Diretrizes para o diagnóstico e tratamento da doença do refluxo gastroesofágico: um consenso baseado em evidências

Joaquim Prado P. Moraes-Filho Tomas Navarro-Rodriguez Ricardo Barbuti Jaime Eisig Decio Chinzon Wanderley Bernardo Sobre os autores

A doença do refluxo gastroesofágico é uma das enfermidades mais comuns na prática médica. Numerosas diretrizes e recomendações de conduta para seu diagnóstico e tratamento tem sido publicadas em vários países, mas no Brasil ainda não havia sido realizado um trabalho de consenso baseado em padrões de Medicina baseada em evidências. Com esse objetivo, estabeleceu-se um grupo brasileiro representativo de especialistas (Grupo de Consenso da DRGE - doença do refluxo gastroesofágico) para estabelecer diretrizes de conduta de Medicina baseada em evidências para a doença do refluxo gastroesofágico que pudessem ser utilizadas tanto por médicos em cuidados primários de saúde, como por especialistas, seguradoras e agências regulatórias. Foram propostas 30 questões e a busca das respostas baseou-se em pesquisa sistemática da literatura para a identificação dos temas e respectivos graus de evidência. Foram selecionadas 11.069 publicações sobre doença do refluxo gastroesofágico, das quais 6.474 sobre diagnóstico e 4.595 sobre terapêutica. Em relação ao diagnóstico, 51 trabalhos alcançaram as exigências de Medicina baseada em evidências: 19 foram classificadas como grau A e 32 como grau B. Em relação à terapêutica, 158 alcançaram as exigências de Medicina baseada em evidências: 89 foram classificadas como grau A e 69 como grau B. No item Diagnóstico as respostas sustentadas por publicação de graus A e B foram aceitas. No item Tratamento, somente publicações grau A foram aceitas: as respostas apoiadas por publicações grau B foram submetidas a votação pelo Grupo de Consenso. A presente publicação apresenta as respostas às questões propostas com os trabalhos mais representativos seguidos por comentários pertinentes. Exemplos: 1) em pacientes com manifestações atípicas a pHmetria convencional pouco contribui para o diagnóstico de doença do refluxo gastroesofágico. A sensibilidade, entretanto, aumenta com o emprego de pHmetria de duplo canal. 2) Em pacientes com manifestações atípicas a impedância-pHmetria contribui substancialmente para o diagnóstico de doença do refluxo gastroesofágico. O exame, entretanto, é oneroso e pouco disponível em nosso país. 3) A avaliação dos sinais histológicos de esofagite eleva a probabilidade diagnóstica da doença do refluxo gastroesofágico, considerando-se que a observação das dimensões do espaço intercelular da mucosa esofágica aumenta a probabilidade de certeza diagnóstica e também permite a análise da resposta terapêutica. 4) Não há diferença na resposta clínica ao tratamento com inibidor da bomba protônica administrado em duas doses diárias quando comparado a uma única dose diária. 5) A longo prazo (>1 ano) a erradicação do H .pylori em pacientes com doença do refluxo gastroesofágico não reduz a presença de sintomas ou a elevada recurrência da enfermidade, embora reduza os sinais histológicos de inflamação. É muito provável que não ocorra associação entre a erradicação do H. pylori e as manifestações da doença do refluxo gastroesofágico. 6) A presença de hérnia hiatal exige doses maiores de IBP para o tratamento clínico. A ocorrência de migração permanente da junção esôfago-gástrica e as dimensões da hérnia (>2 cm) são fatores de pior prognóstico na doença do refluxo gastroesofágico. Nesses casos, as hérnias hiatais associadas à doença do refluxo gastroesofágico, especialmente as fixas e maiores do que 2 cm devem ser consideradas para tratamento cirúrgico. Os resultados da fundoplicatura laparoscópica tem se mostrado adequados.

Refluxo gastroesofágico; Esofagite péptica; Guias como assunto


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