Resumo
RESUMO: As moradias destinadas a trabalhadores ferroviários constituem um componente estrutural do patrimônio industrial-ferroviário do estado de São Paulo ao articularem casa, trabalho e vigilância em diferentes contextos territoriais. Este artigo analisa o papel dessas edificações na operação da rede paulista entre o final do século XIX e meados do século XX, com ênfase em colônias rurais de cidades de pequeno e médio porte vinculadas à antiga Estrada de Ferro Araraquara (EFA), núcleo empírico do estudo. O objetivo é compreender como a conformação formal, a implantação e a organização interna desse conjunto expressam políticas empresariais de alojamento e controle, bem como as ambiguidades de sua permanência social no presente. A metodologia combina levantamento arquitetônico e fotográfico, análise de projetos conservados em acervos e revisão bibliográfica sobre vilas ferroviárias, mobilizando esses materiais para identificar padrões construtivos, racionalidades funcionais e usos contemporâneos. O inventário evidencia a diversidade tipológica dos casos registrados, sua inserção nos complexos ferroviários e os processos desiguais de transformação e salvaguarda em curso. Como contribuição, o artigo desloca o foco de estudos tradicionalmente centrados em edifícios de passageiros e em vilas urbanas pertencentes a grandes companhias e incorpora exemplares habitacionais da EFA situados em áreas rurais e em trechos pouco examinados, inserindo-os ao debate sobre memória do trabalho e políticas de preservação. Dessa forma, os resultados apontam que a permanência dessas habitações no território desafia leituras patrimoniais hierarquizadas, fragmentadas e centradas na excepcionalidade formal, exigindo abordagens capazes de reconhecer sua dimensão histórica, social e conflitiva na atualidade.
PALAVRAS-CHAVE:
Moradia Ferroviária; Patrimônio Ferroviário; Ferrovias; Estado de São Paulo; Estrada de Ferro Araraquara.
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Fonte:
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Fonte: Arquivo Público do Estado de São Paulo.
Fonte: https://abrir.link/TXJPC. Acesso em: 25 fev. 2025 Nota: Na camiseta dos jogadores é possível observar a logo do AFE, muito semelhante à da EFA. Fonte: Acervo do Museu Ferroviário de São José do Rio Preto. Fotografia do autor (2026).
Fonte: Arquivo Público do Estado de São Paulo.
Fonte: Google Earth (adaptado pelo autor).
Fonte: foto do autor.
Fonte: foto do autor.
Fonte: foto do autor.
Fonte: foto do autor. Nota: A presença majoritária de crianças negras indica que esses territórios, hoje ocupados, operam simultaneamente atravessamentos de classe, raça e acesso desigual a políticas públicas, o que amplia a necessidade de abordagens interseccionais na formulação de ações de preservação e habitação.
Fonte: Destro e Salcedo (2021, p. 103).
Fonte: Google (adaptado pelo autor).