Concepções estatísticas referente ao uso combinado de questionário e tarefas auditivas

Inaie Maria Prado de Souza Nádia Giulian de Carvalho Samantha Dayane Camargo Brito Plotegher Maria Francisca Colella-Santos Maria Isabel Ramos do Amaral Sobre os autores

RESPOSTA

Em resposta à carta recebida, relacionada ao artigo de nossa autoria, publicado no presente periódico, intitulado “Triagem do processamento auditivo central: contribuições do uso combinado de questionário e tarefas auditivas”(11 Souza IMP, Carvalho NG, Plotegher SDCB, Colella-Santos MF, Amaral MIR. Triagem do processamento auditivo central: contribuições do uso combinado de questionário e tarefas auditivas. Audiol Commun Res. 2018 Dez;23:1-8. http://dx.doi.org/10.1590/2317-6431-2018-2021.
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), os autores consideram válido o diálogo científico e a construção conjunta de novos conhecimentos, com foco nas práticas baseadas em evidências. Mesmo com os avanços atuais da ciência, é sabido que, a despeito do aumento do rigor metodológico-científico das publicações atuais, não existe a pesquisa perfeita e possíveis vieses científicos podem ser evidenciados, incentivando o diálogo e explanações pertinentes (22 Amorim MMR, Souza ASR. A cultura da carta ao editor. Femina. 2013;41(1):1-4.).

Dois pontos foram levantados a respeito da necessidade de esclarecimentos de concepções estatísticas utilizadas, especificamente, no cálculo de correlação. A citada Tabela 1, referente ao teste de Correlação de Pearson, apresentou os valores de r multiplicados por 100. A apresentação dos resultados em porcentagem foi escolhida a partir de discussões prévias com profissionais da área de estatística, visando facilitar a visualização do resultado, sem comprometimento de sua interpretação, uma vez que a análise dos autores foi restrita à interpretação dos valores da força da correlação, sendo positiva ou negativa. Porém, ponderamos que isso não foi sinalizado na Tabela 1 (o correto seria corr (r) X100), bem como não foram reportados os valores brutos. Diante do exposto, e concordando com o apontamento de que a representação desse dado em porcentagem pode dar margem à interpretação de covariância, optamos por disponibilizar a Tabela 1, inserindo os citados valores de r.

Tabela 1
Correlação entre o questionário de autopercepção e as tarefas auditivas da Avaliação Simplificada do Processamento Auditivo, considerando os grupos GI e GII (n=67)

Consideramos, ainda, necessária uma ressalva em relação à afirmação de que a análise de correlação indica correlações diretamente ou inversamente proporcionais e de que valores absolutos maiores apontam correlações mais fortes. A análise de correlação é uma grandeza adimensional, que pode ser usada para indicar relações lineares entre pares de variáveis, em diferentes unidades(33 Montgomery DC, Runger GC. Estatística aplicada e probabilidade para engenheiros. Rio de Janeiro: LTC; 2016.). Para indicar proporcionalidade, a análise estatística utilizada é a regressão linear simples, análise que não condiz com o objetivo do presente estudo, que não foi a predição de uma variável em função da outra(33 Montgomery DC, Runger GC. Estatística aplicada e probabilidade para engenheiros. Rio de Janeiro: LTC; 2016.).

O segundo ponto questiona a ausência da correção para comparações múltiplas dos valores de p referentes a cada r, tendo sido citada a correção de Bonferroni. O presente estudo não trabalhou com testes de comparações múltiplas, ou mesmo de correlações múltiplas, cuja inferência é feita com base em mais de duas variáveis. Os autores compreendem a afirmação, porém, múltiplas análises de comparação e análise de comparações múltiplas são questões diferentes. Múltiplas comparações referem-se a vários testes de comparação. Já a análise de comparações múltiplas, refere-se a uma análise de comparação entre mais de duas variáveis. O método de ajuste ou correção de Bonferroni (0,05/número de comparações) é utilizado, comumente, para correções de médias ou postos em testes de comparações múltiplas, nos quais múltiplas comparações são feitas, e a correção diminui a probabilidade de se cometer um erro do Tipo I(44 Dancey CP, Reidy JG, Rowe R. Estatística sem matemática para as Ciências da Saúde. Porto Alegre: Penso; 2017.). Tal cálculo não se aplica no presente estudo, visto que o objetivo foi correlacionar cada escore do questionário de autopercepção, a cada uma das tarefas auditivas da Avaliação Simplificada do Processamento Auditivo.

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem ao Espaço da Escrita, Pró-Reitoria de Pesquisa – UNICAMP, pelo serviço de tradução fornecido.

  • Trabalho realizado no Departamento de Desenvolvimento Humano e Reabilitação – DDHR, Faculdade de Ciências Médicas – FCM, Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP – Campinas (SP), Brasil.
  • Financiamento: FAPESP. Processo nº 2016/22652-8.

REFERÊNCIAS

  • 1
    Souza IMP, Carvalho NG, Plotegher SDCB, Colella-Santos MF, Amaral MIR. Triagem do processamento auditivo central: contribuições do uso combinado de questionário e tarefas auditivas. Audiol Commun Res. 2018 Dez;23:1-8. http://dx.doi.org/10.1590/2317-6431-2018-2021
    » http://dx.doi.org/10.1590/2317-6431-2018-2021
  • 2
    Amorim MMR, Souza ASR. A cultura da carta ao editor. Femina. 2013;41(1):1-4.
  • 3
    Montgomery DC, Runger GC. Estatística aplicada e probabilidade para engenheiros. Rio de Janeiro: LTC; 2016.
  • 4
    Dancey CP, Reidy JG, Rowe R. Estatística sem matemática para as Ciências da Saúde. Porto Alegre: Penso; 2017.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    17 Out 2019
  • Data do Fascículo
    2019

Histórico

  • Recebido
    31 Jul 2019
  • Aceito
    05 Ago 2019
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