Prevalência de supercrescimento bacteriano do intestino delgado em pacientes com sintomas intestinais funcionais

Carolina Piedade MARTINS Caio Henrique Amorim CHAVES Maurício Gustavo Bravim de CASTRO Isabel Cristina GOMES Maria do Carmo Friche PASSOS Sobre os autores

RESUMO

CONTEXTO

O supercrescimento bacteriano do intestino delgado é uma síndrome heterogênea, caracterizada pelo aumento no número e/ou presença de uma microbiota atípica no intestino delgado. Os sintomas do supercrescimento bacteriano do intestino delgado são inespecíficos englobando quadro de dor/distensão abdominal, diarreia e flatulência. Devido ao maior custo e complexidade para a realização do aspirado jejunal, padrão ouro para o diagnóstico da síndrome, tem sido utilizado rotineiramente o teste do hidrogênio (H 2 ) expirado, utilizando glicose ou lactulose como substrato, que é capaz de determinar, no ar expirado, a concentração de H 2 produzida a partir do metabolismo bacteriano intestinal. Entretanto, em decorrência de uma parcela de indivíduos apresentar uma microbiota metanogênica, não produtora de H 2 , justifica-se a realização do teste em aparelhos capazes de detectar, concomitantemente, a concentração de H 2 e metano (CH 4 ) expirados.

OBJETIVO

O presente estudo teve como objetivo determinar a prevalência de supercrescimento bacteriano do intestino delgado em pacientes com sintomas digestivos, através de uma análise comparativa dos testes respiratórios empregando H 2 ou H 2 e CH 4 associados, utilizando a glicose como substrato.

MÉTODOS

Foram avaliados 200 pacientes de ambos os sexos, sem limitação de idade, encaminhados a um Laboratório de Teste Respiratório para realização do teste de H 2 (100 pacientes) e de H 2 e CH 4 expirados (100 pacientes) devido a queixas gastrointestinais, a maioria deles portadores de distúrbios funcionais gastrointestinais.

RESULTADOS

Os resultados obtidos indicaram uma significativa prevalência do supercrescimento bacteriano do intestino delgado no teste do H 2 e no teste do H 2 e CH 4 expirados (56% e 64%, respectivamente) em pacientes com sintomas gastrointestinais, além de maior predominância no sexo feminino. Constatou-se ainda, que o gás metano foi isoladamente responsável pela positividade em 18% do total de pacientes.

CONCLUSÃO

Os dados encontrados no presente estudo demonstram condizentes com os achados da literatura atual e reforçam a necessidade da utilização de aparelhos capazes de captar os dois gases (H 2 e CH 4 expirados) para melhorar a sensibilidade e, consequentemente, a acurácia do diagnóstico de supercrescimento bacteriano do intestino delgado na prática médica diária.

DESCRITORES
Crescimento bacteriano; Intestino Delgado; Testes respiratórios; Hidrogênio; Metano

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