Esse achado converge com pesquisas anteriores sobre a dissociação entre empatia percebida e empatia demonstrada em contextos clínicos(17,18,24,25).

A amostra composta por estudantes de Medicina nos primeiros anos de formação constitui uma limitação do presente estudo, uma vez que pode ter influenciado tanto a empatia autorreferida, quanto sua manifestação comunicativa durante as simulações, considerando que o desenvolvimento dessa competência está associado à experiência clínica e ao treinamento específico em comunicação em saúde. Embora os achados deste estudo não possam ser generalizados, em função de suas limitações metodológicas, o tema abordado suscita reflexões relevantes sobre a necessidade de incluir, desde os anos iniciais da formação médica, conteúdos e práticas voltados à empatia e à comunicação. Tal inserção precoce favorece o desenvolvimento gradual e contínuo dessas habilidades ao longo de todo o processo formativo, permitindo que sejam não apenas compreendidas em nível teórico, mas também exercitadas de forma prática e contextualizada.

Além disso, a incorporação sistemática dessas competências no currículo contribui para a formação de profissionais mais sensíveis às demandas emocionais dos pacientes, com maior capacidade de estabelecer vínculos terapêuticos e de comunicar-se de maneira clara, ética e humanizada. Investir no desenvolvimento da empatia comunicativa desde o início da graduação também pode reduzir a lacuna observada entre a autopercepção e a expressão efetiva da empatia, favorecendo a atuação clínica mais consistente e alinhada às necessidades do cuidado em saúde(4).

A utilização da CARE como instrumento de avaliação neste estudo traz implicações metodológicas, especialmente no que se refere à validade da medida no contexto investigado. Originalmente desenvolvida para captar a percepção do paciente sobre a empatia do profissional em consultas reais, a escala CARE se baseia na experiência subjetiva de quem vivencia diretamente a interação clínica. Ao ser aplicada de forma adaptada e por avaliadores externos, há uma mudança significativa no constructo medido, em que deixa-se de acessar a empatia percebida pelo paciente e passa-se a inferir a empatia a partir da observação de comportamentos. Essa transposição pode comprometer a validade inicial do instrumento, uma vez que a empatia, enquanto fenômeno relacional, depende não apenas de sinais observáveis, mas também da experiência interna e contextual do paciente durante o encontro clínico.

Nessa perspectiva, a baixa concordância entre os avaliadores evidencia fragilidade na confiabilidade das avaliações. Esse resultado sugere que os critérios de julgamento da empatia não estavam suficientemente alinhados entre os avaliadores, ou que os comportamentos empáticos expressos pelos estudantes foram sutis, ambíguos ou inconsistentes, dificultando sua identificação objetiva. Além disso, a ausência de um treinamento mais robusto e de ancoragens claras para a interpretação dos itens da escala pode ter ampliado a variabilidade interavaliadores. É importante considerar, também, que a empatia envolve múltiplas dimensões, verbais e não verbais, que nem sempre são plenamente captadas em registros audiovisuais, o que pode ter influenciado em leituras diferentes sobre a mesma interação.

Apesar dessas limitações, a utilização da escala CARE mostrou-se pertinente no contexto deste estudo, uma vez que se trata de um dos instrumentos mais amplamente utilizados e validados internacionalmente para a avaliação da empatia em contextos clínicos(13). A escolha da CARE se fundamentou em sua capacidade de mensurar a empatia a partir de comportamentos observáveis relacionados à comunicação clínica, como escuta ativa, demonstração de interesse, validação emocional e construção de vínculo, aspectos diretamente alinhados aos objetivos deste estudo. Além disso, mesmo quando aplicada por observadores externos, a escala mantém sua relevância por oferecer um referencial estruturado e sistemático para a análise da interação, permitindo maior padronização na avaliação de um construto que, por natureza, é complexo e multifacetado.

A Fonoaudiologia é a ciência que tem a comunicação como objeto de estudo e, desse modo, pode atuar como área estratégica para o desenvolvimento das habilidades comunicativas e empáticas na formação em saúde, favorecendo o desenvolvimento dessas competências para a qualificação de profissionais mais conscientes, expressivos e humanizados(3). Assim, os resultados deste estudo conduzem à reflexão sobre a necessidade de práticas educativas que transcendam a autopercepção e promovam a manifestação empática de forma consciente no encontro real com o outro.

Nesse contexto, a inserção de conteúdos e práticas fonoaudiológicas na formação em saúde pode contribuir para o aprimoramento da escuta ativa, da expressividade vocal, da linguagem não verbal e da adequação funcional da comunicação em saúde. Estratégias como simulações com feedback estruturado, treinamento em habilidades comunicativas e exercícios de percepção emocional podem ampliar a consciência dos estudantes sobre como sua comunicação impacta a relação terapêutica.

Ao abordar os componentes da comunicação empática, a Fonoaudiologia oferece ferramentas concretas para que o estudante desenvolva não apenas a intenção empática, mas também sua expressão de forma clara e eficaz. Além disso, o fortalecimento da empatia como competência observável demanda abordagens pedagógicas contínuas e integradas ao longo da formação e não apenas intervenções pontuais(20).

Portanto, a Fonoaudiologia se posiciona como um campo essencial para mediar o desenvolvimento da empatia comunicativa, contribuindo diretamente para a qualificação do cuidado em saúde e para a construção de vínculos mais efetivos e humanizados.

CONCLUSÃO

Embora os estudantes de Medicina da amostra apresentem níveis autorreferidos positivos de empatia, essa característica não se manifesta de forma consistente nas simulações clínicas. A ausência de correlação significativa entre a empatia autorrelatada e a empatia percebida por avaliadores externos aponta para uma lacuna entre a percepção interna e a expressão observável dessa competência. Tal achado reforça a necessidade de promover, no âmbito da formação médica, experiências educativas que integrem o sentir e o agir empático, de modo que a empatia se converta em prática comunicativa autêntica e eficaz.

Do ponto de vista científico, esses resultados contribuem para o entendimento das dimensões complexas da empatia em contextos de cuidado; socialmente, apontam para a urgência de investir na formação de profissionais capazes de estabelecer relações mais humanas, éticas e responsivas com seus pacientes.

Perceber e demonstrar a empatia de forma coerente e assertiva é uma estratégia importante para que os relacionamentos interpessoais no atendimento em saúde sejam positivos, tanto para o paciente, que poderá ter sua necessidade compreendida, quanto para o profissional, que será mais claro e preciso em suas ideias e informações. A empatia é um elemento-chave para a comunicação e para a conexão com o outro.

Apêndice 1 Autoavaliação da comunicação no atendimento

1- Quais as emoções que você identificou no paciente durante a simulação?

a) Tristeza

b) Alegria

c) Medo

d) Dúvida

e) Raiva

f) Tédio

g) Desprezo

h) Nojo

2- O que mais chamou sua atenção no paciente durante a simulação?

a) Voz

b) Palavras

c) Linguagem corporal

3- Com base no seu desempenho neste atendimento, atribua uma nota de 1 a 5, sendo 1 para ruim e 5 para excelente.

a) 1

b) 2

c) 3

d) 4

e) 5

4- Foi possível demonstrar empatia pelo paciente durante o atendimento?

a) Sim

b) Não

c) Não tenho certeza

Anexo 1. Inventário de Empatia (IE)(12)

Nome:_______________________________________________________ Data: / /

A seguir, você encontrará uma série de afirmações que descrevem reações em diversas situações sociais. Leia cada uma delas com atenção e responda com que frequência essas afirmações se aplicariam a você, marcando o número de acordo com a escala abaixo. Assinale todas as questões.

Utilize a seguinte legenda:

1 2 3 4 5
nunca raramente regularmente quase sempre sempre
1 Quando faço um pedido, procuro me certificar de que este não irá trazer incômodo à outra pessoa. 1 2 3 4 5
2 Eu adiaria a decisão de terminar um relacionamento se percebesse que o meu par está com problemas. 1 2 3 4 5
3 Se estiver com pressa e alguém insistir em continuar conversando comigo, encerro imediatamente o assunto dizendo apenas que tenho que ir. 1 2 3 4 5
4 Quando alguém faz algo que me desagrada, demonstro livremente a minha raiva. 1 2 3 4 5
5 Quando alguém está me confidenciando um problema, exponho minha opinião objetivamente, apontando os seus erros e acertos. 1 2 3 4 5
6 Costumo me colocar no lugar da outra pessoa quando estou sendo criticado, para tentar perceber os sentimentos e razões dela. 1 2 3 4 5
7 Ao ter que fazer um pedido a uma pessoa que está ocupada, declaro o meu reconhecimento do quanto ela está atarefada, antes de fazer o pedido. 1 2 3 4 5
8 Quando recebo uma crítica, costumo me defender imediatamente. 1 2 3 4 5
9 Quando percebo que minha opinião contrasta com a do meu interlocutor, procuro me expor de forma mais incisiva. 1 2 3 4 5
10 Antes de pedir a uma pessoa para mudar um comportamento que me incomoda, procuro me colocar no lugar dela para entender o que a leva a ter tal atitude. 1 2 3 4 5
11 Tenho facilidade de entender o ponto de vista de outra pessoa, mesmo quando ela me critica. 1 2 3 4 5
12 Antes de apontar um comportamento que me incomoda em alguém, procuro demonstrar que considero seus sentimentos e que compreendo suas razões. 1 2 3 4 5
13 Ao fazer um pedido incompatível com os interesses de outra pessoa, procuro ser persuasivo até conseguir o que desejo. 1 2 3 4 5
14 Ao acabar de ouvir um amigo que está com problemas, evito comentar sobre minhas conquistas. 1 2 3 4 5
15 Eu abriria mão de fazer um pedido importante se este causasse incômodo considerável à outra pessoa. 1 2 3 4 5
16 Quando pretendo terminar uma relação, procuro por em prática a minha decisão em vez de ficar pensando muito a respeito. 1 2 3 4 5
17 Quando recebo uma crítica, esforço-me para identificar as razões que levaram a outra pessoa a me criticar. 1 2 3 4 5
18 Quando discordo do meu interlocutor, procuro ouvi-lo e, em seguida, demonstro compreender o seu ponto de vista antes de expressar o meu. 1 2 3 4 5
19 Quando alguém expõe uma opinião contrária à minha, sinto-me incomodado e procuro logo demonstrar o meu ponto de vista. 1 2 3 4 5
20 Se alguém me deve algo, cobro-lhe a dívida imediatamente, mesmo que ele possa ter motivos que justifiquem o não pagamento. 1 2 3 4 5
21 Antes de expressar a minha opinião sobre algo com que não concordo, eu procuro compreender o lado de todas as pessoas envolvidas. 1 2 3 4 5
22 É melhor terminar logo uma relação com uma pessoa do que ficar adiando, mesmo que naquele dia ele (a) não esteja bem. 1 2 3 4 5
23 Se eu fizer um pedido e receber uma negativa, procuro entender as razões do outro, mesmo me sentindo frustrado(a). 1 2 3 4 5
24 Quando alguém age comigo de maneira hostil, respondo da mesma forma. 1 2 3 4 5
25 Quando recebo uma crítica procuro expressar para a outra pessoa a minha compreensão do que ela disse, para me certificar de que a entendi. 1 2 3 4 5
26 Quando alguém me faz um pedido que não posso ou não quero atender, digo “não” sem rodeios. 1 2 3 4 5
27 Evito revelar meus problemas pessoais quando percebo que a outra pessoa não está bem. 1 2 3 4 5
28 Consigo compreender inteiramente os sentimentos e razões de outra pessoa que se comportou comigo de forma hostil ou prejudicial. 1 2 3 4 5
29 Antes de desabafar meus problemas com um amigo procuro me certificar de que ele está receptivo a me ouvir. 1 2 3 4 5
30 Não consigo ficar calado quando ouço alguém falar um absurdo. 1 2 3 4 5
31 31. Antes de expressar minhas opiniões em uma conversa procuro compreender as opiniões da outra pessoa, especialmente quando estas são diferentes das minhas. 1 2 3 4 5
32 Eu sou do tipo que não leva desaforo pra casa. 1 2 3 4 5
33 Costumo me colocar no lugar de uma pessoa que está me revelando um problema para ver como me sentiria e o que pensaria se a situação fosse comigo. 1 2 3 4 5
34 Durante uma conversação procuro demonstrar interesse pela outra pessoa, adotando uma postura atenta. 1 2 3 4 5
35 Quando percebo que alguém se comporta de um modo que me incomoda, expresso imediatamente a minha insatisfação para deixar as coisas bem claras. 1 2 3 4 5
36 Antes de encerrar um relacionamento, eu me coloco no lugar da outra pessoa para avaliar como ela irá se sentir. 1 2 3 4 5
37 Ao fazer um pedido conflitante com os interesses de outra pessoa, procuro expressar meu reconhecimento sincero do incômodo que estou lhe causando. 1 2 3 4 5
38 Quando alguém não paga o que me deve, fico muito irritado e não hesito em cobrar a dívida. 1 2 3 4 5
39 Deixo de revelar uma experiência de sucesso se percebo que a outra pessoa está triste ou com problemas. 1 2 3 4 5
40 Se decidir recusar um pedido, vou direto ao ponto 1 2 3 4 5

Anexo 2. Escala CARE (Consultation and Relational Empathy)(13)

Após assistir à simulação do atendimento, colocando-se no lugar do paciente (ator), você deve assinalar na planilha como se sentiu em relação a cada item do protocolo.

Item Descrição Ruim Regular Bom Muito bom Excelente Não se aplica
1 Deixar você à vontade (sendo gentil e amigável, tratando você com respeito; sem ser frio(a) ou ríspido(a))
2 Deixar você contar sua “história” (dando tempo para você descrever sua doença completamente, com suas próprias palavras; sem lhe interromper ou distrair)
3 Realmente ouvir (prestando atenção no que você dizia; sem ficar olhando nas anotações ou no computador enquanto você falava)
4 Estar interessado em sua pessoa como um todo (perguntando ou sabendo detalhes importantes da sua vida, sua situação; sem lhe tratar “apenas como um número”)
5 Entender plenamente suas preocupações (demonstrando que ele ou ela tinha entendido corretamente suas preocupações; não esquecendo ou desconsiderando nada)
6 Mostrar cuidado e compaixão (demonstrando estar genuinamente preocupado, relacionando-se com você em um nível humano; não sendo indiferente ou insensível)
7 Ser positivo (tendo uma abordagem e uma atitude positivas; sendo honesto(a), sem ser negativo(a) sobre os seus problemas)
8 Explicar as coisas claramente (respondendo completamente suas questões, explicando claramente, dando informações adequadas para você; não sendo vago)
9 Ajudar você a manter o controle (conversando sobre o que você pode fazer para melhorar sua saúde; encorajando ao invés de ficar “dando sermão”)
10 Planejar junto com você o que será feito (conversando sobre as possibilidades, envolvendo você nas decisões na medida em que você quer estar envolvido(a); não ignorando os seus pontos de vista)

AGRADECIMENTOS

A todos os que contribuíram, de alguma forma, para a realização desta pesquisa.

  • Trabalho realizado na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre – UFCSPA – Porto Alegre (RS), Brasil.
  • Declaração de Disponibilidade de Dados:
    Os dados de pesquisa estão disponíveis no corpo do artigo.
  • Financiamento:
    Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES, processo nº 88882.442869/2019-0.

REFERÊNCIAS

  • 1 Han C, Wu Q, Liu C, Wang P. Patient’s perceived empathy can predict doctor-patient relationship in medical interaction. BMC Med Educ. 2025;25(1):741. https://doi.org/10.1186/s12909-025-07117-7 PMid:40528158.
    » https://doi.org/10.1186/s12909-025-07117-7
  • 2 Pachêco CSG, Gonçalves LH, Silveira DK, Santos N, Lourenço-Júnior AA. Empatia em estudantes de Medicina: análise em função do gênero, semestre e área de atuação. Rev Bras Educ Med. 2022;46(1):e022.
  • 3 Behlau M, Barbara M. Comunicação consciente: o que comunico quando me comunico. Rio de Janeiro: Thieme Revinter; 2022. 256 p.
  • 4 Pedersen R. Empathy development in medical education: a critical review. Med Teach. 2010;32(7):593-600. https://doi.org/10.3109/01421590903544702 PMid:20653383.
    » https://doi.org/10.3109/01421590903544702
  • 5 Brunfentrinker C, Gomig RP, Grosseman S. Prevalência de empatia, ansiedade e depressão, e sua associação entre si e com sexo e especialidade pretendida em estudantes de medicina. Rev Bras Educ Med. 2021;45(3):e182. https://doi.org/10.1590/1981-5271v45.3-20210177
    » https://doi.org/10.1590/1981-5271v45.3-20210177
  • 6 Neumann M, Edelhäuser F, Tauschel D, Fischer MR, Wirtz M, Woopen C, et al. Empathy decline and its reasons: a systematic review of studies with medical students and residents. Acad Med. 2011;86(8):996-1009. https://doi.org/10.1097/ACM.0b013e318221e615 PMid:21670661.
    » https://doi.org/10.1097/ACM.0b013e318221e615
  • 7 Ferreira TLQ, Barros DM, Santos RM, Oliveira ME, Guimarães LS. Avaliação da empatia clínica dos estudantes de Medicina: associação entre inteligência emocional e empatia. Rev Saúde. 2025;11(2):e18952. https://doi.org/10.25248/reas.e18952.2025
    » https://doi.org/10.25248/reas.e18952.2025
  • 8 Kötter T, Niebuhr F. Empathy as a selection criterion for medical students. Educ Assess, Eval Account. 2022;47(7):1027-41. https://doi.org/10.1007/s11092-022-09387-x
    » https://doi.org/10.1007/s11092-022-09387-x
  • 9 Bagacean C, Cousin I, Ubertini AH, El Yacoubi El Idrissi M, Bordron A, Mercadie L, et al. Simulated patient and role play methodologies for communication skills and empathy training of undergraduate medical students. BMC Med Educ. 2020;20(1):491. https://doi.org/10.1186/s12909-020-02401-0 PMid:33276777.
    » https://doi.org/10.1186/s12909-020-02401-0
  • 10 Keshtkar L, Ward A, Winter R, Leung C, Howick J. Does empathy decline in the clinical phase of medical education? A study of students at Leicester medical school. PEC Innov. 2024;5:100316. https://doi.org/10.1016/j.pecinn.2024.100316 PMid:39776945.
    » https://doi.org/10.1016/j.pecinn.2024.100316
  • 11 Chen DC, Pahilan ME, Orlander J. Comparing a self-administered measure of empathy with observed empathy in medical students. J Gen Intern Med. 2010;25(3):200-2. https://doi.org/10.1007/s11606-009-1193-4 PMid:20013070.
    » https://doi.org/10.1007/s11606-009-1193-4
  • 12 Falcone EMO, Ferreira MC, Luz RC, Fernandes CS, D’Augustin JF, Sardinha A, et al. Inventário de Empatia (IE): desenvolvimento e validação de um instrumento para avaliação da empatia. Psico-USF. 2008;13(1):75-84.
  • 13 Scarpellini GR, Capellato G, Rizzatti FPG, da Silva GA, Martinez JAB. Escala CARE de empatia: tradução para o português falado no Brasil e resultados iniciais de validação. Rev FMRP. 2014;47(1):51-8. https://doi.org/10.11606/issn.2176-7262.v47i1p51-58
    » https://doi.org/10.11606/issn.2176-7262.v47i1p51-58
  • 14 Chen H, Xuan H, Cai J, Liu M, Shi L. The impact of empathy on medical students: an integrative review. BMC Med Educ. 2024;24(1):455. https://doi.org/10.1186/s12909-024-05448-5 PMid:38664799.
    » https://doi.org/10.1186/s12909-024-05448-5
  • 15 Park KY, Shin J, Park HK, Kim YM, Hwang SW, Shin JH, et al. Validity and reliability of a Korean version of the Consultation and Relational Empathy (CARE) measure. BMC Med Educ. 2022;22(1):403. https://doi.org/10.1186/s12909-022-03478-5 PMid:35614452.
    » https://doi.org/10.1186/s12909-022-03478-5
  • 16 Howick J, Moscrop A, Mebius A, Fanshawe TR, Lewith G, Bishop FL, et al. Effects of empathic and positive communication in healthcare consultations: a systematic review and meta-analysis. J R Soc Med. 2018;111(7):240-52. https://doi.org/10.1177/0141076818769477 PMid:29672201.
    » https://doi.org/10.1177/0141076818769477
  • 17 Schwartzkopf CT, Alves RT, Lopes PC, Braux J, Capucho F, Ribeiro C. The role of training and education for enhancing empathy among healthcare students: a systematic review of randomised controlled trials. BMC Med Educ. 2025;25(1):469. https://doi.org/10.1186/s12909-025-07038-5 PMid:40170003.
    » https://doi.org/10.1186/s12909-025-07038-5
  • 18 Sarkis DJ, Lucchetti G, Martins MCM, Ferreira BS, Soares AHO, Ezequiel OS, et al. Effectiveness of different strategies to teach empathy among medical students: a randomized controlled study. Patient Educ Couns. 2025;130:108468. https://doi.org/10.1016/j.pec.2024.108468 PMid:39405589.
    » https://doi.org/10.1016/j.pec.2024.108468
  • 19 Catarucci FM, Almeida J, Vieira AC, Silva L. Empatia em estudantes de Medicina: efeitos de um programa de gerenciamento do estresse. Rev Bras Educ Med. 2022;46(2):e071. https://doi.org/10.1590/1981-5271v46.2-20210290
    » https://doi.org/10.1590/1981-5271v46.2-20210290
  • 20 Nascimento SA, Satler CE. Desenvolvimento da empatia em estudantes de saúde: análise das intervenções eficazes. Rev Psicopedag. 2025;42(127):143-53. https://doi.org/10.51207/2179-4057.20250013
    » https://doi.org/10.51207/2179-4057.20250013
  • 21 Girardi JM, Andrade BAM, Leão FRC, Machado M, Protazio MM, Oliveira MP, et al. O protocolo SPIKES na comunicação de más notícias em saúde: revisão integrativa. Rev Bras Educ Saúde. 2024;14(1):142-50. https://doi.org/10.18378/rebes.v14i1.10218
    » https://doi.org/10.18378/rebes.v14i1.10218
  • 22 Mercer SW, Maxwell M, Heaney D, Watt GCM. The consultation and relational empathy (CARE) measure: development and preliminary validation and reliability of an empathy-based consultation process measure. Fam Pract. 2004;21(6):699-705. https://doi.org/10.1093/fampra/cmh621 PMid:15528286.
    » https://doi.org/10.1093/fampra/cmh621
  • 23 Andersen FA, Johansen ASB, Søndergaard J, Andersen CM, Assing Hvidt E. Revisiting the trajectory of medical students’ empathy, and impact of gender, specialty preferences and nationality: a systematic review. BMC Med Educ. 2020;20(1):52. https://doi.org/10.1186/s12909-020-1964-5 PMid:32066430.
    » https://doi.org/10.1186/s12909-020-1964-5
  • 24 Mohamed KG, Almarabheh A, Almughamsi AM, Atwa H, Shehata MH. Evaluation of the effect of a communication skills course on medical students’ attitude towards patient-centered care: a prospective study. PeerJ. 2024;12:e18676. https://doi.org/10.7717/peerj.18676 PMid:39670099.
    » https://doi.org/10.7717/peerj.18676
  • 25 Nagy E, Luta GMM, Huhn D, Cranz A, Schultz JH, Herrmann-Werner A, et al. Teaching patient-centred communication skills during clinical procedural skill training: a preliminary pre-post study comparing international and local medical students. BMC Med Educ. 2021;21(1):469. https://doi.org/10.1186/s12909-021-02901-7 PMid:34479572.
    » https://doi.org/10.1186/s12909-021-02901-7

Editado por

  • Editor-Chefe:
    Renata Mota Mamede Carvallo.
  • Editor Associado:
    Stela Maris Aguiar Lemos.

Disponibilidade de dados

Os dados de pesquisa estão disponíveis no corpo do artigo.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    17 Ago 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    29 Mar 2026
  • Aceito
    08 Jun 2026
Creative Common - by 4.0
Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a licença Creative Commons Attribution (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/), que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.
location_on
Academia Brasileira de Audiologia Rua Itapeva, 202, conjunto 61, CEP 01332-000, Tel.: (11) 3253-8711 - São Paulo - SP - Brazil
E-mail: revista@audiologiabrasil.org.br
rss_feed Stay informed of issues for this journal through your RSS reader
Go to top Report error