Este artigo analisa como demandas relativas ao aperfeiçoamento da produção açucareira foram pautadas na política provincial da Bahia e no Império em meados do século XIX. Para isso, nos debruçamos sobre a atuação de Francisco Gonçalves Martins, político e senhor de engenho baiano, em torno da “Comissão para melhoramento do cultivo da cana e do fabrico do açúcar”, formada na província em 1852. Propomos que políticos-senhores de engenhos, alinhados ao projeto de centralização política e manutenção da escravidão no Brasil, fizeram uso de cargos públicos, envidando esforços para amparar a produção açucareira em um contexto de concorrência interna (com o café) e externa (com outras regiões produtoras de açúcar). O texto está organizado em três seções, nas quais abordamos: trâmites envolvendo a formação da Comissão na Bahia; debates em torno do melhoramento do açúcar na Assembleia Geral; e resultados obtidos a partir dos trabalhos da Comissão. Ressaltando a articulação entre atuação política e vínculos econômicos, buscamos contribuir para compreensão da complexa trama política imperial. Foram utilizadas como fontes, principalmente, relatórios de presidentes da província da Bahia, atas da Assembleia Provincial da Bahia e da Assembleia Geral.
PALAVRAS-CHAVE:
Política; Economia; Açúcar; Melhoramento agrícola; Império