NOVO RETORNO DO TRAUMÁTICO NA PSICANÁLISE HOJE: ALÉM DO MAL-ESTAR?

MARTA REZENDE CARDOSO Sobre o autor

Resumo:

Após longo período de latência, o traumático retornou em Freud entrecruzado com o narcisismo e a pulsão de morte, culminando na ideia de um incontornável “mal-estar na civilização”. Assistimos hoje a um novo retorno do traumático na psicanálise, vendo-se esta confrontada, novamente, à face demoníaca do psiquismo, desta vez, pelo incremento de figuras do excesso e do trauma, configurações subjetivas limites especialmente marcantes na atualidade. Este artigo busca avançar na compreensão desse movimento, de natureza clínica e teórica, com ênfase no problema do mal-estar, sua singularidade hoje.

Palavras-chave:
trauma; estados limites; contemporaneidade; mal-estar

Abstract:

After a long latency period, the trauma returned in Freud, entwined with narcissism and the death drive, culminating in the idea of an inescapable “malaise in civilization”. We are witnessing a new return of the traumatic in psychoanalysis, as this is confronted again to the demonic face of psyche, this turn by the increase of figures of excess and trauma, borderline subjective configurations especially striking nowadays. This paper searches to advance in the understanding of such clinical and theoretical movement, with an emphasis on the problem of malaise, its singularity today.

Keywords:
trauma; borderline states; contemporary world; malaise

A profundara problemática do trauma, considerando seu papel e incidência na subjetividade e cultura contemporâneas e sua articulação com a dimensão de narcisismo e alteridade, é a perspectiva central deste artigo. Parto de uma questão de grande relevância no debate psicanalítico hoje: as novas configurações subjetivas, aquelas que se mostram marcantes na atualidade, exigiriam a construção de novos modelos teóricos no campo psicanalítico? No meu entender, para apreendermos a singularidade dessas situações clínicas, cujas modalidades de sofrimento, de base traumática, muitas vezes têm caráter extremo, é preciso, em primeiro lugar, aprofundar certas proposições da obra freudiana.

Portanto, para uma compreensão depurada da dimensão de traumático e de seus principais destinos na clínica contemporânea, é necessário retomarmos as incontornáveis ferramentas propostas por Freud a partir do tournant teórico-clínico operado em sua obra, sistematizado em 1920 (FREUD, 1920FREUD, S. Além do princípio do prazer (1920). Rio de Janeiro: Imago, 1996. (Ed. standard brasileira das obras completas, 18)./1996) com a postulação da pulsão de morte. A preparação desse aporte conceitual revolucionário, que, num processo de criação em espiral, veio ressignificar ideias anteriormente semeadas, teve início em torno dos anos 1910 em resposta a demanda eminentemente clínica. E, no que tange ao conjunto da teoria, a introdução do conceito de narcisismo (FREUD, 1914FREUD, S. Sobre o narcisismo: uma introdução (1914). Rio de Janeiro: Imago , 1996. (Ed. standard brasileira das obras completas, 14)./1996), com suas significativas implicações na globalidade do edifício teórico da psicanálise, constitui contribuição das mais importantes, solo a partir do qual irá germinar, como sabido, uma nova concepção do conflito psíquico considerando-se, com efeito, seus múltiplos desdobramentos.

Uma investigação realmente consistente da problemática das configurações subjetivas na atualidade, estreitamente vinculada, aliás, com as de trauma, excesso pulsional/fragilidade narcísica, necessita esse “fazer trabalhar” das formulações de Freud, particularmente as que integram o referido segundo tempo de sua obra. Para o propósito em questão - como, por exemplo, realizado em vários artigos da coletânea Excesso e trauma em Freud: algumas figuras, organizada por Cardoso (2017CARDOSO, M. R. (org.). Excesso e trauma em Freud: algumas figuras. Curitiba: Appris, 2017.) -, trata-se de revisitar, com o devido rigor, a partir de uma leitura analítica, efetivamente interpretativa, a profunda reviravolta envolvida na construção desse segundo tempo do legado freudiano. É preciso repetir, mas para tentar elaborar - perlaborar, poder-se-ia dizer - o que neste já se apresentava como ferramenta teórica para sedar contados fundamentos de alguns fenômenos clínicos que ultrapassam o modelo da neurose, ancorada, por sua vez, no recalque. Foram precisamente situações fronteiriças que, enquanto imposição clínica, conduziram Freud, no contexto psicanalítico da época, a realizar uma revolução teórica rumo ao enfrentamento do “estranho” na vida psíquica, viés distinto daquele que nos fala da ação, no interior, de um “corpo estranho”.

A pulsão de morte, postulada como pulsão por excelência, em oposição às multifacetadas pulsões de vida, e, depois, a construção da segunda tópica (FREUD, 1923FREUD, S. O Ego e o Id (1923). Rio de Janeiro: Imago , 1996. (Ed. standard brasileira das obras completas, 19)./1996FREUD, S. Psicologia de grupo e análise do ego (1921).Rio de Janeiro: Imago , 1996. (Ed. standard brasileira das obras completas, 18).), fazendo jus à complexidade do psiquismo e, ainda, da teoria da angústia revisitada (FREUD, 1926FREUD, S. Inibições, sintomas e ansiedade (1926). Rio de Janeiro: Imago , 1996. (Ed. standard brasileira das obras completas, 20)./1996), ela também a partir da insistência do trauma e do desamparo na esfera clínica, foram profundas mudanças que se deram mediante o confronto com paradigmas habitados pela dimensão do “extremo”. Naquele período, a teoria freudiana via-se desafiada por respostas acionadas pela compulsão à repetição as quais sinalizavam a dominância do além do princípio do prazer.

Está aí certamente em jogo, como determinação maior, a interrogação que Freud e seus interlocutores fizeram diante da inquietante estranheza, seja da psicose, seja de outros estados psíquicos, entendidos, a posteriori, como narcísicos quando da introdução deste conceito. Observe-se ainda a profunda consequência que este teve na compreensão do funcionamento do ego em sua relação fronteiriça com as outras instâncias e da subjetividade humana diante da alteridade, a partir dos pontos de vista do patológico e da vida normal.

DOIS TEMPOS DE LATÊNCIA DO TRAUMA E DE SEU RETORNO NA TEORIA

O modelo do segundo dualismo pulsional é indissociável do ressurgimento da questão do trauma em Freud, e que havia permanecido silenciado desde o “abandono” da teoria da sedução. O retorno do traumático na obra freudiana, espécie de “retorno do recalcado” que ocorre no período dos anos 1910-1920, se dá a partir de fundamentos absolutamente distintos daqueles que, num outro tempo, formaram a teorização sobre a etiologia das neuroses de transferência, conforme avançado por Cardoso (2011CARDOSO, M. R. Das neuroses atuais às neuroses traumáticas: continuidade e ruptura. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, São Paulo, v. 14, n. 1, p. 70-82, março2011.). Após permanecer por longo tempo em estado de latência na teoria, o traumático nela fará, então, ruidoso retorno. Observa, por exemplo, Fortes que Freud ingressa na questão central de 1920 com uma reflexão assentada no trauma: “A utilização do modelo do trauma veio demonstrar que o pulsional é traumático, consistindo a pulsão de morte no próprio impacto traumático causado pelo excesso pulsional” (2012, p. 94). É possível se perceber que essa teorização resulta de um verdadeiro movimento de a posteriori teórico-clínico.

O elemento nodal desse período, seu ponto culminante, é a emergência da pulsão de morte, irredutível, como sabido, ao campo da representação e do princípio de prazer. No interior desse campo, têm forte destaque as neuroses traumáticas, em sua diferença radical comas neuroses de transferência, base da investigação de Freud até então. Seu olhar se dirigiu a uma perspectivada subjetividade humana, individual e grupal, na qual impera, conforme por ele genialmente explorado, um funcionamento “além do princípio do prazer”, a repetição em sua vertente demoníaca sendo sua mais expressiva figura clínica.

É a esta mesma vertente demoníaca que hoje somos novamente confrontados, e de forma ainda mais exuberante que aquela que desencadeou, ou melhor, exigiu, a citada reviravolta no pensamento de Freud nos anos 1910-1920, pelo incremento de configurações de base traumática, aquém da neurose. Este incremento é assinalado por vários autores marcantes no debate atual sobre o tema- e a título de ilustração, cito aqui apenas alguns deles e seus trabalhos: Green (1999GREEN, A. Genèse et situation des états limites. In: ANDRÉ, J. (org.). Les états limites. Paris: PUF , 1999.; 2002GREEN, A. Idées directrices pour une psychanalyse contemporaine. Paris: PUF , 2002.; 2011GREEN, A. Répétition et compulsion de répétition. Relation à l’objet et alienation à l’objet. Quelques hypothèses sur la fonction de la compulsion de répétition. In: CHERVET, B. La compulsion de répétition. Paris, PUF, 2011.), André (1999ANDRÉ, Jacques(org.). Les états limites. Paris: PUF, 1999.; 2013ANDRÉ, Jacques. O a posteriori transferencial dos traumas do início da vida. Ágora, Rio de Janeiro, v. 16, n. spe, abr. 2013, p. 127-140.), René Roussillon (1999ROUSSILLON, R. Agonie, clivage et symbolisation. Paris: PUF, 1999.; 2001ROUSSILLON, R. Le plaisir et la répétition. Paris: Dunod, 2001.; 2008ROUSSILLON, R. Le transitionnel, le sexuel et la réfléxivité. Paris: Dunod , 2008.), Chabert (1999CHABERT, Catherine. Problématiques. In: CHABERT, C; BRUSSET, B.; BRELET-FOULARD, F. Névroses et fonctionnements limites. Paris: Dunod, 1999, p. 73-128.; 1999aCHABERT, Catherine. Les fonctionnements limites. In: ANDRÉ, J. (org.). Les états limites. Paris: PUF , 1999a, p. 93-122.).

Temos acompanhado considerável ampliação do espaço concedido à investigação e discussão sobre os estados limites, sobre os sofrimentos identitário-narcísicos, de acordo com a denominação utilizada por Roussillon (1999)ROUSSILLON, R. Le transitionnel, le sexuel et la réfléxivité. Paris: Dunod , 2008.. Este movimento se seguiu a um período de relativo silêncio, ou seja, de um tempo de segunda latência das problemáticas do trauma e do “extremo” na psicanálise, desta vez, num contexto pós-freudiano. Isto se deu na produção teórica, mas pela predominância de certo perfil na demanda clínica. Porém, muito antes desse retorno do traumático, nos era oferecida a magistral contribuição de Ferenczi (1999FERENCZI, S. Obras completas. São Paulo: Martins Fontes, 1999.) sobre o trauma e sobre o manejo da técnica nos “casos difíceis”, conforme sua designação. Ou seja, sua obra constitui inegável exceção nesse tempo de “silêncio” ao qual acabo de me referir. Talvez esta seja praticamente uma das únicas exceções, senão a única realmente significativa dentro da tendência dominante que sublinhei, de certa neutralização do trauma da clínica do “extremo” (POMMIER, 2008POMMIER, F. L’extrême en psychanalyse. Paris: Campagne Première, 2008.) e que assim se manteve até há relativamente pouco tempo, apesar da forte presença dessas questões no período final da obra freudiana. Nele, insiste o modelo da neurose que orienta, já em 1930, a reflexão sobre o “mal-estar na civilização” (FREUD, 1930FREUD, S. O mal-estar na civilização (1930). Rio de Janeiro: Imago , 1996. (Ed. standard brasileira das obras completas, 21)./1996), ainda que mesclado com o aporte da pulsão de morte, do além do princípio do prazer. De qualquer modo, o irredutível mal-estar a que Freud se reporta concerne, primordialmente, à questão da renúncia pulsional, dos limites ao sexual e à destrutividade, revisitando, em grande parte, o que foi teorizado a partir da clínica da neurose.

Esse segundo período de silêncio, de “recalcamento” do trauma na teoria psicanalítica veio a ser rompido há algumas décadas pelo expressivo incremento na clínica de casos outros além das neuroses. Isto tem imposto forte exigência à Psicanálise de uma renovada teorização acerca dos elementos metapsicológicos, psicopatológicos e clínicos aí em jogo, especialmente tudo o que concerne, mais uma vez, à dimensão do trauma, seus fundamentos e vicissitudes. Foi nesse ambiente teórico e, dentro de um contexto sociocultural determinado, próprio à atualidade, que veio novamente se impor essa exploração do traumático tendo em vista sua inegável importância na determinação decertas modalidades de sofrimento. Faço aqui menção aos sofrimentos psíquicos de caráter eminentemente narcísico, que nos falam, de fato, da prevalência de uma dor psíquica sobre a experiência do sofrimento. São estados limites, assentados numa problemática das fronteiras psíquicas, os quais nos interpelam, dentre inúmeros outros aspectos, sobre os danos narcísicos implicados na história subjetiva, danos ao sentimento de si (CARDOSO; GARCIA, 2010CARDOSO, M. R.; GARCIA, C. Entre o eu e o outro: espaços fronteiriços. Curitiba: Juruá, 2010.; ESTELLON, 2014ESTELLON, V. (org.). Actualité des états limites. Paris: Erès, 2014.; 2014aESTELLON, V. Les états limites. Paris: PUF , 2014a.).

Como elemento central na proposta que enunciei acima de “fazer trabalhar” as contribuições de Freud para desdobrá-las num novo solo psicopatológico e clínico, considerando-se a orgânica articulação delas com as peculiaridades de certo contexto histórico, cabe, neste ponto, pontuar a estreita relação existente entre trauma e narcisismo. A questão do trauma não pode ser analisada fora de sua correlação com a estruturação do espaço egoico, como problema da constituição e do funcionamento narcísicos, suscitando, portanto, uma pesquisa sobre a qualidade da delimitação e da manutenção das fronteiras egoicas nas situações clínicas. Por sua vez, estes aspectos só podem ser concebidos a partir da suposição de que a intensidade da força poderá eventualmente violentar estas fronteiras. E, caberia ainda acrescentar: estas fronteiras não podem ser concebidas fora do âmbito da relação eu/outro no interior da qual estão implicados, de uma só vez, os registros intrapsíquico e intersubjetivo. Tampouco podem ser analisadas fora dos limites existentes entre o espaço corporal e o espaço psíquico.

Como segundo elemento de análise, em direta continuidade com o primeiro, o narcisismo comporta em seu âmago a dimensão de alteridade. A questão do narcisismo não pode, então, ser entendida exclusivamente em sua referência ao campo do eu, pois concerne à relação fronteiriça entre o eu e o outro e, particularmente, aos espaços existentes entre esses dois polos. Abre-se, desse modo, uma via de aprofundamento do modelo do narcisismo através da fértil e complexa noção de limite em psicanálise, devendo esta ser trabalhada sob múltiplas perspectivas, inclusive ados limites da representação: as marcas traumáticas indicam o que escapa à ligação, à representação, e também ao recalque, transgredindo, desse modo, os limites da neurose, sendo o recalque sua operação central.

Os estados limites - tão estudados e debatidos na psicanálise atual por vasta gama de autores que, apoiando-se em Freud, buscam desbravar as figuras clínicas que, em grande parte, caracterizam a clínica atual - são estados assentados dominantemente no uso de defesas de caráter arcaico e elementar, aquém do recalque. Nesses estados clínicos, o ego do sujeito, transgredido pela força pulsional, traumática, convoca, como última defesa, recurso extremo de sobrevivência psíquica, o corpo somático ou, pela via do ato, o corpo em sua esfera motora. A questão da convocação do corpo, examinada a partir da relação eu/corpo e de sua relevância na constituição e funcionamento psíquicos tem sido analisada de forma expressiva na literatura atual na área da Psicanálise, como se pode constatar nas contribuições de Fernandes (2011FERNANDES, M. H. As relações entre o psíquico e o somático: o corpo na clínica psicanalítica. In: GARCIA, C. A.; CARDOSO, M. R. (orgs.). Limites da clínica, clínica dos limites. Rio de Janeiro: Cia de Freud / FAPERJ, 2011, p. 47-62.), Estellon (2014ESTELLON, V. (org.). Actualité des états limites. Paris: Erès, 2014.a) e Coblence (2010COBLENCE, F. La vie d’âme: psyché est corporelle, n’en sait rien. Revue Française de Psychanalyse, v. 74, p. 1285-1356, 2010/5.). Esta última referência traz estudo aprofundado do tema, o qual serviu como fonte principal nas apresentações e discussões no congresso de língua francesa da Associação Internacional de Psicanálise, realizado em 2010, resultando em um número especial da Revue Française de Psychanalyse, intitulado Entre psique e soma.

A partir deste ponto, minha reflexão me conduz a elaborar as seguintes questões: de que modo essas situações clínicas podem ser pensadas em articulação com a questão do “mal-estar” na civilização, conforme trabalhada por Freud? O retorno do traumático, em seu segundo tempo, que veio a se impor na clínica e na teoria psicanalítica atuais, não adviria de outro patamar de experiência subjetiva e de “mal-estar”?

“MISÉRIA SIMBÓLICA”: A AUSÊNCIA DO MAL-ESTAR COMO IMPERATIVO

Para dar conta do traumático, de um afluxo pulsional excessivo em sua tópica, o ego aciona defesas de tipo limite, através, muitas vezes, da convocação do registro do corpo e do ato. Há, neste caso, uma regressão ao regime do sensório, a uma economia da percepção, sob o regime da excitação/descarga, da excitação/sensação. São defesas que revelam a presença de verdadeiro curto-circuito dos processos de elaboração psíquica. Sabe-se que os processos de pensamento demandam o adiamento da satisfação, o que pressupõe a constituição de fronteiras egoicas não excessivamente porosas, mas que, ao mesmo tempo, não se apresentam cristalizadas.

De acordo com François Richard (2012)RICHARD, F. Les pathologies en extériorité: le sexuel en état limite. Le Carnet PSY, n. 160, p. 30-35, 2012/2., haveria uma miséria simbólica, expressa na tendência que se revela marcante hoje de respostas defensivas que se dão pela via de circuitos curtos, sem retenção. Isto estaria impossibilitando nos sujeitos uma efetiva vivência de satisfação. Complementa o autor que a psicanálise se encontra hoje diante de situações clínicas que podem ser consideradas como patologias em exterioridade ou, em sua outra face, patologias de interioridade. Nos casos limites manifestos, a interioridade psíquica seria, de certo modo, desconhecida, posto que expulsa na realidade de fora. No caso da neurose, há um conflito pulsional intrapsíquico, significativamente assentado no conflito edipiano. Nas ditas patologias “em exterioridade”, há entrecruzamento do conflito pulsional com desconhecimento da interioridade.

Nos estados limites, há a impossibilidade de um trabalho de luto, questão de grande importância na reflexão que aqui apresento: a questão do tempo. Nesse regime de autoexcitação permanente, tenta-se escapar da ação transformadora do tempo. O sujeito fica congelado no tempo do traumático, tempo do atual. A questão do trauma é indissociável da questão da memória sendo que, nas situações clínicas em cuja base reside uma dimensão traumática, trata-se de uma memória sem lembrança, sem história. Sobre este tópico, indica Sylvie Le Poulichet (2006FORTES, I. Dor psíquica. Rio de Janeiro: Companhia de Freud, 2012.; 2010) que as marcas, enclaves traumáticos, são “buracos” no tempo onde os acontecimentos não constituíram seu texto ou o perderam. Quando há impossibilidade de um trabalho de luto, o tempo não resolve... Uma das características nessas configurações subjetivas é a dificuldade de o eu chegar a habitar o corpo, de se apropriar de sua história.

Muitos têm privilegiado o registro pré-edípico em sua investigação sobre a problemática dos estados limites. Mas como pensar esse registro sem levar em conta a sua necessária e estreita articulação com o complexo de Édipo? Quais seriam os entraves desse registro nessas patologias, com suas defesas precárias e elementares, considerando-se o peso que nelas comporta a temporalidade do arcaico? Richard (2011)RICHARD, F. L’actuel malaise dans la culture. Paris: Éditions de l’Olivier, 2011. nos convida a pensar numa espécie de “miséria simbólica” própria a esses casos, para apontar precisamente certos entraves que neles têm lugar na travessia do Édipo.

Quando Freud abre o horizonte da sexualidade infantil, isso se dá de modo inseparável da questão do Complexo de Édipo, ainda que ele só vá realmente insistir nesse ponto mais tarde. Mas, no terceiro dos Três ensaios sobre a sexualidade (1905FREUD, S. Três ensaios sobre a teoria da sexualidade (1905). Rio de Janeiro: Imago , 1996. (Ed. standard brasileira das obras completas, 7)./1996), ao indicar a exigência de descolamento das figuras parentais após a puberdade, como reação contra o complexo infantil, percebe-se que esse descolamento nunca é totalmente passível de realização, muito menos no caso da neurose, onde haveria certo fracasso nesse sentido.

Chabert (1999CHABERT, Catherine. Problématiques. In: CHABERT, C; BRUSSET, B.; BRELET-FOULARD, F. Névroses et fonctionnements limites. Paris: Dunod, 1999, p. 73-128.) assinala que essa tarefa apresenta uma dificuldade de outra ordem nos estados limites, a partir de distintas determinações. Dentre elas, é mencionada pela autora a problemática da perda e de sua elaboração, problemática central na adolescência. Esta elaboração pode encontrar-se especialmente dificultada nessa travessia da vida infantil à vida adulta, experiência subjetiva de trabalho psíquico onde se dá o après-coup do Édipo, sob novas condições (abertura a uma vida sexual genital efetiva). A interiorização dos interditos é vital no processo de subjetivação e se apresenta precária nos estados limites, o que, aliado a outros fatores, leva à referida tendência à exteriorização. Nestes casos, parece haver significativa dificuldade no recalque das fantasias incestuosas, cujo resultado é um contrainvestimento maciço de impulsos incestuosos, fonte de angústia extrema. “No seio das fantasias originárias, e mais precisamente daquelas que se apoiam na cena primária, o sujeito se atribui um lugar na cena quando deveria dela se excluir e ser conduzido à posição infantil de impotência” (CHABERT, 1999CHABERT, Catherine. Problématiques. In: CHABERT, C; BRUSSET, B.; BRELET-FOULARD, F. Névroses et fonctionnements limites. Paris: Dunod, 1999, p. 73-128., p. 103, tradução minha).

Segundo ainda a posição sustentada pela autora, observa-se, nestes casos, incapacidade de admitir a posição de exclusão pela passividade que esta implica e também pela angústia de abandono que provoca. Os limites porosos entre o eu e o outro se desdobram nessa dificuldade no sujeito de um suficiente afastamento da fantasmática incestuosa, englobando a criança na cena primária. Este aspecto é vinculado à dimensão de fragilidade egoica, narcísica, agravada quando da passagem a outro patamar da vida psíquica, da entrada da figura paterna, que permanece fixada ao arcaico.

A entrada nessa ordem deve chegar a permitir o acesso do funcionamento psíquico aos processos de simbolização, possibilitando a elaboração das fantasias pré-genitais da cena primária, oferecendo uma cena estruturante à ambivalência do amor e do ódio. Nos estados limites, a angústia de castração parece se confundir com a de fragmentação. O Édipo se faz sempre presente, sempre atual, mas sem ter sido estruturado enquanto tal. Miséria simbólica interna, configuração subjetiva particular, com presença significativa na atualidade. Estas questões, relativas à particularidade e arcaísmo do Édipo nos estados limites foi minuciosamente investigada na tese de doutorado de Ney Klier Padilha Netto (2017PADILHA NETTO, N .K. Adicção sexual: um combate contra Eros? Tese de doutorado, Programa de Pós Graduação em Teoria Psicanalítica da UFRJ, 2017.), dedicada às compulsões sexuais, trabalho cuja leitura pode contribuir para esclarecer vários pontos aqui abordados quanto à suposição de um estado de miséria simbólica que, nos termos de Richard (2011RICHARD, F. L’actuel malaise dans la culture. Paris: Éditions de l’Olivier, 2011.; 2012RICHARD, F. Les pathologies en extériorité: le sexuel en état limite. Le Carnet PSY, n. 160, p. 30-35, 2012/2.), constitui traço importante nas configurações subjetivas que marcam a clínica hoje.

Vemos que a abertura e aprofundamento da discussão dos estados limites, com sua significativa presença na atualidade, ampliou sensivelmente o horizonte do debate teórico e também clínico, lançando e aprofundando ideias, em particular da noção de limite. É preciso perceber que esta noção refere-se não apenas ao registro individual. Sua exploração é capaz de lançar luz sobre a compreensão da experiência coletiva, a partir de um ponto de vista psicanalítico, se levarmos em conta os múltiplos aspectos em jogo, e que remetem à subjetividade humana, às formações culturais e ao estabelecimento de laços sociais.

Chamo aqui a atenção para o fato de ter sido justamente esse mesmo movimento que Freud operou alguns anos após ter conceituado o narcisismo, em 1914, quando da virada em sua teoria do ego. Com as novas ferramentas em mente, revolucionadas depois pelo postulado do “além do princípio do prazer”, Freud produz, então, Psicologia de grupo e análise do ego (1921FREUD, S. Psicologia de grupo e análise do ego (1921).Rio de Janeiro: Imago , 1996. (Ed. standard brasileira das obras completas, 18).), texto no qual transita, com extremo rigor e arte, entre os dois planos, o individual e o coletivo. Ao explorar aí as formações grupais, sua obra atinge novo patamar de compreensão da vida subjetiva individual, através, por exemplo, do aprimoramento e sistematização da noção de identificação. Acrescento, inclusive, que o tema do Complexo de Édipo é visivelmente enriquecido a partir de então; tema que, por si só, convoca, indiscutivelmente, a inter-relação entre os citados planos, mas, claro, considerando-se o ensinamento de Freud na maneira pela qual é capaz de promover essas articulações, com o cuidado de não os reduzir um ao outro, nem muito menos justapô-los.

Levando em conta a necessária articulação entre subjetividade e cultura e o peso do traumático nas novas configurações subjetivas, uma questão se desdobra das acima levantadas: teríamos passado do “mal-estar” a um “além do mal-estar”, caracterizando, de modo agudo e prevalente, as configurações subjetivas contemporâneas? Mediante o aprofundamento que procurei fazer de temas relevantes e significativamente presentes hoje na psicanálise- sobre a singularidade das configurações subjetivas e de seus padecimentos na contemporaneidade-pergunto-me se essas novas formas de “mal-estar” não estariam situadas de fato, para além desse vivido.

Pontua Birman:

Não existem mais dúvidas sobre as mudanças nas formas de mal-estar na contemporaneidade. Todos estão de acordo quanto a isso. Existe, com efeito, uma transformação nas formas de mal-estar, que é reconhecida pelo discurso psiquiátrico e psicanalítico. No entanto, as divergências existem. (BIRMAN, 2006BIRMAN, J. Subjetividades contemporâneas. In: BIRMAN, J. Arquivos do mal-estar e da resistência. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2006, p. 171-195., p. 173)

Porém, acrescenta o autor que essas divergências concernem à interpretação dessas mudanças quanto ao que as fundamentaria, e não ao reconhecimento de sua existência. O saber psicanalítico é convocado a investigar estas questões, tendo se visto - de certa maneira, surpreendido por - transformações cuja significação profunda e cujas implicações demandam ainda reflexão.

Afirmava Freud em O mal-estar na civilização que:

O sofrimento nos ameaça a partir de três direções: de nosso próprio corpo, condenado à decadência e à dissolução, e que nem mesmo pode dispensar o sofrimento e a ansiedade como sinais de advertência; do mundo externo, que pode voltar-se contra nós com forças de destruição esmagadoras e impiedosas; e, finalmente, de nossos relacionamentos com os outros homens. (FREUD, 1930FREUD, S. O mal-estar na civilização (1930). Rio de Janeiro: Imago , 1996. (Ed. standard brasileira das obras completas, 21)./1996, p. 95)

Considero que estamos hoje, dominantemente, diante de situações clínicas situadas aquém dessas modalidades de sofrimento, formas de subjetivação que sinalizam para um “além do mal-estar”. Essas modalidades de dor psíquica com respostas defensivas limites, para fazer frente à ação do traumático no mundo interno, vieram, de certo modo, promover esse novo retorno no traumático na teoria - conforme sugerido no tópico anterior deste artigo. Todo esse movimento demanda análise rigorosa sobre o papel da constituição e do funcionamento narcísico do sujeito e essa ressignificação da questão do “mal-estar” em psicanálise. Trata-se de considerar a particularidade desse vivido na contemporaneidade, tendo em vista, especialmente, o caráter radical de certas respostas defensivas, aquelas que caracterizam os estados limites, os sofrimentos identitário-narcísicos.

Em 1930, Freud nos falava de um inevitável “mal-estar” traduzido pelo excesso de processos culturais sobre os indivíduos, resultando num processo de culpabilização diante da renúncia pulsional: “(...) é bastante concebível que tampouco o sentimento de culpa produzido pela civilização seja percebido como tal, e em grande parte permaneça inconsciente, ou apareça como uma espécie de mal-estar, uma insatisfação, para a qual as pessoas buscam outras motivações” (FREUD, 1930ESTELLON, V. (org.). Actualité des états limites. Paris: Erès, 2014./1996, p. 160).

Segundo Ghislain Levy (2000LEVY, G. Au-délà du malaise- Psychanalyse et barbaries. Paris: Érès, 2000.; 2010LEVY, G.. L’ivresse du pire. Paris: Campagne Première, 2010.), estaríamos hoje além, ou mesmo no sentido inverso, desta perspectiva. Não se visaria mais a restrição da felicidade individual por um a mais de civilização. Em nome, por exemplo, de um ideal tecno-científico, o que a cultura contemporânea passou a tender a veicular é muito mais a garantia de uma felicidade de direito, promovendo, de certa maneira, uma reinvenção do princípio de prazer. Trata-se, no caso, de resposta extrema à dominância - no espaço psíquico - do além do princípio de prazer, última defesa a qual, com seu caráter presentificado, corresponde a uma “dominação” do excesso traumático. Esta defesa em muito se distingue dos processos de ligação. Em sintonia com minha reflexão, se interroga François Richard:

As novas patologias de exteriorização do conflito intrapsíquico, a tendência à expressão imediata dos movimentos pulsionais e a um nervosismo generalizado, que se acompanham de insatisfação tanto quanto sua inversão em uma destrutividade dirigida contra si mesmo, mas também em larga medida contra os outros, será que definem uma ruptura no mal-estar na cultura analisado por Freud, ou uma ruptura com este mal-estar ao qual teria se seguido algo totalmente diverso? (RICHARD, 2011RICHARD, F. L’actuel malaise dans la culture. Paris: Éditions de l’Olivier, 2011., p. 23, tradução minha)

Nesses estados, uma das marcas é a dificuldade de o eu habitar o corpo, de se apropriar de sua história. Segundo Le Poulichet (2010)POULICHET, S. Les chimères du corps: de la somatisation à la création. Paris: Flammarion, 2010., o esboço do eu-corporal não se diferencia aqui do arrombamento que sofreu, já que não houve adequada delimitação entre um fora e um dentro. O rasgão estendido no para-excitação faz com que a energia dos sistemas atacados pelas excitações permaneça não ligada. São experiências do extremo (etimologicamente, o mais exterior), o que não pode ser reconhecido como familiar.

Do meu ponto de vista, estaríamos diante de um além do “mal-estar” cuja expressão, dentre muitas outras figuras, seria a presença insistente nos sujeitos de uma expectativa narcísica de caráter ilimitado, pressupondo visível desconhecimento de seu sofrimento, mais precisamente, de sua dor psíquica. Acrescenta Levy (2010LEVY, G.. L’ivresse du pire. Paris: Campagne Première, 2010.) que, imerso numa cultura voltada para o prazer absoluto, o sujeito tende a se encontrar numa situação de profundo isolamento, perda de singularidade, ao mesmo tempo em que ele se encontra confundido com a massa. Observa-se um movimento tendendo à regressão do que seria a ligação a uma comunidade política, pois se trata, no caso, de uma espécie de adesão a uma massa hipnotizada, diferentemente do que seria o estabelecimento de laços sociais. Se não há limite para as exigências pulsionais, não há, portanto, o estabelecimento desses laços; ao menos isto não se dá de maneira efetivamente sólida. A economia pulsional tende a uma descarga radical no exterior, à evacuação imediata da energia pulsional, perturbadora no interior do psiquismo, implicando a perda da possibilidade de equilíbrio entre as exigências pulsionais e os processos culturais. Com muita justeza, mostra o referido autor que intensificação da força da pulsão aqui em jogo se dá em detrimento dos recalcamentos organizadores da civilização.

Através, por exemplo, do culto narcísico do corpo, opera-se a denegação do mal-estar. O vivido de sofrimento se torna impensável, pois não é passível de ser localizado em nenhuma história, sendo, ao mesmo tempo, inescapável, mas enquanto dor. Isto leva à suposição de uma espécie de barbárie que se situa justamente na ausência do mal-estar, resultando numa compulsão à autoexcitação permanente, desencadeada pela presença no mundo interno de elementos intraduzíveis, marcas traumáticas que não chegaram a se constituir como lembranças. Na impossibilidade de serem representados, esses elementos são apresentados num presente contínuo, permanentemente atualizado. O acionamento deste mecanismo supõe um vazio de pensamento, “miséria simbólica” que, sob um solo traumático, revela as falhas significativas nos processos de elaboração psíquica, campo no qual novamente o trauma retorna, mas num solo clínico e teórico que visivelmente ultrapassa a questão do mal-estar.

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  • 1
    Pesquisadora bolsista do CNPq; Pesquisadora da Associação Univ. de Pesquisa em Psicopatologia Fundamental.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    Ago 2018

Histórico

  • Recebido
    20 Set 2015
  • Aceito
    15 Mar 2016
Programa de Pós-graduação em Teoria Psicanalítica do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ Instituto de Psicologia UFRJ, Campus Praia Vermelha, Av. Pasteur, 250 - Pavilhão Nilton Campos - Urca, 22290-240 Rio de Janeiro RJ - Rio de Janeiro - RJ - Brazil
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