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DESENVOLVIMENTO DE MÉTODO PARA EXTRAÇÃO FÍSICA DE CONÍDIOS DE METARHIZIUM ANISOPLIAE E BEAUVERIA BASSIANA PARA FORMULAÇÃO PÓ SECO E MOLHÁVEL DE BIOINSETICIDAS

DEVELOPMENT OF A PHYSICAL EXTRACTION METHODOLOGY FOR CONIDIA OF METARHIZIUM ANISOPLIAE AND BEAUVERIA BASSIANA FOR BIOINSECTICIDE FORMULATIONS

RESUMO

O objetivo do presente trabalho foi desenvolver um método físico de extração de conídios de Metarhizium anisopliae e Beauveria bassiana do meio de cultura grãos de arroz pré-cozidos com inertes por agitação. Avaliou-se o efeito abrasivo dos seguintes inertes aos grãos com conídios: Caulin SAZ, Caulin ML, Filito Cremogeo, Argila Lopes, Diatomita e Leucita Calcinada, em diferentes tempos de agitação. Os resultados obtidos indicaram que a Diatomita foi mais eficaz para extração de conídios de M. anisopliae e a peneira comum como Testemunha para B. bassiana.

PALAVRAS-CHAVE
Formulação; controle biológico; fungos entomopatogênicos

ABSTRACT

This study was aimed at developing a physical extraction method of M. ansiopliae and B. bassiana conidia from precooked rice culture media by agitation with inerts. Evaluation was made of the abrasive effect of the following inerts: Caulin SAZ, Caulin ML, Filito Cremogeo, Argila Lopes, Diatomita and Leucita Calcinada, at different times of the agitation. It was verified that Diatomita was the most efficient for M. anisopliae conidia extraction and the sieve for B. bassiana.

KEY WORDS
Formulation; biological control; entomopathogenic fungi

Os fungos entomopatogênicos são os mais estudados e utilizados no controle microbiano de pragas devido sua especificidade, seletividade, compatibilidade com outros métodos e segurança ambiental. Porém, ainda existem limitações para a aplicação desses, tais como a produção massal e a forma de conservação que permita a manutenção da patogenicidade e virulência pelo menos por dois anos, em condições de fácil armazenamento e aplicação. O desenvolvimento de formulações é fundamental para bioinseticidas de origem fúngica.

Segundo BATISTA FILHO et al. (1998)BATISTA FILHO, A.; ALVES, S.B.; ALVES, L.F.A.; PEREIRA, R.M.; AUGUSTO, N.T. Formulação de entomopatógenos. In: ALVES, S.B. (Ed.). Controle microbiano de insetos. 2. ed. Piracicaba: Ed. Fealq, 1998. cap.30, p.917-965., a formulação de um agente de controle microbiano tem como objetivo liberar o ingrediente ativo em uma forma apropriada de uso, de fácil aplicação, com alta eficiência e baixo custo. Por isso, um inseticida microbiano deve ser produzido, formulado e estabilizado, a fim de que as condições do ambiente de armazenamento não afetem as propriedades inseticidas. Portanto, para tornar a sua exploração comercial viável, o inseticida microbiano deveria permanecer estável por 20 a 24 meses em condições ambiente.

Outro fator que está diretamente ligado à formulação é a produção de fungos em escala comercial, que deve levar em consideração a formulação final do produto, levando em conta: o tipo de propágulo produzido; certos tratamentos dados aos microrganismos durante a produção; materiais adequados para uso no meio de cultura; separação dos propágulos do meio de cultura; outros aspectos próprios de cada patógeno e formulação. Além disso, o sistema de produção deve minimizar a manipulação necessária para a obtenção do produto final (ALVES et al., 1987ALVES, S.B.; SILVEIRA NETO, S.; PEREIRA, R.M.; MACEDO, N. Estudo de formulações do Metarhizium anisopliae (Metsch.) Sorok. em diferentes condições de armazenamento. Ecossistema, v.12, p.78-87, 1987.; ALVES; PEREIRA 1989ALVES, S.B.; PEREIRA, R.M. Produção deMetarhizium anisopliae (Metsch.) Sorok. e Beauveria bassiana (Bals.) Vuill. em bandejas. Ecossistema, v.14, p.188-92, 1989.; ALVES; PEREIRA 1998ALVES, S.B.; PEREIRA, R.M. Produção de fungos entomopatogênicos. In: ALVES, S. B. (Ed.). Controle microbiano de insetos. 2. ed. Piracicaba: Ed. Fealq, 1998. cap. 27, p.845-869.).

Novos estudos de formulações das principais espécies de fungos, utilizados no controle de pragas precisam ser realizados, principalmente as formulações partindo do próprio meio de cultura (pó molhável, pó seco e suspensões concentradas) e as formulações à base de óleo emulsionável. Outro fator importante na formulação de fungos é a liberação dos conídios do meio de cultura de arroz pré-cozido, o que facilitaria a elaboração de formulações de todos os tipos, de modo a obter maior proteção dos conídios.

O objetivo desta pesquisa foi avaliar o efeito de inertes para extração física dos conídios de M. anisopliae e B. bassiana do meio de cultura sólido arroz pré-cozido.

Os experimentos foram conduzidos no Laboratório de Controle Biológico do Centro Experimental Central do Instituto Biológico, localizado no Município de Campinas, São Paulo.

Para a produção de conídios puros de M. anisopliae e B. bassiana, utilizaram-se 20 kg de arroz pré-cozido para cada fungo, empregando o método da bandeja (ALVES; PEREIRA, 1989ALVES, S.B.; PEREIRA, R.M. Produção deMetarhizium anisopliae (Metsch.) Sorok. e Beauveria bassiana (Bals.) Vuill. em bandejas. Ecossistema, v.14, p.188-92, 1989.).

Para os testes de extração dos conídios dos fungos foram utilizados os seguintes inertes: Caulin SAZ, Caulin ML, Filito Cremogeo, Argila Lopes, Diatomita e Leucita Calcinada. A peneira de arroz comum foi usada como tratamento Testemunha.

Os inertes foram utilizados nas proporções de 15% e 25% de 200 g de arroz pré-cozido com o fungo, nos tempos de agitação de 1 e 3 minutos em sacos de polietileno. Após a agitação de cada tratamento, procedeu-se a separação do inerte com os conídios do fungo dos grãos de arroz através de peneira malha 100.

O delineamento experimental foi inteiramente casualisado com 26 tratamentos e 3 repetições para cada fungo. Como testemunha utilizou-se o peneiramento simples dos grãos com fungo. Para a avaliação da eficiência de extração de conídios lavou-se 1 g de arroz processado na extração, em 10 mL de água estéril, seguido de agitação por 1 minuto e contagem de conídios em câmara de Neubauer.

Tabela 1
Número de conídios de Metarhizium anisopliae em 1 g de arroz pré-cozido após o processamento com diferentes inertes e tempo de agitação.
Tabela 2
Número de conídios de B. bassiana em 1 g de arroz pré-cozido após o processamento com diferentes inertes e tempo de agitação.

Para M. anisopliae, a Diatomita em todas as concentrações e tempos de agitação, diferenciou-se dos demais tratamentos, obtendo-se de 0,9 a 1,9 x 107 conídios por grama de arroz pré-cozido, enquanto que no tratamento Caulin ML 25% em agitação por 3 minutos, a contagem de conídios em 1 grama de arroz pré-cozido foi de 7,8 x 107 conídios (Tabela 1). A maior parte dos inertes não se diferenciou do tratamento com peneira somente, demonstrando que não são interessantes para a aplicação de extração de conídios ou para a formulação direta, a partir da extração.

O tratamento com inerte Filito Cremogeo 15% a 3 minutos também produziu uma extração razoável de conídios de M. anisopliae, sendo considerado menos abrasivo do que a Diatomita, podendo ser mais interessante na aplicação de formulações a partir da extração de conídios.

Para o fungo B. bassiana, verificou-se que a Peneira Comum diferenciou-se apenas do tratamento Caulin ML 15% - 1 min (Tabela 2), indicando que o uso de inertes abrasivos são ineficazes no tratamento desse fungo tanto para uso em extração de conídios como para a formulação direta, a partir da extração.

Os inertes Diatomita 25%, Argila Lopes 15% e Filito Cremogeo 15% também produziram uma extração razoável de conídios nos 2 tempos de extração, apesar da Peneira ter extraído mais conídios. Todavia, ao se trabalhar com formulações em uma linha industrial a eliminação de uma etapa significa redução de custos. Portanto, mesmo que haja uma pequena perda na extração de conídios, a aplicação direta de inertes, tais como a Diatomita, ou Argila Lopes ou Filito Cremogeo é uma vantagem para a formulação de B. bassiana.

O fungo M. anisopliae é mais fácil de se desprender dos grãos de arroz utilizados como meio de cultura, já que a quantidade de conídios encontrados nos grãos lavados é menor que o fungo B. bassiana, que possui maior aderência, necessitando de maior agitação e/ou abrasamento para melhorar a extração.

REFERÊNCIAS

  • ALVES, S.B.; SILVEIRA NETO, S.; PEREIRA, R.M.; MACEDO, N. Estudo de formulações do Metarhizium anisopliae (Metsch.) Sorok. em diferentes condições de armazenamento. Ecossistema, v.12, p.78-87, 1987.
  • ALVES, S.B.; PEREIRA, R.M. Produção deMetarhizium anisopliae (Metsch.) Sorok. e Beauveria bassiana (Bals.) Vuill. em bandejas. Ecossistema, v.14, p.188-92, 1989.
  • ALVES, S.B.; PEREIRA, R.M. Produção de fungos entomopatogênicos. In: ALVES, S. B. (Ed.). Controle microbiano de insetos 2. ed. Piracicaba: Ed. Fealq, 1998. cap. 27, p.845-869.
  • BATISTA FILHO, A.; ALVES, S.B.; ALVES, L.F.A.; PEREIRA, R.M.; AUGUSTO, N.T. Formulação de entomopatógenos. In: ALVES, S.B. (Ed.). Controle microbiano de insetos 2. ed. Piracicaba: Ed. Fealq, 1998. cap.30, p.917-965.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    12 Jan 2022
  • Data do Fascículo
    Oct-Dec 2007

Histórico

  • Recebido
    15 Set 2006
  • Aceito
    08 Nov 2007
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