Sobre as formas contemporâneas do absoluto

On the contemporaneous forms of the absolute

Henning Teschke

Resumos

O absoluto tem vários nomes: a Ideia, Deus, o Sujeito, o Capitalismo, o Comunismo, dos quais o relativo não se separa, nem com os quais coincide. Assim, como o finito consegue lidar com o infinito sem paradoxo? O redescobrimento desta tensão, incompatível com qualquer cumplicidade das figuras do fim, marca a tarefa do pensamento no início do século XXI. Cabe a ele considerar se os dualismos herdados da filosofia moderna ainda continuam a ser válidos, ou então se merecem ser reconfigurados para enxergar o presente rumo a um esboço mais animador do futuro. Portanto, a Filosofia, a Teologia, a Literatura e a Economia Política entram numa constelação restituindo a cada uma delas a alegria do não-contemporâneo.

o absoluto; o relativo; a dualidade; o infinito


The absolute is captured in multiple terms: God, the Idea, the Subject, Capitalism, and Communism. However, these concepts are neither separated from the relative, nor do they coincide with it. This generates a distinct question: How does the finite succeed in coping with the infinite without falling into logical paradoxa. The re-discovery of this tension, which is not complicitous with any figure of an ending, delineates the task of thinking at the beginning of the 21st Century. Thinking is called upon to reconsider whether the dualities inherited from modern philosophy are still valid, or deserve to be reconfigured in order to conceive the present towards a more encouraging project for the future. Consequently, philosophy, theology, literature and political economy enter into a constellation, which returns to each of them the pleasure of being non-contemporaneous.

the absolute; the relative; the duality; the infinity


L'absolu a plusieurs noms: l'Idée, Dieu, le Sujet, le Capitalisme, le Communisme. Le relatif ne se sépare pas d'eux ni coïncide avec eux. Pourtant, comment le fini arrive à traiter de l'infini sans paradoxe? La redécouverte de cette tension incompatible avec toute connivence avec les figures de la fin marque la tâche de la pensée au début du 21ème siècle. Il lui incombe de considérer si les dualismes hérités de la philosophie moderne persistent encore ou ne méritent d'être reconfigurés à fin de saisir le présent en vue d'un projet plus encourageant de l'avenir. Par conséquent, la philosophie, la théologie, la littérature et l'économie politique entrent dans une constellation qui restitue à chacune d'eux la joie d'être intempestif.

l'absolu; le relatif; la dualité; l'infini


A atitude comum do presente é o indiferentismo, a inversão cínica da igualdade. A unificação de todas as coisas sob a forma da mercadoria torna todos os homens vendedores. No absolutismo do mercado, a verdadeira síntese do gênero humano, distribuem-se as particularidades políticas, estéticas, territoriais, éticas e sexuais refletidas na prosa acadêmica da "tolerância", "pluralidade", "identidade", "gosto". Por meio da circulação livre, da combinação ilimitada de todos os predicados, impôs-se a ordem de renunciar à verdade, dado que tudo é equivalente. Daí cada um, anteriormente à sua convicção pessoal, fazendo parte dessa esfera, desempenha uma cumplicidade involuntária: a realidade não é aquilo que compartilhamos, mas aquilo que nos divide. No momento histórico em que a troca e o mundo entram numa zona de indistinção naturalizando a lei econômica, esse absolutismo faz desaparecer o mundo. A ubiquidade dos gêneros, do dinheiro e do turismo o confirma. A pátria é a liquidez. Reformulado na terminologia filosófica, o capitalismo financeiro, a condição transcendental do mundo, pôs-se ao mesmo tempo como transcendência real. Os seus locais são o IMF, o World Bank, Wall Street, London Stock Exchange, etc. A especulação, o realissimum do idealismo alemão, com nome de "futures" ou "short sales", deixa subir o preço do trigo no prazo de alguns segundos: alguns milhões mais de africanos morrem da fome. É fácil reconhecer nisso o destino.

Barroco e Neo-Barroco. A reserva de ouro dos Estados Unidos e de mais outros 100 bancos centrais, governos e organizações é conservada nos compartimentos de um cofre localizado embaixo da sede do Federal Reserve Bank of New York, na Liberty Street, em Manhattan. A maior parte do ouro chegou durante e após a Segunda Guerra Mundial. Essa reserva cujo peso aproximado é de 6700 toneladas representa um quarto do ouro retirado da terra no decorrer da história humana. O ouro do Federal Reserve é encerrado em compartimentos de cofres particulares. A abóboda está assentada em um rochedo do Manhattan Island, 27 metros abaixo da rua e 17 metros abaixo do nível do mar. Mediante um elevador, as barras de ouro são transportadas 5 andares para baixo. Chegando ali, o ouro é empilhado nas estantes ou, então, é trazido para um ou vários compartimentos do cofre que são destinados a Estados e organizações internacionais diferentes. Por meio de aparelhos hidráulicos os empilhadores de ouro deslocam as barras de um compartimento para outro a fim de equilibrar os saldos e as dívidas. Já que estes compartimentos têm números em vez de nomes, para preservar o anonimato do titular da conta, os empilhadores de ouro nunca sabem os autores da transferência e para quem elas são destinadas.6 6 "The Federal Reserve Bank of New York: The Key to the Gold Vault" (www.newyorkfed.org/education/addpub/goldvault.pdf). - No fim da Théodicée (1710), Leibniz justifica por qual motivo aquilo que poderia ter sido diferente deveria ser sacrificado em proveito do mundo tal como ele é. Para tanto, oferece um relato onírico. Em Atenas, Theodorus adormeceu no templo da deusa Pallas. Em sonho, a deusa lhe mostra o palácio dos destinos na forma de uma pirâmide imensa munida de uma ponta radiante e uma base infinitamente profunda. Essa pirâmide representa o entendimento infinito de Deus; seu interior é preenchido por um número infinito de salas. Todas elas contêm um mundo possível, uma outra versão da história que nunca atingiu a realidade. No sonho, Theodorus prossegue sala por sala rumo à ponta da pirâmide onde está a sala mais alta, o sinônimo do verdadeiro mundo atual e da fonte da felicidade. Face à infinidade dos mundos possíveis, há de se ter um mundo melhor. No momento da criação do mundo, no momento da escolha ilimitada, Deus não podia criar senão o melhor dos mundos possíveis. Conforme sua perfeição, o mundo existente deve ser o mundo mais perfeito, que abrange o máximo das compossibilidades, ou então da realidade. Esse mundo melhor implica Adão que peca, Judas que trai, Cristo crucificado e Lutero que desune. Por baixo, a pirâmide vai ao infinito, pois não seria pensável nenhum mundo que não confina com um mundo ainda pior por baixo, um mundo que contém um grau ainda menor da realidade. No subsolo mais profundo, o último, do palácio dos destinos, está o mundo péssimo. Ele se afunda no caos dos mundos incompossíveis, pois mais nada pode ser ligado com qualquer coisa que seja. A visita onírica da pirâmide se torna mais complicada porque Leibniz cruza o palácio dos destinos com o livro dos destinos: o ver com o ler e o número com o ser. Em toda sala se acha um grande livro cujas páginas são numeradas. Ao abrir qualquer página, Theodorus encontraria os detalhes que pertencem ao capítulo respectivo dessa versão do mundo. Na sala vizinha encontra-se um outro livro. A pirâmide é uma tumba gigantesca. Segundo Leibniz, Deus volta de vez em quando ao interior desse mausoléu para gozar da sua escolha do melhor dos mundos possíveis. Se for esse o caso, ele tem que fechar as orelhas diante do clamor incessante que se levanta nas salas infinitas desse inferno barroco: o grito dos mundos possíveis que foram sacrificados em favor do mundo existente. O nome, porém, daquele que desce triunfalmente até as salas mais baixas da pirâmide já não é Deus.

O capitalismo é um fenômeno essencialmente religioso, dotado de todas as particularidades de um sistema do culto. Como forma de culto geral, ele torna supérfluo todos os cultos particulares. O capitalismo tem seu santuário (o lucro), tem sua obsessão (o trabalho), tem seus sacerdotes (brokers, banqueiros), tem a instituição de suas missões (os parlamentos, as mídias, as universidades), tem seus jesuítas (os paraquedistas do humanismo ocidental), tem seus cismas (as crises), tem seus sacrifícios (os desempregados), tem suas promessas de salvação (a vida longa em vez da vida eterna, o culto do corpo em vez do cuidado com a alma, a sociedade de abundância em vez do paraíso, o "coach" psicológico em vez da confissão). Em vista disso, o termo secularização cai pior do que o novo alcance do pronome reflexivo transformando o in-der-Welt-sein (ser-no-mundo)** (HEIDEGGER, Martin. Sein und Zeit. Tübingen: Niemeyer-Verlag, 1967: 29) em autorrelações. Tudo é razoável no capitalismo, fora o capitalismo em si.

O atomismo e o coisolamento social confirmam o êxito do divide et impera romano nos assuntos do global government como self-management. A série conceitual autonomia-individualismo-narcisismo-autismo pertence às desrealizações recentes na teoria do sujeito, cuja forma mais rica foi a mônada de Leibniz. O fetichismo da "alteridade" toma o posto anteriormente ocupado por Deus. Dessa maneira, será confundida a suposição pré-filosófica e banal - todas as coisas e todos os homens são infinitamente diferentes de todos os outros homens e coisas numa infinidade de aspectos - com o pensamento. Há a unidade que exige o esforço, não a diversidade.

À nossa época falta um nome. Certamente, todos os nomes das épocas são construções ex post. Os nomes atribuídos a ele sem escrúpulos pelos amigos do status quo - sociedade civil, globalização, democracia - indicam que as suas condições ficaram obscuras ao início do terceiro milênio. A designação "época pós-moderna" não faz senão juntar as velhas indolências da modernidade com os novos embaraços que não provêm da modéstia. Que época denominou-se com respeito àquilo que já não é? Um epílogo desanimado, cujos apologistas asseguram que não sobra nada por esperar que valha a pena. A presença eterna da pós-história tem somente a si-mesma em sua frente. Pós-histórico, pós-metafísico, pós-marxista, pós-cristão, pós-humanista, pós-utópico: o mesmo prefixo levanta o rasgo elementar dessa era - a reivindicação restaurativa da segurança - a marca histórico-filosófica para condenar o futuro a ser também como ela. Onde faltam alternativas, não pode haver boa notícia, apenas o necrológio de si-mesmo: nada de novo. Assim termina, disfarçado num animalismo consumista, um hegelianismo involuntário, por ter sido o grande idealista que introduziu o conceito de fim na filosofia. Sua altura teórica corresponde ao contrário da sua prática cotidiana no capitalismo parlamentar: viver sem ideia.

Nossa época quer ser sem analogias com qualquer época anterior. Na verdade, o presente é semelhante à antiguidade tardia (Spätantike). Uma nota de Flaubert: "Les dieux n'étant plus et le Christ n'était pas encore, il y a eu de Cicéron à Marc Aurèle un moment unique où l'homme seul a été" - os deuses já não existiam, e Cristo não existia ainda; de Cícero até Marco Aurélio houve um momento único, quando só o homem existia.** (FLAUBERT, Gustave. Correspondance, 1887-1893. Paris: Hachette, 2012: 247) O início do terceiro milênio marca também uma incubação, uma transição cujo brasão é o início ao invés do fim, a coragem ao invés do regime do medo, a generosidade ao invés da poupança-habitação, o tempo ao invés do lugar, pois se trata de recuperar a duração contra o simultaneísmo e o instantaneísmo. O último dos velhos deuses que falecia foi o neoliberalismo; o próximo enterro que deveríamos acelerar seria aquele da trindade do capitalismo democrático (o Ocidente), timocrático (a Rússia) e oligárquico (a China). Um sinal do despertar da História: a revolução egípcia iniciou precisamente no momento em que a comunicação via internet foi bloqueada pelo estado. O povo saiu às ruas.

Sugestões: a relação da ataraxia estoica e da indiferença pós-moderna; o acosmismo e o assunto particular, a prisão do mundo na gnosis e o "Weltinnenraum des Kapitals" (o espaço global interior do capital),** (SLOTERDIJK, Peter. Im Weltinnenraum des Kapitals. Für eine philosophische Theorie der Globalisierung. Frankfurt am Main: Suhrkamp, 2005) a migração dos povos e o cyberspace.

A depressão atual decorre de uma dupla participação de morte: Deus está morto (séc. XIX), o marxismo está morto (séc. XX). A distância da verdade e do poder constitui a autenticidade do cristianismo antes de degenerar numa ideologia, a distância da verdade e do poder constitui a autenticidade histórica do comunismo revolucionário antes de degenerar numa doutrina estatal. O marxismo e o cristianismo incluem uma ideia da igualdade universal, ideia que ambos contradiziam em sua prática. (Entre parênteses: a democracia, o humanismo, o Direito Internacional Público, o Iluminismo, o fundamentalismo dos direitos humanos: qual é a ideia que resiste a esse confronto? Há de se achar outros critérios que não a contagem dos mortos). Depois do fim de suas vitórias, o comunismo e o cristianismo tomam parte na mesma situação: o poder já não necessita deles. Eis as datas históricas de um intervalo duplo: o século IV (o cristianismo torna-se a religião oficial de Roma) e o fim do século 20 (no projeto da Constituição europeia falta qualquer referência ao cristianismo); o ano de 1918 (a Revolução Bolchevique) e o ano de 1989 (a queda do muro, a milésima vodca do Jelzin). Pela primeira vez, desde os dias de Santo Agostinho, o Ocidente renuncia à religião que lhe pôs à disposição os ópios mais eficazes e, além disso, os mais baratos.

Se Deus, em contrapartida, foi recentemente importado para política, acabou por servir como padrão da despolitização. Além do mais, os governos que hoje em dia invocam o marxismo dão o exemplo do travestismo. O desastre do comunismo estatal danificou gravemente a ideia de uma política igualitária. Foi apenas o fim de uma sequência histórica do comunismo ou foi o fim do comunismo como tal? Para respondê-lo precisamos saber se a inexistência real do comunismo só manifesta uma fraqueza passageira ou se a ideia eterna da igualdade está igualmente mortal.

O fim descobre um início: libertado da hipoteca do poder, o marxismo como o cristianismo defrontam-se com uma tarefa urgente: repensar radicalmente o seu passado para abrir-se ao futuro. Isso promete uma alegria teórica.

No passado, de Celsus** (CELSO. Il discorso della verità. Contro i Cristiani. Milano: Rizzoli Libri, 1989) até Camus,** (CAMUS, Albert. L'homme révolté. Paris: Gallimard, 2006) a grandeza do ateísmo residiu na sua necessidade. Hoje, o ateísmo entra em sua fase pós-heroica e chama-se niilismo ou conformismo sem forma. Por essa indiferença, essa desorientação, ele é bem-vindo no capitalismo, porque persegue o ritmo da eternidade industrial: trabalho-comida-sono-lazer-morte.

O Manifesto comunista descreve em tom admirado o papel revolucionário da burguesia, ou seja, o aspecto liberador do seu modo de produção:

Die Bourgeoisie, wo sie zur Herrschaft gekommen, hat alle feudalen, patriarchalischen, idyllischen Verhältnisse zerstört. Sie hat die buntscheckigen Feudalbande, die den Menschen an seinen natürlichen Vorgesetzten knüpften, unbarmherzig zerrissen und kein anderes Band zwischen Mensch und Mensch übriggelassen als das nackte Interesse, als die gefühllose 'bare Zahlung'. Sie hat die heiligen Schauer der frommen Schwärmerei, der ritterlichen Begeisterung, der spießbürgerlichen Wehmut in dem eiskalten Wasser egoistischer Berechnung ertränkt. Sie hat die persönliche Würde in den Tauschwert aufgelöst und an die Stelle der zahllosen verbrieften und wohlerworbenen Freiheiten die eine gewissenlose Handelsfreiheit gesetzt. Sie hat, mit einem Wort, an die Stelle der mit religiösen und politischen Illusionen verhüllten Ausbeutung die offene, unverschämte, direkte, dürre Ausbeutung gesetzt. [...] Mit einem Wort, sie schafft sich eine Welt nach ihrem eigenem Bild.** (MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifest der Kommunistischen Partei. Stuttgart: Reclam, 1996: 22, 25.) 7 7 "Onde quer que tenha conquistado o poder, a burguesia destruiu as relações feudais, patriarcais, idílicas. Rasgou todos os complexos e variados laços que prendiam o homem feudal a seus 'superiores naturais', para só deixar subsistir, de homem para homem, o laço do frio interesse, as duras exigências do 'pagamento à vista'. Afogou os fervores sagrados da exaltação religiosa, do entusiasmo cavalheiresco, do sentimentalismo pequeno-burguês nas águas geladas do cálculo egoísta. Fez da dignidade pessoal um simples valor de troca; substituiu as numerosas liberdades, conquistadas duramente, por uma única liberdade sem escrúpulos: a do comércio. Em uma palavra, em lugar da exploração dissimulada por ilusões religiosas e políticas, a burguesia colocou uma exploração aberta, direta, despudorada e brutal. [...] Em uma palavra, cria para si um mundo à sua imagem e semelhança." Manifesto do Partido Comunista. Organização e tradução de Osvaldo Coggiola. São Paulo: Boitempo Editorial, 1998, p. 42, 44.

Dessacralisando todos os vínculos, o capitalismo leva as coisas, os homens e o dinheiro a uma deslocalização contínua. Torna o errar universal. 95% das mercadorias globais encontram-se em navios. A humanidade se prepara para abandonar a vida sedentária que levou a partir do neolítico. Contudo, o mesmo Marx concorda com Hegel ao dizer que todos os grandes acontecimentos na história se dão duas vezes. Judeu progressista, São Paulo rompeu com a Lei judaica negando a doutrina do povo eleito. Dessa maneira, a dispersão torna-se uma universalidade. Ao mesmo tempo, determina a condição da unidade verdadeira: todos os pertencimentos, todas as posições subjetivas dentro do mundo - judeu, romano, grego, pagão, homem, mulher, rico, pobre, escravo, livre, circuncidado ou não - não significam senão a aplicação distributiva da lei deste mundo. Representam particularidades indiferentes a respeito da questão decisiva da fé. Essa fé atua como uma força imanente: "não se submetam à lei deste mundo". A lógica da diferença e da repetição determina a procura de uma universalidade anticapitalista onde os motivos (impulsos) cristãos ou comunistas sejam indistintos. Necessita-se reescrever o Manifesto comunista.

Custa menos parar do que continuar assim. É muito mais fatigante manter o status quo do que alterá-lo. Daí o conservadorismo profundo deste ativismo frenético que confirma no mundo do trabalho e do lazer a lei da inércia. O que ocorre não prova a superação dos limites, mas do autobloqueio repetido obstinadamente. Esta imobilidade conduz ao revigoramento da educação pelas pedras.

A tarefa filosófica atual: nomear, articular os termos dessa ideia universal composta de elementos heterogêneos para alcançar uma consistência conceitual.

Cada século possui o seu par, a sua síntese disjuntiva do saber e da fé: Duns Scotus e Tomás de Aquino, Descartes e Pascal, Hume e Kant, Hegel e Kierkegaard, Marx e Nietzsche, Sartre e Heidegger. No presente, as demarcações se tornam ainda mais difíceis: Derrida (a différance como a teologia negativa aplicada aos textos literários)** (DERRIDA; Jacques. Marges de la philosophie. Paris: Minuit, 1972.) e Deleuze (necessitamos de ter fé no mundo para recuperar os nossos vínculos com ele, vínculos que a esquizofrenia capitalista está rompendo),** (DELEUZE, Gilles. L'Image-temps. Cinéma 2. Paris: Minuit, 1985.) Badiou (ateu absoluto que prefere usar a terminologia religiosa para enfrentar o jargão ecologista, feminista, laico, identitário, multiculturalista)** (BADIOU, Alain. Saint Paul. La fondation de l'universalisme. Paris: PUF, 1997; Logique des mondes. Paris: Éditions du Seuil, 2006.) e Zizek (vale a pena defender o cristianismo, pois a nossa cultura liberal não crê sequer em suas próprias convicções),** (ZIZEK, Slavoj. The fragile Absolute: or, why ist he christian legacy worth fighting for. London: Verso, 2001.) Agamben (a religião como a vitória sobre a vitória)** (AGAMBEN, Giorgio. Le Temps qui reste: un commentaire de l'Epître aux Romains. Paris: Payot & Rivages, 2000.) e Negri (um comunismo franciscano),** (NEGRI, Antonio; HARDT, Michael. Empire. Globalization as a new Roman order, awaiting its early Christians. Cambridge/Massachusetts: Harvard University Press, 2000.) Türcke (a ressurreição do corpo como consequência última do materialismo)** (TÜRCKE, Christoph. Kassensturz. Zur Lage der Theologie. Frankfurt: Fischer Taschenbuch Verlag, 1992.) e Sloterdijk (a tensão vertical, a teo-morfologia do círculo).** (SLOTERDIJK, Peter. Du mußt dein Leben ändern. Über Anthropotechnik. Frankfurt am Main: Suhrkamp, 2009.)

Em sua estrutura epistemológica, a teoria de Marx pertence a um intelectualismo que remonta a Sócrates: o saber da verdade conduz necessariamente a sua realização - uma força irresistível de nome anamnesis ou proletariado. O problema que resta não afeta a essência do saber, mas somente o modo temporal: agora ou mais tarde. Dessa indistinção resulta a inexistência da moral no marxismo, a moral considerada como a impotência em ação. Na verdade, foi a crença nas leis histórico-dialéticas o que causou o desastre marxista. Isso remete à um conceito filosófico central no século de Marx: a vontade (Schelling, Schopenhauer, Kierkegaard, Nietzsche), e então o livre-arbítrio, junto aos avatares da decisão e da escolha. Esse indeterminismo nos impede de reduzir a razão a causa sui, a tentação demiúrgica do autofundamento - a raiva do logos de depender da matéria, a incapacidade de alcançar os próprios pressupostos. Não são todos os porcos que não são marxistas.

Face a essa mitologia da auto-gênese, o livre-arbítrio ajuda a entender a forma lógica no centro do pensamento: o paradoxo. Não há uma unidade última fundando os demais. Cada autodeterminação precisa assumir a forma do desenvolvimento do paradoxo: é inevitável supor o contrário. Qual dos cativos de Platão consegue sair primeiro da caverna, onde não faltava nada a não ser aquilo que se tornou conhecido apenas após o abandono da caverna? De onde vem o impulso de Dante de iniciar a sua viagem pelo inferno se não sabia de antemão o fim paradisíaco garantido? Por que Kant fala da menoridade causada pelo próprio homem se a saída dela pressupôs uma entrada que não deveria existir? O pecado original pressupôs o conhecimento da diferença do bem e do mau para entender a proibição de comer as frutas da árvore do conhecimento - uma diferença que deveria resultar da infração dessa proibição. A luta de classe pressupôs a liberdade que deveria resultar dessa luta.

O alcance da vontade política: no ano de 1967, durante a Revolução Cultural na China, os guardas vermelhos decidem a favor da abolição integral do egoísmo.

A verdade da poesia se encontra em seus paradoxos. "Wo die Gefahr ist/wächst das Rettende auch" - Onde o perigo está, lá cresce também aquilo que redime.** (HÖLDERLIN, Friedrich. "Patmos". In: Sämtliche Gedichte. Wiesbaden: Aula Verlag, 1989: 73.) "Bete, Herr/bete zu uns/wir sind nah" - Roga, Senhor, roga por nós; estamos próximos.** (CELAN, Paul. "Tenebrae". In: Sprachgitter. Frankfurt am Main: Fischer, 1959: 27.) "Denn das Schöne ist nichts als des Schrecklichen Anfang" - Pois o belo não é senão o começo do terrível.** (RILKE, Rainer Maria: "Die erste Elegie". In: Duineser Elegien. München: Deutscher Taschenbuch Verlag, 1997: 7) "How can we know the dancer from the dance?" - Como podemos diferenciar o dançarino pela dança?** (YEATS, Charles Butler: "Among School Children". In: The Tower. London: Folio Press, 1987: 36) "La terre est bleue comme une Orange" - A terra é azul como uma laranja.** (ÉLUARD, Paul. "La terre est bleue". In: L'Amour la poésie. Paris: Gallimard, 1929: 15.) "Il y tant de choses terribles - Non non, il n'y en a plus tellement" - Há muitas coisas terríveis - Não, não, já não há, pois, nada.** (BECKETT, Samuel. Fin de partie. Paris: Éditions de Minuit, 1957: 41.)

Nos seus melhores e mais dramáticos instantes, a filosofia testemunhou a indistinção entre o livre-arbítrio e a necessidade, entre o escolher e o ser escolhido, entre o sujeito e algo superior, entre a decisão e a obediência, entre o Eu e o anônimo. Seus nomes: a ideia, o conhecimento intuitivo sub specie aeternitatis, o espírito absoluto, a revolução. Sempre a vocação ou a autovocação do absoluto, sempre a evidência de pensar em nome de algo que se forçou a pensar.

Sem olhar para o conteúdo específico daqueles instantes, vale notar: eles apresentam a verdade como um acontecimento, uma irrupção (a verdade da filosofia, a verdade de uma situação política, a verdade da arte, a verdade do amor) - os antípodas do positivismo, do relativismo, do ceticismo. Se cada verdade exige a fidelidade, se cada verdade contém uma decisão, tudo depende, para evitar o decisionismo, de se esclarecer o critério por trás dessas verdades. Queria sugerir a universalidade, a possibilidade de tornar universal uma ideia política. Daí salta aos olhos que nossas democracias capitalistas do Ocidente nos deixam sem um futuro universal.

No último aforismo de Minima Moralia, Adorno torna o conjuntivo em imperativo: a filosofia, diante do desespero, seria a tentativa de perceber as coisas como elas se apresentariam do ponto de vista da redenção. Ele acrescenta mais tarde que, perante essa exigência, a questão da realidade ou da irrealidade da redenção torna-se quase indiferente. Numa ligação da negação hegeliana e da ideia kantiana, esse aforismo repousa na sucessão de um certo neokantismo cuja obra mais conhecida foi A filosofia do como se, de Hans Vaihinger. Da filosofia de Kant decorrem duas aporias: o Eu transcendental e a coisa-em-si. Apenas o sublime visa o campo onde o absoluto se torna sensível, enquanto Adorno parte da dessublimação radical da experiência. A indeterminação estética, contudo, determina a atitude de Adorno perante o Absoluto. A forma do "como se" pode ser característica para uma obra de arte, mas vira um subterfúgio em face da teologia. Deus existe ou não existe, tertium non datur. Pelo menos aqui Benjamin é unívoco. "Erst der Messias selbst vollendet alles historische Geschehen" - Apenas o Messias leva a cabo o acontecimento histórico.** (BENJAMIN, Walter. "Theologisch-politisches Fragment". In: Gesammelte Schriften. Volume 2. Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1991: 203.)

Se a estética quer ser outra coisa que não uma transcendência vazia, outra coisa que não a infinidade da imaginação, outra coisa que não o je ne sais pas quoi, ela deve confrontrar de novo a questão de Kierkegaard:** (KIERKEGAARD, Sören. Abschliessende unwissenschaftliche Nachschrift zu den Philosophischen Brocken, 2 v. Gütersloh: Gütersloher Verlagshaus, 1988.)o que distingue a ficção estética da ficção religiosa? Resposta: a última não permite uma posição contemplativa, mas exige um salto. Quando Adorno acusa o irracionalismo desta decisão, ele quer escamotear a sua própria ambivalência tão abismal.

O "como se" se reencontra numa passagem-chave de São Paulo com efeitos nada ambivalentes: "Isto, porém, vos digo, irmãos, que o tempo se abrevia; o que resta é que também os que têm mulheres sejam como se as não tivessem; e os que choram, como se não chorassem; e os que folgam, como se não folgassem; e os que compram, como se não possuíssem; e os que usam deste mundo, como se dele não abusassem, porque a aparência deste mundo passa. E bem quisera eu que estivésseis sem cuidado".** (PAULO. Primeiro epístulo aos coríntios, 1, 7, 29-31.) O messianismo leva à desapropriação de toda a propriedade político-jurídica mediante a forma do "como se não".

A Infinidade. A filosofia grega não conheceu essa ideia. Ser existente significava ser limitado no tempo e no espaço: o que carecia de limitação carecia de forma arriscando-se a ser nada. Por isso, o termo τὸ ἄπειρον parte do alpha privativum: a infinidade, o ilimitado, indicam um defeito, uma imperfeição. A matemática antiga grega também só admite a infinidade negativa do número. O cristianismo escolástico torna a infinidade um atributo positivo de Deus no sentido qualitativo, adotando a distinção de Aristóteles: há a infinidade atual (Deus) e a infinidade potencial (o mundo). Depois de Copérnico, depois da prova da infinidade temporal e espacial do universo, o cristianismo ficou carente de uma cosmologia. Havia, porém, um modo para pôr em acordo a infinidade do mundo e a infinidade divina, pois a primeira foi considerada como a concretização manifesta, ainda que inferior, da segunda. No século XVII, Leibniz e Pascal introduziram na matemática o infinitesimal, os valores limites sendo o "infinitamente pequeno" e o "infinitamente grande". O matemático Georg Cantor (1845-1918) desenvolveu uma teoria de conjunto com consequências revolucionárias. Foi o primeiro a conseguir representar a infinidade como uma positividade matemática. Desde Cantor, a infinidade é um número (os números transfinitos, a infinidade atual). Ao mesmo tempo, Cantor sofreu de uma doência mental que lhe levou a muitas estadas no sanatório. Cantor tornou-se um homem profundamente religioso. Para conciliar o alcance da sua descoberta com a doutrina católica, foi para Roma conversar com o Papa.** (FOSTER WALLACE, David. Everything and More. A Compact History of Infinity. New York: W. W. Norton & Company, 2003; BADIOU, Alain. Le fini et l'infini. Montrouge: Bayard Éditions, 2010.)

Na época moderna, a infinidade, despojada de sua majestade religiosa, é devolvida ao mundo, um mundo infinitamente finito. A literatura romântica (no amplo sentido do termo) pôs em dúvida esta infinidade reduzida a um conceito frio. "Nah ist/und schwer zu fassen/der Gott" - Próximo e difícil de ser alcançado é Deus.** (HÖLDERLIN, Friedrich. "Patmos". In: Sämtliche Gedichte. Wiesbaden: Aula Verlag, 1989: 73.)Coloca-se em contrapartida a imaginação ilimitada junto à infinidade do desejo. Essa configuração levou a uma confrontação com a nova transcendência científica, para lembrar a singularidade do espírito humano. Além disso, criou o poema mais curto do mundo, fazendo o minimalismo absoluto:

M'illumino

d'immenso 8 8 "Deslumbro-me/ pelo imenso". * * (UNGARETTI, Guiseppe. Vita d'un uomo. Tutte le poesie. Milano: Mondadori, 2005: 55.)

A chance da visão religiosa do mundo deve-se ao fato de que as outras descrições da realidade ficaram insuficientes. Nomes como "secularização, "a sociedade capitalista", "sociedade da informação", "sociedade do risco", "sociedade pluralista", "sociedade moderna ou pós-moderna" marcam outras tantos indeterminações. As explicações científicas no tocante ao início ou fim do mundo, ou no tocante à origem do mal não são melhores nem mais convincentes do que aquelas da religião.

Queen: "Who wants to live forever, who wants to live forever?" - Quem quer viver para sempre?

A eternidade. Na qualidade de partidários da vida, os adversários da religião repreendem o seu pacto imemorável com a morte. O capital da fé, dizem, é a mortalidade e nada mais. Abafam o teor real da boa notícia. A Escolástica contou a tristeza ("acedia") entre os pecados mortais porque manifesta o estado habitual, a condição natural dos homens, por conseguinte o mais afastado de Deus. Um escolástico atrasado e desconhecido chamado Nietzsche lembrou-se disso escarnecendo que todos os cristãos deveriam parecer mais redimidos. O seu Zarathustra procurou melhorar até ultrapassar a boa nova lembrando a sua base somática, onde encontrou o teológo mais antigo: "Alle Lust will Ewigkeit" - Todo desejo quer a eternidade.** (NIETZSCHE, Friedrich. Also sprach Zarathustra. Stuttgart: Reclam, 1986: 167.)

A ideia comum da eternidade imagina um tempo infinitamente estendido, um tempo sem fim. Isso mostra que também essa dimensão é atingida pelo acúmulo capitalista, que festeja ininterruptamente a quantidade. Contra isso, é necessário apresentar a eternidade ligada à experiência. A eternidade contém um fundo empírico. Trata-se dos momentos da felicidade, uma coisa rara, não comprável, involuntária, imprevisível - uma graça. Não há uma soma destes momentos porque nisto chega-se a um tempo qualitativamente diferente, um tempo que não passa, mas um tempo que se cumpre. Lembrem-se dos quatro ou cinco momentos mais felizes da vida e logo procurarão esboçar um tempo compostos por eles: compreenderão assim algo da eternidade. Shakespeare levou o tempo humano a seu limite perguntando por que basta somente a aritmética de um cocheiro de cervejaria para somar os momentos felizes da vida.

ASLSP.9 9 www.en.wikipedia.org/wiki/As Slow as Possible Em 1987, John Cage, o aluno de Arnold Schönberg, compôs, a partir de um programa aleatório de computador, uma peça para órgão com o andamento as slow as possible. John Cage empregou também a designação as slowly and soft(ly) as possible relacionada com "Soft morning city. Lsp!", do Finnegans Wake, de Joyce. Como entender as slow as possible? Como ficar literalmente fiel a isso? Pode-se tocar e pensar esse trecho infinitamente longo? Pelo menos tão longo quanto o tempo da vida desse órgão. No ano de 1361, foi erguido o primeiro grande órgão do mundo na catedral gótica de Halberstadt, na Saxônia-Anhalt. Esse órgão passa a ser o berço da música moderna, pois o esquema de seu teclado é usado ainda hoje nos instrumentos de teclado.

Em 2001, 639 anos mais tarde, começou a representação da peça de música mais longa e mais lenta do mundo. Visto que até hoje se fazem missas na catedral de Halberstadt, escolheu-se o órgão da Igreja Sankt-Burchardi (edificada em 1050, mas atualmente fechada) na mesma cidade. Como a peça se iniciou com um pausa de 18 meses, o primeiro som foi ouvido em 5 de fevereiro de 2003. A duração de as slow as possible será de 639 anos, ligando assim o ano de 1361, via 2001, ao de 2639. O órgão cresce as slow as possible com o tempo: neste momento, estamos ouvindo o primeiro trítono de 6 tubos do órgão. A mudança do tom é um assunto público; o próximo terá lugar no dia 5 de setembro de 2020. Para financiar o projeto, cada um pode se tornar doador. Por menos de mil euros "compra-se" um ano: 2093, 2515, etc. Enquanto o tempo serve sempre ao dinheiro, aqui o dinheiro serve ao tempo.

  • * (HEIDEGGER, Martin. Sein und Zeit. Tübingen: Niemeyer-Verlag, 1967: 29)
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  • 6 "The Federal Reserve Bank of New York: The Key to the Gold Vault" (www.newyorkfed.org/education/addpub/goldvault.pdf).
  • 7
    "Onde quer que tenha conquistado o poder, a burguesia destruiu as relações feudais, patriarcais, idílicas. Rasgou todos os complexos e variados laços que prendiam o homem feudal a seus 'superiores naturais', para só deixar subsistir, de homem para homem, o laço do frio interesse, as duras exigências do 'pagamento à vista'. Afogou os fervores sagrados da exaltação religiosa, do entusiasmo cavalheiresco, do sentimentalismo pequeno-burguês nas águas geladas do cálculo egoísta. Fez da dignidade pessoal um simples valor de troca; substituiu as numerosas liberdades, conquistadas duramente, por uma única liberdade sem escrúpulos: a do comércio. Em uma palavra, em lugar da exploração dissimulada por ilusões religiosas e políticas, a burguesia colocou uma exploração aberta, direta, despudorada e brutal. [...] Em uma palavra, cria para si um mundo à sua imagem e semelhança." Manifesto do Partido Comunista. Organização e tradução de Osvaldo Coggiola. São Paulo: Boitempo Editorial, 1998, p. 42, 44.
  • 8
    "Deslumbro-me/ pelo imenso".
  • 9
    www.en.wikipedia.org/wiki/As Slow as Possible

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    July-Dec 2014

Histórico

  • Recebido
    14 Jan 2014
  • Aceito
    12 Maio 2014
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