A besta e o soberano: três notas para Derrida

The Beast and the Sovereign: Three Footnotes to Derrida

Geoffrey Bennington

Partindo do entrelaçamento original entre os conceitos de soberania e bestialidade elaborado por Jacques Derrida nos seminários de A besta e o soberano, este ensaio investiga as formas pelas quais tal entrelaçamento é pensado por três filósofos que se debruçaram sobre o tema. Em Aristóteles, está em questão a tensão no conceito de homem ideal, aquele que, por ser ideal, não é naturalmente político - politikon zoon - e, portanto, como um deus ou uma besta, fica acima ou abaixo da polis. Sendo superior, é ele quem fará a justiça e as leis, não podendo, consequentemente, fazer parte de um estado. Em Bataille, trata-se de avaliar o modo como o filósofo elabora a associação entre a soberania e a morte, numa lógica de autoperversão ou autoimunidade que fará aflorar a inumanidade do soberano, fazendo com que a soberania seja um constante pôr-se à morte do soberano. Em Heidegger, é possível notar como o filósofo, a partir da leitura de Antígona, propõe e pensa a violência original do conceito de soberania na figura do hupsipolis apolis, isto é, daquele que, por honrar e obedecer as leis do estado, quebrará essas leis e será banido da polis, demonstrando a inseparabilidade entre os conceitos de soberania e bestialidade.

Derrida; soberano; besta; Aristóteles; Bataille; Heidegger


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