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CONTROLE DE CLADOSPORIUM FULVUM EM TOMATEIRO POR EXTRATOS DE PLANTAS MEDICINAIS

CONTROL OF CLADOSPORIUM FULVUM IN TOMATO PLANTS BY EXTRACTS OF MEDICINAL PLANTS

RESUMO

Atualmente, tem-se estudado a utilização de extratos de plantas medicinais no controle de fitopatógenos. Assim, este trabalho objetivou avaliar a fungitoxidade in vitrodos extratos brutos aquosos (EBAs) de Achillea millefolium, Artemisia camphorata, Cymbopogon citratus e Rosmarinus officinalis contra Cladosporium fulvum e o efeito protetor destes extratos para a cladosporiose em plantas de tomateiro em casa-de-vegetação. Para avaliar a atividade antifúngica, os EBAs foram incorporados ao meio de cultura BDA (batata-dextrose e ágar) e avaliada a inibição do crescimento micelial, a esporulação e a germinação de esporos. O efeito protetor em plantas foi verificado através da pulverização preventiva dos EBAs, 72h antes da inoculação, nas concentrações de 10% e 20%, no primeiro par de folhas. A severidade da doença foi verificada 20 dias após a inoculação, que ocorreu no 1 o e 2o par de folhas. A atividade ativação da enzima de defesa peroxidase foi avaliada por método espectrofotométrico direto em folhas coletadas 72h após a inoculação. Verificou-se que os EBAs inibiram o crescimento micelial e tiveram efeitos significativos na redução da esporulação e da germinação de esporos, principalmente os EBAs de A. camphorata e R. officinalis, que nas concentrações de 20% e 40% reduziram 85,72% e 93,49% a esporulação, respectivamente. Verificou-se, in vivo, uma redução no número de lesões e uma possível indução resistência dos EBAs, principalmente para A. camphorata e R. officinalis. A atividade de peroxidase não teve incrementos significativos em relação à testemunha, no tempo analisado.

PALAVRAS-CHAVE
Indução de resistência; peroxidase; controle alternativo

ABSTRACT

There have been various recent studies concerning the use of medicinal extracts of medicinal plants for the control of phytopathogens. The present study was therefore aimed to evaluate, in vitro, fungitoxicity of aqueous crude extracts (ACEs) of Achillea millefolium, Artemisia camphorata, Cymbopogon citratus and Rosmarinus officinalis against Cladosporium fulvum, and the protective effect of these extracts in tomato plants under greenhouse conditions. To evaluate antifungical activity, ACEs were incorporated to PDA (potato-dextrose-agar), with observation of inhibition of mycelial growth, sporulation and spores germination. The plant protection was verified by preventive spraying 72 hours before inoculation of ACEs, in 10% and 20% concentration, in the first pair of leaves. The severity was evaluated 20 days after inoculation, which occurred in both the first and second pair of leaves. Theactivity of the plant-defense enzyme peroxidase was evaluated spectrophotometrically in leaves 72 hours after treatments. It was verified that ACEs inhibit the mycelial growth and had significant reduction in sporulation and spore germination, mainly by ACEs of A. camphorata and R. officinalis, in concentration of 20% and 40%, which reduced the sporulation 85.72% and 93.49%, respectively. In relation to the in-vivo treatments there was observed a reduction in the number of lesions along with a possible resistance induction, mainly to A. camphorata and R. officinalis extracts. The peroxidase activity had no significant increment in relation to the control treatment.

KEY WORDS
Resistance induction; peroxidase; alternative control

INTRODUÇÃO

O tomateiro tem seu cultivo amplamente difundido em nosso país, e apresenta grande importância comercial, tanto para o consumo in natura quanto para industrialização (FILGUEIRA, 2003FILGUEIRA, F.A.R. Solanáceas II. Tomate: a hortaliça cosmopolitana. In:. Novo manual de olericultura, agrotecnologia moderna na produção e comercialização de hortaliças. Viçosa-MG: UFV, 2003. c.13, p.193-225.; ALVARENGA, 2004ALVARENGA, M.A.R. Tomate: produção em campo, em casa-de-vegetação e em hidroponia. Lavras: Editora UFLA, 2004.). É a segunda olerícola mais cultivada em nível mundial, apenas superada pela cultura da batata (FILGUEIRA, 2003FILGUEIRA, F.A.R. Solanáceas II. Tomate: a hortaliça cosmopolitana. In:. Novo manual de olericultura, agrotecnologia moderna na produção e comercialização de hortaliças. Viçosa-MG: UFV, 2003. c.13, p.193-225.). O cultivo do tomateiro exige alto nível tecnológico e intensa utilização de mão-de-obra, o que confere a esta cultura elevada importância econômica e social (LOPEZ et al., 2000LOPES, C. A.; SANTOS, J.R.M.; ÁVILA, A.C.; BEZERRA, I.C.; CHARCHAR, J.M.; DUVAL, A.M.Q. Doenças: Identificação e controle. In: SILVA, J.B.C. da; GIORDANO, L.B. (Org.). Tomate para processamento industrial. Brasília, DF: Embrapa Comunicação para Transferência de Tecnologia, 2000. v.único, p.88-111.), além de ser uma cultura onde mais de 100 doenças já foram relatadas, provocando diferentes níveis de redução de produtividade ou de qualidade do produto comercial. Dentre as doenças fúngicas que podem causar perdas significativas na cultura está a cladosporiose, causada por Cladosporium fulvum.

A utilização de fungicidas químicos sintéticos tem alcançado sucesso no controle de várias doenças. No entanto, seu uso indiscriminado tem contribuído para a seleção de patógenos resistentes aos fungicidas e causado poluição ambiental, gerando risco à saúde humana e animal (PRITHIVIRAJ et al., 1997PRITHIVIRAJ, B.; SINGH, U.P.; MANICKAM, M.; SRIVASTAVA, J.S.; RAY, A.B. Antifungal activity of bergenin, a constituent of Flueggea microcarpa. Plant Pathology, v.46, n.2, p.224-228, 1997.; STADNIK; TALAMINI, 2004STADNIK, M.J.; TALAMINI, V. Manejo ecológico de doenças de plantas. Florianópolis: UFSC, 2004. 293p.; AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA, 2005AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Brasil. Controlando agrotóxicos nos alimentos: o trabalho desenvolvido pela ANVISA, com as vigilâncias sanitárias dos Estados do AC, ES, GO, MG, MS, PA, PE, PR, RJ, RS, SC, SP, TO, a FIOCRUZ/INCQS e os laboratórios IAL/SP, IOM/FUNED, LACEN/PR e ITEPE/PE. Relatório de atividades 2001-2004. Brasília: ANVISA, 2005.). Outras opções para o controle de doenças estão disponíveis, tais como o uso de cultivares resistentes, controle biológico, rotação de cultura e o uso de métodos alternativos (STANGARLIN et al., 1999STANGARLIN, J.R.; SCHWAN-ESTRADA, K.R.F.; CRUZ, M.E.S.; NOZAKI, M.H. Plantas medicinais e controle alternativo de fitopatógenos. Biotecnologia, Ciência & Desenvolvimento, n.11, p.16-21, 1999.; CAVALCANTI et al., 2005CAVALCANTI, L.S.; DI PIERO, R.M.; CIA, P.; PASCHOLATI, S.F.; RESENDE, M.L.V.; ROMEIRO, R.S. (Ed.) Indução de resistência em plantas a patógenos e insetos. Piracicaba: FEALQ, 2005.).

Novos produtos estão surgindo no mercado, compostos de moléculas com a capacidade de ativação de diferentes mecanismos de defesa na planta, a chamada resistência induzida, criando um sistema multicomponente com amplo espectro de ação contra patógenos (KESSMAN et al., 1994KESSMANN, H.; STAUB, T.; HOFMANN, C.; MAETZKE, T.; HERZOG, J.; WARD, E.; UKNES, S.; RYALS, J. Induction of systemic acquired disease resistance in plants by chemicals. Annual Review of Phytopathology, v.32, p.439-459, 1994.; CAVALCANTI et al., 2005CAVALCANTI, L.S.; DI PIERO, R.M.; CIA, P.; PASCHOLATI, S.F.; RESENDE, M.L.V.; ROMEIRO, R.S. (Ed.) Indução de resistência em plantas a patógenos e insetos. Piracicaba: FEALQ, 2005.). Essa resistência induzida é iniciada quando um agente indutor sinaliza a planta para ativar a produção de componentes de defesa. Uma das vantagens de se estimular a resistência induzida é que a planta, uma vez imunizada, tem seus mecanismos de defesa ativados por um longo período de tempo, geralmente até o florescimento, limitando, desta forma, o número de aplicações necessárias para o controle efetivo da doença (LYON et al., 1995LYON, G.D.; REGLINSKI, T.; NEWTON, A.C. Novel disease control compounds: the potential to ‘immunize’ plants against infection. Plant Pathology, v.44, n.3, p.407-427, 1995.).

Os mecanismos de resistência induzidos podem ser estruturais, como lignificação e formação de papilas, ou respostas bioquímicas, como acúmulo de fitoalexinas e de proteínas relacionadas com a patogênese, tais como β-1,3-glucanases e quitinases, degradadoras da parede celular dos fungos (PASCHOLATI; LEITE, 1995PASCHOLATI, S.F.; LEITE, B. Hospedeiro: Mecanismos de resistência. In. BERGAMIM FILHO, A.; KIMATI, H.; AMORIM, L. (Ed.). Manual de fitopatologia: Princípios e conceitos. São Paulo: Ed. Agronômica Ceres, 1995. v.1. p.417-454.). Outros mecanismos ativos de defesa das plantas contra fitopatógenos envolvem alterações metabólicas correlacionadas com mudanças na atividade de enzimas chaves nos metabolismos primários e secundários como, por exemplo, nas enzimas peroxidase e fenilalanina amônia-liase.

Dada à riqueza química das plantas medicinais, que possuem princípios ativos microbiocidas, estas se tornam fontes potenciais de moléculas que poderiam ser empregadas na defesa de plantas contra fitopatógenos, tanto pela atividade antimicrobiana quanto pela indução de resistência (SCHWAN-ESTRADA; STANGARLIN, 2005SCHWAN-ESTRADA, K.R.F.; STANGARLIN, J.R. Extratos e óleos essenciais de plantas medicinais na indução de resistência. In: CAVALCANTI, L.S.; DI PIERO, R.M.; CIA, P.; PASCHOLATI, S.F.; RESENDE, M.L.V.; ROMEIRO, R.S. (Ed.). Indução de resistência em plantas a patógenos e insetos. Piracicaba: FEALQ, 2005. p.125-138.).Como exemplos, têm-se o extrato de cúrcuma (Curcuma longa) que apresentou fungitoxicidade in vitro através da inibição do crescimento micelial de Fusarium udum (Berk.) Wollenw (SINGH; RAI, 2000SINGH, R.; RAI, B. Antifungal potential of some higher plants against Fusarium udum causing wilt disease of Cajanus cajan. Microbios, v.102, n.403, p.165-173, 2000.) e redução no crescimento micelial e a germinação in vitro de escleródios de Macrophomina phaseolina (Tassi) Goid (RAJA; KURUCHEVE, 1998RAJA, J.; KURUCHEVE, V. Influence of plants extracts and buffalo urine on the growth and sclerotial germination of Macrophomina phaseolina. Indian Phytopathology, v.51, p.102-103, 1998.). Outros exemplos são o controle da requeima (Phytophthora infestans) em batata pelo extrato de cavalinha (Equisetum sp.) (KE-QIANG; BRUGGEN, 2001KE-QIANG, C.; BRUGGEN, A.H.C. Inhibitory efficacy of several plant extracts and plant products on Phytophthora infestans. Journal of Agricultural University of Hebei, v.4, p.108-116, 2001), do oídio (Oidium lycopersici) em tomateiro por extratos e óleo de nim (Azadirachta indica) (CARNEIRO, 2003CARNEIRO, S.M. de T.P.G. Efeito de extratos de folhas de nim sobre o oídio do tomateiro. Summa Phytopathologica, v.29 n.3, p.262-265, 2003.) e da pinta preta (Alternaria solani) em tomateiro por extrato de cúrcuma e curcumina (BALBI-PEÑA et al., 2006aBALBI-PEÑA, M.I.; BECKER, A.; STANGARLIN, J.R.; FRANZENER, G.; LOPES M.C.; SCHWAN-ESTRADA, K.R.F. Controle de Alternaria solani em tomateiro por extratos de Curcuma longa e curcumina I. Avaliação in vitro. Fitopatologia Brasileira, v.31, n.3, p.301-314, 2006a.; 2006bBALBI-PEÑA, M.I.; BECKER, A.; STANGARLIN, J.R.; FRANZENER, G.; LOPES M.C.; SCHWAN-ESTRADA, K.R.F. Controle de Alternaria solani em tomateiro por extratos de Curcuma longa e curcumina-II. Avaliação in vivo. Fitopatologia Brasileira, v.31, n.4, p.401-404, 2006b.).

Na busca de novas fontes de eliciadores de resistência contra fitopatógenos, as plantas medicinais Achillea millefolium (mil-folhas), Artemisia camphorata (cânfora), Cymbopogon citratus (capim-limão) e Rosmarinus officinalis (alecrim) têm demonstrado potencial no controle de fitopatógenos (BECKER et al. 2004BECKER, A.; VIGO-SCHULTZ, S.C.; STANGARLIN, J.R.; BALBI-PEÑA, M.I.; KLAHOLD, C.A.; SCHWANESTRADA, K.R.F. Controle alternativo das doenças de final de ciclo e oídio na cultura da soja. Fitopatologia Brasileira. v.29, p.163, 2004. Suplemento. Trabalho apresentado no CONGRESSO BRASILEIRO DE FITOPATOLOGIA, 37., 2004, Gramado. Resumos.; FRANZENER et al., 2003FRANZENER, G.; STANGARLIN, J.R.; SCHWANESTRADA, K.R.F.; CRUZ, M.E.S. Atividade antifúngica e indução de resistência em trigo a Bipolaris sorokiniana por Artemisia camphorata. Acta Scientiarum. Agronomy, v.25, n.2, p.503-507, 2003.).

Assim, o objetivo do trabalho foi avaliar o EBA destas quatro plantas medicinais na inibição do crescimento micelial, esporulação e germinação de esporos in vitro de Cladosporium fulvum e o efeito protetor destes extratos em plantas de tomateiro contra a cladosporiose, em casa-de-vegetação.

MATERIAL E MÉTODOS

Crescimento micelial, esporulação e germinação de esporos de Cladosporium fulvum

O experimento foi realizado no laboratório de Fitopatologia da Universidade Estadual de Maringá. Folhas frescas das plantas medicinais A. millefolium, A. camphorata, C. citratuse R. officinalisforam trituradas em caldo de batata por 3 min, em liquidificador. Os homogenatos resultantes foram filtrados em gaze e em papel de filtro Whatman nº1, obtendo-se o extrato bruto aquoso (EBA), o qual foi incorporado ao BDA (batatadextrose-ágar, esterilizado por autoclavagem) nas concentrações de 1%, 10%, 20% e 40% e distribuído em placas de Petri. Após a solidificação do meio, um disco com 8 mm de diâmetro de micélio do isolado, com 10 dias de idade em BDA, foi repicado para o centro das placas, as quais foram vedadas com filme plástico e mantidas a 28º C ± 2° C e escuro. A avaliação foi realizada através da medição diária do diâmetro das colônias (média de duas medidas diametralmente opostas), iniciando 24h após a instalação do experimento e perdurando até o momento em que as colônias fúngicas no tratamento controle cobrissem 2/3 da superfície do meio de cultura. Nesse momento, também realizou-se a contagem de esporos. Para isso, foram adicionados 10 mL de água destilada em cada placa, e a suspensão foi filtrada em gaze. A contagem foi realizada em câmara de Neubauer em microscópio óptico. A influência dos extratos das plantas sobre a germinação de esporos foi determinada através do uso de placas utilizadas em teste de ELISA. Cada poçinho da placa recebeu alíquota de 80 L da suspensão de esporos (104esporos mL-1) e foram incubadas em câmara úmida, sob luz constante, à temperatura de 24° C. A porcentagem de germinação de esporos foi avaliada 12 h após o início do experimento, com base na contagem de 100 esporos por repetição. A germinação foi paralisada com uma gota de corante azul de algodão com lactofenol, e a contagem foi efetuada ao microscópio óptico. A avaliação foi realizada pela contagem de esporos germinados sendo considerados germinados quando apresentaram qualquer emissão de tubo germinativo. Utilizou-se o delineamento experimental inteiramente casualizado (DIC) com 17 tratamentos e 4 repetições, em esquema fatorial 4 x 4 + 1, cujos fatores foram 4 EBAs, 4 concentrações (1%, 10%, 20% e 40%) e testemunha. Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância (p = 0,05) e quando significativos foram analisados por regressão.

Avaliação da severidade da doença em plântulas de tomate

Sementes de tomate cv. Santa Clara foram semeadas em bandejas de isopor de 128 células contendo substrato comercial. As mudas foram transplantadas aos 21 dias após semeadura para vasos de 2 L contendo uma mistura autoclavada de solo e areia (1:1). Para determinar a ativação de mecanismos de resistência nas plântulas, o primeiro par de folhas verdadeiras recebeu EBA de cada uma das plantas nas concentrações de 10% e 20%, por aspersão até o ponto de escorrimento. A testemunha recebeu somente água. Setenta e duas horas após a aplicação dos tratamentos, o primeiro par de folhas (1 ae 2afolha) e o segundo par de folhas (3ae 4afolha) nãotratadasforaminoculados com suspensão de 104esporos mL-1do fungo C. fulvum. Após a inoculação, as plantas foram mantidas em sala de incubação a 25° Ce condição de alta umidade relativa, obtida com câmara úmida, por 24h, sendo, em seguida, transferidas para casa-de-vegetação. A avaliação da severidade da doença foi realizada 20 dias após a inoculação, anotando-se o número de lesões nas folhas tratadas e não-tratadas. O delineamento experimental usado foi inteiramente casualizado com três repetições, sendo cada parcela composta por duas plantas. Os dados obtidos foram analisados estatisticamente pela análise de variância, aplicando-se o teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade para comparação das médias.

Determinação da atividade da enzima peroxidase

Para análise da enzima peroxidase, 72 h após a inoculação foram coletadas as folhas tratadas. Estas foram pesadas e homogeneizadas separadamente em almofariz de porcelana com 4 mL de tampão fosfato 0,1 M (pH 6,0) a 4º C. O homogeneizado foi centrifugado a 20.000 g por 10 min e recolhido o sobrenadante. Em cubeta de vidro com capacidade de 3 mL, foramadicionados 2,9 mL de tampão de reação (153 µL de H2O2+ 6,25 mL de guaiacol (2%) em 50 mL de tampão de extração) e 0,1 mL do sobrenadante. A reação foi seguida espectrofotometricamente pela alteração na absorção a 470 nm, durante 4 min (HAMMERSCHMIDT et al., 1982HAMMERSCHMIDT, T.; NUCKLES, E.M.; KUÆ, J. Association of enhanced peroxidase activity with induced systemic resistance of cucumber to Colletotrichum lagenarium. Physiological Plant Pathology, v.20, n.1, p.73-82, 1982.). A quantificação de proteínas totais presentes no extrato enzimático foi determinada utilizando-se o método de BRADFORD (1976)BRADFORD, M.M. A rapid and sensitive method for the quantification of microgram quantities of protein utilizing the principle of protein-dye binding. Analytical Biochemistry, v.72, p.248-254, 1976.. A cada 0,8 mL de amostra foi adicionado, sob agitação, 0,2 mL de reagente concentrado de Bradford. Após 5 min de incubação à temperatura ambiente, realizou-se a leitura de absorbância a 595 nm. Como referência foi utilizado 0,8 mL de água destilada e 0,2 mL de reagente concentrado de Bradford. A concentração de proteínas de cada amostra, expressa em termos de equivalentes µg de albumina de soro bovino (ASB) em 0,8 mL de amostra (µg proteína/0,8 mL), foi determinada utilizando-se curva padrão de concentrações de ASB variando de 0 a 20 µg/0,8 mL. A atividade específica da enzima foi expressa em ΔAbs470nm/min/g proteína. Os dados de atividade específica da enzima peroxidase foram analisados estatisticamente pela análise de variância, aplicando-se o teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade para comparação das médias.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Atividade antifúngica

No crescimento micelial (Fig. 1) para o EBA de A. millefolium, a equação ajustada foi quadrática, onde a maior inibição foi na concentração de 34,79% com redução de 21,83% do crescimento micelial. Para o EBA de A. camphorata, a maior inibição ocorreu na concentração de 31,09%, inibindo 53,42% do crescimento. Já para a planta C. citratusa maior inibição foi em 40,67% do EBA, inibindo 20,03% do crescimento micelial em relação à testemunha. Para o EBA de R. officinalisos dados se ajustaram a uma reta, onde com o aumento da concentração do EBA houve redução do crescimento micelial. Na concentração de 40% o crescimento micelial foi reduzido 49,06% em relação à testemunha.

Fig. 1
Porcentagem de crescimento micelial de Cladosporium fulvumsob diferentes concentrações de extratos brutos aquosos de (a) Achillea millefolium (b) Artemisia camphorata (c) Cymbopogon citratuse (d) Rosmarinus officinalis. Para a concentração 0% foi considerada um crescimento micelial de 100%.
Fig. 2
Porcentagem de esporulação de Cladosporium fulvumsob diferentes concentrações de extratos brutos aquosos de (a) Achillea millefolium (b) Artemisia camphorata (c) Cymbopogon citratus e (d) Rosmarinus officinalis. Para a concentração 0% foi considerada uma esporulação de 100%.
Fig. 3
Germinação de Cladosporium fulvumsob diferentes concentrações de extratos brutos aquosos de (a) Achillea millefolium (b) Artemisia camphorata (c) Cymbopogon citratuse (d) Rosmarinus officinalis. Para a concentração 0% foi considerada uma germinação de 100%.

Em relação à esporulação (Fig. 2), os dados para o EBA de A. millefoliumajustaram-sea uma reta, onde,com o aumento da concentração do EBA, houve redução de esporulação. Nas concentrações de 20% e 40% a esporulação foi reduzida 49,33% e 65,63%, respectivamente. Para os dados de EBA de A. camphoratae R. officinalisa curva ajustada foi a exponencial. Para o EBA de A. camphorata, a partir da concentração de 20%, foi verificada redução de 85,72% na esporulação. Para o EBA de R. officinalis, na concentração de 40%, ocorreu redução de esporulação de 93,49%. Porém, o EBA de C. citratusincentivou a esporulação, apresentando resultados até superiores ao da testemunha.

Em relação à germinação dos esporos (Fig. 3), pela análise de regressão, a curva ajustada para a porcentagem de germinação foi exponencial, para os dados de EBA de A. millefolium, A. camphorata e R. officinalis. Para EBA de C. citratusa curva ajustava foi quadrática. Reduções significativas na porcentagem de germinação foram observadas a partir da concentração de 20% do EBA de A. millefolium, onde ocorreu redução de 88,68%. Para os EBAs de A. camphorata e R. officinalisocorreu redução de 83,23% e 65,14% na concentração de 40%, respectivamente. Para o EBA de C. citratus, na concentração de 26,46%, foi verificada uma redução 96,30%, em relação à testemunha.

No presente trabalho foi verificado que o extrato de C. citratusinibiu de maneira parcial o crescimento micelial, e inibiu significativamente a germinação de esporos, embora tenha incrementado a esporulação. Visto que a inibição da germinação dos esporos é fundamental no controle da doença, pois essa estrutura é o ponto de partida para a propagação e sobrevivência dos fungos e necessária para a ocorrência de ciclos secundários, o extrato poderia influenciar de forma negativa no ciclo de vida do patógeno a campo, reduzindo a ocorrência de epidemias. Isto ocorreu também para as outras plantas medicinais estudadas, havendo reduções parciais no crescimento micelial e esporulação, porém reduções mais significativas na germinação de esporos.

A fungitoxicidade in vitrodos extratos brutos de C. citratuse Cymbopogon nardussobre C. fulvumtambém foi verificada por BALDO et al. (2005)BALDO, M.; SORNBERGER, A.; STANGARLIN, J.R.; GRISA, S.; ECKSTEIN, B.; GIESE, C.; SCHWANESTRADA, K.R.F. Potencial do extrato bruto de Cymbopogon citratus (capim-limão) e Cymbopogon nardus (citronela) no controle in vitro de Cladosporium fulvum do tomateiro. In: JORNADA CIENTÍFICA DA UNIOESTE, 3., 2005, Marechal Cândido Rondon, PR. Anais. Marechal Cândido Rondon: Unioeste, 2005., cujos extratos aquosos obtidos de folhas frescas foram incorporados em meio BDA, isoladamente ou em mistura, nas concentrações de1,5,10,15e20%.Nestetrabalho,aatividadeantifúngica esteve presente em todos os parâmetros avaliados, sendo a média de inibição de 77% para a massa micelial, 71% para esporulaçãoe24% para germinação de esporos, enquanto que para o fungicida azoxystrobin (4,0 g i.a/L), utilizado como controle positivo, as inibições foram de 91%, 79% e 76%, respectivamente.

No caso da planta medicinal A.camphorata, as folhas dessa planta possuem 0,8% de óleo essencial constituído por mais de 60% do composto terpenóide linalol (MARTINS et al., 1995MARTINS, E.R.; CASTRO, D.M. de; CASTELLANI, D.C.; DIAS, J.E. Plantas medicinais. Viçosa: UFV, 1995.). Extrato bruto e óleo essencial de A. camphoratatêm mostrado resultados satisfatórios na inibição do crescimento micelial de alguns fungos (SCHWAN-ESTRADA et al., 2000SCHWAN-ESTRADA, K.R.F.; CRUZ, M.E.S.; STANGARLIN, J.R. Uso de extratos vegetais no controle de fungos fitopatogênicos. Revista Floresta, v.30, p.129-137, 2000.; FRANZENER et al., 2003FRANZENER, G.; STANGARLIN, J.R.; SCHWANESTRADA, K.R.F.; CRUZ, M.E.S. Atividade antifúngica e indução de resistência em trigo a Bipolaris sorokiniana por Artemisia camphorata. Acta Scientiarum. Agronomy, v.25, n.2, p.503-507, 2003.), bem como na indução de fitoalexinas em sorgo e soja (STANGARLIN et al., 1999STANGARLIN, J.R.; SCHWAN-ESTRADA, K.R.F.; CRUZ, M.E.S.; NOZAKI, M.H. Plantas medicinais e controle alternativo de fitopatógenos. Biotecnologia, Ciência & Desenvolvimento, n.11, p.16-21, 1999., SCHWAN-ESTRADA et al., 2000SCHWAN-ESTRADA, K.R.F.; CRUZ, M.E.S.; STANGARLIN, J.R. Uso de extratos vegetais no controle de fungos fitopatogênicos. Revista Floresta, v.30, p.129-137, 2000.). Em relação à planta medicinal A. millefolium, trabalhos realizados por SINGH et al. (1988)SINGH, U.P.; DANDEY, V.B.; SINGH, K.N.; SINGH, R.D.N. Antifungal activity of some new flavones and flavones glycosides of Echinops echinatus. Canadian Journal of Botany, v.66, p.1901-1903, 1988. verificaram que a apigenina, um dos compostos fenólicos dessa planta e tambémde Echinopus echinatus, mostrou ser eficiente em inibir a germinação de conídios de Alternaria tenuissimaem concentrações de 25 a 150 µg/mL. FIORI et al. (2000)FIORI, A.C.G.; SCHWAN-ESTRADA, K.R.F.; STANGARLIN, J.R.; VIDA, J.B.; SCAPIM, C.A.; CRUZ, M.E.S.; PASCHOLATI, S.F. Antifungal activity of leaf extracts and essencial oils of some medicinal plants against Didymella bryoniae. Journal of Phytopathology, v.148, p.483, 2000., trabalhando com as plantas medicinais Eucalyptus citriodora, C. citratus, Ageratum conyzoidese A.millefolium, verificaram que todos os extratos foram eficientes em inibir o crescimento micelial, esporulação e germinação de esporos de Didymella bryoniae. Para a planta R. officinalis, trabalhos realizados por DAFERERA et al.(2003)DAFERERA, D.J.; ZIOGASB, B.N.; POLISSIOU, M.G. The effectiveness of plant essential oils on the growth of Botrytis cinerea, Fusarium sp. and Clavibacter michiganensis subsp. michiganensis. Crop Protection, v.22, n.1, p.39-44, 2003. indicaram que, in vitro, o óleo essencial não foi eficiente no controle de Botrytis cinerea, Fusarium solanivar. coeruleume Clavibacter michiganensisnas concentrações estudadas, pois somente a partir de 606 e 668µg/mLfoi que ocorreu redução de 50% do crescimento micelial de B. cinereae Fusarium,respectivamente.Eucaliptol(31,5%) e borneol (14,2%) foram os componentes encontrados em maior concentração no óleo. Já no trabalho de ROZWALKA (2003)ROZWALKA, L.C. Controle alternativo da antracnose em frutos de goiabeira, em laboratório. 2003. 45p. Dissertação (Mestrado) Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2003., o efeito de extrato bruto e óleo essencial de várias plantas medicinais foi estudado no desenvolvimento dos fungos Glomerella cingulatae Colletotrichum gloeosporioides, verificou que o EBA de R. officinalisreduziu 67% e 47,49% o crescimento micelial desses fungos, respectivamente.

Tabela 1
Número de lesões de Cladosporium fulvumem folhas de tomateiro tratadas (primeiro par de folhas) e não tratadas (segundo par de folhas) com extratos brutos aquosos de plantas medicinais.

Severidade da doença em plântulas de tomate

O número de lesões das folhas tratadas e inoculadas (1º par de folhas) foi menor em relação à testemunha (Tabela 1), para os EBAs de A. millefoliume A.camphorataa 20% R. officinalis10% e 20% e C. citratus10%. As diferenças observadas nos valores de severidade nas folhas podem ter ocorrido por atividade antimicrobiana direta dos extratos da plantas testadas, já que in vitrotais tratamentos foram capazes de inibir significativamente a porcentagem de germinação e o crescimento micelial. No entanto, não se pode descartar a possibilidade de ter ocorrido uma indução de resistência sistêmica, pois verificou-se uma redução ou até ausência de lesões em folhas acima das tratadas (2opar de folhas), principalmente para os EBAs de A. camphoratae R. officinalisambos a 10 e 20%. Resultados semelhantes foram encontrados por BALBIPEÑA et al. (2006b)BALBI-PEÑA, M.I.; BECKER, A.; STANGARLIN, J.R.; FRANZENER, G.; LOPES M.C.; SCHWAN-ESTRADA, K.R.F. Controle de Alternaria solani em tomateiro por extratos de Curcuma longa e curcumina-II. Avaliação in vivo. Fitopatologia Brasileira, v.31, n.4, p.401-404, 2006b. que verificaram que o extrato do rizoma de cúrcuma (Curcuma longa) a 10% promoveu uma possível indução de resistência sistêmica em plantas de tomateiro contra A. solani, pois houve menor aérea abaixo da curva de progresso da doença na folha tratada e também na não tratada. FRANZENER et al. (2003)FRANZENER, G.; STANGARLIN, J.R.; SCHWANESTRADA, K.R.F.; CRUZ, M.E.S. Atividade antifúngica e indução de resistência em trigo a Bipolaris sorokiniana por Artemisia camphorata. Acta Scientiarum. Agronomy, v.25, n.2, p.503-507, 2003., utilizando o extrato bruto de A. camphoratapara induzir resistência à Bipolaris sorokinianaem plantas de trigo, observaram uma redução no número e tamanho das lesões em plantas tratadas antes da inoculação do patógeno em relação às plantas não induzidas, corroborando com este trabalho acerca da atividade indutora desse extrato.

A atividade indutora de resistência por extratos de A. millefoliume C. citratus também foi verificada por BECKER et al. (2002)BECKER, A.; FERNANDES, G.P.; CARRÉ, V.; ZANELLA, A.L.; FRANZENER, G.; KUHN, O.J.; PORTZ, R.L.; STANGARLIN, J.R.; SCHWAN-ESTRADA, K.R.F. Controle alternativo de doenças de pepino produzido em cultivo orgânico e protegido. Fitopatologia Brasileira. v.27, p.223, 2002. Suplemento. Trabalho apresentado no CONGRESSO BRASILEIRO DE FITOPATOLOGIA, 35., 2002, Recife. Resumos. contra mancha angular (Pseudomonas syringae pv. lachrymans) em pepino em cultivo orgânico. O extrato de C. citratus, em concentrações de 5% e 10%, reduziu em média 36% a severidade, enquanto que para A. millefolium a redução média foi de 34%, mesmos valores de proteção que o obtido pelo tratamento com calda bordalesa.

Para R. officinalis, BECKER et al. (2004)BECKER, A.; VIGO-SCHULTZ, S.C.; STANGARLIN, J.R.; BALBI-PEÑA, M.I.; KLAHOLD, C.A.; SCHWANESTRADA, K.R.F. Controle alternativo das doenças de final de ciclo e oídio na cultura da soja. Fitopatologia Brasileira. v.29, p.163, 2004. Suplemento. Trabalho apresentado no CONGRESSO BRASILEIRO DE FITOPATOLOGIA, 37., 2004, Gramado. Resumos., em trabalho com extrato dessa planta e também de C. longae C. citratus, todos a 5 a 10%, verificaram que a incidência de doenças de final de ciclo, como Septoria glycinesHemmi e Cercospora kikuchii (Matsu. & Tomoyasu) Gardner, e oídio (Microsphaera diffusaCke. & Pk) em soja sob condições de campo, foi igual à do tratamento padrão com o fungicida pyraclostrobin + epoxiconazole, embora para R. officinalisa 5% e C. longaa 10%, a produção (kg/ha) tenha sido 13% e 16% maior que a do fungicida. RÖDER (2003RÖDER, C. Controle alternativo de podridões causadas por fungos na pós-colheita em pêssego e morango. 2003. 33p. Monografia (Curso de Agronomia) – Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Marechal Cândido Rondon, 2003.; 2006)RÖDER, C. Controle alternativo de podridões na cultura do morango com tratamentos em pré-colheita. 2006. 37p. Dissertação (Mestrado) – Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Marechal Cândido Rondon, 2006 observou que os extratos de R. officinalise Ruta graveolensnão foram capazes de controlar a podridão parda do pessegueiro na pós-colheita, entretanto o EBA de R. officinaliscontrolou a podridão causada por Rhizopus nigricansem morangos pós-colheitas.

Atividade da peroxidase

No nível de 5% de probabilidade pelo teste ScottKnott, não foi verificada diferença significativa entre os tratamentos, ou seja, não houve acréscimos nem decréscimos significativos da atividade da enzima peroxidase. Porém, no trabalho realizado por IURKIV et al. (2006)IURKIV, L.; ECKSTEIN, B.; BALBI-PEÑA, M.I.; STANGARLIN, J.R.; SCHWANESTRADA, K.R.F. Atividade de peroxidase em tomateiro tratado com Curcuma longa e inoculado com Alternaria solani. Summa Phytopathologica, v.32, supl., p.22, 2006. Suplemento. Trabalho apresentado no CONGRESSO PAULISTA DE FITOPATOLOGIA, 29., 2006, Botucatu., foi verificado um aumento na atividade da enzima peroxidase, quatro dias após a inoculação com A. solaniem folhas de tomateiro, tratadas com extratos aquosos de rizoma de C. longae soluções de curcumina, de forma local e sistêmica. RODRIGUES et al. (2007)RODRIGUES, E.; SCHWAN-ESTRADA, K.R.F.; FIORITUTIDA, A.C.G.; STANGARLIN, J.R.; CRUZ, M.E.S. Fungitoxicidade, atividade elicitora de fitoalexinas e proteção de alface em sistema de cultivo orgânico contra Sclerotinia sclerotiorum pelo extrato de gengibre. Summa Phytopathologica, v.33, n.2, p.124-128, 2007. também verificaram aumento da atividade de peroxidase e redução na incidência de Sclerotinia sclerotiorumem alface, tratados com extratos de gengibre (Zingiber officinale). No presente trabalho, o intervalo de tempo entre o tratamento e a inoculação foi de três dias e, possivelmente, não foi o intervalo ideal para verificar a ativação da peroxidase, pois, segundo PASCHOLATI; LEITE (1995)PASCHOLATI, S.F.; LEITE, B. Hospedeiro: Mecanismos de resistência. In. BERGAMIM FILHO, A.; KIMATI, H.; AMORIM, L. (Ed.). Manual de fitopatologia: Princípios e conceitos. São Paulo: Ed. Agronômica Ceres, 1995. v.1. p.417-454., a proteção induzida em plantas é dependente do intervalo de tempo entre o tratamento inicial (tratamento indutor) e a subseqüente inoculação da planta com o patógeno (tratamento desafiador), o que indica que mudanças específicas no metabolismo da planta, envolvendo a síntese e/ou acúmulo de substâncias que são importantes neste fenômeno. Contudo, neste trabalho, ocorreram reduções significativas no número de lesões. Assim, é provável que outros mecanismos de defesa tenham sido ativados pelos EBAs, como respostas de defesa frente ao patógeno, tais como lignificação, papilas e também outras enzimas relacionadas à patogênese (α, 1-3 glucanase, quitinases) levando a uma diminuição da severidade da cladosporiose no tomateiro.

CONCLUSÃO

Os extratos brutos das plantas medicinas testados possuem ação fungitóxica sobre Cladosporiumfulvume, possivelmente, induzem a resistência sistêmica em tomateiro contra cladosporiose.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    28 Maio 2021
  • Data do Fascículo
    Jan-Mar 2009

Histórico

  • Recebido
    14 Ago 2007
  • Aceito
    25 Nov 2008
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