Mediante registros de batismo da freguesia de Nossa Senhora da Conceição de fins do século XVIII, o artigo analisa aspectos da escravidão urbana em Luanda. Salienta que, em um contexto marcadamente impactado pelo tráfico atlântico de cativos, o batismo e o compadrio serviram aos pais, sobretudo às mães, como profilaxia política contra a deportação por meio do comércio de cativos. O simples fato de ser batizado e de receber nome cristão diferenciava os batizados e seus genitores das milhares de cabeças e crias que não recebiam nomes cristãos no ritual do batismo, posto que eram destinadas ao tráfico atlântico de cativos. Isto significa que a hierarquia escravista se manifestou explicitamente nas formas de nomeação cristãs. Assim, não obstante suas dimensões religiosas, católicas ou não, o batismo e o compadrio (re)definiam estatutos jurídico-sociais na cidade, diferenciavam livres de forros e escravos e podiam levar à alforria. Conclui-se que o cristianismo católico, a escravidão em Luanda e o comércio atlântico de cativos estavam umbilicalmente ligados.
Palavras-chave:
Batismo; compadrio; escravidão; liberdade; Luanda
Thumbnail
Thumbnail
Thumbnail
Thumbnail
Thumbnail
Thumbnail
Thumbnail
Fonte: AALNSR, 1797-1799, fl. 157.

Fonte: CURTO, José C. A quantitative re-assessment of the legal Portuguese slave trade from Luanda, Angola, 1710-1830. African Economic History, Madison, n. 20, p. 1-25, 1992.
Fonte: AALNSC, 1771-1786. Obs.: Tabulamos os nomes das mães, não o número de mães. Se uma mulher batizou dois filhos, foi contada duas vezes, por exemplo.
Obs.: No total, respectivamente, as mães cativas, forras e livres eram 70,5%, 22% e 7,5%.

(a) Percentual dos pais (b) percentual das mães. Excluímos casos em que não foi possível aferir a combinação