• Utilidade do registro do pH em parte proximal do esôfago Editorial

    Dantas, Roberto Oliveira
  • Interstitial lung disease and gastroesophageal reflux disease: key role of esophageal function tests in the diagnosis and treatment Original Articles

    Soares, Renato Vianna; Forsythe, Anne; Hogarth, Kyle; Sweiss, Nadera J.; Noth, Imre; Patti, Marco G.

    Abstract in Portuguese:

    CONTEXTO: A doença do refluxo gastroesofagiano (DRGE) é comum em pacientes com lesões intersticiais pulmonares. Todavia, a relação de causa e efeito não foi claramente demonstrada. Tem sido formulada a hipótese de que a frequente coexistência de DRGE e dano pulmonar intersticial não seja meramente uma coincidência. Ainda existe controvérsia em relação a melhor forma de se confirmar o diagnóstico de DRGE e se o controle efetivo do refluxo tem influência na história natural destas enfermidades respiratórias. OBJETIVO: Determinar: (a) a prevalência da DRGE em pacientes com doenças respiratórias e envolvimento pulmonar intersticial; (b) a sensibilidade dos sintomas típicos de DRGE para o diagnóstico; (c) o papel dos exames de fisiologia do esôfago (manometria esofágica e pHmetria de 24 horas) no diagnóstico e manejo destes pacientes. MÉTODOS: Estudo prospectivo de 44 pacientes (29 sexo feminino) com doenças respiratórias: 16 pacientes com fibrose pulmonar idiopática, 11 com doença intersticial pulmonar associada à esclerose sistêmica, 2 com doença intersticial pulmonar associada à polimiosite, 2 com doença intersticial pulmonar relacionada à síndrome de Sjögren, 2 com doença intersticial pulmonar associada à artrite reumatóide, 1 com doença intersticial pulmonar associada à doença indiferenciada do tecido conjuntivo e 10 pacientes com sarcoidose e acometimento pulmonar. A capacidade vital forçada média (% predito) foi de 64,3%. Todos os pacientes fizeram manometria esofágica e pHmetria de 24 horas. RESULTADOS: Trinta pacientes (68%) tiveram refluxo patológico (média do escore de DeMeester de 45; normal <14.7). A média de episódios de refluxo detectados 20 cm acima do esfíncter inferior do esôfago foi de 24. A sensibilidade e especificidade de queimação retroesternal foi de 70% e 57%, de regurgitação de 43% e 57% e de disfagia de 33% e 64%. Doze pacientes com DRGE foram levados à fundoplicatura videolaparoscópica guiada pelo perfil manométrico: em três pacientes com peristalse normal foi realizada uma fundoplicatura à Nissen e em nove pacientes com peristalse ausente foi realizada fundoplicatura à Dor. CONCLUSÕES: Os resultados do estudo demonstraram que: (a) refluxo anormal esteve presente em 2/3 dos pacientes com doenças respiratórias e comprometimento intersticial; (b) a sensibilidade e especificidade dos sintomas de refluxo foi baixa; (c) provas de fisiologia do esôfago foram essenciais para o diagnóstico de refluxo anormal, para caracterizar a função esofagiana e guiar o manejo. Seguimento de longo prazo vai ser importante para determinar se o controle do refluxo tem influência na história natural destas doenças respiratórias

    Abstract in English:

    CONTEXT: Gastroesophageal reflux disease (GERD) is common in patients with respiratory disorders and interstitial lung fibrosis from diverse disease processes. However, a cause-effect relationship has not been well demonstrated. It is hypothesized that there might be more than a coincidental association between GERD and interstitial lung damage. There is still confusion about the diagnostic steps necessary to confirm the presence of GERD, and about the role of effective control of GERD in the natural history of these respiratory disorders. OBJECTIVES: To determine the prevalence of GERD in patients with respiratory disorders and lung involvement; the sensitivity of symptoms in the diagnosis of GERD; and the role of esophageal function tests (manometry and 24- hour pH monitoring) in the diagnosis and treatment of these patients. METHODS: Prospective study based on a database of 44 patients (29 females) with respiratory disorders: 16 patients had idiopathic pulmonary fibrosis, 11 patients had systemic sclerosis associated interstitial lung disease, 2 patients had polymyositis associated interstitial lung disease, 2 patients had Sjögren associated interstitial lung disease, 2 patients had rheumatoid artrithis associated interstitial lung disease, 1 patient had undifferentiated connective tissue diseases associated interstitial lung disease and 10 patients had sarcoidosis. The average forced vital capacity (% predicted) was 64.3%. All patients had esophageal function tests. RESULTS: Thirty patients (68%) had pathologic reflux (average DeMeester score: 45, normal <14.7). The average number of reflux episodes recorded 20 cm above the lower esophageal sphincter was 24. Sensitivity and specificity of heartburn were 70% and 57%, of regurgitation 43% and 57%, and of dysphagia 33% and 64%. Twelve patients with GERD underwent a laparoscopic fundoplication which was tailored to the manometric profile: three patients in which peristalsis was normal had a total fundoplication (360°) and nine patients in which the peristalsis was absent had a partial anterior fundoplication (180°). CONCLUSIONS: The results of our study show that: (a) abnormal reflux was present in about 2/3 of patients with respiratory disorders (idiophatic pulmonary fibrosis, connective tissue disorders and sarcoidosis), and it extended to the upper esophagus in most patients; (b) the sensitivity and specificity of reflux symptoms was very low; and (c) esophageal function tests were essential to establish the diagnosis of abnormal reflux, to characterize the esophageal function and guide therapy. Long term follow-up will be necessary to determine if control of reflux alters the natural history of these respiratory disorders.
  • Gastroesophageal reflux disease and vocal disturbances Original Articles

    Henry, Maria Aparecida Coelho de Arruda; Martins, Regina Helena Garcia; Lerco, Mauro Masson; Carvalho, Lídia Raquel; Lamônica-Garcia, Vânia Cristina

    Abstract in Portuguese:

    CONTEXTO: A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) é uma doença crônica na qual o conteúdo gastroduodenal reflui para o esôfago. O quadro clínico da DRGE é usualmente referido como pirose e regurgitação (manifestações típicas). Manifestações atípicas (distúrbios da voz e asma) podem também ser referidas. OBJETIVO: Analisar os aspectos clínicos, endoscópicos, manométricos e pHmétricos de pacientes portadores da DRGE com distúrbios da voz. MÉTODO: Foram estudados 50 pacientes com a DRGE, sendo 25 com distúrbios da voz (grupo 1 - G1) e 25 sem estes sintomas (controles, grupo 2 - G2). Todos os pacientes foram submetidos a endoscopia, manometria e pHmetria esofágica (dois sensores). Os pacientes do G1 foram submetidos a videolaringoscopia. RESULTADOS: Achados endoscópicos: DRGE não-erosiva foi observada em 95% dos pacientes de G1 e em 88% de G2. Videolaringoscopia: congestão das pregas vocais, assimetria, nódulos e pólipos foram diagnosticados nos pacientes do G1. Manometria esofágica: pressão no esfíncter inferior do esôfago (mm Hg): 11,6 ± 5,2 em G1 e 14,0 ± 6,2 em G2 (P = 0,14); pressão no esfíncter superior do esôfago (mm Hg): 58,4 ± 15,9 em G1 e 69,5 ± 30,7 nos controles. Achados pHmétricos: índice de DeMeester: 34,0 ± 20,9 em G1 e 15,4 ± 9,4 em G2 (P<0,001); número de episódios de refluxo no sensor distal: 43,0 ± 20,4 em G1 e 26, 4 ± 17,2 em G2 (P<0,003); percentagem do tempo com pH esofágico menor que 4 unidades (sensor distal): 9,0% ± 6,4% em G1 e 3,4% ± 2,1% em G2 (P<0,001); número de episódios de refluxo no sensor proximal: 7,5 ± 10,9 em G1 e 5,3 ± 5,7 em G2 (P = 0,38); percentagem de tempo com pH esofágico menor que quatro unidades (sensor proximal): 1,2% ± 2,7% em G1 e 0,5% ± 0,7% em G2 (P = 0,210). CONCLUSÕES: Os aspectos clínicos, endoscópicos e manométricos em pacientes com a DRGE e distúrbios da voz não diferem dos pacientes sem estes sintomas. A intensidade do refluxo gastroesofágico é maior nos pacientes com distúrbios da voz. Os pacientes sem distúrbios da voz podem também apresentar episódios de refluxo gastroesofágico no sensor proximal.

    Abstract in English:

    CONTEXT: Gastroesophageal reflux disease is a chronic disease in which gastroduodenal contents reflux into the esophagus. The clinical picture of gastroesophageal reflux disease is usually composed by heartburn and regurgitation (typical manifestations). Atypical manifestations (vocal disturbances and asthma) may also be complaint. OBJECTIVE: To analyse the clinical, endoscopic, manometric and pHmetric aspects of patients suffering from gastroesophageal reflux disease associated with vocal disturbances. METHODS: Fifty patients with gastroesophageal reflux disease were studied, including 25 with vocal disturbances (group 1 - G1) and 25 without these symptoms (group 2 - G2). All patients were submitted to endoscopy, manometry and esophageal pHmetry (2 probes). The group 1 patients were submitted to videolaryngoscopy. RESULTS: Endoscopic findings: non-erosive reflux disease was observed in 95% of G1 patients and 88% of G2. Videolaryngoscopy: vocal fold congestion, asymmetry, nodules and polyps were observed in G1 patients. Manometric findings: pressure in the lower esophageal sphincter (mm Hg): 11.6 ± 5.2 in G1 and 14.0 ± 6.2 in G2 (P = 0.14); pressure in the upper esophageal sphincter (mm Hg): 58.4 ± 15.9 in G1 and 69.5 ± 30.7 in the controls. pHmetric findings: De Meester index: 34.0 ± 20.9 in G1 and 15.4 ± 9.4 in G2 (P<0.001); number of reflux episodes in distal probe: 43.0 ± 20.4 in G1 and 26.4 ± 17.2 in G2 (P = 0.003); percentage of time with esophageal pH value lower than 4 units (distal sensor): 9.0% ± 6.4% in G1 and 3.4% ± 2.1% in G2 (P<0.001); number of reflux episodes in proximal probe: 7.5 ± 10.9 in G1 and 5.3 ± 5.7 in G2 (P = 0.38); percentage of time with esophageal pH values lower than 4 units (Proximal probe): 1.2 ± 2.7 in G1 and 0.5 ± 0.7 in G2 (P = 0.21). CONCLUSIONS: 1) The clinical, endoscopic, and manometric findings observed in patients with vocal disturbance do not differ from those without these symptoms; 2) gastroesophageal reflux intensity is higher in patients with vocal disturbance; 3) patients without vocal disturbance can also present reflux episodes in the proximal probe.
  • Does low dose13C-urea breath test maintain a satisfactory accuracy in diagnosing Helicobacter pylori infection? Original Articles

    Coelho, Luiz Gonzaga Vaz; Silva Jr, Arilto Eleutério da; Coelho, Maria Clara de Freitas; Penna, Francisco Guilherme Cancela e; Ferreira, Rafael Otto Antunes; Santa-Cecilia, Elisa Viana

    Abstract in Portuguese:

    CONTEXTO: A dose convencional de 13C-ureia para a realização do teste respiratório com 13C-ureia é 75 mg. OBJETIVO: Determinar a precisão diagnóstica do teste respiratório contendo 25 mg de 13C-ureia comparada com a dose convencional de 75 mg para o diagnóstico de infecção por H. pylori. MÉTODOS: Duzentos e setenta pacientes adultos (96 homens, 174 mulheres, idade mediana de 41 anos) realizaram o teste respiratório convencional (75 mg 13C-ureia) e repetiram o teste respiratório usando apenas 25 mg de 13C-ureia dentro de 2 semanas de intervalo. O teste respiratório foi realizado empregando-se analisador de isótopos por infravermelho. Os pacientes foram considerados positivos quando apresentavam valor delta acima da linha de base >4.0 no teste respiratório convencional (padrão-ouro). RESULTADOS: Cento e sessenta e um pacientes (59,6%) eram H. pylori negativos e 109 (40,4%) eram positivos aos testes respiratórios convencionais. Para definição do melhor ponto de corte discriminatório entre positivos e negativos pelo teste respiratório com 25 mg, foi utilizado a curva ROC, obtendo-se o valor de 3,4%, considerando-se a prevalência de 30,2% (IC 95%: 23.9-37.3) da infecção por H. pylori no laboratório, onde se realizou este estudo. Desta forma, para o teste respiratório com 25 mg foi obtida uma precisão diagnóstica de 92,9% (IC 95%: 88,1-97,9), sensibilidade de 83,5% (IC 95%: 75,4-89,3) e especificidade de 99,4% (IC 95%: 96,6-99,9). CONCLUSÕES: Teste respiratório com dose baixa (25 mg) de 13C-ureia não proporciona precisão suficiente para ser recomendado em ambientes clínicos, onde a prevalência de H. pylori está situada em torno de 30%.

    Abstract in English:

    CONTEXT: The standard doses of 13C-urea in 13C-urea breath test is 75 mg. OBJECTIVE: To assess the diagnostic accuracy of 13C-urea breath test containing 25 mg of 13C-urea comparing with the standard doses of 75 mg in the diagnosis of Helicobacter pylori infection. METHODS: Two hundred seventy adult patients (96 males, 174 females, median age 41 years) performed the standard 13C-urea breath test (75 mg 13C-urea) and repeated the 13C-urea breath test using only 25 mg of 13C-urea within a 2 week interval. The test was performed using an infrared isotope analyzer. Patients were considered positive if delta over baseline was >4.0‰ at the gold standard test. RESULTS: One hundred sixty-one (59.6%) patients were H. pylori negative and 109 (40.4%) were positive by the gold standard test. Using receiver operating characteristic analysis we established a cut-off value of 3.4% as the best value of 25 mg 13C-urea breath test to discriminate positive and negative patients, considering the H. pylori prevalence (95% CI: 23.9-37.3) at our setting. Therefore, we obtained to 25 mg 13C-urea breath test a diagnostic accuracy of 92.9% (95% CI: 88.1-97.9), sensitivity 83.5% (95% CI: 75.4-89.3), specificity 99.4% (95% CI: 96.6-99.9), positive predictive value 98.3% (95% CI: 92.4-99.4), and negative predictive value 93.0% (95% CI: 88.6-96.1). CONCLUSIONS: Low-dose 13C-urea breath test (25 mg 13C-urea) does not reach accuracy sufficient to be recommended in clinical setting where a 30% prevalence of H. pylori infection is observed. Further studies should be done to determine the diagnostic accuracy of low doses of 13C-urea in the urea breath test.
  • Helicobacter pylorihas no influence on distal gastric cancer survival Original Articles

    Santos, Renata S.; Lourenço, José E. V.; Herbella, Fernando Augusto Mardiros; Del Grande, Jose Carlos; Patti, Marco G.

    Abstract in Portuguese:

    CONTEXTO: Há evidência que a infecção por Helicobacter pylori correlacione-se com a etiologia do câncer gástrico distal. Há, entretanto, poucos estudos que analisam a sobrevivência relacionada ao H. pylori. OBJETIVO: Correlacionar a sobrevida do câncer gástrico distal com a infecção por H. pylori. MÉTODOS: Sessenta e oito pacientes com câncer gástrico distal submetidos a gastrectomia subtotal foram estudados. O tempo mínimo de seguimento foi de 1 mês. A infecção por H. pylori foi confirmada por biopsia. RESULTADOS: Trinta e quatro pacientes (19 homens (55,9%), idade média de 60,9 ± 14,03, variação 33-82 anos) tinham confirmação de infecção por H. pylori. Trinta e quatro pacientes (16 homens (47,1%), idade média de 57,9 ± 13,97, variação 27-85 anos) eram H. pylori negativo. Os grupos eram comparáveis considerando idade (P = 0.4), gênero (P = 0.5) e estágio [T (P = 0.2), N (P = 0.6) e M (P = 0.9)]. Sobrevivência não foi diferente quando os grupos foram comparados (P = 0.1616 (Hazard ratio 0.6834, 95% CI 0.4009-1.1647)). CONCLUSÕES: Infecção por Helicobacter pylori não afeta a sobrevida no câncer gástrico distal.

    Abstract in English:

    CONTEXT: There is some evidence that Helicobacter pylori correlates with distal gastric cancer genesis. However, few studies analyzed the survival related to H. pylori infection. OBJECTIVE: To correlate gastric cancer survival and H. pylori infection. METHODS: Sixty-eight patients with distal gastric cancer that underwent subtotal gastrectomy were studied. Minimal follow-up was 1 month. H. pylori infection was confirmed by biopsy. RESULTS: Thirty-four patients (19 males (55.9%), mean age 60.9 ± 14.03, range 33-82 years) were H. pylori positive. Thirty-four patients (16 males (47.1%), mean age 57.9 ± 13.97, range 27-85 years) were H. pylori negative. Groups were comparable in regards to age (P = 0.4), gender (P = 0.5), stage [T (P = 0.2), N (P = 0.6) and M (P = 0.9)]. Survival was not different when groups were compared [P = 0.1616 (hazard ratio 0.6834, 95% CI 0.4009 to 1.1647)]. CONCLUSIONS: H. pylori infection does not affect distal gastric cancer survival.
  • Nutritional profile of asymptomatic alcoholic patients Original Articles

    Sobral-Oliveira, Maria Beatriz; Faintuch, Joel; Guarita, Dulce Reis; Oliveira, Claudia P.; Carrilho, Flair J.

    Abstract in Portuguese:

    CONTEXTO: O alcoolismo pode interferir no estado nutricional, todavia, os relatos frequentemente sofrem com o viés das incertezas sobre dieta consumida, danos orgânicos subjacentes e persistência do abuso. OBJETIVO: Para identificar alterações nutricionais e de compartimentos corpóreos em alcoólatras estáveis sem variáveis de confusão clínica e dietética, foi desenhado o presente estudo piloto observacional prospectivo. Três populações bem pareadas foram consideradas: casos de pancreatite crônica alcoólica, alcoólatras sem enfermidade visceral e adultos que nunca consumiram etanol (controles). MÉTODOS: Os pacientes (n = 60) eram homens assintomáticos com dieta satisfatória, nenhuma evidência de enfermidade ou complicação exceto as do protocolo e afastados do etanol por no mínimo 6 meses. Após exclusões, 48 pacientes foram comparados. As variáveis abrangeram recordatório alimentar, análise de bioimpedância, perfil bioquímico e marcadores inflamatórios. Os principais resultados buscados foram gordura corporal, massa magra, lípides séricos, proteína C reativa e vitaminas e minerais selecionados. RESULTADOS: Os dois grupos que ingeriam álcool exibiram redução da massa magra (P = 0,001) com gordura corporal bem conservada. O magnésio estava diminuído e as taxas de vitamina D e B12 se correlacionaram com o abuso de álcool. O colesterol total e LDL estavam aumentados nos alcoólatras sem pancreatite (P = 0,04), porém, não naqueles com dano pancreático. A proteína C reativa e o seroamilóide A correlacionaram-se com a duração do excesso etílico (P = 0,01). CONCLUSÕES: A desnutrição (menor massa magra, possibilidade de carência de magnésio e vitaminas) contrastou com a dislipidemia e o risco cardiovascular elevado. Este segundo perigo permaneceu mascarado na vigência de pancreatite crônica, porém, não nos alcoólatras sem lesão visceral. Estudos adicionais deverão focalizar as necessidades nutricionais específicas desta população.

    Abstract in English:

    CONTEXT: Alcoholism may interfere with nutritional status, but reports are often troubled by uncertainties about ingested diet and organ function, as well as by ongoing abuse and associated conditions. OBJECTIVE: To identify nutritional and body compartment changes in stable alcoholics without confounding clinical and dietetic variables, a prospective observational pilot study was designed. Three well-matched populations were considered: subjects with chronic alcoholic pancreatitis, alcoholics without visceral disease, and healthy never-drinking adults (controls). METHODS: Subjects (n = 60) were asymptomatic males with adequate diet, no superimposed disease or complication, and alcohol-free for at least 6 months. After exclusions, 48 patients were compared. Variables encompassed dietary recall, bioimpedance analysis, biochemical profile and inflammatory markers. Main outcome measures were body fat, lean body mass, serum lipids, C-reactive protein, and selected minerals and vitamins. RESULTS: Both alcoholic populations suffered from reduced lean body mass (P = 0.001), with well-maintained body fat.Magnesium was depleted, and values of vitamin D and B12 correlated with alcohol abuse. LDL and total cholesterol was increased in alcoholics without pancreatitis (P = 0.04), but not in those with visceral damage. C-reactive protein and serum amyloid A correlated with duration of excessive drinking (P = 0.01). CONCLUSIONS: Undernutrition (diminished lean body mass, risk of magnesium and vitamin deficiencies) contrasted with dyslipidemia and increased cardiovascular risk. This second danger was masked during chronic pancreatitis but not in alcoholics without visceral disease. Further studies should focus special requirements of this population.
  • Prospective study of ultrasound with perflutrene contrast compared to magnetic resonance imaging in the diagnosis of hepatic hemangiomas Original Articles

    Schmillevitch, Joel; Szutan, Luiz Arnaldo; Ferreira, Fábio Gonçalves; Santos, Maria de Fátima; Mincis, Ricardo; Gorski, Ana

    Abstract in Portuguese:

    CONTEXTO: O hemangioma hepático apresenta incidência entre 0,4% a 20% na população e a ultrassonografia convencional é geralmente o primeiro método diagnóstico a identificá-lo como achado incidental. A ultrassonografia com contrastes de segunda geração vem sendo utilizada em várias áreas da hepatologia, com resultados semelhantes à tomografia computadorizada e a ressonância magnética no diagnóstico dos hemangiomas hepáticos. OBJETIVO: Avaliar a concordância entre a ultrassonografia com o contraste perflutreno e a ressonância magnética no diagnóstico dos hemangiomas hepáticos. MÉTODOS: Foram analisados prospectivamente 37 pacientes entre janeiro de 2006 e agosto de 2008 e identificados 57 nódulos como achados incidentais de exame de ultrassom de rotina. Nos 37 pacientes, foi administrado o contraste perflutreno, sem reações adversas. Os 37 pacientes realizaram exames de ressonância magnética. RESULTADOS: A ultrassonografia convencional identificou em 15 pacientes nódulos com características típicas de hemangiomas e em 22 pacientes com nódulos com outras características Em 35 pacientes as características do contraste foram compatíveis com hemangiomas hepáticos. CONCLUSÕES: A concordância entre a ultrassonografia com contraste e a ressonância magnética foi de 94,5% e nos casos discordantes o diagnóstico foi realizado pela ressonância magnética. No caso indeterminado na ultrassonografia com contraste, a ressonância magnética foi repetida em 3 meses, confirmando o diagnostico de hemangioma hepático. No caso com nódulo sugestivo de malignidade na ultrassonografia com contraste, foi realizada biopsia do nódulo, com anatomopatológico de hemangioma hepático. A ultrassonografia com contraste apresenta vantagens de maior acesso a população e custos menores em relação à ressonância magnética. Os resultados deste trabalho sugerem novo protocolo para nódulos hepáticos identificados incidentalmente em exames de ultrassonografia convencional. Nos hemangiomas típicos, a ultrassonografia convencional seria suficiente. Nos casos com nódulos não definidos, a ultrassonografia com contraste a ser indicado, que ao confirmar o diagnóstico de hemangioma hepático, encerraria a instigação diagnóstica.

    Abstract in English:

    CONTEXT:The incidence of hepatic hemangiomas ranges from 0.4% to 20% in the general population. Conventional ultrasound is usually the first diagnostic method to identify these hemangiomas, typically as an incidental finding. Ultrasonography with second generation contrast materials is being used in various areas of hepatology, yielding similar results to those obtained with computerized tomography and magnetic resonance imaging in the diagnosis of hepatic hemangiomas. OBJECTIVE: To evaluate the agreement between ultrasound with perflutrene contrast and magnetic resonance imaging in the diagnosis of hepatic hemangiomas. METHODS: A total of 37 patients were prospectively examined between January 2006 and August 2008. A total of 57 hepatic nodules were documented in this group as incidental findings on routine ultrasound exams. The 37 patients were administered perflutrene contrast without adverse reactions, and were all submitted to magnetic resonance exams. RESULTS: Conventional ultrasound identified 15 patients with nodules typical of hemangiomas and 22 patients with other nodules. In 35 patients, the contrast characteristics were consistent with hepatic hemangiomas. CONCLUSION: Agreement between the data obtained from ultrasound with contrast and magnetic resonance was 94.5%. In discordant cases, the magnetic resonance diagnosis prevailed. In the case which presented indeterminate findings on contrast ultrasonography, magnetic resonance was repeated after 3 months, confirming the diagnosis of a hepatic hemangioma. A biopsy was performed on the suspected malignant nodule which also confirmed the presence of a hepatic hemangioma. Ultrasonography with contrast has the advantages of being more accessible to the public at large and lower cost than magnetic resonance. The results of our study highlight the need for a new protocol in hepatic nodules incidentally identified on conventional ultrasonography. In the case of typical hemangiomas, conventional ultrasound is sufficient for diagnosis. However, for poorly defined nodules, ultrasonography with contrast is indicated. After confirming the presence of a hepatic hemangioma on contrast ultrasonography, no further exams are needed to finalize the diagnosis.
  • HBV and HCV serological markers in patients with the hepatosplenic form of mansonic schistosomiasis Original Articles

    Silva, Jéfferson Luis de Almeida; Souza, Veridiana Sales Barbosa de; Vilella, Tatiana Aguiar Santos; Domingues, Ana Lúcia C.; Coêlho, Maria Rosângela Cunha Duarte

    Abstract in Portuguese:

    CONTEXTO: A transfusão sanguínea destaca-se entre os fatores de risco implicados na transmissão dos vírus das hepatites B (VHB) e C (VHC); entretanto não há relatos da transmissão endoscópica destes vírus em pacientes com esquistossomose na forma hepatoesplênica. OBJETIVO: Estimar a prevalência dos marcadores sorológicos do VHB e VHC em pacientes com esquistossomose hepatoesplênica e avaliar os possíveis fatores de risco associados a essas infecções. MÉTODOS: Estudo do tipo transversal, com 230 pacientes com esquistossomose hepatoesplênica atendidos em um Hospital Universitário de Recife, PE, Brasil, no período de fevereiro a agosto de 2008. Os pacientes responderam a um questionário padronizado sobre os fatores de risco. Nas amostras de soro foram pesquisados o anti-HBc total, o anti-HBs, o HBsAg e o anti-VHC por ensaio imunoenzimático. As análises estatísticas utilizadas foram a univariada e a regressão logística múltipla. RESULTADOS: Encontrou-se prevalencia de 30% para anti-HBc total e/ou HBsAg e 7,4% para o anti-VHC. Houve maior frequencia de pacientes positivos do sexo feminino e idade .50 anos para os marcadores analisados. Verificou-se associação significativa entre a presenca do anti-HCV e a categoria de seis ou mais transfusões. Nao foi constatada associação do antecedente e numero de endoscopias digestivas com os marcadores sorologicos analisados. CONCLUSÕES: Constatou-se maior prevalência de marcadores sorológicos do VHB e menor prevalência para o anti-VHC. Evidenciou-se o sexo feminino e paciente de idade avançada como as categorias mais atingidas e maior probabilidade da infecção pelo VHC em pacientes politransfundidos.

    Abstract in English:

    CONTEXT: Blood transfusion is one of the major risk factors for the transmission of the hepatitis B (HBV) and C (HCV) viruses. However, there are no reports describing the endoscopic transmission of these viruses in patients with the hepatosplenic form of schistosomiasis. OBJECTIVE: To estimate the prevalence of serological markers of HBV and HCV in patients with the hepatosplenic form of schistosomiasis and evaluate the possible risk factors associated with these infections. METHODS: A cross-sectional study was conducted on 230 patients with hepatosplenic form of schistosomiasis who attended a university hospital in Recife, Northeastern Brazil, from February to August 2008. The patients answered a standardized questionnaire about risk factors. Serum samples were analyzed for anti-HBc total, anti-HBs, HBsAg, and anti-HCV using enzyme-linked immunosorbent assays. Univariate analysis and multiple logistic regression were performed. RESULTS: The prevalence was 30% for anti-HBc total and/or HBsAg and 7.4% for anti-HCV. There was a higher frequency of the serological markers in females and in patients aged .50 years. A significant association was detected between the presence of anti-HCV and the receipt of six or more blood transfusions. There was no association of history and number of digestive endoscopies with the serological markers analyzed. CONCLUSIONS: We observed a higher prevalence of serological markers for HBV and a lower prevalence of anti-HCV. Our results indicate that females and patients of an advanced age are the most affected categories and that patients that received multiple transfusions are at a higher probability of HCV infection.
  • Prevalence of celiac disease in siblings of Iranian patients with celiac disease Original Articles

    Chomeili, Bashir; Aminzadeh, Majid; Hardani, Amir Kamal; Fathizadeh, Payam; Chomeili, Pooya; Azaran, Azarakhsh

    Abstract in Portuguese:

    CONTEXTO: A doença celíaca, uma das mais conhecidas enfermidades autoimunes humanas, leucocitária antígeno-dependente, tem prevalência relativamente maior em parentes de primeiro grau. OBJETIVO: Determinar a prevalência de doença celíaca em irmãos de pacientes confirmadamente celíacos, filhos dos mesmos pais. MÉTODOS: Os irmãos de pacientes com doença celíaca confirmada no Department of Pediatrics, Ahvaz Jundishapur University of Medical Sciences, em Ahvaz, Iran, foram identificados e incluídos no estudo. A imunoglobulina A sérica e o anticorpo transglutaminase tecidual por ensaio imunoenzimático (anti-transglutaminase tecidual, imunoglobulina A e imunoglobulina G) foram medidos e múltiplas biopsias endoscópicas duodenais foram obtidas com o consenso dos pais. A doença celíaca foi confirmada pela observação das características histológicas. RESULTADOS: Um total de 49 crianças (29 do sexo masculino; 20 do sexo feminino; de 2 a 16 anos) com diagnóstico confirmado de doença celíaca em uma enfermaria de gastroenterologia pediátrica foi estudado de 1999 a 2006. Encontraram-se 30 irmãos (16 do sexo feminino) e todos compartilhavam os mesmos pais dos pacientes. A única medida disponível foi do anticorpo tecidual imunoglobulina A transglutaminase. A biopsia duodenal foi realizada em todos os 30 irmãos. As manifestações clínicas como dor abdominal, fadiga, retardo do crescimento e diarréia foram encontradas em 53,3% dos irmãos estudados completamente, e a sorologia positiva sem alterações histológicas foi identificada em quatro casos. Ambas, sorologia e biopsia (novos casos confirmados) foram positivas em 2 dos 30 irmãos. CONCLUSÕES: A prevalência de doença celíaca entre irmãos de pais confirmadamente celíacos exige triagem sorológica e biopsia de confirmação, se indicada, em familiares com doença celíaca. Diagnosticar a doença o mais rápido possível traz vantagens, pois o diagnóstico precoce e a intervenção dietética podem prevenir complicações graves, como retardo do crescimento, baixa estatura, diarreia crônica e malignidade.

    Abstract in English:

    CONTEXT: Celiac disease, one of the best-known autoimmune human leukocyte antigen-dependent disorders, has a relatively increased prevalence in first-degree relatives. OBJECTIVE: To determine the prevalence of celiac disease in siblings of patients with confirmed celiac disease. METHODS: Siblings of confirmed celiac disease patients in our center were identified and enrolled in this study. Their serum immunoglobulin A and tissue transglutaminase antibody-enzyme-linked immunosorbent assay (anti-tissue transglutaminase, immunoglobulin A, and immunoglobulin G) were measured and multiple endoscopic duodenal biopsy specimens were obtained with parental consensus. Celiac disease was confirmed by observation of characteristic histological changes. RESULTS: A total of 49 children (male, 29; female, 20; age, 2-16 years) with confirmed celiac disease in a pediatric gastroenterology ward were studied from 1999 to 2006. We found 30 siblings (female, 16) all shared in both parents. The only measurement available was for immunoglobulin A tissue transglutaminase antibody. A duodenal biopsy was performed in all 30 siblings. Clinical findings such as abdominal pain, fatigue, growth retardation and diarrhea were found in 53.3% of the completely studied siblings, and positive serology without histological changes was identified in four cases. Both serology and biopsy (confirmed new cases) were positive in 2 of the 30 siblings. CONCLUSION: High prevalence of celiac disease among siblings of patients with confirmed celiac disease necessitates serologic screening (and confirmatory biopsy if indicated) in families having celiac disease. It is advantageous to diagnose the disease as soon as possible because early diagnosis and diet intervention may prevent serious complications such as growth retardation, short stature, chronic diarrhea, and malignancy.
  • The value of high-resolution anoscopy in the diagnosis of anal cancer precursor lesions in hiv-positive patients Original Articles

    Gimenez, Felicidad; Costa-e-Silva, Ivan Tramujas da; Daumas, Adriana; Araújo, José de; Medeiros, Sara Grigna; Ferreira, Luiz

    Abstract in Portuguese:

    CONTEXTO: O câncer anal, muito embora ainda seja uma doença rara, vem sendo observado com frequência ascendente em alguns grupos populacionais considerados sob risco para o desenvolvimento da doença. Infecção pelo vírus do papiloma humano (HPV), imunossupressão e o sexo anoreceptivo são alguns dos fatores associados ao desenvolvimento da neoplasia. Suas semelhanças com o câncer do colo do útero levaram muitos estudos voltados para o estabelecimento de regras para a detecção e tratamento de lesões precursoras do câncer anal, tudo com o objetivo de prevenir a doença. A anuscopia com magnificação de imagem é rotineiramente utilizada para o diagnóstico de lesões precursoras do câncer anal em muitos centros, mas a literatura médica ainda é escassa a respeito do papel a ser desempenhado por essa modalidade diagnóstica. OBJETIVOS: Avaliar as medidas de validação e precisão diagnósticas da anuscopia com magnificação de imagem em comparação com resultados histopatológicos de biopsias anais realizadas em pacientes HIV-positivos tratados na Fundação de Medicina Tropical do Amazonas, Manaus, AM, Brasil. Observar qualquer possível associação entre alguns fatores de risco para o desenvolvimento do câncer anal e a presença de lesões intraepiteliais escamosas anais. MÉTODOS: Cento e vinte e oito pacientes HIV-positivos foram submetidos a coleta de material celular anal para a realização da detecção da presença de HPV pela reação em cadeia da polimerase. Anuscopias com magnificação de imagem foram realizadas após a aplicação tópica de ácido acético a 3% no canal anal por 2 minutos. As lesões acetobrancas eventualmente observadas foram registradas com respeito a sua localização e classificadas quanto ao seu padrão tintorial, aspecto de distribuição, relevo, características de sua superfície e vascularidade. Foram realizadas biopsias das lesões acetobrancas sob anestesia local e os espécimes foram remetidos para estudo histopatológico. Os pacientes foram entrevistados em relação à presença de fatores de risco para o câncer anal. RESULTADOS: As prevalências de infecção anal pelo HPV e de lesões intraepiteliais escamosas anais na amostra populacional estudada foram de 79% e 39,1%, respectivamente. A sensibilidade e a especificidade da anuscopia com magnificação de imagem foram, respectivamente, de 90% e 19,23%, enquanto que o valor preditivo positivo foi de 41,67%, o valor preditivo negativo foi de 75% e o coeficiente kappa de 0,076. Com respeito às lesões analisadas de alto grau foram mais frequentemente observadas em associação com lesões acetobrancas densas (68%), planas (61%), lisas (61%), não-papilíferas (83%) e com padrão vascular normal (70%), enquanto que lesões de baixo-grau tenderam a se associar a lesões aetobrancas densas (66%), plano-elevadas ou elevadas (68%), granulares (59%), não-papilíferas (62%) e de padrão vascular normal (53%). Não se observou significância estatística na associação entre características epidemiológicas e a maioria dos fatores de risco para o câncer anal e a presença de lesão acetobrancas ou de lesões intraepiteliais escamosas anais. Entretanto, o sexo anorreceptivo e a detecção de infecção anal por HPV, segundo a técnica da reação da cadeia de polimerase, associaram-se significantemente com lesões intraepiteliais escamosas anais (P = 0,0493 e P =0,006, respectivamente). CONCLUSÕES: A anuscopia com magnificação de imagem demonstrou ser um método diagnostico sensível, mas inespecífico para a detecção de lesões intraepiteliais escamosas anais. Os fatores de risco sexo anorreceptivo e infecção anal pelo HPV associaram-se significantemente à presença de lesões intraepiteliais escamosas anais. Com base nos achados da anuscopia com magnificação de imagem, o relevo e o aspecto morfológico da distribuição das lesões acetobrancas na superfície do canal anal tenderam a permitir a distinção entre lesões de baixo e alto grau.

    Abstract in English:

    CONTEXT: Anal cancer, although a still rare disease, is being observed in ascending rates among some population segments known to be at risk for the development of the disease. Human papillomavirus (HPV) infection, immunodepression and anal intercourse are some factors associated with the development of the malignancy. Its similarities to cervical cancer have led to many studies aiming to establish guidelines for detecting and treating precursor lesions of anal cancer, with the goal of prevention. High-resolution anoscopy is routinely used for the diagnosis of anal cancer precursor lesions in many centers but the medical literature is still deficient concerning the role of this diagnostic modality. OBJECTIVES: To evaluate diagnostic validation and precision measures of high-resolution anoscopy in comparison to histopathological results of anal biopsies performed in HIV-positive patients treated at the Tropical Medicine Foundation of Amazonas, AM, Brazil. To observe any possible association between some risk factors for the development of anal cancer and the presence of anal squamous intraepithelial lesions. METHODS: A hundred and twenty-eight HIV-positive patients were submitted to anal canal cytological sampling for the detection of HPV infection by a PCR based method. High-resolution anoscopy was then performed after topical application of acetic acid 3% in the anal canal for 2 minutes. Eventual acetowhite lesions that were detected were recorded in respect to location, and classified by their tinctorial pattern, distribution aspect, relief, surface and vascular pattern. Biopsies of acetowhite lesions were performed under local anesthesia and the specimens sent to histopathological analysis. The patients were interviewed for the presence of anal cancer risk factors. RESULTS: The prevalences of anal HPV infection and of anal squamous intraepithelial lesions in the studied population were, respectively, 79% and 39.1%. High-resolution anoscopy showed sensibility of 90%, specificity of 19.23%, positive predictive value of 41.67%, negative predictive value of 75%, and a kappa coefficient of 0.076. From the analyzed lesions, high-grade squamous intraepithelial lesions was more frequently observed in association to dense (68%), flat (61%), smooth (61%), non-papillary (83%) and normal vascular pattern (70%) acetowhite lesions, while low-grade squamous intraepithelial lesions tended to be associated to dense (66%), flat-raised or raised (68%), granular (59%), non-papillary (62%) and normal vascular pattern (53%) acetowhite lesions. No statistical significance was observed as to the association of epidemiological characteristics and of most of the investigated anal cancer risk factors and presence of acetowhite lesions or anal squamous intraepithelial lesions. However, anal receptive sex and anal HPV infection were significantly associated to anal squamous intraepithelial lesions (P = 0.0493 and P = 0.006, respectively). CONCLUSION: High-resolution anoscopy demonstrated to be a sensitive, but not specific test for the detection of anal squamous intraepithelial lesions. Risk factors anal receptive sex and anal HPV infection were significantly associated to the presence of anal squamous intraepithelial lesions. Based on high-resolution anoscopy image data, acetowhite lesions relief and surface pattern were prone to distinguish between low-grade squamous intraepithelial lesions and high-grade squamous intraepithelial lesions.
  • Islet transplantation in rodents: do encapsulated islets really work? Experimental Gastroenterology

    Souza, Yngrid Ellyn Dias Maciel de; Chaib, Eleazar; Lacerda, Patricia Graça de; Crescenzi, Alessandra; Bernal-Filho, Arnaldo; D'Albuquerque, Luiz Augusto Carneiro

    Abstract in Portuguese:

    CONTEXTO: Diabetes mellitus tipo I afeta cerca de 240 milhões de pessoas no mundo e 7,8% só nos EUA. Foi estimado que o custo de suas complicações fosse de 5%-10% dos custos mundiais em saúde. De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), espera-se que cerca de 300 milhões de pessoas desenvolvam o diabetes mellitus até o ano de 2025. É esperado que o transplante de ilhotas pancreáticas seja menos invasivo que o transplante pancreático, opção atual de maior uso. OBJETIVOS: Comparar as ilhotas encapsuladas e as ilhotas livres em roedores nos seguintes aspectos: local de implantação das ilhotas, número de ilhotas, viabilidade e imunossupressão. MÉTODOS: A pesquisa bibliográfica foi conduzida com o uso de citações do MEDLINE/PUBMED e SCIELO que apresentassem termos sobre transplante de ilhotas em roedores no período de 2000 a 2010. Foram achados 2.636 artigos, mas somente 56 desse período foram selecionados. RESULTADOS: Nos 56 artigos utilizados, 34% eram encapsulados e 66% eram não-encapsulados. Analisando ambos os tipos de transplante de ilhotas, a maioria delas encapsuladas, foi implantada na cavidade peritonial e as não-encapsuladas, através da veia porta, no fígado. A grande vantagem da cavidade peritonial como local de transplante era a oferta sanguínea. As células endoteliais e o fator de crescimento endotelial foram usados para estimular a angiogênese nas ilhotas, aumentando a vascularização rapidamente após a implantação. Foi também provada a influência das cápsulas, dado que quanto maior a cápsula maior era a chance de necrose central. Em alguns artigos, o uso de imunossupressão demonstrou aumento da expectativa de vida do enxerto. CONCLUSÃO: Enquanto algum progresso significativo não tenha sido obtido no campo de transplante de ilhotas, restam ainda muitos obstáculos a serem vencidos. A microencapsulação viabiliza o transplante de ilhotas sem o uso de imunossupressores, o que pode permitir o xenotransplante. O uso de fontes doadoras alternativas, menor quantidade de ilhotas por cápsula e local de implantação adequado, como a cavidade peritonial, podem dar melhor perspectiva na aplicação de cápsulas imunoprotegidas, aumentando viabilidade na prática clínica. Uma série de estratégias, como engenharia genética, coencapsulamento, melhora da oferta de oxigênio ou o estabelecimento de resistência à hipóxia também podem aprimorar os resultados do transplante de ilhotas. Deve-se determinar ainda qual a combinação de estratégias com relação ao uso de ilhotas encapsuladas que possam cumprir com as promessas de um transplante simples e seguro para a cura do diabetes.

    Abstract in English:

    CONTEXT: Diabetes mellitus type I affects around 240 million people in the world and only in the USA 7.8% of the population. It has been estimated that the costs of its complications account for 5% to 10% of the total healthcare spending around the world. According to World Health Organization, 300 million people are expected to develop diabetes mellitus by the year 2025. The pancreatic islet transplantation is expected to be less invasive than a pancreas transplant, which is currently the most commonly used approach. OBJECTIVES: To compare the encapsulated and free islet transplantation in rodents looking at sites of islet implantation, number of injected islets, viability and immunosuppression. METHODS: A literature search was conducted using MEDLINE/PUBMED and SCIELO with terms about islet transplantation in the rodent from 2000 to 2010. We found 2,636 articles but only 56 articles from 2000 to 2010 were selected. RESULTS: In these 56 articles used, 34% were encapsulated and 66% were nonencapsulated islets. Analyzing both types of islets transplantation, the majority of the encapsulated islets were implanted into the peritoneal cavity and the nonencapsulated islets into the liver, through the portal vein. In addition, the great advantage of the peritoneal cavity as the site of islet transplantation is its blood supply. Both vascular endothelial cells and vascular endothelial growth factor were used to stimulate angiogenesis of the islet grafts, increasing the vascularization rapidly after implantation. It also has been proven that there is influence of the capsules, since the larger the capsule more chances there are of central necrosis. In some articles, the use of immunosuppression demonstrated to increase the life expectancy of the graft. CONCLUSION: While significant progress has been made in the islets transplantation field, many obstacles remain to be overcome. Microencapsulation provides a means to transplant islets without immunosuppressive agents and may enable the performance of xenotransplantation. The use of alternative donor sources, fewer islets per capsule and the appropriate deployment location, such as the peritoneal cavity, may give a future perspective to the application of immunoprotective capsules and viability in clinical practice. A variety of strategies, such as genetic engineering, co-encapsulation, improvement in oxygen supply or the establishment of hypoxia resistance will also improve the islet transplantation performance. It remains to be determined which combination of strategies with encapsulation can fulfill the promise of establishing a simple and safe transplantation as a cure for diabetes.
  • Hepatic and biochemical repercussions of a polyunsaturated fat-rich hypercaloric and hyperlipidic diet in Wistar rats Experimental Gastroenterology

    Burlamaqui, Idália M. B.; Dornelas, Conceição A.; Valença Jr, José Telmo; Mesquita, Francisco J. C.; Veras, Lara B.; Rodrigues, Lusmar Veras

    Abstract in Portuguese:

    CONTEXTO: A doença hepática gordurosa não-alcoólica caracteriza-se por depósito de lipídios nos hepatócitos. Desperta grande interesse por sua associação com obesidade, dislipidemias e diabetes mellitus tipo 2. É considerada a manifestação hepática da síndrome metabólica, cujo principal componente é a resistência à insulina, com consequente hiperinsulinemia e produção aumentada de citocinas inflamatórias. Dietas ricas em gorduras saturadas promovem hipertrigliceridemia, diminuição do colesterol de alta densidade, aumento do colesterol de baixa densidade e hiperinsulinemia, enquanto dietas ricas em gordura poliinsaturada podem apresentar efeitos hipolipidêmicos, antiinflamatórios e imunorreguladores. OBJETIVO: Investigar as repercussões hepáticas e bioquímicas da dieta rica em gordura poliinsaturada em ratos Wistar. MÉTODOS: Os animais (22) foram distribuidos nos grupos GI-dieta padrao (Biobase Bio-tec Ratos e Camundongos®) com 3000 kcal/kg e GII-dieta hipercalorica e hiperlipidica, com 4250 kcal/kg, relação ω-6: ω-3 = 3:1. Foram mortos apos 23 semanas de administração das dietas. Avaliaram-se peso, exames bioquimicos e alteracoes histológicas do fígado. RESULTADOS: Foram utilizados testes de análise de variância com nível de significância de 5% (P<0,05). Não houve diferença significante na média de peso entre os grupos (P = 0,711) no início, entretanto GII apresentou maior média que GI ao final do experimento (P = 0,000). GI mostrou níveis significantemente mais elevados de triglicerídeos (P = 0,03), colesterol total (P = 0,039) e HDL (P = 0,015) do que GII. O GII apresentou maior média de esteatose macrovesicular do que GI (P = 0,005). CONCLUSÃO: A dieta hipercalórica e hiperlipídica, rica em gordura poliinsaturada, promove esteatose hepática e incremento de peso, contudo reduz os níveis séricos de triglicerídeos, colesterol total e HDL.

    Abstract in English:

    CONTEXT: Non-alcoholic fatty liver disease is characterized by lipid deposits in the hepatocytes and has been associated with obesity, dyslipidemia and type-2 diabetes. It is considered a hepatic manifestation of the metabolic syndrome, of which the main component is insulin resistance leading to hyperinsulinemia and increased production of inflammatory cytokines. Saturated fat promotes hypertriglyceridemia and hyperinsulinemia, reduces levels of high-density cholesterol and increases levels of low-density cholesterol, while polyunsaturated fat is associated with hypolipidemic, antiinflammatory and imunoregulating action. OBJECTIVE: To evaluate the hepatic and biochemical repercussions of a polyunsaturated fat-rich diet in Wistar rats. METHODS: Twenty-two rats were distributed equally in two groups: GI - standard diet (Biobase Bio-tec Ratos e Camundongos®) providing 3.000 kcal/kg and GII - hypercaloric and hyperlipidic diet providing 4.250 kcal/kg (ω-6:ω-3 = 3:1). The animals were euthanized after 23 weeks of experiment. The weight, biochemical parameters and hepatohistological changes were registered. RESULTS: Findings were submitted to variance analysis with the level of statistical significance at 5%. The average weight did not differ significantly between the groups at baseline (P = 0.711), but was greater in Group II by the end of the experiment (P = 0.000). The levels of triglycerides (P = 0.039), total cholesterol (P = 0.015) and HDL (P = 0.005) were higher in Group I than in Group II. Macrovesicular steatosis was significantly more common in Group II than in Group I (P = 0.03). CONCLUSION: Hypercaloric and hyperlipidic diet rich in polyunsaturated fat promotes weight gain and favors the development of hepatic steatosis while reducing serum levels of triglycerides, total cholesterol and HDL.
  • Endoscopic treatment for gastric perforation using T-tag and a plastic protection chamber: a short-term survival study Experimental Gastroenterology

    Hashiba, Kiyoshi; Siqueira, Pablo R.; Brasil, Horus A.; D'Assunção, Marco Aurélio; Moribe, Daniel; Cassab, Jorge Carim

    Abstract in Portuguese:

    CONTEXTO: A perfuração gástrica pode ser consequência de alguns procedimentos endoscópicos, atualmente, produzida intencionalmente para acesso a alguns órgãos com o advento da cirurgia transluminal endoscópica por orifícios naturais. Esta é a razão para que os endoscopistas estudem uma maneira segura de reparar estas lesões por via endoscópica. OBJETIVO: Avaliar um novo método de fechamento das perfurações gástricas utilizadas para acesso ao NOTES. MODELO DE ESTUDO: Pesquisa em modelos animais com curto tempo de sobrevida. MÉTODO: Dez porcos da raça White Landrace, foram submetidos a perfuração gástrica de 1,8 cm, monitorizados e sob anestesia geral. A abertura gástrica foi reparada com dispositivo especial constituído por agulha em forma de T montada com fio (T-tag), inserida, por via endoscópica, nas bordas do ferimento perfurando a parede gástrica e fixando-se a ela como uma âncora. Uma câmara plástica protetora, especialmente desenvolvida, foi adaptada à ponta do endoscópio para proteção dos órgãos subjacentes. Seis T-tags foram inseridos na maioria dos casos e os pontos foram amarrados e fixados com auxílio de outro dispositivo metálico de contenção do nó denominado “tie-knot”, formando três suturas. Um teste de vazamento do tipo manobra do borracheiro era realizado ao término do procedimento. Os animais recebiam líquido no pós-operatório imediato. Foi usada profilaxia antibiótica. RESULTADOS: Não houve complicações. Um mês depois, a endoscopia de controle revelou cicatriz e alguns restos de sutura. A laparotomia, feita no mesmo tempo, revelou poucas aderências na face anterior do antro. CONCLUSÃO: O reparo endoscópico com T-tags e câmara protetora parece ser efetiva, fácil e segura. Estudos maiores e com maior tempo são necessários para confirmar estes resultados e a utilidade deste procedimento

    Abstract in English:

    CONTEXT: The endoscopic gastric perforation is a consequence of some endoscopic procedures and now a way to manage abdominal organs. This is the reason why endoscopists are studying a safe endoscopic repair. OBJECTIVE: To evaluate an endoscopic closure method for the gastric opening in natural orifice transenteric surgery DESIGN: Short-term survival animal study. METHODS: Ten White Landrace pigs underwent a gastric perforation of 1.8 cm in diameter under general anesthesia. The opening was repaired with stitch assembled in a T-tag anchor placed through the gastric wall with a needle. A plastic transparent chamber, adapted to the endoscope tip protected the abdominal organs from the needle puncture outside the stomach. Six T-tags were placed in most cases and the stitches were tied with a metallic tie-knot, forming three sutures. The animals received liquids in the same operative day. One shoot antibiotic was used. The leakage test was performed with a forceps and by air distention. RESULTS: No complication was detected in the postoperative course. One month later the endoscopy revealed a scar and some suture material was observed in all animals. The antral anterior gastric wall was clear with few adhesions in the laparotomy performed in the same time. The adhesions were intense in an animal in which a cholecystectomy was performed before the repair. CONCLUSION: The endoscopic repair using T-tag and a protector chamber is feasible, easy to perform and safe. Further studies are needed to show the real value of this kind of procedure.
  • Celiac disease screening in patients with scleroderma Brief Communication

    Nisihara, Renato; Utiyama, Shirley Rosa; Azevedo, Pedro Ming; Skare, Thelma Larocca

    Abstract in Portuguese:

    Tanto a esclerodermia como a doença celíaca são doenças de autoimunidade que causam diarreia. Como o agrupamento de doenças autoimunes em único indivíduo não é raro, é importante saber se um individuo com esclerodermia tem maiores chances de ter ou não doença celíaca. Para isso, estudaram-se 105 pacientes com esclerodermia e 97 controles saudáveis para o anticorpo EmA IgA. Não foi possível detectar presença aumentada de EmA IgA em pacientes com esclerodermia. Conclui-se que não existe necessidade de busca ativa de doença celíaca em pacientes com esclerodermia e diarreia, a menos que existam evidências clínicas claras da doença.

    Abstract in English:

    Both celiac disease and scleroderma have autoimmune etiology and affect the bowel causing diarrhea. As an association of autoimmune disease in a single individual is not rare, it is important to know if a patient with scleroderma may also have celiac disease. To analyze this we studied 105 scleroderma patients and 97 volunteers for IgA-EmA by indirect immunofluorescence assay. We could not find a higher prevalence of this autoantibody in scleroderma patients. The authors conclude that there is no need to screen scleroderma patients with diarrhea for celiac disease unless there is a clear clinical indication for this.
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