Anticorpos antiendomísio em pacientes brasileiros com doença celíaca e em seus familiares de primeiro grau

Racional — Dados de literatura têm mostrado alta especificidade dos anticorpos antiendomísio da classe IgA (EmA IgA) na doença celíaca. O pequeno número de trabalhos brasileiros motivaram o presente estudo. Objetivos - Determinar a sensibilidade e especificidade dos anticorpos antiendomísio da classe IgA em celíacos brasileiros ao diagnóstico, após tratamento para confirmar a aderência à dieta isenta de glúten e como rastreatmento em familiares de primeiro grau. Métodos - Estudo clínico e sorológico abrangente foi realizado investigando-se a presença destes anticorpos em 392 indivíduos da região sul do Brasil. Empregou-se imunofluorescência indireta, tendo como substrato cordão umbilical humano, e os níveis de IgA sérica foram determinados por turbidimetria, em todos os grupos. O estudo compreendeu 57 celíacos (18 ao diagnóstico, 24 aderentes à dieta e 15 com transgressões maiores ou menores), 115 familiares de celíacos (39 famílias), 94 pacientes com outras doenças gastrointestinais e 126 indivíduos sadios da população. Resultados - Os dados evidenciaram 100% de positividade nos pacientes recém diagnosticados e nos consumidores de glúten, em contraste com 0% nos aderentes à dieta. Um indivíduo do grupo controle foi positivo, mas recusou biopsia. No grupo de outras doenças gastrointestinais, um paciente positivo, portador de retocolite ulcerativa, também apresentava síndrome de Down, epilepsia e a biopsia intestinal diagnosticou doença celíaca. Tais dados mostram 99.3% de especificidade. Dezoito familiares foram positivos para anticorpos antiendomísio da classe IgA (15.65%) e a correlação com a população sadia foi estatisticamente significativa. Em sete foi realizada biopsia que demonstrou atrofia total de vilosidades em um e seis com arquitetura preservada, porém com número elevado de linfócitos intra-epiteliais. Conclusões - O método revelou 100% de sensibilidade e 99.3% de especificidade. Por não ser invasivo, pode ser usado para rastreamento de formas atípicas ou latentes de doença celíaca, evita biopsias seriadas e serve para controle da aderência à dieta, com implicações na prevenção de malignidade na doença celíaca.

Doença celíaca; Auto-anticorpos; Imunofluorescência


Instituto Brasileiro de Estudos e Pesquisas de Gastroenterologia e Outras Especialidades - IBEPEGE. Rua Dr. Seng, 320, 01331-020 São Paulo - SP Brasil, Tel./Fax: +55 11 3147-6227 - São Paulo - SP - Brazil
E-mail: secretariaarqgastr@hospitaligesp.com.br