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Distúrbio de voz e fatores de risco em profissionais da voz falada: uma revisão integrativa

RESUMO

Objetivo

Identificar evidências científicas sobre o distúrbio de voz relacionado ao trabalho e fatores de risco, além de apontar os sintomas vocais, instrumentos e métodos de avaliação em profissionais da voz falada.

Estratégia de pesquisa

Revisão integrativa da literatura, realizada nas bases de dados LILACS, SciELO, MEDLINE/PubMed e Scopus.

Critérios de seleção

Artigos com profissionais da voz falada, que abordassem os fatores de riscos individuais, organizacionais e/ou ambientais vinculados aos sintomas e/ou distúrbios de voz, estudos observacionais, disponíveis na íntegra, sem restrição ao idioma e ano de publicação.

Resultados

Foram incluídos 58 estudos, maior publicação entre os anos de 2014 e 2022, predominantemente no Brasil, em destaque, o professor. O método de avaliação mais utilizado foi autoavaliação com o uso dos protocolos, seguido da avaliação perceptivo-auditiva e do exame laringológico. Os fatores de risco mais identificados foram os individuais, seguidos dos organizacionais e ambientais, além de terem sido relatados os sintomas vocais sensoriais e auditivos.

Conclusão

Os fatores mais autorreferidos são ruído, uso intenso da voz, alterações respiratórias, ser do gênero feminino e práticas vocais inadequadas. Quanto aos sintomas vocais sensoriais, destacam-se garganta seca, pigarro e fadiga vocal, e quanto aos auditivos, rouquidão.

Palavras-chave:
Voz; Distúrbios da voz; Disfonia; Saúde ocupacional; Fatores de risco

ABSTRACT

Purpose

To identify scientific evidence about (Work-Related Voice Disorder) and risk factors, as well as to point out vocal symptoms, instruments and evaluation methods in spoken voice professionals.

Research strategy

Integrative literature review carried out in LILACS, SciELO, MEDLINE/PubMed and Scopus databases.

Selection criteria

Articles with spoken voice professionals, which addressed individual, organizational and/or environmental risk factors linked to symptoms and/or voice disorders, observational studies, fully available, without restriction to language and year of publication.

Results

58 papers were included, the largest publication between the years 2014 and 2022, predominantly in Brazil, with emphasis on the teacher. The most used evaluation method was vocal assessment using self-assessment protocols, followed by auditory-perceptual assessment and laryngological examination. The mostly identified risk factors were individual ones, followed by organizational and environmental ones, in addition to sensory and auditory vocal symptoms having been reported.

Conclusion

The most often self-reported factors were noise, intense voice use, respiratory changes, being female and inappropriate vocal practices. For sensory vocal symptoms, dry throat, throat clearing and vocal fatigue stand out, and for auditory symptoms, hoarseness.

Keywords:
Voice; Voice disorders; Dysphonia; Occupational health; Risk factors

INTRODUÇÃO

Os profissionais da voz falada apresentam características e práticas específicas em relação ao seu contexto ocupacional, o que favorece o risco de desenvolvimento de distúrbio de voz, se comparados com a população em geral. Nessa população, a voz é considerada o principal instrumento de trabalho(11 Nakamura HY, Souza TMT, Constantini AC, Maiorino AV. Relação entre voz e ambiente. In: Siqueira MCC, Ferreira LP, Brasolotto AG, Santos RS, editores. Fonoaudiólogo: o que fazer com a voz do professor? Curitiba: Universidade Tuiuti do Paraná; 2021. p. 135-48.) e alguns fatores podem interferir nas condições da produção vocal. Os fatores podem ser endógenos, que estão relacionados ao próprio sujeito, como a presença de alergias respiratórias, e exógenos, referentes aos aspectos externos ao indivíduo, como presença de ruído, poeira/mofo, temperatura, entre outros(22 Smith E, Gray SD, Dove H, Kirchner L, Heras H. Frequency and effects of teachers’ voice problems. J Voice. 1997 Mar;11(1):81-7. http://dx.doi.org/10.1016/S0892-1997(97)80027-6. PMid:9075180.
http://dx.doi.org/10.1016/S0892-1997(97)...
).

Os fatores endógenos e exógenos, ou seja, os riscos individuais, organizacionais e ambientais contribuem para o aparecimento de queixas e sintomas vocais(33 Silva WJN, Lopes LW, Macedo AER, Costa DB, Almeida AAF. Reduction of risk factors in patients with behavioral dysphonia after vocal group therapy. J Voice. 2017;31(1):123.e15-9. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2016.01.007. PMid:26897544.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2016....
) que, associados à atividade ocupacional, podem auxiliar na gênese e/ou manutenção do distúrbio de voz relacionado ao trabalho (DVRT)(44 Santos CT, Santos C, Lopes LW, Silva POC, Lima-Silva MFB. Relationship between working and voice conditions self-reported by telemarketers of an emergency call center. CoDAS. 2016;28(5):583-94. http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/20162015125. PMid:27849240.
http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/2016...
).

Estudos que buscam conhecer a condição vocal dos profissionais da voz falada têm destacado como fatores individuais a alta prevalência de queixas vocais em indivíduos do gênero feminino, além de presença de dores no pescoço, ombro e costas, alteração respiratória, ausência de sono reparador, ansiedade e saúde geral irregular(55 Johns-Fiedler H, van Mersbergen M. The prevalence of voice disorders in 911 emergency telecommunicators. J Voice. 2015;29(3):389.e1-10. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2014.08.008. PMid:25659735.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2014....

6 Fontan L, Fraval M, Michon A, Déjean S, Welby-Gieusse M. Vocal problems in sports and fitness instructors: a study of prevalence, risk factors, and need for prevention in France. J Voice. 2017;31(2):261.e33-8. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2016.04.014. PMid:27528368.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2016....
-77 Murta JAN, Barbosa MS, Caldeira AP, Barbosa-Medeiros MR, Rossi-Barbosa LAR. Factors associated with voice complaints in community health agents. CoDAS. 2021;33(1):e20200017. http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/20202020017. PMid:33886748.
http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/2020...
).

Dentre os riscos ambientais que podem predispor à disfonia, a literatura cita o ruído elevado, a exposição a produtos químicos irritativos de vias aéreas superiores (solventes, vapores metálicos, gases asfixiantes), a presença de poeira ou fumaça no local de trabalho, ventilação inadequada do ambiente, baixa umidade, acústica desfavorável, mobiliário e recursos materiais inadequados ou insuficientes, dentre outros(66 Fontan L, Fraval M, Michon A, Déjean S, Welby-Gieusse M. Vocal problems in sports and fitness instructors: a study of prevalence, risk factors, and need for prevention in France. J Voice. 2017;31(2):261.e33-8. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2016.04.014. PMid:27528368.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2016....
,88 Brasil. Ministério da Saúde. Distúrbio de voz relacionado ao trabalho - DVRT [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2018 [citado em 2022 Out 10]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/disturbio_voz_relacionado_trabalho_dvrt.pdf
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoe...

9 Korn GP, Pontes AALP, Abranches D, Pontes AL. Vocal tract discomfort and risk factors in university teachers. J Voice. 2016;30(4):507.e1-8. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2015.06.001. PMid:26279322.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2015....

10 Hagelberg AM, Simberg S. Prevalence of voice problems in priests and some risk factors contributing to them. J Voice. 2015;29(3):389.e11-8. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2014.08.015. PMid:25795362.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2014....
-1111 Vertanen-Greis H, Löyttyniemi E, Uitti J. Voice disorders are associated with stress among teachers: a cross-sectional study in Finland. J Voice. 2020;34(3):488.e1-8. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018.08.021. PMid:30396701.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018....
).

Quanto aos riscos organizacionais, se observa o uso intensivo da voz, estresse relacionado ao trabalho, falta de autonomia, ausência de treinamento, postura e equipamentos inadequados, trabalho sob forte pressão, sobrecarga de funções, privação de acesso aos sanitários e hidratação, insatisfação salarial, entre outros(88 Brasil. Ministério da Saúde. Distúrbio de voz relacionado ao trabalho - DVRT [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2018 [citado em 2022 Out 10]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/disturbio_voz_relacionado_trabalho_dvrt.pdf
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoe...
,1010 Hagelberg AM, Simberg S. Prevalence of voice problems in priests and some risk factors contributing to them. J Voice. 2015;29(3):389.e11-8. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2014.08.015. PMid:25795362.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2014....
,1212 Servilha EAM, Correia JM. Correlações entre condições do ambiente, organização do trabalho, sintomas vocais autorreferidos por professores universitários e avaliação fonoaudiológica. Disturb Comun. 2014;26(3):452-62.

13 Estes C, Sadoughi B, Coleman R, D’Angelo D, Sulica L. Phonotraumatic injury in fitness instructors: risk factors, diagnoses, and treatment methods. J Voice. 2020;34(2):272-9. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018.10.001. PMid:30393049.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018....

14 Servilha EAM, Arbach MDP. Queixas de saúde em professores universitários e sua relação com fatores de risco presentes na organização do trabalho. Disturb Comun. 2011;23(2):181-91.
-1515 Cipriano FGC, Ferreira LP, Servilha EAM, Marsiglia RMG. Relation between voice disorders and work in a group of Community Health Workers. CoDAS. 2013;25(6):548-56. PMid:24626981.).

Esses fatores de risco podem contribuir com a presença de sinais e sintomas vocais, como rouquidão, garganta seca, esforço ao falar, fala tensa e dor cervical, dificuldade em agudo, falta de volume e projeção vocal, perda na eficiência vocal, pouca resistência ao falar, pigarro, inconstância e/ou tremor na voz, que somados aos fatores psicoemocionais/psicossomáticos podem evoluir para o DVRT(77 Murta JAN, Barbosa MS, Caldeira AP, Barbosa-Medeiros MR, Rossi-Barbosa LAR. Factors associated with voice complaints in community health agents. CoDAS. 2021;33(1):e20200017. http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/20202020017. PMid:33886748.
http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/2020...
,88 Brasil. Ministério da Saúde. Distúrbio de voz relacionado ao trabalho - DVRT [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2018 [citado em 2022 Out 10]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/disturbio_voz_relacionado_trabalho_dvrt.pdf
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoe...
,1515 Cipriano FGC, Ferreira LP, Servilha EAM, Marsiglia RMG. Relation between voice disorders and work in a group of Community Health Workers. CoDAS. 2013;25(6):548-56. PMid:24626981.

16 Alves LP, Araújo LTR, Xavier JA No. Prevalência de queixas vocais e estudo de fatores associados em uma amostra de professores de ensino fundamental em Maceió, Alagoas, Brasil. Rev Bras Saúde Ocup. 2010;35(121):168-75. http://dx.doi.org/10.1590/S0303-76572010000100018.
http://dx.doi.org/10.1590/S0303-76572010...
-1717 Rechenberg L, Goulart BN, Roithmann R. Impacto da atividade laboral de teleatendimento em sintomas e queixas vocais: estudo analítico. J Soc Bras Fonoaudiol. 2011;23(4):301-7. http://dx.doi.org/10.1590/S2179-64912011000400003. PMid:22231049.
http://dx.doi.org/10.1590/S2179-64912011...
). O desenvolvimento do DVRT é multicausal e requer uma avaliação aprofundada que analise o profissional em todo o seu contexto.

A avaliação fonoaudiológica de um distúrbio de voz é complexa e, estando este relacionado à atividade ocupacional, deve-se considerar sua característica multifatorial(1818 Andrada e Silva MA, Bittencourt MFQP, Korn GP, Borrego MCM. Diagnóstico do distúrbio de voz relacionado ao trabalho: reflexões multidisciplinares sobre o uso da voz no trabalho. In: Ferreira LP, Andrada e Silva MA, editores. Distúrbio de voz relacionado ao trabalho. São Paulo: Sintropia Traduções; 2022. p. 152-77.). A avaliação dos padrões vocais pode ser feita por meio da autoavaliação vocal, com a aplicação de protocolos, do julgamento perceptivo-auditivo, da análise acústica da voz, além do exame laringológico, realizado por um médico otorrinolaringologista(1919 Patel RR, Awan SN, Barkmeier-Kraemer J, Courey M, Deliyski D, Eadie T, et al. Recommended protocols for instrumental assessment of voice: american Speech-Language-Hearing Association expert panel to develop a protocol for instrumental 170 assessment of vocal function. Am J Speech Lang Pathol. 2018;27(3):887-905. http://dx.doi.org/10.1044/2018_AJSLP-17-0009. PMid:29955816.
http://dx.doi.org/10.1044/2018_AJSLP-17-...
,2020 Dejonckere PH, Bradley P, Clemente P, Cornut G, Crevier-Buchman L, Friedrich G, et al. A basic protocol for functional assessment of voice pathology, especially for investigating the efficacy of (phonosurgical) treatments and evaluating new assessment techniques. Guideline elaborated by the Committee on Phoniatrics of the European Laryngological Society (ELS). Eur Arch Otorhinolaryngol. 2001;258(2):77-82. http://dx.doi.org/10.1007/s004050000299. PMid:11307610.
http://dx.doi.org/10.1007/s004050000299...
).

Ademais, é importante investigar os fatores de risco individuais, organizacionais e ambientais e suas relações com os distúrbios de voz no âmbito da voz falada, uma vez que estudos com essa proposta auxiliam na melhor avaliação, promoção e prevenção do DVRT, além de evitar danos à saúde física e mental, à qualidade de vida, que envolvem aspectos sociais e laborais desses profissionais. Os instrumentos de avaliação e autoavaliação específica para essa população de profissionais da voz falada é relevante para investigar todo o seu contexto ocupacional e de saúde vocal.

OBJETIVO

O objetivo desta revisão de literatura foi identificar evidências científicas sobre os distúrbios de voz relacionados ao trabalho (DVRT) e fatores de risco, além de apontar os sintomas vocais, instrumentos e métodos de avaliação relativos aos profissionais da voz falada.

ESTRATÉGIA DE PESQUISA

Trata-se de uma revisão integrativa da literatura e incluiu as seguintes etapas: elaboração da questão norteadora, busca na literatura científica, extração e análise quanti-qualitativa dos dados.

A seguinte pergunta norteou este estudo: “Quais os fatores de risco, sintomas vocais, instrumentos e métodos de avaliação presentes em estudos voltados aos profissionais da voz falada que apresentam DVRT?”. A formulação da pergunta e a busca estratégica foram baseadas na estratégia do acrônimo PVO (P significa população, contexto, ou situação baseada em problema; V significa variáveis e O representa outcomes, como resultados esperados ou inesperados)(2121 Mendes ALF, Dornelas do Carmo R, Dias de Araújo AMG, Paranhos LR, Mota CSO, Schneiberg S, et al. The effects of phonation into glass, plastic, and LaxVox tubes in singers: a systematic review. J Voice. 2019 Maio;33(3):381.e1-9. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2017.12.005. PMid:29731378.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2017....
). Dessa forma, “P” correspondeu aos profissionais da voz falada, “V”, aos fatores de risco individuais, organizacionais e ambientais, bem como aos instrumentos e métodos de avaliação, e “O”, aos distúrbios da voz.

As bases de dados consultadas foram a Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Scientific Eletronic Library Online (SciELO), Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE)/Public Medicine Library (PubMed) e Scopus. As palavras-chave foram selecionadas a partir de uma consulta aos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e ao Medical Subject Headings (MeSH). Foram escolhidos os descritores “Voice”, “Voice Disorders”, “Dysphonia”, “Occupational health”, “Risk factors”.

Na sequência, realizou-se a busca estratégica, a partir de duas combinações de descritores, utilizando-se os operadores booleanos “OR” e “AND”, respectivamente, às bases de dados a) SciELO/Scopus/LILACS: Dysphonia OR “Voice Disorders” OR Voice AND “Occupational health” AND “Risk factors”; b) MEDLINE: (((“Phonation Disorders”) OR (“Phonation Disorder”) OR (Dysphonia[MeSH])) OR ((“Voice Disorder”) OR (“Voice Disturbance”) OR (“Disturbance, Voice”) OR (“Voice Disorders”[MeSH])) OR ((Voices) OR (Voice[MeSH])) AND ((“Health, Occupational”) OR (“Occupational Health”[MeSH])) AND ((“Factor, Risk”) OR (“Risk Factor”) OR (“Risk Factors”[MeSH]))).

CRITÉRIOS DE SELEÇÃO

Quanto aos critérios de inclusão, foram adotados artigos cuja população fosse de profissionais da voz falada, que abordassem os fatores de risco individuais, organizacionais e/ou ambientais relacionados ou vinculados aos sintomas e/ou distúrbios de voz, estudos observacionais, disponíveis na íntegra e sem restrição quanto ao idioma e ano de publicação.

Como critérios de exclusão, consideraram-se a repetição em bancos de dados, monografias, dissertações, teses, revisões da literatura, livros e capítulos de livros.

A busca ocorreu entre maio e julho de 2022 por dois membros da equipe, de forma independente e cega. A primeira etapa de seleção dos artigos foi realizada mediante leitura e análise de títulos e resumos de todas as publicações detectadas, que também identificou repetição de artigos em bases distintas. Em seguida, realizou-se a leitura na íntegra dos estudos selecionados, com exclusão dos artigos que não se enquadravam nos critérios de elegibilidade. Nos casos de discordância dos membros, era prevista uma discussão fundamentada dos critérios preestabelecidos junto a uma terceira pesquisadora mais experiente, mas não houve necessidade. O fluxograma realizado para identificação e seleção dos artigos está exibido na Figura 1.

Figura 1
Fluxograma de identificação e seleção dos artigos para revisão integrativa baseado no Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses

ANÁLISE DOS DADOS

A análise de dados foi realizada de forma descritiva, com uma síntese quanti-qualitativa dos dados. Na primeira fase, os dados dos estudos foram compilados e, posteriormente, divididos em três tabelas. A partir do levantamento, elaborou-se um banco de dados específico, em planilha do Microsoft Excel, para extração das seguintes variáveis: ano de publicação, país de estudo, desenho do estudo, amostra/profissional da voz falada, métodos e técnicas para avaliação da voz, autoavaliação (protocolo validado, protocolo não validado), fatores de risco vocais endógenos (individuais), fatores de risco vocais exógenos (ambientais e organizacionais), sintomas vocais sensoriais e auditivos.

RESULTADOS

Foram identificadas 266 referências nas pesquisas eletrônicas. Destas, 58 foram selecionadas para este estudo, de acordo com os critérios de elegibilidade. As características dos estudos selecionados podem ser conferidas na Quadro 1.

Quadro 1
Variáveis qualitativas relacionadas às características dos estudos selecionados

A publicação dos estudos foi maior no período entre 2014 e 2022 (62,1%; n=36), predominantemente realizados no Brasil (46,5%; n=27), seguido por Finlândia (12,1%; n=7) e Índia (10,3%; n=6). Em relação ao desenho do estudo, o transversal foi o mais frequente (81,0%; n=47), sendo os professores a categoria de profissionais da voz falada mais estudada (67,2%; n=39). Os resultados das características dos estudos selecionados podem ser visualizados na Tabela 1.

Tabela 1
Variáveis qualitativas relacionadas às características dos resultados dos estudos selecionados

Na Tabela 2, estão dispostos os métodos, instrumentos e técnicas da avaliação da voz utilizados nos artigos incluídos. Todos os estudos (100%; n=58) aplicaram protocolos de autoavaliação, sendo a maior parte (39,6%; n=23) validada; Condição de Produção Vocal-Professor-CPV-P (20, 6%; n= 12) e Índice de Desvantagem Vocal-IDV-10 (18,9%; n= 11). Observou-se que 10,3% (n=6) utilizaram a avaliação perceptivo-auditiva e 10,3% (n=6) o exame laringológico.

Tabela 2
Métodos e técnicas da avaliação da voz utilizados nos artigos encontrados

A Tabela 3 retrata o quantitativo de fatores de riscos para disfonia e sintomas vocais relativos ao DVRT dos estudos selecionados. Os fatores endógenos (individuais) foram identificados na maior parte dos artigos (94,8%; n=55); os fatores exógenos relacionados às condições de trabalho foram descritos em 93,1% (n=54) dos estudos e os fatores exógenos ambientais foram observados em 69,0% (n=40). A maioria dos artigos investigou os sintomas vocais sensoriais (77,5%; n=45); os sintomas vocais auditivos foram investigados por 74,1% (n=46) das publicações e ambos os sintomas foram investigados por 48,27% (n=28).

Tabela 3
Quantitativo de fatores de risco para disfonia e sintomas vocais localizados nos artigos selecionados

DISCUSSÃO

Este estudo de revisão integrativa buscou identificar na literatura evidências do vínculo entre os fatores de risco e distúrbio de voz relacionados ao trabalho, além de apontar os sintomas, instrumentos e métodos de avaliação nos profissionais da voz falada.

Os artigos que constituíram esta revisão foram predominantemente realizados na América Latina, especificamente no Brasil, com maior publicação entre os anos de 2014 e 2022. Acredita-se que o interesse no estudo por essa população de profissionais da voz pela comunidade científica no Brasil deve-se ao movimento histórico-político, debates entre profissionais da saúde do trabalhador, Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (CERESTs), universidades, associações, meio jurídico, fonoaudiólogos, dentre outros, para o reconhecimento do DVRT em meio às condições do ambiente e da organização do processo laboral(88 Brasil. Ministério da Saúde. Distúrbio de voz relacionado ao trabalho - DVRT [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2018 [citado em 2022 Out 10]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/disturbio_voz_relacionado_trabalho_dvrt.pdf
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoe...
,2222 Oliveira P, Ribeiro VV, Constantini AC, Cavalcante MEOB, Sousa MS, Silva K. Prevalence of work-related voice disorders in voice professionals: systematic review and meta-analysis. J Voice. 2022. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2022.07.030. PMid:36057482.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2022....
).

Quanto ao delineamento, observou-se maior número de estudos observacionais transversais. Nos estudos transversais, é estimada a frequência com que determinado evento se manifesta em uma população específica e os fatores associados, no mesmo momento histórico, sem intervenção do pesquisador(2323 Bastos JLD, Duquia RP. Um dos delineamentos mais empregados em epidemiologia: estudo transversal. Sci Med. 2007;17(4):229-32.). Dessa forma, algumas pesquisas tiveram como objetivo verificar a prevalência, ou seja, o número de casos existentes em um dado momento(99 Korn GP, Pontes AALP, Abranches D, Pontes AL. Vocal tract discomfort and risk factors in university teachers. J Voice. 2016;30(4):507.e1-8. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2015.06.001. PMid:26279322.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2015....
,1010 Hagelberg AM, Simberg S. Prevalence of voice problems in priests and some risk factors contributing to them. J Voice. 2015;29(3):389.e11-8. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2014.08.015. PMid:25795362.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2014....
,1616 Alves LP, Araújo LTR, Xavier JA No. Prevalência de queixas vocais e estudo de fatores associados em uma amostra de professores de ensino fundamental em Maceió, Alagoas, Brasil. Rev Bras Saúde Ocup. 2010;35(121):168-75. http://dx.doi.org/10.1590/S0303-76572010000100018.
http://dx.doi.org/10.1590/S0303-76572010...
,2424 Leão SHDS, Oates JM, Purdy SC, Scott D, Morton RP. Voice problems in New Zealand Teachers: a national survey. J Voice. 2015;29(5):645.e1-13. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2014.11.004. PMid:25619465.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2014....

25 Devadas U, Hegde M, Maruthy S. Prevalence of and risk factors for self-reported voice problems among Hindu temple priests. J Voice. 2019;33(5):805.e1-12. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018.03.020. PMid:29748026.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018....

26 Simões M, Latorre MRDO. Prevalência de alteração vocal em educadoras e sua relação com a auto-percepção. Rev Saude Publica. 2006;40(6):1013-8. http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89102006000700008. PMid:17173157.
http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89102006...
-2727 Dejonckere PH. Determinants of voice-related symptoms and complaints in different categories of teachers: the importance of the psycho-emotional component. In: Proceedings of the 7th International Workshop on Models and Analysis of Vocal Emissions for Biomedical Applications (MAVEBA 2011); 2011; Firenze, Italy. USA: Curran Associates; 2011. p. 161-4.) e outras investigaram a associação dos fatores de riscos ao distúrbio de voz nas diversas categorias de profissionais da voz falada(1111 Vertanen-Greis H, Löyttyniemi E, Uitti J. Voice disorders are associated with stress among teachers: a cross-sectional study in Finland. J Voice. 2020;34(3):488.e1-8. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018.08.021. PMid:30396701.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018....
,2828 Munier C, Farrell R. Working conditions and workplace barriers to vocal health in primary school teachers. J Voice. 2016;30(1):127.e31-41. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2015.03.004. PMid:25895844.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2015....

29 Gomes NR, Teixeira LC, Medeiros AM. Vocal symptoms in university professors: their association with vocal resources and with work environment. J Voice. 2020;34(3):352-7. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018.10.010. PMid:30473269.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018....
-3030 Sampaio MC, Reis EJFB, Carvalho FM, Porto LA, Araújo TM. Vocal effort and voice handicap among teachers. J Voice. 2012;26(6):820.e15-8. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2012.06.003. PMid:23177755.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2012....
).

A categoria profissional mais investigada foi a dos professores(3131 Chen BL, Cheng YY, Lin CY, Guo HR. Incidence of voice disorders among private school teachers in Taiwan: a nationwide longitudinal study. Int J Environ Res Public Health. 2022;19(3):1130. http://dx.doi.org/10.3390/ijerph19031130. PMid:35162161.
http://dx.doi.org/10.3390/ijerph19031130...

32 Bermúdez de Alvear RM, Barón FJ, Martínez-Arquero AG. School teachers’ vocal use, risk factors, and voice disorder prevalence: guidelines to detect teachers with current voice problems. Folia Phoniatr Logop. 2011;63(4):209-15. http://dx.doi.org/10.1159/000316310. PMid:20938203.
http://dx.doi.org/10.1159/000316310...
-3333 Giannini SPP, Latorre MRDO, Ferreira LP. Distúrbio de voz e estresse no trabalho docente: um estudo caso-controle. Cad Saude Publica. 2012;28(11):2115-24. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2012001100011. PMid:23147953.
http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2012...
) de nível de ensino infantil, fundamental, médio ou universitário. Esse fato pode ser explicado em razão de ser a categoria com maior prevalência ao distúrbio de voz, quando comparada às de outros profissionais da voz falada. O uso intensivo da voz somado às condições laborais, como ruído do ambiente, aspectos relacionados à poeira, limpeza, iluminação, tamanho de sala, carga horária, além de fatores individuais, como alergias respiratórias, estresse, dentre outros, geram maior risco para o desenvolvimento de distúrbios da voz(3232 Bermúdez de Alvear RM, Barón FJ, Martínez-Arquero AG. School teachers’ vocal use, risk factors, and voice disorder prevalence: guidelines to detect teachers with current voice problems. Folia Phoniatr Logop. 2011;63(4):209-15. http://dx.doi.org/10.1159/000316310. PMid:20938203.
http://dx.doi.org/10.1159/000316310...
,3333 Giannini SPP, Latorre MRDO, Ferreira LP. Distúrbio de voz e estresse no trabalho docente: um estudo caso-controle. Cad Saude Publica. 2012;28(11):2115-24. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2012001100011. PMid:23147953.
http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2012...
).

A autoavaliação vocal foi utilizada em todos os estudos desta revisão, obtida por meio da aplicação de protocolos. É amplamente empregada e conceituada na clínica e pesquisas da área, auxilia na percepção do paciente e possibilita o autoconhecimento sobre uma determinada condição(3434 Marinho ACF, Medeiros AM, Lima EP, Teixeira LC. Instrumentos de avaliação e autoavaliação da fala em público: uma revisão integrativa da literatura. Audiol Commun Res. 2022;27:e2539. http://dx.doi.org/10.1590/2317-6431-2021-2539.
http://dx.doi.org/10.1590/2317-6431-2021...
). O instrumento mais aplicado nos artigos selecionados para esta revisão foi o Condições de Produção Vocal - Professor (CPV-P), elaborado e validado(3535 Ferreira LP, Akutsu CM, Luciano P, Viviano NDAG. Condições de produção vocal de teleoperadores: correlação entre questões de saúde, hábitos e sintomas vocais. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2008;13(4):307-15. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-80342008000400003.
http://dx.doi.org/10.1590/S1516-80342008...
), que investiga os aspectos sociodemográficos, as condições de trabalho do professor, os aspectos/hábitos vocais e estilo de vida.

Por meio do CPV-P, estudos verificaram os achados autorreferidos pela população dos docentes, com associação entre os sintomas vocais, distúrbios da voz e as condições de trabalho(1212 Servilha EAM, Correia JM. Correlações entre condições do ambiente, organização do trabalho, sintomas vocais autorreferidos por professores universitários e avaliação fonoaudiológica. Disturb Comun. 2014;26(3):452-62.,1414 Servilha EAM, Arbach MDP. Queixas de saúde em professores universitários e sua relação com fatores de risco presentes na organização do trabalho. Disturb Comun. 2011;23(2):181-91.,3636 Hermes EGC, Bastos PRHO. The prevalence of teachers’ vocal symptoms in municipal network of education in Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brazil. J Voice. 2016;30(6):756.e1-7. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2015.09.005. PMid:26596844.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2015....
,3737 Pena JJ, Servilha EAM. Tipificação de sintomas relacionados à voz e sua produção em professores identificados com ausência de alteração vocal na avaliação fonoaudiológica. In: Anais do XIV Encontro de Iniciação Científica; 2009 Set 29-30; Campinas. Campinas: PUC; 2009.). Outro estudo(3838 Dornelas R, Santos TA, Oliveira DS, Irineu RA, Brito A, Silva K. Violence in schools and the voice of teachers. CoDAS. 2017;29(4):e20170053. PMid:28813075.) não constatou relação significativa do distúrbio de voz com a condição de trabalho e apontou a situação de violência aos professores na escola. Observaram-se, ainda, pesquisas que avaliaram a relação do distúrbio relacionado à voz com a saúde mental. Destaca-se uma pesquisa que aplicou os protocolos CPV-P com o Job Stress Scale (JSS) e Índice de Capacidade para o Trabalho (ICT), detectando associação do distúrbio de voz ao estresse e perda/limitação da capacidade no trabalho(3333 Giannini SPP, Latorre MRDO, Ferreira LP. Distúrbio de voz e estresse no trabalho docente: um estudo caso-controle. Cad Saude Publica. 2012;28(11):2115-24. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2012001100011. PMid:23147953.
http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2012...
). Outro estudo aplicou, juntamente ao CPV-P, os instrumentos Índice de Triagem para Transtorno Vocal (ITDV) e Questionário de Avaliação da Síndrome de Burnout (CESQT), identificando que a síndrome de Burnout estava associada à presença de um provável distúrbio de voz(3939 Brito Mota AF, Giannini SPP, Oliveira IB, Paparelli R, Dornelas R, Ferreira LP. Voice disorder and burnout syndrome in teachers. J Voice. 2019;33(4):581.e7-16. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018.01.022. PMid:30220529.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018....
).

Além disso, o CPV-P foi adaptado e utilizado em pesquisas com diversos profissionais da voz, como na categoria dos agentes de saúde, e verificou associação entre o desenvolvimento do distúrbio de voz e fatores do ambiente, como poeira e temperatura e organização do trabalho, dentre os relatados, uso intensivo da voz, levar trabalho para casa, esforço físico intenso, móveis inadequados, violência/agressão física e psicológica, como também, queixas relacionadas aos sintomas vocais, emocionais e dor na coluna(4040 Cipriano FG, Ferreira LP. Queixas de voz em agentes comunitários de saúde: correlação entre problemas gerais de saúde, hábitos de vida e aspectos vocais. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2011;16(2):132-9. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-80342011000200005.
http://dx.doi.org/10.1590/S1516-80342011...
,4141 Cipriano FG, Ferreira LP, Servilha EAM, Marsiglia RMG. Relação entre distúrbio de voz e trabalho em um grupo de Agentes Comunitários de Saúde. CoDAS. 2013;25(6):548-56. PMid:24626981.).

Outro protocolo utilizado nesta revisão foi o Voice Handicap Index (VHI-10)(1313 Estes C, Sadoughi B, Coleman R, D’Angelo D, Sulica L. Phonotraumatic injury in fitness instructors: risk factors, diagnoses, and treatment methods. J Voice. 2020;34(2):272-9. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018.10.001. PMid:30393049.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018....
,4242 Albustan SA, Marie BS, Natour YS, Darawsheh WB. Kuwaiti Teachers’ Perceptions of Voice Handicap. J Voice. 2018;32(3):319-24. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2017.05.003. PMid:28576335.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2017....
,4343 Rantala LM, Hakala S, Holmqvist S, Sala E. Associations between voice ergonomic risk factors and acoustic features of the voice. Logoped Phoniatr Vocol. 2015;40(3):99-105. http://dx.doi.org/10.3109/14015439.2013.831947. PMid:24007529.
http://dx.doi.org/10.3109/14015439.2013....
). É uma versão reduzida do VHI, elaborado para avaliar a autopercepção do impacto de uma alteração vocal, validado e originado do inglês e, em sequência, adaptado e validado em outras línguas, como no português brasileiro, o Índice de Desvantagem Vocal (IDV-10)(4444 Costa T, Oliveira G, Behlau M. Validation of the Voice Handicap Index: 10 (VHI-10) to the Brazilian Portuguese. CoDAS. 2013;25(5):482-5. http://dx.doi.org/10.1590/S2317-17822013000500013. PMid:24408554.
http://dx.doi.org/10.1590/S2317-17822013...
). Não é indicado especificamente para o contexto ocupacional, pois não apresenta domínios relacionados às condições laborais. Vale citar, ainda, o Índice de Triagem para Distúrbios da Voz (ITDV)(4545 Ghirardi ACAM, Ferreira LP, Giannini SPP, Latorre MRDO. Screening index for voice disorder (SIVD): development and validation. J Voice. 2013;27(2):195-200. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2012.11.004. PMid:23280383.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2012....
), validado, com a finalidade de triagem vocal para risco de distúrbio de voz na presença de sintomas vocais(3838 Dornelas R, Santos TA, Oliveira DS, Irineu RA, Brito A, Silva K. Violence in schools and the voice of teachers. CoDAS. 2017;29(4):e20170053. PMid:28813075.,3939 Brito Mota AF, Giannini SPP, Oliveira IB, Paparelli R, Dornelas R, Ferreira LP. Voice disorder and burnout syndrome in teachers. J Voice. 2019;33(4):581.e7-16. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018.01.022. PMid:30220529.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018....
).

Estudos que aplicaram o IDV-10 com profissionais da voz falada, docentes(4242 Albustan SA, Marie BS, Natour YS, Darawsheh WB. Kuwaiti Teachers’ Perceptions of Voice Handicap. J Voice. 2018;32(3):319-24. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2017.05.003. PMid:28576335.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2017....
,4646 Kyriakou K, Petinou K, Phinikettos I. Risk factors for voice disorders in university professors in Cyprus. J Voice. 2018;32(5):643.e1-9. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2017.07.005. PMid:28826977.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2017....
) e instrutores fitness(1313 Estes C, Sadoughi B, Coleman R, D’Angelo D, Sulica L. Phonotraumatic injury in fitness instructors: risk factors, diagnoses, and treatment methods. J Voice. 2020;34(2):272-9. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018.10.001. PMid:30393049.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018....
), apresentaram como resultados, alterações nos fatores individuais, como infecções respiratórias, tosse, pigarro, estresse com frequência, abuso vocal e uso de medicações, além de a prevalência ser do gênero feminino e do ensino fundamental. Quanto aos dados referentes às condições ambientais, foi aplicado um outro protocolo elaborado, não validado, desenvolvido pelos próprios autores.

Um fato a ser destacado é que, ao investigar a validação dos protocolos de avaliação utilizados nos estudos selecionados, parte dos instrumentos foi elaborada pelos próprios autores, com finalidade de verificar os aspectos individuais relacionados à voz, ao ambiente e às condições de trabalho. Contudo, independentemente do ponto a ser analisado, parte desses protocolos não passou pelo processo de validação. Ressalta-se, nesse sentido, a importância da escolha de um instrumento validado com propriedades psicométricas, a fim de assegurar a acurácia, especificidade, sensibilidade, confiabilidade e segurança na investigação clínica, no diagnóstico, e garantir à população resultados com medidas cientificamente robustas(4747 Souza AC, Alexandre NMC, Guirardello EB. Psychometric properties in instruments evaluation of reliability and validity. Epidemiol Serv Saude. 2017;26(3):649-59. http://dx.doi.org/10.5123/S1679-49742017000300022. PMid:28977189.
http://dx.doi.org/10.5123/S1679-49742017...
).

Conforme apontado nos métodos de avaliação dos estudos selecionados, a avaliação perceptivo-auditiva tem sido o principal padrão de referência para caracterizar os parâmetros da qualidade vocal, identificar, mensurar a intensidade do desvio e o padrão fonatório da produção vocal(1212 Servilha EAM, Correia JM. Correlações entre condições do ambiente, organização do trabalho, sintomas vocais autorreferidos por professores universitários e avaliação fonoaudiológica. Disturb Comun. 2014;26(3):452-62.,2626 Simões M, Latorre MRDO. Prevalência de alteração vocal em educadoras e sua relação com a auto-percepção. Rev Saude Publica. 2006;40(6):1013-8. http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89102006000700008. PMid:17173157.
http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89102006...
,3333 Giannini SPP, Latorre MRDO, Ferreira LP. Distúrbio de voz e estresse no trabalho docente: um estudo caso-controle. Cad Saude Publica. 2012;28(11):2115-24. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2012001100011. PMid:23147953.
http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2012...
,4848 Bassi I, Assunção A, Gama AC, Gonçalves L. Características clínicas, sociodemográficas e ocupacionais de professoras com disfonia. Disturb Comun. 2011;23(2):173-80.,4949 Lehto L, Alku P, Bäckström T, Vilkman E. Voice symptoms of call-centre customer service advisers experienced during a work-day and effects of a short vocal training course. Logoped Phoniatr Vocol. 2005;30(1):14-27. http://dx.doi.org/10.1080/14015430510006659. PMid:16040436.
http://dx.doi.org/10.1080/14015430510006...
).

Outro método de avaliação observado foi o exame laringológico(1212 Servilha EAM, Correia JM. Correlações entre condições do ambiente, organização do trabalho, sintomas vocais autorreferidos por professores universitários e avaliação fonoaudiológica. Disturb Comun. 2014;26(3):452-62.,1313 Estes C, Sadoughi B, Coleman R, D’Angelo D, Sulica L. Phonotraumatic injury in fitness instructors: risk factors, diagnoses, and treatment methods. J Voice. 2020;34(2):272-9. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018.10.001. PMid:30393049.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018....
,3333 Giannini SPP, Latorre MRDO, Ferreira LP. Distúrbio de voz e estresse no trabalho docente: um estudo caso-controle. Cad Saude Publica. 2012;28(11):2115-24. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2012001100011. PMid:23147953.
http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2012...
,4848 Bassi I, Assunção A, Gama AC, Gonçalves L. Características clínicas, sociodemográficas e ocupacionais de professoras com disfonia. Disturb Comun. 2011;23(2):173-80.,4949 Lehto L, Alku P, Bäckström T, Vilkman E. Voice symptoms of call-centre customer service advisers experienced during a work-day and effects of a short vocal training course. Logoped Phoniatr Vocol. 2005;30(1):14-27. http://dx.doi.org/10.1080/14015430510006659. PMid:16040436.
http://dx.doi.org/10.1080/14015430510006...
), que é realizado por médico otorrinolaringologista e avalia os aspectos anatomofisiológicos da laringe, sobretudo das pregas vocais, a fim de diagnosticar a presença ou ausência de lesões laríngeas(1818 Andrada e Silva MA, Bittencourt MFQP, Korn GP, Borrego MCM. Diagnóstico do distúrbio de voz relacionado ao trabalho: reflexões multidisciplinares sobre o uso da voz no trabalho. In: Ferreira LP, Andrada e Silva MA, editores. Distúrbio de voz relacionado ao trabalho. São Paulo: Sintropia Traduções; 2022. p. 152-77.).

Nesta revisão, os resultados mostraram que, dentre os fatores de risco individuais, predominou a presença de alterações respiratórias (alergias e asma), ser do gênero feminino e apresentar hábito vocal inadequado(66 Fontan L, Fraval M, Michon A, Déjean S, Welby-Gieusse M. Vocal problems in sports and fitness instructors: a study of prevalence, risk factors, and need for prevention in France. J Voice. 2017;31(2):261.e33-8. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2016.04.014. PMid:27528368.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2016....
,99 Korn GP, Pontes AALP, Abranches D, Pontes AL. Vocal tract discomfort and risk factors in university teachers. J Voice. 2016;30(4):507.e1-8. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2015.06.001. PMid:26279322.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2015....
,1111 Vertanen-Greis H, Löyttyniemi E, Uitti J. Voice disorders are associated with stress among teachers: a cross-sectional study in Finland. J Voice. 2020;34(3):488.e1-8. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018.08.021. PMid:30396701.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018....
,2929 Gomes NR, Teixeira LC, Medeiros AM. Vocal symptoms in university professors: their association with vocal resources and with work environment. J Voice. 2020;34(3):352-7. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018.10.010. PMid:30473269.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018....
,3030 Sampaio MC, Reis EJFB, Carvalho FM, Porto LA, Araújo TM. Vocal effort and voice handicap among teachers. J Voice. 2012;26(6):820.e15-8. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2012.06.003. PMid:23177755.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2012....
,5050 Bolbol SA, Zalat MM, Hammam RAM, Elnakeb NL. Risk factors of voice disorders and impact of vocal hygiene awareness program among teachers in public schools in Egypt. J Voice. 2017;31(2):251.e9-16. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2016.07.010. PMid:27522344.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2016....

51 Leão SHS, Oates JM, Purdy SC, Scott D, Morton RP. Voice problems in New Zealand teachers: a national survey. J Voice. 2015;29(5):645.e1-13. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2014.11.004. PMid:25619465.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2014....

52 Joseph BE, Joseph AM, Jacob TM. Vocal fatigue: do young speech-language pathologists practice what they preach? J Voice. 2020;34(4):647.e1-5. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018.11.015. PMid:30616963.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018....

53 Souza CL, Thomé CR. Queixas vocais em locutores de rádio da cidade do Salvador-Bahia. Rev Baiana de Saúde Pública. 2006;30(2):272-83.
-5454 Petter V, Oliveira PAB, Fisher PA. Relationship between self-reported dysphonia and potential risk factors among primary school teachers. Salud Trab. 2006;14(2):5-12.). Em estudos com professores, associou-se às alterações respiratórias os sintomas vocais, visto que a respiração inadequada causa cansaço na fala, que pode repercutir na projeção e ressonância da voz, efeito que induz ao aumento de sobrecarga em todo o trato vocal(3636 Hermes EGC, Bastos PRHO. The prevalence of teachers’ vocal symptoms in municipal network of education in Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brazil. J Voice. 2016;30(6):756.e1-7. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2015.09.005. PMid:26596844.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2015....
,5555 Vertanen-Greis H, Löyttyniemi E, Uitti J, Putus T. Work ability of teachers associated with voice disorders, stress, and the indoor environment: a questionnaire study in Finland. J Voice. 2022;36(6):879.e5-11. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2020.09.022. PMid:33041177.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2020....
).

Profissionais da voz falada do gênero feminino apresentam maior predisposição a problemas vocais, quando comparados aos do gênero masculino. Acredita-se que esse fato seja devido a questões hormonais, anatômicas, à exigência de trabalho e ao papel da mulher na sociedade(55 Johns-Fiedler H, van Mersbergen M. The prevalence of voice disorders in 911 emergency telecommunicators. J Voice. 2015;29(3):389.e1-10. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2014.08.008. PMid:25659735.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2014....
,77 Murta JAN, Barbosa MS, Caldeira AP, Barbosa-Medeiros MR, Rossi-Barbosa LAR. Factors associated with voice complaints in community health agents. CoDAS. 2021;33(1):e20200017. http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/20202020017. PMid:33886748.
http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/2020...
,4949 Lehto L, Alku P, Bäckström T, Vilkman E. Voice symptoms of call-centre customer service advisers experienced during a work-day and effects of a short vocal training course. Logoped Phoniatr Vocol. 2005;30(1):14-27. http://dx.doi.org/10.1080/14015430510006659. PMid:16040436.
http://dx.doi.org/10.1080/14015430510006...
,5656 Palacios-Pérez AT, Sierra-Torres CH. Prevalencia y factores de riesgo asociados a alteraciones comunicativas en vendedores ambulantes de Popayán, Colombia. Rev Salud Publica. 2014;16(4):572-84. http://dx.doi.org/10.15446/rsap.v16n4.38086. PMid:25791308.
http://dx.doi.org/10.15446/rsap.v16n4.38...
). No entanto, em estudo com agentes comunitários de saúde com e sem queixa vocal, não foi observada diferença significativa(4040 Cipriano FG, Ferreira LP. Queixas de voz em agentes comunitários de saúde: correlação entre problemas gerais de saúde, hábitos de vida e aspectos vocais. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2011;16(2):132-9. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-80342011000200005.
http://dx.doi.org/10.1590/S1516-80342011...
).

Outro aspecto bastante evidente nessa população foi a prática do hábito vocal inadequado(55 Johns-Fiedler H, van Mersbergen M. The prevalence of voice disorders in 911 emergency telecommunicators. J Voice. 2015;29(3):389.e1-10. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2014.08.008. PMid:25659735.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2014....
,66 Fontan L, Fraval M, Michon A, Déjean S, Welby-Gieusse M. Vocal problems in sports and fitness instructors: a study of prevalence, risk factors, and need for prevention in France. J Voice. 2017;31(2):261.e33-8. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2016.04.014. PMid:27528368.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2016....
,99 Korn GP, Pontes AALP, Abranches D, Pontes AL. Vocal tract discomfort and risk factors in university teachers. J Voice. 2016;30(4):507.e1-8. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2015.06.001. PMid:26279322.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2015....
,2929 Gomes NR, Teixeira LC, Medeiros AM. Vocal symptoms in university professors: their association with vocal resources and with work environment. J Voice. 2020;34(3):352-7. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018.10.010. PMid:30473269.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018....
,3636 Hermes EGC, Bastos PRHO. The prevalence of teachers’ vocal symptoms in municipal network of education in Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brazil. J Voice. 2016;30(6):756.e1-7. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2015.09.005. PMid:26596844.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2015....
,5252 Joseph BE, Joseph AM, Jacob TM. Vocal fatigue: do young speech-language pathologists practice what they preach? J Voice. 2020;34(4):647.e1-5. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018.11.015. PMid:30616963.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018....
,5353 Souza CL, Thomé CR. Queixas vocais em locutores de rádio da cidade do Salvador-Bahia. Rev Baiana de Saúde Pública. 2006;30(2):272-83.,5757 Moreira CA No, Moreira ATR, Moreira LB. Relação entre acuidade visual e condições de trabalho escolar em crianças de um colégio do ensino fundamental público de Curitiba. Rev Bras Oftalmol. 2014;73(4):216-9.

58 Rossi-Barbosa LA, Gama ACC, Caldeira AP. Association between readiness for behavior change and complaints of vocal problems in teachers. CoDAS. 2015;27(2):170-7. http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/20152013088. PMid:26107083.
http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/2015...
-5959 Sathyanarayan M, Boominathan P, Nallamuthu A. Vocal health practices among school teachers: a study from Chennai, India. J Voice. 2019;33(5):812.e1-7. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018.04.005. PMid:30139639.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018....
). Estudo com sacerdotes hindus mostrou associação significativa do problema de voz ao abuso vocal e produção vocal em alta intensidade, além da falta de repouso vocal em casos de dor na garganta(2525 Devadas U, Hegde M, Maruthy S. Prevalence of and risk factors for self-reported voice problems among Hindu temple priests. J Voice. 2019;33(5):805.e1-12. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018.03.020. PMid:29748026.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018....
). A queixa foi citada também pelos vendedores ambulantes, agentes comunitários de saúde e docentes(77 Murta JAN, Barbosa MS, Caldeira AP, Barbosa-Medeiros MR, Rossi-Barbosa LAR. Factors associated with voice complaints in community health agents. CoDAS. 2021;33(1):e20200017. http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/20202020017. PMid:33886748.
http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/2020...
,4141 Cipriano FG, Ferreira LP, Servilha EAM, Marsiglia RMG. Relação entre distúrbio de voz e trabalho em um grupo de Agentes Comunitários de Saúde. CoDAS. 2013;25(6):548-56. PMid:24626981.,5656 Palacios-Pérez AT, Sierra-Torres CH. Prevalencia y factores de riesgo asociados a alteraciones comunicativas en vendedores ambulantes de Popayán, Colombia. Rev Salud Publica. 2014;16(4):572-84. http://dx.doi.org/10.15446/rsap.v16n4.38086. PMid:25791308.
http://dx.doi.org/10.15446/rsap.v16n4.38...
,5757 Moreira CA No, Moreira ATR, Moreira LB. Relação entre acuidade visual e condições de trabalho escolar em crianças de um colégio do ensino fundamental público de Curitiba. Rev Bras Oftalmol. 2014;73(4):216-9.), evidenciando que as características individuais podem estar associadas a outros fatores de risco na atividade laboral, como, por exemplo, o uso intensivo da voz autorreferido por diversas categorias de profissionais da voz falada.

Em estudo com docentes(1313 Estes C, Sadoughi B, Coleman R, D’Angelo D, Sulica L. Phonotraumatic injury in fitness instructors: risk factors, diagnoses, and treatment methods. J Voice. 2020;34(2):272-9. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018.10.001. PMid:30393049.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018....
,2424 Leão SHDS, Oates JM, Purdy SC, Scott D, Morton RP. Voice problems in New Zealand Teachers: a national survey. J Voice. 2015;29(5):645.e1-13. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2014.11.004. PMid:25619465.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2014....
,3636 Hermes EGC, Bastos PRHO. The prevalence of teachers’ vocal symptoms in municipal network of education in Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brazil. J Voice. 2016;30(6):756.e1-7. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2015.09.005. PMid:26596844.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2015....
,4848 Bassi I, Assunção A, Gama AC, Gonçalves L. Características clínicas, sociodemográficas e ocupacionais de professoras com disfonia. Disturb Comun. 2011;23(2):173-80.

49 Lehto L, Alku P, Bäckström T, Vilkman E. Voice symptoms of call-centre customer service advisers experienced during a work-day and effects of a short vocal training course. Logoped Phoniatr Vocol. 2005;30(1):14-27. http://dx.doi.org/10.1080/14015430510006659. PMid:16040436.
http://dx.doi.org/10.1080/14015430510006...
-5050 Bolbol SA, Zalat MM, Hammam RAM, Elnakeb NL. Risk factors of voice disorders and impact of vocal hygiene awareness program among teachers in public schools in Egypt. J Voice. 2017;31(2):251.e9-16. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2016.07.010. PMid:27522344.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2016....
,6060 Araújo TM, Reis EJ, Carvalho FM, Porto LA, Reis IC, Andrade JM. Fatores associados a alterações vocais em professoras. Cad Saude Publica. 2008;24(6):1229-38. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2008000600004. PMid:18545749.
http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2008...
), os autores concluíram que o distúrbio de voz é desencadeado pelo uso intensivo e contínuo da voz, com a possibilidade do surgimento de lesões nas pregas vocais(4848 Bassi I, Assunção A, Gama AC, Gonçalves L. Características clínicas, sociodemográficas e ocupacionais de professoras com disfonia. Disturb Comun. 2011;23(2):173-80.,6060 Araújo TM, Reis EJ, Carvalho FM, Porto LA, Reis IC, Andrade JM. Fatores associados a alterações vocais em professoras. Cad Saude Publica. 2008;24(6):1229-38. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2008000600004. PMid:18545749.
http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2008...
). Soma-se, ainda, a ausência de treinamentos e recursos de amplificação sonora(1313 Estes C, Sadoughi B, Coleman R, D’Angelo D, Sulica L. Phonotraumatic injury in fitness instructors: risk factors, diagnoses, and treatment methods. J Voice. 2020;34(2):272-9. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018.10.001. PMid:30393049.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018....
,2424 Leão SHDS, Oates JM, Purdy SC, Scott D, Morton RP. Voice problems in New Zealand Teachers: a national survey. J Voice. 2015;29(5):645.e1-13. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2014.11.004. PMid:25619465.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2014....
,4949 Lehto L, Alku P, Bäckström T, Vilkman E. Voice symptoms of call-centre customer service advisers experienced during a work-day and effects of a short vocal training course. Logoped Phoniatr Vocol. 2005;30(1):14-27. http://dx.doi.org/10.1080/14015430510006659. PMid:16040436.
http://dx.doi.org/10.1080/14015430510006...
,5050 Bolbol SA, Zalat MM, Hammam RAM, Elnakeb NL. Risk factors of voice disorders and impact of vocal hygiene awareness program among teachers in public schools in Egypt. J Voice. 2017;31(2):251.e9-16. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2016.07.010. PMid:27522344.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2016....
) .

Outro fator organizacional destacado nesta revisão, associado ao distúrbio de voz, foram as questões relativas à saúde mental, como o estresse. Acredita-se que esse fato seja decorrente das condições desfavoráveis de trabalho(3333 Giannini SPP, Latorre MRDO, Ferreira LP. Distúrbio de voz e estresse no trabalho docente: um estudo caso-controle. Cad Saude Publica. 2012;28(11):2115-24. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2012001100011. PMid:23147953.
http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2012...
,6161 Rantala LM, Hakala SJ, Holmqvist S, Sala E. Connections between voice ergonomic risk factors and voice symptoms, voice handicap, and respiratory tract diseases. J Voice. 2012;26(6):819.e13-20. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2012.06.001. PMid:23044460.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2012....
).

Quanto às condições ambientais de trabalho, o ruído foi o fator de risco relacionado a queixas de alteração vocal mais frequente(66 Fontan L, Fraval M, Michon A, Déjean S, Welby-Gieusse M. Vocal problems in sports and fitness instructors: a study of prevalence, risk factors, and need for prevention in France. J Voice. 2017;31(2):261.e33-8. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2016.04.014. PMid:27528368.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2016....
,99 Korn GP, Pontes AALP, Abranches D, Pontes AL. Vocal tract discomfort and risk factors in university teachers. J Voice. 2016;30(4):507.e1-8. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2015.06.001. PMid:26279322.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2015....
,1111 Vertanen-Greis H, Löyttyniemi E, Uitti J. Voice disorders are associated with stress among teachers: a cross-sectional study in Finland. J Voice. 2020;34(3):488.e1-8. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018.08.021. PMid:30396701.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018....
,1717 Rechenberg L, Goulart BN, Roithmann R. Impacto da atividade laboral de teleatendimento em sintomas e queixas vocais: estudo analítico. J Soc Bras Fonoaudiol. 2011;23(4):301-7. http://dx.doi.org/10.1590/S2179-64912011000400003. PMid:22231049.
http://dx.doi.org/10.1590/S2179-64912011...
,2929 Gomes NR, Teixeira LC, Medeiros AM. Vocal symptoms in university professors: their association with vocal resources and with work environment. J Voice. 2020;34(3):352-7. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018.10.010. PMid:30473269.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018....
,3232 Bermúdez de Alvear RM, Barón FJ, Martínez-Arquero AG. School teachers’ vocal use, risk factors, and voice disorder prevalence: guidelines to detect teachers with current voice problems. Folia Phoniatr Logop. 2011;63(4):209-15. http://dx.doi.org/10.1159/000316310. PMid:20938203.
http://dx.doi.org/10.1159/000316310...
,3636 Hermes EGC, Bastos PRHO. The prevalence of teachers’ vocal symptoms in municipal network of education in Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brazil. J Voice. 2016;30(6):756.e1-7. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2015.09.005. PMid:26596844.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2015....
,5252 Joseph BE, Joseph AM, Jacob TM. Vocal fatigue: do young speech-language pathologists practice what they preach? J Voice. 2020;34(4):647.e1-5. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018.11.015. PMid:30616963.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018....
,5959 Sathyanarayan M, Boominathan P, Nallamuthu A. Vocal health practices among school teachers: a study from Chennai, India. J Voice. 2019;33(5):812.e1-7. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018.04.005. PMid:30139639.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018....
,6262 Cediel MR, Neira JAR. Analysis of teacher working environment: factors that influence the voice. Audiol Commun Res. 2014;19(4):399-405. http://dx.doi.org/10.1590/S2317-64312014000400001337.
http://dx.doi.org/10.1590/S2317-64312014...

63 Gunasekaran N, Boominathan P, Seethapathy J. Voice needs and voice demands of professional newsreaders in southern India. J Voice. 2016;30(6):756.e9-20. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2015.09.001. PMid:26452618.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2015....
-6464 Gadepalli C, Fullwood C, Ascott F, Homer JJ. Voice burden in teachers and non-teachers in a UK population: a questionnaire-based survey. Clin Otolaryngol. 2019;44(6):1045-58. http://dx.doi.org/10.1111/coa.13437. PMid:31544346.
http://dx.doi.org/10.1111/coa.13437...
). Pesquisa realizada com teleoperadores revelou que maioria dos operadores de telesserviço que trabalha em um ambiente ruidoso queixa-se de distúrbio da voz(44 Santos CT, Santos C, Lopes LW, Silva POC, Lima-Silva MFB. Relationship between working and voice conditions self-reported by telemarketers of an emergency call center. CoDAS. 2016;28(5):583-94. http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/20162015125. PMid:27849240.
http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/2016...
), como também de altos níveis de ruído de fundo na sala de aula(6565 Devadas U, Bellur R, Maruthy S. Prevalence and risk factors of voice problems among primary school teachers in India. J Voice. 2017;31(1):117.e1-10. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2016.03.006. PMid:27363867.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2016....
). Outro estudo não apresentou os mesmos dados dos fatores ambientais à disfonia(6262 Cediel MR, Neira JAR. Analysis of teacher working environment: factors that influence the voice. Audiol Commun Res. 2014;19(4):399-405. http://dx.doi.org/10.1590/S2317-64312014000400001337.
http://dx.doi.org/10.1590/S2317-64312014...
). Esse resultado pode ser característico da implantação de medidas de controle de riscos, visto que, essa frequente exposição causa dano à produção vocal e provoca adoecimento vocal, devido ao aumento da intensidade e sobrecarga vocal.

Compreende-se que o adoecimento vocal e a disfonia são sintomas relacionados ao distúrbio de voz, pode apresentar início insidioso e independe da presença, ou não, de lesões nas pregas vocais(1818 Andrada e Silva MA, Bittencourt MFQP, Korn GP, Borrego MCM. Diagnóstico do distúrbio de voz relacionado ao trabalho: reflexões multidisciplinares sobre o uso da voz no trabalho. In: Ferreira LP, Andrada e Silva MA, editores. Distúrbio de voz relacionado ao trabalho. São Paulo: Sintropia Traduções; 2022. p. 152-77.). Esse sintoma vocal pode ser classificado como sensorial ou auditivo(22 Smith E, Gray SD, Dove H, Kirchner L, Heras H. Frequency and effects of teachers’ voice problems. J Voice. 1997 Mar;11(1):81-7. http://dx.doi.org/10.1016/S0892-1997(97)80027-6. PMid:9075180.
http://dx.doi.org/10.1016/S0892-1997(97)...
).

Quanto ao sintoma vocal auditivo, o mais referido pelos profissionais da voz falada, nesta revisão, foi a rouquidão(55 Johns-Fiedler H, van Mersbergen M. The prevalence of voice disorders in 911 emergency telecommunicators. J Voice. 2015;29(3):389.e1-10. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2014.08.008. PMid:25659735.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2014....
,1111 Vertanen-Greis H, Löyttyniemi E, Uitti J. Voice disorders are associated with stress among teachers: a cross-sectional study in Finland. J Voice. 2020;34(3):488.e1-8. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018.08.021. PMid:30396701.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018....
,2929 Gomes NR, Teixeira LC, Medeiros AM. Vocal symptoms in university professors: their association with vocal resources and with work environment. J Voice. 2020;34(3):352-7. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018.10.010. PMid:30473269.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018....
,3636 Hermes EGC, Bastos PRHO. The prevalence of teachers’ vocal symptoms in municipal network of education in Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brazil. J Voice. 2016;30(6):756.e1-7. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2015.09.005. PMid:26596844.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2015....
,4646 Kyriakou K, Petinou K, Phinikettos I. Risk factors for voice disorders in university professors in Cyprus. J Voice. 2018;32(5):643.e1-9. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2017.07.005. PMid:28826977.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2017....
,5050 Bolbol SA, Zalat MM, Hammam RAM, Elnakeb NL. Risk factors of voice disorders and impact of vocal hygiene awareness program among teachers in public schools in Egypt. J Voice. 2017;31(2):251.e9-16. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2016.07.010. PMid:27522344.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2016....
,5757 Moreira CA No, Moreira ATR, Moreira LB. Relação entre acuidade visual e condições de trabalho escolar em crianças de um colégio do ensino fundamental público de Curitiba. Rev Bras Oftalmol. 2014;73(4):216-9.,5858 Rossi-Barbosa LA, Gama ACC, Caldeira AP. Association between readiness for behavior change and complaints of vocal problems in teachers. CoDAS. 2015;27(2):170-7. http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/20152013088. PMid:26107083.
http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/2015...
), seguido por perda da voz(5858 Rossi-Barbosa LA, Gama ACC, Caldeira AP. Association between readiness for behavior change and complaints of vocal problems in teachers. CoDAS. 2015;27(2):170-7. http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/20152013088. PMid:26107083.
http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/2015...
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http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2012....
). A rouquidão caracteriza-se como a sensação de irregularidade na qualidade vocal e ambas são consequências da sobrecarga vocal, atingindo o trato vocal e funcionamento das pregas vocais. Estudo apontou, ainda, associação à prática de hábitos vocais inadequados(5757 Moreira CA No, Moreira ATR, Moreira LB. Relação entre acuidade visual e condições de trabalho escolar em crianças de um colégio do ensino fundamental público de Curitiba. Rev Bras Oftalmol. 2014;73(4):216-9.).

Os sintomas vocais sensoriais relatados com maior frequência foram garganta seca, pigarro e fadiga vocal(2626 Simões M, Latorre MRDO. Prevalência de alteração vocal em educadoras e sua relação com a auto-percepção. Rev Saude Publica. 2006;40(6):1013-8. http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89102006000700008. PMid:17173157.
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http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2015....
). Esse resultado pode ser justificado pelo fato de algumas das populações, como jornalistas, professores, agentes comunitários de saúde e teleoperadores utilizarem a voz em condições ambientais e de organização de trabalho de forma desfavorável, somado às condições do indivíduo(2626 Simões M, Latorre MRDO. Prevalência de alteração vocal em educadoras e sua relação com a auto-percepção. Rev Saude Publica. 2006;40(6):1013-8. http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89102006000700008. PMid:17173157.
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http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2015....
). Em concordância a essa informação, os autores citam a rotina laboral como um dos fatores do adoecimento vocal à categoria de padres na Índia, visto que os sintomas de garganta seca e fadiga vocal ocorrem devido a infecções respiratórias pela exposição à temperatura fria e, à fumaça responsável por irritar o revestimento da mucosa nasal e trato vocal(2525 Devadas U, Hegde M, Maruthy S. Prevalence of and risk factors for self-reported voice problems among Hindu temple priests. J Voice. 2019;33(5):805.e1-12. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018.03.020. PMid:29748026.
http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2018....
), além da presença do refluxo gastroesofágico (DRGE)(1010 Hagelberg AM, Simberg S. Prevalence of voice problems in priests and some risk factors contributing to them. J Voice. 2015;29(3):389.e11-8. http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2014.08.015. PMid:25795362.
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http://dx.doi.org/10.1016/j.jvoice.2015....
).

Nos estudos desta revisão, observou-se que não houve um protocolo de autoavaliação padronizado e validado que englobasse as diversas categorias de profissionais da voz falada, dificultando a análise e a confiabilidade dos resultados para o distúrbio de voz ocupacional. Outra limitação identificada foi a ausência da especificação dos itens nos protocolos de autoavaliação e a alta heterogeneidade na aplicação dos protocolos, alguns não validados e específicos para esse grupo populacional. Vale ressaltar que os fatores individuais, por si só, não caracterizam o DVRT, é preciso ter relação com aspectos organizacionais e ambientais.

A partir dos resultados obtidos, sugere-se a realização de novos estudos para o desenvolvimento de instrumentos validados, seguros e confiáveis, que permitam a investigação do DVRT em todo o contexto multifatorial a essa categoria de profissionais da voz, sendo fundamental para a análise e tomada de decisões do fonoaudiólogo a essa população.

CONCLUSÃO

Percebe-se o vínculo entre as condições individuais e externas do trabalho e a gênese e/ou manutenção dos sintomas/ distúrbios vocais. O método de avaliação mais frequente é a aplicação de instrumento de autoavaliação, validado.

Verifica-se que o DVRT apresenta relação significativa com fatores do ambiente e da organização do trabalho. O ruído e o uso intensivo da voz são os mais autorreferidos, além dos fatores de risco individuais, como alterações respiratórias, ser do gênero feminino e prática de hábitos vocais inadequados. A rouquidão é o sintoma vocal auditivo mais mencionado e garganta seca, pigarro e fadiga vocal os sintomas vocais sensoriais mais citados.

  • Trabalho realizado na Universidade Federal da Paraíba – UFPB – João Pessoa (PB), Brasil.
  • Financiamento: Nada a declarar.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    02 Fev 2024
  • Data do Fascículo
    2024

Histórico

  • Recebido
    21 Jun 2023
  • Aceito
    25 Out 2023
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