Neste artigo descrevemos o segundo fóssil de lagosta do Cretáceo brasileiro. Foi encontrado em folhelho acinzentado marinho em associação a peixes e moluscos amonoides do Membro Taquari da Formação Riachuelo, Estado de Sergipe. O material estudado foi obtido na década de 1980 em subsuperfície (por “shaft”) na localidade de Rosário do Catete por uma equipe da extinta PETROMISA (Petrobrás Mineração S.A.). O único espécime possui 4,5 cm de comprimento e 2 cm de largura, e corresponde a uma região pleonal larga e ligeiramente achatada, bem calcificada, com seis somitos separados terminando em um leque caudal. O posicionamento da nova lagosta dentro de Achelata é baseado na presença de seis somitos abdominais achatados dorsoventralmente terminando com uropoditos bem desenvolvidos e ramo lateral sem divisão transversal. As pleuras dos somitos são curtas, arredondadas e contínuas, separadas dos tergitos por uma carena longitudinal distinta. Devido à ausência de cefalotórax e apêndices bucais e locomotores, não é possível atribuir a lagosta a nenhum subclado maior com certeza e não é formalmente nomeada porque o espécime não poderia servir adequadamente como o tipo. Difere da lagosta descrita anteriormente para a Pedreira Brejo (Membro Angico) pela ausência de carena mediana longitudinal na cauda, presença de somitos lisos de largura subigual, pleura arredondada e contínua e ornamentação pontilhada (finas pontuações na cutícula). Apesar da fauna ser praticamente a mesma (particularmente a de peixes), a presença de lagostas em associação com amonoides e certos peixes corrobora um ambiente marinho nerítico para a Formação Riachuelo.
Palavras-chave:
Invertebrate Fossil; Cretáceo Inferior; Taquari Member
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