Prevalência do câncer incidental de vesícula biliar em um hospital terciário de Pernambuco, Brasil

Euclides Dias MARTINS-FILHO Thales Paulo BATISTA Flávio KREIMER Antonio Cavalcanti de Albuquerque MARTINS Tiago Cavalcanti IWANAGA Cristiano de Souza LEÃO Sobre os autores

Contexto

O câncer de vesícula biliar ocasionalmente é descoberto após colecistectomias realizadas para tratamento da colelitíase. No entanto, a heterogênica prevalência de seu diagnóstico incidental é desconhecida entre as diferentes regiões de nosso país.

Objetivo

Explorar a prevalência do câncer incidental da vesícula biliar em nosso centro terciário de saúde.

Métodos

Realizou-se estudo de coorte retrospectivo incluindo pacientes consecutivamente submetidos a colecistetomias para tratamento da colelitíase na Faculdade Pernambucana de Saúde, Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira - FPS/IMIP, de janeiro de 2007 a dezembro de 2010. Os dados dos pacientes com câncer incidental da vesícula biliar foram analisados visando estimar sua prevalência e descrever a experiência do serviço no manejo desta neoplasia.

Resultados

Esta análise envolveu 2018 pacientes, com marcada predileção do gênero feminino (n=1,697; 84,1%) sobre o masculino (n=321; 15,9%). A prevalência em 3 anos para o câncer incidental da vesícula biliar foi estimada em 0,34% em nossa casuística. Ao estadiamento patológico inicial, observou-se um caso T1a, um T1b, e cinco T2, todos com diagnóstico histológico de adenocarcinoma. Colecistectomia laparoscópica isoladamente foi realizada para o tumor T1a, enquanto a complementação cirúrgica radical foi realizada em outros cinco. Em um caso, evidenciou-se doença metastática à reoperação. O estudo histopatológico após a cirurgia radical revelou doença residual/adicional em todos os tumores T2 e um paciente (T1b) foi submetido ao resgate cirúrgico (cirurgia de Whipple) para tratamento de colangiocarcinoma distal secundário. O caso estadiado como T1a está vivo após 3 anos de acompanhamento ambulatorial, enquanto todos os outros faleceram por recidiva/progressão neoplásica em até 12 meses.

Conclusão

Este estudo confirma o mal prognóstico do câncer de vesícula biliar mesmo quando incidentalmente descoberto após colecistectomias e pressupõe a prevalência em 3 anos de 0,34% para seu diagnóstico incidental em nosso centro terciário de saúde.

Neoplasias da vesícula biliar; Colecistectomia; Achados incidentais


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